TURISMO E ENERGIA SUSTENTÁVEL: O CASO DA USINA EÓLICA DE PALMAS -PR
ÁREA TEMÁTICA - Turismo y patrimônio
RENATA MARIA RIBEIRO - Univ Estadual Paulista - renata@[Link]
ROBERSON DA ROCHA BUSCIOLI - Univ Estadual Paulista - buscioli@[Link]
GUILHERME HENRIQUE BARROS DE SOUZA - Univ Estadual Paulista
guilhermebarros@[Link]
EDUARDO FELIPE RIBEIRO DE SOUSA - Univ Estadual Paulista [Link]@[Link]
RESUMO
O turismo tem sido considerado pela OMT (2010), um agente transformador de economias que
permite acolher trabalhadores nos seus diversos segmentos. Sob o ponto de vista dos profissionais
do turismo e também para gestores, essa atividade se baseia na diversificação da economia pela
utilização das infra-estruturas da cidade e de suas belezas naturais ou construídas, que somadas
formam o produto a ser comercializado, gerando renda, empregos e de certo modo valorização
cultural dos ambientes receptivos, e de sua comunidade. Os diversos atrativos turísticos de uma
cidade compõem sua representatividade no cenário do desenvolvimento da atividade. Tradicionais
ou não, podem ser planejados ou em alguns casos como a Usina Eólica de Palmas - PR , possuem
outra finalidade, entretanto se transformam espontaneamente em atrativo turístico. O município de
Palmas - PR possui características geográficas que permitiram a instalação em 1999 de uma usina
eólica. A implantação de cinco aero geradores de 500kW cada, em território outrora utilizado
somente para atividade agropastoril alterou a paisagem da região, e passou a chamar a atenção de
viajantes que passavam pela BR - 280 a uma distância de 30 km da região central da cidade. Houve
a motivação de pessoas em estacionar na estrada para visualizar os cata-ventos e suas hélices
gigantes e atualmente a usina é vista como atrativo turístico. Nesse contexto esse estudo teve como
objetivo observar as mudanças no território na região de Palmas - PR no perímetro em que a usina
eólica foi instalada e discutir a apropriação da paisagem construída em benefício do turismo. A
metodologia do estudo baseou-se no referencial teórico em torno do turismo, das construções
técnicas e da transformação territorial ocasionada na região. A conclusão preliminar em torno do
tema foi de que a estrada outrora considerada como corredor de traslado, transformou-se em
corredor turístico uma vez que na localidade foi criado um espaço de estacionamento para
visualização da usina; constatou-se também que a atratividade do local promoveu a instalação de
serviços de informação turística, de venda de produtos artesanais e alimentos que atendem os
viajantes "visitantes"; e ainda passou a ser considerado um dos principais atrativos turísticos de
Palmas - PR. Esses resultados reiteram a discussão do fenômeno aliado ao turismo como também a
transformação do território devido à instalação de uma nova fonte de energia e da atividade turística
em um local ermo e transformado por essas duas atividades produtivas.
PALAVRAS-CHAVES: Turismo, planejamento, ordenamento territorial, usina eólica.
INTRODUÇÃO
O turismo tem o seu legado e importância histórica que são relatados por vários autores; em
diversos países onde a atividade se desenvolve pode-se observar um amplo interesse e necessidade
de estudos e pesquisas relacionados aos efeitos provocados por sua inserção no território. Tais
estudos colocam o turismo em um patamar de destaque em referência às pesquisas, teorias, índices
estatísticos e ferramentas imprescindíveis para uma compreensão em torno do tema. Essa atividade
tratada como fenômeno por Husserl como tudo que intencionalmente está presente à consciência,
sendo para esta uma significação. O conjunto das significações chama-se de “mundo”. (HUSSERL,
2008, p.7) Transpondo o termo fenômeno, não em sua total complexidade, para fenômeno turístico
termo muito utilizado na literatura técnica dessa atividade, pode-se observar ainda uma necessidade
de maior aprofundamento dos conceitos, uma vez que a ciência fenomenológica embasa trabalhos
científicos respeitados mundialmente.
Aqui surge, naturalmente, uma dúvida que reside quando alguns autores
brasileiros definem turismo como fenômeno: “Será que o mesmo está sendo
visto como ‘aquilo que aparece ou se manifesta em si mesmo, como é em si,
na sua essência?”. (PANOSSO NETTO, 2005, p. 104)
De certo modo concorda-se com Panosso Netto (2005) quando o mesmo instiga o
pesquisador para outro olhar; todavia é prudente mencionar que os estudiosos do tema iniciaram
esse debate a algumas décadas diferentemente das ciências tradicionais constituídas há séculos.
Para Acerenza (1991) o turismo é visto como um fenômeno, e sua dinâmica e crescimento
deve ser estudada pelos que direta ou indiretamente estão envolvidos com o seu desenvolvimento.
Necesariamente los esfuerzos en este sentido deben comenzar por tratar lo
referente a su definición, ya que el turismo, como fenómeno social
complejo, puede tener distintos significados en función del papel que en un
momento dado jueguen las personas que en él intervienen. (ACERENZA,
1991, p. 23)
De La Torre (1992) se refere a turismo como fenômeno devido às relações que essa
atividade causa devido a circulação de pessoas e sua permanência em determinados destinos.
O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e
temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por
motivos de recreação, descanso cultura ou saúde, saem do seu local de
residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade
lucrativa nem remunerada, gerando múltipla inter- relações de importância
social, econômica e cultural. (DE LA TORRE, 1992, p.19)
Douglas Pearce (1989) é um autor que alia o turismo à geografia e ao planejamento urbano
principalmente relacionando a atividade ao componente “viagem” entendida também como
movimento, palavra intimamente ligada à análise geográfica. Em seus apontamentos sobre o tema, o
autor define a atividade como
tourism has been defined in various ways but may be thought of as the
relationships and phenomena arising out of the journeys and temporary
stays of people travelling primarily for leisure or recreational purposes.
(PEARCE, 1989, p. 01)
E por fim, claro, não esgotando as definições sobre o tema, apenas selecionando algumas,
“pode-se considerar então que o turismo é a soma de fenômenos e relações originados da interação
de turistas, empresas, governos locais e comunidades anfitriãs no processo de atrair e receber
turistas e outros visitantes”. (GOELDNER, 2002, p.23)
Observando as definições e mesmo a dinâmica que o turismo produz, torna-se evidente que
atividades diversas possam despertar o interesse de pessoas em conhecer culturas, lugares e
tecnologias; sendo a base desse conhecimento tratada principalmente a partir do deslocamento a
outras localidades desconhecidas ou que não façam parte do cotidiano.
Em torno desse deslocamento e do movimento do turismo observa-se os caminhos, as rotas,
as estradas em uma perspectiva do estudo do espaço turístico.
Roberto Boullón na década de 1980 foi um dos precursores da teoria do espaço turístico.
Assimilando conceitos de outras áreas, mas sob um olhar sempre voltado à América Latina, esse
autor não concebia que os modelos europeus aplicados ao turismo fossem integralmente inseridos
nos países em desenvolvimento uma vez que a realidade, padrões sociais e até mesmo ambientais
entre Europa e América são diversos.
Depois de trabalhar durante trinta anos em quase todos os países da América
Latina, e de ter tentado, sem sucesso, a adoção de algumas tecnologias
elaboradas por especialistas vindos de países desenvolvidos, e após
comprovar que muitos projetos turísticos foram aprovados e executados
levando-se em conta, unicamente, questões de desenho urbano devido à
ausência de uma visão integral do fenômeno turístico, vime na necessidade
de elaborar algumas análises e fixar alguns critérios que permitissem
abordar tal questão sem, entretanto, perder de vista as condições
socioeconômicas e tecnológicas do ambiente em que nos cabe atuar.
(BOULLÓN, 2002, p.07)
Para Boullón (1990), o município deve ser o gestor das resoluções do desenvolvimento do
setor turístico local, uma vez que conhece a realidade do espaço e do espaço turístico. Essa atitude
pode determinar um planejamento focado na realidade e na potencialidade municipal e regional,
planejando sua realidade, sem uma submissão passiva ao organismo estadual ou federal.
Asi, estaremos en condiciones de presentar, en primer lugar, el listado de los
diferentes tipos de tareas administrativas operativas y técnicas que el
municipio debe realizar en su propio ámbito y, luego, cuáles de esas tareas
tienen que asumir las provincias y la nación, para que, mediante una
distribución inteligente de responsabilidades, se permita que los municipios
turísticos funcionen como verdaderos centros productores de servicios
turísticos. (BOULLÓN,1990, p. 5)
A função dos municípios turísticos é buscar conhecer os aspectos físicos do território no que
concerne localizar precisamente os atrativos turísticos, os empreendimentos e a infra-estrutura
diretamente relacionados ao turismo para então observar como esses elementos interagem com o
planejamento territorial e turístico. Sob o ponto de vista dos aspectos físicos pode-se observar tipos
diferentes de espaço físico. Segundo Boullón (2002), o espaço físico está dividido em espaço real,
potencial, cultural, natural, virgem, artificial e vital.
TIPO DE ESPAÇO SIGNIFICADO
Real A superfície da terra, camada da biosfera que o
envolve. O homem comprova sua existência,
desloca-se e pode modificá-lo.
Potencial Possibilidade de destinar ao espaço real o uso
diferenciado do atual. Pertence à imaginação de
planejadores que após o diagnóstico podem
modificar as possibilidades de uso do território
Cultural Espaço modificado de sua fisionomia original
pela ação direta ou indireta do homem.
Natural Adaptado Onde há predomínio de espécies do reino
vegetal, animal ou mineral sob as condições
estabelecidas pelo homem
Natural Virgem Áreas naturais protegidas onde não há vestígio
da ação do homem
Artificial Espaço em que há os artefatos construídos pelo
homem. Exemplo das cidades
Vital Refere-se ao solo, ao homem e todas as espécies
QUADRO 1 - TIPOS DE ESPAÇO
FONTE: Adap. BOULLÓN (2002)
O conceito de espaço descrito anteriormente mostra a complexidade da relação entre o
espaço e sua ocupação pelo homem. Essa tipologia baseia a tipologia do espaço físico que dá
suporte à teoria do espaço turístico. O espaço turístico é consequência da presença e distribuição
territorial dos atrativos turísticos em determinado território.
Quando os técnicos trabalham na determinação do espaço turístico, o que
fazem é delimitar, em um mapa, uma superfície de dimensões planas, que é
a melhor forma de representar o espaço que interessa aos planejadores
físicos (BOULLÓN, 2002, p.79).
A afirmação de Boullón se refere à localização de atrativos turísticos entre outros elementos
em mapas específicos, e que certamente, são imprescindíveis ao planejamento do turismo. A
realidade no Brasil, é que o planejamento da atividade em suas várias técnicas já aplicadas, deixou e
ainda desconsidera essa abordagem sob os aspectos técnicos do mapeamento para o planejamento
do turismo, uma vez que pouco ou sequer são observados esses estudos nos Planos de
desenvolvimento municipal do turismo.
A teoria do espaço turístico não se baseia apenas nos tipos de espaço. Pode-se afirmar que os
componentes do espaço turístico são as ferramentas necessárias à classificação de destinos turísticos
para auxiliar no planejamento territorial. Segundo Boullón (2002) a melhor forma de determinar o
espaço turístico é por meio do método empírico, do qual é possível observar a distribuição territorial
dos atrativos turísticos e dos empreendimentos, a fim de espacializar os agrupamentos e
aglomerações relativas à dinâmica da atividade.
O mesmo autor sugere o uso dos componentes do espaço turístico como metodologia
específica para realizar um estudo detalhado e mais conciso a respeito dos elementos do
planejamento físico do espaço turístico. Eis que é imprescindível detalhar tais componentes, uma
vez que pode-se utilizar tais modelos em uma interpretação das localizações dos atrativos culturais e
naturais a fim de observar a dinâmica territorial dos atrativos turísticos e o comportamento dos
espaços em relação à atividade.
Nesse aspecto Boullón observa a característica dos espaços turísticos em termos de
corredores ( fluxos) que possibilitam o deslocamento de pessoas aos locais de seu interesse.
O turismo possui essa característica, desenvolve estratos de uso utilizando estradas e caminhos que
hora servem somente para o deslocamento, ora para apreciação da paisagem , ora para interligar
lugares e atrativos. A esse movimento Boullón segmenta na Teoria do espaço Turístico em que
denomina Componentes do Espaço Turístico - Corredor , Corredor de Traslado e Corredor de
Estada.
Figura 1 - Corredor turístico
Fonte: Adapt. Boullón, 2002.
As definições de Boullón (2002), inseridas nesse trabalho são um suporte a análise da
situação do turismo a partir da implantação de recursos para a observação diagnóstica em apoio as
constatações observadas. A partir da coleta de informações dos recursos, atrativos turísticos, infra-
estrutura e equipamentos, pode-se atrelar a teoria do espaço turístico à realidade do território, o que
significa a possibilidade de um planejamento turístico municipal mais preciso e possível. Outra
contribuição para o ordenamento do território turístico é a possibilidade, a partir do mapeamento, de
encontrar territórios potenciais ao turismo, o que possibilita um reordenamento do território em que
a teoria do espaço turístico poderia ser inserida aos planos diretores e assim, contemplados a uma
gestão específica de proteção e gestão com o foco na atividade turística.
O PLANEJAMENTO E O TURISMO
A palavra planejamento em si refere-se ao ato de fazer um plano, de traçar objetivos, de
projetar ações vislumbrando o futuro. Desse modo iniciar-se-á esse capítulo a partir de uma breve
introdução ao planejamento de modo amplo, uma vez que este precede, subsidia, e projeta as
ferramentas necessárias ao planejamento do turismo. As cidades necessitam de meios e técnicas
para que os gestores possam administrar os recursos em benefício de sua população. Estas técnicas,
em alguns casos não são amplamente aplicadas por sua complexidade diante das inúmeras ações,
pertinentes ao desenvolvimento social, urbano, econômico, e territorial. Neste aspecto, observa-se o
grau de descaso encontrado em municípios onde a administração pública é relegada ao casuísmo e
atrelado a processos eleitorais que impedem a visão técnica do planejamento. Com o início da
democratização no Brasil, vimos privilegiando a atuação política em detrimento da técnica, como se
esta última acontecesse por encanto em decorrência da primeira. Esquece-se a própria origem da
palavra técnica: em grego, teknê é, justamente, o saber fazer; o saber não cai do céu. (Yázigi, 2003,
p. 21).
Essa visão promoveu um retrocesso no pensamento organizacional dos municípios, fato
observado nas áreas educacionais, de saúde, de segurança, entre outros, sem contar com o ambiental
e o turístico, segmentos que outrora não possuíam relevância para os gestores municipais. No
entanto, a partir da década de 1990 surgiu na esfera pública federal, ações legais para solucionar
graves problemas sociais ocasionados pela falta de planejamento nas administrações municipais.
Infundiu-se o conceito para que, por meio do planejamento, empresas e municípios
pudessem encontrar subsídios para o crescimento ordenado na condução das várias atividades
produtivas, necessárias ao processo de desenvolvimento municipal, estadual e nacional. Deste
modo, os gestores municipais têm mudado sua postura quanto ao planejamento municipal, o que
pode ser considerado segundo Birkholz (1980) como um método de aplicação contínuo e
permanente que prevê a resolução racional dos problemas da sociedade em determinados espaços
por períodos definidos (já que o planejamento não é estanque no tempo), a partir de uma ação
ordenada e contínua capaz de antecipar determinadas consequências negativas ao território. Ou
ainda, segundo Beni (1998, p. 108): “o planejamento do ponto de vista governamental consiste, no
seu sentido mais lato, em um processo que estabelece objetivos, define linhas de ação e planos
detalhados para atingi-los, e determina os recursos necessários a sua consecução”.
O planejamento urbano permite o crescimento orientado das cidades e do desenvolvimento
de várias atividades que possam garantir estabilidade econômica, social e ambiental. Deste modo, o
planejamento consiste no estabelecimento de uma ordem de ação que conduz a uma situação
desejada, através do esforço constante, coerente, ordenado e sistemático que conduz e assegura por
meio do processo racional e metodológico, a organização do espaço urbano. Deve-se observar o
fato de que o planejamento pode ser operacionalizado em ambientes naturais, rurais e urbanos, e
que para cada território, o método deverá ser adaptado para o alcance de objetivos estabelecidos.
Pode-se considerar esta fase teórica como primordial a todos os ambientes a serem
modificados e caberá ao planejador e equipe, traçar as características próprias da localidade para
garantir os resultados adequados àquele espaço físico habitado. (RIBEIRO, 2005, p. 7)
O planejamento deve e pode ser estruturado por meio de uma visão sistêmica uma vez que a
ação antrópica interfere diretamente no ambiente natural e está sujeita aos resultados positivos ou
negativos advindos de ações isoladas que privilegiem algumas ações em detrimento de outras.
Nesse contexto é imprescindível uma visão global do ambiente e de seus coadjuvantes para uma
atuação focada no indivíduo, na igualdade, no meio ambiente natural, no crescimento econômico,
tecnológico e cultural sendo a visão sistêmica de planejar um instrumento de equilíbrio e equidade
para o desenvolvimento local e regional. Para o planejamento estratégico, o estabelecimento de
eixos, bases, diretrizes para o desenvolvimento e construção do futuro das cidades, possui como
principal objetivo ”conseguir a transposição da visão individual de cidadãos conscientes e
envolvidos para um horizonte mais amplo, dentro de uma moldura global”. (LOPES, 1998, p. 91)
Uma vez conscientizada de seu papel político, a contribuição aos planejadores tende a ser
positiva e não inquisitiva (no sentido da crítica pela crítica), principalmente no que tange definição
de estratégias para a preservação ambiental (social, cultural, natural, econômica), já que todos os
setores produtivos podem transformar o território e causar impactos tanto positivos, quanto
negativos, como é o caso do turismo. Nessa corrente de desenvolvimento, e diante dos desafios da
globalização, encontrou-se na atividade turística uma possibilidade de gerir os recursos naturais e
culturais para transformá-las em atrativos turísticos e divulgá-los entre os meios de comunicação
globalizados além de atrair pessoas de várias etnias à procura do novo e do belo.
A nova compreensão do contexto globalização e sua marcante pressão à destruição do meio
ambiente e ainda, dos impactos causados ao aumento das desigualdades sociais têm provocado uma
onda de protestos e manifestações de organizações e da população em geral no sentido de cobrar do
Estado uma postura adequada e determinante, uma vez que esse órgão deve ser o agente promotor e
regulador de estímulos necessários ao equilíbrio da sociedade.
No entanto, sabe-se que o atual modelo de planejamento e gestão do turismo ainda não
encontrou o equilíbrio entre desenvolvimento e proteção ao meio ambiente com base na
sustentabilidade.
A mudança é um processo longo e demorado, visto que muitas atitudes alheias ao
planejamento estratégico e integrado estão enraizadas na gestão pública e privada de modo a
impedir e até comprometer a evolução do pensamento a partir do conceito da sustentabilidade.
Com a predominância do paradigma científico newtoniano-cartesiano, fortemente calcado
no antropocentrismo, o homem como centro do universo, observa-se a incapacidade de grande parte
das lideranças mundiais em solucionar os inúmeros problemas que perfilam a complexa realidade.
Não obstante, acredita-se que há soluções para os principais problemas da atualidade.
Algumas delas são até mesmo simples, entretanto, passam por uma mudança na forma de ver o
mundo, nos valores e na forma de se pensar, entender e interferir na realidade. (Schenini, et al,
2006, p.50)
A mudança somente se dará a partir do estudo e da pesquisa e sua aplicação, pois esse
conjunto contribui decisivamente para a solução de problemas advindos com a globalização e que
ameaça a gestão com base na busca da sustentabilidade, em que será necessário um esforço coletivo
para uma nova compreensão de mundo em que, os principais líderes da sociedade; políticos,
corporações, administradores e professores das universidades, pois, obrigatoriamente, as análises,
os estudos e as avaliações a serem conduzidas deverão ser feitas sob uma visão sistêmica numa
perspectiva holística que contemple todos os segmentos, atores e instrumentos que podem
contribuir para dar respostas ao desafio do desenvolvimento sustentável. (SHENINI, 2006, p.50)
Pensando a partir do conceito da sustentabilidade, os dirigentes das organizações públicas e
privadas iniciam, ou deveriam iniciar medidas em torno das mudanças necessárias à gestão e que
influem diretamente no cotidiano da sociedade. Diante desse desafio, esses gestores necessitam
adequar técnicas e tecnologias de planejamento baseadas no princípio do uso racional dos recursos
de modo a minimizar os impactos ao meio ambiente.
O turismo se estabelece por vezes espontaneamente, em locais fragilizados seja,
culturalmente ou ambientalmente.
O processo de reversão dessa visão está intimamente relacionado à necessidade de
planejamento e a execução de ações que prevaleçam a integridade do ambiente humano e territorial
das áreas receptoras. Petrocchi (1998) sugere o enfoque sistêmico de planejamento condicionando-o
a um ciclo de retroalimentação em que informação, decisão e análise se relacionam e modificam o
sistema de acordo com os acontecimentos.
Desse modo, a observação teórica a estudos aplicados subsidiam afirmações favoráveis e/ou
contrárias ao desenvolvimento de atividades envolvendo o planejamento do espaço para o turismo;
uma vez embasadas em objetos amplamente estudados e teorizados permitem a geração de dados
objetivos e aproxima a realidade da pesquisa em um movimento de aplicação virtuoso minimizando
resultados negativos à implantação da atividade.
ENERGIA EÓLICA - Tecnologia e aplicação
A energia eólica tem sido estudada como meio de aproveitamento de recursos naturais a
partir dos objetivos de geração de energia limpa e minimização de impactos negativos à sociedade.
Tem sido aplicada a partir dos preceitos e conceitos da sustentabilidade numa perspectiva de
racionalizar recursos em benefício das atividades diversas do homem.
A aplicação dessa tecnologia prescinde estudos de relevo, clima e principalmente das
correntes de vento e sua sucessão em determinadas áreas ou regiões.
O vento resulta da contínua circulação das camadas de ar da atmosfera sob a ação
predominante da energia radiante do Sol e da rotação da Terra (LACTEC 2007, p.10).
Outros fatores influenciam diretamente na formação de correntes de circulação de ventos, a
exemplo do aquecimento desigual devido a diferença de latitudes , estação do ano, e ainda a relação
entre mar-terra ou montanha-vale.
A potencialidade de determinadas regiões na instalação de usinas eólicas dependem de
estudos sistemáticos observadas " as condições do relevo e da rugosidade aerodinâmica do terreno e
ainda presença de obstáculos e estabilidade térmica vertical ( LACTEC, 2007, p.10)''.
O Brasil iniciou os estudos referentes à potencialidade eólica em 1975. Desde então foram
implantadas usinas em várias regiões do Brasil.
Destaca-se nesse trabalho as usinas que também são consideradas como recurso turístico e
são planejadas para receber visitantes como:
USINA LOCALIZAÇÃO - ESTADO - PAÍS TURISMO
Usina Eólica de Beberibe Beberibe, Ceará - BR Administradas pela
Usina Eólica Pedra do Sal Parnaíba, Piauí - BR Tractebel Energia possui
Eólica Guajirú Guajirú, Ceará - BR um programa especial de
Usina Eólica Flexeiras I Traíri, Ceará - BR visitação para
Usina Eólica Trairí Traíri, Ceará - BR pesquisadores, estudantes
e turistas.
Parque Eólico Rio do Fogo Rio do Fogo, Rio Grande do Norte - Essa Usina consta no
BR Portal do Município
como atrativo turístico.
Parque Eólico da Alegria Guamaré, Rio Grande do Norte - BR Essa Usina consta no
Portal do Município
como atrativo turístico.
Parque Eólico de Osório Osório, Rio Grande do Sul - BR Permite visitação e insere
o turismo como proposta
ao desenvolvimento
socio-econômico na
região.
Usina Eólica de Palmas Palmas, Paraná - BR Os dois municípios
Parque Água Doce Àgua Doce, Santa Catarina -BR tratam a Usina como
atrativo turístico.
Quadro 2 - Usinas que possuem atividade turística
A Tractebel possui um Programa que inclui visitas às Usinas administradas pela
Companhia, incluem-se nesse caso não somente as Usinas Eólicas, mas também, as termoelétricas e
hidroelétricas.
Em parceria com outras entidades, a Companhia mantém programas
estruturados para visitações de estudantes, pesquisadores e turistas ás usinas
de seu parque gerador, apresentando como funcionam os empreendimentos
e os programas socioambientais desenvolvidos. O Programa é
complementado por apresentações em escolas e outros locais comunitários
versando sobre os mesmos temas, com ênfase em educação ambiental. Em
2012, mais de 90 mil pessoas participaram do Programa (TRACTEBEL,
2014).
A beleza e a grandiosidade dos Parques Eólicos de Osório têm colaborado para o
crescimento turístico da região, atraindo centenas de pessoas de outros municípios gaúchos e, até
mesmo do país, curiosos em conhecer o maior projeto de energia eólica da América Latina. O
empreendimento melhorou a acessibilidade na área rural de Osório, incrementando a infra-estrutura
do município. ( VENTOS do SUL ENERGIA, 2014).
Certamente em todas as Usinas há um potencial paisagístico relevante, além da curiosidade
à pessoas em torno das torres e suas hélices sempre em movimento. Esses dois elementos são
determinantes à uma ação de planejamento que possa prever a visitação tanto de estudantes, quanto
de turistas, na composição de um lugar para a visitação.
No caso do Paraná , a usina Eólica de Palmas foi planejada com a metodologia de estudo
realizada pelo LACTEC no Paraná, embasado por meio de radares topográficos (missão Space
Shuttle da NASA/ESA) em uma resolução horizontal de 100 m x 100 m, detalhamento similar a
cartas topográficas 1:25.000 para os modelos de relevo. Já para o modelo de rugosidade utilizou-se
a resolução horizontal 100m x 100m a partir do mosaico de imagens do LANDSAT 5 e do mapa de
vegetação do Brasil (IBGE) .
A partir do diagnóstico do potencial eólico elaborado pelo LACTEC em parceria com outros
órgãos, foram feitos o posicionamento das torres em várias regiões do Estado do Paraná. A região
que obteve condições favoráveis seja em topografia quanto em velocidade do vento, foi Palmas.
Importante salientar que os dados que geraram o diagnóstico do potencial eólico naquele Estado
estão compreendidos entre os anos de 1976 a 2006.
A Usina de Palmas foi implantada em fevereiro de 1999. Está à margem da BR 280.
Latitude 26°34'52.9"S e Longitude 51°41'52.1''W. Possui 5 torres de 40 metros de altura sendo que
cada aerogerador produz 500 kW/h em uma potência total de 2,5MW/h. A energia gerada pela
usina pode abastecer uma cidade de 5 mil habitantes. Diante do potencial eólico instalou-se 23
aerogeradores no município vizinho de Palmas. Trata-se do município de Água Doce no estado de
Santa Catarina que possui 23 aerogeradores e que compõe a paisagem integrada entre os estados, a
partir da visão integrada causada pelos cataventos gigantes. A empresa que administra essa região
possui previsão de instalação de novos aerogeradores a partir de 2015 em Palmas.
Foto 1: Paisagem
Fonte: Cordeiro, 2010.
A paisagem do relevo e os cataventos ao fundo tendem a despertar interesse e imaginação,
observadas as diferenças entre o natural e o construído, o rústico e o tecnológico, o normal e o
inovador. Visualizar algo diferente é fonte de imaginação e interesse. Vale ressaltar que em Palmas
os aerogeradores estão próximos à estrada, o que propicia a visualização de viajantes que à procura
desse momento de curiosidade iniciaram a partir de 2000, paradas nos acostamentos da estrada.
Esse movimento gerou a necessidade de planejamento de um lugar seguro para a passagem e
paragem de pessoas.
Figura 2 - Vista geral da Usina de Palmas
Observando a possibilidade de atrair turistas foi instalada a Casa do Turista que comercializa
produtos coloniais e artesanato, além de atender como lanchonete e restaurante. A estratégia de
abrir espaço para o estacionamento de veículos gerou a infraestrutura necessária ao turismo, e
dispôs os aerogeradores a uma nova utilidade..... o turismo.
Figura 3 - Casa do Turista
A CIDADE DE PALMAS , O TURISMO E A USINA EÓLICA
Palmas é uma cidade de 46.996 mil habitantes (IBGE, 2014), localizada na região sul do
Estado do Paraná. Com uma área territorial de 1.557.904 km², possui atividade produtiva
relacionada a agricultura e pecuária, e destaca-se também na indústria de compensados, papel e
panelas de alumínio.
O município possui uma história de colonização da data de 1879.
Uma região repleta de belezas naturais, compostas por rios, cachoeiras, uma
paisagem verde repleta de pinheirais, privilegiada pela topografia alta e
plena, Palmas se torna pioneira na instalação da usina de energia limpa do
Brasil (PALMAS, 2014).
Diante da história e do acervo cultural e natural que Palmas possui, o turismo se
desenvolveu a partir de 1996. A busca por planejar as atividades relacionadas ao turismo, fez com
que recursos diversos se tornassem lugares de visitação turística. Destaca-se:
- Usina Eólica: em 1999 foi implantada a primeira usina eólica movida a vento do País, Além de
gerar energia limpa sem ofender o ecossistema, oferece uma paisagem que merece ser vista pela
grandiosidade engenho do ser humano. No local encontra-se a Casa do Turista, um espaço
destinado a comercialização de produtos coloniais, artesanato regionais e souvenirs com lanchonete
e restaurante.
- Museu Histórico criado em 1979 em uma edificação de 1910. Abriga acervo diverso que retrata o
cotidiano dos colonizadores bem como suas ferramentas agrícolas, móveis, fotografias entre outros
objetos de interesse histórico.
- Artesanato - Esculturas produzidas em nó de pinho (Artesanato Vieira), e esculturas da maçã
(peças criadas pelo Atelier Seivart confeccionada com resíduos da poda anual dos pomares das
macieiras).
- Escola Nascer para Arte: para o acesso de crianças e jovens da cidade a cultura e as artes, na
linguagem da Música, Dança, Artes Cênicas e Visuais.
- Pesque e Pague de Trutas: Localizados há 35 Km do centro da cidade, o Pesque e Pague conta
com laboratório e tanques para criação, açudes para pesca e frigorífico.
- Pomares de Maçã: Palmas é uma das maiores produtoras de maçãs do Estado do Paraná. Os
interessados podem visitar as plantações e conhecer os processos de lavagem, seleção e
armazenagem dos frutos.
- Catedral do Senhor Bom Jesus da Coluna dos Campos de Palmas: Originalmente foi construída de
imbuia no ano de 1885.
- Santuário Nossa Senhora de Fátima: Inaugurada em 1955 apresenta a imagem de Nossa Senhora
de Fátima e belos vitrais coloridos.
- Palácio Diocesano da Coluna dos Campos de Palmas: Apresenta salões com móveis de diferentes
décadas biblioteca, museu e capela. Foi construído em 1958 para abrigar a diocese de Palmas. Na
parte externa da frente, encontra-se a coluna replica do Martírio de Pôncio Pilatos, onde os fieis
eram flagelados de mãos atadas e presas a argolas fixas no topo da coluna para serem açoitados.
- Águas da Santinha: É um local de grande devoção dos fiéis devotos de Nossa Senhora Aparecida.
É uma fonte de água límpida e cristalina de beleza natural e cultural, uma vez que é lugar de
devoção.
- Parque da Gruta Nossa Senhora de Lourdes - área de lazer para acampamento, esportes. Foi um
lugar de confronto entre índios e moradores em 1883 por questões de território.
- Fazenda Pitanga: Foi fundada em 1836 e constitui-se verdadeiro patrimônio da humanidade. Há 8
km de Palmas a Fazenda Pitanga é uma das mais antigas da região. O casarão ainda mantém a
originalidade de paredes em pedra e telhas goiva, além de um rico acervo típico da época que inclui
mobília em madeira de imbuia. Nos arredores da sede também são preservadas taipas, feitas por
escravos e os troncos onde eram castigados.
- Fazenda São Pedro: Fundada em 1875, a área ainda pertence a família Ribas. Os visitantes podem
desfrutar de parte da história dos pioneiros de Palmas. A fazenda oferece passeios pelos campos e
capões de mato, incluindo vestígios deixados por índios Caigangues que habitavam a região. Além
disso, o local possui um diferencial que é o museu com 360 peças colecionadas ao longo de sua
história, contendo objetos da Guerra do Contestado, conflito ocorrido no início do século passado,
que atingiu a região Palmense ( FONTE: PALMAS, 2014).
A relação de atrativos apresentada anteriormente demonstra a importância que a Usina
Eólica tem para o turismo, uma vez que no site da Prefeitura esse atrativo é mencionado em
primeiro lugar e os demais aparecem posteriormente. Isso não significa que há uma priorização de
atrativos, mas sim, demonstra que novos atrativos agregados aos demais dão projeção e destaque
por serem considerados novidade e gerarem naturalmente a curiosidade de visitantes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a discussão teórica a respeito do tema tem-se as seguintes considerações:
A Usina Eólica de Palmas pode ser considerada como uma nova opção de visitação ao
turismo, desse modo concorda-se com De La Torre (1992) quando o mesmo se refere a turismo
como fenômeno devido às relações que essa atividade causa devido a circulação de pessoas e sua
permanência em determinados destinos. Certamente a estrada BR 280 proporcionou a circulação e a
usina promoveu a permanência das pessoas naquela localidade. Essa perspectiva subsidia ao
planejador novas leituras a respeito de como e quais as motivações levam às pessoas a determinados
destinos. Algo próximo ao empírico mas que causa transformação ao espaço e às pessoas que nele
circulam. Aí sim entendemos o turismo em uma visão holística e espontânea por despertar interesse
das pessoas por determinado objeto ou paisagem.
Outro apontamento importante relacionado à pesquisa teórica utilizada nesse trabalho se
refere à observação do espaço em que a Usina Eólica de Palmas ocupa. Observe-se que no Quadro 1
do trabalho foi feita a exposição dos tipos de espaço sob os aspectos físicos elaborado por Boullón
(2002). Nesse quesito a teoria confrontada com a realidade do espaço onde a Usina se encontra,
pode-se considerar que em um primeiro momento antes da instalação da Usina o espaço poderia ser
considerado Natural Adaptado, uma vez que as pastagens que ainda são utilizadas juntamente com
os aerogeradores foram inseridas pelo homem. Observe-se nesse caso que esse Espaço Natural
Adaptado não despertava interesse das pessoas que transitavam pela estrada. Num segundo
momento, a partir da colocação das torres, aquele espaço passa a ser Potencial pois gera interesse
das pessoas que praticavam a visualização de modo espontâneo e pouco seguro (estacionar na beira
da estrada); e por possuir essa característica despertou a imaginação dos planejadores e
empreendedores em ordenar o espaço com infraestrutura de estacionamento, sanitários, alimentação
e souvenirs para atendimento de visitantes ao local. A ordenação do espaço o transforma e o mesmo
passa então a ser um Espaço Artificial " espaço em que há os artefatos construídos pelo homem"
(Boullón, 2002).
Em uma última observação a respeito da modificação do espaço a partir da realidade
constatada, se expressa na dinâmica territorial dos atrativos turísticos e no comportamento dos
espaços em relação à atividade.
Nesse sentido concorda-se em aplicar novamente a Teoria de Boullón (2002) a partir da
visualização da Figura 2 apresentada no estudo teórico desse trabalho. Observo que segundo
Boullón a estrada BR 280 se caracteriza antes da Usina como um Corredor por ser uma via de
conexão normal entre cidades, que de uma forma possuíam atrativos turísticos visitados de modo
regional. Aqui faço uma ressalva à afirmação de Boullón; Entendo também que os "Corredores e os
Corredores de Traslado também podem caracterizar caminhos de idas e vindas (fluxos), sem que
haja a prerrogativa de deslocamento para o turismo, pois nesse sentido o planejador pode gerar a
estudos também a estradas e caminhos que nem sempre fizeram a ligação entre destinos turísticos,
mas que são imprescindíveis à organização e ao planejamento territorial para o turismo.
Observando novamente os componentes do Espaço Turístico observo que o ordenamento do
território para o turismo em Palmas, especificamente no caso da BR 280 em que se situa a Usina
Eólica de Palmas o prognóstico é que o planejamento e o ordenamento territorial provocou o
desenvolvimento do Corredor de Estada que são "áreas de grande comprimento, com largura não
superior a 5km, que combinam a função de corredor com a de centro (Boullón, 2002) ". Nesse
caso corredor por ser necessária a utilização da estrada para acessar o atrativo e de centro, pois a
instalação de equipamentos incentiva a parada de turistas.
Nesse momento a análise não verificou impactos negativos à ocupação daquele território,
entretanto a aplicação dessa teoria despertou um alerta à condução do planejamento territorial e
turístico naquele Corredor de Estada, uma vez que ao longo do tempo, caso sejam feitas
concessões para implantação de novos estabelecimentos comerciais aquela localidade poderá sofrer
descaracterização e por conseguinte desinteresse em visitar e vislumbrar os "gigantes cataventos"
que ora encantam os turistas.
Desse modo reiteramos a contribuição teórica à aplicação técnica do estudo por subsidiar
aos planejadores a importância de uma visão técnica ao ordenamento do espaço em uma visão
técnica ao ordenamento do espaço.
O entendimento nesse trabalho em torno da sustentabilidade se torna inerente no sentido de
que a energia eólica é um novo modelo de uso de recursos, e que o turismo precisa de estudos para
potencializar o uso do território num pensamento racional e em busca da sustentabilidade.
Constatamos ainda que os recursos turísticos, os atrativos culturais e naturais, bem como a infra-
estrutura que atende ao turista são patrimônios, devendo ser planejados integramente para
apreciação por seus visitantes.
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