Guia do Arquiteto Metódico
Este guia tem como objetivo facilitar a vida de autores que, como eu, passam por
dificuldades na etapa de produção da sua história, e não possuem a facilidade de apenas
escrever por instinto. Aqui veremos um compilado de métodos em ordem cronológica nos
mínimos detalhes. Se este passo a passo for seguido, poderá facilitar o processo criativo
daqueles que se identificam como Arquitetos (autor que planeja a história antes de
escrevê-la) Metódico (Aquele que utiliza de métodos ao invés de intuição).
OBS: Este documento foi escrito com fanfics em mente e está propenso a mudança se for
usado para histórias originais, como a adição de tópicos de construção de mundo, sistema
político, e sistema de mágica/poderes.
OBS 2: É recomendado que cada uma das partes seja escrita em um documento à parte
por questões de organização.
Lembrete para si mesma: Esses métodos têm como função AUXILIAR somente depois da
onda criativa, não deixe as regras estrangularem a diversão.
Sumário
Parte 1: Conceitos
1. Brainstorming e Métodos Criativos
2. Sinopse Geral
3. Escolha de Tema
4. Escolha de Tom
Parte 2: Criação de Personagem
1. Prazer, eu sou…
2. MBTI e Eneagrama
3. Traços de Personalidade
4. Traços Internos
5. Backstory
6. Emoções Base
7. Arco
8. Relações
9. Personagens Secundários
Parte 3: Construindo a História
1. Escolha de Estrutura
2. Seleção de Capítulos e Possibilidades
3. Objetivo e Construção de Cena
4. Grandes Momentos
5. Revisão
1
6. Freezer
Parte 4: Roteiro
1. Segunda Revisão
2. Escrevendo Roteiro
3. Diálogo e Caracterização
4. Mantendo Simples
5. Opiniões
6. De Volta ao Freezer
7. Terceira Revisão
Parte 5: Primeiro Draft
1. O conceito de Drafts
2. Voz do Personagem
3. Se acostume com lixo
4. Leitores Beta
5. O Retorno do Freezer
Parte 6: Refinamento
1. Ainda Mais Drafts
2. Revisão Estrutural
3. Revisão de Caracterização
4. Revisão de Ritmo
5. Revisão de Tema
6. Edição de Linha
7. Leitura Geral
8. Feedback Final
9. Conclusão e Postagem
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PARTE 1
Conceito
Essa é a fase mais bagunçada do processo, mas uma das mais divertidas. Aqui é onde sua
história é concebida com uma faísca, podendo ser a ideia de um personagem, cena
específica, ou um conceito diferente, como “E se cachorros dominassem o mundo?” Não
limite sua criatividade aqui, anote tudo que quiser, da forma que quiser. Quando tiver a ideia
inicial, existem métodos para ajudar a desenvolver seus conceitos.
Brainstorming
Muito usado na indústria, se refere a ‘tempestade cerebral’, quando você deixa as ideias
fluírem sem medo de julgamento. Métodos para estimular a parte criativa do cérebro variam
de pessoa para pessoa, geralmente o indivíduo sabe o que o inspira, mas aqui vão algumas
ideias gerais:
● Uma playlist de música que tenha a vibe do seu conceito;
● Um moodboard ou pasta de pinterest;
● Se for uma fanfic, reassistir o filme; reler o livro, etc. Se for uma série muito
longa, veja compilados das melhores cenas;
● Se possível, se isole. Ficar sozinho com suas ideias as ajuda a florescer; ●
Caso solidão não funcione para você, pergunte a um amigo sobre o que acha dá
sua ideia e tente começar uma conversa para estimular a parte criativa do
cérebro;
● Anote da forma que vier naturalmente. Post-its, tópicos no caderno, mapa
mental, tudo que ponha ideias no papel e cause estímulo.
Se quiser, escreva aqui:
Após essa fase, você vai reler suas ideias, cortar as que não agradam, adicionar uma ou
outra, e partir para a próxima fase.
Sinopse Geral
Você vai tentar juntar suas ideias de uma forma que faça sentido, e escrever uma breve
sinopse do que acha que vai ser o começo, meio e fim, procure sinopses de filme para se
inspirar na estrutura se necessário. Lembrando que essa fase, assim como qualquer outra,
é propensa a mudança. A recomendação é tentar alcançar uma sinopse com a qual esteja
satisfeito, refaça ele e reveja seus pontos da fase anterior se necessário, pois é mais fácil
consertar o que não gosta nos primeiros estágios. Mantenha em mente que, não importa o
quão sem pé nem cabeça um conceito for, o que realmente importa é a execução.
Sua sinopse:
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Escolha Um Tema
O tema é a mensagem da sua história e todo o enredo depende dele. Pense em uma
fábula, como Pedro e o Lobo: O tema da história ;e “mentir é errado”. Para demonstrar isso,
Pedro passa a fábula inteira mentindo sobre um lobo que quer comer as ovelhas, só para
no final um lobo de verdade aparecer e ninguém acreditar no Pedro. Para um tema
realmente ter impacto, a história precisa servir a ele, mas diferente de historinhas infantis, é
preciso tratar seu tema com sutileza, nenhum leitor gosta de sentir que está levando um
sermão.
Uma observação sobre o tema, é que para ter efeito, é preciso mostrar o que acontece
quando seu princípio não é seguido. Ninguém acreditava que Pedro não teria impacto se
ele não mentisse ao longo da fábula. Escolha seu tema, pode ser qualquer um “Dinheiro
não compra felicidade” “Amor próprio é mais importante do que agradar os outros”, e faça
com que seu personagem aja de forma oposta a essa mensagem ao longo da história, para
fazer o momento em que ele percebe que está errado valer.
Nem todo o tema é explícito, alguns decidem aplicar debates como “Natureza vs Criação” e
“É certo ser feliz passando por cima dos outros?” Fique atento. Se seu tema for um debate,
é muito fácil virar um sermão. Temas com debate geralmente são melhores deixados em
aberto para o leitor decidir por si o que é certo ou errado. Apresente os dois argumentos,
contra e a favor, e deixe que o leitor decida.
Para escrever um bom e complexo tema, escolha seu debate filósofico. Pegue o tema e
apresente os argumentos para ele, mas também desenvolva o contraponto ao longo da
história. Voltando ao exemplo de Pedro e o Lobo, para tornar a mensagem de “mentir é
errado” ainda mias forte, também é preciso explorar o aspecto de “mentir é bom”. Mostre as
vantagens de mentir e os problemas que contar a verdade causa, mas que no final é
sempre bom contar a verdade. Faça a verdade ser a “vencedora” do debate filosófico
porque ela merece ser, não porque é a mensagem que a his’toria precisa passar.
Seu Tema(s):
Escolha o Tom
Enquanto o objetivo do tema é fazer o leitor pensar, o objetivo do tom é fazer o leitor sentir.
O tom decide como vai ser o clima da sua história. Cômico, Deprimente, Assustador,
Romântico, são algumas opções. O som pode ser complementario ( Romântico e
engraçado) ou contrastante (Deprimente e Cômico, ex: Comédia negra). Um único termo
pode deixar a história monótona, o que é geralmente o caso de filmes de comédia, e tons
demais podem deixar a história confusa. Escolha entre 2 ou 3 e comece por aí. Lembrando
que, não só porque sua história tem tons específicos que ela não pode ter momentos
divergentes, é uma ferramenta chamada “tonal whiplash” ( Chicotada de Tom), pois essas
cenas contrastam com o resto da história. Fique ciente que essa é uma ferramenta muito
fácil de usar mal, e que cenas com tonal whiplash vão desorientar seu leitor. Isso pode ser
usado ao seu favor em casos de reviavolta, como “O que parecia ser um filme fofo sobre
primeiro amor em umacidade pequena virou história de assassinato.)
Seu tom (tons):
PARTE 2
Criação de Personagem
Que fique claro, isso vai ser mais complexo que qualquer ficha de D&D. O objetivo é criar
uma ficha detalhada dos seus personagens para que eles sejam o mais tridimensionais
possíveis. Essa é a ficha que você vai consultar para cada pensamento e decisão que seu
personagem tomar. Ela também se aplica para personagens pré-estabelecidos ( em casos
de fanfic) para entender a psique deles e não deixá-los OOC.
Uma recomendação que dou logo de cara, é mudar a perspectiva no quesito do que é um
defeito e uma vantagem de personalidade. Uma pessoa ser muito regrada pode ser uma
vantagem ou desvantagem dependendo da situação; Alguém com baixa empatia sofre para
criar relações, mas se ele for, por exemplo, um assassino de aluguel, é um traço vantajoso;
Ele também seria mais capaz de ser imparcial e não tomar lados. Traços de Personalidade
são o que são.
Prazer, eu sou…
● Nome:
● Sexo:
● Lugar na história (ex: protagonista, interesse amoroso, etc.):
● Descrição física:
● Idade:
● Espécie:
MBTI e Eneagrama
Não apenas digite sem saber o que cada um significa. Essa parte da personalidade
tem grande correlação com a história. Digamos que sua história é sobre a
importantância de amadurecer e assumir responsabilidade; nesse caso, o
Eneagrama ideal é o tipo 7, pois é aquele que tem tendência a ser ‘festeiro e
irresponsável’ MBTI que condizem com o tipo 7 são ESTP, ESFP, ENFP e ISFP.
Entende? Tudo se relaciona. Se acha que digitar deixaria o documento poluído,
utilize o link de onde achou a informação.
● MBTI:
● O que esse MBTI significa:
● Eneagrama:
● O que esse Eneagrama significa:
Traços de Personalidade
● Como seu personagem demonstra afeto?:
● Como seu personagem se expressa para o mundo? (Tímido, divertido,
distante, presente…):
● A forma como ele se expressa condiz com o que sente internamente?: 5
● Método de manipulação/ Como ele consegue o que quer (Lábia, argumentos,
Charme…):
● Qual a cura dele para um dia ruim?:
● Qual a(as) peculiaridade(s) dele? ( ex: Come de boca aberta, sempre pula a
amarelinha da calçada, só usa cuecas do homem aranha):
● Em uma escala de 1 a 5 o quão extrovertido ele é?:
● Em uma escala de 1 a 5 o quão consciente ele é?:
● Em uma escala de 1 a 5 o quão aberto a novas experiências ele é?: ●
Em uma escala de 1 a 5 o quão Agradável/Amável ele é?:
● Em uma escala de 1 a 5 o quão neurótico ele é?:
● Descreva as roupas típicas que ele usa:
● Descreva um dia na rotina dele:
Traços Internos
● Maior medo:
● Medo secundário (Aranhas, cobras, palhaços):
● Pequenas falhas (coisas que ele não faz bem. Ex: Não sabe cozinhar, trocar
uma lâmpada, etc.):
● Meu personagem QUER (O que ele quer é externo e interligado com o plot): ● Meu
personagem PRECISA (O que ele precisa é interno e interligado com o tema): ● Má
crença sobre o mundo (OBS: Essa crença está diretamente ligada com o tema,
e deve ser o oposto dele. Tema: Todo mundo merece amor, Má crença: Eu não
mereço ser amado. Esta é a justificativa para o maior medo do seu personagem, ele
ciente disso ou não):
● Método de defesa. Como ele se protege da dor emocional ou psicológica (ex.
sarcasmo, isolamento, amistosidade, agressividade, etc):
● Melhor coisa na vida dele:
● Pior coisa na vida dele:
● Despreza pessoas que fazem/são:
● Se empolga com:
● Se sente amado quando:
● O quão insatisfeito está com a vida:
● O que pode fazer para mudar essa insatisfação:
● Como o medo impede ele de tomar ação:
● Como ele tenta conseguir o que quer e fugir do medo ao mesmo tempo:
Backstory
Embora esses elementos estejam atribuídos ao tópico de backstory, eles não precisam
acontecer no passado do personagem. Se for melhor mostrá-los durante os eventos da
história, que seja então.
● Qual o backstory do seu personagem:
● Qual (quais) cena (cenas) mudaram completamente a visão que ele tinha do
mundo e o fez adotar sua má crença:
● O que o personagem acreditava antes da cena:
● Como ele lutou para manter suas crenças antigas:
● Qual sua nova crença:
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Emoções Base
● O seu personagem fica facilmente alegre? Como ele age quando está alegre?: ●
O seu personagem fica facilmente triste? Como ele age quando está triste?: ● O
seu personagem fica facilmente com medo? Como ele age quando está com
medo?:
● O seu personagem fica facilmente envergonhado? Como ele age quando está
envergonhado?:
● O seu personagem fica facilmente zangado? Como ele age quando está
zangado?:
● O seu personagem fica facilmente surpreso? Como ele age quando está
surpreso?:
OBS: Emoções existem em escala. Mantenha em mente que seu personagem vai agir
diferente quando estiver irritado e quando estiver possuído de ódio. Caso não saiba como
responder, consulte o eneagrama e o MBTI, eles geralmente citam exemplos. Sinta-se livre
para adicionar mais emoções se achar necessário.
Relações
Seu personagem vai se sentir diferente sobre pessoas diferentes, e a forma como ele se
relaciona com o mundo vai mudar ao longo da história. Neste tópico você deve escrever
como o personagem se sente sobre os outros personagens. Anote a função do outro em
relação a seu protagonista ( amigo, melhor amigo, vilão, mentor, interesse amoroso) e
descreva-o pelos olhos do personagem. Lembrando que pessoas mudam e mudam seus
pontos de vista, anote se seu protagonista muda a forma que ele vê os outros no decorrer
da história. Também anote como ele interage com estranhos. Para ajudar, pergunte as
seguintes coisas:
● Em poucas palavras, descreva a relação do personagem com o outro (Se
quiser, pode usar relações existentes como referência; EX: Rapunzel e José): ●
Qual o ponto de conflito da relação deles:
● No que eles concordam?:
● No que eles discordam:
● Eles mantêm segredos um do outro? Se sim, por quê?
● A quanto tempo se conhecem e como se conheceram?:
● Como a relação deles muda ao longo da história/ qual o arco dessa relação? (Se
quiser, anote em tópicos os grandes momentos da relação, onde ela muda,
porque e como):
O Arco
Definições: Um arco positivo é aquele em que o personagem muda para o melhor. Ele deixa
de acreditar na sua má crença e passa a acreditar na verdade/tema da história, escolhendo
o melhor, e geralmente moral, lado de um debate filosófico. Um arco neutro é aquele em que
o personagem não muda fundamentalmente; ele acredita na verdade/tema e vive com ele
como princípio, e muda o mundo ao seu redor invés de si mesmo. Um arco negativo é
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aquele em que o personagem começa acreditando na verdade, mas uma série de eventos
levam ele a terminar a história com uma má crença/oposto do tema.
● O arco do seu personagem é negativo, neutro, ou positivo?:
● O que muda externamente no seu personagem (ex: Fulano começa como um
fazendeiro deprimido e termina como o rei aclamado):
● O que muda internamente:
● Quais personagens ou eventos contribuíram para essa mudança? Como?:
OBS: Mudança não é fácil para ninguém. Para uma dose extra de realismo, imagine o
desenvolvimento do seu personagem como uma maré que vai avançando na praia. A maré
tem repuxos, às vezes ela repuxa demais, mas acaba inundando a praia no fim. Algumas
mudanças acontecem de vez, mas na maioria das vezes é gradual e com momentos de
deslize para a forma que a pessoa costumava ser.
Personagens Secundários
Personagens que não tem foco como o protagonista não precisam de fichas tão detalhadas.
Se fosse repetir essa mesma ficha com cada um de seus personagens, além de dar muito
trabalho, poderia acabar por atrapalhar mais do que ajuda. Aqui temos a ficha simplificada
para personagens secundários. Sinta-se livre para adicionar qualquer pauta da ficha do
protagonista para os personagens secundários.
● Nome:
● Sexo:
● Lugar na história:
● Descrição física:
● Idade:
● Espécie:
● MBTI:
● O que esse MBTI significa:
● Eneagrama:
● O que esse Eneagrama significa:
● Como se apresenta pro mundo:
● Backstory:
● Maior medo:
● Medo secundário:
● Quer:
● Precisa:
● Má crença sobre o mundo ou si mesmo:
● Evento que gerou essa má crença:
● As 3 coisas que mais valoriza na vida:
● Emoções base:
● Relações:
PARTE 3
Construindo a História
Escolha a Estrutura
Estruturas são passo a passo de cenas e/ou capítulos. Você pode criar a sua própria,
sempre seguindo a regra de 3 atos, é claro. Mas se tem dificuldade em visualizar os
eventos da sua história de forma coesa, não há vergonha alguma em utilizar estruturas pré
prontas. A estrutura de 27 capítulos (27 chapters structure) e “Save the Cat” estão entre as
mais populares, mas não são as únicas que existem. A famosa jornada do herói é uma
estrutura. Filmes da Pixar seguem a estrutura própria da Pixar. Pesquise a melhor estrutura
para o que está tentando fazer, ou misture pontos de suas estruturas favoritas para facilitar
sua narrativa.
Lembre-se que o que move a trama é o conflito, seja ele interno, externo ou ambos. As
formas mais comuns de conflito são: Homem vs Homem, o clássico herói vs vilão; Homem
vs Natureza ou Deus; Homem vs Sociedade; e Homem vs Ele mesmo. Escreva e
preencha aqui os tópicos estruturais de escolha:
Seleção de Capítulos e Possibilidades
Seguir uma fórmula estrutural pré pronta facilita muito, mas pode acabar fazendo com que a
sucessão de eventos da sua história seja genérica e padrão. Para evitar isso, em cada
ponto crucial da sua história, escreva 3 possíveis formas de que a cena possa ser diferente,
e escolha a melhor, seu plot se desenvolve a partir daí.
Cena:
Possibilidades:
Escolha final:
Objetivo e Construção de Cena
Toda a cena precisa de um objetivo claro, do contrário, é considerada filler e pode ser
cortada. O objetivo pode variar entre: Avançar o plot, desenvolver personagens e relações,
revelar informação ou desenvolver o mundo fictício. A estrutura da cena é quebrada em:
Objetivo, conflito, e resolução. O objetivo é a utilidade da cena, o conflito a torna
empolgante, e a resolução prepara o leitor para o próximo capítulo. O conflito não precisa
ser grandioso, pode ser simples, externo ou interno, como “João queria bolo mas Maria
comeu o último pedaço”, e a resolução não precisa concluir o conflito, ela é o gancho para a
próxima cena “João foi comprar mais bolo” ou “João foi confrontar Maria sobre o bolo”. Para
facilitar, estabeleça o tom da cena. João confrontando Maria sobre o bolo é muito diferente
se o objetivo for cômico ou dramático.
Estabeleça como o personagem se sente no começo e fim da cena. Se ele estiver em um
estado emocional idêntico, o impacto será menor.
Estime quantas palavras ou páginas sua cena terá, isso ajuda a manter o ritmo da história
geral coeso.
Objetivo da cena:
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Conflito da cena:
Resolução da cena:
Tom da cena:
Como o personagem se sente no começo da cena:
Como ele se sente no fim da cena:
Estimativa de palavras/páginas:
Se tem dificuldade com o desenvolvimento da sua cena ou do enredo em geral, tente
pensar nele de trás pra frente. Se já sabe como o fim da cena ou da história vai ser, uma
causa e efeito para descobrir seu meio. Ex: João esbarrou em Joana na rua, porque antes
disso ele foi buscar bolo, porque antes disso Maria comeu todo o bolo; Busque a causa do
seu efeito.
Grandes Momentos
A única coisa pior que uma história ruim é uma história mediana, a pior coisa que um leitor
pode sentir é tédio. Leitores buscam certas obras com certas expectativas, se o livro é sobre
bruxas, ele espera magia; se é sobre aventura, ele espera uma luta. Os grandes momentos
são aqueles que empolgam seu leitor entregando o que eles querem: a premissa da história.
As expectativas muitas vezes vão ser clichês, mas o que faz delas especiais é a forma como
seus personagens únicos a tornam únicas. Encha essas cenas cliche de personalidade!
Escreva aqui, em forma de tópicos, todos os momentos e cenas que vão fazer os
leitores dizerem ‘uau’:
Revisão
Chegou a hora de ligar a parte crítica do seu cérebro. Releia suas cenas e busque por
formas de melhorá-las. você pode:
● Deixá-las mais dinâmicas;
● Usá-las para aprofundar ou desenvolver os personagens e suas relações; ●
Aprofundar os temas da sua história;
● Cortar filler;
● Deixar os grandes momentos ainda mais empolgantes;
● Adicionar detalhes sobre o mundo que os personagens habitam;
Freezer
Diga tchau a tudo que escreveu até agora. Esqueça esse documento e volte em
duas semanas para avaliá-lo com novos olhos.
PARTE 4
Roteiro
Segunda Revisão
Com uma mente clara e desapegada do manuscrito, releia o que escreveu de forma crítica
e edite minuciosamente, pois será muito mais trabalhoso mudar seus tópicos daqui pra
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frente. Se achar necessário, reescreva sua sinopse levando em conta a nova informação
que desenvolveu.
Escrevendo o Roteiro
Mesmo que planeje escrever prosa, um roteiro facilita significativamente o processo. Pensar
no desenrolar da cena, diálogo, e prosa é muito cansativo, e o roteiro tira o último da conta.
Escreva de forma mais simples e objetiva possível o que acontece nas cenas e o diálogo
dos personagens. Se tiver uma ideia espontânea para prosa ou monólogos internos,
escreva-as também, mas não se force a deixar o texto bonito. Divida o roteiro pelos
capítulos da sua história.
Roteiro:
OBS: Alternativamente, você pode escrever em forma de prosa, ainda mantendo a natureza
simples das descrições. É apenas uma forma mais fácil de visualizar e editar em etapas
seguintes.
Diálogo e Caracterização
Com a preocupação da prosa fora do caminho, podemos focar no diálogo e como ele se
relaciona com os personagens. Se suas fichas foram bem sucedidas, provavelmente
significa que cada personagem é distinto, com sua própria mentalidade e forma de se
expressar, e isso é muito mostrado no diálogo. Seu personagem fala o que pensa sem
filtro? Ele é rude ou tenta ser gentil? Ele mente muito? Ele vai direto ao ponto ou fica dando
voltas e voltas no tópico? É sarcástico? Considere sua ficha, e principalmente a parte de
relações quando escrever. Seu personagem vai falar de forma diferente com o antagonista
e com o interesse amoroso.
Também considere o dialeto. Fatores como educação e status social influenciam na forma
que o personagem fala. O número de palavras que usa, o tamanho das suas sentenças, se
são simples ou complexas, etc. Uma curiosidade sobre o dialeto é que ele muda
dependendo das pessoas de convívio, seu personagem pode adotar gírias e palavras que
não usava antes se um amigo as usa.
Maneirismos são importantes. Coisas como postura, gestos de mãos e tics podem dizer
muito sobre um personagem.
Mantendo Simples
Já foi dito mas vale destacar. Não se preocupe se seu texto não é bonito, o que importa é
que ele seja descritivo, objetivo, e claro. Você vai embelezá-lo depois.
Opiniões
Mostre seu roteiro pronto pronto para seus amigos e pessoas que sabe que não tem medo
de criticar. Se eles não souberem o que dizer além de “gostei ou não gostei”, facha as
seguintes perguntas:
● O que você achou da história num geral?
● Como os personagens se desenvolveram ao longo da história? ●
Quando você pensou “ah, agora sim a história começou de verdade!” ●
O que você achou que ficou corrido?
● Teve algum momento que você quis pular de tédio?
● Qual foi sua parte favorita e por quê?
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● Algum momento que gostaria que tivesse durado mais tempo? ●
Qual foi a moral/mensagem que você tirou da história?
De Volta ao Freezer
Deixe seu roteiro de lado por duas a seis semanas e tente não pensar nele.
Terceira Revisão
Levando em conta as críticas e elogios de seus amigos, releia o roteiro criticamente como
se ele fosse o pior manuscrito do mundo. Essa mentalidade vai te ajudar a achar erros ou
coisas que poderiam ser melhores. Anote tudo e edite.
PARTE 5
O Primeiro Draft
Conceito de Draft
Draft é o termo utilizado para as etapas de um manuscrito e quantas vezes ele é editado ou
reescrito. O objetivo de um primeiro draft é colocar as palavras na página sem grandes
críticas, e os drafts que vierem depois dele servem para focar e consertar aspectos
específicos do manuscrito, como caracterização, estrutura e prosa. Como demos conta dos
processos estruturais em etapas anteriores, o objetivo principal do primeiro draft é a prosa e
embelezamento do texto. Pense na história como uma casa, já temos toda a fundação
pronta, agora resta pintar as paredes e colocar mobília.
Voz do Personagem
Seu texto precisa de personalidade. Seja primeira, segunda, ou terceira pessoa, o narrador
não pode ser uma folha em branco. Histórias como Peter Pan tem um narrador onisciente e
onipresente que não faz parte da história como personagem, mas tem uma personalidade
própria, como se ele estivesse lendo o livro e narrando os eventos com suas próprias
interpretações e opiniões.
A forma mais comum de narrador é o narrador personagem, o leitor vê o mundo pelo ponto
de vista do protagonista. O texto ser em segunda ou terceira pessoa não impede ele de ser
do ponto de vista do personagem, apenas substitua o “eu” por “ele e ela”. Seu narrador tem
uma forma específica de ver o mundo, que varia com a forma que ele se sente em cada
cena. Uma pessoa pode ver um dia ensolarado como alegre e cheio de vida, enquanto a
outra pode se irritar porque o sol machuca os olhos e a deixa suada. Um artista talvez olhe
para o céu e tente nomear os diferentes tons de azul, um arquiteto vê construções na rua
diferente de um médico.
Para melhor entender o conceito, faça o seguinte exercício:
● Descreva com voz de personagem em mente, como dois ou mais dos seus
personagens descrevem uma lanchonete de estrada em um dia nublado: ●
Descreva, sem diálogo, uma narração dos seus personagens ao acharem
dinheiro perdido na rua:
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● Descreva uma narração de seus personagens achando uma criança perdida no
shopping:
Se acostume com lixo
Prosa não é fácil. Existem mil e um fatores para se considerar, o texto não vai ser perfeito
na primeira tentativa. Faça o melhor que puder, mas tente não se cobrar demais. Lembre
que o objetivo do primeiro draft é apenas por palavras na página.
Leitores Beta
Distribua seu manuscrito com prosa e torça para seus amigos terem paciência com você.
O Retorno do Freezer
Deixe de lado por seis a nove semanas.
PARTE 6
Refinamento
Ainda Mais Drafts
Quantos drafts uma história tem depende do quanto você deseja refinar seu manuscrito. Os
tópicos a seguir são revisões importantes, foque nelas e somente nelas enquanto estiver
lendo e editando seus drafts.
Revisão Estrutural
Foque no esqueleto da história, busque por incoerências, buracos na trama e pontas soltas.
Revisão de Caracterização
Foque nas ações, diálogo, interações e voz do personagem e compare com a ficha dele.
Revisão de Tema
Veja se a lição da sua história ficou clara, se os personagens refletem bem ela, e se ela
apareceu ao longo do manuscrito e não de uma vez só no fim.
Revisão de Ritmo
Ritmo é a forma que seu texto flui. Quanto mais longo for um parágrafo ou linha, mais
demorado é para ler, o que é bom para momentos de introspecção e cenas de foco
emocional. Parágrafos curtos são rápidos e dinâmicos, perfeitos para cenas velozes, como
lutas e perseguições. Em um texto majoritariamente longo, um parágrafo curto se destaca e
vice-versa.
Tente manter uma variedade, o ritmo do texto é como o de uma música, sejam elas lentas
ou velozes, são compostas de estrofes com tamanhos diferentes.
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Edição de Linha
A etapa mais longa. Leia o texto linha por linha e veja onde sua prosa pode melhorar. As
regras principais para uma boa prosa são:
● Mostre, não conte. Ao invés de contar ao leitor como o personagem se sente,
mostre. Ex: Helena estava com frio ( conte) vs Helena puxou a gola do casaco para
cima e esfregou as mãos, vapor gelado saia do seu nariz.
● Evite a prosa roxa. Não use palavras bonitas para parecer inteligente, um bom
texto contra com descrição vívida e verbos fortes, não palavras que seu leitor
precisa pesquisar no dicionário.
● Evite palavras filtro. Ouvindo, vendo, sentindo, olhando. Palavras que contam
como o personagem se sente ao invés de mostrar são palavras filtro.
● Atente-se à síndrome do quarto branco. A Síndrome do quarto branco é quando o
lugar em que uma cena se passa é tão vago que parece vazio. Não tem problema
deixar algumas coisas para a imaginação do leitor, mas tente pintar uma cena vivida
para que ele tenha algo para imaginar.
● Apele para os 5 sentidos. Descreva o cheiro de mofo de uma biblioteca velha, o som
dos passos na madeira rangente, a sensação das capas de couro empoeirada nos
dedos, as partículas de poeira dançando na pouca luz que entra por cortinas de
veludo e o gosto amargo do chá de rosas. Deu pra visualizar a cena? O poder dos 5
sentidos!
Feedback Final
Perturbe seus amigos uma última vez e refaça as mesmas perguntas da fase do script.
Conclusão e Postagem
Parabéns, você passou por esse pesadelo e não morreu. Comemore, se parabenize,
compre um bolo e assista um filme, você conseguiu! Lembre-se que o objetivo deste guia é
auxiliar e facilitar o processo, mas o processo do engenheiro metódico não é para todo
mundo. Algumas pessoas preferem não planejar e apenas escrever o que dá na telha,
outras gostam de planejar mas sem a restrição de métodos. Cada autor é diferente, o
importante é achar o melhor processo para você.
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