Tique e Síndrome de Tourette
Maria Augusta Montenegro
Departamento de Neurologia
FCM Unicamp
Transtorno de Tiques na Infância
• Comum na infância.
• Pico de ocorrência 10-12 anos de idade.
• Os tiques podem melhorar ou piorarar ao longo dos meses.
• O tipo de tique pode mudar ao longo dos meses.
• Na grande maioria dos paciente os tiques desaparecem ao fim da
adolescência.
Transtorno de Tiques na Infância
• Apesar de ser classificado como movimento involuntário, o tique é
causado por movimentação voluntária do paciente, mas irresistível.
• Tipos de tique:
• Piscar os olhos
• Desvio ocular para lateral ou para cima
• Desvio da cabeça para o lado
• Movimentos com a boca
• “Fungar”
• “Limpar a garganta”
Transtorno de Tiques na Infância
• Classificação:
• Tique transitório
• Tique Motor ou Vocal Persistente
• Síndrome de Tourette
Tique Transitório
• Tiques motores e/ou vocais, únicos ou mútiplos.
• Início antes de 18 anos de idade.
• Duração: menos de 1 ano.
• É o tipo mais comum de tique.
• Muito comum, a maioria das crianças tem ótima evolução.
• Tratamento medicamentoso geralmente não é necessário.
DSM 5: American Psychiatric Association 2013.
Tique Motor ou Vocal Persistente
• Tiques motores ou vocais, únicos ou mútiplos.
• Não pode ter os dois tipos.
• Início antes de 18 anos de idade.
• Duração: maior que um ano.
• Apesar de ser persistente, a maioria dos pacientes terá evolução
favorável, com melhora importante ou complete após adolescência.
DSM 5: American Psychiatric Association 2013.
Síndrome de Tourette
• Múltiplos tiques motores e pelo menos um vocal.
• Diferentes tipos de tiques não precisam acontecer simultaneamente.
• Início antes de 18 anos de idade.
• Duração maior que um ano.
• Afeta 1% das crianças em idade escolar.
DSM 5: American Psychiatric Association 2013.
Tiques e Comorbidades
• TDAH é uma comorbidade frequente (30 a 50%).
• A presença de tiques não impede o tratamento com metilfenidato.
• Clonidina, clonidina e metilfenidato, metilfenidato, guanfacina,
atomoxetina são eficazes.
• Outras comorbidades como ansiedade, transtorno opositor
desafiador e transtorno do humor podem estar presentes.
Hirschtritt ME, et al. JAMA Psychiatry 2015;72:325-333.
Sukhodolsky et al. J American Academy of Child and Adolescent Psychiatry 2003;42:98-105.
Tratam ento
• A maioria dos pacientes não necessita tratamento medicamentoso.
• Orientação aos pais e professores sobre como lidar com o paciente é
muito importante (não chamar a atenção, não proibir de fazer o
movimento, evitar bullying, etc).
• Neurolépticos (risperidona, aripiprazol) e Agonistas alfa-2-adrenérgico
(clonidina) é eficaz quando os tiques estão prejudicando a qualidade
de vida do paciente.
• Evitar neurolépticos típicos (haloperidol, etc).
• Sempre usar a menor dose eficaz, pelo menor tempo possível.