Capítulo
2
Seleção do Irrigâmetro
Este capítulo trata dos procedimentos para indicação
dos modelos de réguas de Manejo, Temporal e Percentual
do Irrigâmetro, incluindo diversos exemplos. A sua leitura
é recomendada aos técnicos que prestam serviços na área
de irrigação. Assim, os usuários que têm interesse apenas
na montagem, na operação e na manutenção do Irrigâmetro
podem se abster da leitura deste capítulo, embora as
informações nele contidas sejam importantes na
compreensão do manejo da irrigação.
Considerações gerais
Para implementar um programa de manejo é
necessário fazer um diagnóstico prévio do sistema de
irrigação e a caracterização do solo, da água, do clima e da
cultura. O manejo da irrigação utilizando o Irrigâmetro
integra estas características, sendo o aparelho equipado
com réguas que são específicas para as condições do solo,
22 Manual do Irrigâmetro
da cultura e do sistema de irrigação existentes na
propriedade.
Na seleção da Régua de Manejo do Irrigâmetro, que
indica quando irrigar, é necessário saber qual cultura será
irrigada, além das seguintes características do solo:
umidade na capacidade de campo e no ponto de murcha
permanente e a densidade do solo.
Dependendo do sistema de irrigação existente na
propriedade, o Irrigâmetro deve ser equipado com uma
Régua Temporal, se o sistema de irrigação for aspersão
convencional, gotejamento ou microaspersão, ou com uma
Régua Percentual, se o sistema for pivô central ou linear.
Na seleção da Régua Temporal é necessário conhecer
a intensidade líquida de aplicação de água do sistema de
irrigação, que depende do modelo do emissor, da sua vazão
e do espaçamento entre emissores. Na seleção da Régua
Percentual é necessário conhecer a lâmina líquida aplicada
pelo pivô central ou pelo sistema linear, com o
equipamento se deslocando na velocidade de 100%.
O diagnóstico prévio do sistema de irrigação deve
considerar a uniformidade e a eficiência de aplicação de
água, além de verificar as condições operacionais dos
sistemas de bombeamento, das tubulações e dos emissores.
No caso de aspersão convencional, gotejamento ou
microaspersão deve-se verificar se há problemas de
vazamentos, se os emissores são d0 mesmo modelo e
diâmetro de bocal, se operam com pressão adequada e não
apresentam entupimento e se estão igualmente espaçados
ao longo da tubulação. Na aspersão convencional, deve-se
Seleção do Irrigâmetro 23
observar ainda se os tubos de elevação do aspersor têm a
mesma altura e se estão posicionados verticalmente.
No caso de pivô central ou sistema linear, deve-se
verificar se há problemas de vazamentos, de entupimento
de aspersores e se há válvulas reguladoras de pressão com
defeito. No caso de pivô central, deve-se verificar também
se os aspersores estão posicionados de acordo com a
seqüência de bocais especificada no projeto e no caso de
sistema linear verificar se os aspersores são de mesmo
modelo e se possuem o mesmo diâmetro de bocal.
Com o resultado do diagnóstico, se for constatado
algum problema, devem-se fazer as correções necessárias e,
posteriormente, avaliar a uniformidade de aplicação de
água do sistema de irrigação existente na propriedade.
Conceitos Básicos Aplicados ao Irrigâmetro
1. Lâmina de água
Em irrigação, a quantidade de água aplicada no solo é
usualmente expressa em milímetros. Se for aplicado um
litro de água numa superfície impermeável, plana e
horizontal, de um metro quadrado de área, será formada
uma camada líquida com altura de um milímetro; portanto,
lâmina de água é a altura da camada resultante da aplicação
de certo volume de água numa área. A unidade usual de
lâmina de água em irrigação é, portanto, o milímetro
(1 mm = 1 L/m2 = 10 m3/ha).
24 Manual do Irrigâmetro
volume de água (L)
Lâmina (mm) =
área (m 2 )
Exemplo 1. Numa área cultivada com milho, de 30
hectares, foi feita uma irrigação aplicando uma lâmina
média de 20 mm. Qual o volume de água aplicado?
Volume de água (L) = lâmina (mm) x área (m2)
Sabendo-se que um hectare é igual a 10.000 m2, tem-se:
Área (m2) = 30 ha x 10.000 m2/ha = 300.000 m2
Volume de água (L) = 20 mm x 300.000 m2
L
Volume de água = 20 2
x 300.000 m 2
m
Volume de água = 6.000.000 de litros de água
Exemplo 2. Um sistema de irrigação do tipo pivô central
irriga uma área de 100 hectares, cultivada com feijão. A
necessidade de água da cultura, durante dois dias, foi de 7
mm. Por não fazer manejo da água de irrigação, o produtor
utilizou o pivô central regulado para aplicar uma lâmina no
solo, disponível à cultura, de 12 mm. Qual o desperdício de
água nesta irrigação e o seu custo financeiro, sabendo-se
que a lâmina de 1 mm/ha custa ao produtor R$1,10.
Lâmina de água aplicada em excesso = 12 mm – 7 mm
Lâmina de água aplicada em excesso = 5 mm
L
5 mm = 5 2
m
Seleção do Irrigâmetro 25
100 ha = 100 x 10.000 m2 = 1.000.000 m2
Cálculo do desperdício de água na irrigação:
L
5 2 x 1.000.000 m 2 = 5.000.000 L de água
m
Custo financeiro do desperdício de água:
R $1,10
x 5 mm x 100 ha = R$550,00
mm ha
2. Densidade do solo - Ds
A densidade do solo é a relação entre a massa de uma
amostra de solo seco e o seu volume. A unidade usual de
Ds utilizada em irrigação é kg/m3 e g/cm3.
O valor da densidade do solo está relacionado à sua
textura e à sua estrutura, além de ser indicativo de seu nível
de compactação. Em irrigação, a determinação da
densidade do solo é necessária para converter o valor de
umidade obtido em base gravimétrica para base
volumétrica, o que permite calcular a lâmina de água
armazenada no solo.
Para determinar a densidade do solo é necessário
retirar uma amostra de volume conhecido, usualmente com
o trado Uhland (Figura 4), secá-la em estufa durante 24
horas e, em seguida, obter sua massa. A densidade do solo
é calculada aplicando a seguinte fórmula:
26 Manual do Irrigâmetro
massa de solo seco
Ds =
volume de solo
Figura 4. Amostragem de solo para determinação de sua
densidade usando trado Uhland.
O trado Uhland não é facilmente encontrado no
mercado e seu uso tem sido restrito a instituições de ensino
e pesquisa. Visando facilitar a amostragem para
determinação da densidade do solo para fins de manejo da
irrigação com uso do Irrigâmetro, os autores deste Manual
propuseram e testaram um método alternativo denominado
Método do Tubo de PVC.
O Método do Tubo de PVC é simples e de baixo
custo. Em um solo previamente umedecido (Figura 5)
crava-se um tubo de 50 mm de diâmetro com 15 cm de
comprimento (Figura 6) até que o solo atinja a sua borda
superior. Em seguida, escava-se o solo em torno do tubo de
PVC para facilitar o acesso à sua extremidade inferior.
Com uma faca, corta-se o solo na base do tubo (Figura 7),
retira-se o conjunto (tubo com solo) e apara-se a base da
Seleção do Irrigâmetro 27
Figura 5. Umedecimento do solo para retirada de amostra
pelo Método do Tubo de PVC.
Figura 6. Cravação do tubo de PVC no solo.
28 Manual do Irrigâmetro
Figura 7. Retirada do tubo após abertura de trincheira.
amostra, para eliminar o excesso de solo (Figura 8). Limpar
o tubo e vedar as duas extremidades da amostra de solo
com fita plástica adesiva (Figura 9).
O tubo de PVC com a amostra de solo deve ser
enviado para um laboratório de física do solo, solicitando-
se a determinação de sua densidade.
No laboratório, o tubo é cortado transversalmente
(Figura 10) retirando-se 2,5 cm em cada extremidade,
ficando a amostra de solo com 10 cm de comprimento
(Figura 11).
Seleção do Irrigâmetro 29
Figura 8. Retirada do excesso de solo na base do tubo de
PVC.
Figura 9. Vedação das extremidades do tubo de PVC.
30 Manual do Irrigâmetro
Figura 10. Corte de 2,5 cm em cada extremidade do tubo de
PVC.
Figura 11. Amostra de solo preparada no laboratório para
determinação da densidade do solo.
Seleção do Irrigâmetro 31
Em seguida, a amostra de solo é retirada do tubo e
colocada em estufa regulada na temperatura de 105º C,
durante 24 horas. Após esse tempo, a amostra de solo seco
é pesada e a densidade do solo é obtida da seguinte
maneira:
massa de solo seco
Ds =
volume de solo
em que Ds é a densidade do solo em g/cm3.
O volume da amostra de solo é calculado pelo volume
interno do tubo de PVC, multiplicando área da seção
transversal do tubo pelo seu comprimento.
π D2
volume de solo = xC
4
em que:
D = diâmetro interno do tubo de PVC, em cm; e
C = comprimento do tubo de PVC, em cm.
Exemplo 3. O Método do Tubo de PVC foi utilizado na
amostragem para determinação da densidade de um solo
argiloso de uma área irrigada por pivô central no município
de Piedade do Rio Grande, MG. O tubo utilizado na
amostragem tinha um diâmetro interno de 47,5 mm e
comprimento de 15 cm. A amostra foi enviada pelo correio
para o Laboratório de Hidráulica da Universidade Federal
de Viçosa, onde foi preparada, ficando com 10 cm de
comprimento. O solo foi retirado do tubo e levado à estufa
32 Manual do Irrigâmetro
por 24 horas. Em seguida pesou-se o solo seco, obtendo-se
161,3 gramas. Qual o valor da densidade deste solo?
π D2 3,1416 x 4,752
volume de solo = xC= x 10
4 4
volume de solo = 177,2 cm3
massa de solo seco 161,3
Ds = = = 0,91 g/cm 3
volume de solo 177,2
3. Capacidade de campo - Cc
Capacidade de campo representa a condição de
armazenamento máximo de água no solo que ocorre após a
drenagem da água contida nos macroporos pela ação
gravitacional. Quando a umidade do solo está na
capacidade de campo é o momento em que as plantas
encontram a condição mais favorável à absorção de água e
nutrientes. A umidade na capacidade de campo é
usualmente expressa em % ou kg/kg.
A capacidade de campo pode ser determinada em
campo, porém é mais usual a sua determinação em
laboratório com uso de extrator de Richards (Figura 12). O
laboratório fornece a umidade do solo correspondente a
diferentes tensões às quais as amostras foram submetidas.
Seleção do Irrigâmetro 33
Figura 12. Extrator de Richards.
Na irrigação, para fins práticos, a umidade
correspondente à capacidade de campo tem sido geralmente
obtida na tensão de 10 kPa, em solos arenosos, e de 33 kPa,
nos argilosos. No entanto, para uso do Irrigâmetro em solos
argilosos, o valor da umidade na capacidade de campo deve
ser obtido tirando-se a média dos valores de umidade nas
tensões de 10 e 33 kPa.
4. Ponto de murcha permanente - Pm
Ponto de murcha permanente é a capacidade mínima
de armazenamento de água do solo que ocorre quando as
plantas murcham por causa de deficiência hídrica e não
recuperam a sua turgidez. O ponto de murcha permanente
representa a condição de umidade do solo que restringe
severamente a absorção de água pelas plantas, que
morrerão se não houver reposição da água no solo. A
34 Manual do Irrigâmetro
umidade no ponto de murcha permanente é usualmente
expressa em % ou kg/kg.
Na irrigação, para fins práticos, a umidade
correspondente ao ponto de murcha permanente tem sido
obtida na tensão de 1.500 kPa.
Exemplo 4. A amostra usada na determinação da densidade
do solo, considerada no Exemplo 3, foi também utilizada
na determinação da umidade do solo nas tensões de 10, 33
e 1.500 kPa, obtendo-se os valores apresentados na Tabela
5. Quais os valores de umidade de capacidade de campo e
de ponto de murcha permanente que devem ser usados no
cálculo da disponibilidade total de água no solo para fins de
uso do Irrigâmetro?
Tabela 5. Valores de umidade do solo nas tensões de
interesse para uso do Irrigâmetro.
Tensão (kPa) Umidade do solo (% em peso)
10 36,07
33 33,85
1.500 23,55
Por se tratar de um solo argiloso, a capacidade de
campo é obtida pela média dos valores de umidade nas
tensões de 10 e 33 kPa.
36,07 + 33,85
Cc = = 34,96% em peso
2
O valor da umidade do solo no ponto de murcha
permanente é 23,55% em peso, correspondente à tensão de
1.500 kPa.
Seleção do Irrigâmetro 35
Exemplo 5. Na análise física de uma amostra de solo
retirada num lote do projeto Jaíba, localizado no norte de
Minas Gerais, obteve-se os resultados apresentados na
Tabela 6. Quais os valores de umidade de capacidade de
campo e de ponto de murcha permanente que devem ser
usados no cálculo da disponibilidade total de água no solo
para fins de uso do Irrigâmetro?
Tabela 6. Valores de umidade do solo nas tensões de
interesse para uso do Irrigâmetro.
Tensão (kPa) Umidade do solo (% em peso)
10 4,72
30 4,41
1.500 2,96
Por se tratar de um solo arenoso, a capacidade de
campo é obtida diretamente do valor de umidade na tensão
de 10 kPa, igual a 4,72%. O valor da umidade do solo no
ponto de murcha permanente é 2,96%, correspondente à
tensão de 1.500 kPa.
5. Disponibilidade total de água no solo - DTA
O solo é o reservatório natural de água para as
plantas. Para fins de irrigação, a água disponível no solo é a
quantidade armazenada entre a capacidade de campo e o
ponto de murcha permanente.
Na Figura 13 está apresentada uma curva de retenção
de água de um solo argiloso, onde se observa que a
36 Manual do Irrigâmetro
umidade diminui à medida que aumenta a tensão da água
no solo, ficando a água remanescente mais fortemente
retida entre as partículas do solo.
Figura 13. Curva de retenção de água num solo argiloso.
A disponibilidade total de água (DTA) é a lâmina
armazenada numa camada de solo de um centímetro de
espessura, entre as condições de capacidade de campo e de
ponto de murcha permanente. A unidade usual de DTA, em
irrigação, é mm/cm.
A disponibilidade total de água no solo é calculada
aplicando-se a seguinte equação:
(Cc - Pm)
DTA = x Ds
10
em que
Seleção do Irrigâmetro 37
DTA = disponibilidade total de água no solo, mm/cm;
Cc = capacidade de campo, % em peso;
Pm = ponto de murcha permanente, % em peso; e
Ds = densidade do solo, g/cm3.
Os solos arenosos possuem baixa capacidade de reter
água, com valores de DTA compreendidos entre 0,3 a 1,0
mm/cm. Em solos de textura média, os valores de DTA
variam entre 1,1 e 1,6 mm/cm. Por outro lado, os solos
argilosos possuem alta capacidade de reter água,
geralmente encontrando-se valores de DTA maiores que
1,7 mm/cm.
Seleção da Régua de Manejo
A Régua de Manejo é selecionada de acordo com a
classe de sensibilidade da cultura ao déficit hídrico (Tabela
3) e com a disponibilidade total de água no solo, cujo valor
deve ser expresso com uma decimal.
A Régua de Manejo é codificada com letras e
números, sendo as letras as abreviações das três classes de
enquadramento das culturas (CMS, CS e CPS de acordo
com a Tabela 3) e os números representam o valor da DTA.
Portanto, na seleção da Régua de Manejo existe um modelo
específico que deve equipar o Irrigâmetro para atender as
condições de cultura e solo.
No caso de irrigação localizada, a freqüência de
irrigação é alta, o que torna os sistemas de irrigação por
gotejamento e por microaspersão pouco dependentes da
38 Manual do Irrigâmetro
capacidade de retenção de água no solo. Assim, quando a
DTA for maior que 1 mm/cm, a seleção da Régua de
Manejo deve ser feita com o código numérico igual a 1.0,
como mostrado nos dois exemplos seguintes.
Exemplo 6. Uma lavoura de café está sendo irrigada por
gotejamento no município de Campos Altos, MG. Na
análise físico-hídrica do solo, obtiveram-se os seguintes
resultados:
Capacidade de campo = 41,2 % em peso;
Ponto de murcha permanente = 27,5 % em peso;
Densidade do solo = 1,22 g/cm3.
O valor da disponibilidade total de água no solo
(DTA) é:
(Cc - Pm)
DTA = x Ds
10
(41,2 - 27,5)
DTA = x 1,22 = 1,67 mm/cm
10
Neste caso, por se tratar da cultura do café (cultura
pouco sensível ao déficit hídrico) e de irrigação localizada,
a Régua de Manejo que deve equipar o Irrigâmetro nesta
propriedade é a CPS 1.0.
Exemplo 7. Uma lavoura de tomate está sendo irrigada por
gotejamento no município de Pedra do Anta, MG. Na
análise físico-hídrica do solo, obtiveram-se os seguintes
resultados:
Seleção do Irrigâmetro 39
Capacidade de campo = 27,0 % em peso;
Ponto de murcha permanente = 18,5 % em peso;
Densidade do solo = 1,33 g/cm3.
O valor da disponibilidade total de água no solo
(DTA) é:
(27,0 - 18,5)
DTA = x 1,33 = 1,13 mm/cm
10
Assim, a Régua de Manejo que deve equipar o
Irrigâmetro é a CMS 1.0, por ser o tomate uma cultura
muito sensível ao déficit hídrico e por se tratar de irrigação
localizada.
Seleção da Régua Temporal
A Régua Temporal é codificada com um número que
corresponde ao valor da intensidade líquida de aplicação de
água (IL) do sistema de irrigação.
No sistema de irrigação por aspersão convencional a
IL pode ser determinada de duas maneiras: (a) distribuindo-
se coletores igualmente espaçados na área irrigada, entre
aspersores da linha lateral (Figura 14), fazendo-se,
posteriormente, a sobreposição das lâminas coletadas e o
cálculo do coeficiente de uniformidade de Christiansen
(CUC) e da lâmina líquida média aplicada; ou (b) medindo-
se a vazão dos aspersores da linha lateral, em litros por
hora, obtendo-se posteriormente a vazão média, cujo valor
deve ser dividido pelos espaçamentos entre aspersores e
40 Manual do Irrigâmetro
entre linhas laterais, em metros, sendo o resultado
multiplicado pela eficiência de aplicação (Ea) do sistema
de irrigação em decimal.
Em locais de clima árido ou semi-árido, a eficiência
de aplicação de sistemas de irrigação por aspersão
convencional bem dimensionados pode ser assim estimada:
70%, para condições de velocidade média do vento maior
que 2 m/s; 75% para velocidade do vento entre 1 e 2 m/s e
80% para condição de velocidade do vento menor que 1
m/s. Em locais de clima ameno, a eficiência de aplicação
pode ser estimada em 75, 80 e 85% para os intervalos
respectivos de velocidade do vento descritos anteriormente.
Figura 14. Teste de uniformidade de aplicação de água de
um sistema de aspersão convencional,
mostrando a distribuição dos coletores na área
irrigada.
Seleção do Irrigâmetro 41
Exemplo 8. Na avaliação de um sistema de irrigação por
aspersão convencional, com aspersores espaçados de 12 x
12 m, foram distribuídos 48 coletores numa malha de 3 m
de acordo com a Figura 15, sendo que cada coletor foi
posicionado no centro da quadrícula com dimensões 3 m x
3 m. Após duas horas de funcionamento, mediram-se as
lâminas de água em cada coletor (Figura 16) e os valores,
em milímetros, foram anotados (Figura 17).
Figura 15. Esquema de distribuição de coletores em torno
de um aspersor da linha lateral num teste de
uniformidade de aplicação de água de um
sistema de aspersão convencional.
42 Manual do Irrigâmetro
Figura 16. Medição das lâminas de água dos coletores.
Figura 17. Valores de lâminas de água coletadas, em
milímetros, após duas horas de funcionamento
do sistema de irrigação.
Seleção do Irrigâmetro 43
Posteriormente fez-se a sobreposição dos valores das
lâminas (Figura 18). O primeiro valor em cada quadrícula é
contribuição da linha lateral superior e o segundo é da linha
lateral inferior. O terceiro valor que aparece em algumas
quadrículas é a contribuição de outra linha lateral que
estará posicionada 12 m abaixo da linha lateral inferior.
O resultado da sobreposição das lâminas de água
(Figura 19) é obtido somando-se os valores das lâminas de
água em cada quadrícula da Figura 18.
Figura 18. Processo de sobreposição das lâminas de água,
mostrando os valores de contribuição das linhas
laterais espaçadas de 12 m.
44 Manual do Irrigâmetro
Figura 19. Resultado da sobreposição das lâminas de água.
A lâmina média de água coletada (Lm) na área
irrigada durante duas horas (15,1 mm) foi determinada
dividindo-se a soma dos dados da Figura 19 por 16, que é o
número de quadrículas existentes no espaçamento 12 x 12
m. A intensidade líquida de aplicação de água (IL) do
sistema de irrigação foi calculada dividindo-se a lâmina
média (15,1 mm) pelo tempo de duração do teste (2 h),
obtendo-se 7,55 mm/h.
A avaliação do desempenho do sistema de irrigação
foi feita calculando-se o coeficiente de uniformidade de
Christiansen com a aplicação da equação:
Seleção do Irrigâmetro 45
n
∑L i - L m
CUC = 100 1 − i =1
n Lm
Lm = 15,1 mm
N = 16
n
∑L i - L m = 15,9 − 15,1 + 17,8 − 15,1 + 19,0 − 15,1 + ...... +
i =1
14,5 − 15,1 + 14,0 − 15,1
n
∑L i - L m = 0,8 + 2,7 + 3,9 + ....... + 0,6 + 1,1 = 21,6
i =1
21,6
CUC = 100 1 - = 91,1%
16 x 15,1
A uniformidade de aplicação de água do sistema de
irrigação é satisfatória, visto que o valor do CUC foi maior
que 80%.
Uma vez constatado que o equipamento de irrigação
está operando com bom desempenho e que a intensidade
líquida de aplicação de água é 7,55 mm/h, a Régua
Temporal que deve equipar o Irrigâmetro é a 7.5 (Tabela
1).
46 Manual do Irrigâmetro
Exemplo 9. Na avaliação de um sistema de irrigação por
aspersão convencional com aspersores espaçados de 12 x
18 m, mediu-se a vazão dos dois bocais de quatro
aspersores (Figura 20) de uma linha lateral, cujos valores se
encontram na Tabela 6.
Figura 20. Medição de vazão do aspersor.
Tabela 6. Valores de vazão, em litros por segundo, de
quatro aspersores do sistema de irrigação
Vazão Aspersores
1 2 3 4
Bocal maior 0,432 0,442 0,441 0,435
Bocal menor 0,307 0,247 0,310 0,310
Aspersor 0,739 0,689 0,751 0,745
A vazão média dos aspersores é 0,73 L/s. A
intensidade de aplicação de água do sistema de irrigação,
em mm/h, foi calculada dividindo-se a vazão média dos
aspersores (0,73 L/s) pelo valor dos espaçamentos entre
Seleção do Irrigâmetro 47
aspersores (12 m) e entre linhas laterais (18 m), e
multiplicando o resultado por 3.600, obteve-se 12,2 mm/h.
A intensidade líquida de aplicação de água foi
calculada multiplicando-se a intensidade de aplicação do
aspersor (12,2 mm/h) pelo valor, em decimal, da eficiência
de aplicação estimada em 80%, para condição de clima
ameno com velocidade média do vento entre 1 e 2 m/s. O
valor encontrado foi 9,75 mm/h. Portanto, a Régua
Temporal que deve equipar o Irrigâmetro é a 9.5 (Tabela
1).
Embora esta metodologia seja mais fácil de ser
aplicada, recomenda-se usar a primeira para determinar a
intensidade líquida de aplicação de água, pois ela
possibilita calcular o valor do CUC e certificar se o
equipamento está em boas condições de operação.
Exemplo 10. Na instalação de um Irrigâmetro para manejar
a irrigação de uma área cultivada com coco-anão (Figura
21), plantado no espaçamento 7,0 x 7,0 m, foi necessário
avaliar o sistema de microaspersão. O sistema possui dois
setores, cada um deles com 36 pares de linhas laterais de
94,5 m de extensão (14 plantas). Os emissores estão
instalados na linha lateral, espaçados de 7 m, próximos às
plantas. Na avaliação determinou-se a vazão de quatro
microaspersores em quatro linhas laterais, coletando-se o
volume de água em cada um deles, durante 30 segundos
(Tabela 7). Em cada linha lateral, mediu-se o volume de
água no primeiro microaspersor, nos outros posicionados a
1/3 (5º microaspersor) e a 2/3 do início da linha lateral (9º
48 Manual do Irrigâmetro
microaspersor) e no último (14º microaspersor), de acordo
com a Figura 22. As quatro linhas laterais avaliadas no
setor estavam nos pares 1 (início do setor), 12 (1/3 do
início do setor), 24 (2/3 do início do setor) e 36 (último par
do setor). As linhas laterais localizadas nas posições 1 e 24
estão à direita da linha de derivação e as linhas laterais
localizadas nas posições 12 e 36 estão situadas à esquerda
(Figura 23).
Figura 21. Plantas jovens de coqueiro irrigadas por micro-
aspersão.
Seleção do Irrigâmetro 49
Tabela 7. Volumes de água, em mililitros, coletados
durante 30 segundos em 16 emissores de quatro
linhas laterais de um sistema de irrigação por
microaspersão
Posição do microaspersor na linha lateral
Posição do par de avaliada
linhas laterais no
setor 1 5 9 14
1 521 520 516 503
12 513 508 503 492
24 504 493 488 478
36 491 479 473 459
Figura 22. Posição dos quatro microaspersores nas linhas
laterais avaliadas.
50 Manual do Irrigâmetro
Figura 23. Posição das quatro linhas laterais com
microaspersores (nos pares 1, 12, 24 e 36)
avaliadas no setor de irrigação.
Após medir os volumes de água aplicada pelos
microaspersores que foram avaliados, calculou-se a vazão,
em litros por hora, dividindo-se o volume, em litros, pelo
Seleção do Irrigâmetro 51
tempo de coleta de água (30 segundos), sendo o resultado
multiplicado por 3,6 (Tabela 8).
Tabela 8. Vazão, em L/h, dos 16 microaspersores utilizados
na avaliação do sistema de irrigação por
microaspersão.
Posição do microaspersor na linha
Posição da linha lateral
lateral no setor
1 5 9 14
1 62,5 62,4 61,9 60,3
12 61,5 61,0 60,4 59,0
24 60,5 59,2 58,5 57,3
36 58,9 57,5 56,8 55,1
A uniformidade de emissão pode ser calculada por:
q
UE = x100
Q
em que
UE = uniformidade de emissão, %;
( q ) = vazão média do menor quartil, ou seja, a média dos
25% menores valores de vazão, L/h; e
Q = vazão média dos microaspersores, L/h.
Os quatro menores valores de vazão dos
microaspersores (25% dos 16 avaliados) são: 55,1; 56,8;
57,3 e 57,5 L/h, cuja média é 57 L/h ( q ). A média dos 16
52 Manual do Irrigâmetro
valores de vazão é 59,55 L/h (Q). Aplicando-se os valores
médios na equação anterior tem-se:
57
UE = x100 = 95,7%
59,55
O sistema de irrigação por microaspersão opera
adequadamente, uma vez que o valor de uniformidade de
emissão é superior a 90%.
A intensidade de aplicação de água é calculada
dividindo-se a vazão média dos microaspersores (59,55
L/h) pelos valores dos espaçamentos entre os
microaspersores na linha lateral (7 m) e entre as linhas
laterais (7 m).
Q
Ia =
E E x E LL
em que
EE = espaçamento entre os emissores, m;
ELL = espaçamento entre as linhas laterais
59,55
Ia = = 1,21 mm/h
7x7
O valor encontrado foi 1,21 mm/h. Portanto, a Régua
Temporal que deve equipar o Irrigâmetro é a 1.2 (Tabela
1).
Seleção do Irrigâmetro 53
Exemplo 11. Deseja-se instalar um Irrigâmetro numa área
de 10 hectares cultivada com café, plantado no
espaçamento 0,6 x 4,0 m e irrigado por gotejamento. O
sistema de irrigação é constituído por dois setores,
possuindo cada um deles 125 pares de linhas laterais de 50
m de comprimento. Ao longo de cada fileira de plantas foi
instalada uma linha lateral com gotejadores espaçados de
0,5 m. Na avaliação do sistema de irrigação, mediu-se a
vazão de oito gotejadores em quatro linhas laterais. Em
cada linha lateral, a vazão foi medida no primeiro gotejador
e nos seguintes, posicionados a 1/7 (15º gotejador); 2/7 (29º
gotejador); 3/7 (43º gotejador); 4/7 (57º gotejador); 5/7 (71º
gotejador) e a 6/7 (85º gotejador) do início da linha lateral e
no último gotejador, de acordo com a Figura 24. As quatro
linhas laterais estavam localizadas nos pares 1 (primeiro
par do setor localizado no início da linha de derivação), 42
(1/3 do início da linha de derivação), 83 (2/3 do início da
linha de derivação) e 125 (último par do setor, localizado
no fim da linha de derivação). A primeira linha lateral do
primeiro par e outra situada a 2/3 do início do setor estão à
direita da linha de derivação e as linhas laterais, localizadas
a 1/3 do início do setor e no final, estão situadas à
esquerda. Em cada emissor coletou-se o volume de água
numa proveta, durante 5 minutos (Tabela 9).
Após medir os volumes de água aplicada pelos
gotejadores avaliados, calculou-se a vazão em litros por
hora, dividindo-se o volume em mililitros por 1.000 e pelo
tempo de coleta de água (5 minutos), multiplicando o
resultado por 60 (Tabela 10).
54 Manual do Irrigâmetro
Os oito menores valores de vazão dos gotejadores
(25% dos 32 avaliados) são: 1,75; 1,77; 1,77; 1,80; 1,81;
1,84; 1,87 e 1,87 L/h, cuja média é 1,81 L/h ( q ). A média
dos 32 valores de vazão é 1,97 L/h. Aplicando-se os
valores médios na equação para cálculo da uniformidade de
emissão, tem-se:
Figura 24. Posição dos oito gotejadores nas quatro linhas
laterais avaliadas.
1,81
UE = x100 = 92,05%
1,97
O sistema de irrigação por gotejamento opera
adequadamente, uma vez que o valor de uniformidade de
emissão é superior a 90%.
Seleção do Irrigâmetro 55
A intensidade de aplicação de água é calculada
dividindo-se a vazão média do emissor (1,97 L/h) pelos
valores dos espaçamentos entre os gotejadores na linha
lateral (0,5 m) e entre as linhas laterais (4 m).
Q
Ia =
E E x E LL
1,97
Ia = = 0,985 mm/h
0,5 x 4
O valor encontrado foi 0,985 mm/h. Portanto, a Régua
Temporal que deve equipar o Irrigâmetro é a 1 (Tabela 1).
Tabela 9. Volumes de água, em mililitros, coletados
durante cinco minutos em 32 emissores de quatro
linhas laterais de um sistema de irrigação por
gotejamento.
Posição do par das linhas laterais
Posição do gotejador avaliadas no setor
na linha lateral
1 42 83 125
1 192 188 171 168
15 185 179 161 166
29 179 167 160 160
43 174 165 163 159
57 172 157 158 156
71 172 157 157 156
85 167 150 148 151
100 163 148 153 146
56 Manual do Irrigâmetro
Tabela 10. Vazão, em L/h, dos 32 gotejadores utilizados na
avaliação do sistema de irrigação por
gotejamento.
Posição do par das linhas laterais
Posição do gotejador avaliadas no setor
na linha lateral
1 42 83 125
1 2,30 2,25 2,05 2,02
15 2,22 2,15 1,93 1,99
29 2,15 2,00 1,92 1,92
43 2,09 1,98 1,95 1,91
57 2,06 1,88 1,90 1,87
71 2,06 1,88 1,88 1,87
85 2,00 1,80 1,77 1,81
100 1,95 1,77 1,84 1,75
Exemplo 12. Um agricultor possui uma área irrigada por
aspersão convencional no município de Janaúba, MG, a
qual está sendo cultivada com algodão. Foi feita uma
avaliação da intensidade líquida de aplicação de água dos
aspersores do sistema de irrigação, obtendo-se 8,9 mm/h.
Na área foram retiradas amostras de solo para sua
caracterização físico-hídrica, obtendo-se os seguintes
valores:
Capacidade de campo (Cc) = 32 % em peso.
Ponto de murcha permanente (Pm) = 19,8 % em peso.
Densidade do solo (Ds) = 1,33 g/cm3.
Seleção do Irrigâmetro 57
Quais os modelos de Régua de Manejo e de Régua
Temporal que devem equipar o Irrigâmetro para atender
esta situação?
Seleção da Régua de Manejo: a cultura do algodão é
classificada como pouco sensível ao déficit hídrico (CPS)
para fins de uso do Irrigâmetro, de acordo com a Tabela 3.
A disponibilidade total de água no solo (DTA) é
calculada aplicando-se a seguinte equação:
(Cc - Pm)
DTA = x Ds
10
(32 - 19,8)
DTA = x 1,33
10
DTA = 1,62 mm/cm
Para fins de seleção da Régua de Manejo, o valor de
DTA deve ser expresso com uma casa decimal. Sendo
assim, o modelo da régua é CPS 1.6 (Tabela 4).
Seleção da Régua Temporal: como o valor da
intensidade líquida de aplicação de água dos aspersores do
sistema de irrigação foi 8,9 mm/h, o Irrigâmetro deve ser
equipado com a Régua Temporal 9 (Tabela 1).
Seleção da Régua Percentual
O código numérico da Régua Percentual corresponde
ao valor da lâmina líquida aplicada pelo equipamento de
irrigação (LL) quando este está operando na velocidade
percentual de 100%. A lâmina líquida é menor que a de
58 Manual do Irrigâmetro
projeto em razão das perdas de água que ocorrem por
evaporação e por deriva pelo vento e seu valor deve ser
determinado em campo.
Exemplo 13. Para avaliar um sistema de irrigação por pivô
central, com velocidade de deslocamento de 100%, foram
distribuídos em um raio do círculo molhado (Figura 25) 67
coletores espaçados de 6 m, de acordo com a Figura 26.
Figura 25. Marcação da posição e colocação dos coletores
ao longo de um raio do círculo de molhamento
de um pivô central.
Os coletores foram identificados do centro para a
periferia do pivô central (Figura 26), sendo Ni o número do
coletor (coluna 1 da Tabela 11).
Seleção do Irrigâmetro 59
Figura 26. Posição dos coletores dispostos em um raio do
círculo de molhamento de um pivô central.
Após o pivô central aplicar água sobre a linha de
coletores (Figura 27), as lâminas (Li) foram medidas em
milímetros (coluna 2 da Tabela 11).
60 Manual do Irrigâmetro
Figura 27. Passagem do pivô central sobre a linha de
coletores.
Posteriormente calculou-se a lâmina ponderada (Lp -
coluna 3 da Tabela 11) multiplicando-se o número de
ordem do coletor (Ni) pela respectiva lâmina (Li), ou seja,
Lp = Ni x Li. Em seguida calculou-se a lâmina média
ponderada (Lm) dividindo-se a soma de todos os valores da
lâmina ponderada pela soma do número de ordem dos
coletores, ou seja:
Seleção do Irrigâmetro 61
Tabela 11. Número de ordem do coletor (Ni), lâmina
coletada (Li), lâmina ponderada (Lp) e desvio
L i − L m , em valor absoluto, num teste de
avaliação de um pivô central.
Ni Li Lpi Li − L m
(1) (2) (3) (4)
1 3,6 3,6 0,12
2 3,9 7,8 0,42
3 3,1 9,3 0,38
4 2,6 10,4 0,88
5 3,4 17,0 0,08
6 3,7 22,2 0,22
7 3,2 22,4 0,28
8 3,2 25,6 0,28
9 2,9 26,1 0,58
10 3,0 30,0 0,48
11 2,8 30,8 0,68
12 2,9 34,8 0,58
13 2,7 35,1 0,78
14 3,5 49,0 0,02
15 3,4 51,0 0,08
16 3,8 60,8 0,32
17 3,5 59,5 0,02
18 3,0 54,0 0,48
19 3,2 60,8 0,28
20 3,3 66,0 0,18
21 3,5 73,5 0,02
22 3,2 70,4 0,28
23 3,8 87,4 0,32
24 3,7 88,8 0,22
25 3,6 90,0 0,12
62 Manual do Irrigâmetro
26 3,6 93,6 0,12
27 4,1 110,7 0,62
28 4,1 114,8 0,62
29 3,6 104,4 0,12
30 3,8 114,0 0,32
31 4,0 124,0 0,52
32 3,5 112,0 0,02
33 3,5 115,5 0,02
34 3,5 119,0 0,02
35 4,0 140,0 0,52
36 3,4 122,4 0,08
37 3,5 129,5 0,02
38 3,3 125,4 0,18
39 3,1 120,9 0,38
40 3,5 140,0 0,02
41 3,0 123,0 0,48
42 3,4 142,8 0,08
43 3,0 129,0 0,48
44 2,6 114,4 0,88
45 3,4 153,0 0,08
46 3,5 161,0 0,02
47 3,6 169,2 0,12
48 3,2 153,6 0,28
49 4,5 220,5 1,02
50 3,0 150,0 0,48
51 3,1 158,1 0,38
52 4,0 208,0 0,52
53 3,0 159,0 0,48
54 3,7 199,8 0,22
55 3,2 176,0 0,28
56 3,5 196,0 0,02
57 3,9 222,3 0,42
58 4,0 232,0 0,52
Seleção do Irrigâmetro 63
59 3,0 177,0 0,48
60 4,3 258,0 0,82
61 3,0 183,0 0,48
62 3,6 223,2 0,12
63 3,0 189,0 0,48
64 3,0 192,0 0,48
65 3,6 234,0 0,12
66 1,5 99,0 1,98
67 6,4 428,8 2,92
Soma=2.278 Soma=7.924,2 Soma=26,32
n
∑Lp i
i =1
Lm = n
∑N i
i =1
n
O termo ∑Lp i é a soma dos valores da coluna 3 da
i =1
Tabela 11, ou seja:
67
∑Lp i = 3,6 + 7,8 + 9,3 + ....+ 99 + 428,8 = 7.924,2
i =1
n
O termo ∑N i é a soma dos valores da coluna 1 da
i =1
Tabela 11, ou seja:
67
∑N i = 1 + 2 + 3 + 4 +....+ 66 + 67 = 2.278
i =1
Assim, a lâmina média ponderada (Lm) é igual a:
64 Manual do Irrigâmetro
67
∑Lp i
i =1 7.924,2
Lm = 67
= = 3,48 mm
2.278
∑N i
i =1
A uniformidade de aplicação de água do pivô central
é calculada aplicando-se a seguinte equação:
n
∑L i - L m
CUC = 100 1 − i =1
N Lm
n
O termo ∑L i - L m é a soma dos desvios, em valor
i =1
absoluto, entre cada lâmina Li (coluna 2 da Tabela 11) e o
valor calculado de Lm (3,48 mm).
67
∑L i - L m = 3,6 - 3,48 + 3,9 - 3,48 + .... + 1,5 - 3,48 + 6,4 - 3,48
i =1
Todos os valores dos desvios absolutos estão
apresentados na coluna 4 da Tabela 11 e a sua soma é:
67
∑Li - L m = 0,12 + 0,42 + ...... + 1,98 + 2,92 = 26,32
i =1
Todos os desvios estão apresentados na coluna 4 da
Tabela 11. Assim o valor do coeficiente de uniformidade
de Christiansen (CUC) do pivô central avaliado é:
Seleção do Irrigâmetro 65
26,32
CUC = 100 1 - = 88,7%
67 x 3,48
Neste caso, observa-se que o pivô central opera
adequadamente, uma vez que o valor do coeficiente de
uniformidade de Christiansen é superior a 80%. No
entanto, mesmo tendo sido feita uma vistoria preliminar das
condições de funcionamento do pivô central deve-se
vistoriar novamente os aspersores e respectivas válvulas
reguladoras de pressão que se encontram no final do
equipamento, uma vez que o coletor de ordem 66
apresentou um valor de lâmina baixo (1,5 mm) e o de
ordem 67, um valor elevado (6,4 mm).
Uma vez constatado que o pivô central está operando
em boas condições (CUC > 80%) e que a lâmina média
coletada foi igual a 3,48 mm, deve-se equipar o Irrigâmetro
com a Régua Percentual 3.5/100 (Tabela 2).
No caso de irrigação de cultura com alto valor
econômico, como em olerícolas, é conveniente calcular a
lâmina líquida, para fins de indicação da Régua Percentual
do Irrigâmetro, multiplicando-se a lâmina média coletada
pelo valor do CUC, em decimal, e posteriormente,
selecionar essa régua com base no valor da lâmina líquida.
66 Manual do Irrigâmetro