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Rousseau: Educação e Filosofia Política

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Jean-Jacques Rousseau

[1712/1778]

“A educação vem da natureza, do homem ou das coisas. O desenvolvimento interno


das nossas faculdades e órgãos é a educação da natureza; o uso que nos ensinam a
fazer desse desenvolvimento é a educação do homem; e o ganho da nossa própria
experiência sobre os objetos que nos afetam é a educação das coisas. O aluno em
que as lições desses mestres se contrariam é mal educado; aquele em quem todas
visam os mesmos fins, esse é bem educado”.

Nascimento: 28/06/1712 – Genebra, Suíça

Falecimento: 02/07/1778 – Ermenonville, França

Filósofo, Teórico político, Escritor e Compositor

Como educador, escreveu o primeiro tratado sobre filosofia da educação no mundo


ocidental

Principais interesses
1. Filosofia Política
2. Educação
3. Música
4. Literatura

• Ele nasceu em uma família modesta, com um pai relojoeiro e uma mãe que ele não
conheceu porque morreu após seu nascimento.

• Em 1722, aos dez anos de idade, sua educação foi entregue a um tutor, pároco da cidade,
a única educação formal que recebeu e três anos depois começou a trabalhar como
aprendiz de gravador, sofrendo diversos maus-tratos.

• Ele se mudou para a França em 1728 e começou a trabalhar como secretário e


companheiro de Madame Louise de Warens, uma grande influência em sua vida

Em 1762, publicou sua obra-prima, “O contrato social”, onde estabeleceu uma fórmula em
que não há antagonismo entre lei e liberdade, a forma de conciliar a oposição entre
liberdade e lei é associá-los.
As ideias expostas são muito progressistas e o Parlamento de Paris condena o livro à
fogueira e Rousseau deve ir para o exílio.
Em 1770 foi autorizado a entrar em Paris, onde concluiu o seu trabalho pessoal, as
"Confissões". Ao longo da sua vida teve cinco filhos que foram destinados à Caridade
Pública.

Principais obras em ordem de importância

1. Do contrato Social: princípios do Direito Político:


Propõe um novo modelo social.
Povo é soberano = Demokratia.
Trata de recuperar a igualdade e a liberdade perdidas.
O livro foi escrito em 1762, durante o Iluminismo. É um ensaio de filosofia política e
seus argumentos giram em torno da liberdade de igualdade dos homens. Surge a
tese da teoria do contrato social.
Livro 1: Trata do estado originário do homem e afirma que a família é o primeiro
modelo de sociedade política.
Livro 2: trata do conceito de vontade geral. Ao final, ele distingue três tipos de leis:
políticas, civis e criminais.
Livro 3: é o mais extenso e trata do governo e suas formas. Trata da corrupção que
o aparecimento de representantes supõe para o Estado e nos mostra seu conceito
de Assembleia.
Livro 4: trata da bondade e a retidão dos homens simples, necessitados dessas
poucas leis.
Leis Políticas: estabelecem as relações entre o governo ou o soberano
Leis Civis: estabelecem a relação de membro para membro, ou do membro para
as massas.
Leis Criminais:estabelece a relação de cada indivíduo com as leis e as
penalidades por desobedecê-las.
Tese
Quando os homens aparecem na terra, eles estão no que se chama de Estado de
Natureza, que se caracteriza pelo fato de ainda não haver governo, não haver leis,
não haver autoridade e nenhum tipo ainda existir. formado, de organização social ou
política. É, portanto, um estado de liberdade absoluta, onde cada homem faz o que
quer e não tem que prestar contas de seus atos a ninguém. Mas chega o momento
em que os homens percebem que, para melhor defender suas vidas, sua liberdade e
sua propriedade, devem se unir e eleger alguém para governá-los: eis o contrato
social que faz surgir o Estado.

Passagem estado de natureza para estado civil


estado de natureza:
› Antes das instituições;
› Antes das leis;
› Igualdade; – Desigualdades naturais
(idade, sexo, força...).
› Liberdade;
› Sem noções… – Bem, mal, justo, injusto…
estado civil:
› Civilizado;
› Governado;
› Institucionalizado;
› Moralidade;
Teoria política
● O Estado de Natureza:
○ “O bom selvagem”: Amor próprio e compaixão;
○ Propriedade privada 􏰀 Origem da desigualdade;
● Contrato Social: Democracia
○ “Vontade Geral”
○ Soberania do Povo;
○ O governante 􏰀 Comissário da vontade geral
2. O Emílio, ou da Educação:
Trata-se de um tratado filosófico, escrito em 1762, e no qual é abordada a natureza do
homem, desde questões filosóficas e políticas relacionadas ao indivíduo na sociedade.
Propõe a descrição de um sistema educacional que permita ao homem natural conviver
com uma sociedade corrupta.

O texto está dividido em cinco livros:


● os três primeiros dedicados à infância de Emilio,
● o quarto à sua adolescência
● o quinto à educação de Sofia, mulher ideal e futura esposa de Emilio, e à sua vida
doméstica e civil.

● O Emílio foi queimado e banido em Paris e Genebra, por causa do fragmento


publicado sobre a Profissão de Fé do Vigário de Sabóia, mas, apesar disso,
tornou-se um dos livros mais lidos na Europa.
● Durante a Revolução Francesa, serviu de inspiração para o novo sistema
educacional nacional.
Uma das contribuições de Rousseau foi:
apontar que a criança é um ser diferente do adulto e sujeito às suas próprias leis e
evolução.
“O homem avisado sabe manter-se em seu lugar; mas a criança, que não conhece o
dela, não pode manter-se. Ela tem, entre nós, mil soluções para sair dele; cabe aos
que a governam mantê-la em seu lugar e a tarefa não é fácil. Ela não deve ser nem
animal nem homem e sim criança mesmo; é preciso que sinta sua fraqueza e não
que com ela sofra; é preciso que peça e não que mande. Só se acha submetida aos
outros por causa de suas necessidades e porque os outros veem melhor do que ela
o que lhe é útil, o que pode favorecer ou prejudicar sua conservação. Ninguém tem o
direito, nem mesmo o pai, de mandar a criança fazer algo que não lhe seja útil”

Para Rousseau, comparar uma criança com um adulto leva a cometer dois erros:
1. Dar à criança conhecimentos que ela não possui
2. Induzir a criança a aprender a partir de motivações que lhe são indiferentes.

O processo educativo deve partir da compreensão da natureza.


Para Rousseau, a educação deve ser adaptada a cada uma das fases do
desenvolvimento da criança.
Com Emilio, Rousseau estabelece três roteiros que devem ser considerados na
ação educativa:
1. Considere os interesses e habilidades da criança.
2. Estimular na criança o desejo de aprender.
3. Analise o que e quando a criança deve ser ensinada com base em seu
estágio de desenvolvimento.

A educação deve ser inspirada pela natureza e pelas leis do desenvolvimento da criança.
A educação natural de Rousseau baseia-se no fato
de que na criança existe um princípio inato, princípio ativo, que, por meio da experiência
(educação das coisas), gradualmente se forma.

A pedagogia de Rousseau:
1. A descoberta da infância como uma idade autônoma dotada de características e
propósitos específicos, muito diferentes dos da idade adulta: o puerocentrismo;
2. ligação entre motivação e aprendizagem colocada no centro da formação intelectual
e moral de Emilio: referência constante à experiência concreta: aprendizagem
motivada;
3. atenção sempre dada à antinomia e ao contraditório da relação educativa
(heteronomia/autonomia; liberdade/autoridade;): antinomias da educação.

Estrutura do Emílio:
● Livro 1: 0-2 anos. Lactância e primeira infância
○ HOMEM NATURAL x HOMEM CIVIL
■ É importante a livre movimentação desde o nascimento, já que ela
começa adaptar-se ao mundo e o conhecimento é alcançado através
dos sentidos.
■ O vínculo com a mãe no ato da amamentação é fundamental.
■ O pai deve assumir a responsabilidade de educar o filho.
■ O choro: necessidade x dominação.
■ Máximas: permitir apenas o que a criança suporta. Ajudar a suprir
aquilo que lhe falta e que não pode suprir sozinho. Proporcionar o que
lhe é útil sem fantasias. Saber distinguir o que é de sua natureza e o
que é de

● Livro 2: 2-12 anos. Idade da Natureza


○ Marcada pela necessidade. Cabe ao preceptor indicar o caminho a ser
seguido pela criança.
○ Choro como expressão, uma forma de comunicar-se.
○ Deixar a criança divertir-se ao ar livre.
○ Felicidade → Estado negativo
○ Ensinar a verdade nua e crua.
○ Nenhum ensinamento tem valor se não conseguir associá-lo ao cotidiano.
○ A leitura e escrita são desnecessárias quando não há o desejo de

● Livro 3: 12-15 anos. Idade da força


○ Como homem, [Emílio] seria fraquíssimo; como criança é muito forte. De
onde provém a fraqueza do homem? Da desigualdade existente entre a sua
força e os seus desejos. Nossas paixões tornam-nos fracos, pois, para
satisfazê-las, precisaríamos de mais forças do que as que a natureza nos
deu.
○ Infância > fraco
○ adolescência > forte
○ Como homem, [Emílio] seria fraquíssimo; como criança é muito forte
○ “Aos doze ou treze anos, as forças desenvolvem-se bem mais rapidamente
que suas necessidades.”
○ Não diga as crianças palavras que elas não possam entender. Apresentar de
modo correto os objetos, depois conforme a curiosidade aflore, invista em
questionamentos nos quais ele próprio chegue às respostas através da
observação.

● Livro 4: 15-20 anos . Adolescência


○ Educação dos sentimentos;
○ Princípios religiosos e morais;
○ Despertar as paixões e a consciência;
○ Impedir que as paixões se transformem em vícios;
○ Refrear a imaginação excessiva;
○ Amizade, misericórdia e continência
○ O homem não está destinado a permanecer para sempre na infância. É
necessário que nos amemos para nos preservarmos e que nos amemos
mais do que todas as coisas. Você tem que estudar a sociedade para os
homens e os homens para a sociedade. Nos corpos percebemos dois tipos
de movimento: o comunicado e o espontâneo.

● Livro 5: 20 anos “acima” – Idade adulta


○ Diferenças de vários tipos existentes entre homem e mulher
○ A razão da mulher - Deveres da mulher: cuidar da aparência, honra,
○ reputação, ter castidade. A mulher deve ser fiel, modesta, reservada e
atenciosa

Resumindo:

● Fiel a seu princípio, segundo o qual o homem nasce naturalmente bom, Rousseau
estima que é preciso partir dos instintos naturais da criança para desenvolvê-los.
● A educação negativa (essa que propõe o filósofo), o papel do preceptor (professor)
é, sobretudo, o de preservar a criança;
● deveria substituir a educação positiva que forma a inteligência prematuramente e
impensadamente.
● O ciclo completo desta nova educação comporta quatro períodos:
○ O primeiro período vai de 0 a 5 (zero a cinco) anos – vida puramente física,
apta a fortificar o corpo sem forçá-lo; período espontâneo e orientado graças,
notadamente, ao aleitamento materno;
○ O segundo período vai de 5 aos 12 (cinco a doze) – a criança desenvolve
seu corpo e seu caráter no contato com as realidades naturais, sem
intervenção ativa de seu preceptor;
○ O preceptor intervém mais diretamente no terceiro período que vai de 12 a
15 (doze a quinze) anos – o jovem se inicia, essencialmente pela
experiência, à geografia e à física, ao mesmo tempo em que aprende uma
profissão manual ou ofício;
○ Dos 15 aos 20 anos - o homem floresce para vida moral, religiosa e social

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