2º MÓDULO - IMPORTÂNCIA DO SEGMENTO
De forma abrangente, o turismo de aventura no Brasil evoluiu pelo mesmo
caminho do turismo de natureza, consequência de uma consciência crescente sobre os
conceitos e práticas do desenvolvimento sustentável, a qual foi fortemente estimulada
pela realização da Rio-92.
A década de 1990 foi de grandes mudanças; o ecoturismo passou a constituir
um segmento do turismo com organizações próprias. As Nações Unidas declararam
2002 o Ano Internacional do Ecoturismo e apoiaram a realização naquele ano de um
encontro internacional sobre o tema. O documento final oficial resultante da
conferência internacional, designado de "Declaração de Quebec"
([Link]), constitui um dos marcos de referência do segmento.
As empresas operadoras de ecoturismo se desenvolveram e o mercado
turístico ficou mais aberto e interessado em consumir produtos e roteiros que
levassem as pessoas ao ambiente natural preservado. Estima-se que o crescimento nos
últimos anos (a partir de 1998, pelo menos) tenha ocorrido a taxas de 20% ao ano de
acordo com dados da Organização Mundial do Turismo - OMT ([Link]-
[Link]) e da Sociedade Internacional de Ecoturismo - TIES ([Link] ).
Dentro do ecoturismo, o turismo de aventura foi se diferenciando, adquirindo
características próprias e tornando-se inclusive em objeto de eventos de referência
como a Adventure Sports Fair ([Link]), em São Paulo.
Conforme relatos de empresários do segmento (lista de discussão na Internet do
Grupo de Empresários de Turismo de Aventura), diversas operadoras de ecoturismo
passaram a dispor de equipamentos e recursos humanos e a oferecer produtos para
este novo mercado.
Associações esportivas organizadas por modalidades também se
desenvolveram, absorvendo uma parte da demanda de apoio e orientação aos
praticantes. Alguns municípios passaram a buscar formas de disciplinar a prática das
atividades e promover a organização dos segmentos envolvidos.
O turismo de aventura no Brasil é realizado em diversos destinos turísticos,
sendo, muitas vezes, um dos fatores de indução do desenvolvimento de destinos
importantes como o caso de Bonito, Brotas, entre muitos outros. A atividade é
caracterizada por:
• Estar na maioria das vezes associada ao turismo na natureza, praticada em
ambientes naturais preservados (unidades de conservação e seu entorno) ou
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relativamente bem preservados, forte interseção com o ecoturismo, sendo muitas
vezes confundido como tal;
• diversidade de modalidades oferecidas e praticadas;
• como atividade econômica, possui forte participação de empresas de
pequeno e médio porte (levantamentos preliminares baseados no banco de dados de
empresas prestadoras de serviços no Brasil - ver documento "TA - MTur - IH - 09 -
Análise da oferta de atividades de turismo de aventura no Brasil" - indicam que a
maioria das empresas de turismo de aventura são de pequeno porte);
• envolvimento de empresários que optam pelo empreendimento como estilo
de vida e não pela gestão do negócio.
As diferentes modalidades que caracterizam o turismo de aventura possuem
definições que variam de região para região, de país para país. De modo geral, as
modalidades mais oferecidas são as seguintes: caminhada, montanhismo, escalada,
canionismo, espeleoturismo, arvorismo, técnicas verticais (rapel, tirolesa, parque de
cordas), expedições fora de estrada, rafting, canoagem, acqua ride (bóia cross),
cicloturismo, vôo livre (asa-delta e paragliding), mergulho (livre e autônomo),
cavalgadas, kitesurf e windsurf.
É importante ressaltar que o desenvolvimento do turismo de aventura no Brasil
é relativamente recente. As primeiras iniciativas de atividades comerciais datam do
início da década de 1990 e a primeira abordagem do poder público para o tema foi
realizada nas oficinas de planejamento da Embratur ([Link]), conforme
a seguir:
a) Oficina para elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável
do Turismo de Aventura - 16 a 19 de abril de 2001
b) Oficina Estadual de Turismo Aventura do Estado do Rio Grande do Sul - 05 a
08 de novembro de 2001
c) Subsídios para o Plano de Desenvolvimento do Turismo Aventura no Estado
de São Paulo - 21 a 23 de janeiro de 2002
d) Oficina de Desenvolvimento Sustentável do Turismo Aventura "Terra" - 02 e
03 de abril de 2003
e) Oficina de Planejamento do Turismo Aventura modalidade "Água"- 08 e 09
de abril de 2003
f) Oficina de Planejamento do Turismo Aventura modalidade "Ar" - 10 e 11 de
abril de 2003.
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Só em julho de 2003, as empresas deram o primeiro passo para a organização
de entidade ou grupo de referência para o segmento, constituindo o Grupo de
Empresários de Turismo de Aventura.
A expansão mercadológica foi espontânea e abrangente; hoje o turismo de
aventura está amplamente disseminado no Brasil e uma grande variedade de
empresas e prestadores de serviço se estabeleceram em todo o território nacional.
Utilizando-se o Guia 4 Rodas ([Link]) como referência,
encontramos mais de 190 destinos caracterizados como turismo de aventura.
Atualmente, segundo o documento "TA - MTur - IH - 09 - Análise da oferta de
atividades de Turismo de aventura no Brasil", já se tem mais de 2000 empresas
identificadas que prestam serviços nessa área.
Apesar desse crescimento, ainda são poucas as informações estatísticas
disponíveis sobre o mercado de turismo de aventura no Brasil, especialmente em
termos de faturamento e fluxos de visitantes.
Uma informação relevante com relação ao fluxo de turistas pode ser obtida da
análise do banco de dados de atividades de turismo de aventura no Brasil do citado
documento TA - MTur - IH - 09. Essa análise permite traçar um perfil da oferta de
modalidades atualmente existente. Dentro da amostra analisada de 2.039
organizações que oferecem atividades de turismo de aventura no Brasil, a tabela a
seguir apresenta o número de organizações que oferecem produtos e serviços para
cada uma das modalidades consideradas. Algumas atividades foram agrupadas pelo
critério de similaridade, visando facilitar a análise para efeito de avaliação de
relevância de fluxo de turistas.
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Tabela 1 - Número de organizações que oferecem produtos e serviços para
cada uma das modalidades consideradas.
MODALIDADE QUANTIDADE
1 Caminhada 454
2 Cachoeirismo/Canionismo 275
3 Rafting 257
4 Turismo de veículos fora de estrada 232
5 Mergulho 230
6 Caiaque/Canoagem 194
7 Rapel 180
8 Cicloturismo 173
9 Cavalgadas 136
10 Escalada 103
11 Montanhismo 87
12 Acquaride / Bóia cross 85
13 Vôo livre (Asa-Delta/Parapente) 78
14 Pára-quedismo 76
15 Passeios náuticos 73
16 Tirolesa 72
17 Técnicas verticais 68
18 Arvorismo 65
19 Espeleoturismo 59
20 Observação da vida selvagem 31
21 Flutuação 25
22 Surf / Body-boarding 20
23 Balonismo 19
24 Jet Ski / Ski Aquático / Wakeboard 15
25 Buggy 10
26 Bungee Jump 6
Total Geral 3.023
Fonte: TA - MTur - IH - 09 - Análise da oferta de atividades de Turismo de
Aventura no Brasil
As seguintes conclusões são relevantes:
• a atividade de caminhada aparece com destaque como a mais oferecida;
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• num segundo grupo de destaque, aparecem as seguintes modalidades
agregadas: Cachoeirismo/Canionismo; Rafting; Turismo de veículos fora de estrada /
Jeep Tour / Off Road; Mergulho;
• finalmente, num terceiro grupo de relevância, aparecem as modalidades
agregadas de: Caiaque/Canoagem; Rapel; Cicloturismo/Mountain Bike; Cavalgadas;
Escalada.
Uma fonte de informações também relevante para a avaliação da importância
das diferentes modalidades do turismo de aventura em relação à frequência com que
são praticadas foi obtida com a pesquisa realizada com o público da Adventure Sports
Fair em 2004 (documento "TA - MTur - IH - 12- Pesquisa para avaliação de percepção
do público da Adventure Sports Fair (Edição 2004) sobre segurança no Turismo de
aventura"). Os dados obtidos estão resumidos na tabela a seguir.
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Tabela 2 – Modalidades do Turismo de Aventura x Frequência com que são
Praticadas.
MODALIDADE FREQÜÊNCIA RELATIVA À PARTICIPAÇÃO POR
DE TURISMO SUA PRÁTICA MODALIDADE
DE AVENTURA (Nº DE RESPOSTAS) (%)
1 Caminhada 282 21,4
2 Cavalgada 132 10,0
3 Cicloturismo 110 8,4
4 Montanhismo 98 7,5
5 Técnicas Verticais 88 6,7
6 Escalada 86 6,5
7 Mergulho 79 6,0
8 Rafting 75 5,7
9 Canoagem 58 4,4
10 Expedição fora de estrada 55 4,2
11 Espeleoturismo 54 4,1
12 Bóia cross 52 4,0
13 Arvorismo 50 3,8
14 Canionismo 42 3,2
15 Vôo livre 17 1,3
16 Outros (vide nota) 16 1,2
17 Windsurf 13 1,0
18 Kitesurf 4 0,3
19 Balonismo 4 0,3
Total 1.315 100,0
Nota: Foram citados: Maratona, Motociclismo, Pára-quedismo, Surf e Veleiro.
Fonte: TA - MTur - IH - 12 - Pesquisa para avaliação de percepção do
público da Adventure Sports Fair (Edição 2004) sobre segurança
no Turismo de Aventura
Ainda no contexto da caracterização do fluxo de turistas por modalidades, um
outro grupo de informações relevantes foi obtido do diagnóstico de visitação de
parques nacionais e estaduais realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (fonte:
Diagnóstico da visitação em parques nacionais e estaduais - Ministério do Meio
Ambiente - 2004 e documento "TA - MTur - IH - 14- Atividades de aventura na visitação
de parques nacionais e estaduais").
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O objetivo do estudo desenvolvido foi levantar informações para subsidiar as
políticas e diretrizes de visitação nas unidades de conservação, além de traçar um
cenário mais aproximado da realidade da dinâmica da visitação nas áreas pesquisadas.
Os resultados estão analisados e apresentados conforme os seguintes temas:
• análise dos parques nacionais e estaduais abertos à visitação pública;
• perfil das atividades desenvolvidas nos parques estaduais;
• dinâmica de realização das atividades de uso público;
• adoção de normas e regulamentos para a visitação;
• percepção do impacto da visitação nos parques estaduais.
No caso dos parques estaduais, foi realizada a inclusão de três outros temas:
• obstáculos e fragilidades encontrados no desenvolvimento da visitação;
• indicações de diretrizes para o estabelecimento de diretrizes para visitação;
• utilização de mecanismos para análise e monitoramento dos impactos da
visitação.
Com relação às modalidades de aventura, a tabela a seguir apresenta os
porcentuais médios com que as diferentes modalidades são praticadas nos parques
nacionais e estaduais.
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Tabela 3 - Percentual médio de prática de atividade em parques nacionais e estaduais.
1 Caminhadas de um dia 23
2 Banho 16
3 Ciclismo 9
4 Caminhada com pernoite (Montanhismo) 7
5 Descida de cachoeira (Canionismoe Cachoeirismo)(vide nota 1) 7
6 Escalada 6
7 Espeleoturismo (vide nota 2) 5
8 Cavalgada 4
9 Canoagem 4
10 Asa-delta 3
11 Bóia cross 3
12 Rafting 3
13 Mergulho 3
15 Parapente 2
16 Canionismo 2
18 Balonismo 1
19 Surf 1
20 Ultraleve 1
21 Pára-quedismo 1
Nota 1: Foram citados "Descida de cachoeira
(cachoeirismo) - 5%" e "Canionismo - 2%" Nota 2:
Foram citados "Visita a caverna - 3%" e "Travessia em
cavernas - 2%"
Fonte: Diagnóstico da visitação em parques nacionais e estaduais - Ministério do
Meio Ambiente - 2004
A grande abrangência geográfica e a capacidade de oferecer atividades com
diferentes características fazem com que o turismo de aventura seja um fator
importante no desenvolvimento dos destinos turísticos. O turismo de aventura agrega
valor aos destinos e pode ser um importante diferencial para o turismo interno se
praticado com qualidade e segurança.
O turismo de aventura já pode ser considerado como fator de atração de
turistas estrangeiros para o país, especialmente em alguns destinos como Chapada dos
Veadeiros, Jalapão, Bonito, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, Serra do Cipó, Lençóis
Maranhenses, Fernando de Noronha e muitos outros. A oferta de atividades de
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aventura realizadas por operadores competentes tem sido o fator de atração
fundamental deste fluxo cada vez mais intenso.
O Brasil tem todas as condições de se estabelecer no cenário mundial como um
destino de turismo de aventura pelas extensas áreas naturais preservadas, pelas
empresas já estabelecidas, somadas a vontade do poder público, por meio do
Ministério do Turismo, de implementar um marco regulatório de qualidade e
segurança para este segmento.
O turismo de aventura tem importância estratégica para o desenvolvimento
turístico no Brasil, tanto como fator de desenvolvimento social local como diferencial
para estratégias de marketing internacional. Para tal, é importante que o segmento se
organize, aumente sua competitividade e opere de forma responsável e segura.