1º MÓDULO - CONCEITO DE TURISMO DE AVENTURA
A definição de turismo de aventura inicialmente aceita e utilizada no Brasil foi
produto da Oficina para a Elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento
Sustentável do Turismo de Aventura, realizada em Caeté - MG, no mês de abril 2001.
Ela tem a seguinte redação: segmento de mercado turístico que promove a
prática de atividades de aventura e esporte recreacional, em ambientes naturais e
espaços urbanos ao ar livre, que envolvam riscos controlados exigindo o uso de
técnicas e equipamentos específicos, adoção de procedimentos para garantir a
segurança pessoal e de terceiros e o respeito ao patrimônio ambiental e sócio-cultural.
Atualmente, a definição adotada pelo Ministério do Turismo
([Link]) é a seguinte: "as atividades turísticas decorrentes da prática de
atividades de aventura de caráter não competitivo."
Entende-se como atividades de turismo de aventura aquelas oferecidas
comercialmente, usualmente adaptadas das atividades esportivas de aventura, que
tenham ao mesmo tempo o caráter recreativo e envolvam riscos avaliados,
controlados e assumidos.
É importante ressaltar que as atividades de turismo de aventura podem ser
conduzidas em ambientes naturais, rurais ou urbanos.
Em outros países, os conceitos "adventure recreation" e "outdoor adventure"
são amplamente difundidos e divulgados, sendo objeto de vários estudos e pesquisas,
estando normalmente associados à existência de riscos e perigos e na maioria das
vezes também relacionados ao termo "wilderness experience".
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É relevante destacar que as fronteiras entre estes termos e suas abordagens
muitas vezes se sobrepõem. O turismo de aventura é um dos componentes destes
grandes temas, sempre relacionado às relações comerciais destas atividades.
Ou seja, é importante ampliar o entendimento do turismo de aventura para se
conseguir traçar um panorama internacional desta atividade. No exterior, a cultura de
atividades ao ar livre, recreação e aventura é bastante forte, sendo foco de atuação de
várias organizações e de alguns governos como os Estados Unidos, o Canadá, a Nova
Zelândia, a Irlanda, o Reino Unido e a Costa Rica.
Para atender aos objetivos do diagnóstico realizado, esta abrangência de
entendimento é necessária, pois assim é possível encontrar referências técnicas,
programas de trabalho e um volume de informações mais amplo e razoavelmente
consistente.
Os programas de educação ao ar livre, apesar de pouco difundidos no Brasil,
têm ampla aceitação em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos e Canadá.
Estes programas de educação ao ar livre alcançaram bom nível de organização, nas
áreas de capacitação e no desenvolvimento e consolidação das técnicas ao ar livre,
bem como na formalização de procedimentos e planos de gerenciamento de risco.
O que se pode identificar para efeito de resultados da pesquisa realizada foi a
necessidade de se incluir no foco deste diagnóstico as informações e referências das
organizações de esportes de aventura e dos programas de educação ao ar livre que
concentram grande quantidade de documentos a respeito das modalidades de turismo
de aventura.
Com o objetivo de se estabelecer um panorama conceitual de algumas áreas e
aspectos relacionados ao turismo de aventura, são apresentados abaixo alguns
conceitos que poderão ser úteis para os fins do presente diagnóstico e cujas fontes de
referência estão detalhadas no documento TA - Mtur - IH - 08.
Recreação de Aventura - Adventure Recreation:
"Uma variedade de iniciativas independentes para a prática de atividades
utilizando uma interação com o meio ambiente natural, o qual contém elementos de
risco, aparente ou real, em que o resultado, mesmo que incerto, possa ser influenciado
pelo participante e pelas circunstâncias."
Educação de Aventura - Adventure Education:
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"A exposição direta e proposital de indivíduos a experiências desafiadoras, e
com alto nível de aventura, com o objetivo de promover uma mudança interpessoal e
intrapessoal nas relações humanas."
Educação ao Ar livre - Outdoor Education:
"A educação ao ar livre é um método experiencial de aprendizado em que se
usam todos os sentidos. Acontece primordialmente, mas não exclusivamente, pela
exposição ao meio ambiente natural. Na educação ao ar livre, a ênfase do aprendizado
está nas relações que são desenvolvidas relacionadas às pessoas e aos recursos
naturais".
Aventura - Adventure:
"Uma experiência em que o resultado é incerto porque alguma informação
pode não estar disponível, ser imprecisa ou desconhecida. É similar ao lazer: um
estado mental, escolhido livremente, intrinsecamente motivador e que pode levar a
uma experiência especial".
IMPORTÂNCIA DO TURISMO DE AVENTURA NO BRASIL
De forma abrangente, o turismo de aventura no Brasil evoluiu pelo mesmo
caminho do turismo de natureza, consequência de uma consciência crescente sobre os
conceitos e práticas do desenvolvimento sustentável, a qual foi fortemente estimulada
pela realização da Rio-92.
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A década de 1990 foi de grandes mudanças; o ecoturismo passou a constituir
um segmento do turismo com organizações próprias. As Nações Unidas declararam
2002 o Ano Internacional do Ecoturismo e apoiaram a realização naquele ano de um
encontro internacional sobre o tema. O documento final oficial resultante da
conferência internacional, designado de "Declaração de Quebec"
([Link]), constitui um dos marcos de referência do segmento.
As empresas operadoras de ecoturismo se desenvolveram e o mercado
turístico ficou mais aberto e interessado em consumir produtos e roteiros que
levassem as pessoas ao ambiente natural preservado. Estima-se que o crescimento nos
últimos anos (a partir de 1998, pelo menos) tenha ocorrido a taxas de 20% ao ano de
acordo com dados da Organização Mundial do Turismo - OMT ([Link]-
[Link]) e da Sociedade Internacional de Ecoturismo - TIES ([Link] ).
Dentro do ecoturismo, o turismo de aventura foi se diferenciando, adquirindo
características próprias e tornando-se inclusive em objeto de eventos de referência
como a Adventure Sports Fair ([Link]), em São Paulo.
Conforme relatos de empresários do segmento (lista de discussão na Internet
do Grupo de Empresários de Turismo de Aventura), diversas operadoras de ecoturismo
passaram a dispor de equipamentos e recursos humanos e a oferecer produtos para
este novo mercado. Associações esportivas organizadas por modalidades também se
desenvolveram, absorvendo uma parte da demanda de apoio e orientação aos
praticantes. Alguns municípios passaram a buscar formas de disciplinar a prática das
atividades e promover a organização dos segmentos envolvidos.
O turismo de aventura no Brasil é realizado em diversos destinos turísticos,
sendo, muitas vezes, um dos fatores de indução do desenvolvimento de destinos
importantes como o caso de Bonito, Brotas, entre muitos outros.
A atividade é caracterizada por:
• Estar na maioria das vezes associada ao turismo na natureza, praticada em
ambientes naturais preservados (unidades de conservação e seu entorno) ou
relativamente bem preservados, forte interseção com o ecoturismo, sendo muitas
vezes confundido como tal;
• diversidade de modalidades oferecidas e praticadas;
• como atividade econômica, possui forte participação de empresas de
pequeno e médio porte (levantamentos preliminares baseados no banco de dados de
empresas prestadoras de serviços no Brasil - ver documento "TA - MTur - IH - 09 -
Análise da oferta de atividades de turismo de aventura no Brasil" - indicam que a
maioria das empresas de turismo de aventura são de pequeno porte);
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• envolvimento de empresários que optam pelo empreendimento como estilo
de vida e não pela gestão do negócio.
As diferentes modalidades que caracterizam o turismo de aventura possuem
definições que variam de região para região, de país para país. De modo geral, as
modalidades mais oferecidas são as seguintes: caminhada, montanhismo, escalada,
canionismo, espeleoturismo, arvorismo, técnicas verticais (rapel, tirolesa, parque de
cordas), expedições fora de estrada, rafting, canoagem, acqua ride (bóia cross),
cicloturismo, vôo livre (asa-delta e paragliding), mergulho (livre e autônomo),
cavalgadas, kitesurf e windsurf.
É importante ressaltar que o desenvolvimento do turismo de aventura no Brasil
é relativamente recente. As primeiras iniciativas de atividades comerciais datam do
início da década de 1990 e a primeira abordagem do poder público para o tema foi
realizada nas oficinas de planejamento da Embratur ([Link]), conforme
a seguir:
a) Oficina para elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável
do Turismo de Aventura - 16 a 19 de abril de 2001
b) Oficina Estadual de Turismo Aventura do Estado do Rio Grande do Sul - 05 a
08 de novembro de 2001
c) Subsídios para o Plano de Desenvolvimento do Turismo Aventura no Estado
de São Paulo - 21 a 23 de janeiro de 2002
d) Oficina de Desenvolvimento Sustentável do Turismo Aventura "Terra" - 02 e
03 de abril de 2003
e) Oficina de Planejamento do Turismo Aventura modalidade "Água"- 08 e 09
de abril de 2003
f) Oficina de Planejamento do Turismo Aventura modalidade "Ar" - 10 e 11 de
abril de 2003.
Só em julho de 2003, as empresas deram o primeiro passo para a organização
de entidade ou grupo de referência para o segmento, constituindo o Grupo de
Empresários de Turismo de Aventura.
A expansão mercadológica foi espontânea e abrangente; hoje o turismo de
aventura está amplamente disseminado no Brasil e uma grande variedade de
empresas e prestadores de serviço se estabeleceram em todo o território nacional.
Utilizando-se o Guia 4 Rodas ([Link]) como referência,
encontramos mais de 190 destinos caracterizados como turismo de aventura.
Atualmente, segundo o documento "TA - MTur - IH - 09 - Análise da oferta de
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atividades de Turismo de aventura no Brasil", já se tem mais de 2000 empresas
identificadas que prestam serviços nessa área.
Apesar desse crescimento, ainda são poucas as informações estatísticas
disponíveis sobre o mercado de turismo de aventura no Brasil, especialmente em
termos de faturamento e fluxos de visitantes.
Uma informação relevante com relação ao fluxo de turistas pode ser obtida da
análise do banco de dados de atividades de turismo de aventura no Brasil do citado
documento TA - MTur - IH - 09. Essa análise permite traçar um perfil da oferta de
modalidades atualmente existente.
Dentro da amostra analisada de 2.039 organizações que oferecem atividades
de turismo de aventura no Brasil, a tabela a seguir apresenta o número de
organizações que oferecem produtos e serviços para cada uma das modalidades
consideradas. Algumas atividades foram agrupadas pelo critério de similaridade,
visando facilitar a análise para efeito de avaliação de relevância de fluxo de turistas.