AULA 8
DIREITO
PROCESSUAL
CIVIL II
teoria e prática
Prof.ª Lara Neiva
Prazos recursais
Prazos processuais
Tempestividade recursal
Contagem em dias úteis
Unificação dos prazos
recursais (15 dias)
Código de Processo Civil
Art. 219. Na contagem de prazo em
dias, estabelecido por lei ou pelo juiz,
computar-se-ão somente os dias
úteis.
Parágrafo único. O disposto neste
artigo aplica-se somente aos prazos
processuais.
IMPORTANTE!
O art. 219 do CPC/2015 é aplicado
para o prazo do mandado de
segurança? A partir de agora o
prazo de 120 dias deverá ser
contado em dias úteis?
1
REGRA: NÃO. O prazo de
impetração do MS, em regra, não
é processual, de forma que ele
deve ser contado de forma
corrida.
2 EXCEÇÃO: no caso de MS contra
ato judicial, o prazo máximo para
impetração será contado em dias
úteis. Isso porque, neste caso, ele
terá natureza processual.
Termo inicial (a quo)
O prazo é contado da
intimação da decisão
Intimação por Diário de
Justiça: início no 1º dia útil
subsequente à publicação,
que será considerada
realizada no 1º dia útil
subsequente à
disponibilização no Diário
Oficial Eletrônico
Código de Processo Civil
Art. 1.003. O prazo para interposição
de recurso conta-se da data em que
os advogados, a sociedade de
advogados, a Advocacia Pública, a
Defensoria Pública ou o Ministério
Público são intimados da decisão.
Código de Processo Civil
[Art. 1.003] § 1º Os sujeitos previstos
no caput considerar-se-ão
intimados em audiência quando nesta
for proferida a decisão.
Sujeitos a serem intimados:
Advogados
Defensoria Pública
Advocacia Pública
Ministério Público
IMPORTANTE!
A Advocacia Pública, a Defensoria e o
MP têm a prerrogativa de intimação
pessoal, que poderá ocorrer por Carga,
Remessa ou Meio Eletrônico. A
contagem tem início com o recebimento
dos autos pela Instituição e não pela
sua chegada ao setor competente ou
pelo pronunciamento de
“recebimento/ciência”.
Código de Processo Civil
Art. 231. Salvo disposição em sentido
diverso, considera-se dia do começo
do prazo:
VII - a data de publicação, quando a
intimação se der pelo Diário da
Justiça impresso ou eletrônico;
Intimação pelo Diário de Justiça
(físico ou eletrônico)
06/03 07/03 08/03
Decisão Disponibilização Publicação
no Diário de (primeiro dia útil
Justiça seguinte)
início do prazo
Jurisprudência correlata
RECURSO ESPECIAL. RECURSO SUBMETIDO AO RITO DOS REPETITIVOS (ART.
1.036 DO CPC C/C O ART. 256, I, DO RISTJ). PROCESSO PENAL E PROCESSO
CIVIL. INTIMAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. CONTAGEM DOS PRAZOS. INÍCIO.
NECESSIDADE DE REMESSA DOS AUTOS À INSTITUIÇÃO. INTIMAÇÃO E
CONTAGEM DE PRAZO PARA RECURSO. DISTINÇÕES. PRERROGATIVA
PROCESSUAL. NATUREZA DAS FUNÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO.
PECULIARIDADES DO PROCESSO PENAL. REGRA DE TRATAMENTO DISTINTA.
RAZOABILIDADE. INTERPRETAÇÃO DOS ARTS. 18, II, DA LC N. 75/1993 e 41, IV, DA
LEI N. 8.625/1993. TESE: O termo inicial da contagem do prazo para impugnar
decisão judicial é, para o Ministério Público, a data da entrega dos autos na
repartição administrativa do órgão, sendo irrelevante que a intimação pessoal
tenha se dado em audiência, em cartório ou por mandado. (REsp 1349935/SE,
Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
23/08/2017, DJe 14/09/2017)
Código de Processo Civil
Art. 231. Salvo disposição em sentido
diverso, considera-se dia do começo
do prazo:
V - o dia útil seguinte à consulta ao
teor da citação ou da intimação ou ao
término do prazo para que a consulta
se dê, quando a citação ou a
intimação for eletrônica;
Lei 11.419/2006
Art. 5º As intimações serão feitas por meio
eletrônico em portal próprio aos que se
cadastrarem na forma do art. 2º desta Lei,
dispensando-se a publicação no órgão oficial,
inclusive eletrônico.
§ 1º Considerar-se-á realizada a intimação no
dia em que o intimando efetivar a consulta
eletrônica ao teor da intimação, certificando-
se nos autos a sua realização.
Lei 11.419/2006
§ 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, nos
casos em que a consulta se dê em dia não útil,
a intimação será considerada como realizada
no primeiro dia útil seguinte.
§ 3º A consulta referida nos §§ 1º e 2º deste
artigo deverá ser feita em até 10 (dez) dias
corridos contados da data do envio da
intimação, sob pena de considerar-se a
intimação automaticamente realizada na
data do término desse prazo.
Intimação eletrônica
1 2 3 4
Decisão Intimação Consulta Dia útil
via sistema (até 10 dias) seguinte
início do prazo
Jurisprudência correlata
A divulgação do andamento processual pelos Tribunais por meio da internet
passou a representar a principal fonte de informação dos advogados em
relação aos trâmites do feito. A jurisprudência deve acompanhar a
realidade em que se insere, sendo impensável punir a parte que confiou nos
dados assim fornecidos pelo próprio Judiciário. STJ. Corte Especial. REsp
1324432/SC, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 10/5/2013.
A Corte Especial do STJ firmou o entendimento de que o equívoco na
indicação do término do prazo recursal contido no sistema eletrônico
mantido exclusivamente pelo Tribunal não pode ser imputado ao
recorrente. EREsp 1805589/MT, relator Ministro Mauro Campbell Marques,
Corte Especial, DJe de 25/11/2020.
Jurisprudência correlata
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE. ALEGADO EQUÍVOCO DO
SISTEMA ELETRÔNICO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA (PROJUDI). JUSTA CAUSA. DEMONSTRAÇÃO.
NECESSIDADE. 1. No presente caso, a expedição de intimação eletrônica ocorreu em 2/10/2020. Nos
termos do § 3º do art. 5º da Lei n. 11.419/2006, o prazo para a efetivação da intimação eletrônica ficta é
de 10 dias corridos. Contado a partir do dia 3/10/2020, o prazo expirou em 12/10/2020. Ainda de acordo
com o § 2º do art. 5º da referida Lei, como 12 de outubro não foi dia útil, considera-se que a consulta foi
feita no próximo dia útil, ou seja, 13/10/2020, dia considerado como o de intimação da parte. 2.
Considera-se o dia do começo do prazo o dia 14/10/2020, segundo a dicção do art. 231, V, do CPC.
Exclui-se o dia 14/10/2020, primeiro dia do prazo, segundo a norma do art. 224, caput, do CPC.
Prosseguindo-se na contagem de 15 dias úteis a partir de 15/10/2020, primeiro dia da efetiva contagem
do prazo, exclui-se, além dos finais de semana, o feriado nacional de 2/11/2020, que não necessita ser
comprovado. Após, a contagem é retomada em 3/11/2020, finalizando o prazo em 5/11/2020. No
entanto, o recurso foi interposto somente em 26/11/2020. 3. A Corte Especial do STJ firmou o
entendimento de que o equívoco na indicação do término do prazo recursal contido no sistema eletrônico
mantido exclusivamente pelo Tribunal não pode ser imputado ao recorrente. Precedentes. 4. Entretanto,
também conforme o entendimento deste Tribunal Superior, para a prorrogação do prazo é necessária a
configuração da justa causa, que deve ser demonstrada de maneira efetiva. Precedentes. 5. Este
Tribunal Superior também já reconheceu que apenas o "print" do sistema não é servil à efetiva
demonstração da justa causa. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.837.057/PR, relator Ministro Luis Felipe
Salomão, Quarta Turma, julgado em 29/3/2022, DJe de 1/6/2022.)
Jurisprudência correlata
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
DOCUMENTO IDÔNEO NÃO APRESENTADO NO ATO DA INTERPOSIÇÃO DO
RECURSO. 1. Nos termos do art. 1.003, § 6º, do CPC, o recorrente comprovará a
ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso, não se admitindo
a comprovação posterior. 2. É intempestivo o recurso especial protocolizado
após o prazo de 15 (quinze) dias, de acordo com os arts. 1.003, § 5º, e 219, caput,
do CPC. 3. A tempestividade do recurso especial e do respectivo agravo em
recurso especial deve ser aferida de acordo com os prazos em curso na Corte de
origem, e não no Superior Tribunal de Justiça. Agravo interno improvido. (AgInt
no AREsp n. 2.118.653/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma,
julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022.)
Jurisprudência correlata
RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. POSTERIOR
DESISTÊNCIA. PRAZO RECURSAL. INTERRUPÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. (...) 2. Cinge-
se a controvérsia a saber se os embargos de declaração, a despeito da posterior
manifestação de desistência, interrompem ou não o prazo para a interposição de
outros recursos. 3. Extintos os embargos de declaração em virtude de desistência
posteriormente manifestada, não é possível sustentar a interrupção do prazo
recursal para a mesma parte que desistiu, tampouco a reabertura desse prazo a
contar da intimação do ato homologatório. 4. A interrupção do prazo recursal
resultante da oposição de embargos de declaração, seja por força do art. 538 do
CPC/1973, seja por expressa disposição do art. 1.026 do CPC/2015, não se opera
no caso em que os aclaratórios não são conhecidos por serem considerados
inexistentes. 5. É intempestivo o recurso especial interposto após a manifestação
de desistência de anteriores embargos de declaração opostos pela mesma parte.
(REsp n. 1.833.120/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma,
julgado em 18/10/2022, DJe de 24/10/2022.)
Jurisprudência correlata
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA -
DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO
RECLAMO EM RAZÃO DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL. IRRESIGNAÇÃO
DA PARTE REQUERIDA. 1. É intempestivo o recurso especial interposto após o prazo de
15 (quinze) dias úteis previsto nos artigos 219 e 1.003, § 5º, do CPC/15. 2. De acordo
com a jurisprudência do STJ, o dia de Corpus Christi é feriado local, porquanto não
previsto em lei federal, razão pela qual a ausência de expediente forense em tal data
deve ser comprovada pela parte recorrente, no momento da interposição do recurso,
por meio de documento idôneo, o que não ocorreu no presente caso. 3. A juntada de
calendário extraído de página da Corte de origem mantida em rede mundial de
computadores não se revela como documento idôneo a ensejar a comprovação da
existência do aludido feriado, na medida em que, para tanto, é necessária a juntada
de cópia de lei ou de ato administrativo que ateste, de modo inequívoco, a ausência
de expediente forense na data em questão. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp n. 1.779.552/GO, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado
em 26/4/2022, DJe de 6/5/2022.)
Jurisprudência correlata
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTAGEM DE PRAZOS. DIAS
ÚTEIS. SUSPENSÃO DO PRAZO POR ATO ADMINISTRATIVO DA PRESIDÊNCIA DO TJRJ. COMPROVAÇÃO. DIÁRIO
DA JUSTIÇA ELETRÔNICO. DOCUMENTO IDÔNEO. RECURSO PROVIDO. 1. Conforme prevê o art. 219 do
CPC/2015, "[n]a contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão somente os
dias úteis". 1.1. Não deve ser computado o dia no qual, por força de ato administrativo editado pela
Presidência do Tribunal em que tramita o feito, foram suspensos os prazos processuais. 2. Para que o Tribunal
destinatário possa aferir a tempestividade do recurso, é dever do recorrente comprovar, no ato da
interposição, a ocorrência de feriado local ou da suspensão dos prazos processuais, nos termos do que
determina o art. 1.003, § 6º, do CPC/2015, segundo entendimento firmado pela Corte Especial do STJ (AgInt
no AREsp n. 957.821/MS, relatora p/ o acórdão Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, DJe de 19/12/2017)
2.1. No caso concreto, a agravante anexou, às razões do especial, cópia de página do Diário da Justiça
Eletrônico do TJRJ - DJe/TJRJ, instrumento oficial para a publicação de atos do órgão judiciário local, na
forma prevista pelo art. 4º da Lei Federal n. 11.419/2006. O documento reproduz o "Ato Executivo TJ n.
167/2019", que dispôs sobre a suspensão dos atos processuais de processos eletrônicos em primeiro e segundo
graus de jurisdição no dia 14 de agosto de 2019. 2.2. Tem-se, assim, que a parte apresentou documento idôneo
para comprovar que houve a suspensão dos prazos processuais por um dia, que portanto não deve ser
computado para se aferir o termo final da interposição do recurso, à míngua de se revelar como dia útil. 3.
Agravo interno provido para afastar a extemporaneidade do recurso especial. (AgInt no AREsp n.
1.788.341/RJ, relator Ministro Luis Felipe Salomão, relator para acórdão Ministro Antonio Carlos Ferreira,
Quarta Turma, julgado em 3/5/2022, DJe de 1/8/2022.)
Obrigada!
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