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Aplicação da Escala CARS para Autismo

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CARS – ESCALA DE PONTUAÇÃO PARA AUTISMO

NA INFÂNCIA

A escala CARS (CHILDHOOD AUTISM RATING SCALE, em


português ESCALA DE PONTUAÇÃO PARA AUTISMO NA INFÂNCIA) é um
questionário freqüentemente utilizado por profissionais da área da saúde para
averiguar a possibilidade da presença de autismo em crianças, assim como a escala
ATA.

Costuma ser aplicada a crianças a partir dos 2 anos de idade e é considerada uma
ferramenta pré-diagnóstica bastante confiável. Dentre todas as escalas de avaliação
do autismo, a CARS é a de maior validação e preferência.

Vale lembrar, no entanto, que escalas de avaliação não substituem o diagnóstico


formal feito por um profissional qualificado, geralmente um neurologista, um
psiquiatra ou um neuropediatra, sendo ferramentas de apoio à investigação clínica.

Pode ser útil aos pais que desconfiam que seu filho ou filha esteja no espectro do
autismo, e que pensam em buscar uma avaliação profissional, antecipar-se no
preenchimento da escala, como parâmetro que os ajude a estimar a maior ou menor
probabilidade de confirmarem suas suspeitas, e levar a escala preenchida à primeira
consulta, para auxiliar o médico na investigação.

De qualquer modo, independentemente da pontuação obtida, se a criança apresentar


qualquer dificuldade no seu desenvolvimento, em especial problemas com a fala,
coordenação motora, aprendizado, andar na ponta dos pés, fixação em objetos ou
assuntos específicos por período de tempo que pareça exagerado, comportamento
repetitivo, choro excessivo ou dificuldades na interação social, é sempre recomendada
uma avaliação profissional.

PONTUAÇÃO
São 15 subescalas, que somam a pontuação máxima de 60, e a ‘nota de corte’ para
considerar a pessoa como pertencendo ao espectro do autismo é 30.
Atribui-se pontuação de 1 a 4 para cada subescala, sendo:
• 1 = não presença de alterações no comportamento
• 2 = presença leve de alterações no comportamento
• 3 = presença moderada de alterações no comportamento
• 4 = presença muito acentuada/severa de alterações no comportamento
Então, efetua-se somatória simples dos pontos obtidos em todos os subitens.

Podem ser utilizadas pontuações ‘quebradas”, por exemplo: 1,5 em vez de 2 ou 2,5 em
vez de 3. Isso serve para situações no “limiar”, por exemplo: se determinado
comportamento já não é tão leve (2), mas também não chega a ser moderado (3), ou
seja, é um “leve carregado”, pode-se marcar “2,5” nesse caso. Se um comportamento é
moderado (3), mas “indo mais para muito acentuado do que menos”, pode-se marcar
“3,5”.

Exemplo:

“Mike é uma criança que, quando chamada pelo nome, atende apenas cerca de metade
das vezes. Parece sempre muito concentrado numa brincadeira ou objeto, e
freqüentemente é preciso chamá-lo 5 ou 6 vezes até que atenda. Dá a impressão de ser
surdo. Passa bastante tempo isolado e quase não demonstra interesse em incluir outras
pessoas em suas brincadeiras.”
Ao pontuar a subescala I (Relações pessoais), muito provavelmente marcaríamos um
“X” no subitem “3”, que é o que melhor define o comportamento observado em Mike.
Portanto, a subescala I teria pontuação “3”.

I. Relações pessoais: 3
1. Nenhuma evidência de dificuldade ou anormalidade nas relações pessoais: O
comportamento da criança é adequado à sua idade. Alguma timidez, nervosismo ou
aborrecimento podem ser observados quando é dito à criança o que fazer, mas não em
grau atípico;
2. Relações levemente anormais: A criança pode evitar olhar o adulto nos olhos, evitar o
adulto ou ter uma reação exagerada se a interação é forçada, ser excessivamente tímida,
não responder ao adulto como esperado ou agarrar-se ao pais um pouco mais que a
maioria das crianças da mesma idade;
3. Relações moderadamente anormais: Às vezes, a criança demonstra indiferença
(parece ignorar o adulto). Outras vezes, tentativas persistentes e vigorosas são
necessárias para se conseguir a atenção da criança. O contato iniciado pela criança é
mínimo; X
4. Relações gravemente anormais: A criança está constantemente indiferente ou
inconsciente ao que o adulto está fazendo. Ela quase nunca responde ou inicia contato
com o adulto. Somente a tentativa mais persistente para atrair a atenção tem algum
efeito.
A estimativa classificatória do resultado total é:

• Menor que 30 pontos = sem autismo*


• Entre 30 e 35 = autismo leve a moderado
• Entre 36 e 60 = autismo moderado a severo

(Fonte: Scielo)
* Alguns pesquisadores (Tachimori et al. 2003) consideram 25 como nota de corte para
a síndrome de Asperger, ou seja, entre 25 e 30 é bastante provável a presença da
síndrome, atualmente denominada (desde a publicação do DSM-V) “autismo de nível 1
(leve) sem prejuízo da fala ou cognição”.
Importante: esta classificação é uma estimativa, devendo ser confirmada por avaliação
clínica feita por um profissional qualificado (geralmente um psiquiatra ou neurologista
infantil), pois resultados limítrofes podem não ser precisos. Por exemplo, se a pontuação
obtida é 29, pode ou não haver autismo presente; se a pontuação é 32, uma avaliação
clínica mais cuidadosa determinará se a criança apresenta autismo leve ou mais
projetado para o moderado. Entre 36 e 60 há ampla variação do quadro, de
moderado a grave, devendo o nível de severidade ser determinado pelo médico.
Sobretudo, o caráter subjetivo de observação e interpretação aplicado nas pontuações
atribuídas a cada item, especialmente por pessoas não pertencentes à área de saúde
mental, pode alterar a pontuação para mais ou para menos, de forma que nada substitua
o olhar profissional de um médico especializado em autismo.
CARS – Childhood Autism Rating Scale
Nome da
criança:_______________________________________________________________
________
Idade: _________
Data da aplicação: ____/____/____
I. Relações pessoais:

1. Nenhuma evidência de dificuldade ou anormalidade nas relações pessoais: O


comportamento da criança é adequado à sua idade. Alguma timidez, nervosismo ou
aborrecimento podem ser observados quando é dito à criança o que fazer, mas não em
grau atípico;

2. Relações levemente anormais: A criança pode evitar olhar o adulto nos olhos, evitar o
adulto ou ter uma reação exagerada se a interação é forçada, ser excessivamente tímida,
não responder ao adulto como esperado ou agarrar-se ao pais um pouco mais que a
maioria das crianças da mesma idade;

3. Relações moderadamente anormais: Às vezes, a criança demonstra indiferença


(parece ignorar o adulto). Outras vezes, tentativas persistentes e vigorosas são
necessárias para se conseguir a atenção da criança. O contato iniciado pela criança é
mínimo;

4. Relações gravemente anormais: A criança está constantemente indiferente ou


inconsciente ao que o adulto está fazendo. Ela quase nunca responde ou inicia contato
com o adulto. Somente a tentativa mais persistente para atrair a atenção tem algum
efeito.

II. Imitação:

1. Imitação adequada: A criança pode imitar sons, palavras e movimentos, os quais são
adequados para o seu nível de habilidade;

2. Imitação levemente anormal: Na maior parte do tempo, a criança imita


comportamentos simples como bater palmas ou sons verbais isolados; ocasionalmente
imita somente após estimulação ou com atraso;

3. Imitação moderadamente anormal: A criança imita apenas parte do tempo e requer


uma grande dose de persistência ou ajuda do adulto; freqüentemente imita apenas após
um tempo (com atraso);
4. Imitação gravemente anormal: A criança raramente ou nunca imita sons, palavras ou
movimentos mesmo com estímulo e assistência.

III. Resposta emocional:

1. Resposta emocional adequada à situação e à idade: A criança demonstra tipo e grau


adequados de resposta emocional, indicada por uma mudança na expressão facial,
postura e conduta;

2. Resposta emocional levemente anormal: A criança ocasionalmente apresenta um tipo


ou grau inadequados de resposta emocional. Às vezes, suas reações não estão
relacionadas a objetos ou a eventos ao seu redor;

3. Resposta emocional moderadamente anormal: A criança demonstra sinais claros de


resposta emocional inadequada (tipo ou grau). As reações podem ser bastante inibidas
ou excessivas e sem relação com a situação; pode fazer caretas, rir ou tornar-se rígida
até mesmo quando não estejam presentes objetos ou eventos produtores de emoção;

4. Resposta emocional gravemente anormal: As respostas são raramente adequadas à


situação. Uma vez que a criança atinja um determinado humor, é muito difícil alterá-lo.
Por outro lado, a criança pode demonstrar emoções diferentes quando nada mudou.

IV. Uso corporal:

1. Uso corporal adequado à idade: A criança move-se com a mesma facilidade,


agilidade e coordenação de uma criança normal da mesma idade;

2. Uso corporal levemente anormal: Algumas peculiaridades podem estar presentes, tais
como falta de jeito, movimentos repetitivos, pouca coordenação ou a presença rara de
movimentos incomuns;

3. Uso corporal moderadamente anormal: Comportamentos que são claramente


estranhos ou incomuns para uma criança desta idade podem incluir movimentos
estranhos com os dedos, postura peculiar dos dedos ou corpo, olhar fixo, beliscar o
corpo, auto-agressão, balanceio, girar ou caminhar nas pontas dos pés;

4. Uso corporal gravemente anormal: Movimentos intensos ou freqüentes do tipo listado


acima são sinais de uso corporal gravemente anormal. Estes comportamentos podem
persistir apesar das tentativas de desencorajar as crianças a fazê-los ou de envolver a
criança em outras atividades.
V. Uso de objetos:

1. Uso e interesse adequados por brinquedos e outros objetos: A criança demonstra


interesse normal por brinquedos e outros objetos adequados para o seu nível de
habilidade e os utiliza de maneira adequada;

2. Uso e interesse levemente inadequados por brinquedos e outros objetos: A criança


pode demonstrar um interesse atípico por um brinquedo ou brincar com ele de forma
inadequada, de um modo pueril (exemplo: batendo ou sugando o brinquedo);

3. Uso e interesse moderadamente inadequados por brinquedos e outros objetos: A


criança pode demonstrar pouco interesse por brinquedos ou outros objetos, ou pode
estar preocupada em usá-los de maneira estranha. Ela pode concentrar-se em alguma
parte insignificante do brinquedo, tornar-se fascinada com a luz que reflete do mesmo,
repetitivamente mover alguma parte do objeto ou exclusivamente brincar com ele;

4. Uso e interesse gravemente inadequados por brinquedos e outros objetos: A criança


pode engajar-se nos mesmos comportamentos citados acima, porém com maior
freqüência e intensidade. É difícil distrair a criança quando ela está engajada nestas
atividades inadequadas.

VI. Resposta a mudanças:

1. Respostas à mudança adequadas à idade: Embora a criança possa perceber ou


comentar as mudanças na rotina, ela é capaz de aceitar estas mudanças sem angústia
excessiva;

2. Respostas à mudança adequadas à idade levemente anormal: Quando um adulto tenta


mudar tarefas, a criança pode continuar na mesma atividade ou usar os mesmos
materiais;

3. Respostas à mudança adequadas à idade moderadamente anormal: A criança resiste


ativamente a mudanças na rotina, tenta continuar sua antiga atividade é difícil de distraí-
la. Ela pode tornar-se infeliz e zangada quando uma rotina estabelecida é alterada;

4. Respostas à mudança adequadas à idade gravemente anormal: A criança demonstra


reações graves às mudanças. Se uma mudança é forçada, ela pode tornar-se
extremamente zangada ou não disposta a ajudar e responder com acessos de raiva.

VII. Resposta visual:

1. Resposta visual adequada: O comportamento visual da criança é normal e adequado


para sua idade. A visão é utilizada em conjunto com outros sentidos como forma de
explorar um objeto novo;
2. Resposta visual levemente anormal: A criança precisa, ocasionalmente, ser lembrada
de olhar para os objetos. A criança pode estar mais interessada em olhar espelhos ou
luzes do que o fazem seus pares, pode ocasionalmente olhar fixamente para o espaço, ou
pode evitar olhar as pessoas nos olhos;

3. Resposta visual moderadamente anormal: A criança deve ser lembrada


freqüentemente de olhar para o que está fazendo, ela pode olhar fixamente para o
espaço, evitar olhar as pessoas nos olhos, olhar objetos de um ângulo incomum ou
segurar os objetos muito próximos aos olhos;

4. Resposta visual gravemente anormal: A criança evita constantemente olhar para as


pessoas ou para certos objetos e pode demonstrar formas extremas de outras
peculiaridades visuais descritas acima.

VIII. Resposta auditiva:

1. Respostas auditivas adequadas para a idade: O comportamento auditivo da criança é


normal e adequado para idade. A audição é utilizada junto com outros sentidos;

2. Respostas auditivas levemente anormais: Pode haver ausência de resposta ou uma


resposta levemente exagerada a certos sons. Respostas a sons podem ser atrasadas e os
sons podem necessitar de repetição para prender a atenção da criança. A criança pode
ser distraída por sons externos;

3. Respostas auditivas moderadamente anormais: As respostas da criança aos sons


variam. Freqüentemente ignora o som nas primeiras vezes em que é feito. Pode
assustar-se ou cobrir as orelhas ao ouvir alguns sons do cotidiano;

4. Respostas auditivas gravemente anormais: A criança reage exageradamente e/ou


despreza sons num grau extremamente significativo, independente do tipo de som.

IX. Resposta e uso do paladar, olfato e tato:

1. Uso e resposta normais do paladar, olfato e tato: A criança explora novos objetos de
um modo adequado a sua idade, geralmente sentindo ou olhando. Paladar ou olfato
podem ser usados quando adequados. Ao reagir a pequenas dores do dia a dia, a criança
expressa desconforto, mas não reage exageradamente;

2. Uso e resposta levemente anormais do paladar, olfato e tato: A criança pode persistir
em colocar objetos na boca; pode cheirar ou provar/experimentar objetos não
comestíveis. Pode ignorar ou ter reação levemente exagerada à uma dor mínima, para a
qual uma criança normal expressaria somente desconforto;
3. Uso e resposta moderadamente anormais do paladar, olfato e tato: A criança pode
estar moderadamente preocupada em tocar, cheirar ou provar objetos ou pessoas. A
criança pode reagir demais ou muito pouco;

4. Uso e resposta gravemente anormais do paladar, olfato e tato: A criança está


preocupada em cheirar, provar e sentir objetos, mais pela sensação do que pela
exploração ou uso normal dos objetos. Acriança pode ignorar completamente a dor ou
reagir muito fortemente a desconfortos leves.

X. Medo ou nervosismo:

1. Medo ou nervosismo normais: O comportamento da criança é adequado tanto à


situação quanto à idade;

2. Medo ou nervosismo levemente anormais: A criança ocasionalmente demonstra


muito ou pouco medo ou nervosismo quando comparada às reações de uma criança
normal da mesma idade e em situação semelhante;

3. Medo ou nervosismo moderadamente anormais: A criança demonstra bastante mais


ou bastante menos medo do que seria típico para uma criança mais nova ou mais velha
em uma situação similar;

4. Medo ou nervosismo gravemente anormais: Medos persistem mesmo após


experiências repetidas com eventos ou objetos inofensivos. É extremamente difícil
acalmar ou confortar a criança. A criança pode, por outro lado, falhar em demonstrar
consideração adequada aos riscos que outras crianças da mesma idade evitam.

XI. Comunicação verbal:

1. Comunicação verbal normal, adequada à idade e à situação;

2. Comunicação verbal levemente anormal: A fala demonstra um atraso global. A maior


parte do discurso tem significado; porém, alguma ecolalia ou inversão pronominal
podem ocorrer. Algumas palavras peculiares ou jargões podem ser usados
ocasionalmente;

3. Comunicação verbal moderadamente anormal: A fala pode estar ausente. Quando


presente, a comunicação verbal pode ser uma mistura de alguma fala significativa e
alguma linguagem peculiar, tais como jargão, ecolalia ou inversão pronominal. As
peculiaridades na fala significativa podem incluir questionamentos excessivos ou
preocupação com algum tópico em particular;

4. Comunicação verbal gravemente anormal: Fala significativa não é utilizada. A


criança pode emitir gritos estridentes e infantis, sons animais ou bizarros, barulhos
complexos semelhantes à fala, ou pode apresentar o uso bizarro e persistente de algumas
palavras reconhecíveis ou frases.

XII. Comunicação não-verbal:

1. Uso normal da comunicação não-verbal adequado à idade e situação;

2. Uso da comunicação não-verbal levemente anormal: Uso imaturo da comunicação


não-verbal; a criança pode somente apontar vagamente ou esticar-se para alcançar o que
quer, nas mesmas situações nas quais uma criança da mesma idade pode apontar ou
gesticular mais especificamente para indicar o que deseja;

3. Uso da comunicação não-verbal moderadamente anormal: A criança geralmente é


incapaz de expressar suas necessidades ou desejos de forma não verbal, e não consegue
compreender a comunicação não-verbal dos outros;

4. Uso da comunicação não-verbal gravemente anormal: A criança utiliza somente


gestos bizarros ou peculiares, sem significado aparente, e não demonstra nenhum
conhecimento dos significados associados aos gestos ou expressões faciais dos outros.

XIII. Nível de atividade:

1. Nível de atividade normal para idade e circunstâncias: A criança não é nem mais nem
menos ativa que uma criança normal da mesma idade em uma situação semelhante;

2. Nível de atividade levemente anormal: A criança pode tanto ser um pouco inquieta
quanto um pouco “preguiçosa”, apresentando, algumas vezes, movimentos lentos. O
nível de atividade da criança interfere apenas levemente no seu desempenho;

3. Nível de atividade moderadamente anormal: A criança pode ser bastante ativa e


difícil de conter. Ela pode ter uma energia ilimitada ou pode não ir prontamente para a
cama à noite. Por outro lado, a criança pode ser bastante letárgica e necessitar de um
grande estímulo para mover-se;

4. Nível de atividade gravemente anormal: A criança exibe extremos de atividade ou


inatividade e pode até mesmo mudar de um extremo ao outro.

XIV. Nível e consistência da resposta intelectual:

1. A inteligência é normal e razoavelmente consistente em várias áreas: A criança é tão


inteligente quanto crianças típicas da mesma idade e não tem qualquer habilidade
intelectual ou problemas incomuns;
2. Funcionamento intelectual levemente anormal: A criança não é tão inteligente quanto
crianças típicas da mesma idade; as habilidades apresentam-se razoavelmente regulares
através de todas as áreas;

3. Funcionamento intelectual moderadamente anormal: Em geral, a criança não é tão


inteligente quanto uma típica criança da mesma idade, porém a criança pode funcionar
próximo do normal em uma ou mais áreas intelectuais;

4. Funcionamento intelectual gravemente anormal: Embora a criança geralmente não


seja tão inteligente quanto uma criança típica da mesma idade, ela pode funcionar até
mesmo melhor que uma criança normal da mesma idade em uma ou mais áreas.

XV. Impressões gerais:

1. Sem autismo: a criança não apresenta nenhum dos sintomas característicos do


autismo;

2. Autismo leve: A criança apresenta somente um pequeno número de sintomas ou


somente um grau leve de autismo;

3. Autismo moderado: A criança apresenta muitos sintomas ou um grau moderado de


autismo;

4. Autismo grave: a criança apresenta inúmeros sintomas ou um grau extremo de


autismo.
ATA – ESCALA DE AVALIAÇÃO DE
TRAÇOS AUTÍSTICOS
A escala ATA (AVALIAÇÃO DE TRAÇOS AUTÍSTICOS) é um questionário
utilizado por profissionais da área da saúde para averiguar a possibilidade da presença
de autismo em crianças, assim como a escala CARS.
Costuma ser aplicada a crianças a partir dos 2 anos de idade e é considerada uma
ferramenta pré-diagnóstica bastante confiável. Sua utilização é fácil, de modo que possa
ser preenchida também pelos próprios pais.

Vale lembrar, no entanto, que escalas de avaliação não substituem o diagnóstico formal
feito por um profissional qualificado, geralmente um neurologista, um psiquiatra ou um
neuropediatra, sendo ferramentas de apoio à investigação clínica.
Sua pontuação é feita da seguinte forma: são 23 subescalas, cujas pontuações variam de
0 a 2 cada, sendo “0” quando não há presença de qualquer dos comportamentos citados
naquela subescala, “1” quando a criança apresenta apenas um dos vários subitens
citados ou “2” quando apresentar dois ou mais subitens. O atingimento de 15 pontos
sugere a presença de transtorno autista, sendo mais severo quanto maior for a
pontuação.
Exemplo de preenchimento e pontuação:
(= 2 pontos, pois dois itens ou mais foram assinalados
I. INTERAÇÃO SOCIAL

nessa subescala)
1. Não sorri
2. Ausência de aproximações espontâneas X
3. Não busca companhia X
4. Busca constantemente seu cantinho (esconderijo)
5. Evita pessoas X
6. É incapaz de manter um intercâmbio social (conversa com trocas, pergunta e
resposta)
7. Isolamento intenso
(= 1 ponto, pois somente um item foi assinalado nessa
II. AMBIENTE

subescala)
1. Não responde às solicitações X
2. Mudança repentina de humor
3. Mantém-se indiferente, sem expressão
4. Risos compulsivos
5. Birra e raiva freqüente
6. Excitação motora ou verbal (ir de um lugar a outro, falar sem parar)
III. PESSOAS AO SEU REDOR (= zero pontos, porque nenhum item foi assinalado
nessa subescala)
1. Utiliza-se do adulto como um objeto (por exemplo, levando a mão do adulto até o
interruptor, para acender a luz)
2. O adulto lhe serve como apoio para conseguir o que deseja (por exemplo, faz a perna
do adulto de ponte para o carrinho passar)
3. O adulto é essencialmente um meio para suprir uma necessidade (por exemplo, a
aproximação tem o objetivo principal de pedir coisas)
4. Se o adulto não responde às suas demandas, atua interferindo na conduta desse adulto
(por exemplo, desliga a TV que o adulto esteja assistindo, ameaça quebrar algo, joga
coisas no adulto, toma coisas da mão do adulto como pirraça)

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Pode ser útil aos pais que desconfiam que seu filho ou filha esteja no espectro do
autismo, e que pensam em buscar uma avaliação profissional, antecipar-se no
preenchimento da escala, como parâmetro que os ajude a estimar a maior ou menor
probabilidade de confirmarem suas suspeitas, e levar a escala preenchida à primeira
consulta, para auxiliar o médico na investigação.

De qualquer modo, independentemente da pontuação obtida, se a criança apresentar


qualquer dificuldade no seu desenvolvimento, em especial problemas com a fala,
coordenação motora, aprendizado, andar na ponta dos pés, fixação em objetos ou
assuntos específicos por período de tempo que pareça exagerado, comportamento
repetitivo, choro excessivo ou dificuldades na interação social, é sempre recomendada
uma avaliação profissional.
ATA – Autistic Traits
Assessment (Avaliação de Traços
Autistas)
Nome da criança:______________________________________________________
Idade: _________
Data da aplicação: ____/____/____
Responda as questões de acordo com sua percepção sobre a criança. Marque um X
sobre os comportamentos que você observa na criança.

I. INTERAÇÃO SOCIAL

1. Não sorri
2. Ausência de aproximações espontâneas
3. Não busca companhia
4. Busca constantemente seu cantinho (esconderijo)
5. Evita pessoas
6. É incapaz de manter um intercâmbio social (conversa com trocas, pergunta e
resposta)
7. Isolamento intenso

II. AMBIENTE

1. Não responde às solicitações


2. Mudança repentina de humor
3. Mantém-se indiferente, sem expressão
4. Risos compulsivos
5. Birra e raiva freqüente
6. Excitação motora ou verbal (ir de um lugar a outro, falar sem parar)

III. PESSOAS AO SEU REDOR

1. Utiliza-se do adulto como um objeto (por exemplo, levando a mão do adulto até o
interruptor, para acender a luz)
2. O adulto lhe serve como apoio para conseguir o que deseja (por exemplo, faz a perna
do adulto de ponte para o carrinho passar)
3. O adulto é essencialmente um meio para suprir uma necessidade (por exemplo, a
aproximação tem o objetivo principal de pedir coisas)
4. Se o adulto não responde às suas demandas, atua interferindo na conduta desse adulto
(por exemplo, desliga a TV que o adulto esteja assistindo, ameaça quebrar algo, joga
coisas no adulto, toma coisas da mão do adulto como pirraça)
IV. RESISTÊNCIA A MUDANÇAS

1. Insistente em manter a rotina (por exemplo, prefere fazer sempre o mesmo passeio ou
comer sempre a mesma coisa)
2. Grande relutância em aceitar fatos que alteram sua rotina, tais como mudanças de
atividade, horário ou mobília
3. Apresenta resistência a mudanças, persistindo na mesma resposta ou atividade (por
exemplo, brincar sempre do mesmo jeito)

V. BUSCA DE UMA ORDEM RÍGIDA

1. Ordenação dos objetos de acordo com critérios próprios e pré-estabelecidos


2. Prende-se a uma ordenação espacial (cada coisa tem um lugar próprio rígido para
ficar)
3. Prende-se a uma seqüência temporal (por exemplo, só pode por a meia depois da
blusa)
4. Prende-se a uma correspondência pessoa-lugar (por exemplo, a mesma pessoa precisa
sentar sempre no mesmo lugar)

VI. CONTATO VISUAL

1. Desvia o olhar, não olhando nos olhos ou olhando sempre rapidamente


2. Olha para outra direção quando é chamado
3. Expressão do olhar vazio e sem vida (sem expressão de emoções, indiferente)
4. Quando segue os estímulos com os olhos, somente o faz de maneira intermitente (não
contínua, ou seja, com pausas)
5. Fixa os objetos com um olhar periférico, não central (olhar de lado, com a cabeça um
pouco virada e não de frente)
6. Dá a sensação de que não olha

VII. MÍMICA INEXPRESSIVA

1. Se fala, não utiliza a expressão facial, gestual ou vocal com a freqüência esperada
2. Não mostra uma reação antecipatória (como um ‘suspense’ pelo que vai acontecer)
3. Não expressa através da mímica ou olhar aquilo que quer ou o que sente
4. Imobilidade facial

VIII. DISTÚRBIOS DE SONO

1. Não quer ir dormir (relutância freqüente, choro, birra, resistência intensa e


prolongada)
2. Levanta-se muito cedo
3. Sono irregular (em intervalos)
4. Troca o dia pela noite
5. Dorme poucas horas
IX. ALTERAÇÃO NA ALIMENTAÇÃO

1. Seletividade alimentar rígida (ex.: come o mesmo tipo de alimento sempre)


2. Come outras coisas além de alimentos (papel, insetos)
3. Quando pequeno, não mastigava
4. Apresenta uma atividade ruminante (fica um tempo longo com a comida na boca, de
um lado para o outro, antes de engolir)
5. Vômitos
6. Come grosseiramente, esparrama a comida ou a atira
7. Rituais (por exemplo, esfarelar alimentos antes da ingestão)
8. Ausência de paladar (falta de sensibilidade gustativa)

X. CONTROLE DOS ESFÍNCTERES

1. Medo de sentar-se no vaso sanitário


2. Utiliza os esfíncteres para manipular o adulto (por exemplo, ameaça fazer xixi no
local errado de propósito)
3. Utiliza os esfíncteres como estimulação corporal, para obtenção de prazer
4. Tem controle diurno, porém o noturno é tardio ou ausente

XI. EXPLORAÇÃO DOS OBJETOS (APALPAR, CHUPAR)

1. Morde e engole objetos não alimentares


2. Chupa e coloca as coisas na boca
3. Cheira tudo
4. Apalpa tudo, examina as superfícies com os dedos de forma minuciosa

XII. USO INAPROPRIADO DOS OBJETOS

1. Ignora os objetos ou mostra um interesse momentâneo


2. Pega, golpeia ou simplesmente os atira no chão
3. Conduta atípica com os objetos (segura indiferentemente nas mãos ou gira)
4. Carrega insistentemente consigo determinado objeto
5. Se interessa somente por uma parte do objeto ou do brinquedo
6. Coleciona objetos estranhos
7. Utiliza os objetos de forma particular (pouco usual) e inadequada

XIII. ATENÇÃO

1. Quando realiza uma atividade, fixa a atenção por curto espaço de tempo ou é incapaz
de fixá-la
2. Age como se fosse surdo
3. Tempo de latência de resposta aumentado, entende as instruções com dificuldade.
4. Resposta retardada
5. Muitas vezes dá a sensação de ausência
XIV. AUSÊNCIA DE INTERESSE PELA APRENDIZAGEM

1. Não quer aprender


2. Cansa-se muito depressa, ainda que de atividade que goste
3. Esquece rapidamente
4. Insiste em ser ajudado, ainda que saiba fazer
5. Insiste constantemente em mudar de atividade

XV. FALTA DE INICIATIVA

1. É incapaz de ter iniciativa própria


2. Busca a comodidade
3. Passividade, falta de interesse
4. Lentidão
5. Prefere que outro faça o trabalho para ele

XVI. ALTERAÇÃO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO

1. Mutismo
2. Estereotipias vocais (fazer sempre os mesmos sons)
3. Entonação incorreta
4. Ecolalia imediata e/ou retardada (repetir palavras ou falas que acabou de ouvir,
imediatamente ou algum tempo depois)
5. Repetição de palavras ou frases que podem (ou não) ter valor comunicativo
6. Emite sons estereotipados quando está agitado e em outras ocasiões, sem nenhuma
razão aparente
7. Não se comunica por gestos
8. As interações com o adulto nunca são um diálogo

XVII. NÃO MANIFESTA HABILIDADES E CONHECIMENTOS

1. Ainda que saiba fazer uma coisa, não a realiza porque não quer, mesmo que
solicitado
2. Não demonstra o que sabe, até ter uma necessidade primária ou um interesse
específico
3. Aprende coisas, porém somente as demonstra em determinados lugares e com
determinadas pessoas
4. Às vezes, surpreende por suas habilidades inesperadas

XVIII. REAÇÕES INAPROPRIADAS ANTE A FRUSTRAÇÃO

1. Reações de desagrado intenso caso seja esquecida alguma coisa


2. Reações de desagrado intenso caso seja interrompida alguma atividade que goste
3. Desgostoso quando os desejos e as expectativas não se cumprem
4. Reações de birra
XIX. RESPONSABILIDADES

1. Não assume nenhuma responsabilidade, por menor que seja


2. Para chegar a fazer alguma coisa, há que se repetir muitas vezes ou elevar o tom de
voz

XX. HIPERATIVIDADE/ HIPOATIVIDADE

A criança pode apresentar desde agitação, excitação desordenada e incontrolada, até


grande passividade, com ausência total de resposta. Estes comportamentos não têm
nenhuma finalidade.

1. A criança está constantemente em movimento


2. Mesmo estimulada, não se move
3. Barulhento, a maioria das coisas que faz geram ruído/barulho
4. Vai de um lugar a outro, sem parar
5. Fica pulando (saltando) no mesmo lugar
6. Não se move nunca do lugar onde está sentado

XXI. MOVIMENTOS ESTEREOTIPADOS E REPETITIVOS

Ocorrem em situações de repouso ou atividade, com início repentino.

1. Balança-se
2. Olha e brinca com as mãos e os dedos
3. Tapa os olhos e as orelhas
4. Dá pontapés
5. Faz caretas e movimentos estranhos com a face
6. Fica rodopiando ou rodando objetos
7. Caminha na ponta dos pés ou saltando, arrasta os pés, anda fazendo movimentos
estranhos
8. Torce o corpo, mantém uma postura desequilibrada, posições estranhas, pernas
dobradas, cabeça recolhida aos pés, extensões violentas do corpo

XXII. IGNORA O PERIGO

1. Não se dá conta do perigo


2. Sobe em todos os lugares
3. Parece insensível à dor

XXIII. APARECIMENTO DOS SINTOMAS ANTES DOS 36 MESES (DSM-IV)*

* Nota do blog: o último item da escala (XXIII) não possui subescalas/subitens e


refere-se à visão geral dos sintomas assinalados no decorrer da escala. Se os sintomas
assinalados nos itens anteriores já estavam presentes antes dos 3 anos (36 meses) de
idade, marque 2 pontos para o item XXIII. Se apareceram depois dessa idade, não
pontuar este item.

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