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Arte e Inclusão na Educação

Enviado por

Marcio Santos
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Metodologia do

Ensino da Arte
Docência da Arte e Aspectos Culturais
e Inclusivos
Diretor Executivo
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
ÉDERSON DA CRUZ
AUTORIA
Éderson da Cruz
Olá! Sou formado em Letras pela UNISINOS e Doutor em Educação
pela mesma instituição. Ainda, sou especialista em Gestão Escolar –
Orientação e Supervisão pela Faculdade São Luís, e Pedagogo pela UFRGS,
com mais de 10 anos de experiência técnico-profissional nas áreas de
Letras, Linguagens e Educação. Passei por instituições públicas (estaduais
e municipais) e privadas, de Educação Infantil, Ensino Fundamental e
Médio, Ensino Técnico e Ensino Superior, no Estado do Rio Grande do
Sul, atuando como docente e como supervisor escolar. Sou apaixonado
pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que
estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidado pela Editora
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito
feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Neste
material, estudaremos os fundamentos do ensino da Arte. Você verá que
a Arte, além de ser uma forma de expressão, é um campo de saber rico
e conectado com nossa realidade de diferentes formas, possibilitando o
gosto estético e a possibilidade de repensar como percebemos o mundo.
Vamos nessa? Conte comigo para o que precisar. Bons estudos!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez
que:

OBJETIVO: DEFINIÇÃO:
para o início do houver necessidade
desenvolvimento de de se apresentar um
uma nova compe- novo conceito;
tência;

NOTA: IMPORTANTE:
quando forem as observações
necessários obser- escritas tiveram que
vações ou comple- ser priorizadas para
mentações para o você;
seu conhecimento;
EXPLICANDO VOCÊ SABIA?
MELHOR: curiosidades e
algo precisa ser indagações lúdicas
melhor explicado ou sobre o tema em
detalhado; estudo, se forem
necessárias;
SAIBA MAIS: REFLITA:
textos, referências se houver a neces-
bibliográficas e links sidade de chamar a
para aprofundamen- atenção sobre algo
to do seu conheci- a ser refletido ou dis-
mento; cutido sobre;
ACESSE: RESUMINDO:
se for preciso aces- quando for preciso
sar um ou mais sites se fazer um resumo
para fazer download, acumulativo das últi-
assistir vídeos, ler mas abordagens;
textos, ouvir podcast;
ATIVIDADES: TESTANDO:
quando alguma quando o desen-
atividade de au- volvimento de uma
toaprendizagem for competência for
aplicada; concluído e questões
forem explicadas;
SUMÁRIO
Arte e Inclusão.............................................................................................. 10
A Arte, a Inclusão e o Papel do Docente......................................................................... 11

Arte, Inclusão e Legislação....................................................................................................... 12

Fases do Desenvolvimento da Criança – desenho.............................. 13

A Arte e a Deficiência Visual.................................................................................. 16

A Arte e a Deficiência Física.................................................................................. 17

A Arte e a Deficiência Auditiva............................................................................. 18

Reflexões Acerca da Metodologia do Ensino da Arte................... 21


A Organização dos Conteúdos no Ensino da Arte................................................... 22
Artes Visuais......................................................................................................................25
Música...................................................................................................................................26
Teatro.....................................................................................................................................26
Dança.....................................................................................................................................27
Formas de Avaliação ....................................................................................................................28
Autoavaliação......................................................................................................................................28

Docência da Disciplina Arte..................................................................... 31


Sociedade do Futuro ou do Presente?............................................................................. 31

O Professor e o Ensino de Arte............................................................................................. 36

Dificuldades Enfrentadas pelo Professor de Arte .................................................. 38

A Arte como Produto da Cultura e da Diversidade........................ 41


O que é Diversidade?.................................................................................................................... 41

A Construção da Diversidade Sociocultural na Sociedade..............................43

O que é Cultura?............................................................................................................43

Regras Culturais............................................................................................................ 46

A Arte como um Produto da Diversidade e da Cultura....................................... 49


Metodologia do Ensino da Arte 7

03
UNIDADE
8 Metodologia do Ensino da Arte

INTRODUÇÃO
Há um filme no qual os personagens conversam sobre uma pintura,
e um deles não consegue entender, naquelas formas de abstração, o que
seria a arte. O outro, apreciador de obras clássicas, diz que a arte é a forma
de registrar nossa passagem pela Terra. Será? A arte está praticamente em
todo lugar: nas paredes, nas construções, nos movimentos, na linguagem,
no corpo humano. Mas, o que será que diferencia a arte das demais
atividades humanas? De modo geral, arte é técnica, porém funções do dia
a dia também exigem técnica. Podemos dizer que arte é linguagem. Mas
uma notícia não é artística e também é linguagem. Podemos dizer que a
arte é aquilo que nos toca. Mas tragédias da vida real também podem nos
tocar! Percebe como definir arte pode ser fácil e complicado ao mesmo
tempo? Se nós, pessoas com experiências de vida mais plurais, temos essa
dificuldade, imagine, então, numa sala de aula! Por isso, nesta disciplina
abordaremos não somente os conceitos importantes para se pensar a
arte, mas também veremos possibilidades, por meio do ensino da arte
em sala de aula, produzir conhecimentos e aprendizagens. Entendeu? Ao
longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo!
Metodologia do Ensino da Arte 9

OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o
término desta etapa de estudos:

1. Associar Arte e inclusão.

2. Aplicar a metodologia do ensino da Arte .

3. Entender a docência da disciplina Arte.

4. Compreender a Arte como produto da cultura e da diversidade.

Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao


conhecimento? Ao trabalho! Não se esqueça de que, como popularmente
se costuma dizer, a persistência é o caminho para o sucesso. Estabeleça
uma rotina de estudos, tenha à mão um bom dicionário (recomendo o
Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa, qualquer edição conforme
o Novo Acordo Ortográfico) e material (físico ou virtual) para anotações.
Não desanime, em caso de dúvidas e dificuldades: utilize esse material
e sua vontade de aprender como seus aliados. Tenha certeza de que, ao
final desse estudo, você estará habilitado, com as ferramentas teóricas
necessárias para desbravar o mundo das artes com confiança!
10 Metodologia do Ensino da Arte

Arte e Inclusão

OBJETIVO:

Ao final desse capítulo, você será capaz de compreender


que o ensino de arte é um tema democrático e abrangente,
que pode ser trabalhado conforme as especificidades
de cada aluno e sujeito envolvido. Isso também está em
consonância com as principais diretrizes da educação
brasileira. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!

Figura 1 - Narrativa

Fonte: Pixabay.
Metodologia do Ensino da Arte 11

A Arte, a Inclusão e o Papel do Docente


Um aspecto muito importante ao profissional que pretende atuar nos
anos iniciais do Ensino Fundamental é a questão inclusiva. Na atualidade,
todo professor, independentemente do nível de ensino que atue,
encontrará em maior ou menor escala, alunos de inclusão com alguma
forma de dificuldade considerada especial e, para isso, é importante que
estejamos preparados.

No ensino da Arte não é diferente, pois sempre estamos sujeitos a


encontrar alunos diferentes, que necessitarão de uma atenção especial
do docente. Por esse motivo, destinamos um espaço desta unidade
para refletir sobre o ensino de Arte para as crianças com necessidades
especiais.

De modo geral, não com o objetivo de rotular, preconceituar ou


segregar, as crianças com necessidades especiais são caracterizadas
por serem portadores de alguma forma de limitação que requer certas
modificações ou adaptações em seu programa educacional, a fim de que
possa atingir seu potencial ao máximo.

SAIBA MAIS:

Caso queira se aprofundar no assunto, você pode ampliar


sua compreensão sobre o ensino de Arte numa perspectiva
inclusiva assistindo ao documentário Inclusão-Arte,
disponível neste link.
12 Metodologia do Ensino da Arte

Arte, Inclusão e Legislação


A legislação educacional brasileira, bem como as principais diretrizes
que orientam a organização dos currículos de forma inclusiva, abrangem
o ensino de Arte. Porém, essa disciplina é abordada sob a perspectiva de
quatro blocos, a saber: artes visuais, música, teatro e dança.

Você, caro aluno, já se perguntou como trabalhar, por exemplo,


artes visuais com um deficiente visual? Ou ainda, música, teatro e dança
com deficientes físicos e auditivos? Será que isso é possível?

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº


9.394/96), em seu capítulo dedicado para tratar somente da educação
especial:
A modalidade de educação escolar, oferecida
preferencialmente na rede regular de ensino, para
educandos portadores de necessidades especiais. Haverá,
quando necessário, serviços de apoio especializado, na
escola regular, para atender às peculiaridades da clientela
de educação especial. O atendimento educacional será
feito em classes, escolas ou serviços especializados,
sempre que, em função das condições específicas do
aluno, não for possível a sua integração nas classes
comuns de ensino regular (BRASIL, 1996).

Pode-se perceber que a Lei estipula como prioridade a inclusão do


aluno em classes regulares e, por isso, torna-se tão necessário que todos
os professores, atualmente e futuramente em sala de aula, conheçam
esse assunto.

A atualidade se caracteriza, entre outros aspectos, pelo contato


com imagens, luzes e cores em quantidade impensável séculos antes.
A criação e a exposição a uma multiplicidade de manifestações visuais
geram a necessidade de uma educação para saber ver, perceber e
distinguir diversos fatores, como: sentimentos, sensações, ideias e
qualidades contidas nas formas e nos ambientes.

Uma das habilidades artísticas que podem ser trabalhadas com


os alunos inclusivos é o desenho, que pode ser considerada a principal
linguagem artística infantil, pois independe até mesmo da existência de
Metodologia do Ensino da Arte 13

um mediador adulto. Essa manifestação é espontânea e só depende de


recursos materiais disponíveis, não necessariamente sofisticados, apenas
papel e lápis.

Já nos primeiros anos de vida, antes mesmo da criança registrar


a sua existência por meio de outras linguagens, ela se expressa, já no
período sensório-motor, por meio das primeiras garatujas (rabiscos
desordenados) que cria, que representam suas capacidades, habilidades
e potencialidades.

Há dois autores, Lowenfeld e Brittain (1971), que sintetizaram as etapas


de desenvolvimento do desenho infantil, em sua obra Desenvolvimento
da capacidade criadora. Traremos, a seguir, alguns elementos abordados
pelos autores, que podem ser pensados numa perspectiva inclusiva.

Fases do Desenvolvimento da Criança – desenho


Num primeiro momento da vida, as crianças começam a rabiscar
para representar o imediato, o próximo, o aqui e o agora. Essa fase é
chamada de fase das garatujas, em que a criança começa a descobrir
a relação entre o desenho, o pensamento e a realidade, que vai dos 2
aos 4 anos de vida, aproximadamente. A criança, inicialmente, realiza um
determinado movimento sem qualquer significado, apenas para fixar, por
meio da repetição, os movimentos manuais (LOWENFELD; BRITTAIN,
1971).

Pouco a pouco, a criança passa a dar significados aos seus


desenhos, nomeando-os. Por volta dos cinco anos de idade, começam a
surgir, no desenho das crianças, algumas formas fechadas (semelhantes
a círculos), organizadas de acordo com determinados preceitos (dentro/
fora, em cima/ embaixo). Essas formas fechadas são conquistadas pelas
crianças em sua fase de desenvolvimento, chamada pré-esquemática.

Entre os 7 e 12 anos, aproximadamente, a criança entra na fase


“esquemática”, caracterizada pela utilização de linhas geométricas e de
formas esquemáticas. A figura é representada com exagero em partes
que a criança considera importantes e com omissão ou esquecimento
de outras partes sentidas como irrelevantes. As cores utilizadas buscam
14 Metodologia do Ensino da Arte

corresponder às cores reais dos objetos e das coisas. Entre os nove e onze
anos, começa a se delinear o realismo. A criança se afasta dos esquemas
e das linhas geométricas, passando a se preocupar com detalhes, como
a diferenciação entre masculino e feminino, com a caracterização dos
vestuários, entre outros aspectos (LOWENFELD; BRITTAIN, 1971).

Dependendo do grau de dificuldades de aprendizagem, as


crianças com necessidades especiais podem (ou não) seguir as etapas
anteriormente apresentadas e, se assim for, isso acontecerá de uma forma
diferenciada, mais lenta, podendo não seguir “ao pé da letra” a descrição
realizada nas páginas anteriores.

Quando trabalhamos por crianças portadoras de necessidades


especiais, precisamos levar em consideração a necessidade de um espaço
físico que seja adequado, bem como oferecermos estímulos e liberdade
para que manipulem instrumentos e objetos e para que movimentem seu
próprio corpo, desenvolvendo-se e descobrindo o mundo ao seu redor.

Dessa forma, a escola deve contribuir para que todos os alunos


passem por um conjunto amplo de experiências voltadas à criação e
à aprendizagem, para que articulem a percepção, a sensibilidade, o
conhecimento e a produção artística, de forma individual e coletiva.
Ao perceber e ao criar formas visuais, estamos trabalhando com
elementos específicos da linguagem e suas relações em espaços
bidimensionais (imagens planas) e tridimensionais (objetos com altura,
largura e profundidade). Elementos como ponto, linha, cor, plano, luz,
textura, movimento e ritmo relacionam-se, dando origem a códigos,
representações e sistemas de significações.

A Arte também pode ser utilizada para auxiliar no desenvolvimento


das habilidades e das capacidades de um portador de necessidades
especiais, pois, por meio dela, esse indivíduo construirá suas próprias
representações ou ideias e as transformará ao longo do desenvolvimento,
à medida que avança no processo educativo.
Metodologia do Ensino da Arte 15

Um ensino diferenciado pode ajudar os alunos especiais de várias


maneiras. Desse modo, a Arte:

•• Deve propiciar, por ser uma linguagem natural, atividades que


proporcionem a observação, exploração, associação, comparação,
imaginação, reprodução, simbolização e expressão por meio das
formas, cores, planos, espaços e texturas (LOWENFELD; BRITTAIN,
1971).

•• Estimula, por meio de exercícios de pintura, a realização e também


o controle de movimentos específicos. A prática da Arte pode
facilitar a organização pessoal e os pensamentos; já as atividades
em grupo auxiliam a desenvolver a cooperação, a comunicação
com os outros, além de ofertarem oportunidades interpessoais
(LOWENFELD; BRITTAIN, 1971).

•• Não deve instigar a competição. Ela é essencialmente individual,


pois não há pontos que serão disputados entre oponentes; não
há jogos a serem ganhos ou perdidos. Por outro lado, a própria
atividade artística pode ser compartilhada entre muitas pessoas
(LOWENFELD; BRITTAIN, 1971).

Ainda, a Arte pode influenciar as seguintes situações:

•• Durante a realização de atividades artísticas, a criança com


necessidades especiais pode vivenciar, de forma natural,
situações que a encorajem a ampliar seus limites físicos e mentais
(LOWENFELD; BRITTAIN, 1971).

•• Após certo tempo de práticas artísticas, a criança com necessidades


especiais poderá começar a controlar e a dirigir suas emoções. O
professor, por meio da escolha cuidadosa de atividades artísticas,
pode encorajar a criança a utilizar certos movimentos e mostrá-
la que diferentes movimentos resultam em diferentes sinais no
desenho e no espaço (LOWENFELD; BRITTAIN, 1971).

Veja, caro aluno, que as crianças podem vir a aprender por meio de
atividades artísticas simples, como a manipulação de materiais variados,
identificando semelhanças e diferenças de texturas, formas e tamanhos.
16 Metodologia do Ensino da Arte

Todos os sentidos do corpo humano são passíveis de transmitir


sensações diversas, sejam elas agradáveis ou desagradáveis, mas essas
sensações dependem não só da relação com o objeto de concentração,
mas também das aptidões receptivas de cada indivíduo. Por isso,
independentemente de sua deficiência, o portador de necessidades
especiais usará a Arte por algum dos seus sentidos (LOWENFELD;
BRITTAIN, 1971).

A seguir, abordaremos o ensino da Arte relacionado às deficiências


com maior número de indivíduos, a saber: deficiência visual, deficiência
auditiva e deficiência física.

A Arte e a Deficiência Visual


De início, você pode achar impossível, uma vez que a característica
da deficiência visual é a ausência de ou a baixa visão. Porém, os deficientes
visuais são muito mais sensíveis às artes do que as pessoas podem pensar.
Pelo fato de não enxergarem, eles desenvolvem mais apuradamente
os outros sentidos, o que lhes permite uma melhor compreensão das
sensações visuais, ainda que isso pareça um tanto paradoxal.

É primordial para o deficiente visual, como também para a criança


que não apresenta esse tipo de deficiência a ação sobre as coisas, para
conhecê-las, formar as imagens e interiorizá-las, evocando-as, desse
modo e expressando-as por meio de diversas linguagens.

Quanto mais experiências propiciadas, mais imagens de coisas,


pessoas e situações vão sendo delineadas com clareza. O desempenho
do deficiente visual é mais lento na seleção de elementos úteis para
formar imagens.

O aluno que é deficiente visual, por meio da exploração dos canais


expressivos relacionados às experiências sinestésicas e táteis, conseguirá
realizar a decodificação, a interpretação e a reprodução de ideias, imagens
e objetos.

Grande parte dos projetos artístico educacionais, com vistas à


inclusão, apresentam preocupação com os portadores de necessidades
especiais. Atualmente, já encontramos preparação para deficientes visuais
visitarem os museus – as visitas monitoradas.
Metodologia do Ensino da Arte 17

SAIBA MAIS:

Caso queira se aprofundar no assunto, você pode ampliar


seus conhecimentos e fomentar ideias assistindo ao vídeo
Deficiência visual e Arte, disponível neste link.

A Arte e a Deficiência Física


A Arte, para o deficiente físico – por meio da expressão plástica
– pode atuar de duas formas: na deficiência primária, constituída pela
alteração muscular, e na deficiência subjetiva, caracterizada pela
incapacidade de superação de comprometimentos emocionais.

Mesmo que cada caso de deficiência física deve ser considerado


em suas peculiaridades, é importante que o professor tenha sempre a
atenção em aula, pois, em qualquer atividade de Arte, a coordenação
motora e os efeitos emocionais constituem sempre a sua parte essencial.

Em casos mais extremos de alterações musculares, será difícil


estabelecer, de início, uma autoidentificação com as expressões
criativas, pois a dificuldade de controlar os músculos, quando se trata de
coordenação motora, constitui-se um obstáculo difícil de ser vencido.

Em qualquer tentativa de desenvolver uma coordenação muscular,


a expressão plástica torna-se importante. Nas primeiras atividades com o
deficiente físico, pode ser utilizada uma técnica de pintura com os dedos.
Esse tipo de trabalho traz satisfação à criança que vê o resultado do
movimento com seus dedos.

Ao pintar com pincel, a necessidade de ter que pressionar esse


instrumento com os dedos pode causar dificuldades ao aluno. Uma
alternativa para essa atividade é adaptar uma fita adesiva como recurso
de fixação do pincel à mão, mesmo que se saiba que o uso exclusivo do
pincel proporciona maior incentivo para o desenvolvimento do aluno.

O planejamento das atividades de Arte de forma inclusiva requer


do professor conhecimento de causas, tipo de deficiência física e que
movimentos físicos evidenciam mais tal deficiência.
18 Metodologia do Ensino da Arte

Também é necessário que o deficiente físico aprenda a enfrentar


suas limitações quando realiza as atividades. Muitas vezes, é possível
observar que ele experimenta uma sensação de alívio ao representar, por
meio da Arte, certas partes do corpo, pois consegue, dessa forma, realizar
por meio da imaginação, o que de outro modo seria incapaz de fazer.

Os objetivos da Arte com relação ao trabalho com deficientes físicos


são basicamente os de promover uma consciência corporal; reforçar a
identidade do próprio indivíduo e reforçar a percepção dos próprios
limites e dos limites dos outros, e como objetivo principal, promover a
integração social do indivíduo.

SAIBA MAIS:

Caso queira se aprofundar no assunto, amplie seus


conhecimentos e horizontes assistindo ao vídeo Arte na
Educação Especial, disponível neste link.

A Arte e a Deficiência Auditiva


A comunicação é um elemento primordial para promover a inclusão
dos deficientes auditivos na sociedade. E nada melhor do que a Arte para
oportunizar o desenvolvimento da comunicação nesse deficiente.

O deficiente auditivo, embora não ouça (ou ouça pouco), tem uma
grande percepção para a música, pois ele sente suas vibrações.

Vários profissionais já fizeram projetos nessa área, como o projeto


Surdodum, criado em 1995, em Brasília, pela professora Ana Lúcia da
Silveira Soares. No Surdodum, jovens surdos são iniciados na música,
aprendendo a cantar e a tocar percussão. As atividades têm como objetivo
trabalhar, principalmente, a fala, a dramatização, a Língua Brasileira
de Sinais (LIBRAS) e a autoestima do surdo. Outro projeto interessante,
também nessa área, criado em 2003, é o projeto Céu e Terra, que propõe
balé para portadores de deficiência auditiva.
Metodologia do Ensino da Arte 19

O uso da música é uma excelente forma de desenvolver a


fala natural, pois estimula e aguça a percepção das crianças surdas,
possibilitando que potencializem sua sensibilidade.

É importante destacar, no entanto, especialmente, em relação ao


deficiente auditivo que as atividades – assim como em todos os demais
casos de deficiência – não devem ter como objetivo corrigir ou normalizar
esses indivíduos, mas desenvolver seu potencial.

A comunidade surda, por exemplo, tem se mobilizado cada vez


mais fortemente em relação ao seu reconhecimento não como um grupo
de deficientes, mas como uma grande comunidade com características
próprias de comunicação.

Da mesma forma, os deficientes visuais hoje contam com uma rede


de apoio bem mais ampla do que há alguns anos, sendo importante que
a escola desenvolva, de alguma forma, seu conhecimento sobre braille.

Os deficientes físicos, por sua vez, devem ter suas limitações


respeitadas e, ao mesmo tempo, é importante que se estimule sua
interação com o próprio corpo e com o ambiente externo.

Ainda assim, cabe ressaltar ser importante que nenhum caso de


deficiência seja tratado com “coitadismo”, com pena ou com menosprezo,
mas com respeito, para que o indivíduo se sinta acolhido e valorizado
dentro do contexto.

SAIBA MAIS:

Caso queira se aprofundar no assunto, assista aos vídeos


Arte na Educação Especial: incentivando a aprendizagem e
Pra mudar o mundo: projeto Céu e Terra, disponíveis nestes
links.
20 Metodologia do Ensino da Arte

RESUMINDO:

Neste capítulo, você aprendeu que:

•• A educação brasileira está fundamentada no


princípio da educação para todos e, portanto, da
inclusão.

•• Incluir não significa tentar tornar “normais” ou


mesmo ignorar os indivíduos portadores de
deficiência, mas propor atividades curriculares que
respeitem suas limitações e que potencializam
suas qualidades.
Metodologia do Ensino da Arte 21

Reflexões Acerca da Metodologia do


Ensino da Arte

OBJETIVO:

Ao final deste capítulo, você será capaz de entender alguns


pressupostos importantes para o ensino de Arte na escola.
Isso fará toda a diferença em sua atuação profissional, uma
vez que a Arte faz parte do dia a dia da escola. E então?
Motivado para desenvolver esta competência? Então
vamos lá. Avante!.

Neste capítulo, apresentaremos algumas questões relevantes à


metodologia do trabalho pedagógico na área de Arte. Entre aquilo que
aqui discutiremos estão a organização dos conteúdos, a avaliação e a
autoavaliação; o papel docente e as dificuldades enfrentadas por ele;
a metodologia de ensino por meio de projetos e sua relevância para o
ensino de Arte, além dos temas transversais presentes no cotidiano de
nossos alunos.
Figura 2 - Escola

Fonte: Pixabay
22 Metodologia do Ensino da Arte

A Organização dos Conteúdos no Ensino


da Arte
Os principais documentos norteadores da educação no país, assim
como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 2006), não trazem uma
definição rígida sobre as modalidades a serem trabalhadas em cada ciclo
(o 1º ciclo corresponde aos 1º e 2º anos; o 2º ciclo, ao 3º e 4º anos). Eles
orientam o professor a adequar suas atividades ao repertório cultural que
a criança traz à escola. Dessa forma, o professor necessita saber como
selecionar os conteúdos, uma vez que a área de artes apresenta uma
vastidão de assuntos que podem ser trabalhados no Ensino Fundamental.

Segundo orientações do documento, o conjunto de conteúdos em


Arte está articulado ao contexto de ensino e aprendizagem em três eixos
norteadores: produção, fruição e reflexão, sendo que a produção se refere
ao fazer artístico, a fruição, se refere à apreciação da arte, e a reflexão,
à construção do conhecimento sobre o trabalho artístico pessoal dos
colegas sobre a Arte como sendo um produto histórico.

Os conteúdos de Arte podem ser trabalhados em qualquer


ordem, segundo a decisão do professor, desde que em conformidade
com o currículo escolar e, especialmente, de acordo com a formação e
tendência do professor.

Além disso, dentro dos conteúdos gerais das linguagens artísticas,


tais como as Artes Visuais, a Música, o Teatro e a Dança, é necessário
considerar, com base nos PCNs (2006), que:

•• Os conteúdos devem estar de acordo com as possibilidades de


aprendizagem dos alunos.

•• É importante valorizar o ensino de conteúdos básicos de Arte,


em especial, aqueles que são necessários à formação cidadã,
considerando, ao longo dos ciclos de escolaridade, manifestações
artísticas de povos e de culturas de diferentes momentos
históricos, inclusive o momento atual.

•• Devem ser trabalhadas, também, especificidades do conhecimento


e da ação artística.
Metodologia do Ensino da Arte 23

Percebe-se, também, que, nas diretrizes oficiais, os conteúdos não


estão separados por séries ou por anos, ficando essa divisão a critério de
cada escola.

SAIBA MAIS:

Caso queira se aprofundar no assunto, assista ao vídeo


Conteúdos e metodologias do Ensino da Arte, disponível
neste link.

Um dos gargalos de qualquer sistema educacional, desde a


Educação Infantil até a Pós-Graduação é, sem dúvidas, a avaliação. Já
verificamos em nossa vida profissional ou mesmo acadêmica o quanto é
difícil avaliar.

A avaliação sempre é motivo de muita preocupação para os


professores, independente da área do conhecimento humano ou do nível
de ensino em que atuem na educação.

Os professores costumam realizar questionamentos sobre isso,


especialmente, se estão avaliando de forma correta, coerente e ética, e se
a avaliação está colaborando para um processo qualitativo e não somente
quantitativo ou classificatório.

Para avaliar o aproveitamento discente em Arte, o professor deve


considerar o seu histórico e sua relação com as atividades desenvolvidas
na escola, observando a qualidade dos trabalhos em seus diversos
registros.

Por certo, a avaliação é parte integrante do processo de ensino e


de aprendizagem, em que o aluno é sujeito do processo educativo. Desse
modo, faz-se necessário que o docente se preocupe com a observação
dos progressos dos alunos, os conceitos que têm de determinados
assuntos e as articulações que fazem no decorrer das aulas, reelaborando
seus conhecimentos e adquirindo outros.
24 Metodologia do Ensino da Arte

Avaliar em Arte, segundo os PCNs (2006), constitui uma situação de


aprendizagem na qual o estudante pode perceber aquilo que aprendeu,
retrabalhar conteúdos, e o professor pode verificar como ensinou e o que
seus alunos vieram a aprender.

Desse modo, a avaliação no processo de ensino e de aprendizagem


pode ser considerada como um momento importantíssimo, tanto para o
professor quanto para o aluno, uma vez que ambos fazem parte desse
processo interagindo entre si, diariamente na escola.

A Arte trabalha com sentimentos, emoções, sensações. Nesse


sentido, não podemos avaliar um aluno julgando uma opinião sua, mas
avaliá-lo por sua disponibilidade de participar e de contribuir com a aula
de Arte e com o grupo a que ele pertence.

Avaliar em Arte também é verificar que conhecimentos podem


acrescentar valores ao aluno, trazendo mudanças, tanto afetivas,
cognitivas, relacionais ou como as relacionadas à valorização da vida, do
patrimônio, da cultura e da própria Arte.

Ao avaliar o aluno, o professor deve estar atento à trajetória de vida


de cada aluno, e à participação e ao interesse de cada um. É necessário
também que o aluno tenha consciência do resultado que o professor
espera dele no final do processo.

A avaliação das atividades artísticas é complexa, principalmente,


quando se refere ao estabelecimento de critérios para expressão de
julgamentos sobre a produção estética e expressiva de outrem. Por
isso, consideramos importante buscar subsídios para avaliação nos
documentos oficiais que norteiam a disciplina e educação, pois, no
decorrer dos quatro anos do Ensino Fundamental, espera-se que os
alunos adquiram, de forma progressiva, competências de sensibilidade
e de cognição em Arte. Nas próximas linhas, traremos um resumo das
orientações estabelecidas pelos PCNs de Artes (1997).

SAIBA MAIS:
Caso queira se aprofundar no assunto, amplie seus
conhecimentos sobre os PCNs de Arte, disponíveis neste link.
Metodologia do Ensino da Arte 25

Artes Visuais
Orientações estabelecidas pelos PCNs em relação às Artes Visuais:

•• Criação de formas artísticas demonstrando algum tipo de


capacidade ou habilidade. Com esse critério, pretende-se avaliar
se o aluno produz formas bi ou tridimensionais, desenvolvendo
um processo de criação individual ou coletiva (CUMMING, 1996).

•• Estabelecimento de relações do trabalho de Arte produzido por si


com o de outras pessoas sem discriminações estéticas, artísticas,
étnicas e de gênero. Com esse critério, pretende-se avaliar se
o aluno identifica o valor e gosto e argumenta a respeito deles
em relação às imagens produzidas por ele ou pelos colegas
(CUMMING, 1996).

•• Identificação de alguns elementos da linguagem visual que se


encontram em múltiplas realidades. Busca-se avaliar se o aluno
reconhece os elementos da linguagem visual.

•• Reconhecimento e apreciação de vários trabalhos e objetos de


arte por meio das próprias emoções, reflexões e conhecimentos.
Com esse critério, busca-se avaliar se o aluno tem condições de
apreciar, com curiosidade e respeito, trabalhos e objetos de arte,
bem como de relacionar com suas próprias produções ou de
outrem (CUMMING, 1996).

•• Valorização das fontes de documentação, preservação e o acervo


da produção artística. Pretende-se avaliar se o aluno valoriza,
respeita e reconhece o direito à preservação da própria cultura e
das demais (CUMMING, 1996).
26 Metodologia do Ensino da Arte

Música
Orientações estabelecidas pelos PCNs em relação à Música:

•• Interpretação, improviso e composição, demonstrando alguma


capacidade ou habilidade. Pretende-se avaliar se o aluno cria
e interpreta com musicalidade, desenvolvendo a percepção
musical, a imaginação e a relação entre emoções e ideias musicais
em produções com a voz, com o corpo, com os diversos materiais
sonoros e instrumentos (CUMMING, 1996).

•• Reconhecimento e apreciação dos seus trabalhos musicais, de


colegas e de músicos por meio das próprias reflexões, emoções
e conhecimentos, sem preconceitos estéticos, artísticos, étnicos
e de gênero. Assim, busca-se avaliar se o aluno identifica e
discute com discernimento sobre valorização, valoração e gosto
nas produções musicais e se percebe nelas relações com os
elementos da linguagem musical (CUMMING, 1996).

•• Compreensão da música como produto cultural, histórico e


evolutivo, bem como sua articulação com as histórias do mundo,
analisando as funções, valores e finalidades que foram atribuídas
a ela por diferentes povos e épocas. Desse modo, pretende-se
avaliar se o aluno relaciona estilos, movimentos artísticos, períodos,
músicos e respectivas produções com o contexto histórico, social
e geográfico (CUMMING, 1996).

•• Reconhecimento e valorização do desenvolvimento pessoal em


música nas atividades de produção e apreciação, assim como na
elaboração de conhecimentos sobre a música entendida como um
produto da cultura e da história. Com isso, busca-se avaliar se o aluno
valoriza o caminho de seu desenvolvimento (CUMMING, 1996).

Teatro
Orientações estabelecidas pelos PCNs em relação ao Teatro:

•• Estar habilitado para se expressar na linguagem dramática. Avaliar


se o aluno desenvolve capacidades de atenção, concentração,
Metodologia do Ensino da Arte 27

observação; se enfrenta as situações que surgem nos jogos


dramatizados e se articula o discurso falado e o escrito – a
expressão do corpo (CUMMING, 1996).

•• Compreender o teatro como uma ação realizada coletivamente.


Assim, isso permite avaliar se o aluno sabe se organizar e interagir
em grupo, ampliando as suas capacidades de socializar, de ver e
de ouvir, em processo de interação com seus colegas, bem como
quanto à capacidade que tem de se expressar (CUMMING, 1996).

Dança
Orientações estabelecidas pelos PCNs em relação à Dança:

•• Compreensão da estrutura e do funcionamento do corpo e dos


elementos que compõem seus movimentos. Com esse critério,
pretende-se avaliar se o aluno reconhece o funcionamento de seu
corpo no movimento; se demonstra segurança ao se movimentar e
se desenvolve pesquisa para uso do corpo no espaço (CUMMING,
1996).

•• Interesse pela dança como uma atividade coletiva. Isso possibilita


avaliar que o aluno se desenvolva na criação em grupo de
forma solidária; se é capaz de improvisar e criar sequências de
movimentação em grupo; se realiza interações com os colegas
respeitando as qualidades individuais de movimento, de modo
a cooperar com aqueles que têm dificuldades; se aceita as
diferenças; valoriza o trabalho em grupo e se empenha na
obtenção de resultados de movimentação harmônica (CUMMING,
1996).

•• Compreensão e apreciação das diversas danças como


manifestações culturais. Esse critério pretende avaliar se o aluno
é capaz de observar e avaliar as diversas danças presentes tanto
na sua região como em outras culturas, em diferentes épocas
(CUMMING, 1996).
28 Metodologia do Ensino da Arte

Formas de Avaliação
Há várias formas de avaliar o aluno, porém na área de Arte existe
uma forma que se evidencia: avaliar por meio de um portfólio. Ele é
um instrumento que compreende o conjunto de trabalhos realizados
pelos alunos durante um determinado período, série ou disciplina. Seus
benefícios para avaliação não são automáticos, como também não
dependem dos portfólios em si, mas do que os alunos aprendem ao criá-
lo e ao alimentá-lo.

O portfólio é uma ferramenta avaliativa promissora que poderá, sem


dúvida, inspirar outras possibilidades, além das abordadas ao longo desse
texto, pois a avaliação é um processo que precisa ser constantemente
refinado.

Esse instrumento possibilita ao professor considerar os trabalhos


dos alunos de forma processual, atribuindo, inclusive, uma certa
autonomia ao aluno, que escolherá os melhores trabalhos para alimentar
seu portfólio.

Autoavaliação
Em Arte, o docente deve avaliar mais os processos criativos dos
alunos e nem tanto os resultados. Por isso, a avaliação feita pelo próprio
aluno sobre si torna-se um importante instrumento.

Com a autoavaliação realizada pelo aluno, os professores têm ideia


de como o aluno percebeu-se durante as aulas, e esses dados podem ser
de extrema validade para uma avaliação em que o professor vai expressar
em conceitos ou notas.

O exercício da autoavaliação é, antes de tudo, o primeiro passo para


o processo de aprendizagem, pois o aluno, enquanto se avalia, também
aprende. É de extrema importância que o aluno avalie também a turma em
que se insere e que seja capaz de expressar essa visão da aprendizagem
e analisar o comportamento de todos: esses trabalhos são dados valiosos
para a avaliação final do professor.
Metodologia do Ensino da Arte 29

A autoavaliação do próprio professor, do mesmo modo, é


muito importante, pois diagnosticar a si mesmo implica compreender
os parâmetros a que se está sujeito, de modo a verificar o próprio
desempenho e, com base nisso, propor metas para superar e sanar
dificuldades, podendo, com isso, realizar um balanceamento dos acertos
e equívocos que marcaram o ano letivo.

É importante, também, que o professor tenha sensibilidade em


organizar a autoavaliação de forma contextualizada em relação ao nível
de aprendizagem dos alunos. Em níveis de ensino não alfabetizados ou
pré-alfabetizados, essa autoavaliação deverá prever manifestações de
forma oral. Pode-se realizar um trabalho, um desenho, uma pintura etc.
que expresse como a criança se sente em relação àquilo que aprendeu
em Arte. Porém, de alguma forma, isso deverá ser sistematizado.

Em níveis de ensino que já passaram pelo processo de alfabetização,


é interessante que o professor solicite alguma forma de escrita e que,
antes, estabeleça com seus alunos quais critérios pretenderá avaliar. O
momento de sistematização dessas avaliações também é de fundamental
importância no processo, uma vez que a leitura e a fala podem
causar diferentes impressões no leitor/ ouvinte quando consideradas
separadamente.

O professor deve estar ciente de que os pontos positivos e negativos


apresentados pelos alunos não são somente sua responsabilidade, mas
que o papel docente dentro da sala de aula é essencial para que cada
aluno, consideradas suas particularidades, desenvolva seu potencial. Para
isso, o docente deve treinar seu ouvido para as críticas também.

É muito importante, além disso, ter em mente que a avaliação e


a autoavaliação não são processos fechados em si, que darão conta do
“todo”, nem da parte do aluno, nem da parte do professor, muito menos da
parte da escola. Por isso, esses elementos devem estar permanentemente
associados às aulas, nem sempre com trabalhos e tarefas todo dia, mas
com observações, anotações, diagnósticos e feedbacks da parte do
professor.
30 Metodologia do Ensino da Arte

Ter um caderno ou outro aparelho que possibilite anotar suas


observações é importante para o professor quando realizará sua avaliação.
Da mesma forma, é importante – não só na disciplina de Arte, mas em
todas – que o professor, sempre que sentir dificuldades em relação a
alguma situação, busque auxílio pedagógico e especializado.

A avaliação, quer em Arte ou em outra disciplina, é um exercício


conjunto, dependente de uma série de fatores, que nem sempre produz
as respostas prontas ou aquelas que esperamos. Lidar com isso de
modo flexível é o primeiro passo para que se produza diagnósticos de
aprendizagem mais abrangentes.

RESUMINDO:

Neste capítulo, você aprendeu que:


•• A organização dos conteúdos de Arte não é rígida,
porém, é necessário que o aluno vá evoluindo em
seu desenvolvimento, especialmente no 1º e no 2º
ciclos do Ensino Fundamental.
•• A avaliação em Arte deve olhar não apenas para
o que o aluno produziu de forma pontual, mas
para aquilo que ele está sendo capaz de produzir,
ou ainda, para como ele tem se relacionado com
o componente curricular de Arte. Diversas são
as competências que podem ser observadas e
avaliadas pelo professor.
•• O portfólio, como um conjunto de trabalhos que vai
sendo organizado pelos alunos e pelo professor ao
longo de um período letivo, é uma das ferramentas
mais interessantes para se avaliar o componente
curricular de Arte.
•• A autoavaliação é outro instrumento extremamente
importante, pois considera as potencialidades e
limites do aluno, do contexto de aprendizagem, do
professor e da escola.
Metodologia do Ensino da Arte 31

Docência da Disciplina Arte

OBJETIVO:

Ao final deste capítulo, você será capaz de entender e


retomar alguns pressupostos básicos da docência, assim
como alguns elementos importantes para se pensar a
docência em Arte. Conhecer a natureza dos gêneros
literários, e como eles constituem os gêneros textuais
considerados como pertencentes à linguagem literária será
fundamental para o exercício de sua profissão. E então?
Motivado para desenvolver esta competência? Então
vamos lá. Avante!.

Figura 3 - Ensinar Arte

Fonte: Pixabay

Sociedade do Futuro ou do Presente?


O tempo em que vivemos pode ser qualificado como esquisito.
Talvez, não haja melhor definição para caracterizá-lo. Isso porque com
32 Metodologia do Ensino da Arte

tanta coisa mudando de forma tão rápida, temos dois caminhos a serem
tomados. Ou lideramos as mudanças, aceitando-as como inevitáveis, ou
seremos arrastados por elas, ficando completamente fora. Trata-se de um
desafio e de uma questão de sobrevivência na contemporaneidade.

Segundo Fedrizzi (2017), isso acontece, especialmente, porque


vivemos durante bastante tempo precisando apenas de habilidades
genéricas, para profissões que mudavam muito pouco. E esse fato ocorreu
durante praticamente toda, ou boa parte da história. Nos últimos séculos,
porém, cada geração viu profissões desaparecerem e novas surgirem.
As máquinas – oriundas das revoluções industriais e tecnológicas –
foram automatizando a manufatura cada vez mais rapidamente. E todas
as funções repetitivas foram passando para as mãos de robôs e de
computadores.

Com toda essa mudança, obviamente, o ensino não ficaria para trás
e, embora as transformações nessa área pareçam, por vezes, ser mais
demoradas, o fato é que elas, cedo ou tarde, vêm para ficar.

O que ocorre com nossos alunos e com as pessoas é que todos nós
nos tornamos produtores de informação e de conhecimento. O mundo
passou a ser feito por usuários, por muita gente e não apenas por um
seleto e escasso grupo, vinculados a instituições e a veículos tradicionais.
Atualmente, todo mundo produz, quer conversar, dialogar, interagir,
debater, trocar, compartilhar, informar e ser informado. Os discentes,
nesse contexto, deixaram de ser alunos passivos e passaram a se tornar
criativos, muito ativos e criadores quase natos.

Hoje, a cada minuto, milhões de e-mails são enviados no mundo


todo. O Google é a ferramenta de pesquisa mais potente no que diz respeito
a consultas globais. O número de páginas da internet, independente do
conteúdo que apresentam, é quase infinito. Além disso, há os milhares
de blogues, vlogs, perfis de Facebook, Twitter e Instagram, além das
postagens no Youtube e no WhatsApp, para citar algumas ferramentas
de comunicação. Com essa quantidade de informação circulando,
sua atualização, obsolescência e desatualização ocorrem quase que
simultaneamente.
Metodologia do Ensino da Arte 33

Agora, caro aluno, imagine toda essa riqueza de informação e de


troca de conhecimentos na nossa vida e na vida de nossos alunos. É
certo que, nesse caldeirão de informações, um novo tipo de gente surge
em nossas salas de aula. E os professores que estão nesse espaço ou
ocupando cargos de direção escolar se deparam com essa realidade
todos os dias.

Simultaneamente, a máquina pública está se tornando cada vez mais


obsoleta e emperrada, cheia de burocracias desnecessárias e centrada
em si mesma, quase impossibilitada de se recriar. Nossa legislação está
desatualizada, e primeiro, as coisas acontecem para, muitas vezes depois,
existir uma lei que as regulamente. A emergência de aplicativos como o
Uber e o Ifood, por exemplo, nos mostram isso claramente. E, a cada dia,
surgem novos modelos e ações que “facilitam nossa vida”, que mudam
nosso jeito de viver, conviver e interagir com o mundo que nos cerca.

O mundo está cada vez mais difícil de ser regrado. É muito mais
disruptivo. Por conta disso, terminamos formando gente para ir embora,
em busca de mais oportunidades.

Percebe-se, no dia a dia, que as pessoas estão muito aceleradas,


buscando informações no mundo inteiro, querendo inovar e, muitas
vezes, a comunidade não está respondendo a isso. Como resultado, os
mais empreendedores, inquietos e criativos vão embora. E nos tornamos
exportadores de talentos, pois muita gente com boa formação, que
estudou nas melhores escolas e universidades do país, já foi para outras
terras.

A adaptação ao mundo, seja ele chamado de moderno, pós-


moderno, líquido ou contemporâneo, está cada vez mais difícil, pois suas
mudanças são muito velozes. E isso impacta diretamente na sala de aula,
já que, mesmo que seu layout não tenha sido tão afetado, ainda assim a
configuração da escola por meio dos sujeitos que a procuram está em
constante mudança.

Além disso tudo, do excesso de informações, temos a falta de


oportunidades e a violência. E com isso, temos testemunhado um número
34 Metodologia do Ensino da Arte

grande de pessoas que buscam uma vida mais tranquila e menos violenta
fora do país.

Isso tudo se torna um grande desafio para a educação, que é


onde tudo começa. Como formar pessoas para que tenham interesse
em permanecer, em produzir para essa comunidade, fortalecendo a
sociedade, a pesquisa e a política nacional?

É bastante difícil desempenhar a posição e o papel de educador


hoje, pela necessidade – principalmente – de ter que lidar com alunos
que praticamente já nascem com o tablet ou com o celular na mão, e que
chegam às salas de aula encharcados de informação. E, ainda por cima,
com pais muitas vezes omissos e infantilizados, que não têm autoridade
sobre seus filhos, não sabem dar-lhes limites nem os estimular no que
sabem e gostam de fazer, delegando toda árdua tarefa de ensinar
somente aos professores.

Diante disso, podemos nos perguntar: como segurar essa “onda”?


Como manter o interesse do aluno dentro da sala de aula? Quais carreiras
existirão no futuro e quais tecnologias estarão disponíveis daqui a cinco
ou dez anos? No mundo onde os ciclos estão se acelerando, quais
habilidades temos que ensinar às próximas gerações?

Pensamos que muitos dos currículos atuais não estão preparando


seus alunos para inovações tecnológicas e comunicacionais, para a
volatilidade dos mercados e para as incertezas do século XXI. Para tentar
atender a isso, algumas escolas estão ensinando codificação e outras
habilidades. Mas a tecnologia muda tão rapidamente que essas novas
habilidades talvez não sejam mais relevantes para quando esses alunos
estiverem na idade adulta e entrarem no mercado de trabalho.

Nesse mundo hiper conectado de hoje, precisamos de “resolvedores


de problemas”, pensadores que sejam criativos e que estejam adaptados
às mudanças que vêm pela frente. E, se formos ver, o modelo educacional
com o qual trabalhamos é um modelo criado muitos séculos atrás, para
momentos de mercados estáveis, que cada vez mais deixam de existir.
Metodologia do Ensino da Arte 35

O fazer Arte como um exercício de experimentação

Diante de todo esse cenário de mudanças, é importante que não


apenas os alunos/ filhos, mas que os professores/ pais se reeduquem.
Quando dizem para seus filhos, por exemplo, que “acabou uma
brincadeira”, o que estarão sinalizando? Pior ainda: quando dizem “não faz
arte, meu filho”, o que ensinam sobre criatividade a Arte?

Não fazer Arte, num sentido mais amplo, é não experimentar,


não brincar. As pessoas estão tendo seu desenvolvimento artístico
muitas vezes podado desde a infância, perdendo a espontaneidade e a
capacidade de experimentação e de criação. Depois, quando grandes, as
empresas precisam fornecer-lhes cursos de criatividade, porque não têm
vidas criativas.

A Arte, nesse contexto de mudanças, ou melhor, o ensino da Arte,


é um elemento indispensável para preparar e desenvolver competências
e habilidades necessárias para o exercício criativo e para o enfrentamento
das mudanças que ocorrem no mundo de forma cada vez mais veloz.

Não podemos, como professores, deixar que nossos alunos


percam a “veia criativa”, que deixem de buscar soluções inusitadas para
os desafios cotidianos.

Com isso, é também bom para todos que o perfil do professor


também mude. Não basta ser apaixonado por ensinar; é preciso ter
certo grau de inquietude, de modo a romper com a noção de que a
docência seja um sacerdócio, mas algo em movimento, que atenda às
transformações sociais.

Na mesma lógica de necessidade de mudança, estão os alunos


que só querem saber o que vai cair nas avaliações. Esse tipo de aluno não
está interessado em aprender, mas em passar na avaliação. Se estamos
interessados em fazer escolas para ter uma grande procura e notas boas
nos sistemas de avaliação em larga escala, algo está errado.

Nosso papel como professores é desenvolver pessoas para se


responsabilizarem por si mesmas, pelo seu próprio conhecimento e
desenvolvimento, atuando de forma criativa e, mesmo que grandes
conhecedoras das ditas ciências exatas, ainda assim capazes de criar, de
humanizar e de serem humanizadas.
36 Metodologia do Ensino da Arte

O Professor e o Ensino de Arte


Uma das tarefas principais do professor que ensina Arte é
instrumentalizar o aluno no domínio de diferentes linguagens artísticas,
por meio de informações, do estudo e da análise da construção do
conhecimento.

O docente necessita compreender que ele é o mediador das


experiências existentes entre o educando e sua realidade e que pode
contribuir no processo sutil de desenvolvimento da percepção.

Portanto, é necessário que o educador que ensina Arte tenha


conhecimento e vivência em Arte.

Nesse sentido, talvez o melhor mestre não seja somente aquele


que impõe, que se afirma como uma espécie de dominador do espaço
mental. Porém , ao contrário disso, aquele que se torna aluno de
seu próprio aluno, que se esforça para acordar uma consciência ainda
ignorante de si mesmo e de guiar seu desenvolvimento no sentido que
melhor lhe convir.

É importante que os educadores acreditem na individualidade e no


poder de cada ser humano; no poder criativo e na necessidade vital que
temos de nos expressar.

Para que o professor possa conduzir com eficiência e com segurança


o processo de expressão dos alunos, é primordial que ele próprio passe
também por esse mesmo processo, descobrindo e exercitando suas
potencialidades expressivas. Isso significa que é fundamental o seu
constante aperfeiçoamento artístico.

Cabe ainda ao professor a escolha de métodos e recursos didáticos


que considerar mais adequados para apresentar as informações, zelando
sempre pela necessidade de introduzir formas artísticas, por que ensinar
Arte com Arte é um dos melhores caminhos.

A Arte propõe ao homem momentos de descoberta e de sensações


fantásticas, pois trabalha com a sensibilidade humana.
Metodologia do Ensino da Arte 37

Um ensino de forma criadora, que favoreça a integração entre a


aprendizagem técnica e estética dos alunos poderá contribuir para o
exercício conjunto complementar de razão e de sonho, de modo a tornar
o conhecer um exercício de maravilhar-se, brincar com o desconhecido,
arriscar hipóteses ousadas, trabalhar, esforçar-se e alegrar-se com
descobertas.

Assim, esse é o momento em que o professor precisa ser um sujeito


que envolve o aluno com esse fascínio que a Arte contém, mas essa não
é uma tarefa fácil. O professor enquanto cidadão – sujeito que participa
da sociedade – tem sua própria identidade. Porém, como professor,
o sujeito deve refletir sobre suas experiências, sua inserção em um
determinado momento histórico e social e, indispensavelmente, deve
manter uma atitude de revisão e de análise de sua própria história de
vida de forma constante para, como profissional, apresentar uma prática
pedagógica que seja interessante, atual e coerente com as necessidades
e propostas da educação contemporânea.

Por sua vez, é importante que o aluno também seja um sujeito


integrado à sociedade, a qual possui uma identidade cultural com
conhecimentos não sistematizados, mas que precisam e devem ser
respeitados e valorizados no ambiente escolar.

Em sala de aula, professor e aluno podem apreender a interagir


permanentemente com a realidade que os cercam, definindo alternativas
para novas questões. Cabe ao professor, cada vez mais, reelaborar e
redimensionar os conhecimentos, buscando soluções de trabalho que
garantam melhores resultados no processo de ensino e de aprendizagem.

Não há professor ideal, mas o professor mais coerente com


seu tempo é aquele profissional que está em constante estudo, que é
preocupado com as mudanças na sociedade, aquele que acredita em
transformações, que é estimulador, que respeita e que valoriza o processo
criativo do aluno, ou seja, sua cultura.
38 Metodologia do Ensino da Arte

Dificuldades Enfrentadas pelo Professor de


Arte
Como docentes, podemos nos deparar com desafios, tais como: a
falta de recursos, como audiovisual, livros, imagens e outros; alunos sem
materiais (próprios); falta de lugar adequado para desenvolver música,
teatro e dança; a indisciplina; a autocrítica dos alunos e a carga horária da
disciplina.

Para o ensino de Arte, é importante um espaço diferenciado, com


materiais, imagens e instrumentos adequados, o que requer qualidade
para que a disciplina não se forme apenas mais uma atividade informativa
e desconectada da vida do aluno. Devemos gerar signos e significados
destinados para crianças e adolescentes que não têm acesso à arte e à
cultura.

É importante também pensar que nem sempre o aluno chegará na


escola com o repertório cultural que o professor esperava que ele tivesse.
No entanto, cabe lembrar que a escola, como espaço onde também
se produz e se reproduz arte, deve incentivar que o aluno amplie seu
repertório artístico e cultural, lançando mão de todos os recursos possíveis
que a escola disponibiliza.

A Arte está em todo lugar. Cabe ao professor “abrir os olhos” dos


alunos para que esses se percebam como apreciadores e também como
produtores de obras de arte.

Caso a escola não tenha condições materiais para organizar saídas


pedagógicas a espaços que contêm obras de arte para que os alunos as
apreciem, isso não impede que o professor realize atividades nas quais
essas obras, mesmo que virtualmente, sejam apresentadas.

E também, dentro desse contexto, é necessário que os alunos


não conheçam as obras somente para copiá-las ou mesmo, apenas por
conhecê-las. Quanto mais desenvolvida for a competência de interação
com as obras, melhor será o desenvolvimento de sua criatividade e de
sua humanidade artística, de forma que a produção artística desse aluno
poderá aparecer em diferentes contextos e situações.
Metodologia do Ensino da Arte 39

Além disso, é importante lembrar que, se a escola não vai até a


Arte, a Arte pode vir até a escola, por meio do trabalho do professor,
da ampliação do repertório artístico dos alunos e da organização de
trabalhos que tornem as produções dos alunos verdadeiras obras de arte.
Exposições e mostras de trabalhos são bons exemplos disso.

Por fim, ensinar Arte na escola não é uma tarefa fácil, pois requer o
preparo do professor de forma constante e o enfrentamento de diversos
desafios. No entanto, o professor de Arte, se estiver interessado em ensinar,
e seu aluno em aprender, logo perceberão quão ricos artisticamente
podem ser os espaços que nos cercam, pois a Arte, conforme já dissemos
em outros momentos, está em todo lugar.

Outro elemento importante para o ensino de arte é a habilidade do


professor em trabalhar de forma integrada e interdisciplinar com outras
áreas de conhecimento. Praticamente, todos os campos de saber podem
ser representados ou relacionados com a Arte, o que possibilita trabalhar
de diferentes formas e com diferentes linguagens.

A história, por exemplo, é um campo riquíssimo, no qual muitos


elementos artísticos podem ser explorados, tais como: pintura rupestre,
arte egípcia, arte grega, arte gótica, arte contemporânea etc.

A literatura, ou a língua portuguesa, podem servir subsídios para


o trabalho artístico por meio das obras literárias, que podem contribuir
significativamente para a construção e constituição de releituras,
adaptações e outros elementos que dialoguem com as obras.

O campo da educação física, por meio do movimento e do


conhecimento corporal, pode ser útil para o desenvolvimento do teatro,
da dança e da própria música, uma vez que o acompanhamento do ritmo
com o corpo, a expressividade e o “falar” por meio do corpo podem ser
explorados nas duas áreas.

Da mesma forma, áreas exatas, como ciências e matemática


podem auxiliar o desenvolvimento artístico, fornecendo noções de
formas geométricas, por exemplo, de diversidade de cores e de seres,
entre outros elementos.
40 Metodologia do Ensino da Arte

Para a ampliação do repertório artístico dos alunos, toda


interdisciplinaridade é sempre bem-vinda. Por isso, é importante que o
professor de Arte abandone a ideia de trabalhar isoladamente, ou ainda,
de que só nas aulas de Arte se aprende Arte. Seus movimentos e esforços
devem ser com o objetivo de despertar nos alunos o gosto estético,
ampliar seu repertório artístico e permitir que vejam o mundo também
sob outra perspectiva: a artística.

RESUMINDO:

Neste capítulo, você aprendeu que:

•• A sociedade contemporânea passa por constantes


mudanças. E diante disso, o desafio da escola é
o que ensinar e como ensinar, haja vista que as
tecnologias estão cada vez mais banais.

•• A arte, nesse contexto de mudanças pelas quais


a sociedade passa, por servir como estimuladora
da criatividade e da agilidade, competências tão
apreciadas em nosso tempo.

•• O professor, no processo de ensino de Arte, deve


ser um constante aprendiz; deve viver a Arte que
ensina, e deve buscar respeitar o repertório artístico
dos alunos, porém, oferecendo oportunidades de
ampliação desse repertório.
Metodologia do Ensino da Arte 41

A Arte como Produto da Cultura e da


Diversidade

OBJETIVO:

Ao final deste capítulo, você será capaz de compreender


os elementos básicos que caracterizam e constituem o
conceito de cultura e de diversidade, em sua relação com o
ensino de Arte. Como um estudante do curso de Pedagogia,
é importante que você os conheça, para que sua análise
e trabalho com obras de arte se torne mais abrangente,
fundamentada e profissional. E então? Motivado para
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!

Figura 4 - Diversidade

Fonte: Pixabay

O que é Diversidade?
O termo “diversidade” está relacionado à qualidade daquilo que
é diverso, diferente e variado, ou da variedade. Se fizermos uma busca
em dicionários, encontraremos essa palavra relacionada a um conjunto
42 Metodologia do Ensino da Arte

variado, ou ainda, à multiplicidade, ao desacordo, à contradição, à


oposição. Quando relacionada à ecologia, diversidade relaciona-se
ao índice que leva em conta a equitabilidade e a abundância de uma
comunidade.

O termo “equitabilidade” descreve a proporção dos indivíduos de


cada uma das espécies presentes em uma comunidade em relação
ao total de indivíduos dessa mesma comunidade. Designa também
uniformidade.

Para as ciências sociais, diversidade encontra correspondência com


as palavras “alteridade”, diferença” e dessemelhança”. Vejamos, a seguir, o
que cada uma delas representa.

A palavra “diversidade” é mais genérica que as três demais e


pode estar relacionada a cada uma delas em separado, ou as três
simultaneamente.

Toda alteridade, diferença ou dessemelhança pode, outrossim,


indicar a simples distinção numérica que se tem quando duas coisas não
diferem em nada exceto por serem numericamente diferentes. Nesse
sentido, a diversidade é a negação da identidade. A seguir, a partir de
Michaliszyn (2008), tentaremos abordar os três conceitos do qual a noção
de diversidade se aproxima.

•• Por “alteridade”, um conceito mais restrito que o de diversidade,


entendemos o sentimento de um indivíduo em ser outro, ou
melhor, de colocar-se ou de constituir-se como o outro. Por meio
desse sentimento, conseguimos perceber o outro, o diferente,
sem segregá-lo pelas características que nos diferenciam.

•• A “diferença” é a determinação da alteridade. Uma vez que a


alteridade não implica necessariamente uma determinação,
a diferença traz consigo a determinação. Podemos dizer, por
exemplo, que João e Pedro são indivíduos pertencentes à espécie
humana e, uma vez que passaram pelos mesmos processos que
os inseriram nos grupos sociais, são agora chamados de seres
humanos. Como João e Pedro vivem no Brasil, são brasileiros e
essa característica os assemelha, os identifica. Por outro lado,
Metodologia do Ensino da Arte 43

João possui descendência alemã, e Pedro, descendência africana.


Assim, embora João e Pedro sejam indivíduos da espécie humana,
seres humanos que adquiriram valores culturais próprios de seus
grupos e são considerados cidadãos brasileiros, João e Pedro
representam etnias diferentes, cujas características – diferenças –
são expressas não somente no campo dos valores culturais, mas
em características físicas pertinentes às suas descendências.

•• A dessemelhança, por sai vez, se caracteriza pelas marcas que


visivelmente tornam os seres diferentes, sejam elas marcas físicas
ou culturais.

A Construção da Diversidade
Sociocultural na Sociedade
O que se torna evidente na contemporaneidade é que vivemos num
modelo social que se prevalece pelas diferenças, admite a alteridade, mas
acentua a dessemelhança e, consequentemente, evidencia a diversidade.

Em consequência desse tipo de comportamento social, somos,


em determinados momentos, vítimas da diversidade e, em outros, dela
fazemos uso para reafirmar nossa própria identidade. Por esses motivos,
é extremamente importante entendermos como a sociedade constrói
a diversidade. Para isso, é necessário revisitarmos e compreendermos
melhor o que se caracteriza como diversidade cultural.

O que é Cultura?
Podemos entender a cultura de diferentes maneiras. Uma delas é a
definição de que a cultura é um processo por meio do qual o homem dá
sentido a si e a todas as coisas que o cercam: a natureza e o outro com o
qual convive. A cultura não possui conteúdo em si mesma, sendo produto
exclusivo da condição humana. O homem, portanto, é tanto produtor
quanto produzido pela cultura.

A cultura nos acompanha desde o surgimento dos primeiros


agrupamentos humanos e é uma das principais responsáveis pela
sobrevivência de nossa espécie.
44 Metodologia do Ensino da Arte

A sobrevivência da espécie humana, espécie que talvez não


possua mais do que 150 mil anos, e descende de um grupo que viveu na
África, deve-se à capacidade por ele desenvolvida de criar símbolos, de
simbolizar situações de seu cotidiano. Em seguida, esse grupo foi capaz
de criar ferramentas, simplificando as formas destinadas à obtenção
de alimentos. Criou seu próprio sistema comunicativo, aprimorou a
linguagem e, por necessidade de melhor determinar as estratégias para
sua sobrevivência e convivência com os demais membros de seu grupo,
estabeleceu regras sociais e de sociabilidade.

Esses laços de solidariedade construídos contribuíram para o


estabelecimento de vínculos entre os integrantes do grupo. A união e a
consequente organização tornaram possível a elaboração de estratégias
para sua defesa em relação a outros indivíduos, mais fortes, mais velozes,
porém, sem os traços que determinam a cultura humana.

Por meio da noção de cultura, podemos perceber que os seres


humanos se diferenciam dos demais animais pela função simbólica, ou
melhor, pelo conjunto de sistemas simbólicos que determinam nossas
identidades como atores sociais e como integrantes de grupos sociais
distintos. Tal conjunto de sistemas simbólicos é responsável tanto pelo
estabelecimento da comunicação no interior dos agrupamentos sociais
quanto pela definição da forma como os indivíduos relacionam-se entre si
e também com a natureza, explorando-a em nome de sua sobrevivência
e do desenvolvimento de seu grupo.

Fazem parte desse conjunto de sistemas simbólicos a linguagem, as


relações de parentesco, a religião e a crença no sagrado, os mitos, a arte,
a economia, entre outros elementos responsáveis pelo estabelecimento
da comunicação humana nos diferentes níveis.

Nossa relação de humanidade nos é dada a partir da capacidade


que temos, desde o nosso nascimento, de nos comunicarmos com
nossos iguais e com eles nos relacionarmos e estabelecermos relações
necessárias à convivência em sociedade.

Essa capacidade comunicativa desenvolve-se a partir da articulação


da língua, pois, por meio da fala, aprimoramos a capacidade de nos
comunicarmos.
Metodologia do Ensino da Arte 45

O desenvolvimento e a evolução da linguagem oral podem


ser considerados como os princípios responsáveis pelo aumento das
atividades corporativas e pelo desenvolvimento dos núcleos familiares e
de comunidades.

No momento de nosso nascimento, imediatamente somos


apresentados a uma sociedade, cujos valores, regras, sistemas de
significados – ou seja, a cultura – foram previamente estabelecidos e
construídos por outros.

Desde os primeiros instantes de nossa existência, vamos assimilando


um conjunto de informações simbólicas e de experiências que nos vão
sendo transmitidas pelo grupo social ao qual nos somamos e que foram
por eles construídas e vividas ao longo de muitas e muitas gerações.

Ao mesmo tempo em que assimilamos as informações culturais


de nosso grupo social, também as processamos, acrescentando novos
dados e eliminando outros.

Nossa vivência e a experimentação de novas situações nos permite


descobrir, inventar, reconstruir o conjunto de informações que recebemos.

Dito de outra forma, a cultura pode ser entendida como um


conjunto de princípios explícitos e implícitos herdados por indivíduos
que são membros de uma dada sociedade. Tais princípios mostram aos
indivíduos como ver o mundo, como vivenciá-lo emocionalmente e como
se comportar em relação às outras pessoas, às forças sobrenaturais ou
aos deuses e ao ambiente natural. Essa cultura também permite aos
indivíduos constituírem um meio de transmissão de suas diretrizes para a
geração seguinte mediante o uso dos símbolos, da linguagem, da arte e
dos rituais. Em certa medida, podemos dizer que a cultura pode ser vista
como uma espécie de “lente” herdada para que o indivíduo perceba e
entenda o seu mundo e para que aprenda a viver nele.

Por isso, crescer em determinada sociedade é uma forma de


aculturação pela qual o indivíduo, aos poucos, adquire a sua lente.
Sem essa percepção de mundo, tanto a coesão quanto a continuidade de
qualquer grupo humano seriam impossíveis.
46 Metodologia do Ensino da Arte

Por isso, podemos dizer que somos produto e produtores de


cultura. Somos por ela construídos e contribuímos para sua construção
e reformulação.

Nossa capacidade de simbolização e criação cultural nos permite


constituir uma característica bastante extraordinária: pensar no que
não está diante dos nossos olhos. Essa capacidade de abstração e
transcendência permitiu que superássemos as limitações impostas pela
natureza.

Com isso, conquistamos o planeta e colocamos as demais espécies


sob nosso domínio. Somos capazes de elaborar uma vestimenta para
nos proteger do frio e, assim, embora sem um organismo adaptado para
tanto, sobrevivemos em regiões árticas. Somos capazes de criar aviões e
submarinos e, sem asas ou nadadeiras, avançarmos por ares e por mares.
Podemos dizer, inclusive, que a cultura nos torna os mais poderosos do
planeta.

Regras Culturais
Como vimos anteriormente, o comportamento social é o resultado
da maneira pela qual os seres humanos se organizam, por meio do
estabelecimento de regras de conduta e de valores. São as relações
culturais que estabelecemos entre nós que norteiam a construção da vida
social, econômica e política.

Os modos de pensar, agir, sentir de todo ser humano, assim como


os meios que procuramos para garantir nossa sobrevivência por meio
de nossa ação sobre a natureza (trabalho) são por nós apreendidos por
meio das experiências e das relações que nos são impostas ao longo de
nossa vivência em sociedade.

Para que o viver e o conviver em sociedade sejam possíveis, os


grupos sociais estabelecem para si um conjunto de regras, que são
aceitas coletivamente. Essas regras delimitam nossos pensamentos,
nossas ações e determinam nossos modelos de vida.

Em um sentido mais amplo, as culturas podem ser vistas como


linguagens, cuja característica é permitir que se produzam sentido e ordem
Metodologia do Ensino da Arte 47

à atuação dos seres humanos e à realidade que eles produzem para si,
estando na base da ordenação da subjetividade humana, das relações
entre os indivíduos e do mundo que constroem ou experimentam.

Enquanto linguagens, as culturas têm uma gramaticalidade, uma


estrutura responsável pelo sentido presente nas manifestações humanas
e, portanto, constituem-se como campos fundada por regras. Sendo
assim, as regras têm uma função simbólica que vai além da coerção. Elas
permitem a produção de sentido.

Uma vez que não há sociedades sem regras sociais estabelecidas,


podemos dizer que ela, a regra, é produto e princípio de uma cultura.
Assim, se nos primeiros momentos de nossa vida, agimos exclusivamente
por instinto ao nos relacionarmos com nossos iguais, ou melhor, com
outros seres humanos, com eles aprendemos cultura e, automaticamente,
incorporamos regras e padrões de viver socialmente.

Pensamentos, ações, emoções, não são – desse modo – formas


inatas ou biologicamente herdadas, mas o resultado de experiências e
relações impostas pelo outro no decorrer de nossa inserção social. Logo,
essas emoções, valores construídos, juízos morais, éticos, religiosos, são
determinados culturalmente por regras que seguimos e construímos.

Nesse sentido, essa “ordem”, que é humana por definição, tem


por princípio e fundamento as regras que produzimos e sobre as quais
alicerçaram a possibilidade de sermos humanos.

Sem as regras, seríamos incapazes de produzir ordem e sentido


para nossos pensamentos e ações e, consequentemente, para a realidade
que vivemos e produzimos.

Observemos, por exemplo, o teatro de marionetes. Vemos as


marionetes dançando no palco minúsculo, movendo-se de um para outro
lado levados pelos cordões, seguindo as marcações de seus papéis.
Aprendemos a compreender a lógica desse teatro e nos encontramos
nele. Localizamo-nos na sociedade e assim reconhecemos a nossa
própria posição, determinada por fios sutis. Por um momento, podemos
realmente nos vermos como fantoches. Porém, de repente percebemos
a diferença decisiva entre o teatro de bonecos e nosso próprio drama. Ao
48 Metodologia do Ensino da Arte

contrário dos bonecos, temos a responsabilidade de interromper nossos


movimentos, olhando para o alto e divisando o mecanismo que nos
moveu. Tal ato constitui o primeiro passo para a liberdade.

EXPLICANDO MELHOR:

A cultura é o processo pelo qual o homem dá sentido a si


e a todas as coisas que o cercam: a natureza e o outro. Não
possui conteúdo em si mesma e é um produto exclusivo da
condição humana, pois o homem é seu produtor e, por ela,
é produzido.

O mundo cultural é um sistema de significados (linguagens, arte,


parentesco, religião, mito, arte, economia) estabelecidos pelo grupo
social do qual fazemos parte. Ao nascermos, iniciamos um processo de
assimilação, em que aprendemos, a partir da linguagem, um conjunto
de informações simbólicas construídas ao longo de várias gerações.

Cada grupo social estabelece para si um conjunto de regras


responsáveis por delimitar os pensamentos, as ações e por determinar
modos de vida. Nossas emoções, valores construídos, juízos morais,
éticos e religiosos são determinados culturalmente por todas as regras
que seguimos e construímos.

Sem as regras, seríamos incapazes de produzir ordem e sentido


para nossas ações e pensamentos e, consequentemente, para a realidade
que vivemos e produzimos. Sem elas, não seríamos a espécie humana.

Nesse contexto, podemos dizer que a cultura perpassa a


humanidade e nos torna seres humanos, fazendo com que partilhemos
de determinadas regras de uso comum, que além de constituírem nossas
identidades, nos marcam como membros de uma determinada cultura e
não de outra.
Metodologia do Ensino da Arte 49

A Arte como um Produto da Diversidade e


da Cultura
Se a cultura é o que nos torna humanos, a Arte, por sua vez, nos faz
deixarmos nossa marca no mundo, tornamo-nos imortais como espécie e
diferentes dos animais.

Como uma linguagem produzida por signos e carregada de sentidos,


a Arte é uma forma de manifestar os anseios e sentimentos humanos, um
modo de universalizar determinadas relações e pontos de vista.

Assim, a Arte pode ser considerada como um produto da diversidade


porque é plural, porque está em todo lugar e porque assume as mais
determinadas formas.

A diversidade se constitui na Arte, que busca representar diferentes


traços humanos, diferentes formas de ver e de interagir com o mundo.

A cultura, por sua vez, é o grande “guarda-chuva” que sustenta a


Arte, pois sem ela, a produção humana não teria sentido.

É a cultura que cria condições de possibilidade para que se produza


a arte de diferentes maneiras, para que se ouse, para que se busque
novas técnicas e mestres.

Com isso, pensamos que tanto a diversidade como a cultura, dentro


da sala de aula de Arte, devem ser consideradas. Primeiramente, desde o
primeiro contato com os alunos, é importante que o professor vá traçando
os perfis dos alunos, avaliando em que medida sua turma/ suas turmas/
sua escola assumem um caráter de precariedade e de exclusão social.

A cultura e a diversidade, aliadas à Arte, nos ensinam que é


necessário aguçar a percepção em relação às diferenças e às relações de
poder que nos cercam.

Por isso, ao ensinar Arte em sala de aula, o professor deve propor


atividades que conversem com a cultura da comunidade, considerando
que essa cultura é formada pela diversidade, sendo constituída como
plural.
50 Metodologia do Ensino da Arte

Valorizar as potencialidades de cada cultura, considerando sua


multiplicidade, pode ser um bom passo para resgatar e criar o interesse
pela escola, pelas artes e pelos estudos.

Da mesma forma, quando falamos sobre diversidade na Arte,


estamos defendendo a pluralidade de técnicas, de representações e
também de estilos.

Somente assim será possível trabalhar a disciplina de modo


democrático, inclusivo e preocupado com o presente e o futuro.

RESUMINDO:

Neste capítulo, você aprendeu que:


•• A Arte é fruto da cultura e da diversidade.
•• A cultura é aquilo que nos torna humanos; é o que
construímos e o que nos constrói; é a atribuição
de valores e de regras estabelecidas por uma
grande comunidade, passadas por muitas e muitas
gerações.
•• A diversidade é um conceito ancorado na noção
de diferença, na qual a marca principal não é o que
se tem em comum, mas o que se acha que não se
tem.

Caro estudante:

Chegamos ao final desta unidade. É importante que você revise


este material, tome nota de suas principais aprendizagens e principais
dúvidas, busque nas indicações de pesquisa leituras e vídeos que podem
contribuir muito nessa etapa!

Além disso, ao término desta unidade, você encontrará as principais


referências bibliográficas utilizadas na elaboração dessa obra, que podem
ser consultadas. Não desanime nas dificuldades de estudo, mas faça com
que essas dificuldades de hoje venham ajudá-lo a se tornar um estudante
e um profissional melhor amanhã!
Metodologia do Ensino da Arte 51

REFERÊNCIAS
ARTE na Educação Especial: incentivando a aprendizagem. [S. l.: s.
n.]. 1 vídeo (6 min). Publicado pelo canal Vanessa Anainara. 2015. Disponível
em: [Link] Acesso em: 29
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BRASIL. Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as


diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF, Diário Oficial da
União, 1996.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasília: MEC/


SEF, 1997.

BRASIL. Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação


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CONTEÚDOS e metodologias de ensino de Arte. [S. l.: s. n.]. 1 vídeo


(27 min). Publicado pelo canal Faculdade Fetac. 2017. Disponível em:
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FEDRIZZI, A. As escolas e a sociedade do futuro. In: CARVALHO, M.


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INCLUSÃO - Arte. [S. l.: s. n.]. 1 vídeo (23 min). Publicado pelo canal TV
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LOWENFELD, V.; BRITTAIN, W. L. Desenvolvimento da capacidade


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52 Metodologia do Ensino da Arte

PRA mudar o mundo – Projeto Céu e Terra. [S. l.: s. n.]. 1 vídeo (13 min).
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SURDODUM documentário. [S. l.: s. n.]. 1 vídeo (26 min). Publicado


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