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Fundamentos do Ensino da Arte

Enviado por

Marcio Santos
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
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Metodologia do

Ensino da Arte
Fundamentos da Arte
Diretor Executivo
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
ÉDERSON DA CRUZ
AUTORIA
Éderson da Cruz
Olá! Sou formado em Letras pela UNISINOS e Doutor em Educação
pela mesma instituição. Ainda, sou especialista em Gestão Escolar –
Orientação e Supervisão pela Faculdade São Luís, e Pedagogo pela UFRGS,
com mais de 10 anos de experiência técnico-profissional nas áreas de
Letras, Linguagens e Educação. Passei por instituições públicas (estaduais
e municipais) e privadas, de Educação Infantil, Ensino Fundamental e
Médio, Ensino Técnico e Ensino Superior, no Estado do Rio Grande do
Sul, atuando como docente e como supervisor escolar. Sou apaixonado
pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que
estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidado pela Editora
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito
feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Neste
material, estudaremos os fundamentos do ensino da Arte. Você verá que
a Arte, além de ser uma forma de expressão, é um campo de saber rico
e conectado com nossa realidade de diferentes formas, possibilitando o
gosto estético e a possibilidade de repensar como percebemos o mundo.
Vamos nessa? Conte comigo para o que precisar. Bons estudos!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez
que:

OBJETIVO: DEFINIÇÃO:
para o início do houver necessidade
desenvolvimento de de se apresentar um
uma nova compe- novo conceito;
tência;

NOTA: IMPORTANTE:
quando forem as observações
necessários obser- escritas tiveram que
vações ou comple- ser priorizadas para
mentações para o você;
seu conhecimento;
EXPLICANDO VOCÊ SABIA?
MELHOR: curiosidades e
algo precisa ser indagações lúdicas
melhor explicado ou sobre o tema em
detalhado; estudo, se forem
necessárias;
SAIBA MAIS: REFLITA:
textos, referências se houver a neces-
bibliográficas e links sidade de chamar a
para aprofundamen- atenção sobre algo
to do seu conheci- a ser refletido ou dis-
mento; cutido sobre;
ACESSE: RESUMINDO:
se for preciso aces- quando for preciso
sar um ou mais sites se fazer um resumo
para fazer download, acumulativo das últi-
assistir vídeos, ler mas abordagens;
textos, ouvir podcast;
ATIVIDADES: TESTANDO:
quando alguma quando o desen-
atividade de au- volvimento de uma
toaprendizagem for competência for
aplicada; concluído e questões
forem explicadas;
SUMÁRIO
Conceito de Arte........................................................................................... 12
O que é Arte?....................................................................................................................................... 13

À Procura da Arte............................................................................................................................. 16

A Arte Como Produção Humana e Histórica................................................................ 17

Natureza da Arte........................................................................................... 22
Filosofia da Arte: Estética e Poética.................................................................................... 22

Mímesis....................................................................................................................................................23

Diegésis...................................................................................................................................................24

Poiésis.......................................................................................................................................................25

Poesia não é Poema: Poesia é Arte....................................................................................25

Tékne.........................................................................................................................................................26

Tudo é Arte?.........................................................................................................................................26

Kitsch.........................................................................................................................................................27

Os Lugares do Emissor e do Receptor na Criação Artística.............................28

Linguagem Artística.................................................................................... 32
A Linguagem da Arte.....................................................................................................................32

O Arranjo pode Mudar a Realidade.................................................................33

O Artista Serve de Antena.......................................................................................34

A Supra-Realidade Criada pela Obra de Arte..........................................35

A Elaboração Especial dos Significados..................................................... 36

Elementos da Obra de Arte......................................................................................................37

Denotação..........................................................................................................................37

Conotação......................................................................................................................... 38
Obras Artísticas e Obras não Artísticas........................................................................... 39

Modalidades Artísticas.............................................................................. 41
Artes Visuais.........................................................................................................................................42

Elementos das Artes Visuais.................................................................................42

Literatura.................................................................................................................................................43

Elementos da Literatura...........................................................................................44

Música......................................................................................................................................................44

Elementos da Música.................................................................................................44

Teatro........................................................................................................................................................45

Elementos do Teatro...................................................................................................45

Dança........................................................................................................................................................45

Elementos da Dança..................................................................................................45

Cinema.................................................................................................................................................... 46

Elementos do Cinema.............................................................................................. 46

Como Ler uma Obra de Arte....................................................................................................47

Leitura Formal..................................................................................................................47

Leitura Interpretativa...................................................................................................47

Contextualização Histórica.....................................................................................47
Metodologia do Ensino da Arte 9

01
UNIDADE
10 Metodologia do Ensino da Arte

INTRODUÇÃO
Há um filme no qual os personagens conversam sobre uma pintura,
e um deles não consegue entender, naquelas formas de abstração, o que
seria a arte. O outro, apreciador de obras clássicas, diz que a arte é a forma
de registrar nossa passagem pela Terra. Será? A arte está praticamente em
todo lugar: nas paredes, nas construções, nos movimentos, na linguagem,
no corpo humano. Mas, o que será que diferencia a arte das demais
atividades humanas? De modo geral, arte é técnica, porém funções do dia
a dia também exigem técnica. Podemos dizer que arte é linguagem. Mas
uma notícia não é artística e também é linguagem. Podemos dizer que a
arte é aquilo que nos toca. Mas tragédias da vida real também podem nos
tocar! Percebe como definir arte pode ser fácil e complicado ao mesmo
tempo? Se nós, pessoas com experiências de vida mais plurais, temos essa
dificuldade, imagine, então, numa sala de aula! Por isso, nesta disciplina
abordaremos não somente os conceitos importantes para se pensar a
arte, mas também veremos possibilidades, por meio do ensino da arte
em sala de aula, produzir conhecimentos e aprendizagens. Entendeu? Ao
longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo!
Metodologia do Ensino da Arte 11

OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o
término desta etapa de estudos:

1. Identificar o conceito de Arte.

2. Descrever a natureza da Arte.

3. Demonstrar a linguagem artística e suas características.

4. Classificar as modalidades artísticas.

Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao


conhecimento? Ao trabalho! Não se esqueça de que, como popularmente
se costuma dizer, a persistência é o caminho para o sucesso. Estabeleça
uma rotina de estudos, tenha à mão um bom dicionário (recomendo o
Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa) e material (físico ou virtual)
para anotações. Não desanime, em caso de dúvidas e dificuldades: utilize
esse material e sua vontade de aprender como seus aliados. Tenha certeza
de que, ao final desse estudo, você estará habilitado, com as ferramentas
teóricas necessárias para desbravar o mundo das artes com confiança!
12 Metodologia do Ensino da Arte

Conceito de Arte

OBJETIVO:

Ao final deste capítulo, você será capaz de entender que


arte é um termo bastante polissêmico. Isso fará toda a
diferença em sua atuação profissional, uma vez que a arte
faz parte do dia a dia da escola. E então? Motivado para
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!.

Figura 1 – Conceito de arte

Fonte: Freepik
Metodologia do Ensino da Arte 13

O que é Arte?
Existem várias formas de se conceituar a arte, nem todas de acordo
entre si. Algumas delas , por vezes, podem até mesmo ser contraditórias.
De modo geral, pode-se dizer que todas apontam para algumas funções
da arte:

•• Formar uma visão de mundo.

•• Transformar a natureza.

•• Transformar a cultura.

•• Interpretar a realidade.

•• Expressar uma visão do mundo.

Segundo Robert Cumming (1996), a função de uma grande obra


de arte, as expectativas nela depositadas e o papel do artista não são
constantes, variam conforme a época e a sociedade. Contudo, algumas
obras se destacam por terem a necessidade de falar de algo além de
sua própria época e oferecem uma inspiração e um significado que
atravessam os tempos.
Antes da Renascença, o artista era considerado um
artesão, e uma obra-prima era um trabalho submetido
à sua corporação profissional como prova de que ele
dominava as habilidades técnicas necessárias. Contudo,
os grandes mestres da Renascença propuseram que o
artista deveria ser julgado mais pelas suas qualidades do
que por sua perícia manual. Hoje, o conceito de obra-prima
está estreitamente ligado ao de um grande museu, onde
tesouros artísticos são exibidos para que todos possam
vê-los (CUMMING, 1996, p. 8).

Perceba, caro aluno, que o conceito de arte é algo que, como a


própria definição de obra-prima, atravessa os tempos e pode se modificar.
O que não se modifica é o valor artístico de uma obra, sua capacidade
polissêmica e inusitada de provocar diferentes reações de sentido em
nós, e de ser lida e relida ao longo dos tempos.
14 Metodologia do Ensino da Arte

Um mesmo tema, pelos olhos da arte, pode ser submetido


a diferentes interpretações. As expressões, a técnica, as noções de
movimento, os sons, as feições, a matéria-prima, tudo fala pela obra
artística, podendo ser considerado como elemento interpretativo.

A obra de arte pode ser carregada de significados, e desafiar nossa


sensibilidade.

A arte é uma atividade, um trabalho, uma criação que transforma e


que interpreta nosso mundo.

Por isso, o artista promove determinadas formas e arranjos. Arranjos


de linguagens e de cores no caso da pintura e da escultura; arranjos
sonoros, no caso da música; arranjos de movimento, no caso da dança;
arranjos de sons, imagens, cores, formas, movimento, no caso do cinema,
do teatro, da dança, da fotografia; arranjos de palavras, no caso da
literatura.

Por meio da arte, o artista pode recriar a realidade, conforme aquilo


em que acredita, ou ainda, conforme aquilo que nos é dado perceber.
Podemos perceber simplicidade, tristeza etc. Numa obra artística,as
pessoas realizam leituras completamente distintas. No Dicionário Aurélio
(2008), encontramos a seguinte definição para arte:
1. Capacidade humana de criação e sua utilização com
vistas a certo resultado, obtido por diferentes meios:
arte da caça; arte de dominar o fogo; arte de compor
poemas etc. 2. Artes plásticas. 3. Os preceitos necessários
à execução de qualquer arte. 4. Habilidade; engenho. 5.
Ofício (em especial, nas artes manuais). 6. Maneira, todo. 7.
Travessura. [...] Artes plásticas. Artes que se manifestam por
meio de elementos visuais e táteis, tais como o desenho, a
pintura, a escultura etc. belas artes, arte (FERREIRA, 2008,
p, 143).

Perceba a quantidade de significados que o dicionário traz para um


único termo. Na busca interessada por compreender as coisas, em saber
seu sentido, quase sempre encontramos vários caminhos. Podemos
buscar explicações lógicas, científicas, baseadas em nossa vivência ou
em crenças.
Metodologia do Ensino da Arte 15

Em meio a toda essa diversidade, como explicar a noção de arte?


Uma palavra, por pertencer a uma determinada linguagem, pode ser
manipulada pelo autor de uma obra, como um escritor, por exemplo.
Em um espetáculo teatral, encontramos atores, sonoplastas, figurinistas,
iluminadores, e tantos outros artistas que são importantes para a
construção de um produto cultural, que tornam possível que múltiplas
linguagens estejam reunidas num mesmo espaço para transmitir uma
mensagem.

A arte é uma linguagem que constantemente se reinventa para


construir, conhecer, expressar questões humanas. No entanto, realizada
de diversos modos e formas, por vezes, a arte faz e provoca perguntas ao
invés de apresentar respostas. O artista cria com base em suas ideias
e intenções, mas quem aprecia a obra de arte também cria por meio de
suas interpretações. Não há como estabelecer uma verdade absoluta
sobre o que as obras de arte querem, aparentemente dizer, porque
sempre haverá interpretações diferentes de quem as olha, prova, toca ou
ouve, seja espectador leigo ou apreciador de arte.

Para compreender a arte, é necessário que nos deixemos levar


por seu teor poético, por aquilo que ela nos provoca, e entremos num
universo de sentimentos, pensamentos e sensações que ela nos propõe,
desprovidos de respostas prontas e verdades preestabelecidas. Conhecer
arte é observar, sentir e permitir-se descobrir o inesperado.

O papel da arte varia conforme a época, o lugar ou a cultura. A


maneira como nos relacionamos com a arte também está sempre sendo
modificada. Encontrar respostas para essa pergunta pode parecer difícil,
mas pode-se estabelecer algumas pistas, observando-se a própria arte.

Ao longo do tempo, criamos diferentes modos de fazer arte, por


diferentes razões. Na atualidade, as formas são ainda mais variadas, o que
mostra que a cultura se encontra em constante movimento – em fluxos
de pensamentos, valores e gostos.
16 Metodologia do Ensino da Arte

À Procura da Arte
Museus, casas de espetáculos, galerias, centros culturais,
exposições, pontos de cultura etc. são lugares determinados para que
encontremos a arte. No entanto, não é somente nesses lugares que a
encontramos.

Os lugares que mencionamos são extraordinários para que tenhamos


contato com diferentes formas artísticas, e é muito importante frequentá-
los, porém, a arte pode estar mais perto do que imaginamos. Andando
pelas ruas de uma cidade, podemos encontrar obras arquitetônicas
históricas ou contemporâneas, esculturas, mosaicos, pinturas em grafites
e, mais raramente, artistas realizando performances ou intervenções
urbanas.

Na atualidade, as cidades oferecem espaços para espetáculos de


rua nas linguagens da dança, do teatro, das artes visuais e da música,
abertos a toda a população. Além disso, pode-se ter acesso a acervos
virtuais de museus e galerias do mundo todo por meio da internet, no
computador, em tablets e em celulares. Há muitos espaços de arte fora
de instituições culturais. A arte é um elemento que gosta de estar perto
do povo.

Na arte contemporânea, muitas linguagens inovam na forma de


criação artística, assim como na maneira de encontrar o público, como no
caso das intervenções urbanas, por exemplo.

VOCÊ SABIA?

A intervenção urbana é uma forma de arte que, geralmente,


é realizada em áreas centrais de grandes cidades. Consiste
em uma interação com objetos artísticos ou com espaços
públicos, objetivando tornar perceptível o objeto de arte.
Metodologia do Ensino da Arte 17

A Arte Como Produção Humana e


Histórica
Também é importante considerar que muito do que hoje chamamos
de arte, na época em que foi criado, não tinha tal definição. Um exemplo
são as pinturas rupestres (feitas em cavernas) na Pré-História, que até os
dias de hoje geram discussão entre historiadores, sobre as intenções que
levaram seus autores a fazê-las. Não há como ter certeza. Talvez, o que
é considerado arte na atualidade, naquela época podia ter uma função
“mágica”, textual, de ensino etc.
Assim como as pinturas rupestres, o que hoje chamamos de arte
egípcia, também era utilizado com o intuito de eternizar a vida após a
morte. Os escultores criavam rostos com os mais diferentes materiais, para
que as pessoas continuassem a viver além-túmulo. Segundo estudiosos,
a noção de escultor, no Egito antigo, tinha a ver com aquele que mantinha
algo vivo.
Na Antiga Grécia, especialmente nos períodos denominados como
clássico e helênico, a arte resulta da percepção sensível do mundo e sua
representação se dá por meio da ideia de beleza da concepção cultural
da época.
Durante a Idade Média (séculos V a XV), ocorre o retorno das funções
religiosas na arte e na cultura ocidental. A arte é colocada a serviço da
Igreja Católica na criação de templos, imagens, músicas e esculturas.
No período Renascentista (séculos XV até o XVI), o interesse se volta
para as questões humanas e os ideais de beleza clássica, resgatando-se
técnicas artísticas gregas do passado. A função da arte, então, assumiu
diferentes caminhos: os artistas buscavam representar a realidade a partir
de um olhar mais científico e relacionavam diferentes conhecimentos à
linguagem artística.
Nos séculos posteriores, outras correntes artísticas foram surgindo
na cultura do ocidente, para criar tensões entre tradições e rupturas
estéticas, o que provocou mais debates sobre o que seria arte.
18 Metodologia do Ensino da Arte

Durante o período do Neoclassicismo, os artistas buscavam


escolher grandes temas para a criação artística, de modo a exaltar valores
como o heroísmo e a moralidade.

VOCÊ SABIA?

O Neoclassicismo foi um movimento cultural do século


XVIII e de parte do século XIX, que defendia uma retomada
da arte antiga, em especial, a arte clássica. Essa era
considerada modelo de equilíbrio, clareza e proporção. O
movimento teve fortes influências do estilo renascentista,
especialmente nas questões técnicas e nas composições
de pinturas. Esse estilo se manifestou sob diversas
linguagens, como pintura, arquitetura, escultura e literatura.

No período do Romantismo, já eram perceptíveis os ares de


mudança estética em relação às concepções de arte e de beleza que
viriam depois. Nessa corrente de estilo, o sentimento é considerado mais
importante do que as normas da criação.

VOCÊ SABIA?

O Romantismo foi um estilo artístico que se desenvolveu


entre os séculos XVIII e XIX, em diferentes linguagens
artísticas, como a literatura, a música, a pintura, a escultura e
o teatro. Trazia uma visão idealista e romântica sobre a vida,
valorizando mais as emoções, subjetividades, e intuições
dos seres humanos, em detrimento da razão.

Durante o Realismo, a pintura propôs representar a vida o mais


próximo possível de sua exatidão. Os artistas retratavam pessoas em seu
cotidiano, e também em situações sociais na época.
Metodologia do Ensino da Arte 19

VOCÊ SABIA?

O Realismo foi um movimento artístico e literário que


surgiu na França, em meados do século XIX, como forma
de reação à arte neoclássica, que representava narrativas
idealizadas. Os realistas procuraram apresentar na arte
a vida em pleno aspecto social e histórico, com foco na
realidade. Desenvolveu-se nas artes visuais, com temas
como trabalhadores do campo, das cidades, pessoas
simples do povo etc.

No fim do século XIX e no início do século XX, as concepções de


beleza foram questionadas, e o mundo se transformou de forma veloz
diante dos acontecimentos e das conquistas industriais e tecnológicas.
A maioria dos artistas assistiu a essas mudanças participando delas
ativamente, questionando a vida, a arte e a sociedade. Entre os
movimentos que marcaram esse momento, o Expressionismo rompeu
com as concepções de beleza clássica, com cores, formas e temas que
falavam da existência humana.

VOCÊ SABIA?

O Expressionismo foi um movimento artístico do início do


século XX. Em meio a conflitos e guerras, seus artistas
refletiam sobre as condições sociais da existência.

Refletindo sobre a arte na perspectiva do Dadaísmo, artistas


buscaram outras formas de linguagens e de materialidades
para expressar ideias e conceitos novos na arte.
20 Metodologia do Ensino da Arte

VOCÊ SABIA?

O Dadaísmo foi um movimento que surgiu durante a Primeira


Guerra Mundial, no qual os artistas e os intelectuais se
posicionaram de modo crítico sobre a cultura ocidental do
início do século XX, em meio a contradições sociais entre
avanços tecnológicos e a barbárie da guerra. Era uma forma de
tornar a arte um manifesto, buscando romper fronteiras entre
linguagens, delimitações de materiais ou regras artísticas.

RESUMINDO:

Neste capítulo, você aprendeu que:

•• A arte é um conceito bastante polissêmico,


histórico e vinculado às culturas e formas de ver o
mundo. Está relacionada às formas como o homem
percebe a realidade que o cerca.
•• Nem tudo o que hoje é considerado arte sempre
foi. O que hoje é um objeto artístico, no contexto de
sua construção, podia ter outras finalidades, como
religiosa, moral, narrativa etc.
•• A arte foi sendo modificada ao longo dos tempos.
Desde os antigos gregos, até os dadaístas do início
do século XX, a arte manifestou diferentes valores e
formas de ver o mundo, conectada às necessidades
humanas daquele tempo, porém transmitindo
valores e possibilidades interpretativas diferentes
ao longo dos tempos.
Metodologia do Ensino da Arte 21

SAIBA MAIS:

Caso queira se aprofundar no assunto, continue seus


estudos e fortaleça suas aprendizagens por meio dos
seguintes vídeos:
•• GCFAprendeLivre. 2019. O que é Arte? Você pode
acessá-lo clicando aqui.
•• Ciência Maluca do Himalaia. S/d. A História da Arte.
Você pode acessá-lo clicando aqui.
22 Metodologia do Ensino da Arte

Natureza da Arte

OBJETIVO:

Ao final deste capítulo, você será capaz de entender que a


arte, criação humana, é um elemento temporal e, portanto,
que sua natureza é essencialmente subjetiva. Isso fará toda
a diferença em sua atuação profissional, uma vez que a arte
faz parte do dia a dia da escola. E então? Motivado para
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!.

Figura 2 – Natureza da Arte

Fonte: Freepik

Filosofia da Arte: Estética e Poética


A Estética é um ramo de discussão filosófica, que atua na
reflexão sobre o papel da arte na vida, sua natureza, seus valores e suas
concepções, discutindo compreensões de beleza ao longo dos tempos.
Metodologia do Ensino da Arte 23

A Poética, por sua vez, é um ramo da Filosofia da Arte que estuda


a qualidade das obras artísticas em função de seu contexto de produção,
o que expressam e o que provocam na sociedade. Segundo os gregos
antigos, havia normas para se dizer também que a poética é o modo único
com que se faz as coisas, ou ainda, o jeito peculiar com que se faz arte. A
poética representaria, desse modo, as ideias dos artistas.

Nessa base, estão os estudos sobre mímesis, ideias que foram


discutidas por filósofos gregos como Platão (427-347 a. C.) e por Aristóteles
(384-322 a. C.).

Em seus discursos, Platão afirmava que a arte é uma mímesis da


vida, como a sombra de um reflexo. Essa palavra (mimese, em português),
apresenta a noção de imitação, cópia, representação ou reprodução. Para
Platão, a mímesis artística era a representação da natureza, mas como
uma cópia, como um reflexo da vida. E a vida, era também um reflexo do
mundo das ideias. Desse modo, a arte seria uma cópia da cópia.

Aristóteles, por sua vez, dizia que a arte era a representação da


vida como uma manifestação poética do ser humano, defendendo que o
conhecimento surge da percepção dos sentidos. Os artistas criam a arte
por meio da poética. A arte imita a vida, porém, de modo mais belo.

Essas ideias ainda hoje são estudadas para se tentar compreender


a natureza estética e poética da arte, e as concepções de beleza de
Aristóteles influenciaram muitos períodos da história da arte. Essa função
poética foi estudada pelos gregos antigos, sendo investigada até hoje em
razão da necessidade de compreensão do que é arte e por que a fazemos.

Mímesis
O termo mímesis é um termo filosófico e crítico que abrange vários
significados, tais como imitação, representação, semelhança, mímica,
expressão e representação do eu. Trata-se de uma figura retórica com
base no discurso direto da imitação do gesto, voz, ações, ou palavras do
outro. Essa imitação, segundo o pensamento aristotélico, representaria o
fundamento de toda arte.
24 Metodologia do Ensino da Arte

A noção de mímesis surgiu com o filósofo Platão, que tentou definir


esse vocabulário em seus diálogos sobre a natureza da arte. Porém, não
conseguiu estabelecer um sentido fixo para a palavra. Aristóteles, em sua
obra A arte poética, atribui à mímesis dois sentidos: imitação e emulação.

Ambos os filósofos gregos viam na mímesis uma forma de


representar o universo perceptível. No entanto, Platão via toda a natureza
como uma imitação. A natureza verdadeira seria oriunda do plano das
ideias. Assim, o mundo físico seria uma imitação secundária.

Aristóteles, por sua vez, via o drama como a imitação de uma ação.
Como ele questionava o mundo das ideias, valorizava a arte como uma
forma de representação do mundo. Dessa discussão, originou-se a poética.

Pelos gregos antigos, a natureza de uma obra de arte estaria na


imitação, sendo que os elementos abstratos, por não se assemelharem ao
mundo concreto, não seriam artísticos. Tais concepções são refutadas na
atualidade, pois se acredita que, embora a pintura abstrata apresente uma
outra forma de ver o mundo, ainda assim, ela pode representar elementos
concretos e da natureza.

Diegésis
A diegésis, ou diegese, surgiu com os gregos, tendo em Platão
o sentido de ser um relato de uma história pelas palavras do próprio
relator, como forma de oposição à mimese dessa história por meio da
recorrência ao relato de personagens. Sócrates, por sua vez, estabeleceu
uma relação de oposição entre mimese e diegése, diferenciando-se pela
situação em que o poeta é um locutor que assume sua própria identidade
e na situação em que o poeta cria a ilusão de ser o locutor. O conceito,
atualmente, tem sido bastante usado, especialmente, na área da sétima
arte, o cinema.
Metodologia do Ensino da Arte 25

EXPLICANDO MELHOR:

Diegése é um conceito que funcionaria como uma espécie


de antônimo para mimese. Enquanto essa última estaria
vinculada à imitação da realidade, a primeira estaria
vinculada ao relato da realidade. Ambas aconteceriam por
meio da arte e da literatura.

Poiésis
Poiésis é um termo de origem grega, usado, inicialmente, para
designar um processo criativo e, depois, o processo de criação de um
poema. Desde sua ideia até sua materialidade. Para Platão, a Poiésis
representava a forma de se atingir a imortalidade.

Poesia não é Poema: Poesia é Arte


A poesia é um conjunto de características e técnicas de elaboração
artística; o poema é uma das manifestações concretas da poesia. A noção
de poesia está ligada ao grego poiésis, que era sinônimo de processo
criativo, e depois, passou a nomear o processo criativo da poesia. Também,
segundo Platão, poiésis designava os processos para se alcançar a
imortalidade.

Na atualidade, os significados de poiésis não se modificaram muito,


haja vista que, por meio da poesia, os homens se tornam imortais, uma
vez que suas criações artísticas falam por eles.

O poema é uma manifestação concreta da poesia, assim como a


dança, a música, o cinema, a literatura, o romance etc. Aquilo que atinge
a perfeição artística possui poesia; o poema cuja perfeição ultrapassa os
limites do cotidiano e do não artístico é um poema,seja ele haicai, soneto,
ode, balada etc., carregado de poesia.
26 Metodologia do Ensino da Arte

Tékne
A palavra tékne significa, em grego, técnica ou arte. A tékne é um
elemento que emerge da experiência individual e passa da experiência
à tékne quando se generaliza as experiências individuais num
conhecimento de coisas, de experimentação.

Tudo é Arte?
Ao nosso redor, nos objetos, também há pensamento estético e
artístico. O termo “arte” está ligada à noção de tékne e surge da concepção
de que o ser humano sempre faz coisas, desde sua origem. No entanto, a
arte não é unicamente uma técnica de se fazer coisas, mas necessita de
um sentido ou de uma intenção. Não existe uma função do cotidiano na
arte, mas uma função estética, poética e artística.

No nosso dia a dia, há diversos objetos criados com a intenção de


agradar aos olhos, assim como aos demais sentidos, porém tais objetos
têm uma dimensão cotidiana e servem para se conectar ao nosso mundo
real. Embora haja neles um pensamento estético, isso não significa que
sejam arte.

Hoje, vemos que cada vez mais os meios de comunicação


dominam o nosso dia a dia e nossa cultura. Não há como negar que eles
facilitam a vida. Porém, os objetos, em seu uso cotidiano, não podem ser
considerados arte.

Há movimentos que ressignificam esses objetos, tais como a Pop


Art, que marca, na história da arte, um movimento de protesto. Por meio
dela, começou-se a dialogar sobre a relação entre arte e estilo de vida,
sendo sua discussão bastante abrangente a partir da segunda metade
do século XX. Ela também ofereceu a possibilidade de refletirmos sobre
a fama que as mídias desencadeiam, no momento em que os meios de
comunicação ofereceram imagens em cores e movimento de formas
nunca vistas até então.
Metodologia do Ensino da Arte 27

SAIBA MAIS:

A Pop Art surge no início da década de 1960, quando


muitos artistas passaram a questionar o crescimento dos
meios de comunicação em massa, como a televisão, um
aparelho que possibilitou novas formas de apresentar
produtos de consumo. A publicidade começava a conduzir
as escolhas pessoais e, nesse cenário, a Pop Art vem como
um movimento artístico que se utiliza da cultura de massa
de forma crítica.

Kitsch
O termo kitsch surgiu da língua alemã, possuindo um significado
até hoje não muito claro, porém, relacionado com as artes. É usualmente
empregado nos estudos de estética para nomear uma forma de
arte considerada vulgar, barata, brega e sentimental, que copiaria os
elementos de uma cultura e de uma arte mais eruditas sem nenhum
critério e profundidade. Essa apropriação se destinaria exclusivamente
para o consumo, sendo essa forma de arte considerada uma distorção
dos objetos originais.

Essa forma de cultura e de arte estaria associada não a um ideal


artístico partido do artista, mas a uma preocupação em imitar elementos
artísticos para serem consumidos, sendo a preocupação maior o fato de
quem o consumirá, e não o conteúdo ou a estética do objeto.

Trata-se de uma expressão figurativa, sendo difícil de ser detectada,


por exemplo, nas artes abstratas, pois para exercer seu efeito, necessitaria
de um conteúdo narrativo.

Alguns pesquisadores definem o kitsch como uma atitude de


complacência e supressiva do senso crítico, estendida não somente a
arte, mas a outras áreas, como religião, política, erotismo etc.

Também, o kitsch pode ser considerado como um produto da


industrialização, refém da cultura de massas, sendo um fenômeno de
28 Metodologia do Ensino da Arte

largo alcance e que movimenta uma indústria milionária, legitimada pelo


público que a consome.

O termo surgiu entre os pintores alemães do final do século XIX,


associado ao amontoado de detritos nas ruas e bairros.

Os Lugares do Emissor e do Receptor na


Criação Artística
Se não há obra de arte sem um artista, também podemos dizer
que não há arte sem um receptor. A relação entre esses dois elementos,
emissor (artista) e receptor, é fundamental para que um determinado
objeto se constitua como obra de arte.

A criação artística pode ser livre, individual e subjetiva, submetida


à vontade do autor; porém, não é possível que o artista desconsidere
um possível receptor para sua obra; por isso, há uma relação complexa
entre aquele que cria e aquele que vê, uma vez que ambas as ações são
subjetivas.

Nesse exercício entre criação e recepção, a obra de arte pode atingir


sentidos diferentes daqueles esperados por seu criador e surpreender o
receptor em relação às diferentes formas de interpretação.

Também, sendo arte uma linguagem, é, portanto, um sistema


semântico, cuja conotação se vincula à questão das diferenças sociais.

Desse modo, também se pode afirmar que só há produção artística


onde há um povo, pois, a arte, além dos elementos anteriormente
mencionados, está vinculada também ao desenvolvimento das culturas.

Sua matéria, portanto, é cultural, pois o artista retira de seu mundo


elementos que buscam representar totalidades coesivas que possam
alcançar os diferentes tipos de receptores.

Podemos dizer, também, que a arte se constitui de uma maneira


bem singular, abrangendo um emaranhado de características que a
definem como obra de arte.
Metodologia do Ensino da Arte 29

A criação artística, embora se utilize das bases culturais da


linguagem, as ressignifica, dando a elas outras formas e outros sentidos,
diferenciando a linguagem artística da não artística, ou a conotação da
denotação. Isso é importante porque a arte não tem o compromisso de
estabelecer padrões estéticos, como muitos podem afirmar, mas criar
outras possibilidades linguísticas que diferenciem o real do ficcional, o
artístico do não artístico. Observe o texto a seguir:
Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes,
Gregório Samsa deu por si na cama transformado num
gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão
duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um
pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho
dividido em duros segmentos arqueados, sobre o qual
a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a
ponto de escorregar. Comparadas com o resto do corpo,
as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas,
agitavam-se desesperadamente diante dos seus olhos.

Que me aconteceu? – pensou. Não era nenhum sonho.


O quarto, um vulgar quarto humano, bastante acanhado,
ali estava, como de costume, entre as quatro paredes
que lhe eram familiares. Por cima da mesa, onde estava
deitado, desembrulhada e em completa desordem, uma
série de amostras de roupas: Samsa era caixeiro-viajante,
estava pendurada a fotografia que recentemente recortara
de uma revista ilustrada e colocara numa bonita moldura
dourada. Mostrava uma senhora, de chapéu e estola de
peles, rigidamente sentada, ao estender ao espectador
um enorme regalo de peles, onde o antebraço sumia!
Gregório desviou então a vista para a janela e deu com o
céu nublado – ouviam-se os pingos de chuva a baterem na
calha da janela e isso o fez sentir-se bastante melancólico.
Não seria melhor dormir um pouco e esquecer aquele
delírio? - Cogitou. Mas era impossível, estava habituado a
dormir para o lado direito e, na presente situação, não podia
virar-se. Por mais que se esforçasse por inclinar o corpo
para a direita, tornava sempre a rebolar, ficando de costas.
Tentou, pelo menos, cem vezes, fechando os olhos, para
evitar ver as pernas a debaterem-se, e só desistiu quando
começou a sentir no flanco uma ligeira dor entorpecida
que nunca experimentara. Oh, meu Deus, pensou, que
trabalho tão cansativo escolhi! Viajar, dia sim, dia não. É
um trabalho muito mais irritante do que o trabalho do
30 Metodologia do Ensino da Arte

escritório propriamente dito, e ainda por cima há ainda o


desconforto de andar sempre a viajar, preocupado com
as ligações dos trens, com a cama e com as refeições
irregulares, com conhecimentos casuais, que são sempre
novos e nunca se tornam amigos íntimos. Diabos levem
tudo isto! Sentiu uma leve comichão na barriga; arrastou-
se lentamente sobre as costas – mais para cima na cama,
de modo a conseguir mexer mais facilmente a cabeça,
identificou o local da comichão, que estava rodeado de
uma série de pequenas manchas brancas cuja natureza
não compreendeu no momento, e fez menção de tocar
lá com uma perna, mas imediatamente a retirou, pois,
ao seu contato, sentiu-se percorrido por um arrepio gela
do. Voltou a deixar-se escorregar para a posição inicial.
Isto de levantar cedo pensou, deixa a pessoa estúpida.
Um homem necessita de sono. Há outros comerciantes
que vivem como mulheres de harém. Por exemplo,
quando volto para o hotel, de manhã, para tomar nota
das encomendas que tenho, esses se limitam a sentar-se
à mesa para o pequeno almoço. Eu que tentasse sequer
fazer isso com o meu patrão: era logo despedido. De
qualquer maneira, era, capaz de ser bom para mim —
quem sabe? Se não tivesse de me aguentar, por causa dos
meus pais, há muito tempo que me teria despedido; iria
ter com o patrão e lhe falar exatamente o que penso dele.
Havia de cair ao comprido em cima da secretária! Também
é um hábito esquisito, esse de se sentar a uma secretária
em plano elevado e falar para baixo para os empregados,
tanto mais que eles têm de aproximar-se bastante, porque
o patrão é ruim de ouvido. Bem, ainda há uma esperança;
depois de ter economizado o suficiente para pagar o que
os meus pais lhe devem — o que deve levar outros cinco
ou seis anos —, faço-o, com certeza. Nessa altura, vou me
libertar completamente. Mas, para agora, o melhor é me
levantar, porque o meu trem parte às cinco (KAFKA, 2017,
p. 2-3).

O trecho de texto literário trazido exemplifica o que estamos


abordando acerca do fenômeno literário: Samsa é um personagem que
representa um homem comum do mundo real, que trabalha, dorme e
pode ter pesadelos. No entanto, algo de extraordinário aconteceu com
ele, pois ao acordar, percebeu que estava transformado num grande
inseto! Esse item, além de transportar a obra para um realismo fantástico,
Metodologia do Ensino da Arte 31

também se constitui num divisor de águas entre a linguagem conotativa e


denotativa, marcando a literariedade da obra.

Além disso, pelo que se percebe, o personagem está inserido dentro


de uma cultura possível, a cultura moderna, ou capitalista/industrial. Esse
contato do texto literário com o mundo real, transportado para a ficção,
cria diferentes expectativas no leitor, levando-o a perceber, inclusive, os
sentimentos do personagem e transportar-se para dentro da história.

RESUMINDO:

Neste capítulo, você aprendeu que:

•• A natureza da obra de arte é algo complexo,


que vem sendo discutido desde os gregos, com
conceitos como mimese, poiésis, tékne etc.

•• A arte pode estar em todo lugar, mas nem tudo é


arte.

•• A arte não pode ser considerada como algo apenas


erudito. A Pop Art, inspirada na cultura de massa, e
a Kitsch, que traduz ou imita arte erudita de forma
descriteriosa para o gosto popular são exemplos
da flexibilidade dos processos artísticos.
32 Metodologia do Ensino da Arte

Linguagem Artística

OBJETIVO:

Ao final deste capítulo, você será capaz de entender que a


arte é uma linguagem com características próprias. Isso fará
toda a diferença em sua atuação profissional, uma vez que a
arte faz parte do dia a dia da escola. E então? Motivado para
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!.

Figura 3 – Linguagem artística

Fonte: Freepik.

A Linguagem da Arte
Não é muito difícil ouvirmos pessoas dizerem não ter gostado de
determinado tipo de livro, quadro ou filme, afirmando coisas como “Acho
José de Alencar muito chato.”, “Não entendo esses rabiscos de Pablo
Picasso.”,“Como posso gostar se não entendo?”, “Não sei o que a crítica viu
nisso, achei péssimo!”
Metodologia do Ensino da Arte 33

Por que o público não tem o mesmo gosto para arte dos críticos ou
dos intelectuais? Teriam estes últimos uma percepção melhor?

Há determinadas obras de arte que os alunos só passam a


gostar depois que o professor explica. Outros, ainda, nem chegam a ser
explorados. E como fica isso? Gosto se discute e se aprende? A resposta
é “com certeza”: gosto se discute, pode ser mudado, pode-se aprender a
gostar de algo. Tudo é uma questão de treino e de ambiente.

O Arranjo pode Mudar a Realidade


O que chamamos de “belo artístico” nem sempre é somente aquilo
que retrata a beleza. Qualquer tipo de assunto ou tema pode servir de
inspiração para uma obra de arte, desde que seu autor transmita por meio
dela uma emoção.
As palavras estão em nosso mundo, à disposição de qualquer
pessoa. O que as transforma em Arte é o arranjo – a relação nova
estabelecida entre elas. Vejamos um exemplo disso extraído da Literatura:
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija! (ANJOS, 2001, p. 61).
34 Metodologia do Ensino da Arte

Perceba que, se mantivermos a noção do belo como um elemento


apenas positivo, jamais perceberemos a beleza desses versos, que se
tornam uma obra literária autêntica pelo choque que o arranjo de palavras
nos causa, assim como a atmosfera de desprezo pela humanidade que
ele nos passa.

O Artista Serve de Antena


A arte tem como matéria-prima a própria vida. O artista percebe
o mundo como se tivesse antenas. Transmite, comunica, ajuda o ser
humano a conhecer o outro melhor, assim como o mundo que o cerca.
Por meio da obra de arte, o sujeito pode conhecer outras faces do amor,
do ódio, da fome, da guerra, da morte etc.

Ao fantasiar a realidade, o artista imagina e elabora uma outra


realidade. Ele a imita e a devolve, na obra, como se fosse nova. Vamos ver
como isso acontece num poema?
De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espelhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, a angústia de quem vive,

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama,

Mas que seja infinito enquanto dure (MORAES, 2001, p. 101).

Observe, no poema, que o modo como vai se desenrolando o


texto, cria um sentido para fidelidade ao mesmo tempo semelhante com
Metodologia do Ensino da Arte 35

seu significado denotativo, mas também ampliando seus horizontes.


Trata-se da realidade captada pelo autor e devolvida ao leitor, conforme
mencionado anteriormente.

A Supra-Realidade Criada pela Obra de Arte


Conforme o filósofo Aristóteles (384-322 a. C.), o ser humano tem
como ação natural imitar, representar, criar imagens, a fim de experimentar
o próprio universo. Assim, a arte é uma forma de imitação da vida por meio
de palavras arranjadas de tal modo que formam uma espécie de supra-
realidade, isto é, uma realidade paralela. Observe:
Baby!

Dê-me seu dinheiro que eu quero viver

Dê-me seu relógio que eu quero saber

Quanto tempo falta para lhe esquecer

Quanto vale um homem para amar você

Minha profissão é suja e vulgar

Quero um pagamento para me deitar

E junto com você estrangular meu riso

Dê-me seu amor que dele não preciso!

Baby!

Nossa relação acaba-se assim

Como um caramelo que chega-se ao fim

Na boca vermelha de uma dama louca

Pague meu dinheiro e vista sua roupa

Deixe a porta aberta quando for saindo

Você vai chorando e eu fico sorrindo

Conte pras amigas que tudo foi mal (tudo foi mal!)

Nada me preocupa de um marginal (RAMALHO, on-line).

Perceba que a forma como as palavras estão arranjadas nessa letra


de canção nos remetem a uma determinada realidade, possível, mas que,
trazendo do contexto da canção para a vida real, nunca existiu.
36 Metodologia do Ensino da Arte

A Elaboração Especial dos Significados


A arte se utiliza de diferentes linguagens e formas, mas nem tudo o
que se utiliza de linguagem e tem forma é uma obra de arte autêntica. A
obra de arte, ao contrário das demais formas de linguagem não artísticas,
tem uma preocupação especial com cada significado que vai constituindo
em sua construção, mesmo que esse significado seja modificado por
aqueles que interpretam a obra. Por esse motivo, há uma diferença
gigantesca entre um boneco de pano e uma escultura; entre uma selfie
e uma fotografia artística; entre notícia de jornal e um romance; entre um
poema e uma receita de bolo. Veja:
Ingredientes:

2 conflitos de gerações.

4 esperanças perdidas.

3 litros de sangue fervido.

5 sonhos eróticos.

2 canções dos Beatles.

Modo de preparar:

Dissolva os sonhos eróticos nos dois litros de sangue


fervido e deixe gelar seu coração leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos de gerações às esperanças
perdidas corte tudo em pedacinhos e repita com as
canções dos Beatles o mesmo processo usado com os
sonhos eróticos mas dessa vez deixe ferver um pouco
mais e mexa até dissolver parte do sangue pode ser
substituído por suco de groselha mas os resultados não
serão os mesmos sirva o poema simples ou com ilusões
(BEHR, 1982, p. 25).

Perceba que, embora o texto tenha a estrutura do gênero textual


receita, sua compreensão só é possível por meio da interpretação
subjetiva, e da compreensão da linguagem literária. A forma como as
palavras estão arranjadas no texto, à primeira vista, lembram uma receita
tradicional. Mas, na medida em que vamos construindo os significados
do texto, percebemos que o arranjo de palavras do poema constitui sua
qualidade artística.
Metodologia do Ensino da Arte 37

Elementos da Obra de Arte


Veremos, a seguir, dois conceitos importantes para a compreensão
da linguagem artística: denotação e conotação.

Denotação
A denotação refere-se ao significado estabelecido socialmente
da realidade, àqueles significados objetivos, considerados práticos e
objetivos. Nesse caso, dizemos que as palavras estão em seu significado
primitivo, que informa o que é objetivo, concreto. Veja:
Ingredientes:

½ xícara (de chá) de manteiga.

½ xícara (de chá) de açúcar.

2 ovos.

1 ½ xícara (de chá) de farinha de trigo.

1 colher (de sopa) de fermento em pó.

1 pitada de sal.

¾ xícara (de chá) de leite.

1 colher (de chá) de essência de baunilha.

Modo de preparar:

Bata a manteiga e o açúcar por 15 minutos.

Junte os ovos, um a um, a farinha, o sal e o fermento


peneirados juntos.

Reserve.

À parte, misture o leite com a baunilha e acrescente à


massa reservada.

Bata bem.

Ponha a massa em uma forma untada.

Leve ao forno brando durante 1 hora.

Desinforme.

Sirva com o recheio e enfeitado a gosto (MARIA, 1985, [n.


p.])
38 Metodologia do Ensino da Arte

Receita, por ser um texto objetivo, pode ser seguida e realizada,


sem gerar várias possibilidades de interpretação, dado que os significados
das palavras que ela contém são dicionarizados. Da mesma forma, uma
fotografia tirada para um documento, um esboço de uma construção,
entre outros elementos, não podem ser considerados obras de arte. A
isso, chamamos de linguagem denotativa ou denotação da obra de arte.

Conotação
Dizemos que uma obra artística apresenta conotação/sentido
conotativo/ sentido figurado/ reinvenção da realidade quando ela
apresenta vários elementos que possibilitam mais de uma interpretação,
além de reações variadas de quem as admira ou analisa. O artista constrói
em sua obra a sua imagem de modo particular, expressando seus
sentimentos e emoções. Veja:
Desembarcamos

Os ferros foram lançados

No porto e nos pulsos

Enquanto fomos expulsos

Da vida e do continente

Estando sujeitos ao pulsar

De incríveis sentimentos

E ao sabor

Das ondas e das contingências

Rondamos em redor

Das continências dos guardas.

Depois da viagem

Da travessia e do enjoo

Nos colocaram em uma sala

Tiraram nossa roupa

E nos vestiram

Nos revestiram de oco


Metodologia do Ensino da Arte 39

E fizeram a chamada.

Ganhei um número de registro

E por um instante

Perdi as esperanças (POLARI, 1991, p. 39).

Esse poema, embora descritivo e baseado em fatos (o poeta


descreveu sua entrada no presídio de Ilha Grande, em 1971), conta
com uma descrição subjetiva dos fatos, marcada pela expressão dos
sentimentos do autor e pela continuidade dos sentidos do texto, que
devem ser atribuídos pelo leitor.

Obras Artísticas e Obras não Artísticas


Por meio da definição de denotação e conotação, podemos,
também, estabelecer os limites entre o artístico e o não artístico:

•• Obra de arte: tem arranjos especiais da estética e da linguagem,


a serviço da intencionalidade comunicativa do artista. São
carregados de sentimentos, sua linguagem é conotativa e a
interpretação, para que se efetive, parte da visão de mundo que
aquele que analisa ou que admira a obra. Desse modo, a obra
de arte possui significados múltiplos e possibilita mais de uma
interpretação.

•• Obra não artística: a estética e a linguagem estão a serviço da


objetividade, reguladas pelos jogos sociais e pelos contratos
de comunicação do mundo real. Sua linguagem tende a ser
objetiva, e seu sentido, denotativo, a fim de transmitir informações
precisas. Por meio dela, o autor comunica algo, conforme seus
objetivos e sua mensagem, para outros sujeitos, esperando que
as interpretações dadas à sua obra não sejam plurais como ocorre
nas artes.
40 Metodologia do Ensino da Arte

RESUMINDO:

Neste capítulo, você aprendeu que:

•• A linguagem artística tem suas próprias


características e marcas, estando a serviço da
subjetividade e possuindo significados múltiplos.

•• A denotação remete ao sentido literal, dicionarizado


das palavras e das situações; a conotação, remete
ao sentido múltiplo, figurado das palavras e das
situações.

•• A obra de arte é marcada pela subjetividade, pela


conotação e pelo arranjo especial da linguagem. A
obra não artística é objetiva, marcada pelas regras
denotativas de comunicação.
Metodologia do Ensino da Arte 41

Modalidades Artísticas

OBJETIVO:

Ao final deste capítulo, você será capaz de entender


que a arte é uma criação, e por isso, tem suas formas
de ser constituída. Isso fará toda a diferença em sua
atuação profissional, uma vez que a arte faz parte do dia
a dia da escola. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!.

Figura 4 – Artes visuais

Fonte: Freepik

A arte é uma linguagem e, como tal, é a manifestação de expressões.

Como ocorre com a língua portuguesa, que tem suas variações,


também a linguagem artística tem suas nuances, de onde se originam as
diferentes formas de arte.

Cada forma de arte desempenha um papel importante em


nosso processo de humanização, pois utiliza determinadas formas de
manifestação, além de corresponder a um determinado grupo de anseios
humanos.
42 Metodologia do Ensino da Arte

Algumas das linguagens que compõem a área de artes são as


artes visuais, música, teatro e dança. A seguir, veremos algumas de suas
particularidades.

Artes Visuais
As artes visuais compreendem as manifestações cuja recepção é
feita, especialmente, pelo sentido da visão. Além de suas formas mais
conhecidas, como pintura, escultura, desenho, gravura, arquitetura,
ourivesaria, objetos em cerâmica, marcheteria etc., na atualidade, com
o avanço das tecnologias, passou-se a considerar as artes gráficas, a
televisão, a fotografia e a moda como artes visuais.

Cada uma dessas modalidades de arte tem suas particularidades e


pode ser utilizada como várias possibilidades de combinação.

Na contemporaneidade, as linguagens visuais ampliaram-se


mais, o que torna possíveis novas combinações e novas modalidades
expressivas. É o que ocorre com a instalação, o videoclipe e o museu
virtual, por exemplo.

Elementos das Artes Visuais


•• Ponto: é o início da linguagem plástica.

•• Linha: é uma sequência de pontos, que podem ser curvas, retas,


longas e curtas.

•• Superfície: ao se fecharem sobre si mesmas, as linhas tornam-se


linhas de contorno e criam uma área conhecida como superfície.

•• Plano: trata-se da largura e da altura apresentadas numa superfície.

•• Cor: é uma sensação provocada pela intervenção da luz sobre a


visão. Classifica-se da seguinte forma:

- Monocromia: uma cor.

- Policromia: conjunto de cores diferentes.


Metodologia do Ensino da Arte 43

- Cores primárias: são as cores fundamentais, que não são criadas


por meio de mistura, e que podem ser combinadas para a criação de
novas cores. São o azul, o amarelo e o vermelho.

- Cores secundárias: são as cores resultantes da mistura de cores,


como o laranja, que se origina da combinação de amarelo com vermelho.

- Cores quentes: são as cores que tendem ao vermelho e ao


amarelo, lembrando o calor.

- Cores frias: são as cores que tendem ao azul e ao verde, lembrando


frio e frescor.

- Tons de cores: claro e escuro.

- Escalas de cor: do mais claro para o mais escuro e vice-versa.

•• Textura: são as aparências visuais resultantes da materialidade das


superfícies ou dos tratamentos gráficos dados aos espaços vazios
do plano.

•• Volume: planos relacionados em diagonal, superposições,


profundidade, e cheio/vazio são qualidades espaciais que podem
ser formuladas por meio do volume.

Literatura
A literatura, em linhas gerais, é uma forma de arte que utiliza a palavra
como seu elemento fundamental. O pesquisador Massaud Moisés, em
seu Dicionário de Termos Literários (2004, p. 264), define a Literatura como
“a arte da escrita”, porém, ao longo do texto, problematiza esse conceito,
uma vez que a palavra Literatura é polissêmica, e seu significado depende
de seu contexto de uso.

Apesar da multiplicidade de significados - já que as palavras têm


história – vamos delimitar a literatura àquele trabalho técnico e artístico,
que não possui compromisso direto com a realidade, e que se constitui
como obra a partir do campo da ficção, sendo formada por arranjos
estéticos que exploram diferentes dimensões das palavras.
44 Metodologia do Ensino da Arte

É essa forma de literatura que atravessa épocas, que se cria e se


recria ao longo dos séculos, e que, por meio de diferentes linguagens
(dentre as quais está o cinema), produz efeitos de sentido sobre nossos
modos de ser e de viver, possibilitando-nos ver a realidade sob diferentes
ângulos.

Elementos da Literatura
•• Linguagem: a linguagem literária é composta por palavras,
exploradas em seu sentido sonoro, visual, morfológico, gráfico e
semântico.

•• Prosa: é a linguagem sem rimas, em tom narrativo, despreocupada


com a forma.

•• Verso: é a linguagem que pode ter rimas, preocupada com


elementos como forma, métrica etc.

Música
A música pode ser entendida como uma expressão de arte que
reflete circunstâncias de vida e de época. Como uma arte que se utiliza
da linguagem musical, sua matéria-prima é o som, definido como um
fenômeno acústico que consiste na propagação de ondas sonoras
produzidas por um corpo em vibração.

Com raras exceções, já nascemos com a capacidade musical, por


meio da voz e do ouvido. Além disso, os sons vêm da natureza; o que dela
fazemos, em relação ao som, é que muda conforme a época e a cultura.

Elementos da Música
•• Altura: é a propriedade de uma onda ou de uma vibração sonora.
Dependendo de sua altura, pode ser grave ou aguda.

•• Intensidade: é o maior ou menor grau de força com que um som


é emitido.

•• Duração: é o espaço de tempo em que o som acontece.


Metodologia do Ensino da Arte 45

•• Timbre: é a qualidade que permite distinguir sons da mesma altura


e intensidade.

•• Densidade: é a qualidade de sons produzidos num mesmo


momento, num mesmo lugar.

Teatro
O teatro consiste numa dramatização, que envolve diferentes
linguagens, como pintura, escultura, literatura, dança e música.

Elementos do Teatro
•• Personagem: é o figurante, a pessoa que interpreta a história a
ser apresentada. Texto: responsável tanto pela construção dos
personagens como pelo roteiro da peça.

•• Caracterização: responsável pela contextualização de um espaço


cênico.

•• Sonoplastia: contextualização dos sons característicos de


determinado ambiente.

•• Iluminação: responsável pela construção do clima do contexto a


ser representado, dando destaque às cenas.

Dança
É uma sequência de movimentos corporais em maneira ritmada,
geralmente, ao som de uma música. Expressa movimentos e gestos, e
é uma linguagem por meio da qual os sujeitos expressam sensações,
emoções, sentimentos e pensamentos por intermédio do corpo.

Elementos da Dança
•• Força: produção de movimentos fortes; pesados ou fracos; e leves.

•• Tempo: duração do movimento que determina o ritmo.

•• Espaço: lugar onde se farão os movimentos.


46 Metodologia do Ensino da Arte

•• Fluência: liberada quando o movimento ocorre sem controle, ou


controlada, quando os movimentos são intencionais.

Cinema
O cinema é um conceito mais amplo, que pode ser analisado de
diferentes formas:

•• Uma complexa máquina internacional da indústria, comércio e


controle cinematográficos.

•• A estória vista na tela, que nos impacta (ou não) de diferentes


maneiras.

Assim, o cinema pode ser compreendido como uma arte mais


recente (comparada às outras), que se manifesta por meio de uma
atuação em tela. Alguns compreendem o cinema como sendo os filmes
produzidos, como sendo a sala de cinema e como sendo o ato de assistir
ao filme. No entanto, podemos dizer que o cinema é uma arte produzida
por meio de um emaranhado de linguagens semelhante ao teatro, porém,
sua ação não se dá no tempo em que ocorre a dramatização.

Elementos do Cinema
•• Ator: é aquele que representa o personagem.

•• Personagem: é o figurante, a pessoa que interpreta a história a ser


apresentada.

•• Roteiro: responsável tanto pela construção dos personagens como


pelo roteiro da peça.

•• Caracterização: responsável pela contextualização de um espaço


cênico.

•• Sonoplastia: contextualização dos sons característicos de


determinado ambiente.

•• Iluminação: responsável pela construção do clima do contexto a


ser representado, dando destaque às cenas.
Metodologia do Ensino da Arte 47

Como Ler uma Obra de Arte


Para compreender uma obra de arte, é necessário conhecer o
contexto em que ela está inserida. Além disso, é importante observar
cada elemento que compõe a obra de arte, desde os elementos visuais
aos elementos não visuais.

Saber do modo como o artista constrói suas obras também pode


ajudar, pois isso tem muita relação com a visão de mundo que aquela
obra passa. A seguir, apresentamos alguns elementos importantes para a
leitura de obras artísticas.

Leitura Formal
Consiste na observação dos elementos que compõem a obra de
arte, ou seja, na observação dos elementos que a constituem, como
formas, traços, linhas etc.

Leitura Interpretativa
Durante essa forma de leitura, cada espectador coloca o que pensa
sobre a obra de acordo com sua história de vida e com o que conhece
sobre arte.

Contextualização Histórica
Consiste na localização da obra em seu tempo histórico e espacial,
sendo observados o tema, o espaço, e os significados temporais pelos
quais foi criada.
48 Metodologia do Ensino da Arte

RESUMINDO:
Neste capítulo, você aprendeu que:

•• A arte é uma linguagem plural e, como tal, se


manifesta em diferentes vertentes, de onde
surgem as modalidades artísticas.
•• As artes plásticas correspondem a todas as artes
que se configuram por meio de experiências
visuais, como o desenho, o grafite, a fotografia etc.
•• A literatura é uma forma de arte visual que utiliza,
principalmente, as palavras como matéria-prima,
explorando-as em seus aspectos visual, sonoro,
semântico, morfológico, sintático etc.
•• A música é uma forma de arte sonora, que se
constitui por meio das tramas de sons e ritmos.
•• O teatro é uma forma de arte que só se completa
quando encenada. Mistura várias linguagens
diferentes.
•• A dança inclui ritmos e movimentos, sendo
expressa por meio do movimento corporal.
•• O cinema, assim como o teatro, é uma arte de
linguagem múltipla, cuja ação não ocorre ao vivo,
como no teatro.

Caro estudante:

Chegamos ao final desta unidade. É importante que você revise


este material, tome nota de suas principais aprendizagens e principais
dúvidas, busque nas indicações de pesquisa leituras e vídeos que podem
contribuir muito nessa etapa!

Além disso, ao término desta unidade, você encontrará as principais


referências bibliográficas utilizadas na elaboração dessa obra, que podem
ser consultadas. Não desanime nas dificuldades de estudo, mas faça com
que essas dificuldades de hoje possam ajudá-lo a se tornar um estudante
e um profissional melhor amanhã!
Metodologia do Ensino da Arte 49

REFERÊNCIAS
A HISTÓRIA da Arte. [S. l.: s. n.]. 1 vídeo (14 min). Publicado pelo canal
Ciência Maluca do Himalaia. 2018. Disponível em: [Link]
com/watch?v=RdNvpq4pL3M. Acesso em: 29 fev. 2020.

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poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

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