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Apólogos: Lições de Opostos e Limitações

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APÓLOGO: OPOSTOS

Ciça Fitipaldi

No meio de uma poesia, o ponto saltou na vírgula com intenção de


namorar.

Foi coisa bem passageira, dessas que ninguém liga, mas entre o ponto e a
vírgula deu pano pra manga da briga.

A vírgula, toda prosa, pro papo continuar. O ponto queria descanso, ficar
de papo pro ar.

A vírgula esticava uma frase, lero-lero, coisa e tal, lá vinha o ponto


correndo e botava um ponto final.

Foi indo, a vírgula ficou nervosa. Falou do direito e do avesso, falou do fim
pro começo, berrou e perdeu o senso.

O ponto? Nem ligava pra ausência de consenso. Ponto é silêncio no texto.


Imagine se muda de jeito!

A vírgula, na mesma hora, resolveu ir embora numa frase de efeito.

O ponto ficou zangado, achou de botar defeito: - Podes ir, tagarela – falou
com voz amarela. – Como és chata, criatura! Nem escritor te atura!

A vírgula, atrevida, optou pela pirraça: toda hora requebra de graça em


qualquer frase sem sentido. O ponto, quando ela passa, esquece de lado o
passado, fica todo derretido.

O poeta investiga as razões da eterna briga: os opostos se atraem,


querem sempre se juntar. Não há força sem fraqueza; nem feiura sem beleza e
a sorte depende do azar.

Entendendo o texto

01. Qual é o tema central do apólogo "Opostos" de Ciça Fitipaldi?

a) A briga entre dois personagens literários.

b) A relação entre ponto e vírgula.

c) O embate entre a prosa e a poesia.

d) A importância da pontuação na escrita.


02. Por que a vírgula resolveu ir embora na história?

a) Porque estava entediada.

b) Porque queria descansar.

c) Por causa de uma briga com o ponto.

d) Porque o poeta a expulsou.

03. O que o ponto representa no apólogo "Opostos"?

a) Silêncio no texto.

b) Ausência de consenso.

c) Tagarelice.

d) Frases sem sentido.

04. Qual é a conclusão do poeta sobre a eterna briga entre os opostos?

a) Os opostos devem sempre se separar.

b) Não há força sem fraqueza.

c) A beleza depende da feiura.

d) O azar é sempre mais forte que a sorte.

05. O que acontece quando a vírgula passa na frente do ponto, segundo o


texto?

a) O ponto fica irritado.

b) O ponto esquece o passado.

c) O ponto se derrete.

d) Todas as opções anteriores.

Apólogo: As árvores e o machado


ESOPO
Havia uma vez um machado que não tinha cabo. As árvores então
resolveram que uma delas lhe daria a madeira para fazer um cabo. Um
lenhador, encontrando o machado de cabo novo, começou a derrubar a mata.
Uma árvore disse a outra:

-- Nós mesmas é que temos culpa do que está acontecendo. Se não


tivéssemos dado um cabo ao machado, estaríamos agora livres dele.
ESOPO. As árvores e o machado. In: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Contos tradicionais, fábulas, lendas e
mitos. p. 105. Disponível em: [Link]/download/texto/[Link]. Acesso em: 1° maio
2018.

Entendendo o apólogo:

01 – Esse texto pode ser considerado:

( ) Uma fábula.

( ) Uma parábola.

(X) Um apólogo.

02 – Justifique a resposta da questão anterior, apresentando elementos do texto


relacionados aos do gênero que você apontou.

A presença de personagens representados por seres inanimados (árvores)


que ganham vida a fim de transmitir um ensinamento: precisamos avaliar as
consequências de nossos atos para que eles sejam benéficos para os outros e
para nós mesmos. A narrativa também ilustra um defeito e uma virtude humana:
as árvores representam a virtude, pois ajudam o machado; o lenhador e o
machado representam o defeito ao destruírem a mata.

03 – Observe a relação semântica entre aas orações coordenadas a seguir e


una-as em um único período, empregando as conjunções coordenativas e ou
mas.

a) O lenhador precisava do machado. Ele não tinha cabo.

O lenhador precisava do machado, mas ele não tinha cabo.

b) As árvores conversaram. Uma delas daria a madeira ao cabo do machado.

As árvores conversaram, e uma delas daria a madeira ao cabo do machado.

c) As árvores ajudaram o machado. As árvores não pensaram nas


consequências de seu ato.
As árvores ajudaram o machado, mas não pensaram nas consequências de seu
ato.

d) O lenhador derrubou a mata. O machado o ajudou.

O lenhador derrubou a mata, e o machado o ajudou.

e) Devemos ajudar os outros. Não devemos nos prejudicar.

Devemos ajudar os outros, mas não devemos nos prejudicar.

APÓLOGO: A PANELA DE BARRO E A PANELA DE FERRO

La Fontaine

A panela de ferro propôs à panela de barro um passeio. Esta se


desculpou, dizendo:

- É melhor manter-me perto do fogo, porque sou muito frágil, tão frágil
que, ao menor toque, me transformo em pedaços. Já você nunca terá esse
destino, pois sua estrutura é mais dura do que a minha. Eu não sou resistente
como você.

A panela de ferro respondeu:

- Vou protege-la de qualquer coisa dura que possa lhe ameaçar. Se,
porventura, algo passar perto de você, eu ficarei entre os dois, e do golpe a
salvarei.

Diante dessas palavras, a panela de barro convenceu-se e aceitou a


proposta de passear com sua companheira. Então, elas se colocaram lado a
lado e começaram imediatamente a caminhada.

A panela de barro andava como podia, tropeçando, mancando e


titubeando de um lado para outro por causa de suas três pernas. Esbarrava o
tempo todo na companheira, e via-se no perigo de espatifar-se a qualquer
momento.

Mal tinham andado cem passos, a panela de barro reduziu-se a mil


cacos em um encontro mais forte na panela de ferro, e nem podia reclamar, pois
ela era diferente de sua companheira.
Fonte: Maxi: ensino fundamental 2:multidisciplinar:6 º ao 9º ano/obra coletiva: Thais Ginicolo Cabral.
[Link]. São Paulo: Maxiprint,2019.7º ano Caderno 4 p.28-9.

Entendendo o texto

01. Identifique, no texto, o que se pede:

a) Tipo de narrador e foco narrativo.


Narrador-observador, foco narrativo em 3ª pessoa.
b) Personagens principais.
A panela de barro e a panela de ferro.
c) O espaço em que os fatos ocorrem.
Perto do fogão e a uma distância que caminharam.
02. É possível determinar quando os fatos narrados ocorreram? Por
quê?

Não, sabe-se apenas que as ações transcorreram em um tempo curto,


mas não é possível determinar a época.

03. Qual é o problema vivenciado pelas personagens?

A panela de ferro propõe a panela de barro que saiam para um passeio, mas a
panela de barro considera-se frágil e acha melhor não aceitar o convite. No
entanto, a panela de ferro a convence, prometendo protege-la, e juntas saem
para a caminhada. No caminho, a panela de barro se transforma em mil cacos
por esbarrar com mais força na panela de ferro.

04. A moral desse apólogo foi propositalmente retirada. Releia o texto e


conclua:

Qual é o ensinamento que essa história nos transmite?

O ensinamento dessa história é o respeito às próprias limitações e a aceitação


delas; ainda que outros insistam que devemos rompê-las, sob pena de nos
“quebramos em pedaços” como a panela. É preciso ficarmos atentos, pois nem
sempre as pessoas conseguem cumprir o que prometem.
APÓLOGO: O CARVALHO E O CANIÇO

La Fontaine

O carvalho, que é sólido e imponente, nunca se curva com o vento.

Vendo que o caniço se inclinava todo quando o vento passava, o carvalho


lhe disse:

- Não se curve, fique firme, como eu faço.

O caniço respondeu:

- Você é forte, pode ficar firme. Eu, que sou fraco, não consigo.

Veio então um furacão. O carvalho que enfrentou, foi arrancado com


raízes e tudo. Já o caniço se dobrou todo, não opôs resistência ao vento e ficou
em pé.

Fonte: Maxi: ensino fundamental 2:multidisciplinar:6 º ao 9º ano/obra coletiva: Thais Ginicolo Cabral.
[Link]. São Paulo: Maxiprint,2019.7º ano Caderno 4 p.24-5.

Entendendo o texto

01. Associe os personagens de acordo com as características apresentadas


no apólogo.
A. Carvalho ( A ) Árvore de madeira muito dura, usada em construções.
B. Caniço ( B ) Cana fina e comprida que pode ser usada para
pescar.
02. Qual é o ensinamento transmitido pelo apólogo?
Contra as adversidades, a inteligência tem mais valor que o grande
esforço.
03. Complete os períodos com orações coordenadas que estabeleçam as
relações determinadas a seguir.
a) O carvalho é sólido e não se curva com o vento. (relação de adição)
b) Você é forte mas eu sou fraco. (relação de oposição)
c) O carvalho enfrentou a ventana e foi arrancado com raiz e tudo.
(relação de adição)
d) Veio um furacão mas o caniço ficou em pé. (relação de oposição)
04. Identifique se as conjunções coordenativas ligam orações coordenadas ou
dois termos de mesma função sintática.
a) O carvalho é sólido e imponente.
A conjunção liga dois termos de mesma função sintática: os núcleos do
predicado nominal.
b) Carvalho é forte, e o caniço é fraco.
A conjunção liga duas orações.
c) O carvalho e o caniço conversavam quando veio o furacão.
A conjunção liga dois termos de mesma função sintática: os núcleos do
sujeito composto.
d) O carvalho foi derrubado, e o caniço ficou em pé.
A conjunção liga duas orações.

A XÍCARA E O BULE: UM APÓLOGO

Eduardo Cândido

Após o café da tarde, sobre a mesa da varanda, a Xícara disse para o velho
Bule:

– Ah… eu sou a mais bela peça da copa!

A qual respondeu o Bule:

– Tu? Ora essa!

– Sim! Sou a mais bela peça, e a mais importante também! – retrucou a xícara
indignada.

– É mesmo? – perguntou o Bule, com ironia.

– Podes rir bule velho! – disse a Xícara, fechando a cara.

– Ora, não me leve a mal. Tu sabes que eu gosto muito de ti – disse


amigavelmente o Bule cheio de chá.

Mas dona Xícara, ignorando o senhor Bule, continuou a discorrer amorosamente


sobre as suas qualidades admiráveis:

– Pois então. É a mim que os senhores levam à boca, todos os dias, e me


cobrem de beijos enquanto bebem o chá. Sou feita de porcelana delicada, com
belas florzinhas pintadas de dourado, que refletem a luz e brilham como num
sonho. Não é qualquer um da casa que pode me tocar.

O Bule, muito sensato, tentou transmitir uma lição:

– Mas, minha amiga, o que realmente importa é o nosso destino. O que disseste
sobre tuas florzinhas é somente vaidade, mas ir à boca dos senhores é o teu
dever. E sou eu que fervo a água e preparo o chá no meu interior, o qual é
servido por ti. Tal é o meu destino. Tu percebes que nós dois, juntos, temos um
sentido na vida?

Dona Xícara riu-se, e disse com desprezo:

– Oh, sim! Então não sou diferente dos copos de vidro grosseiro que as crianças
usam para beber? Escuta, filósofo, serei franca contigo: tu tens inveja…

– Inveja? – perguntou o Bule.

– Sim! – respondeu a Xícara – pois eu estou sempre cheirosa e doce, e tu tens


cheiro de bule velho e borra de chá. Lavam-me cuidadosamente, e guardam-me
no armário de vidro, junto com as louças finas e os cristais, para embelezar a
casa; enquanto tu és lavado com palha de aço e te escondem dentro da pia,
para que não te vejam. Sou estimada, e quanto mais velha eu me torno, mais
valiosa fico. E tu? És velho, manchado, cheio de amassadinhos, e és feito de
metal ordinário…

O Bule ia responder alguma coisa, porém desistiu. Como poderia argumentar


com uma xícara vaidosa e cabeçuda?

Nesse momento o gato da casa, inesperadamente, pulou em cima da mesa da


varanda tentando caçar um besouro. O gato foi tão rápido e desastrado que nem
escutou os gritos do senhor Bule e da dona Xícara:

– Cuidado!

Mas era tarde demais, e os dois caíram no chão. O velho Bule, que tinha uma
base pesada, caiu e rodou como um pião, ficando em pé quando parou. E a bela
Xícara, pobrezinha, espatifou-se nas lajes da varanda.

Uma lágrima de chá deslizou suavemente pela fronte do senhor Bule, enquanto
observava a pequena luz de vida que aos poucos desaparecia dos caquinhos de
porcelana.

– Minha amiga – disse o Bule, entristecido – escarneceste dos meus


amassadinhos. Pois são as marcas da experiência, dos muitos tombos que levei
na vida…

E a Xícara, definhando, respondeu num fio de voz:

– Sem essa, convencido! Se não fosse eu, tu não terias a oportunidade de ficar
aí, fazendo pose de sábio!…

Fonte: Maxi: ensino fundamental 2:multidisciplinar:6 º ao 9º ano/obra coletiva: Thais Ginicolo Cabral.
[Link]. São Paulo: Maxiprint,2019.7º ano Caderno 4 p.14-17.
Entendendo o texto
01. O texto “A Xícara e o Bule: um apólogo” é um texto tipo narrativo. Aponte
os elementos da narrativa presentes nele.
Como todo texto narrativo literário, esse apólogo tem um narrador, que é
narrador-observador, com foco narrativo em 3ª pessoa; personagens: a
Xícara e o bule (personagens principais), o gato e o besouro
(personagens secundários); tempo: após o café da tarde; espaço: sobre a
mesa da varanda; e enredo: discussão dos personagens sobre vaidade e
humildade.
02. Esse texto é um apólogo. Quais as principais características desse
gênero presentes no texto?
Os personagens principais, a xícara e o bule, que são objetos inanimados,
ganham vida, a fim de transmitir um ensinamento: a vaidade destrói a
inteligência.
03. Que comportamento humano é analisado e discutido no apólogo de
Eduardo Cândido? Explique-o.
O comportamento analisado e discutido nesse apólogo é a vaidade. A
Xícara considera-se a peça mais bela e a mais importante da copa.
04. Em um apólogo, os personagens representam traços positivos e negativos
do caráter humano, ilustrando suas virtudes e seus vícios. De que forma
essa característica do gênero é apresentada no texto?
De modo amigável e sensato, o Bule tenta fazer a Xícara perceber que
cada um tem a sua importância e o seu dever, e que, juntos, eles têm um
sentido na vida, mas, por conta de sua vaidade, a Xícara é incapaz de
perceber isso.
05. Em uma narrativa, chamamos de desfecho a solução do conflito vivido
pelos personagens. Comente o desfecho desse apólogo.
A vaidade da Xícara é mantida mesmo após o Bule ter explicado e ela que
as marcas que carregava eram sinais de suas experiências, ao que ela
atribui ser uma oportunidade de o Bule se fazer de sábio graças a ela.

APÓLOGO: O relógio e o travesseiro


Ulisses Tavares

-- Trimmm! Trimm!
Era o relógio saindo do seu monótono tic-tac tic-tac e fazendo o que gostava mais:
despertar escandalosamente as pessoas.
Só que no quarto, nessa manhã da qual falamos, havia apenas o travesseiro que,
como bom travesseiro, bocejou, se espreguiçou e estrilou:
-- Ei, já ouvi, dá um tempo!
O relógio sorriu e disse:
-- Então acorda e levanta, preguiçoso!
O travesseiro deu de fronha, digo, de ombros, e pensou em explicar ao relógio que
cada um tem seu temperamento, seu jeito de levar a vida, mas desistiu.
Bocejou de novo, virou para o lado e logo adormeceu novamente.
O relógio comentou, sabendo que falava sozinho:
-- Tem gente que não se emenda mesmo! Ele vai ver amanhã cedo. Vou tocar ainda
mais alto para que ele acorde, se levante e assuma as suas responsabilidades.
O que o relógio não sabia – por isso o travesseiro desistiu de explicar – é que a
maioria das pessoas ou é travesseiro ou é relógio.
Ou passam a vida dormindo demais. E daí perdem a chance de viverem a vida pra
valer.
Ou então sempre de olho no tempo. E daí perdem o tempo acordadas e preocupadas.
Poucas são capazes de viver a vida como se deve:
Fazendo e curtindo tudo, mas repousando quando se deve, sem fazer nada.
Ás vezes, fazer nada é tudo de bom que se pode fazer por si mesmo e pelo outro,
como numa chamada pra brigar, por exemplo.
Em outras vezes, fazer tudo às pressas e sem prazer é o mesmo que nunca fazer
nada, como um idiota que constrói uma piscina e nunca tem tempo para dar um mergulho
nela.

TAVARES, Ulisses. A maravilhosa sabedoria das coisas: apólogos de


Ulisses Tavares. São Paulo: Cortez, 2010. p. 26-27.
Entendendo o texto:

01 – A situação apresentada se aproxima da que você havia imaginado ao observar o


título do texto?
Resposta pessoal do aluno.

02 – Como você entende essa história? Ela apresenta algum ensinamento? Em caso
afirmativo, qual?
Resposta pessoal do aluno. Sugestão: O relógio e o travesseiro têm estilos
completamente diferentes de viver, cada um em um extremo. A história tenta mostrar que
o ideal seria uma mistura desses dois estilos: não deixar a vida passar por estar dormindo,
nem mesmo deixa-la passar por correr e preocupar-se demais.

03 – Se fossem pra você criar uma moral da história, qual seria?


Resposta pessoal do aluno
Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:


— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale
alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar
insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem
cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com
a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os
cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose
sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou
feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que
vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante;
vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo,
ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto
se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás
dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a
linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano
adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de
Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta
distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha
a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela,
silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A
agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo
silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no
pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda
nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se,
levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto
compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou
dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte
do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto
você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos,
diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor
experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da
vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para
ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984,
pág. 59.
DEPOIS DE LER O TEXTO, FAÇA O QUE SE PEDE.
1-O QUE É UM APÓLOGO? CONSULTE O DICIONÁRIO. DE ACORDO COM O
SIGNIFICADO DADO À PALAVRA, VOCÊ CONHECE ALGUM OUTRO
APÓLOGO? QUAL?
É uma narrativa alegórica para ocultar uma verdade, em que falam animais ou seres
inanimados. A segunda resposta é pessoal.

2- RELACIONE AS COLUNAS, USE O DICIONÁRIO, SE NECESSÁRIO.


A- SUBALTERNO (E) CÃO PERNALTO E ESGUIO PRÓPRIO PARA A CAÇA
DE LEBRES, É O MAIS RÁPIDO DOS CÃES;

B- OBSCURO (D) COSTURO;

C- ÍNFIMO (H) AQUELES QUE ABREM CAMINHO;

D- COSER (I)DE QUALIDADE MÉDIA OU INFERIOR, VULGAR,


COMUM

E- GALGO (C) MUITO PEQUENO,INFERIOR, VULGAR,O MAIS


BAIXO DE TODOS;

F- MELANCOLIA (A) SUBORDINADO, INFERIOR, SECUNDÁRIO;

G- ALTIVA (G) ORGULHOSO, ARROGANTE, VAIDOSO;

H- BATEDORES (F) ABATIMENTO, DESÂNIMO, TRISTEZA;

I- ORDINÁRIA (B)SOMBRIO, POUCO CONHECIDO, INDECIFRÁVEL.


3- “ERA UMA VEZ” PODE SER SUBSTITUÍDA POR QUAL OUTRA EXPRESSÃO
DE SEMELHANTE SIGNIFICADO? NORMALMENTE QUE TIPO DE NARRATIVA
INICIA-SE COM ESSA EXPRESSÃO?
Pode ser substituída por “Um dia.”. É um conto.

4- A EXPRESSÃO “AGULHA NÃO TEM CABEÇA” NA LINGUAGEM


CONOTATIVA PODE SER ENTENDIDA COMO:
Não tem juízo.

5- DE ACORDO COM O TEXTO, O QUE SIGNIFICA: “DAR FEIÇÃO AOS


BABADOS”?
É dar crédito as fofocas.

6- QUAL O TEMA DISCUTIDO NO TEXTO? ASSINALE A(S) ALTERNATIVA(S)


CORRETA(S).
(X) O ORGULHO; (X) A VAIDADE; ( ) A HUMILDADE; ( ) A MODÉSTIA; ( ) A
BONDADE; ( ) A SIMPLICIDADE; (X) EGOÍSMO; (X) PREPOTÊNCIA.

7- DEPOIS DE RELER O TEXTO ATENTAMENTE, DIGA:


A- QUE TIPO DE NARRADOR O TEXTO APRESENTA? ATENTE PARA POSSÍVEL
MUDANÇA DE FOCO NARRATIVO. JUSTIFIQUE SUA RESPOSTA.
Narrador-personagem. O mesmo tempo que narra o texto ele é o personagem.

B- ESPAÇO TEMPORAL (QUANDO):


Durante o dia.

C- PERSONAGENS:
A agulha, a linha e o alfinete.

D- ESPAÇO FÍSICO (ONDE):


Na casa da baronesa.

E- FOI UTILIZADO O DISCURSO DIRETO? COMPROVE:


Sim. “Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?”

8- DE ACORDO COM O TEXTO, QUEM ERA ORGULHOSA E POR QUE O ERA?


Era a linha, porque ela é que estava no vestido da baronesa, que iria passear.

9- “SILENCIOSA E ALTIVA” SÃO QUALIDADES ATRIBUÍDAS A QUEM?


A linha.

10- HÁ, NO TEXTO, USO DE VOCATIVO? COMPROVE SUA RESPOSTA COM


UM TRECHO DO TEXTO, CASO SUA RESPOSTA SEJA POSITIVA.
Sim. “Anda, aprende, tola. Cansaste em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar
da vida, enquanto aí fica na caixinha de costura.”
11- RETIRE DO TEXTO, A ONOMATOPEIA UTILIZADA PELO AUTOR E DIGA O
QUE ELA ESTÁ REPRESENTANDO.
“Não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano”. Que o serviço de
costura tinha terminado aquele dia.

12- IDENTIFIQUE:
A- A PERSONAGEM QUE JULGA O TRABALHO IMPORTANTE, POIS É NELE QUE
ESTÁ O SENTIDO DE SUA VIDA:
A agulha.

B- A PERSONAGEM CUJO INTERESSE É O RESULTADO DO TRABALHO, OS


ELOGIOS, FESTAS, O GLAMOUR:
É a linha.

C- PERSONAGEM QUE SE AUTO AFIRMA INTELIGENTE:


O alfinete.

13- QUEM DE FATO É POSSUIDOR DO FAZER, QUE COMANDA O PROCESSO


DE PRODUÇÃO:
( ) A AGULHA; ( ) A LINHA; (X) A COSTUREIRA.

14- AGULHA, LINHA, BARONESA, COSTUREIRA: ESTABELEÇA TRAÇOS


COMUNS ÀS PERSONAGENS MENCIONADAS.
Resposta pessoal do aluno.

15- QUANTO AO “PROFESSOR DE MELANCOLIA”, PODEMOS CONCLUIR QUE


ELE:
(X) ESTAVA SEMPRE SE DANDO MAL;
(X) QUE ERA FREQUENTEMENTE PASSADO PARA TRÁS;
(X) SENTIA-SE INJUSTIÇADO;
( ) RECEBIA O RECONHECIMENTO QUE JULGAVA MERECER;
( ) ERA FELIZ PORQUE TINHA SEU TRABALHO VALORIZADO.

16- LINHA E AGULHA ERAM SEMELHANTES PORQUE:


( ) AMBAS ERAM HUMILDES;
(X) AMBAS ERAM ORGULHOSAS;
( ) AMBAS ERAM TRABALHADORAS;
(X) AMBAS ERAM VAIDOSAS.

17- O QUE VOCÊ ACHA QUE SIGNIFICA “SERVIR DE AGULHA PARA MUITA
LINHA ORDINÁRIA”?
Resposta pessoal do aluno.

APÓLOGO: OPOSTOS
                     Ciça Fitipaldi
        No meio de uma poesia, o ponto saltou na vírgula com intenção de
02. Por que a vírgula resolveu ir embora na história?
      a) Porque estava entediada.
      b) Porque queria descansar.
Havia uma vez um machado que não tinha cabo. As árvores então
resolveram  que  uma  delas  lhe  daria  a  madeira  pa
As árvores ajudaram o machado, mas não pensaram nas consequências de seu
ato.
d)   O lenhador derrubou a mata. O machado o aj
 Fonte: Maxi: ensino fundamental 2:multidisciplinar:6 º ao 9º ano/obra coletiva: Thais Ginicolo Cabral.
1.ed. São Paulo: Maxi
 APÓLOGO: O CARVALHO E O CANIÇO
                     La Fontaine
          O carvalho, que é sólido e imponente, nunca se cur
c)   O carvalho e o caniço conversavam quando veio o furacão.
A conjunção liga dois termos de mesma função sintática: os núcl
servido por ti. Tal é o meu destino. Tu percebes que nós dois, juntos, temos um
sentido na vida?
Dona Xícara riu-se, e disse
Entendendo o texto
01. O texto “A Xícara e o Bule: um apólogo” é um texto tipo narrativo. Aponte
os elementos da narrativa pr
        Só que no quarto, nessa manhã da qual falamos, havia apenas o travesseiro que,
como bom travesseiro, bocejou, se espr

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