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Agravo em Recurso Especial: Homicídio Culposo

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AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 2084081 - SP (2022/0067875-5)

RELATOR : MINISTRO TEODORO SILVA SANTOS


AGRAVANTE : OSNY RENATO MARTINS LUZ
ADVOGADOS : WELSON OLEGÁRIO - SP097362
GLAUCIO FONTANA NASCIMBENI - SP143885
AGRAVADO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
CORRÉU : AER JOSÉ DA TRINDADE

EMENTA

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. DELITO DE


HOMICÍDIO CULPOSO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. AUSÊNCIA DE
CONCORRÊNCIA DO RÉU PARA O EVENTO MORTE. ÓBICE DA SÚMULA
N. 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO, PARA NÃO CONHECER DO RECURSO
ESPECIAL.

DECISÃO

Trata-se de agravo em recurso especial interposto por OSNY RENATO MARTINS


LUZ contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que negou seguimento a
recurso especial fundamentado no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal e
manifestado contra o acórdão proferido nos embargos infringentes n. 0009365-
45.2013.8.26.0189/50000.
Consta nos autos que o Agravante foi condenado a 1 (um) ano, 6 (seis) meses e 20
(vinte) dias de detenção, em regime aberto, substituída a sanção corporal por restritivas de
direitos pelo delito do art. 121, §§ 3.º e 4.º, do Código Penal (fls. 963-964).
A Corte de origem deu parcial provimento ao apelo defensivo para fixar a pena-base
no mínimo legal e para afastar a majorante, redimensionando a pena ao montante de 1 (um) ano
de detenção, em regime aberto, substituída por uma restritiva de direitos (fls. 1.047-1.048).
O Tribunal de Justiça estadual negou provimento aos embargos infringentes e de
nulidade (fls. 1.089-1.102).
Nas razões do apelo nobre, a Defesa aponta violação ao art. 386, inciso IV, do
Código de Processo Penal (fl. 1.117), alegando, em suma, que o Agravante não concorreu para a
morte da vítima (fls. 1.118-1.122).
As contrarrazões foram apresentadas (fls. 1.126-1.130).
O recurso especial não foi admitido, ante a incidência do óbice previsto no enunciado
de Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça (fl. 1.134).

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Signatário(a): TEODORO SILVA SANTOS Assinado em: 04/12/2023 18:56:20
Publicação no DJe/STJ nº 3772 de 06/12/2023. Código de Controle do Documento: 03105e67-d23e-4154-8fac-cd3cd89a4c4b
Interposto o agravo em recurso especial (fls. 1.137-1.143), a Acusação apresentou
contraminuta (fls. 1.146-1.150).
O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 1.164-1.170, opinando pelo
desprovimento do agravo.
É o relatório. Decido.
A Corte de Justiça de origem, por maioria de votos, manteve a condenação do
Agravante nestes termos (fls. 1.045-1.046, grifei):

"Analisando-se o conjunto probatório, vê-se que restou suficientemente


demonstrada a autoria do crime em desfavor de Osny, assim como a sua culpa pelo
falecimento da vítima.
Ficou comprovado nos autos que a vítima, já com histórico de problemas
cardíacos, chegou ao pronto-socorro, no qual o acusado estava de plantão, com
dores no peito e sintomas sugestivos de infarto. Não há dúvidas, ainda, de que
foram realizados um eletrocardiograma ECG e os exames enzimáticos a fim de se
constatar se o quadro realmente era de infarto.
Além disso, também é incontroverso que a repetição de tais exames,
embora necessária, não foi determinada pelo acusado. Sobre os marcadores
enzimáticos, a despeito de a necessidade de repetição não estar consignada na ficha
de atendimento da ofendida, o réu alegou que eles somente deveriam ser refeitos
após a passagem do plantão, o que é crível diante dos horários dos acontecimentos.
Isso porque o primeiro exame foi realizado, seguramente, após as 02h,
sendo que a repetição deve ocorrer por volta de seis horas depois. Assim, como o
réu deixaria o posto às 7h, o médico que o substituiu deveria ter determinado a
repetição do exame.
No entanto, em relação ao ECG, a responsabilidade de determinar a
repetição, ainda durante o seu plantão, era do acusado. Essa conclusão resta
evidente do relatório da sindicância instaurada pelo Conselho Regional de
Medicina CRM, na qual se opinou pelo prosseguimento do procedimento
disciplinar (fls. 188):
b) Deveria o médico em questão ter realizado outros procedimentos
ou condutas além da medicação (AAS e Isordil), solicitação de exames (ECG,
CK e CKMB) e observação?
Resposta: Sim. Repetir em tempo hábil novo ECG e enzimas
seriadas.
Bem se vê, portanto, que o próprio CRM reconheceu que o médico fez
menos do que deveria em sua conduta profissional para salvar a paciente.
Dessa forma, a ausência de repetição de tal exame impediu o correto
diagnóstico do quadro da vítima, comprometendo a continuidade de seu
tratamento, o que, ao fim e ao cabo, foi determinante para o resultado morte.
Nem se alegue, ainda, que a absolvição do acusado pelo CRM resolveria a
questão. Inicialmente, por conta da independência entre as instâncias
administrativa e judicial. E, além disso, analisando-se os autos do procedimento
administrativo movido contra o réu, o voto do Conselheiro Relator, seguido por
unanimidade, não levou em consideração a ausência de repetição do ECG,
conduta determinante para que os fatos culminassem no falecimento da vítima.
Não há como se afastar a conclusão, portanto, de que o acusado quebrou
um dever objetivo de cuidado ao não solicitar a repetição do ECG para uma
paciente com histórico de problemas cardiológicos e sintomas de infarto e de que o
resultado morte era previsível. Dessa forma, está configurado o crime de homicídio
culposo, conforme reconhecido pela r. sentença."

Diante desse cenário, para o Superior Tribunal de Justiça acolher como certa a tese

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de que o Agravante não concorreu para a morte da vítima, teria de proceder ao reexame de fatos
e provas, providência, porém, que esbarra no óbice absoluto da súmula n. 7/STJ.
A propósito:

"[...]
1. Em que pese as alegações do agravante, não se verificam motivos para
conclusão diversa, pois, como já evidenciado na decisão agravada, o recorrente foi
condenado, fundamentadamente, com base na prova dos autos, pela prática do
delito de homicídio culposo na direção de veículo automotor, daí porque a
pretendida revisão do julgado, com vistas à absolvição do réu, não se coaduna
com a estreita via do especial, dada a necessidade de reexame de do conjunto
fático-probatório, o que é vedado em recurso especial, nos termos da Súmula
7/STJ.
[...]
5. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp n. 1.894.333/CE, relator
Ministro NEFI CORDEIRO, Sexta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 8/2/2021,
grifei.)

Ante o exposto, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial.


Publique-se. Intimem-se.
Brasília, 04 de dezembro de 2023.

MINISTRO TEODORO SILVA SANTOS


Relator

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