Iemanjá
Lenda Africana
05/05/2022
Bianca Schumann da Chaga
Iemanjá – Orixá de grande poder
e importância.
Nome ligado à origem de várias
divindades do universo religioso
afro-brasileiro.
Segundo a lenda, com o casamento do céu (Obatalá)
e da terra (Odadua), nasceu Iemanjá e seu irmão
Aganju.
Ela passou a representar as águas e Aganju foi a
divindade o controle das terras. Dessa união nasceram os
primeiros orixás a habitarem a terra.
Entre seus filhos, Orungã nutria uma paixão desmedida
pela própria mãe, representando na mitologia africana
uma posição semelhante a que Édipo rei ocupa na
mitologia clássica.
Certo dia, não suportando o próprio desejo, ele aproveitou da
ausência de seu pai e tentou violentar Iemanjá.
Resistindo bravamente às investidas, ela correu para que a
tragédia não fosse consumada e acabou caindo e falecendo
em decorrência do tombo.
O corpo moribundo foi inchando até dar origem a um grande
manancial de águas que brotaram de suas mãos.
De seus pés saíram vários orixás que são colocados como seus
filhos:
Xângo – o deus do trovão;
Ogum – o deus do ferro e das guerras;
Oiá – a deusa do rio Níger;
Oxóssi – o deus dos caçadores;
Omolu – o deus das doenças.
Assim, Iemanjá ocupa o lugar central de divindade originária de outros
importantes deuses.
Por um lado, em razão de seus poderes natos, Iemanjá é a
divindade que exerce domínio sobre todas as águas.
Nos rituais brasileiros ela aparece com vários nomes entre os
quais se destacam Mãe-D’água, Sereia, Iara, Rainha do Mar e
Janaína.
No ritual Angola, as águas do mar são representadas por uma
divindade equivalente chamada de Quissimbe ou Dandaluda.
Já no rito Jêjê, esse mesmo tipo de deus aquático aparece com o
nome de Abe, a estrela que caiu nos mares.
Por outro, ao ter dado origem a tantos outros poderosos orixás,
Iemanjá também tem a sua figura ligada ao signo da maternidade.
Sua natureza fértil acaba influenciando na construção de uma imagem
em que as medidas do corpo são alargadas para que se reforce a
capacidade de gerar a vida dentro de si.
Assumindo o sentido materno, ela também é reverenciada como uma
importante divindade para aqueles que buscam consolo e proteção a fim
de enfrentar os problemas da vida presente.
Em terras brasileiras, o culto em homenagem a Iemanjá acabou se
aproximando das várias homenagens dedicadas a Nossa Senhora.
Na famosa festa de Iemanjá, celebrada no segundo dia de fevereiro, os
devotos depositam peixes, arroz, mel, rosas e palmas-brancas no mar.
Sendo popular, os louvores dirigidos para Iemanjá, pedidos de
renovação e proteção ligado à sua imagem.
Por:
Rainer Souza -
Graduado em História
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