Em uma caverna escura, apenas com a iluminação de tochas e lampiões que jovens aventureiros
carregavam, em um beco sem saída, se levanta-se uma pessoa do chão, com um capuz de pano segurado
por uma base de madeira, conhecido como capuz de escravo, o homem que estava vestindo apenas uma
calça, media 1,90 com um físico musculoso e forte, também empunhava uma espada que parecia pesar
o dobro dele e também maior que ele. Assim que ele se levanta com ajuda da sua espada, ele apoia ela
no ombro e então um som simbilante é imitido da espada e ela começa a se circular em volta de
relâmpagos amarelos, pronto pra batalha o homem corre em direção aos aventureiros...
Antes de chegar lá, preciso me apresentar, me chamo Thomas, sou filho de Mallard e Nyxara, da família
Holyblood. Essa narrativa contada por mim, são acontecimentos da minha vida desde que comecei
minhas viagens e meu trabalho como investigador, meu pai é um renomado paladino e minha mãe uma
cavaleira que trabalhou para o rei, basicamente uma cavaleira real. Então dai ja sabemos que minha
educação foi um pouco rudimentar e sistemática, envolvendo religião e postura como homem, enfim,
essa vai ser a minha história, espero que alguém leia ela.
Tudo começou no ano de 1243, ano que nasci, nesse ano meu pai se aposentou como aventureiro e
passou a cuidar de mim, enquanto minha mãe voltou a trabalhar, ja que ela recebia melhor que meu pai.
Desde lá meu pai sempre me ensinou sobre a religião dele, o cristianismo, e também a arte da espada e
dos milagres, que era como ele chama a magia divina. Já minha mãe me ensinou a arte de me defender,
como esquivas, como usar um escudo e etc... Porém ela via que eu não tinha jeito pra isso e que eu
sempre aparava tudo com meus peitos, ela ria, porém tinha uma grande preocupação com isso, porque
eu era lento e devia tentar focar mais na destreza do que na força pura. Eu dizia que quem se movia
durante um combate era um covarde claramente porque eu odiava que desviassem dos meus ataques, e
com o tempo eles foram me ensinando tudo.
Meus pais são dois tieflings, porém eu nasci humano, meu pai diz que é porque ele também tem sangue
humano, ja que minha tia e irmã gemea dele também é uma, mas sempre fiquei com o pé atrás,
entretanto as vezes eu acho que realmente sou filho dele por motivos da minha personalidade ser muito
parecida, ja que sempre gostava de brincar em momentos muito sérios. Mamãe sempre fica brava com
isso mas não tem o que fazer, é de família, papai dizia que o vovô também era assim, então eu me
convenço de que realmente sou filho dele.
Nosso país e região sempre foi muito perigosa, pessoas desaparecem constantemente dentro de suas
casas, assassinatos, roubos e vai disso a pior... Sempre tive interesse e curiosidade nessas coisas, sempre
li livros sobre investigação, mistérios e tudo mais e quis entrar nessa vida. Com meus 16 anos, meu pai e
minha mãe me apoiaram na idéia, então fui até a guilda pra procurar algum trabalho parecido, mas
minha intenção não era ser aventureiro, porém eu precisava ganhar popularidade como investigador
para que as pessoas começassem a me procurar, então vamos começar devagar. Minha primeira missão
foi pega no quadro sobre a filha de um pastor de ovelhas que se perdeu na floresta, então la fui eu...
Sem perder muito tempo, ja arrumei minhas coisas e fui direto a fazenda do senhor pastor, era um
caminho curto, que passava por uma planície esverdeada com grama e sem muitas árvores bem próximo
a floresta, chegando la, bati a porta e um senhor com idade ja avançada, cabelos grisalhos e barba
levemente cheia me atende.
- Por favor, entre... Você deve ser o rapaz que vai ajudar a encontrar minha filha certo? - Ele diz com um
tom cansado e suspirando.
- Sim senhor...
Pego meu caderno pra fazer algumas perguntas e então começo:
- Queria algumas informações do senhor antes de prosseguir... Posso lhe questionar algumas coisas? -
Digo pegando uma caneta do bolso do meu sobretudo.
- Sim... Claro, sente-se por favor. - Ele diz um pouco preocupado.
- Então, quando foi que a viu pela última vez? - Me sento em uma cadeira velha de madeira e pergunto
enquanto olho nos olhos do senhor, meu pai me disse que contato visual é bom pra passar confiança.
- Ela foi buscar algumas ervas medicinais e lenha para fazermos o jantar e produzir um remédio para
minha dor na perna... - Assim que ele termina, ele passa a mão em sua coxa direita, como se tivesse a
massageando.
- E então ela não voltou? Isso faz quanto tempo? - Digo enquanto anoto todas as respostas do senhor na
caderneta.
- Sim... Ela saiu ontem a tarde, logo depois do almoço, e quando começou a anoitecer me preocupei e
entrei na floresta, a procurei mas nada encontrei...
- Certo, e como é a aparencia de sua filha?
- Ela ja é uma adulta, tem cabelos longos e loiros, é alta e seu corpo é um pouco magro.
- Hm... entendi. Sabe me dizer se ela tinha alguém que não gostasse dela, ou alguma inimizade,
namorado ou relacionamentos?
- Ela nunca me contou sobre nada... Apenas ficou cuidando de mim esse tempo todo, nunca sai de casa,
apenas pra lavar roupas e buscar lenhas.
- Certo, ja tenho tudo que preciso, em breve volto com notícias, irei investigar a floresta por essa noite e
então retornarei, muito obrigado pelo seu tempo, senhor...? - Pergunto na intenção de saber o nome do
velho homem.
- Gilbert. - ele responde assim que dou o intervalo da fala.
- Certo senhor Gilbert, obrigado.
Então me retiro da casa e vou em direção a floresta, com meu kit de acampamento na minha mochila,
minha espada que meu pai me deu e algumas tochas, eu adentro a floresta densa e úmida em busca de
respostas. O que me deixou mais encutido é como uma pessoa pode se manter em casa sempre, sem
nenhuma vontade de se satisfazer ou buscar algo que goste... Penso que ela pode só ter abandonado o
velho senhor para que viva sua vida em paz, ja que pode estar se sentindo presa ou foi sequestrada por
algum maníaco que ja a viu pela cidade e a forçou a ter algum tipo de relacionamento... Me arrepio so
de pensar nisso.
Adentrando a floresta e atento a tudo ao meu redor, consigo achar marcas em uma árvore que me
chamam atenção, algo como um impacto na árvore, um buraco que nenhuma causa natural tenha
causado, apenas com auxílio de alguem isso seria possível, então vou buscando mais repostas conforme
vou caminhando pela floresta.
Depois de um longo tempo caminhando, talvez em círculos e mudando de rotas o tempo todo, ja na
escuridão da noite e uma tocha na mão, enxergo o que parece ser ruínas, analisando a arquitetura dos
restos da construção, parecia uma espécie de capela. Decido entrar pra ver do que se trata e vou
buscando em meio a escuridão, com a visão limitada e o frio atrapalhando meus sentidos, me sento
embaixo de uma estrutura que cubra minha cabeça e faço uma fogueira com o kit de acampamento,
deixo algumas carnes proximo a fogueira para deixa-las um pouco mais macias para comer, vou analisar
o perímetro mais um pouco, até que encontro uma espécie entrada... Parecia ser um alçapão onde seria
o piso da capela antiga, tento puxar sem esperança de que vá e abrir e... Ele realmente abre, onde vejo
uma escada com uma grande descida para uma escuridão cujo não consigo nem ver nem ouvir nada...
Porém, isso pode me dar alguma resposta, talvez a moça pode ter ficado presa por aqui ou algo pior, que
eu prefiro não ter que lidar.
Conforme desço a escada, o local vai ficando mais quente, o cheiro que sobe em meu nariz é
desconfortável, não sei descreve-lo ao certo, algo como se vários animais tivessem morrido e seu cheiro
se acumulasse por toda a estrutura. Enfim descendo, me vejo em um corredor formado por tijolos
velhos cobertos de musgo, é um local estreito e não muito alto, minha cabeça quase bate no teto do
lugar, se eu tiver que lutar com alguém nesse local eu estarei em desvantagem certamente... Após alguns
minutos andando pelo corredor longo, eu me deparo com um grande hall, suspenso por pilares
retangulares feitos pelo mesmo tijolo do corredor e grandes arcos que se ligam de um pilar ao outro pelo
teto, onde ja é um local maior em questão de altitude. No centro é possível ver uma espécie de círculo
com simbolos que não entendo, pintados em verde, meu primeiro pensamento foi que estaria lidando
com magia. Tento replicar o desenho do circulo em minha caderneta, mas não sou muito bom com
desenhos, mas faço meu melhor. Logo após toda a analise eu escuto passos e conversas, apago minha
tocha e corro para me esconder atras de algum dos pilares do hall e então chegam.
Dois homens com estatura média e com máscaras, uma sorridente e outra com semblante triste entram
no hall, o sorridente carrega um saco no ombro e joga no meio do círculo.
- Mulher pesada do caramba... - O sorridente diz
- Você perdeu no par ou ímpar, então só aceita. - O triste responde
- Bom, ja ta tudo pronto, mas ainda to preocupado com a fogueira que vi la em cima, tinha comida e
tudo mais, será que tem alguem por aqui? - O sorridente diz se virando em direção ao triste.
- Deve ser só um aventureiro qualquer, se ele aparecer a gente da um jeito nele, ja matamos uns 3 so
nesses ultimos meses, mais um pra conta não faz mal. - O triste confiante responde seu colega.
- Então ta... Bem, ja ta tudo pronto, quer começar? Acho que com essa, vai faltar so mais três com
sangue de virgem pra invocarmos a besta. - O sorridente diz com um tom animado.
Após a afirmação um barulho ecoa la de cima, o que chama a atenção de todos...
- Deve ser ele! - O triste afirma
- Começa os preparativos que eu pego ele la! - o sorridente diz e corre para o corredor.
O triste sozinho na sala, começa a acender algumas velas e distribuir em volta do círculo e com minha
paciencia pra esperar o outro chegar até la em cima, me revelo a ele.
- Você ai! Que loucura toda é essa? - Eu digo ja expressando raiva na fala
- Ahhh, ai está você ratinho! Não preciso te responder, você vai morrer mesmo! - O triste diz puxando
sua adaga e uma varinha.
Essa era minha primeira batalha, não sabia muito o que fazer e estava nervoso, então puxo minha
espada um pouco trêmulo e ja vou pra cima do homem triste.
- Ahh que fofo... - O rapaz de máscara triste diz e balança sua varinha fazendo um estrondo que ecoa por
toda a sala.
O golpe dele faz uma onda de som que me arremeça em direção ao pilar onde eu estava escondido
antes e bato com a coluna bem na quina e caio incosciente... Bom, pra minha primeira luta até que fui
bem...