Regimes e Organizações Internacionais
Regimes e Organizações Internacionais
Organizações
Internacionais
Política Contemporânea e
Relações Internacionais
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Informações da disciplina
Curso
Política Contemporânea e Relações
Internacionais
Disciplina
Regimes e Organizações Internacionais
Carga-horária
30 Horas
Professor(a)
Dra. Vanessa Braga Matijascic
Mini currículo
Bacharel e Mestre em Relações Internacionais
(UNESP). Doutora em História (UNESP). Desenvolveu
pós-doutorado em Ciência Política (USP). Atua como
docente em Relações Internacionais desde 2009
e desenvolve pesquisa na atuação da Organização
das Nações Unidas em conflitos internacionais.
2
Apresentação
da disciplina
Esta disciplina te ajudará a compreender e analisar a
estrutura e o funcionamento de Regimes Internacionais
e de Organizações Internacionais (OIs). O aprendizado
possibilitará que haja discussão sobre os principais regimes
internacionais, o papel das Organizações Internacionais
no mundo contemporâneo e o papel de influência que
diversos atores internacionais podem desempenhar nas
Organizações Internacionais. Ter esse conhecimento
auxilia a compreender melhor os desafios que enfrentam
os profissionais de diversas áreas e que se candidatam
para trabalhar como funcionários efetivos nas OIs ou
realizando consultorias para as mesmas. Você irá aprender
um pouco mais sobre isso e também poderá ampliar sua
leitura para além da dimensão teórica. Leia esse livro com
as orientações que complementam os demais materiais
didáticos.
Bons estudos!
Temas da disciplina
Organizações
Internacionais,
Organizações política internacional e
internacionais assimetrias de poder
3
05 Organizações
internacionais | Tema 01
09 Leituras obrigatórias
09 Referências
Regimes
10 internacionais | Tema 02
12 Leituras obrigatórias
13 Referências
14 Organizações
Internacionais, política
internacional e assimetrias
de poder | Tema 03
16 Leituras obrigatórias
16 Referências
17 Segurança Internacional,
Conselho de Segurança e as
operações de paz da ONU |
Tema 04
20 Leituras obrigatórias
20 Referências
4
Organizações
internacionais
Tema 01
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Organizações internacionais
As Relações Internacionais têm uma infinidade de atores políticos possíveis: empresas, ONGs,
grupos que promovem atentados terroristas, organizações intergovernamentais, Estados e
indivíduos. Do ponto de vista político, os Estados têm poder, tanto militar quanto econômico
e nem todas as instituições ou indivíduos detêm isso. De uma perspectiva legal, após a Paz de
Vestfália, os Estados são soberanos e são reconhecidos como atores e sujeitos internacionais do
Direito Internacional Público; outras instituições e indivíduos não têm o mesmo status.
As discussões das organizações intergovernamentais (OIs) são uma constante prática do multilateralismo
e cobrem um amplo escopo, de várias maneiras. Podem ter de 2 a mais de 200 Estados membros (a ONU,
por exemplo). Geralmente, possuem orçamentos de dezenas de milhares de dólares por ano. Algumas
empregam funcionários internacionais e cobrem uma grande variedade de áreas problemáticas: paz e
segurança, direitos humanos ou questões econômicas ou ambientais. Outras ainda atuam em assuntos
bem específicos como a coordenação da aviação internacional ou controle de epidemias e divulgação de
relatórios sobre saúde pública. Na verdade, são poucas as áreas da vida contemporânea em que não há
OIs criando regras, monitorando comportamentos ou promovendo a cooperação.
Estas estão aqui definidas como organizações intergovernamentais inclusivas, parte resultante das
interações dos Estados nacionais modernos que já existia há mais de 200 anos. Antes desse arranjo
institucional, existiam alianças militares que eram junções entre Estados em momentos de beligerância.
Assim, foram as alianças que duraram na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Antes disso, as junções se
estabeleceram no formato imperialista do capitalismo mercantil, como as metrópoles e colônias, ou até
mesmo, no formato do Sacro Império Romano.
As primeiras organizações criadas por tratados, destinadas especificamente a lidar com problemas que
vários Estados enfrentavam em comum, surgiram no século XIX. Elas foram concebidas para atender a
questões muito específicas de natureza econômica e técnica, como criar regras claras para a navegação
no rio Reno, entregar correio internacional ou gerenciar a pesca no Oceano Pacífico. Essas organizações
cresceram logo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) por meio de novas organizações com atribuições
mais amplas.
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Organizações internacionais
Quando pensamos em política internacional, há a presunção de um sistema de Estados soberanos. A capacidade do Estado de
fazer e impor suas próprias regras domesticamente é mais fácil do que na dinâmica da política internacional. No cômputo do peso
dos votos que ocorrem dentro das OIs, os Estados têm necessariamente o mesmo peso, a menos que haja órgãos que excluem
outros países ou atribuam veto a um país quanto à aprovação da maioria. Taiwan, por exemplo, é parte da China. Tem autonomia
equivalente a muitos outros países industrializados, mas o Partido Comunista Chinês não delibera por sua independência por razões
históricas. Logo, Taiwan é representada pela China em muitas OIs.
O sistema de Estados soberanos nem sempre foi o polo organizador das relações internacionais. No passado, os impérios regularam
as relações com outras unidades políticas. As civilizações antigas articularam-se entre alianças e deflagraram guerras de anexação
de territórios. A gênese do atual sistema de Estados superou o sistema feudal. Em 1648, a Paz de Vestfália terminou a Guerra dos
Trinta Anos e diminuiu o papel político da nobreza feudal. As monarquias surgiram em diferentes formatos e os novos Estados-
nacionais foram se organizando, sobretudo, no espaço do continente europeu.
Nos séculos XVII e XVIII, os príncipes eram soberanos. Do ponto de vista da comunidade internacional, um país era propriedade de
seu governante e os representantes do país representavam os interesses do governante, e não da população. A partir do século XIX,
e mais ainda no século XX, os cidadãos tornaram-se soberanos. Isso representou um grande avanço no que alcança a temática dos
direitos humanos e cidadania.
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Organizações internacionais
Quanto mais poder um país tem, maior é a possibilidade de influenciar decisões dos
demais Estados. Os Estados Unidos, por exemplo, têm muito mais influência na criação
e mudança das regras do comércio internacional do que Cingapura, Sri Lanka e Costa
Rica. É um país forte comercialmente e muito competitivo.
Logo, a ausência de um ator acima dos Estados revela a anarquia do sistema internacional. Somente,
constrangimentos e medidas como sanções comerciais, intervenções militares podem frear um Estado.
Hedley Bull no livro The Anarchical Society: A Study of Order in World Politics mencionou tradições de
pensamento na compreensão do problema da ordem internacional. Destacam-se a tradição realista
e a tradição internacionalista (idealismo). A tradição realista enxergou os Estados em uma situação de
anarquia, com pouco para contê-los, exceto o poder de outros Estados. A tradição internacionalista
analisou as relações internacionais como ocorrendo dentro de uma sociedade de Estados: os Estados são
os principais atores, mas estão sujeitos às regras de comportamento dessa sociedade.
Depreende-se de vários autores do realismo que o papel das OIs nas relações internacionais é limitado.
Para os realistas, como John Mearsheimer (Universidade de Chicago), o árbitro final dos resultados nas
relações internacionais é o poder. Pode-se esperar que os resultados favoreçam aqueles com mais poder,
ou aqueles que usam seu poder de forma mais eficaz. Nessa vertente, os Estados são os atores com mais
poder. Os Estados controlam a maior parte do poder militar do planeta, têm uma capacidade de tributar
que não é compartilhada por nenhuma outra instituição e são os emissores das moedas do mundo. Nessa
sistemática de pensamento, as organizações internacionais não têm esse mesmo papel. Não tendo
capacidade militar independente, elas dependem dos Estados para impor suas regras.
Não tendo capacidade de tributar, eles dependem dos Estados para financiá-los. Não tendo território,
eles dependem de Estados para hospedá-los e ter suas sedes de funcionamento. Como tal, as OIs só
podem realmente ter sucesso quando apoiadas por Estados poderosos. Para os realistas, então, faz pouco
sentido focar a atenção nas OIs, porque as OIs refletem o equilíbrio de poder existente e os interesses dos
Estados poderosos. Assim, faz mais sentido entender as OIs como ferramentas de poder dos Estados mais
poderosos.
Saiba mais
Você poderá ter acesso a leituras adicionais para entender mais sobre o campo profissional e prático das OIs.
02. Para se preparar para começar sua Carreira em Organismos Internacionais, leia também:
“Saiba como começar sua carreira em Organismos Internacionais”. Disponível em:
[Link]
8
Evolução do Desenvolvimento Sustentável
Acesse o podcast
“Elementos
Aprofunde os conhecimentos sobre esse tema do e-book assistindo a videoaula
constitutivos das “Organizações internacionais: origens e definições “ e ouça os podcast: “Elementos
Organizações
Internacionais” constitutivos das Organizações Internacionais” e “Tipologia das organizações
via QR CODE: internacionais”, acesse via QR Code.
Para refletir
01. Quais as vantagens que as Organizações Internacionais oferecem aos Estados?
02. Qual é o papel das Organizações Internacionais na política mundial?
03. Por que as Organizações Internacionais são criadas para durar para sempre?
04. Em que medida as tomadas de decisão facilitam ou atrapalham o papel das OIs?
Acesse o podcast
“Tipologia das
organizações
internacionais”
Leituras obrigatórias:
via QR CODE:
03 International
RUGGIE, John Gerard. “Multilateralism: the anatomy of an institution”.
Organization, v. 46, n.3, 1992, 561-598.
Indicações de filmes/audiobooks:
02 Sergio Vieira de Mello - O Legado de um Herói Brasileiro (Filme Completo) está disponível em:
[Link]
Referências do Tema
BULL, Hedley Bull. The Anarchical Society: A Study of Order in World Politics.
New York: Columbia University Press, 2012.
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Regimes
internacionais
Tema 02
10
Regimes internacionais
Embora a análise institucional tenha sido a abordagem predominante usada para estudar as OIs
nas décadas de 1950 e 1960, a abordagem predominante para estudar as OIs nas décadas de 1980 e
1990 foi a análise dos regimes internacionais. A principal diferença entre uma abordagem de regime
e uma abordagem institucional reside em quem as diferentes abordagens consideram como atores.
Os institucionalistas olham para as próprias OIs como atores e perguntam o que as organizações
fazem. Os analistas de regime, por outro lado, olham para outros atores, principalmente Estados,
como fonte de resultados na política internacional, e perguntam que efeitos os vários princípios,
normas, regras e procedimentos de tomada de decisão associados às OIs têm sobre as expectativas
e comportamentos dos Estados. Os institucionalistas estudam OIs observando o que acontece
dentro das organizações. Os analistas de regime estudam OIs observando o comportamento dos
Estados e os efeitos das normas e regras que as organizações incorporam nesse comportamento.
Há algumas observações que vale a pena mencionar neste ponto sobre a definição de regimes. A
primeira é que eles são específicos de uma área temática; os sistemas de repatriação de refugiados
ou de alocação de cotas nacionais de pesca são regimes, o sistema internacional como um todo não
é. A segunda é que a análise do regime especifica uma série de coisas a serem observadas, como
princípios, normas e regras e procedimentos de tomada de decisão. Isso cobre a gama do muito
geral (princípios) ao muito específico (procedimentos de tomada de decisão), e do explícito (regras)
ao implícito (normas). Diferentes escolas de pensamento dentro da teoria do regime tendem a se
concentrar em diferentes partes dessa definição. Em particular, há uma abordagem racionalista da
teoria do regime que se concentra principalmente em regras e procedimentos e pergunta como
podemos tornar os regimes tão eficientes quanto possível na solução dos problemas para os quais
foram criados. Há também o que tem sido chamado de abordagem reflexivista que se concentra em
princípios e normas. Os proponentes dessa abordagem tendem a fazer perguntas sobre os efeitos
das OIs nas formas como os atores da política internacional pensam e nas ideias que orientam as
relações internacionais.
Os organismos científicos muitas vezes criados por acordos ambientais multilaterais são um exemplo
da primeira categoria. Exemplo disso inclui o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas,
que tem a tarefa de fornecer uma visão geral da ciência existente sobre o tema das mudanças
climáticas. Outro exemplo é o FMI que tem um grupo que cria estudos e investiga as tendências do
sistema financeiro internacional e deixa os relatórios de pesquisa a disposição dos Estados-membros.
Isso confere cenários, tendências e dá previsibilidade para como os Estados-membros podem agir.
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Regimes internacionais
Acesse o podcast
“Regime
A única maneira de interpretar a frase “teoria do regime” é considerá-la uma versão abreviada de duas
palavras da frase mais longa “teoria dos regimes internacionais”. Usar “regime” como um adjetivo ligado
ao substantivo “teoria” sugere que as pessoas que estudam regimes internacionais estão tentando
produzir uma escola distinta e razoavelmente unificada de analistas que se concentram na política mundial
ou nas relações internacionais de uma maneira particular.
Pode-se entender também que os regimes internacionais são um mecanismo de governança global e
harmoniza posições de Estados e consecutivamente de indivíduos. As agendas tornam-se sólidas e a
cooperação efetivamente acontece. Os regimes podem ser resultado de um processo negociado e com
consentimento das partes, podem ser regimes impostos, logo, estabelecidos por Estados potências e/ou
podem ser regimes espontâneos e sem acordo prévio. Para entender melhor a vinculação de regimes e
relações internacionais, segue entrevista com um dos autores que discute o termo e pode elucidar sobre
exemplos da área.
Saiba mais
Você poderá ter acesso a leituras adicionais para entender mais sobre os regimes internacionais.
Aprofunde os conhecimentos sobre esse tema do e-book assistindo a videoaula “Regimes internacionais” e ouça os
podcast: “Definição dos regimes internacionais ” e “Regime internacional dos direitos humanos”, acesse via QR Code.
Para refletir
01. Pense nas diversas práticas do multilateralismo e use exemplos para descrevê-las.
02. Qual é o papel dos regimes internacionais?
03. Por que os regimes internacionais podem moldar o comportamento dos Estados?
04. Explique o surgimento e importância do regime internacional dos direitos humanos.
05. Explique o surgimento e importância do regime internacional dos direitos humanos.
Leituras obrigatórias:
02 Young, Oran R. “Regime Dynamics: The Rise and Fall of International Regimes.”
International Organization 36, no. 2 (1982): 277–297.
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Regimes internacionais
Indicações de filmes/audiobooks:
Referências do Tema
ONUKI, Janina; AGOPYAN, Kelly. Organizações e regimes internacionais. Editora Intersaberes, 2021.
HERZ, Mônica; HOFFMANN, Andrea; TABAK, Jana. Organizações Internacionais: histórias e práticas.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
13
Organizações
Internacionais,
política internacional
e assimetrias de poder
Tema 03
14
Organizações Internacionais, política internacional e
assimetrias de poder
O exemplo mais comum de uma organização intergovernamental exclusiva é a aliança militar. As alianças militares são exclusivas
porque alguns países são inevitavelmente excluídos delas; esse é o objetivo das alianças. São organizações destinadas a proteger os
membros da aliança dos que estão fora dela. Como tal, as alianças militares, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Naturalmente, as OIs revelaram as dinâmicas assimétrica do poder global bem como isso poderá também ser observado nos regimes
internacionais. No período Guerra Fria, observou-se uma vasta disseminação das organizações internacionais. Ao tratarmos destas
organizações é necessário salientar o aspecto da associação voluntária de sujeitos do Direito Internacional – os Estados. Em regra, as
organizações internacionais são associações formadas apenas por Estados.
Sobre a OMC, uma vertente liberal de análise nos permite observar as formas pelas quais os Estados estão cooperando para seu
benefício coletivo. Outra lente tradicional nos permite observar as formas pelas quais os Estados mais poderosos podem alcançar
regras mais próximas de seus interesses do que dos interesses dos Estados mais fracos. Uma leitura sobre os embates na Organização,
nos permite observar as maneiras pelas quais a OMC como organização e a ideia de um sistema de comércio baseado em regras
como norma estão substituindo os Estados como o locus da tomada de decisão real em questões de comércio internacional. O
equilíbrio entre essas três perspectivas pode diferir de organização para organização. Algumas OIs, por exemplo, podem oferecer
maior escopo para políticas de poder do que outras, e algumas podem se engajar em tomadas de decisão mais universalistas do que
intergovernamentais do que outras. Mas podemos abordar esse equilíbrio empiricamente, estudando OIs individuais e o que eles
fazem.
Como exemplo, podemos citar o caso da OMC, criada pelo Protocolo de Marraqueche em 1994 e foi um dos resultados do regime
internacional do comércio. Nesse exemplo, por diversos anos, os temas mais importantes para os países desenvolvidos é que foram
normatizados e regulados satisfatoriamente. Não se chegou a um acordo quanto ao fim dos subsídios agrícolas no início dos anos
2000 e isso levou ao travamento da Rodada Doha em Cancun no ano de 2003. Os países mais competitivos na exportação de gêneros
agrícolas são os em desenvolvimento, mas há muitos subsídios governamentais aplicados ao setor de produção agrícola no mercado
europeu, japonês e estadunidense. Isso faz com que o tema não tenha evoluído de forma a contemplar o interesse dos países em
desenvolvimento nas redadas de negociação antes da OMC (Rodada Uruguai) e depois da criação da OMC (Rodada Doha).
No dia 14 de fevereiro de 1967 foi assinado o Tratado de Tlatelolco na Cidade do México. O documento é um acordo multilateral de
não-proliferação de armas nucleares na América Latina e Caribe, estabelecendo uma zona livre de armas nucleares (ZLAN).
Os mecanismos para que o Tratado entrasse em vigor implicavam em três procedimentos: a ratificação, estabelecer acordos com
a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para o sistema de salvaguardas e a dispensa do artigo 28. Para garantir as
implicações normativas foi criado o Organismo de Proibição de Armas Nucleares na América Latina (OPANAL) com sede no México.
Sob influência das discussões da Organização das Nações Unidas, originou-se o Tratado de Não-Proliferação (TNP) em 1968. O TNP
fazia reservas quanto a produção das cinco potências nucleares, permitindo que as mesmas permanecessem com o seu arsenal
nuclear. Porém, impedia que outros países desenvolvessem tecnologia nuclear para fins bélicos.
Cabe destacar que o posicionamento do Brasil e Argentina foram de resignação quanto ao TNP, não-adesão ao tratado e firmaram
apenas o Tratado de Tlatelolco. A adesão plena ao Tratado de Tlatelolco aconteceu no início dos anos 1990 e quando Brasil e
Argentina resolveram assinar e autorizar a AIEA a fiscalizar suas usinas. Anos mais tarde, Brasil e Argentina assinaram e ratificaram
o TNP. Assim, entraram plenamente para o regime internacional de não-proliferação. O TNP é um tratado internacional que regula
quem pode ter bombas atômicas e quem não pode. As cinco potências nucleares são os membros permanentes do Conselho de
Segurança da ONU. Outros países que têm armas nucleares são: Índia, Paquistão e Israel. A Coreia do Norte era signatária do TNP,
mas abandonou o tratado em 2003. O país segue realizando exercícios militares e atraindo a desconfiança e temor dos países
vizinhos. Assim, veja que o regime internacional de não-proliferação também transparece as assimetrias de poder: quem pode ter
armas nucleares e quem não pode.
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Organizações Internacionais, política internacional e
assimetrias de poder
Acesse o podcast
“Organizações
Jurídicas
Internacionais”
via QR CODE:
Saiba mais
Sobre a retirada da Coreia do Norte do TNP leia a notícia “Coréia do Norte abandona acordo nuclear”
disponível em: [Link]
Aprofunde os conhecimentos sobre esse tema do e-book assistindo a videoaula “Entre o direito internacional
e as questões de segurança” e ouça os podcast: “Organizações Jurídicas Internacionais” e “AIEA e o regime
internacional de não proliferação”, acesse via QR Code.
Para refletir
Acesse o podcast
“AIEA e o regime 01. Você acredita que a Coreia do Norte representa uma ameaça ao leste asiático?
internacional de
não proliferação” 02. Como você entende o objetivo da Coreia do Norte de denunciar o TNP?
via QR CODE:
03. Você considera que a Coreia do Norte queira dissuadir a Coreia do Sul e vizinhos anunciando
exercícios militares nos últimos 5 anos? A Coreia do Norte já promoveu algum teste de bomba atômica?
Pesquise essas informações.
04. Quais sanções o Conselho de Segurança aplicou na Coreia do Norte por ter abandonado o TNP e o
regime internacional de não-proliferação?
05. Quais são as semelhanças entre a Rodada Uruguai e Rodada Doha? Explique.
Leituras obrigatórias:
01 SORTO, Fredys Orlando. A Corte Internacional de Justiça e o caso Estados Unidos – Nicarágua,
Revista de Informação Legislativa, v. 32, n. 127, jul./set. 1995, p.233-239.
Indicações de filmes/audiobooks:
02 ODisponível
Brasil e as Negociações Comerciais: as Experiências da OMC, ALCA e EU.
em: [Link]
Referências do Tema
AZEVÊDO, Maria Nazareth Farani. A OMC e a Rodada Agrícola. Brasília: FUNAG, 2007.
MATIJASCIC, V.B. O jogo de interesse no Tratado de Tlatelolco: de sua origem até meados da década de
90. Ensaios de História (Franca), v.10, p.107-117, 2005.
MATIJASCIC, V.B. O programa nuclear brasileiro a partir de 1975: concepção estratégica e destino
energético. In: HAGE, José Alexandre Altahyde (org.). Política Energética no Brasil sua participação no
desenvolvimento e no relacionamento internacional. 1ed. Curitiba: Appris, 2020, p.307-330.
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Segurança Internacional,
Conselho de Segurança
e as operações de paz
da ONU
Tema 04
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Segurança Internacional, Conselho de Segurança e as
operações de paz da ONU
Para a Organização das Nações Unidas, o mecanismo de segurança coletiva tem por base jurídica o Capítulo
VII da Carta das Nações Unidas e determina que o Conselho de Segurança é o órgão responsável por lidar
com ameaças à paz e à segurança internacionais. Sabemos que o Conselho de Segurança não obteve tantas
resoluções aprovadas ao longo da Guerra Fria por conta dos sucessivos vetos dados pelos Estados Unidos ou
União Soviética. Porém, a partir do início da década de 1990, o Conselho de Segurança tornou-se muito ativo,
principalmente, com aprovações de operações de manutenção de paz.
Tradicionalmente, pode-se ter os interesses estatais definidos para preservar ou conquistar mais poder. A
preservação e a conquista do poder acontecem pelo emprego das forças armadas para sustentar e ganhar
mais poder. O obstáculo que impeça a concretização dos objetivos é a ameaça a ser combatida no paradigma
tradicional de segurança.
Com a transição para o mundo pós-Guerra Fria, há a redefinição de ameaças à segurança e à paz internacionais.
Muitas ameaças não se configuram apenas como ameaça a segurança nacional de um Estado especificamente,
mas podem se tornar ameaças globais a serem combatidas de forma difusa, como o terrorismo, o narcotráfico,
a proliferação nuclear, os Estados frágeis, migrações internacionais, etc...
Atualmente, os conflitos que predominam quantitativamente no mundo são de origem interna aos Estados.
As dimensões são diversas: étnica, religiosa, racial, tribal, etc... Atuar como terceira parte apaziguadora,
isto é, como mediador das partes combatentes exige parcimônia, habilidade para negociar, perseverança,
sensibilidade e imparcialidade.
Como destacamos anteriormente, ONU e OTAN atuam no envio de tropas que auxiliam para cumprir essa
missão. Porém, cabe também aprofundar-se sobre a resolução de conflitos e as intervenções humanitárias
que são realizadas pela União Africana, tendo como exemplo Darfur. Muitas atividades acontecem em países
considerados Estados frágeis ou falidos.
Estados frágeis é bastante difundido em parte da literatura norte-americana. A interpretação pode ser
resumida no fato de que o desenvolvimento das instituições burocráticas está muito fragilizado e corrompido,
muitas vezes não assegurando o bem-estar da população, nem mesmo conseguindo prover o mínimo de
serviços públicos adequadamente. Também são países que não conseguem assegurar totalmente sua
soberania, logo, é muito difícil olhar para essa conjuntura e situar que tais países atingiram o que classicamente
(e historicamente) conhecemos como Estado-nação.
Explicando a interpretação historicamente equivocada já conseguimos antecipar o motivo pelo qual o termo
Estado-falido assume um tom pejorativo. Ademais, também podemos utilizar da mesma literatura norte-
americana, dando destaque a Francis Fukuyama, que os Estados-falidos são mais propensos a participarem de
redes internacionais criminosas e rede de inteligência ilegais e a serviço do terrorismo.
Assim, tentando não generalizar a condição de todos esses países na condição de Estados-falidos, pretende-
se chamá-los de Estados fragilizados, isto é, países que necessitam fortalecer seu aparato burocrático estatal
para atender as necessidades da população, bem como garantir soberania territorial. Tais exemplos incluem:
Somália, Sudão, Libéria, Haiti...
18
Segurança Internacional, Conselho de Segurança e as
operações de paz da ONU
Porém, os interesses dos países ocidentais nem sempre atribuem para si a responsabilidade em atuar
na recuperação desses países. Portanto, podemos inferir que os Estados fragilizados que são atendidos
por fundos de financiamento de governos ou até mesmo por organizações não-governamentais, muitas
vezes escondem por trás “das boas intenções” interesses políticos, como: lavagem de dinheiro; uso
facilitado de recursos naturais; etc...
A Organização Fund For Peace faz todos os anos um ranking do que eles denominam Estados-frágeis e
você pode ter acesso a isso pela internet.
As operações de manutenção de paz (OPM) da Organização das Nações Unidas (ONU) podem ser
definidas como um instrumento de administração de conflitos inter-estatais (entre Estados) ou intra-
estatais (internos ao Estado), por meio de uma intervenção pautada na imparcialidade e consentida pelo
Estado ou Estados anfitriões (CARDOSO, 1998, p.19).
Tais operações surgiram como uma medida contingencial, frente às dificuldades do sistema de segurança coletiva previsto nos
artigos da Carta de São Francisco, principalmente pela falta de consenso entre os cinco membros permanentes do Conselho de
Segurança durante a Guerra Fria. Entre 1948 - quando foi autorizada a primeira OPM e que era missão de observação militar - e o
final da década de 1980, foram executadas 13 operações, compostas tanto por pessoal desarmado (forças de observação), como
por tropas armadas (forças de paz).
Os principais fatores que influenciaram a proliferação das missões de manutenção da paz neste período são: o ressurgimento
de tensões que se supunham superadas, como os conflitos de fundo étnico, religioso ou nacionalista; o maior apoio das grandes
potências às atividades da ONU no campo da manutenção da paz e segurança; e a “crescente universalização dos valores da
democracia e do respeito aos direitos humanos” (FONTOURA, 1999, pp. 84-94).
Contudo, esta nova fase trouxe vários obstáculos aos princípios tradicionais das OPM (respeito à soberania estatal; imparcialidade
da missão; consentimento das partes em conflito; uso da força somente em autodefesa), já que em lugar dos conflitos
interestatais que a organização estava acostumada a lidar, a ONU foi desafiada pela emergência de novos conflitos de natureza
intra-estatais.
Em resposta a este cenário, a ONU passou a autorizar missões cada vez mais complexas, incorporando
funções, atividades e objetivos às missões de paz tradicionais. Surgiram o que analistas denominam
operações de segunda geração, com mandatos orientados à prestação de ajuda humanitária, verificação
da situação dos direitos humanos, policiamento ostensivo, supervisão de eleições, auxilio à administração
pública, restauração da infraestrutura e do setor econômico, além dos objetivos tradicionais.
19
Segurança Internacional, Conselho de Segurança e as
operações de paz da ONU
Acesse o podcast
“Funcionamento
do Conselho de
Segurança”
via QR CODE: Saiba mais
Você poderá ter acesso a leituras adicionais para entender mais sobre os estudos de segurança e a atuação do
Conselho de Segurança da ONU.
Acesse o podcast
“Operações da
paz da ONU”
via QR CODE:
Aprofunde os conhecimentos sobre esse tema do e-book assistindo a videoaula “Segurança internacional e a
Organização das Nações Unidas” e ouça os podcast: “Funcionamento do Conselho de Segurança” e “Operações
de paz da ONU”, acesse via QR Code.
Para refletir
01. Quais são os desafios da segurança internacional para os quais o Conselho de Segurança da ONU
está apto a funcionar?
02. Escolha um assunto deliberado pelo Conselho de Segurança e busque notícias na mídia
internacional sobre o assunto. Você julga que o Conselho de Segurança resolveu o impasse? Responda e
justique sua resposta.
03. Explique quais são os princípios das operações de paz da ONU.
04. Qual é a diferença entre as operações de paz da Guerra Fria e pós-Guerra Fria? Explique.
Leituras obrigatórias:
Indicações de filmes/audiobooks:
02 ADisponpivel
História de Um Massacre / Shake Hands With The Devil
em: [Link]
Referências do Tema
CARDOSO, Afonso José Sena. O Brasil nas operações de paz das Nações Unidas. Brasília: Instituto Rio
Branco, Fundação Alexandre de Gusmão, Centro de Estudos Estratégicos, 1998.
FONTOURA, Paulo Roberto Campos Tarrisse de. O Brasil nas Operações de Manutenção da Paz das
Nações Unidas. Brasília: FUNAG, 1999.
PATRIOTA, Antonio de Aguiar. O Conselho de Segurança após a Guerra do Golfo. Brasília: FUNAG, 2010.
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Segurança Internacional, Conselho de Segurança e as
operações de paz da ONU
Referências Complementares
- Hub Visual
O que é ONU?
Fonte: [Link]
Mercosul
Fonte: [Link]
Multilateralismo
Fonte: [Link]
Guerra da Coreia
Fonte: [Link]
Capacetes azuis
Fonte: [Link]
peacekeeping
- Hub Sonoro:
HAAS, E.B. Beyond the nation-state: functionalism and international organization. Imprenta: Stanford,
Stanford University Press, 1968.
HERZ, Mônica; HOFFMANN, Andrea; TABAK, Jana. Organizações Internacionais: histórias e práticas. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2015, 1-21.
RUGGIE, John Gerard. “Multilateralism: the anatomy of an institution”. International Organization, v. 46, n.3,
1992, 561-598.
MARTIN, Lisa. Interests, power and multilateralism. International Organization, v.46, n.4, 1992, pp. 765-792.
MEARSHEIMER, John J. “The False Promise of International Institutions.” International Security 19, no. 3 (1994):
5–49. [Link]
SEITENFUS, Ricardo. Manual das organizações internacionais. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005, p.23-
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