UNIVERSIDADE TIRADENTES
DISCENTE: Hellen Heloiza Souza Reis
Principais conceitos e princípios da Terapia de Aceitação e Compromisso e da
Terapia Comportamental dialética
1. TERAPIA DE ACEITAÇÃO E COMPROMISSO
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), desenvolvida por Steven C. Hayes,
Kirk D. Strosahl e Kelly G. Wilson, é uma abordagem terapêutica inovadora no
campo da terapia cognitivo-comportamental. Descrita detalhadamente em "Terapia
de Aceitação e Compromisso: O Processo e a Prática da Mudança Consciente" (2ª
edição, 2021), a ACT é fundamentada na Teoria dos Quadros Relacionais (RFT),
uma teoria abrangente sobre a linguagem e a cognição humanas. Seu principal
objetivo é aumentar a flexibilidade psicológica, permitindo que os indivíduos vivam
uma vida rica e significativa, mesmo na presença de experiências internas difíceis.
Flexibilidade Psicológica
A flexibilidade psicológica é a capacidade de estar presente, abrir-se a experiências
internas (pensamentos, sentimentos, memórias) e tomar ações que estejam
alinhadas com os valores pessoais, independentemente das dificuldades
emocionais. Este conceito é central na ACT e é alcançado através da combinação
de seis processos principais.
Seis Processos Centrais
1. Aceitação: Encoraja a aceitação das experiências internas dolorosas, ao
invés de evitá-las ou lutar contra elas. A aceitação é vista como uma atitude
ativa e consciente de abertura, permitindo que os pensamentos e
sentimentos existam sem a tentativa de controle excessivo.
2. Desfusão Cognitiva: Este processo envolve a mudança do modo como as
pessoas interagem com seus pensamentos, reduzindo o impacto e a
influência deles. Técnicas de desfusão ajudam a ver os pensamentos como
eventos transitórios da mente, em vez de verdades literais.
3. Contato com o Momento Presente: Promove a consciência plena e não
julgadora do momento presente. Isso é alcançado através de práticas de
mindfulness, que ajudam os indivíduos a se envolverem de forma mais
completa e direta com o "aqui e agora".
4. O Self como Contexto: Também conhecido como "eu observador", este
processo refere-se à perspectiva de que existe um aspecto do self que é
estável e que observa as experiências internas e externas, proporcionando
uma sensação de continuidade e coerência.
5. Valores: Identificação dos valores pessoais que são fundamentais e que
fornecem direção e motivação na vida. Valores são aspectos da vida que são
importantes e significativos para o indivíduo, e que orientam as ações.
6. Ação Comprometida: Envolve tomar ações eficazes e comprometidas que
estão alinhadas com os valores pessoais, mesmo na presença de barreiras
ou dificuldades internas. É a prática de traduzir os valores em ações
concretas.
Modelo Hexaflex
O modelo hexaflex é uma representação gráfica dos seis processos centrais da
ACT, demonstrando como eles interagem para promover a flexibilidade psicológica.
Este modelo ajuda os terapeutas a identificar quais processos podem estar faltando
ou sendo evitados pelo cliente, e a direcionar a intervenção terapêutica de maneira
mais eficaz.
Prática Clínica
Na prática clínica, a ACT utiliza uma variedade de técnicas experienciadas e
metafóricas para facilitar esses processos. Exemplos incluem exercícios de
mindfulness, metáforas que ajudam a ilustrar conceitos complexos e técnicas de
desfusão cognitiva que desafiam a literalidade dos pensamentos.
A ACT é aplicada a uma ampla gama de problemas psicológicos, incluindo
depressão, ansiedade, dor crônica, estresse e questões relacionadas ao estilo de
vida. Sua ênfase na aceitação, desfusão e ação comprometida fornece uma
abordagem holística e prática para o tratamento psicológico, capacitando os
indivíduos a viverem vidas mais significativas e satisfatórias.
2. TERAPIA COMPORTAMENTAL DIALÉTICA
A Terapia Comportamental Dialética (DBT), desenvolvida por Marsha M. Linehan, é
uma abordagem terapêutica inovadora voltada inicialmente para o tratamento de
indivíduos com transtorno de personalidade borderline, mas que tem se mostrado
eficaz para uma ampla gama de transtornos psicológicos. Descrita em detalhe no
livro "Treinamento de Habilidades em DBT: Manual de Terapia Dialética" (2ª edição,
2018), a DBT combina princípios de aceitação e mudança, integrando técnicas de
terapia cognitivo-comportamental com conceitos de aceitação derivados da prática
de mindfulness.
Princípios Centrais da DBT
A DBT é estruturada em torno de uma série de princípios e estratégias que
promovem a regulação emocional, a eficácia interpessoal e a tolerância ao
sofrimento. Esses princípios são articulados em um conjunto de módulos de
habilidades que são ensinados aos pacientes durante o processo terapêutico.
Equilíbrio entre Aceitação e Mudança
A DBT se baseia no equilíbrio dialético entre aceitação e mudança. Essa
abordagem dialética enfatiza a síntese de opostos, ajudando os indivíduos a
aceitarem suas experiências atuais enquanto trabalham ativamente para mudar
comportamentos disfuncionais. Esse equilíbrio é fundamental para a prática da DBT
e permeia todas as suas estratégias terapêuticas.
Quatro Módulos de Habilidades
1. Mindfulness: Este módulo ensina habilidades de atenção plena que ajudam
os indivíduos a se conectarem com o momento presente de maneira não
julgadora. A prática de mindfulness é fundamental para a DBT, pois fornece a
base para todas as outras habilidades.
2. Regulação Emocional: Este módulo se concentra em ajudar os indivíduos a
entenderem e gerenciarem suas emoções intensas. Técnicas incluem a
identificação e rotulação de emoções, a redução da vulnerabilidade
emocional e o desenvolvimento de estratégias para lidar com emoções
negativas de maneira saudável.
3. Eficácia Interpessoal: Este módulo ensina habilidades para melhorar as
interações com os outros. Isso inclui assertividade, negociação, e o
desenvolvimento de relações equilibradas, onde as necessidades e os
direitos próprios e dos outros são respeitados.
4. Tolerância ao Mal-Estar: Este módulo aborda habilidades para tolerar e
sobreviver a crises emocionais sem recorrer a comportamentos disfuncionais.
Técnicas incluem distração, autoapaziguamento e a aceitação radical das
situações que não podem ser mudadas.
Estrutura da Terapia
A DBT é composta por quatro componentes principais:
1. Terapia Individual: Sessões semanais focadas em motivar o paciente a
aplicar as habilidades aprendidas em situações da vida real e trabalhar em
problemas específicos.
2. Treinamento de Habilidades em Grupo: Sessões semanais em grupo que
ensinam as habilidades dos quatro módulos mencionados. Essas sessões
são estruturadas como aulas, com tarefas de casa para praticar as
habilidades.
3. Coaching Telefônico: Disponível para os pacientes utilizarem fora das
sessões programadas, ajudando-os a aplicar as habilidades em momentos
de crise.
4. Consultoria para Terapeutas: Sessões regulares para terapeutas de DBT
discutirem casos e apoiarem uns aos outros na aplicação dos princípios da
DBT.
Filosofia e Abordagem Terapêutica
A DBT adota uma abordagem validante e colaborativa. A validação envolve o
reconhecimento e aceitação das emoções e comportamentos do paciente como
legítimos, enquanto a colaboração destaca a importância do trabalho conjunto entre
terapeuta e paciente. A filosofia da DBT reconhece a capacidade do paciente para
crescer e mudar, ao mesmo tempo em que reconhece as dificuldades reais que eles
enfrentam.
A aplicação eficaz da DBT tem mostrado melhorias significativas na redução de
comportamentos autodestrutivos, aumento da regulação emocional e melhoria das
habilidades interpessoais. Como resultado, a DBT tem sido amplamente adotada
em diversos contextos clínicos e para uma variedade de transtornos psicológicos.
REFERÊNCIAS
Linehan, M. M. Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia dialética
2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018 (capítulo 1)
HAYES, S. C.; STROSAHL, K. D.; WILSON, K. G. Terapia de aceitação e
compromisso: o processo e a prática da mudança consciente. 2. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2021 (capítulo 1)