Regulamentação do Procurement em Moçambique
Regulamentação do Procurement em Moçambique
Procurement
Conceito
“Procurement é o processo de procurar e encontrar fornecedores e chegar a acordos,
para que se possa fazer aquisição de bens ou serviços de uma fonte externa, geralmente
por meio de licitação.” (LAFFONT e TIROLE, 1993).
Ou ainda, Procurement corresponde a aquisições de bens e serviços, contratação de
obras, compras, aluguel ou arrendamento, e a gestão destes, de acordo com métodos e
procedimentos específicos, pelo Governo.
Em Moçambique Procurement público é regulado pelo Decreto 79/2022 de 30 de
Dezembro. Esse regulamento estabelece o regime jurídico aplicável à Contratação de
Empreitada de Obras Públicas, Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços,
incluindo os de Locação, Consultoria e Concessões. À contratação que tenha por
objecto, simultaneamente, empreitada de obras públicas, fornecimento de bens,
prestação de serviços e locação, aplica-se o regime previsto no presente Regulamento
para a parcela do objecto que tenha maior expressão económica.
Âmbito de Aplicação
Segundo o artigo 2 do Decreto 79/2022 de 30 de Dezembro o presente Regulamento
aplica-se a:
1.A todos órgãos e instituições da Administração Pública, nomeadamente da
administração directa e indirecta do Estado, incluindo a sua representação no
estrangeiro, órgãos de governação descentralizada, autarquias locais, e das demais
pessoas colectivas públicas.
2. As empresas públicas e empresas participadas pelo Estado regem-se por legislação
específica.
3. Os procedimentos competitivos estabelecidos no presente Regulamento não se
aplicam para efeitos de celebração de contratos entre órgãos e instituições do Estado,
apenas os modelos de contratos aprovados, com as necessárias adequações.
4. A contratação de empreitada de obras públicas e fornecimento de bens pode ser
mediante a locação financeira, nos termos da Lei que regula o estabelecimento e
exercício da actividade das instituições de crédito e das sociedades financeiras e
respectivo Regulamento.
5. Para os contratos de adesão, são aplicáveis os modelos de contratos e/ou
procedimentos adoptados pelas respectivas entidades fornecedoras de serviços.
Princípios
Na aplicação do presente Regulamento as partes devem observar os princípios da
legalidade, finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, prossecução e protecção do
interesse público, transparência, publicidade, igualdade, concorrência, imparcialidade,
boa-fé, estabilidade, motivação, responsabilidade, boa gestão financeira, celeridade e os
demais princípios de direito público, aplicáveis.
1. Legalidade: Todas as ações devem ser baseadas na lei, ou seja, devem ser legais e
respeitar as normas estabelecidas.
2. Finalidade: As ações devem ter um propósito específico e legítimo, de acordo com
os objetivos estabelecidos pelo Regulamento.
3. Razoabilidade: As ações devem ser sensatas e justificáveis, evitando excessos ou
arbitrariedades.
4. Proporcionalidade: As medidas adotadas devem ser proporcionais à gravidade da
situação ou ao objetivo a ser alcançado.
5. Prossecução e proteção do interesse público: As ações devem visar o interesse
público, ou seja, o bem-estar da sociedade como um todo.
6. Transparência: As ações devem ser claras e transparentes, permitindo que as partes
envolvidas entendam o que está sendo feito e por quê.
7. Publicidade: As ações devem ser divulgadas de forma adequada, garantindo o acesso
à informação por parte da sociedade.
8. Igualdade: Todas as partes devem ser tratadas de forma igual, sem discriminação
injustificada.
9. Concorrência: Deve haver um ambiente de concorrência livre e justa, garantindo
oportunidades iguais para todos.
10. Imparcialidade: As decisões devem ser tomadas de forma imparcial, sem
favorecimentos ou preconceitos.
11. Boa-fé: Todas as partes devem agir com honestidade e sinceridade, respeitando os
princípios éticos.
12. Estabilidade: As normas e as decisões devem garantir estabilidade e previsibilidade
às relações jurídicas.
13. Motivação: As decisões devem ser fundamentadas, ou seja, devem explicar os
motivos que as justificam.
IV. Júri
Composição do Júri-Artigo 17
O Júri é composto por um número ímpar, sendo um mínimo de três (3) membros,
qualificados na matéria objecto do concurso, dos quais pelo menos um (1) é funcionário
ligado à Unidade Gestora Executora das Aquisições, constituído em cada concurso,
antes da abertura das propostas até a conclusão do processo de avaliação, classificação,
desclassificação e recomendação de Adjudicação, após o qual deverá submeter o
respectivo relatório para decisão da Autoridade Competente, em representação da
Entidade Contratante.
Competências do Júri- Artigo 18
1. São competências do Júri:
a) receber da Entidade Contratante, as propostas dos concorrentes e proceder à sua
abertura;
b) solicitar esclarecimentos aos concorrentes, em nome da Entidade Contratante,
durante a avaliação das propostas;
c) propor à Entidade Contratante a consulta a técnicos e especialistas, quando
necessário;
d) quando necessário, visitar os estabelecimentos comerciais, estaleiros, escritórios dos
concorrentes, para aferir a sua capacidade de acordo com o que tiver sido estabelecido
nos Documentos de Concurso;
e) propor à Entidade Contratante a lista curta, nos concursos com Prévia Qualificação,
em Duas Etapas e para a contratação de serviços de consultoria;
f) propor alterações nas propostas técnicas iniciais, no concurso em Duas Etapas;
g) verificar os requisitos de qualificação dos concorrentes, avaliar e classificar as
propostas e recomendar a adjudicação;
h) deliberar em reunião reservada com a participação da maioria dos seus membros
presentes; e
i) elaborar e remeter o relatório de avaliação à Autoridade Competente, devidamente
fundamentado quanto às razões de facto e de direito que justifiquem a classificação,
desclassificação e recomendação de Adjudicação.
2. As deliberações do Júri devem ser registadas em acta devidamente assinada, dela
constando a fundamentação de classificação, desclassificação e de recomendação da
decisão, havendo voto vencido de algum membro do Júri, tal facto deve ser registado
indicando as razões da discordância.
3. É vedado aos membros do Júri delegar as suas competências.
4. No exercício das suas competências os membros do Júri devem observar os
princípios de independência, imparcialidade e isenção.
Impedimentos dos Membros do Júri- Artigo 19
Aplica-se aos membros que integrarem o Júri os impedimentos estabelecidos no artigo
15 do presente Regulamento.
Prerrogativas- Artigo 21
No desempenho das suas competências, a Unidade Funcional de Supervisão das
Aquisições tem as seguintes prerrogativas:
a) requisitar documentos relacionados com procedimentos de contratação e Contratos;
b) solicitar informações de autoridades competentes sobre actos praticados em
procedimentos de contratação e contratos;
c) propor ao Ministro que superintende a área das Finanças a suspensão de
procedimentos de contratação, quando haja irregularidade na aplicação do presente
Regulamento;
d) ter acesso às informações relativas aos processos de contratação e contratos,
existentes nos órgãos e instituições da Administração Pública, nomeadamente da
administração directa e indirecta do Estado, incluindo a sua representação no
estrangeiro, órgãos de governação descentralizada, autarquias locais e demais pessoas
colectivas públicas; e
e) requisitar, quando necessário, funcionários e agentes do Estado de outros sectores
para compor o grupo de trabalho em matérias técnicas específicas sectoriais.
V. Concorrentes
Elegibilidade- Artigo 22
São elegíveis a concorrer na contratação de empreitadas de obras públicas, fornecimento
de bens ou prestação de serviços ao Estado, pessoas singulares e/ou colectivas,
nacionais e/ou estrangeiras, que estejam inscritas no Cadastro Único de Empreiteiros,
Fornecedores de Bens e Prestadores de Serviços ao Estado previsto no artigo 43 do
presente Regulamento.
Impedimentos de Participação na Contratação- Artigo 23
1. Constituem impedimentos de participação na contratação:
a) ser pessoa singular condenada por sentença judicial transitada em julgado, por
qualquer delito que ponha em causa a sua idoneidade profissional, enquanto durar a
pena;
b) ser pessoa singular disciplinarmente punida por falta grave em matéria profissional,
enquanto durar a sanção;
c) ser pessoa, singular ou colectiva, sancionada por qualquer órgão ou instituição da
Administração Pública, nomeadamente da administração directa e indirecta do Estado,
incluindo a sua representação no estrangeiro, órgãos de governação descentralizada,
autarquias locais, e demais pessoas colectivas públicas, com a proibição de contratar em
razão de prática de acto ilícito em procedimento de contratação, durante o prazo de
vigência da sanção;
d) ser pessoa singular que controla, directa ou indirectamente, pessoas colectivas
enquadradas nas situações mencionadas na alínea c);
e) ser agente que integre o quadro da Entidade Contratante e pessoa responsável por
decisão a ser proferida;
f) ser pessoa colectiva controlada, directa ou indirectamente, por pessoa enquadrada nas
situações definidas nas alíneas anteriores;
g) ser pessoa, singular ou colectiva, que tenha defraudado o Estado ou envolvida em
falências fraudulentas de empresa ou ainda em processo de falência ou
concordata;
h) ser pessoa, singular ou colectiva, cujo capital tenha proveniência comprovadamente
ilícita; e
i) ser pessoa singular ou colectiva que tenha registo de mau desempenho na execução de
contrato de empreitada de obras públicas, fornecimento de bens e prestação de serviços
ao Estado, nos termos do disposto no artigo 284 do presente Regulamento.
2. Não pode participar, directa ou indirectamente, na contratação de empreitada de obras
públicas, fornecimento de bens ou prestação de serviço:
a) o autor do projecto do objecto da contratação, básico ou executivo, ou dos termos de
referência, seja ele pessoa singular ou colectiva;
b) pessoa colectiva, isoladamente ou em consórcio ou em associação, responsável pela
elaboração do projecto ou da qual o autor do projecto seja dirigente, accionista ou
detentor de mais de cinco por cento (5%) do capital social dessa pessoa colectiva ou
responsável técnico do projecto.
3. Pode ser permitida a participação do autor do projecto ou da pessoa colectiva a que se
refere o número anterior, na contratação de empreitada de obras públicas ou prestação
de serviço, ou na execução, como consultor ou técnico, com a função de fiscalizar,
supervisar ou gerir, exclusivamente ao serviço da Entidade Contratante.
Qualificação Jurídica- Artigo 24
A qualificação jurídica afere-se pela apresentação dos seguintes documentos:
a) declaração do concorrente de que não se encontra em qualquer das situações previstas
no artigo anterior;
b) no caso de pessoas singulares, formulário devidamente preenchido, acompanhado de
fotocópia autenticada do documento de identificação; e
c) no caso de pessoas colectivas, formulário devidamente preenchido, acompanhado de
certidão de registo comercial ou documento equivalente.
Qualificação Económico-Financeira- Artigo 25
1. A qualificação económico-financeira afere-se pela apresentação dos seguintes
documentos:
a) no caso de pessoa singular, declaração periódica de rendimentos; e
b) no caso de pessoa colectiva:
i. declaração periódica de rendimentos;
ii. declaração de informação contabilística fiscal; e
iii. declaração de que não há pedido de falência ou concordata.
2. Os Documentos de Concurso podem ainda exigir que o concorrente tenha:
a) facturação em actividades similares ao objecto da contratação;
b) facturação média anual nos três (3) últimos exercícios fiscais de valor igual ou
superior ao valor fixado nos Documentos de Concurso, limitado entre uma (1) a três (3)
vezes o valor estimado das obras, bens ou serviços objecto da contratação;
c) capital social não inferior ao montante fixado nos Documentos de Concurso ou
património líquido no último exercício fiscal, não devendo, ser superior a dois por cento
(2%) do valor estimado das obras, dos bens ou serviços objecto da contratação; e
d) confirmação de facilidades de acesso a créditos nos montantes especificados nos
Documentos de Concurso.
3. Sem prejuízo dos procedimentos estabelecidos em legislação específica no caso de
concurso para concessão, o capital social ou património líquido estabelecido nos
Documentos de Concurso levará em consideração a soma dos encargos económico-
financeiros que a concessionária deve suportar nos três (3) primeiros anos de vigência
da concessão, de acordo com o orçamento elaborado pela Entidade Concedente,
incluindo o valor do preço pela outorga da concessão durante o mesmo período, se
houver.
4 O percentual a ser adoptado em relação ao número anterior será determinado por
despacho conjunto dos Ministros que superintendem as áreas de tutela beneficiárias do
objecto da contratação e das Finanças.
Qualificação Técnica- Artigo 26
1. A qualificação técnica afere-se pela apresentação dos seguintes documentos:
a) certidão emitida por pessoa de direito público ou privado, comprovativa do registo ou
inscrição em actividade profissional compatível com o objecto da contratação;
b) certificado de habilitações literárias e profissionais dos responsáveis pela execução
do objecto do contrato, quando aplicável; e
c) alvará ou documento equivalente.
2. Os Documentos de Concurso podem ainda exigir que o concorrente apresente, de
acordo com a natureza e complexidade do objecto a contratar, o seguinte:
a) declaração do concorrente comprovativa das instalações e equipamentos adequados e
disponíveis para a execução do objecto da contratação, com indicação de todos os dados
necessários à sua verificação;
b) declaração do concorrente comprovativa da equipa profissional e técnica disponível
para execução do objecto da contratação, acompanhada dos respectivos currículos;
c) declaração emitida por pessoa de direito público ou privado comprovativa de que o
concorrente adquiriu experiência em actividades com características técnicas similares
às do objecto da contratação, com indicação dos dados necessários à sua verificação; e
d) certificado de qualidade emitido por pessoa de direito público ou privado, nacional
ou estrangeira, ou declaração de compromisso da empresa de adopção do sistema de
qualidade, homologada pela instituição responsável pela normalização e qualidade.
3. Os Documentos de Concurso devem fixar, de forma clara e objectiva, os dados
mínimos a serem demonstrados pelo concorrente para comprovar as exigências fixadas
neste artigo.
4. A qualificação técnica deve ser compatível com os encargos a serem suportados pelo
concorrente e proporcional à natureza e dimensão do objecto da contratação.
Regularidade Fiscal, Segurança Social e Estatística- Artigo 27
A regularidade fiscal, segurança social e estatística do concorrente afere-se pela
apresentação dos seguintes documentos:
a) certidão válida de quitação emitida pela Administração Fiscal;
b) declaração válida emitida pela instituição responsável pelo sistema nacional de
segurança social; e
c) documento válido emitido pelo Intituto Nacional de Estatística que comprove que a
Empresa presta informação regular, nos termos da legislação estatística vigente.
Concorrente Nacional- Artigo 29
1. Para efeitos do presente Regulamento, considera-se concorrente nacional:
a) pessoa singular que possua nacionalidade moçambicana e devidamente registada para
o exercício de actividade económica; e
b) pessoa colectiva que tenha sido constituída nos termos da legislação moçambicana e
cujo capital social seja detido em mais de cinquenta por cento (50%) por pessoa singular
moçambicana ou por pessoa colectiva moçambicana cujo capital social seja
maioritariamente detido em mais de cinquenta por cento (50%) por pessoa singular ou
colectiva moçambicana.
2. É também considerado concorrente nacional pessoa singular ou colectiva registada
em Moçambique, há mais de cinco (5) anos, com capital social maioritariamente
estrangeiro.
Aplicação da Margem de Preferência- Artigo 30
1. É obrigatória a aplicação das seguintes margens de preferência a concorrentes
nacionais:
a) quinze por cento (15%) do valor do contrato, sem imposto, para empreitada de obras
públicas e prestação de serviços para concorrentes nacionais; e
b) vinte por cento (20%) do valor do contrato, sem imposto, para bens que sejam ou
produzidos no País.
2. São produtos nacionais ou produzidos no País, referidos na alínea b) do n.º 1 do
presente artigo, os totalmente produzidos no País ou produtos
processados/transformados que no processo de transformação deve beneficiar de
incorporação de factores nacionais mínimos de Trinta e Cinco por cento (35%), e para
serviços, pelo menos 60% da massa salarial deve corresponder a remuneração dos
trabalhadores nacionais.
3. Para efeitos de aplicação da margem de preferência, o concorrente nacional, definido
no n.° 1 do artigo 29, deve observar o estabelecido nos Documentos de Concurso.
4. Caso não tenha sido observado o referido no número anterior do presente artigo, é
aplicável a margem de preferência ao concorrente nacional com capital social
maioritariamente estrangeiro, definido nos termos do n.° 2 do artigo 29, de acordo com
o estabelecido nos Documentos de Concurso.
5. Para bens, é indispensável a apresentação do modelo de declaração do produtor para
prova de incorporação de factores nacionais, cujo valor deve corresponder a pelo menos
trinta e cinco por cento (35%) do preço à porta da fábrica do produto acabado, cabendo
ao Ministro que superintende a área das Finanças ajustar a percentagem acima referida,
ou ser titular do certificado válido do selo “Orgulho Moçambicano. Made in
Mozambique”.
6. Na contratação de empreitada de obra de valor igual ou superior a 100.000.000,00 Mt
( cem milhões de meticais), devem ser subcontratadas pelo menos vinte por cento (20%)
dos trabalhos às Micro-Pequenas e Médias Emprensas Nacionais.
7. Excepcionalmente, a Entidade Contratante, pode estabelecer a participação de
concorrentes nacionais, nas modalidades de contratação definidas no presente
Regulamento, quando o valor estimado da contratação não for superior a três (3) vezes o
limite estabelecido nos termos do número 1 do artigo 76, devendo fazer constar,
expressamente no Anúncio e Documentos do Concurso, a elegibilidade de concorrentes
nacionais nos concursos.
8. Quando a Entidade Contratante não aplicar as margens previstas no n.° 1 do presente
artigo, deve fundamentar e juntar no procedimento administrativo de contratação.
Concorrente Estrangeiro- Artigo 31
1. O concorrente estrangeiro deve atender às normas gerais fixadas no presente
Regulamento, em legislação específica e nos Documentos de Concurso, mediante
apresentação de documentos equivalentes aos exigidos a concorrentes nacionais.
2. O concorrente estrangeiro, quer esteja ou não autorizado a exercer a sua actividade
em Moçambique, deve ainda:
a) comprovar a sua qualificação jurídica, económico-financeira, técnica e regularidade
fiscal no país de origem;
b) comprovar a inexistência de pedidos de falência e insolvência ou apresentar
concordata ou documento equivalente no país de origem; e
c) proceder à entrega dos documentos escritos em língua portuguesa.
3. A Entidade Contratante poderá, sempre que julgar necessário, confirmar a veracidade
do conteúdo dos documentos referidos nas alíneas a) e b) do número anterior.
4. Ficam dispensados os requisitos de qualificação estabelecidos nas alíneas a), e c) do
n.º 2 do presente artigo, na contratação pelo sector da saúde ao abrigo da alínea j) do
artigo 97.
5. Sempre que se trate de aquisições à luz da alínea j) do artigo 97 do presente
Regulamento, os concorrentes estrangeiros devem apresentar os seguintes documentos:
a) Certidão de Registo Comercial/Licença ou Equivalente;
b) certificado de qualidade emitido pela entidade reguladora do país de origem ou outra
entidade internacionalmente reconhecida;
c) certificado de boas práticas de produção e ou distribuição; e
d) comprovativos de Capacidade Financeira.
VI. Concurso, Publicação e Notificação
Elementos do Anúncio de Concurso- Artigo 34
1. O Anúncio de Concurso deve, entre outros, definir de forma precisa, suficiente e
clara:
a) a Entidade Contratante que o promove;
b) a modalidade do concurso;
c) o objecto do concurso;
d) o local, dias e horário em que podem ser consultados e/ou obtidos os Documentos de
Concurso;
e) o local, dias e horário da recepção das propostas;
f) o local, dias e horário em que serão abertas as propostas; e
g) valor de Garantia Provisória e sua validade quando aplicável.
2. No concurso para contratação de empreitada de obras públicas, a visita é obrigatória e
o Anúncio de Concurso deve indicar o local de visita da obra, bem como os respectivos
dias e horários.
Publicação do Anúncio de Concurso- Artigo 35
1.O Anúncio de Concurso é divulgado mediante edital, Portal de Contratação Pública,
podendo também ser publicado no Portal da Entidade Contratante, outros portais,
imprensa (rádio e/ou jornal), ou outro meio de comunicação adequado e de fácil acesso
para o público-alvo.
2. A publicação do Anúncio de Concurso na imprensa, deverá ser divulgada pelo menos
duas (2) vezes, pela Entidade Contratante.
3. É obrigatória a publicação de:
a) anúncio de Concurso, que divulga a sua realização, bem como a indicação da
respectiva modalidade de concurso;
b) convite para a manifestação de interesse;
c) convite para inscrição no Cadastro Único de Empreiteiros de Obras Públicas,
Fornecedores de Bens e Prestadores de Serviços ao Estado;
d) adjudicação do objecto do concurso, com indicação da respectiva modalidade de
contratação, o valor da adjudicação e o concorrente vencedor;
e) declaração do beneficiário efectivo, caso o concorrente vencedor seja uma pessoa
colectiva, conforme exigido na legislação aplicável, quanto aos contratos celebrados na
sequência de um Concurso com valor estimado de contratação superior a 60.000.000,00
MT (sessenta milhões de meticais); e
f) Cancelamento ou Invalidação, com indicação das razões para o efeito.
4. Nos casos de alteração do Anúncio do Concurso, o mesmo deve ser divulgado antes
do termo do prazo estabelecido para apresentação de propostas e documentos de
qualificação, pela mesma forma que o texto original, com a prorrogação do prazo, se
necessário.
5. Os procedimentos a serem observados para a apresentação da declaração referida na
alínea e) do presente artigo, serão estabelecidos por Diploma do Ministro que
superintende a área das Finanças.
Conclusão
Em síntese, o Decreto 79/2022 de 30 de dezembro representa um marco no
fortalecimento das políticas de procurement, impulsionando a transparência e a
eficiência nas contratações públicas. Ao incorporar práticas modernas e mecanismos de
controle mais robustos, este decreto não apenas melhora a gestão dos recursos públicos,
mas também fomenta um mercado mais competitivo e equitativo. A implementação
eficaz dessas diretrizes pode servir de modelo para outras jurisdições, consolidando um
sistema de compras públicas mais íntegro e eficaz.