Para a origem da Malária, (Webb Jr., 2009: 43-54). Citado por (SIQUEIRA, A. 2017.
p53) fundamenta:
A origem da malária tem sido amplamente discutida entre investigadores das ciências biomédicas,
sendo considerada um das doenças infecciosas mais antigas. A génese e a transmissão dos parasitas
da malária (Plasmodium) têm sido debatidas, com base em argumentos, designadamente a sua
origem não humana – através dos chimpanzés, outros primatas e galinhas –, a sua origem humana
ou coespeciação, o grau de imunidade das populações, a adaptação dos vetores às condições
climáticas e o tipo de fxação das populações, entre outros.
Segundo Ana Siqueira(2017, p58) Em 1950, a malária era considerada uma doença endémica, em
143 países. Os discursos globais sobre a malária têm sido pautados pela enunciação de objetivos
maiores de controlo da doença, através de declarações internacionais para um mais profundo
comprometimento técnico e fnanciamento aos países mais afetados.
Para o controlo e prevenção da Malária, várias foram as iniciativas, tais como:
Em Outubro de 2007, Bill e Melinda Gates viriam a defnir a erradicação da malária como o grande
objetivo da sua fundação, tendo a OMS apoiado, de imediato, esta intenção.
Iniciativa Presidencial da Malária (The President´s Malaria Initiative) liderada pela USAID.
Fundo Global contra o VIH, Tuberculose e Malária, criado em 2002, entre outras iniciativas
louváveis.
De acordo com o último relatório mundial (World Malaria Report 2016), em 2015, 40 dos 91 países,
onde ocorre a transmissão da malária, reduziram as taxas de incidência para 40% ou mais, entre
2010 e 2015 (OMS, 2016: xvi). Em relação às taxas de mortalidade por malária, entre 2010 e 2015
ocorreu uma redução de 29% (OMS, 2016: xvi). Da totalidade das mortes registadas, no ano de
2015, 92% referiam-se à África subsariana (WHO Região de Africa) e, em termos globais, 70%
incidiam sobre crianças com menos de cinco anos (OMS, 2016: xvi).
Em termos conceptuais, importa fazer a distinção entre controlo, eliminação e erradicação.
Conforme citado em SIQUEIRA, A (2017, p61) O controlo da malária refere-se à redução da doença
para um nível em que já não constitui um problema de saúde pública (OMS, 2006c: 16). A
eliminação da malária signifca a redução para zero da incidência das infeções causadas por um
parasita específco, numa determinada área geográfca, como resultado de um esforço deliberado,
sendo requeridas medidas continuadas de prevenção do restabelecimento da transmissão (OMS,
2014: x). Por fm, a erradicação da malária é defnida pela redução permanente a zero da incidência
da infeção causada por um agente específco, como resultado de esforços deliberados e
temporalmente limitados. Uma vez alcançada a erradicação, não são necessárias medidas de
intervenção (OMS, 2006c: 4).
A Malária, enquanto doença parasitária do sangue, decorre da simbiose de dois elementos: o
parasita, do género Plasmodium e o vetor, do género Anopheles (mosquito).Nos humanos, o
parasita desenvolve-se e multiplica-se, primeiramente, nas células do fígado, passando, de seguida,
para os glóbulos vermelhos. A sua multiplicação destrói os glóbulos vermelhos, dando origem a
novos parasitas-flhos (designados de merozoítos), que continuam o ciclo, através da invasão de
outros glóbulos vermelhos.
Quanto ao diagnóstico da Malária, MISAU, (2011b: 14). Citado por SIQUEIRA, A(2017, p64-65)
fundamenta que:
No caso de uma malária não complicada, ou seja, uma malária sintomática sem sinais de gravidade
ou evidência (clínica ou laboratorial) de disfunção de órgão vital, o doente pode apresentar
cumulativamente, ou não, os seguintes sinais e sintomas: cefaleia, cansaço, dores articulares, dores
musculares, desconforto abdominal e mal-estar geral, seguidos de febre (temperatura axilar igual ou
superior a 37,5ºC), arrepios de frio, sudorese, anorexia, vómitos e/ou diarreia e agravamento do
mal-estar. É frequente observar-se anemia e tosse, em crianças.
Em caso de malária grave, um doente com parasitémia por P. falciparum e sem outra causa óbvia
para a sintomatologia apresenta um ou mais destes achados clínicos ou laboratoriais: prostração,
alteração de consciência ou coma, incapacidade de se alimentar, difculdade respiratória, convulsões
repetidas, colapso circulatório ou choque, edema pulmonar (radiológico), hemorragia espontânea
anormal, icterícia clínica e evidência de disfunção de outro órgão vital, hemoglobinúria (urina
escura), anemia grave, hiperpirexia (temperatura axilar igual ou superior a 39,5ºC) e insufciência
renal (redução da diurese) (MISAU, 2011b: 26).
Desde 2008 que, em Moçambique, o diagnóstico da malária tem de ser acompanhado por evidência
laboratorial quer através da análise de uma amostra de sangue, em laboratório (microscopia), quer
através da realização de um Teste de Diagnóstico Rápido (TDR). A prescrição de tratamento com
antimaláricos fica, assim, sujeita à obtenção de um resultado positivo no exame laboratorial ou no
TDR, existente em todas as Unidades Sanitárias. De acordo com a OMS, a utilização da microscopia
apresenta várias vantagens, tais como a possibilidade de identifcar e quantifcar o parasita, podendo,
deste modo, adequar-se o tratamento.
Quanto ao tratamento da Malária, A nível nacional, os Ministérios da Saúde e os Programas
Nacionais de Controlo da Malária, em particular, são responsáveis pelos estudos de efciência dos
antimaláricos e pela tomada de decisão dos fármacos a adotar, de acordo com o seu custo/efcácia, a
sua posologia, a segurança, os custos associados à introdução de uma linha terapêutica diferente
(formação de profssionais), a aquisição e distribuição dos novos fármacos, a publicação das suas
normas, a criação de material de suporte dessa linha terapêutica) e, em última análise, a aceitação
dos fármacos por parte do consumidor e dos próprios profssionais de saúde.
Em 2010, a OMS atualizou as suas linhas orientadoras quanto ao manejo de casos de malária,
recomendando aos países que adotassem uma das linhas de tratamento abaixo indicadas, de acordo
com o seu perfl epidemiológico e os fatores de ponderação atrás descritos.
Referencial teórico
1- O Programa Nacional de Controlo da Malária
Em Moçambique, a malária é uma doença endémica, em todo o país, variando entre zonas
hiperendémicas, ao longo do litoral, zonas mesoendémicas, nas terras planas do interior, e de
algumas zonas hipoendémicas, nas terras altas do interior (Ministério da Saúde, 2012: 2). Esta
variação está, principalmente, relacionada com o aumento da precipitação e temperatura e,
consequentemente, dos criadouros dos mosquitos anofelinos.
O Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM) foi criado em 1982, mas só em 1991, fndo o
confito civil, é que são adotadas as três principais estratégias orientadoras da sua ação: diagnóstico
precoce e tratamento, controlo vetorial e educação para a saúde (Ministério da Saúde, 2006: 8)
Enquanto entidade responsável por todas as atividades de controlo da malária que decorrem a nível
nacional, o PNCM tem capacidade de decisão, na medida em que há recursos fnanceiros disponíveis
num país em que cerca de 30% do orçamento de estado é fnanciado pela ajuda externa. Recorrendo
aos fundos verticais( programáticos), o PNCM vê o seu poder de decisão restringido pelas
prioridades e modus operandi ditado pelas próprias organizações fnanciadoras.
Cabe ao Ministério da Saúde, em particular ao Programa Nacional de Controlo da Malária, decidir
quantos ciclos de pulverização devem ser realizados por ano e quais os distritos onde ela deve
ocorrer. Esta decisão tem em conta o tipo de transmissão existente no país (transmissão anual
estável, com um incremento após a estação da chuvas), o inseticida utilizado, a sua duração e, por
fm, o fnanciamento e/ou orçamento disponível (entre MISAU e outras fontes) para esta atividade.
2- métodos de prevenção da malária: as redes mosquiteiras e a pulverização intradomiciliária
As redes mosquiteiras
A distribuição de redes mosquiteiras é, provavelmente, uma das estratégias de prevenção da
malária com maior difusão e visibilidade. Vários estudos comprovam a eficácia das REMILD na
redução da morbimortalidade por malária e anemia. Em 2013, a Organização Mundial de Saúde
recomendou a cobertura universal por REMILD, uma vez que, em contextos com elevada
transmissão, existem evidências de que a aplicação combinada de REMILD e PIDOM podem ser mais
eficazes na redução do ciclo de vida do mosquito do que o uso de apenas um dos métodos.
Em Moçambique, atualmente, são distribuídas, gratuitamente, REMILD para as mulheres grávidas,
nas consultas pré-natal. As crianças com menos de cinco anos, consideradas um grupo de risco,
poderão receber, pontualmente, REMILD
distribuídas por Organizações Não Governamentais.
Apesar da rede mosquiteira REMILD ser gratuita nalgum momento o seu uso não é efectivo nem
eficiente, existem relatos de uso das redes para à pesca e uso da rede apenas quando há
mosquitos, principalmente na época das chuvas, em que a densidade vetorial e o risco de
transmissão são maiores.
A PIDOM
A PIDOM é considerada pela OMS como uma intervenção primária na redu-ção ou interrupção da
transmissão da malária para coberturas iguais ou superiores a 80%, nas comunidades abrangidas
pela atividade (OMS, 2006b: 3). Os resultados mais imediatos da PIDOM referem-se ao
encurtamento do ciclo de vida dos mosquitos e à redução da densidade vetorial, atuando de três
modos no vetor endofílico: repele o mosquito (contato físico com o inseticida inexistente), provoca
irritação (depois do contacto com o inseticida) ou elimina-o de um compartimento. Estes três efeitos
atuam de modo signifcativo na diminuição da transmissão do parasita e, consequentemente, no
número de casos de malária reportados.
Desde 2000 que as políticas de prevenção da malária têm sido polarizadas entre as posições pró-
PIDOM e pró-redes mosquiteiras. Os profssionais do Programa Nacional de Controlo da Malária não
são alheios às opções e pressões de outros grupos de interesse, nomeadamente agências bilaterais
e multilaterais, centros de pesquisa, indústria, algumas ONG e investigadores que procuram
destacar as vantagens e riscos de um método em detrimento do outro.
Referências bibliográficas
SIQUEIRA, A.(2017). A Malária em Moçambique: Políticas, Provedores de Cuidados, Saberes e
Práticas de Gestão da Doença. Lisboa, acesso aos 28 de Agosto de 2023, disponível em:
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Saúde.
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Julho 2006 – 2009, Maputo: Ministério da Saúde.
Ministério da Saúde e USAID/Bassopa Malária! (2009), Estudo sobre a Prevenção da Malária na
Gravidez: Analisando os Progressos e as Barreiras na implementação em Moçambique (Relatório
Preliminar), Maputo: Ministério da Saúde.
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Organização Mundial de Saúde (2014), From malaria control to malaria elimination: A manual for
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Organização Mundial de Saúde (2016), World Malaria Report, Genebra: OMS.