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Ética e Legislação na Fonoaudiologia

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Ética na Fonoaudiologia

Conteudista: Prof.ª M.ª Sônia Maria Menezes Martinho

Objetivo da Unidade:

Oferecer aos alunos o conhecimento dos principais parâmetros legais e éticos


em vigor para os profissionais da fonoaudiologia.

📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
📄 Material Teórico
1 /3

Ética das Profissões


Como vimos nas Unidades anteriores, a ética é normativa e diz respeito a condutas, posturas e
posicionamentos que a todo o tempo somos demandados a tomar na vida social. Essas
condutas, como também já estudamos, expressam valores aos quais está subjacente o que

entendemos por “dever ser”. Sem esses parâmetros, somos barcos à deriva, somos mera
repetição e nos perdemos no imediatismo.

O que são as profissões de nosso tempo, da contemporaneidade? Como foram


institucionalizadas, tornando-se necessárias? Como os profissionais respondem as demandas
que lhes são colocadas e como refletem sobre essas demandas, interagindo com a sociedade?
Todas essas questões nos levam a pensar sobre o sentido da nossa profissão, não apenas aquele
que é atribuído em dado contexto histórico, mas também aquele que, conjuntamente, como
sujeitos de um corpo profissional que se localiza sempre na política de saúde, queremos dar ao
nosso fazer!

Assim, encontramos nas leis que regulamentam as profissões e nos códigos de éticas o registro
do que estabelecemos como nossos compromissos e nossas prerrogativas profissionais.
Importante lembrar que as leis e os códigos profissionais mudam ao longo da história,

expressando mudanças que ocorrem na própria sociedade: economia, cultura, políticas sociais.
Em seus códigos de ética, as profissões estabelecem valores e condutas que devem ser
respeitados na relação entre o profissional e as instituições, os outros profissionais e os
usuários de seus serviços.
Falamos aqui duas vezes em políticas: política social e política de saúde. Por quê? Porque é só
quando a ação voltada para a saúde começa a ser institucionalizada, articulada e publicizada que
podemos encontrar o chão no qual pisamos. O Hospital, público ou privado, a Unidade Básica de
Saúde, a Clínica são os nossos campos de trabalho e são os locus, os lugares nos quais a política
de saúde acontece e nos quais se viabiliza o exercício profissional do fonoaudiólogo. A Saúde, a
partir da Constituição Federal de 1988, compõe juntamente com a Previdência Social e a
Assistência Social o tripé da Política de Seguridade Social. São políticas voltadas para a garantia

de condições básicas de segurança social, ou seja, são estabelecidas em um momento em que o


Estado assume como sua responsabilidade ( e também de todos os segmentos da sociedade) a
garantia de que todos (e, por isso a Assistência e a Saúde são políticas universais) têm que ser
atendidos em suas vulnerabilidades que são socialmente situadas, não são problemas
individuais, mas produto de condições sociais. Por esse motivo, antes de tratarmos da ética
profissional na fonoaudiologia, vamos abordar os valores que sustentam o Sistema Único de
Saúde, o SUS?

Em 19/9/1990 foi aprovada a Lei No 8080 que institui o Sistema único de Saúde (SUS),
estabelecendo-se as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a
organização e o funcionamento dos serviços na área. São os primeiros princípios fundamentais
do S.U.S:

“Universalização: a saúde é um direito de cidadania de todas as pessoas e cabe ao

Estado assegurar este direito, sendo que o acesso às ações e serviços deve ser
garantido a todas as pessoas, independentemente de sexo, raça, ocupação ou
outras características sociais ou pessoais.

Equidade: o objetivo desse princípio é diminuir desigualdades. Apesar de todas as


pessoas possuírem direito aos serviços, as pessoas não são iguais e, por isso, têm

necessidades distintas. Em outras palavras, equidade significa tratar


desigualmente os desiguais, investindo mais onde a carência é maior.
Integralidade: este princípio considera as pessoas como um todo, atendendo a

todas as suas necessidades. Para isso, é importante a integração de ações,

incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a


reabilitação. Juntamente, o princípio de integralidade pressupõe a articulação da

saúde com outras políticas públicas, para assegurar uma atuação intersetorial

entre as diferentes áreas que tenham repercussão na saúde e qualidade de vida dos

indivíduos.”

- LEI, s. d.

Observem como os princípios descritos brevemente acima, dizem respeito a normatização de


uma série de valores, devendo, portanto, serem levados em consideração quando estamos
atuando. Os princípios falam sobre a não discriminação, sobre a saúde como parte do
enfrentamento da desigualdade, sobre a intersetorialidade entre as políticas, ou seja, há uma
clara ênfase no paradigma que preside o S.U.S, que é o entendimento da dimensão social dos
problemas com as quais a saúde deve lidar. Vocês podem pensar: isso é muito difícil, pois as
condições de implementação desses parâmetros são, na prática, muito difíceis. Isso é um fato, a
realidade é marcada por contradições que nos desafiam a todo tempo: temos leis sociais
avançadas e condições de implementação de políticas sociais limitadas, mas isso não exclui a
importância (e a necessidade) de que tenhamos no horizonte valores progressistas, de que
tenhamos em mente sempre o “dever ser” da política dentro da qual estamos inseridos como
profissionais. Por esse motivo, aliás, o Estado tem o papel de assessorar as instituições públicas
e privadas para que possam ao máximo atender aos valores e demandas do Sistema Único de
Saúde e a sociedade civil precisa participar ativamente no processo de discussão das políticas.
Há, ainda, dois aspectos importante para o qual chamamos atenção nos princípios do SUS:

A relação entre Universalização e Equidade: A universalização é um princípio que


aponta o SUS como política pública para todos que dela necessitares, se restrições. A
Equidade aponta para o papel da saúde pública em contribuir para a correção das
desigualdades, investindo naqueles que precisam mais, que estão em situação de
maior vulnerabilidade. Daí porque, como já mencionamos aqui, a Saúde é política de
Seguridade Social;
A dupla dimensão que é apontada pelo princípio da Integralidade que chama atenção
para o fato de que o cliente, ou paciente, é um cidadão, têm subjetividade, história, é
precisa ser compreendido na sua totalidade e, também, para o fato de que a política
de saúde não pode ser pensada isoladamente, mas na sua relação com o conjunto de
políticas sociais: assistência social, habitação, educação, alimentação etc.

Reflita
Quando aprendemos as leis e a ética na Universidade pensamos: isso é

muito bonito, isso é teoria pura, mas a realidade com a qual tomamos
contato diariamente é outra. Pessoas que morrem na porta dos
hospitais, populações indígenas morrendo de subnutrição, pessoas
vivendo nas ruas, ambientes de trabalho desumanizados, profissionais
estressados, desmotivados. Por esse motivo é importante parar para
refletir sobre essa difícil relação entre o “dever ser” e o “ser”, quando
falamos em competência profissional, sendo uma de suas dimensões

essenciais a ética. É na teia, no encadeamento das práticas sociais e


profissionais que nos localizamos em nosso dia a dia e precisamos,
portanto, de posse de conhecimentos técnicos específicos,

compreender a relação entre esse “dever ser” e o que está acontecendo.


Nos cabe sim, esgotar as possibilidades de realizar um atendimento
humanizado, de evitar tratar os sujeitos da nossa prática como

objetos, de lembrar a todo tempo que temos um saber e que podemos


dele lançar mão de diferentes formas. Pensem que os resultados de
situações que vemos na televisão (inclusive aqueles positivos que por
esse motivo dão menor audiência na mídia, mas que sabemos,
existem.) que têm relação com o acesso a saúde é produto de uma

sucessão de ações e decisões institucionais e interinstitucionais que


são objetivadas pelas práticas profissionais. Pensando assim podemos
compreender melhor (e o Estágio Curricular Obrigatório é uma grande

oportunidade para esse exercício de reflexão) as escolhas dos


profissionais, a relação que são capazes de estabelecer entre o “dever
ser” e o “ser”.

Vamos tratar a seguir dos parâmetros legais e éticos que terão que ser considerados na sua
futura ação profissional e que foram definidos pelos fonoaudiólogos brasileiros nos últimos
anos e que estão em vigor.

Fonoaudiologia: O Código de Ética e a Lei que


Regulamenta a Profissão no Brasil

Lei que Regulamenta a Profissão


A Lei Nº 6.965, de 09 de Dezembro de 1981 que dispõe sobre a regulamentação da profissão de
Fonoaudiólogo (acesso à sua integra disponibilizado nas referências dessa Unidade), em seu
Art. 1º Parágrafo único define que:
“Fonoaudiólogo é o profissional, com graduação plena em Fonoaudiologia, que

atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológicas na área da

comunicação oral e escrita, voz e audição, bem como em aperfeiçoamento dos

padrões da fala e da voz.”

Assim, a Lei além de estabelecer as condições para que o indivíduo se torne um fonoaudiólogo,
também indica as competências profissionais (todas as ações que concernem ao profissional da
área), a estrutura da organização da categoria profissional para a defesa e fiscalização de seu

exercício (Conselho Federal e Conselhos Regionais) e, ainda inclui, em seus Artigos 21º e 22º, o
que são considerados como infrações e as respectivas penas disciplinares que o desrespeito à lei
que regulamenta profissão e ao código de ética podem implicar, que vão desde a advertência ao
cancelamento do registro profissional. Vejam: A Lei que regulamenta a profissão e o código de

ética, são documentos que, desde o início da formação profissional, são apresentados aos
futuros fonoaudiólogos, portanto é importante que compreendam que, se de posse desse
conhecimento, o profissional em exercício fere esses princípios ele pode ser punido por sua
ação ferir o corpo profissional como um todo. No Artigo 21º, quando descreve as infrações, a Lei

considera que o desrespeito ao Código de Ética é uma delas. Assim, a Ética tem uma função
normativa educativa, mas também pode ser punitiva.

Importante!
Quando falamos no exercício profissional dos fonoaudiólogos,
estamos incluindo aí a prática profissional na docência do ensino
superior, ou seja, a formação profissional. Assim, como vocês verão
mais adiante, a categoria organizada também estabelece parâmetros e

normas para a graduação na área. Cada disciplina, cada conteúdo, cada


orientação acerca do Estágio Supervisionado, que envolve a formação
profissional se estabelece a partir das Diretrizes Nacionais Curriculares
que, assim como o código de ética, são revistas de tempos em tempos.

O Código de Ética Profissional


Antes de entrarmos na análise do Código, é importante que lembremos seu caráter histórico e

social: os códigos são pensados e discutidos a partir da análise que o próprio corpo profissional
(representado pelas direções eleitas de seus Conselhos Profissionais) faz acerca dos valores e
princípios de sua profissão. Assim, ele não pode ser visto como uma imposição, como algo
pensado acima ou fora do exercício profissional, mas sim como resultado do movimento da
profissão e de sua relação com a sociedade, com o Estado, com as outras profissões que é
dinâmica. Valores, como estudamos na Unidade I, são resultantes de relações sociais e se
modificam na história, são repensados, reconstruídos.
Figura 1 – Logo do Conselho Federal de Fonoaudiologia
Fonte: Reprodução

#ParaTodosVerem: a logo do Conselho Federal de Fonoaudiologia é um círculo


que tem no seu centro, em destaque a letra efe em escrita artística e circundando
a parte de cima da letra efe, a palavra Fonoaudiologia, em azul.

Em seu preâmbulo, como vocês podem observar na transcrição que se segue, o Código de Ética
em vigor (última revisão realizada pelo conjunto da categoria organizada em 2021), o código já
aponta os princípios fundamentais que devem reger o exercício profissionais.

“Este Código foi revisado e atualizado dentro dos princípios fundamentais de

respeito à vida, à dignidade e aos direitos humanos, para garantir que o

fonoaudiólogo exerça suas atividades profissionais com competência e seguindo


os preceitos éticos e bioéticos necessários a uma ação comprometida com a

qualidade de vida do cliente, da família e da sociedade.”

Como não podemos reproduzir o Código de Ética na sua integralidade aqui, o link para acesso a
ele encontra-se nas referências da Unidade. Abaixo, apresentamos o sumário do código, para
que compreendam como se estrutura, abrangendo todas as situações em que se insere a práxis

profissional e os cuidados necessários para a garantia da ética em cada uma delas. Em seguida,
oferecemos um comentário geral acerca de cada grupo de capítulos e, daremos destaque aos
valores a serem por princípio considerados na práxis profissional, que se encontram no
Capítulo II.

Capítulo I – Disposições Preliminares


Capítulo II – Dos Princípios Gerais
Capítulo III – Dos Direitos Gerais
Capítulo IV – Das Responsabilidades Gerais

Capítulo V – Dos Relacionamentos


Seção I – Com o Cliente
Seção II – Com Outros Fonoaudiólogos
Seção III – Com os Profissionais das Demais Categorias

Seção IV – Com as Organizações da Categoria


Seção V – Das Relações de Trabalho
Capítulo VI – Do Sigilo Profissional
Capítulo VII – Da Remuneração Profissional
Capítulo VIII – Das Auditorias e Perícias Fonoaudiológicas

Capítulo IX – Da Formação Acadêmica, da Pesquisa e da Publicação


Capítulo X – Dos Veículos de Divulgação, Informação e Comunicação
Seção I – Da Propaganda e da Publicidade
Seção II – Das Redes Sociais
Capítulo XI – Da Observância, Aplicação e Cumprimento do Código de Ética
Capítulo XII – Das Disposições Finais
Como podem observar na estrutura do Código de Ética profissional em fonoaudiologia, após a
identificação dos princípios gerais (Cap II), sobre os quais nos deteremos adiante, o Código vai
apresentando, nessa ordem, os direitos, responsabilidades e as condutas adequadas para todos
os relacionamentos profissionais que envolvem o exercício da fonoaudiologia (Capítulos III, IV e
V). Importante lembrar que o código estabelece parâmetros importantes no que diz respeito não
apenas à nossa relação com outros colegas fonoaudiólogos, mas também como demais colegas
de outras categorias. Damos destaque aqui a essas relações pois a inserção de fonoaudiólogos

em equipes multiprofissionais é significativa e, portanto, o conhecimento de outros códigos


profissionais e o cuidado nesse processo de encontro de saberes é essencial para que
consigamos chegar aos objetivos que fundamentam a existência dessas e equipes, sem perder
de vista as especificidades de nosso exercício profissional e das especialidades dos demais

colegas.

Saiba Mais
Quando falamos de multi ou interdisciplinaridade estamos nos

referindo, respectivamente a soma e a fusão de saberes. Disciplina,


significa conhecimento. Quando falamos de equipes multi e
interprofissionais, indicamos que essa soma e essa fusão de

conhecimentos específicos (médicos, fonoaudiólogos, psicólogos,


assistentes sociais, enfermeiros, etc) se dá na intervenção
propriamente dita, na política de saúde, pensando aqui no nosso
objeto.
Outro aspecto importante acerca dos relacionamentos é o fato de que eles se dão em um
contexto institucional, ou interinstitucional e, portanto, precisamos ter em mente que nós,
assim como os outros profissionais temos um mandato previamente definido pelos lugares que

nos empregam. Os conflitos e impasses que ocorrem nessas relações não devem ser tomados
como “pessoais”, mas sim, compreendidos a partir de uma leitura qualificada dos fundamentos
desses conflitos e impasses. Os princípios e objetivos profissionais são nosso porto seguro e
quando são feridos, precisamos parar para refletir o que fazer, como caminhar no real sem
perder de vista o “dever ser”. O respeito e o reconhecimento aos saberes dos outros
profissionais com os quais trabalhamos, assim com a exigência do respeito aos nossos saberes
são essenciais para o trabalho interprofissional ou multiprofissional. Nenhum profissional
pode ser capaz com seu saber específico de dar conta da complexidade que envolve as relações

sociais, o ser social. Cabe também lembrar do respeito aos saberes e realidades vivenciadas pelo
cliente, ou seja, os sujeitos de nossa intervenção precisam ser compreendidos a todo momento
como cidadãos de direitos e de responsabilidades.

Nos Capítulos subsequentes (VI, VII, VIII, IX e X), o código dá destaque a situações e condições

que podem perpassar os relacionamentos tratados nos Capítulos III, IV e V, e que dizem respeito
ao nosso papel como profissionais em respeitar e valorizar os compromissos que garantem a
importância e a validade da profissão. É interessante que, quando falamos em ética profissional,
muitas vezes a primeira coisa que nos vem à cabeça é o sigilo (Capítulo VI). Não é à toa,
realmente a questão do sigilo ganha capítulo próprio! Nossos clientes, colegas e instituições tem

uma história, um processo com os quais entramos em contato diretamente quando estamos em
exercício.

Importante!
É preciso discernir entre o que “ficamos sabendo” e o que nos cabe
veicular no estrito exercício de nossa profissão. Lembram-se que
tratamos na Unidade I da questão do preconceito? Muitas vezes o
rompimento do sigilo tem relação direta com a confusão entre valores

morais adquiridos e valores da profissão. A ética é o contrário da


violência, certo? Quando quebramos o sigilo sobre informações que o
cliente nos transmite e que dizem respeito apenas aquela interação que

estamos tendo ali, tratamos o cliente como objeto e não como sujeito.

Observem também (entre os Capítulos VI e X) que há um espaço destinado a discussão da ética


na formação acadêmica. Vamos tratar disso quando apresentarmos aspectos da legislação
específica para a formação, mas aqui é importante considerar que a responsabilidade

profissional não é apenas dos docentes, mas também dos fonoaudiólogos em formação, ou seja,
dos estudantes. Observem nos Capítulos IX e X, que há uma série de cuidados importantes
relativos à produção e divulgação dos saberes profissionais. Assim como nos relacionamentos
em nosso cotidiano de intervenção, os processos de pesquisa e de publicização de

conhecimentos requerem observância a princípios éticos para que não sirvam a fins estranhos
aqueles estabelecidos nos princípios e valores da profissão.

Vamos lembrar de momentos anteriores, quando estudamos Foucault. Ele dizia que os saberes
muitas vezes são utilizados pura e simplesmente para reforçar relações de poder que impedem a
promoção da autonomia dos sujeitos e de uma intervenção técnico-profissional ética. Assim,

precisamos ter muito claro o sentido de nossa produção teórica face ao compromisso que temos
com o bem-estar e a qualidade de vida, com a cidadania social, dentro do qual a saúde é um
componente essencial. As metodologias de pesquisa precisam ser pensadas, considerando que
estamos lidando com pessoas, com sujeitos, que têm identidade própria, história.

Importante destacarmos que o fonoaudiólogo é um profissional liberal que, portanto, têm a


possibilidade de prestar seus serviços de maneira autônoma. Mesmo dentro desta condição,
logicamente, os cuidados com informações veiculadas, formas de tratar e de publicizar sua
prestação de serviços em qualquer veículo de comunicação, é necessário se observar as normas
ética (Capítulos X). Ao “aparecermos” para a sociedade, estamos representando a categoria
profissional como um todo. Relativamente a ética em pesquisas, indico também o acesso ao site
do Conselho Nacional de Saúde que conta com uma Comissão de Ética em Pesquisa, responsável
pelas recomendações acerca dessa importante dimensão da práxis profissional.

Nos Capítulos XI e XII, o Código nos remete a lei que regulamenta e profissão, na qual
encontramos as possíveis infrações e, destaca que os Conselhos Regionais e Federal são
responsáveis pela apuração dessas. Muito importante que conheçam o que se considera infração
e que possam identificar quando a fronteira entre o certo e o errado é, ou pode ser ultrapassado
na ação profissional.

Segue a transcrição dos Princípios Gerais - Cap II, para que possamos identificar os valores

profissionais.

Sugerimos que leiam esses princípios compreendendo-os como diretrizes metodológicas,


como parâmetros para atuação profissional, lembrando que a ética é uma dimensão da
competência profissionais.

“Art. 4º Constituem princípios gerais éticos e bioéticos adotados pela

Fonoaudiologia:

I – respeito à dignidade humana e aos direitos humanos, em observância à

proteção dos direitos da criança, do adolescente, do adulto, do idoso, da pessoa

com deficiência e do direito de imagem, privacidade, honra e intimidade;

II – exercício da atividade buscando maximizar os benefícios e minimizar os

danos aos clientes, à coletividade e ao ecossistema;

III – respeito à autonomia do cliente e, nas relações de trabalho, do profissional;

IV – proteção à integridade humana;


V – respeito ao sigilo, à privacidade e à confidencialidade;

VI – promoção da igualdade, da justiça, da equidade e do respeito à diversidade e ao

pluralismo, para que não haja discriminação e estigmatização;

VII – promoção da solidariedade e da cooperação;

VIII – exercício da profissão com honra, dignidade e responsabilidade social;

IX – compartilhamento de benefícios sociais, tanto na assistência quanto na

pesquisa;

X – aprimoramento dos conhecimentos técnicos, científicos, éticos e

socioculturais.

XI – o exercício da Fonoaudiologia por meio da Telefonoaudiologia, mediado por


tecnologias da informação e comunicação, deve seguir os preceitos éticos deste

Código.”

Observem quantos valores estão estabelecidos nesses princípios e como a dimensão técnica e
científica não pode ser pensada isoladamente. Não existe um diagnóstico de distúrbio da
comunicação humana (e, portanto não pode existir um tratamento eficaz) que possa se dar fora

das relações sociais, de um contexto social, histórico geral e específico. O respeito a dignidade
humana e os direitos humanos aparece também, logo no início do Capítulo e é por esse motivo
que vamos abordar na próxima Unidade a Bioética e os Direitos Humanos.

Reflita
Vocês vão trabalhar com idosos, crianças, pessoas com deficiência,
pessoas com problemas de saúde mental, que vivem em diferentes

condições sociais, com identidades e orientações sexuais distintas,


com diferentes níveis de escolaridade, que professam diferentes credos
religiosos e a sua presença diante dessas pessoas representa um elo,

um vínculo de acesso ao direito à saúde, à direitos sociais. Desta


maneira a ética como dimensão da competência profissional é
fundamental para a garantia da coerência entre a dimensão técnica e
os objetivos da profissão, do S.U.S, da saúde como política social.

Importante observar que os Conselhos Profissionais (Conselho Federal e Conselhos Regionais)


são responsáveis pela fiscalização do exercício profissional e que, portanto, quando vivemos
situações que desafiam a nossa conduta profissional ou que nos gerem dúvidas em relação à

ética profissional e institucional, devemos solicitar apoio afim de nos esclarecermos sobre o
melhor caminho a seguir. Isso é fundamental: ao abraçarmos uma profissão, estamos
vinculados a uma categoria profissional (ganhamos um registro profissional), assim como
quando entramos em uma empresa, também encontraremos um código de ética e precisamos
ponderar e refletir sobre nossas ações e decisões em seu caráter institucional e não apenas,
pessoal, individual.

Uma última observação, para que possamos seguir verificando outras normas importantes:
Vocês devem ter percebido que a bioética aparece sempre no Código Profissional dos
Fonoaudiólogos. Vamos abordar a Bioética na próxima Unidade, mas, por enquanto é
importante saber que, sendo a Fonoaudiologia um campo de atuação na saúde, precisa também
considerar princípios da bioética que trata de todas as questões relativas a vida em seu sentido
biológico. Quando falamos que a Fonoaudiologia é um campo de atuação, estamos considerando
que essa atuação se dá na intervenção junto ao paciente, mas, também, na prática teórica: no
campo da pesquisa. A pesquisa em saúde, assim como a intervenção direta, contém uma série de
normatizações e princípios que precisam ser observados.
Apenas a título de reforçar a ideia de que o Código de Ética é um produto do movimento da
profissão na história, destaco o reconhecimento da Telefonoaudiologia como situação de
atendimento e a preocupação para que esta se dê dentro dos princípios éticos da profissão.

Tendo sido o Código revisto em 2021, foi nele incorporada uma possibilidade de atuação
(remota, síncrona) que foi, em várias áreas profissionais, adotada como alternativa no período
da Pandemia do COVID-19. Podemos considerar que se trata de uma modalidade nova de
atendimento em diversas áreas e que devemos nos qualificar, ponderando em conjunto com

nossos colegas e nossa categoria, sobre quando e como, em quais circunstâncias o


teleatendimento é indicado e, de outra parte, em que situações ele não é adequado as requisições
do exercício profissional.

Outros Parâmetros de Conduta Importantes Para a


Fonoaudiologia

Diretrizes Curriculares Nacionais


A Resolução CNE/CES 5, de 19 de Fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais
do Curso de Graduação em Fonoaudiologia. (link de acesso as diretrizes na sua íntegra acesso,
disponível nas Referências da Unidade)

Vamos destacar aqui dois artigos muito importantes que demonstram como a ética opera na
formação profissional e como precisamos estar atentos a isso.

“Art. 3º O Curso de Graduação em Fonoaudiologia tem como perfil do formando

egresso/profissional o Fonoaudiólogo, com formação generalista, humanista,

crítica e reflexiva. Capacitado a atuar, pautado em princípios éticos, no campo


clínico-terapêutico e preventivo das práticas fonoaudiológicas. Possui formação

ético-filosófica, de natureza epistemológica, e ético-política em consonância com

os princípios e valores que regem o exercício profissional. Conhece os


fundamentos históricos, filosóficos e metodológicos da Fonoaudiologia e seus

diferentes modelos de intervenção e atua com base no rigor científico e

intelectual.”

Observem os seguintes trechos: “ formação generalista, humanista, crítica e reflexiva” e


“formação ético-filosófica, de natureza epistemológica, e ético-política em consonância com
os princípios e valores que regem o exercício profissional”.

Nos trechos destacados acima, vemos a relação teoria/prática e, ainda, a relação entre ética e
política. O que se quer dizer nesses trechos sobre o perfil do aluno que se espera formar? Se quer
dizer que ele precisa se valer da razão e da sua autonomia com responsabilidade,
compreendendo que sua ação deve expressar os compromissos éticos profissionais. Qual o
sentido da palavra crítica no primeiro trecho? Significa que o conhecimento adquirido deve
garantir que o estudante seja capacitado para não trabalhar apenas na imediaticidade das
realidades vivenciadas na profissão, mas sim considerando que ele é um sujeito que representa
uma categoria profissional que se insere em uma instituição que, por sua vez, deve se pautar em
parâmetros estabelecidos por uma política social. Observem que os valores aparecem como
diretrizes para a ação, ou seja, a ética é desafiada a se realizar na atuação.

Nos dois próximos artigos das Diretrizes Nacionais Curriculares em destaque, vamos tocar em
um ponto crucial: o Estágio Supervisionado. Esse é o momento da formação no qual vamos
“aprender na prática” e conhecer muito de perto os desafios da profissão, sempre ao lado de um
ou mais profissionais graduados.
Importante!
Na fonoaudiologia, assim como em outras tantas profissões, não

existe a possibilidade de estágio sem a presença de profissionais


graduados na área para a supervisão. Esse é um ponto bastante
importante pois, além de garantir um aprendizado relevante para o

estagiário, é uma forma que a categoria encontra de evitar práticas que


configurem exercício ilegal da profissão.

“Art. 7º A formação do Fonoaudiólogo deve garantir o desenvolvimento de

estágios curriculares, sob supervisão docente, no qual o aluno adquira experiência

profissional específica em avaliação, diagnóstico, terapia e assessoria

fonoaudiológicas. A carga horária mínima do estágio curricular supervisionado

deverá atingir 20% da carga horária total do Curso de Graduação em

Fonoaudiologia proposto, com base no Parecer/Resolução específico da Câmara de

Educação Superior do Conselho Nacional de Educação.

Parágrafo único. Este estágio deve ocorrer, prioritariamente, nos dois últimos

anos de formação. A maioria destas atividades deve ser realizada na clínica-escola,

adequadamente equipada para tal finalidade.”


Como podem observar no Artigo 7º, acima, o estágio é componente curricular obrigatório, como
qualquer outra disciplina, e conta com uma carga significativa do curso e a Universidade deve
oferecer o espaço de uma clínica-escola com supervisão docente para que aconteça. São

possíveis estágios externos? Sim, desde que o campo de estágio seja em instituição reconhecida
pelos Conselhos Municipal e Nacional de Saúde, cadastrada no Conselho de fonoaudiologia e que
possa atender as requisições das Diretrizes Nacionais Curriculares. Outro ponto importante a se
considerar é o que está no parágrafo único: o estágio curricular obrigatório deve se dar nos dois
últimos anos de formação. Por quê? Porque se entende que a carga teórica que precede esse
momento é essencial para o aproveitamento do estágio e isso é uma forma de garantir a
qualificação adequada do corpo profissional.

Regulamentação do Estágio não Obrigatório em Fonoaudiologia


A Resolução do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa nº 358, de 06 de dezembro de 2008 )
“Dispõe sobre a regulamentação de estágio não obrigatório em Fonoaudiologia e dá outras
providências.” (link de acesso a resolução na sua íntegra disponível nas Referências da Unidade)

O Estágio não obrigatório não é previsto nas diretrizes nacionais curriculares, mas é uma
realidade presente em várias profissões e que pode aparecer como alternativa ao estudante de
fonoaudiologia, posto que há uma regulamentação federal que o reconhece. Para que este se
realize, entretanto, o Conselho Federal estabelece parâmetros tão rigorosos como aqueles que
legitimam o Estágio Curricular Obrigatório e é muito importante que se tenha clara essa

normatização. Assim, mesmo não podendo ser incorporado na composição da carga horária do
estágio curricular obrigatório, o estágio não obrigatório precisa ser validado pela Universidade e
requer a formalização de convênio a partir da verificação de algumas condições, entre estas a
existência de supervisão por profissional da área.
Leitura
Lei Nº 11.788, de 25 de Setembro de 2008
Quando a categoria profissional estabelece as normas para a realização
Estágio, o faz de acordo com uma lei federal que trata de todos os
estágios, em todos os níveis de ensino. Trata-se da Lei do 11788 de
2008, conhecida como Lei do Estágio. Há questões, portanto, que
cabem a todos verificar acerca do Estágio em Nível Superior: por
exemplo o tempo máximo diário que o estagiário pode permanecer no

campo que é de seis horas. Por quê? Porque o aluno precisa estudar.
Estágio não é emprego e não pode se configurar como tal. Assim, tanto
das diretrizes curriculares de qualquer curso, quanto as suas

normatizações internas, precisam respeitar os preceitos da Lei do


Estágio, que visa proteger a formação e o exercício profissional.
L11788.

Clique no botão para conferir o conteúdo.

ACESSE

Recomendação Sobre os Ambientes Onde se dá o Exercício


Profissional
A recomendação CFFa nº 13, de 19 de abril de 2010 “Dispõe sobre os ambientes onde são
prestados serviços fonoaudiológicos”.
Disponibilizamos nas referências da Unidade a resolução acima que é de alta importância pois,
sendo que a práxis profissional dos fonoaudiólogos se realiza no campo da saúde em que, como
vimos anteriormente Ética e Bioética convivem intimamente, podemos considerar que o espaço

físico para o seu desenvolvimento não pode ser compreendido como um problema secundário,
mas sim, ao contrário, como determinante para a garantia dos princípios da fonoaudiologia.

Nas recomendações do Conselho Federal, constam detalhadamente exigências acerca dos


espaços equipamentos e recursos humanos que precisam estar presentes para que o exercício
da fonoaudiologia, a relação entre o profissional e o cliente se dê de maneira favorável para
diagnósticos e tratamentos que atendam os princípios técnicos e éticos da profissão. Questões
como o conforto acústico, ventilação, certificação de inspeção da Vigilância Sanitária e do Corpo
de Bombeiros são destacadas também nessas recomendações.

Em Síntese
Nessa Unidade de aprendizagem pudemos conhecer a Lei que
regulamenta e o Código de Ética da Fonoaudiologia, mostrando como

esses marcos normativos reafirmam valores e princípios morais e


éticos que devemos ter em mente a todo momento no nosso exercício
profissional. Vimos que o relacionamento com os profissionais com os

quais trabalhamos requer cuidados, compreensão e respeito assim


como o cliente é sujeito de direitos e de responsabilidades cuja
autonomia precisa ser valorizada. Vimos também algumas outras

normatizações importantes como as Diretrizes Curriculares Nacionais


e as recomendações acerca do espaço profissional, por meio das quais
a categoria profissional busca reforçar seus compromissos éticos,
demonstrando que não há possibilidade em se separar essa dimensão
da teoria e da prática profissional, da base científica e dos

procedimentos técnicos. Por fim, tratamos introdutoriamente da


normatização relativa aos espaços físicos e equipamentos necessários
para o desenvolvimento da prática profissional.

É importante que façam a leitura da Lei que regulamenta a profissão e do Código de Ética
profissional para que possam aprofundar esses conhecimentos na webaula com o professor
responsável pela disciplina! Esses conhecimentos, como já mencionamos aqui, serão revistos
em vários momentos do curso e de uma maneira muito especial, no Estágio Curricular

Obrigatório, quando vocês terão a oportunidade de entrar em contato com a ética na prática da
profissão. Esse será o momento de vivenciar a ética na prática e refletir sobre os seus caminhos
e escolhas que farão na sua futura atuação profissional.

Na próxima Unidade, atendendo ao estabelecido na lei que regulamenta a profissão, ao código de


ética e as diretrizes nacionais curriculares, vamos tratar da Bioética e dos Direitos Humanos

como temas que envolvem a sua futura prática de profissionais em saúde.


📄 Material Complementar
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Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites

Conselho Federal de Fonoaudiologia – CFFA

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ACESSE

Conselho De Fonoaudiologia de São Paulo – 2ª Região

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ACESSE

ANVISA

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ACESSE

Vigilância Sanitária de São Paulo

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ACESSE

Vigilância em Saúde da Cidade de São Paulo

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ACESSE

Comissão Nacional de Saúde Sobre a Ética em Pesquisa

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ACESSE

Leitura

Manual de Biossegurança em Fonoaudiologia

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ACESSE
Ética e Prática Profissional em Saúde

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ACESSE
📄 Referências
3/3

BRASIL. Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes. Brasília
- DF: Casa Civil, 2008. Disponível em: <[Link]
2010/2008/lei/[Link]>. Acesso em: 24/04/2023.

CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Código de Ética da Fonoaudiologia. Brasília: CFFa,


2021. Disponível em: <[Link]
etica/>. Acesso em: 10/04/2023.

BRASIL. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução CFFa nº 358, de 6 de dezembro de


2008. Dispõe sobre a regulamentação de estágio não obrigatório em Fonoaudiologia e dá outras
providências. Brasília - DF: CFFa, 2008. Disponível em:
<[Link]
Acesso em: 24/04/2023.

BRASIL. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Recomendação CFFa nº 13, de 19 de abril de 2010.


Dispõe sobre os ambientes onde são prestados serviços fonoaudiológicos. Brasília - DF: CFFa,

2010. Disponível em: <[Link]


[Link]>. Acesso em: 24/04/2023.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CES 5, de 19 de fevereiro de 2002.


Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fonoaudiologia. Brasília -
DF: CNE, 2002. Disponível em: <[Link]

Acesso em 24/04/2023.
DE SÁ, A. L. Ética profissional. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2019. (e-book).

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