0% acharam este documento útil (0 voto)
43 visualizações10 páginas

Sigilo Profissional e Intimidade em Moçambique

Enviado por

Lavieque
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
43 visualizações10 páginas

Sigilo Profissional e Intimidade em Moçambique

Enviado por

Lavieque
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Engenheria
Departamento de Engenharia Electrotécnica
Ano: 4°Ano

Tema
sigilo

Discentes: Docente:
Scarleth Alexandrina Campos Padre Jorge, Msc

Chimoio, Aril de 2024

1
Conteúdo
Introdução...............................................................................................................................................3
Sigilo........................................................................................................................................................4
Conclusão................................................................................................................................................9
Bibliografia.............................................................................................................................................10

2
Introdução
O principal enfoque deste trabalho, portanto, será esclarecer a aplicação do sigilo como
importante mecanismo de tutela indireta do direito à intimidade, especialmente, solucionando a
dúvida sobre o seu alcance ao profissional de segurança pessoal na preservação da intimidade e
da vida privada da pessoa protegida

Na língua portuguesa, segredo e sigilo são sinônimos. Ao verificar as diversas definições de


sigilo profissional pode-se observar sua similitude tanto enquanto direito como dever do
profissional em não divulgar informações colhidas ou obtidas em decorrência de seu trabalho

Não são todas as profissões que devem a obrigação do sigilo e isso já seria revelador da
disposição social que é atribuída a algumas profissões de terem o dever e o direito de mantê-lo.

O trabalho ira falar também da legislação da Republica de Moçambique, quanto a Sigilo.

3
Sigilo
Para muitos autores, o sigilo é reputado como guardar segredo de outros indivíduos. Em outras
palavras, corresponde a uma postura que uma pessoa deve adotar em não divulgar um fato
pessoal que lhe tenha sido revelado, o qual não se deseja que seja publicitado. Assim sendo, o
sigilo é o comportamento ou a conduta que se espera de alguém que quer guardar um segredo.
LACERDA (2008)

O sigilo trata de uma informação a ser protegida, impõe uma relação entre privacidade e
publicidade, cujo dever profissional se estabelece desde a se ater ao estritamente necessário ao
cumprimento de seu trabalho, a não informar a matéria sigilosa. Sampaio & Rodrigues (2014)

Pode-se entender que sigilo é a capacidade de guardar e proteger uma informação impondo a
privacidade e não publicidade.

Partindo da hipótese que a esfera privada da vida de alguns indivíduos tende a ser confiscada em
maior medida que a da vida de outros, pode-se dizer que o lugar de tensão entre o respeito à vida
privada, sem discriminação, e as escolhas da sociedade estão desaparecendo; é como se todos os
meios fossem válidos desde que justificados.

A vida das pessoas pobres sofre maior interferência e intervenção do poder público e da mídia
sob alegação de segurança e proteção. Na ordem atual em que a mídia explora largamente a
exposição da vida dos indivíduos pobres, a banalização da questão social e o tratamento
sensacionalista dispensados pela mídia fortalecem a despolitização e a naturalização dessas
existências, reforçando um espaço público espetacular que se faz como exposição vazia da vida
privada.

Os pobres, ou melhor, a sua “imagem” tem sido alvo devidamente cuidado pela rede televisiva
ou em mídia social com a justificativa ou alegação de uma eficiente cobertura da realidade. Com
esse propósito, por exemplo, são reproduzidos dezenas de programas, os quais têm como carro-
chefe a exposição dos dramas cotidianos de pessoas pobres, criando uma imagem dessa
população e utilizando-a como produto mercadológico. A variedade como é manipulada a
existência da população pobre percorre muitos programas. (Sampaio & Rodrigues, 2014).

4
Sigilo Profissional
O sigilo profissional impõe a quem exerce certas profissões regulamentadas ou ofícios uma
postura de fidelidade e silêncio ao que lhe for confidenciado, visto que no exercício de suas
atividades laborais tomam conhecimento de informações privilegiadas da vida de outras pessoas.
Alguns desses profissionais são considerados confidentes necessários (padres, médicos,
advogados, psicólogos etc), pois lidam diariamente com revelações de outras pessoas, muitas
vezes íntimas ou secretas, isto como fato inerente ao seu labor. Por isso estão obrigados a manter
em sigilo o segredo revelado, para que seja preservada a intimidade, do interessado.

Geralmente a pessoa demanda o trabalho desses profissionais para que receba algum tipo de
ajuda inerente à atividade laboral prestada. Nesse intuito, necessita expor fatos confidenciais
concernentes à sua vida privada que nem mesmo pessoas mais chegadas do seu convívio íntimo
têm conhecimento. Estabelece-se, portanto, uma relação de confiabilidade que precisa ser
honrada com a proteção devida de tais informações do conhecimento alheio.

Nesse sentido, a obrigatoriedade do sigilo profissional estabelece-se legalmente por motivos de


interesse social, a fim de garantir a relação de confiabilidade entre profissionais e membros de
uma coletividade. No entanto, embora o objeto jurídico tutelado pelo sigilo profissional seja a
fidelidade às informações privilegiadas confiadas pelos clientes, deve-se admitir que a violação
ao sigilo profissional, além de lesionar diretamente a confiança depositada pela vítima no
profissional, produz lesão à intimidade do indivíduo. Nota-se que a exigibilidade do sigilo
profissional se caracteriza, também, como uma forma de tutela indireta do direito à vida privada,
preservando o universo do resguardo.

Todavia, cabe ressaltar que nem todo segredo diz respeito à vida privada de uma pessoa, pois
nem toda informação secreta é privada, como se pode notar nos planos militares que são
classificados de secretos para proteção da soberania nacional. Sendo assim, podemos afirmar que
não é toda a violação do sigilo profissional constituirá lesão ao direito à intimidade.

Sigilo profissional do segurança pessoal


Na maioria das profissões ou funções em que se requer a exigibilidade do segredo profissional,
existe uma relação de confidencialidade, ou seja, o demandado é um confidente necessário

5
perante o qual se expõe o demandante. É assim para os advogados, médicos, psicólogos,
pastores, padres etc. No entanto, não é o que necessariamente ocorre com o segurança pessoal. O
segredo nem sempre é conhecido pelo agente de segurança de modo manifestamente declarado
pela autoridade ou personalidade protegida.

A diferença está no fato de que o segurança pessoal, pelas características inerentes da sua função,
que tem por objetivo a garantia da incolumidade física e moral do seu cliente, participa
intensamente do seu dia-a-dia, planejando e acompanhando-o no seu deslocamento e estada nos
lugares que possam representar uma provável oportunidade de ameaça.

Na prática, o agente de segurança acaba estabelecendo uma relação de confiança com o seu
cliente, integrando assim o universo restrito da vida privada do mesmo, passando a ter acesso a
informações privilegiadas ou até mesmo de foro íntimo do dignitário.

Paulo José da Costa Jr., citando De Lacerda (2008), explica que “o direito à intimidade, com
relação às pessoas célebres, sofre uma limitação, isto não implica a sua verdadeira supressão.
As pessoas notórias podem perder pelo modo peculiar de vida ou profissão em virtude dos quais
se tornaram personalidades de interesse público, numa certa medida o direito à intimidade.
Mas haverão de conservar preservada uma parcela da intimidade, à qual só terão acesso
aqueles a quem for consentido nela penetrar.

O sigilo profissional como forma de proteção do direito à intimidade, representa, portanto, um


dever fundamental do segurança pessoal, o qual terá de conservar as informações conhecidas a
respeito de determinada pessoa fora do alcance de outros, se não houver autorização para que
sejam reveladas.

Legislação da República de Moçambique Sobre Sigilo


Lei N.º 34/2014: Lei Do Direito À Informação
Artigo 20 (Restrições e limites)
1. O direito à informação pode ser restringido, condicionado ou limitado quando a informação
solicitada tenha sido classificada como segredo de Estado, secreta, restrita e confidencial.

2. Sem prejuízo de outras restrições expressamente estabelecidas em legislação específica, as


restrições referidas no número anterior aplicam-se nos seguintes casos.

6
Artigo 23 (Sigilo profissional)
1. A informação relativa ao segredo profissional tem carácter sigiloso.

2. Os servidores públicos e qualquer pessoa que, em razão da sua actividade profissional, tenham
acesso à informação classificada são obrigados a guardar sigilo profissional.

Artigo 24 (Sigilo bancário)


1. É proibida a divulgação, a revelação ou utilização de informação sobre factos ou elementos
respeitantes à vida de instituições de crédito e sociedades financeiras ou às relações destas com
os seus clientes, cujo conhecimento advenha exclusivamente do exercício de funções ou da
prestação de serviços.

2. Os nomes dos clientes, as contas, os movimentos e outras operações financeiras estão


especialmente sujeitos a segredo.

3. Os factos ou elementos das relações do cliente com as instituições de crédito e sociedades


financeiras podem ser reveladas, mediante autorização expressa do cliente.

Artigo 25 (Dados pessoais na posse de autoridades)


As informações relativas à reserva da intimidade na vida privada de uma pessoa física
identificada ou identificável na posse de autoridades não podem ser divulgadas, senão em virtude
de uma decisão judicial.

Artigo 27 (Informação sobre a vida e intimidade privada dos cidadãos)


1. Não é fornecida nem divulgada a informação relativa aos direitos de personalidade,
nomeadamente, a que causar danos ou prejuízos ao direito à honra, ao bom-nome e à imagem
pública.

2. A informação relativa a imagens da vida privada só pode ser divulgada com expresso
consentimento do seu titular

CAPÍTULO IV
Sanções
Artigo 37 (Violação do sigilo)
1. A violação do sigilo profissional é sancionada nos termos da legislação estatutária do
respectivo ramo de actividade ou nos termos da legislação laboral, consoante for o caso.

7
2. As sanções, por violação do segredo de justiça, são fixadas em legislação própria.

3. É aplicável à violação do sigilo bancário o regime estabelecido na legislação bancária

Artigo 41 (Uso indevido da informação)


1. Aquele que, sendo portador de informação, a usar indevidamente incorre em crimes de
difamação, de injúria e ou de calúnia previstos e punidos no Código Penal.

2. Sem prejuízo do previsto no número anterior, quem usar indevidamente a informação pode ser
indiciado de outros crimes.

8
Conclusão
Pode-se entender que sigilo é a capacidade de guardar e proteger uma informação impondo a
privacidade e não publicidade.

Todavia, cabe ressaltar que nem todo segredo diz respeito à vida privada de uma pessoa, pois
nem toda informação secreta é privada, como se pode notar nos planos militares que são
classificados de secretos para proteção da soberania nacional. Sendo assim, podemos afirmar que
não é toda a violação do sigilo profissional constituirá lesão ao direito à intimidade.

Geralmente a pessoa demanda o trabalho desses profissionais para que receba algum tipo de
ajuda inerente à atividade laboral prestada. Nesse intuito, necessita expor fatos confidenciais
concernentes à sua vida privada que nem mesmo pessoas mais chegadas do seu convívio íntimo
têm conhecimento. Estabelece-se, portanto, uma relação de confiabilidade que precisa ser
honrada com a proteção devida de tais informações do conhecimento alheio.

9
Bibliografia
LACERDA L. S, (2008), Sigilo Profissional do Segurança Pessoal como Tutela Indireta do
Direito à Intimidade.

SAMPAIO, S.S & RODRIGUES, F.W, Ética e sigilo profissional 84Serv. São Paulo, mar. 2014

Lei n.º 34/2014: Lei do Direito à Informação. BOLETIM DA REPÚBLICA, PUBLICAÇÃO

OFICIAL DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, 8.º SUPLEMENTO.

10

Você também pode gostar