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Fontes e Interpretação do Direito Fiscal

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Índice

Introdução...................................................................................................................................3

Direito Fiscal...............................................................................................................................4

Fontes do Direito Fiscal..............................................................................................................4

Constituição e princípios constitucionais em matéria de tributação.......................................5

Lei no sentido restrito.............................................................................................................6

Decreto-lei...............................................................................................................................6

Regulamento (Decreto, Diplomas Ministeriais, o Regulamento das Autarquias Locais)......6

Tratados e Convenções internacionais....................................................................................6

Sobre o valor das Ordens Internas da Administração, Jurisprudência, Doutrina e Costume. 7

A Interpretação do direito Fiscais...............................................................................................8

Discussão..................................................................................................................................10

Conclusão..................................................................................................................................11

Recomendação..........................................................................................................................12

Referencia.................................................................................................................................13

2
Introdução

O direito fiscal constitui uma área essencial do sistema jurídico, que visa regular a relação
entre o Estado e os contribuintes no tocante à arrecadação de tributos e sua aplicação. Em
Moçambique, o direito fiscal é de particular importância, dado o papel crucial que a
arrecadação de impostos desempenha no financiamento das políticas públicas e no
desenvolvimento socioeconômico do país.

As fontes do direito fiscal em Moçambique abrangem uma variedade de normas e princípios


estabelecidos na Constituição da República, leis ordinárias, decretos, regulamentos, e até
jurisprudências. A Constituição de Moçambique estabelece os princípios básicos e os limites
da tributação, garantindo a proteção dos direitos dos contribuintes e a obrigação do Estado em
garantir uma tributação justa e equitativa. Leis específicas, como o Código do Imposto sobre
o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS) e o Código do Imposto sobre o Rendimento das
Pessoas Coletivas (IRPC), detalham as normas aplicáveis aos diferentes tipos de tributos.

A interpretação do direito fiscal é uma tarefa complexa que envolve a análise e aplicação das
normas jurídicas em casos concretos. Em Moçambique, essa interpretação é feita
principalmente pelos tribunais, órgãos administrativos e especialistas em direito fiscal, que
buscam harmonizar os interesses do fisco com os direitos e garantias dos contribuintes. A
jurisprudência tem um papel significativo, pois contribui para a formação de precedentes que
orientam a aplicação das normas fiscais. Este trabalho visa explorar de forma aprofundada as
fontes e interpretações do direito fiscal em Moçambique, analisando como as diferentes
normas são aplicadas na prática e o impacto dessa aplicação no sistema tributário nacional.

Ao fim deste estudo, espera-se proporcionar uma compreensão clara e abrangente do direito
fiscal em Moçambique, destacando suas características, desafios e oportunidades de
aperfeiçoamento.
Direito Fiscal
É o conjunto de normas jurídicas que regulam a obtenção das receitas por via do imposto, as
quais estabelecem todos os regulamentos que visam o lançamento, a liquidação e a cobrança
dos impostos. (Campos & Lázaro, 2005)

Portanto, o direito fiscal é o conjunto de normas que disciplinam as relações que se


estabelecem entre o Estado e os outros entes públicos, por um lado, e os particulares, por
outro, por via do imposto, ou seja, conjunto de normas que regulam o imposto desde a
incidência, lançamento, liquidação e cobrança. (Ibrahimo, op. Cit: 17)

Quanto à natureza, o Direito fiscal é um ramo do direito público. De facto, aplicando qualquer
tipo de critério a solução é mesma. Assim: pelo critério dos interesses, o Direito Fiscal
destina-se à satisfação de necessidades da comunidade; pelo critério dos sujeitos, um deles é
necessariamente o Estado, o credor e, pelo critério da posição dos sujeitos, na relação fiscal o
estado se apresenta revestido de poder de mando, do jus imperii. Portanto, qualquer que seja o
critério perfilhado, desagua-se na mesma posição, a de que o direito fiscal é um ramo do
direito público.

No que tange ao âmbito do direito fiscal, ele se adscreve apenas às receitas coactivas
unilaterais, sem nenhuma contrapartida directa, específica e imediata, ou seja, o direito fiscal
disciplina os impostos. Estes possuem “uma suficiente dimensão para suscitar uma construção
dogmática com alguma autonomia” (Sanches 2007: 65).

O direito fiscal integra as normas de soberania fiscal, as normas de incidência, lançamento,


liquidação e cobrança dos impostos, as normas relativas as garantias do sujeito activo e do
sujeito passivo, as normas de procedimento, as normas de sancionamento, as normas de
contencioso fiscal ou de processo, as normas relativas a cada imposto ou tipo de imposto.

Fontes do Direito Fiscal


A Lei é a principal fonte do Direito Fiscal. O termo “lei” tem um sentido amplo, abrangendo a
lei propriamente dita (diploma emanado da Assembleia da República) e o decreto-lei
(diploma emanado do Governo). (Campos & Lázaro, 2005)

Os Regulamentos são diplomas emanados do poder executivo no desempenho da actividade


administrativa, para conveniente execução das leis, não podendo contrariar o disposto na lei,
nem disciplinar matérias que à lei estejam reservadas.
É em conformidade com este sentido que o art. 7 n° 1 da LGT advoga serem fontes
normativas dos impostos a CRM, a lei, o decreto-lei, o decreto, os diplomas ministeriais, das
autarquias locais, o contracto fiscal e as convenções internacionais. Examinaremos
sucessivamente as fontes enunciadas neste preceito legal

Constituição e princípios constitucionais em matéria de tributação


A primeira e mais importante fonte do direito fiscal é a constituição da república, lei
fundamental que contém de uma forma genérica os princípios gerais que norteiam todo o
ordenamento jurídico. É nela onde encontramos princípios respeitantes a disciplina jurídica
dos impostos e que estabelecem limites ao poder tributário. Neste caso e à luz da CRM,
podemos distinguir os seguintes princípios: princípio da legalidade tributária, princípio da
igualdade tributária, princípio da eficiência funcional, princípio de não retroactividade e
princípio de não aplicação analógica. Pene (2013)

Segundo o Pene (2013) o princípio de legalidade5 tem por base a ideia de auto-contribuição,
isto é, à definição dos impostos pelos próprios cidadãos ou através dos seus representantes.
Este princípio visa fundamentalmente a tutela dos valores de segurança jurídica e de
protecção de confiança nas leis fiscais assegurando especialmente a cognoscibilidade, a
previsibilidade e a calculabilidade dos impostos.

Este princípio tem consagração constitucional nomeadamente através dos arts. 100 e 127 n° 2
que dispõe que os impostos são criados e alterados por lei. Este entendimento é reforçado pelo
art. 179 n°2 al. o) que confere à Assembleia da República a competência exclusiva em matéria
da definição das bases da política de impostos e o sistema fiscal.

Com este último preceito constitucional fica mais do que claro que apenas por lei ordinária,
isto é, aquela que promana do órgão legislativo por excelência, é que pode criar, alterar ou
extinguir o imposto. Nota-se, pois, que estamos perante o princípio da legalidade na vertente
da reserva da lei material pelo que o princípio de legalidade fiscal implica que o parlamento
estabelecerá os elementos essenciais dos impostos de forma tão completa quanto possível.
(ISCED, 2016)

O princípio da eficiência tutela o valor do bem comum, promovendo a prossecução dos


interesses públicos extra-fiscais constitucionalmente relevantes que devem ser prosseguidos
pelo Estado e outros entes públicos. É por esta razão que Wagner (apud Pene, op cit:30-31)
advoga que o imposto deveria assumir uma função político-social dirigida a correcção da
repartição dos rendimentos e do património resultante dos mecanismos de mercado operando
em livre concorrência. Por essa razão, o princípio da eficiência funcional, que tem
consagração constitucional no n˚1 do art.127, legitima o uso do sistema fiscal para a
prossecução de fins extra-fiscais relevantes, como por exemplo a redistribuição do rendimento

Outro princípio constitucional é o da anualidade do imposto. Este princípio preconiza que a


cobrança dos impostos deve ser previamente autorizada anualmente, e esta autorização é da
competência da AR nomeadamente através da aprovação do OGE. (ISCED, 2016)

Lei no sentido restrito


Lei parlamentar ou lei no sentido restrito resulta do princípio da legalidade tributária, na
vertente da reserva da lei formal, relativamente a criação e alteração de impostos e
estabelecimento dos seus elementos essenciais. (ISCED, 2016)

Decreto-lei
É fonte de direito fiscal, embora não se possa de forma inovadora, determinar os elementos
essenciais dos impostos, pois por imperativos do princípio de legalidade tributária a criação
dos impostos e a normatividade dos elementos essenciais dos impostos é matéria da lei da
AR. (ISCED, 2016)

Regulamento (Decreto, Diplomas Ministeriais, o Regulamento das Autarquias Locais)


São três tipos essências de regulamentos fiscais: os regulamentos aprovados pelo Governo por
via de decretos; os actos de competências dos Ministros, aprovados através de diplomas
ministeriais e as deliberações de certas entidades públicas menores (autarquias locais).
(ISCED, 2016)

Face ao princípio de legalidade fiscal, os regulamentos, tal como os decretos-leis, não podem
de forma inovadora criar impostos, altera-los ou determinar os seus elementos essenciais. Os
regulamentos devem apenas ser normas meramente complementares ou de execução, visando
apenas determinar os aspectos técnicos que dê em desenvolvimento à legislação tributária (art
11 da LGT)

Tratados e Convenções internacionais


Conforme referido no n˚1 do art.18 da CRM as normas constantes dos tratados e acordos
internacionais, validamente aprovados e ratificados, vigoram na ordem interna após a sua
publicação no boletim da república e enquanto vincularem internacionalmente o Estado
Moçambicano. Estas normas têm na ordem jurídica interna o mesmo valor que os actos
normativos infraconstitucionais da Assembleia da República e do Governo, consoante a forma
de recepção, isto por forca do disposto no n˚2 da disposição retro referida.

Considera-se inconstitucional o n˚1 dot.7 da lei n˚15/2002, de 26 de Junho que prescreve que
as normas do direito internacional que vigoram directamente na ordem interna prevalecem
sobre a lei ordinária. Em matéria fiscal assume relevância as convenções bilaterais para evitar
ou eliminar a dupla tributação internacional, e estas convenções estabelecem regras de
tributação de competências para tributar e regras de repartição de poder de tributar entre os
Estados celebrantes. (ISCED, 2016)

Porem, tratando-se de convenções que versem sobre matérias da competência da AR, como é
o caso de taxas, benefícios fiscais e garantias dos contribuintes, deverão ser ratificados pela
AR, isto por forca do disposto na al. f) do n˚2 do art.179 da CRM.

Assim, as convenções que versem sobre matérias da competência do Governo são nos termos
da al. g) do n˚1 do art.204 da CRM, tendo o mesmo valor que os decretos, donde resulta que
as norma da convenção ratificada pela AR podem ser revogadas ou derrogadas por lei da AR
e as normas de convenção ratificada pelo Governo podem ser revogadas ou derrogadas por
decreto, só assim faz sentido o n˚2 do art.65 do CIRPC que dispõe que quando existe
convenção para evitar a dupla tributação internacional celebrada por Moçambique, a dedução
por dupla tributação internacional a efectuar nos termos do CIRPC, não pode ultrapassar o
imposto pago no estrangeiro nos termos previstos pela convenção. (ISCED, 2016)

Sobre o valor das Ordens Internas da Administração, Jurisprudência, Doutrina e


Costume
As ordens internas (despachos interpretativos, as instruções e as circulares) emanadas pela
Administração Fiscal para esclarecer ou uniformizar o entendimento da lei e o procedimento
dos serviços desenvolvem a sua eficácia exclusivamente na ordem interna da administração
de onde provem. Elas não constituem fontes do direito fiscal, porquanto a sua força
vinculativa se acha circunscrita ou limitada a um sector da ordem administrativa, não
vinculam nem o contribuinte, nem os tribunais. Entretanto, as ordens internas têm o mérito de
uniformizar a aplicação do direito pelos agentes da administração e reduzir as demandas entre
estes e os sujeitos passivos. A jurisprudência e a doutrina têm sido apresentadas como fontes
mediatas do direito fiscal, pois a jurisprudência, apesar de não ser fonte do direito permite um
prognóstico sobre como o direito será aplicado. (ISCED, 2016)
Neste sentido, os acórdãos de uniformização da jurisprudência pelo Tribunal Supremo ou
Tribunal Administrativo e as declarações de inconstitucionalidade e ilegalidade pelo Conselho
Constitucional, constituem fontes imediatas do direito fiscal.

O costume é fonte autónoma de produção jurídica no direito internacional. No âmbito fiscal, o


único costume ou prática reiterada com convicção de obrigatoriedade aceite é a isenção fiscal
atribuída aos representantes do corpo diplomático. (ISCED, 2016)

A Interpretação do direito Fiscais


Interpretação é a determinação do verdadeiro sentido e alcance da lei. Num sentido lato,
abrange a interpretação propriamente dita, bem como a integração ou preenchimento das
lacunas ou dos casos omissos na lei. (Campos & Lázaro, 2005)

Princípios Gerais de Interpretação das Leis, (Campos & Lázaro, 2005):

 interpretação autêntica e interpretação doutrinal - a primeira quando emana do próprio


órgão legislativo (Assembleia da República ou Governo), e a segunda se procede dos
tribunais ou da Administração Pública
 interpretação literal e interpretação lógica - a primeira quando o intérprete tem apenas
em atenção o texto (a letra da lei), e a segunda quando tem em consideração aquilo que
estaria na mente do legislador (o espírito da lei)
 interpretação declarativa, restritiva e extensiva - conforme a letra da lei esteja em
concordância, além ou aquém do espírito do legislador

As posições a favor da existência das regras especiais da interpretaçãodas normas são


expressas de dos princípios, designadamente: “in dúbio contra fiscum e odiosa restringenda”
e “in dúbio pró fisco”. (ISCED, 2016)

Sobre os fundamentos do princípio “in dúbio contra fiscum e odiosa restringenda” Vasco
Guimarães refere que a visão de então considerava o imposto como algo excepcional e
atentatório da dignidade dos cidadãos, só admissível em casos excepcionais e perfeitamente
limitados pelo que em caso de dúvida a solução seria de ser contra o fisco. (ISCED, 2022)

A “in dúbio pró fisco” baseia-se na convicção de que o poder não se exerce arbitrariamente,
nem violentamente e nem em beneficio de um só individuo, ou voluntariamente prestado,
pelos contribuintes através dos votos dos seus representantes no parlamento, pelo que em
casos de duvidas, para os defensores deste principio, prevalece o interesse geral (a tributação),
pelo que as normas fiscais devem ser interpretadas a favor do fisco. (ISCED, 2016)
As normas fiscais em regra são interpretadas como quaisquer outras normas jurídicas, de
acordo com os princípios gerais da hermenêutica jurídica, salvo quando se trate de normas de
incidência, taxas, garantias dos contribuintes, benefícios fiscais, bem como as normas físicas
sancionatórias. Neste prisma, dispõe o n˚1 do art.10 da LGT que “na determinação do sentido
das normas tributárias e na qualificação dos factos a que as mesmas se aplicam são
observadas as regras e princípios gerais de interpretação e aplicação das leis”. Assim na
interpretação das normas tributárias deve tomar-se em consideração os critérios consagrados
no art.9 do Código Civil (CC). (ISCED, 2016)

Nos termos do código civil a interpretação não deve cingir-se a letra da lei, mas reconstruir a
partir dos textos o pensamento legislativo, tendo em conta a unidade do sistema jurídico, as
circunstâncias em que a lei foi elaborada e as condições específicas do tempo em que é
aplicada, devendo ter o mínimo de correspondência verbal, com a letra da lei, presumindo o
intérprete que o legislador consagrou as soluções mais acertadas e soube exprimir os seus
pensamentos em termos adequados. Um aspecto importante é o facto de não ser admissível a
integrações analógicas das lacunas referentes às normas abrangidas pelo princípio da
legalidade. (art. 10 N° 5 da LGT)

Portanto, quanto a interrogação de lacunas, dispõe o n˚5 do art.10 da LGT que as normas
abrangidas pelo princípio da legalidade não são susceptíveis de integração analógica. Em
reforço, vem o art. 5 n˚6 da lei n˚15/2002 de 26 de Junho, referir que as normas que
determinam a incidência e as isenções não são susceptíveis de interpretação extensiva nem
analógica.
Discussão

A Constituição da República de Moçambique é a principal fonte do direito fiscal,


estabelecendo os princípios fundamentais e os limites da tributação. De acordo com o artigo
108 da Constituição, “todos têm o dever de contribuir para as despesas públicas e para a
satisfação das necessidades coletivas, nos termos da lei. Este princípio constitucional
estabelece a base para a obrigação tributária, garantindo que a arrecadação de tributos seja
realizada de forma justa e equitativa. Além da Constituição, várias leis específicas regulam
diferentes aspectos do direito fiscal em Moçambique. Entre as mais importantes estão o
Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS) e o Código do
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRPC), que detalham as normas
aplicáveis à tributação dos rendimentos de pessoas físicas e jurídicas, respectivamente.

A interpretação do direito fiscal em Moçambique é realizada principalmente pelos tribunais,


autoridades administrativas e especialistas em direito tributário. Os tribunais desempenham
um papel fundamental ao resolver disputas entre contribuintes e o fisco, estabelecendo
precedentes que orientam a aplicação das normas fiscais. A jurisprudência, portanto, constitui
uma fonte importante de interpretação do direito fiscal, contribuindo para a formação de um
sistema tributário mais coerente e previsível. A Administração Tributária de Moçambique
(AT) também tem um papel central na interpretação e aplicação das normas fiscais.

Um dos principais desafios na interpretação do direito fiscal em Moçambique é a


complexidade e a frequência das alterações legislativas. As mudanças constantes nas leis
fiscais podem gerar incertezas para os contribuintes e para a administração tributária,
dificultando a aplicação uniforme das normas. Além disso, a capacidade técnica limitada de
alguns agentes fiscais pode resultar em interpretações inconsistentes, aumentando o risco de
disputas tributárias.

Para enfrentar esses desafios, é fundamental investir na capacitação contínua dos profissionais
da administração tributária e no desenvolvimento de mecanismos de comunicação eficazes
entre o fisco e os contribuintes. A simplificação do sistema tributário e a estabilidade
legislativa também são medidas essenciais para promover a justiça e a eficiência fiscal em
Moçambique.
Conclusão

O estudo do direito fiscal em Moçambique revela uma estrutura complexa e multifacetada,


que desempenha um papel crucial no financiamento das políticas públicas e no
desenvolvimento socioeconômico do país. A análise das fontes e interpretações do direito
fiscal mostra que, embora existam normas bem estabelecidas, a aplicação e interpretação
dessas normas enfrentam desafios significativos. A Constituição da República de
Moçambique, junto com leis específicas como o Código do Imposto sobre o Rendimento das
Pessoas Singulares (IRPS) e o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas
(IRPC), fornecem a base legal para a tributação. No entanto, a frequente alteração dessas leis
e a complexidade do sistema tributário contribuem para a incerteza e dificuldades na
conformidade tributária. A interpretação das normas fiscais, realizada principalmente pelos
tribunais e pela Administração Tributária de Moçambique (AT), é essencial para a aplicação
prática das leis fiscais. A jurisprudência e as instruções normativas desempenham um papel
vital na clarificação e uniformização das interpretações, mas a falta de consistência nas
decisões judiciais e a capacidade técnica limitada dos agentes fiscais podem criar obstáculos
adicionais.
Recomendação

Para aprimorar o sistema de direito fiscal em Moçambique e assegurar uma interpretação mais
eficaz e justa das normas tributárias, as recomendações visam criar um ambiente fiscal mais
estável, transparente e justo, promovendo a confiança dos contribuintes e a eficiência da
administração tributária em Moçambique. São recomendadas as seguintes medidas:

Capacitação Contínua dos Profissionais da Administração Tributária: investir na


capacitação contínua dos profissionais da Administração Tributária de Moçambique (AT) é
fundamental para assegurar a correta interpretação e aplicação das normas fiscais. A formação
técnica aprimorada permitirá que os agentes fiscais forneçam orientações consistentes e
minimizem erros interpretativos.

Promoção da Educação Fiscal: A educação fiscal é uma ferramenta poderosa para aumentar
a conscientização dos contribuintes sobre seus direitos e deveres. Campanhas educativas e
programas de formação sobre tributação podem ajudar a fomentar uma cultura de
conformidade fiscal voluntária.

Desenvolvimento de Jurisprudência Consistente: A jurisprudência desempenha um papel


crucial na interpretação das normas fiscais. É necessário promover a consistência nas decisões
judiciais relacionadas a questões tributárias, para que sirvam de orientação clara para a
administração fiscal e os contribuintes. A formação de câmaras especializadas em direito
fiscal nos tribunais pode contribuir para essa consistência.
Referencia

Campos, A. V. A., & Lázaro, C. M. F., (2005). Introdução à Fiscalidade

Ibrahimo, I. (2002). O Direito e a Fiscalidade, ARTC Editora, Maputo.

ISCED, (2016) Manual de Fiscalidade.

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