A mais importante, e fundamento crucial do poder, é a habilidade de dominar as suas
emoções. Reagir emocionalmente a uma situação é a maior barreira ao poder, um erro que
custará a você muito mais do que qualquer satisfação temporária que possa obter expressando
o que sente. As emoções embotam a razão, e se você não consegue ver com clareza não pode
estar preparado e reagir com um certo controle da situação. A raiva é a reação emocional
mais destrutiva, pois é a que mais turva sua visão. Também tem um efeito cascata que
invariavelmente torna as situações menos controláveis e acentua a decisão do seu inimigo. Se
você
está tentando destruir um inimigo que o magoou, é bem melhor desarmá-lo fingindo amizade
do que mostrando que está com raiva.
Amor e afeto também são potencialmente destruidores, quando não permitem que você
enxergue os interesses quase sempre egoístas daqueles de quem você menos desconfia de estar
fazendo o jogo do poder. Você não pode reprimir a raiva ou o amor, ou evitar sentir raiva ou
amor, e nem deve tentar. Mas cuidado com a This document has been created with a DEMO
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maneira como você expressa esses sentimentos, e o que é mais importante, eles não devem
jamais influenciar seus planos e estratégias.
Relacionada com o controle das suas emoções está a habilidade para se distanciar do
momento presente e pensar de forma objetiva no passado e no futuro. Como Janus, a divindade
da mitologia romana com duas faces e guardiã de todos os portões e entradas, você deve ser
capaz de olhar em ambas as direções ao mesmo tempo, para saber lidar melhor com o perigo,
seja lá de onde ele vier. E esse o rosto que você deve criar para si próprio — um que olha
sempre para o futuro e o outro, para o passado. Para o futuro, o lema é “Sempre alerta, todos
os dias”. Nada deve apanhá-lo de surpresa, porque você está constantemente imaginando
problemas antes que eles surjam. Em vez de perder tempo sonhando com o final o feliz para o
seu plano, você deve calcular todas as possíveis combinações e armadilhas que possam
surgir. Quanto melhor a sua visão, quanto mais você
planejar etapas com antecedência, mais poderoso se tornará.
A outra face de Janus olha constantemente para o passado — mas não te para lembrar de
mágoas passadas ou guardar rancores. Isso só limitaria o seu poder. A parte mais importante
do jogo é aprender a esquecer essas coisas que aconteceram no passado e que vão
consumindo as suas energias e turvando o seu raciocínio. O verdadeiro propósito do olho que
espia para trás é ode constantemente se educar — você olha para o passado para aprender
com quem viveu antes de você.
Depois, tendo visto o passado, você olha mais perto as suas próprias ações e as dos seus
amigos. Esta é a escola mais importante para você, porque se baseia na experiência pessoal.
Você começa examinando os erros que cometeu no passado, aqueles que mais dolorosamente
o impediram de progredir. Você os analisa de acordo com os termos das 48 leis de poder, e
extrai daí uma lição e um juramento: “Nunca mais cometo esse erro; não caio mais nessa
arapuca.” Se você for capaz de se avaliar e observar assim, vai aprender a romper com os
modelos do passado — uma habilidade de enorme valor. O poder requer a capacidade de
jogar com as aparências. Com este objetivo, você tem de aprender a usar muitas máscaras e
ter uma cartola cheia de truques. A fraude e o disfarce não devem ser vistos como feios e
imorais. Todas as interações humanas exigem que se trapaceie em muitos níveis, e de certa
forma o que distingue os humanos dos animais é a nossa capacidade de mentir e enganar. Nos
mitos gregos, no ciclo do Mahabharata indiano, no épico de Gilgamesh do Oriente Médio, as
artes ilusórias são privilégio dos deuses; um grande homem, Ulisses por exemplo, era jul gado
por sua capacidade de rivalizar com a astúcia dos deuses, roubando parte do seu poder divino
quando a eles se igualava na esperteza e na trapaça. A fraude é uma arte que a civilização
desenvolveu e a arma mais potente no jogo do poder. Você não consegue trapacear bem se não
se distanciar um pouco de si próprio — se não puder ser muitas pessoas diferentes, vestindo a
máscara que o dia e o momento exigem. Com essa abordagem flexível a todas as aparências,
inclusive a sua, você perde muito do peso interno que mantém as pessoas presas ao chão. Faça
com que seu rosto seja tão maleável quanto o de um ator, trabalhe para esconder dos outros as
suas intenções, pratique atrair as pessoas para armadilhas. Jogar com as aparências e dominar
a arte da ilusão são um dos prazeres estéticos da vida. São também os componentes-chave
para conquistar o poder. Se a fraude é a arma mais potente do seu arsenal, então a paciência
em tudo é o seu maior escudo. Ela impedirá que você cometa burrices. Como o controle das
suas emoções, a paciência é uma arte — ela não surge naturalmente. Mas nada quando se trata
de poder é natural; poder é a coisa mais divina no mundo natural. E paciência é a suprema
virtude dos deuses, que nada possuem a não ser tempo. Tudo de bom acontecerá — a grama
crescerá de novo se você lhe der tempo e prever antecipadamente várias etapas no futuro. A
impaciência, por outro lado, só faz você parecer fraco. E o principal empecilho ao poder.
O poder é essencialmente amoral e a principal habilidade a adquirir é a de ver as
circunstâncias, e não o bem ou o mal. O poder é um jogo — nunca é demais repetir — e no
jogo não se julgam os adversários por suas intenções, mas pelo efeito de suas ações. Você
mede a estratégia e o poder deles pelo que pode ver e sentir. Quantas vezes as intenções de
alguém serviram apenas para perturbar e enganar! O que importa se outro jogador, seu amigo
ou rival, tinha boas intenções e só estava pensando no seu interesse, se os efeitos das ações
dele levaram a tanta ruína e confusão? É natural que as pessoas disfarcem suas ações com
todos os tipos de justificativas, alegando sempre terem agido por generosidade. Você precisa
aprender a rir interiormente sempre que ouvir isto e jamais cair na armadilha de avaliar os
atos e intenções de alguém usando julgamentos morais que são na verdade uma desculpa para
o acúmulo de poder.
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