UNIVERSIDA CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE - UCM
DE
Faculdade
de Economia e Gestão - FEG
A posição do arguido face a publicidade do processo atendendo e considerando o
direito que o mesmo é conferido pela lei da presunção de Inocência
De:
Alcides Alberto Massamba
Tutora: Marlene Paixão
Proposta de Supervisor
Dr. António Leão
Projeto de pesquisa
BEIRA, agosto de 2023
Índice
Introdução 1
Âmbito da Realização do Estudo 1
Problematização 1
Delimitação do Tema 2
Hipóteses 2
Objectivos 2
Geral 2
Específicos 2
Metodologia da pesquisa 3
Método de Abordagem 3
Tipo de Pesquisa 3
O Estatuto de Arguido 3
Estatuto Processual de Arguido Como Garantia Processual 4
Conceito de Arguido 4
A Constituição de Arguido 4
METODOLOGIA DE PESQUISA 5
Tipo de pesquisa 5
Técnicas da pesquisa 6
Técnicas de recolha de dados 6
Entrevistas semiestruturadas 6
População alvo 7
Local de estudo 7
Cronograma das actividades 7
Orçamento 8
Resultados esperados 8
Referências Bibliográficas 10
Introdução
Âmbito da Realização doEstudo
O presente estudo trata da posição em que o arguido se encontra face a publicidade
do processo penal, direito da presunção da inocência. A constituição da república,
confere o direito da presunção da inocência, esse direito é colocado a merecer devido
a publicidade do processo penal, permitindo que a sociedade civil de maneira
indireta, tenha conhecimento do processo, e colocando em causa os direitos
fundamentais do arguido.
Justificativa
No ordenamento jurídico moçambicano concretamente no direito processual penal, o
indivíduo se encontra numa posição inferior ao estado, e devido a esse facto o
indivíduo corre risco de ver os seus direitos serem atropelados pelas normas de
carácter imperativo, em que a mesma coloca em causa os direitos fundamentais do
indivíduo, trazendo efeitos negativas ao indivíduo face a imagem que o mesmo terá
ao olhar da sociedade civil, por essa razão escolhi esse tema. Atendendo e
considerando que muitas vezes o arguido é censurado pela prática de um acto por
força da publicidade processual e a posterior acabam-se constatando que o mesmo
não cometeu esse tal acto, que fez com que o mesmo fosse censurado pela
sociedade civil.
Outra razão que levou a escolha do tema é que actualmente em Moçambique muitos
autores não abordam sobre o tema (posição do arguido face a publicidade do
processo atendendo e considerando o direito que o mesmo é conferido pela lei da
presunção de Inocência) desse modo o tema será um contributo importante aos
estudantes do curso de direito para melhor compreensão do tema em alusão e outros
interessados pela área.
Problematização
Na ordem jurídica Moçambicana, a presunção da inocência é conferida ao arguido, pela
CRM, vide artigo 59/2, acompanhado do artigo 68 CPP, porém esse direito é colocado
em causa, devido a publicidade do processo penal.
1
A questão que se coloca é a seguinte, a publicidade do processo não fere o direito do
arguido, considerando que o facto de ser constituído arguido, não significa que deve-
se dar a conhecer esse facto a sociedade civil, possibilitando a mesma de censura?
Delimitação do Tema
O estudo versará, do direito da presunção da inocência, junto da publicidade do
processo penal pelo qual permite a assistência do processual do público pela
divulgação nos meios de comunicação.
Hipóteses
O estudo terá seguintes hipóteses:
I. Há suscetibilidade de salvaguardar o direito da presunção de inocência, pelo facto de
se reduzir os moldes em que se efetiva a publicidade do processo penal;
II. Pode-se proteger impondo limitações a liberdade de imprensa.
III. Defende-se o direito de presunção de inocência, apesar da publicidade do
processo penal.
Objectivos
Geral
Analisar posição do arguido, diante da publicidade do processo penal
Específicos
Demonstrar o desenvolvimento da presunção de inocência na ordem jurídica
moçambicana, sua natureza jurídica e valor jurídico na esfera jurídica do arguido;
Analisar o estatuto processual do arguido;
Identificar os contornos entre o segredo de justiça, a publicidade do processo e
a presunção de inocência.
2
Metodologia da pesquisa
DEMO apud. FONSECA (2012, p.14) defende que a ciência tem a forma própria de
se desenvolver e, a metodologia é que detém o apanágio do tratamento da forma de
fazer ciência. Pois, a metodologia ocupa-se dos caminhos e procedimentos para o
descortino da realidade teórica e prática, afinal esta é a finalidade da ciência.
Método de Abordagem
LAKATOS, Eva et. MARCONI (1992, p.106)3 consideram método a sucessão de passos
a ser seguida ou, o conjunto de procedimentos sistemáticos e lógicos que conduzem
a investigação, para colectar informações fidedignas e válidas e dar à luz novos
conhecimentos e novas formas de melhorar a vida das pessoas. Consideram ainda que,
as ciências sociais, como é o Direito, têm métodos de abordagem específicos para a
sua elaboração, dentre os quais:
O método dedutivo _ consiste em partir de premissas gerais para chegar a
conclusões particulares;
O método indutivo _ pelo qual se percorre o caminho inverso da dedução,
partindo-se do particular para o universal, do especial para o geral, do
conhecimento dos factos ao conhecimento da lei.
Tipo de Pesquisa
Usou-se a pesquisa _ esta pesquisa é caracterizada por abranger toda a
bibliográfica
bibliografia publicada acerca do tema estudado, pela colecta de dados em arquivos,
monografias com temas ligados.
O Estatuto de Arguido
Do slogan segundo o qual "diz-me como tratas o arguido, dir-te-ei o processo penal que
tens e o Estado que o institui", DIAS Apud. CUNA (2014, p. 154), retira-se tamb ém a
premissa segundo a qual, do processo penal que se tem e do Estado que o institui se
pode saber como é tratado o arguido. O que parece trazer mais clareza, pois é mais
3
corrente o sistema informar o tratamento que se deve dar aos cidad ãos, do que o
contrário. Afinal, segundo ANTUNES (2016, p. 19), marcham no decurso dos tempos,
paralelamente e de forma contraposta, dois sistemas de processo — o sistema
inquisitório, de cariz autoritário, e o sistema acusatório, de inclinação liberal —
aos quais correspondem formas diferentes de manifestação, através dos mesmos, do
poder estatal e da posição processual do arguido. Por isso nesta abordagem
proceder- se-á, em primeiro lugar, a indaga ção do sistema processual penal
predominante na ordem jurídica moçambicana e desembocar-se-á na apreciação do
estatuto de arguido, por si determinado, nesta mesma ordem.
Segundo o Art. 159, do CPP de 19295, posto em vigor nas colónias, mormente
Moçambique, por força do Art. 1 do Decreto n. º19 271, de 24 de janeiro de 1931, a
direcção da instrução estava a cargo do juiz. Este executava tal fun ção em concurso
com a função judicial — dizer o direito nos casos concretos — e, ao MPº cabia a
promoção do exercício da acção penal, dependente de decisão do julgador. Esta
característica, essencial, do referido Código, informava ao processo penal ora vigente
uma estrutura predominantemente de tipo inquisitório.
Estatuto Processual de Arguido Como Garantia Processual
Conceito de Arguido
Considera-se arguido "a pessoa suspeita da prática de um crime contra a qual corre um
processo e que já foi constituída como tal, oficiosamente, ou a seu pedido", EIRAS et.
FORTES (2010, págs. 73 e 74). Acerca do arguido, a redacção do n.º 2, do Art. 65,
do CPP, estabelece que "assume a qualidade de arguido aquele contra quem for
deduzida acusação ou requerida audiência preliminar num processo penal". Ou seja,
é arguido aquele sobre quem recai uma acusação deduzida pelo MPº, nos termos do n.º
1, do Art. 330, CPP, por ter concluído durante a instrução que, existe um crime e
provavelmente aquele está envolvido no seu cometimento, (não tendo concluído pela
inexistência do crime e/ou da inocência e irresponsabilidade daquele, o que levaria à
abstenção de acusação e arquivamento do processo pelo MPº). Neste sentido a
acusação, entende CUNA (2014, p. 492), está alicerçada no facto de que na instrução
preparatória recolheu
4
-se elementos suficientes da infracção e dos seus autores, com solidez bastante para
fundamentá-la.
A Constituição de Arguido
A constituição de arguido opera-se nos termos do n.º 2, do Art. 66, do CPP, por uma
comunicação, oral ou por escrito, dirigida ao visado por uma autoridade judici ária ou
um órgão dos serviços de investigação criminal. O conteúdo dessa comunicação é a
informação de que a partir daquele momento o visado passa a ser considerado
arguido num processo criminal. Seguida da indica ção dos direitos e deveres
processuais que passam a caber-lhe por se ter tornado arguido, como estabelece o
n.º 1, do Art. 68, do CPP.
METODOLOGIA DE PESQUISA
Segundo os autores LAKATOS e MARCONI 1, metodologia é a forma pela qual se
desenvolveu o trabalho de pesquisa. Trata-se do detalhamento do tipo de pesquisa e
dos instrumentos utilizados.
Nos capítulos acima procuramos contextualizar este estudo quer do ponto de vista da
definição do problema, dos objectivos e das questões de pesquisa, quer sob ponto de
vista da identificação da literatura de suporte ao estudo. O presente capítulo
apresenta os principais indicadores em termos metodológicos que permitirão
responder às perguntas de pesquisa: métodos usados no estudo; a população alvo
da pesquisa; os instrumentos e técnicas usadas para a colecta de dados;
procedimentos no tratamento de dados.
Tipo de pesquisa
Na prossecução deste estudo será usado o Método quanti-qualitativos, método este
que é um procedimento que consiste na colecta de dados feita pela combina ção do
método quantitativo e qualitativo. Numa perspectiva em que ambas devam ser
encaradas como complementares.
1
LAKATOS,E.M;Marconi,[Link]:TécnicadePesquisa.3ª[Link].SãoPaulo:Atlas,
1996,p.65.
5
O método quantitativo é uma pesquisa científica onde os resultados podem ser
quantificados, é um método caracterizado pela busca da magnitude e das causas dos
fenómenos sem se preocupar com a dimensão subjectiva, usando procedimentos
controlados, orientados aos resultados replicáveis e generalizáveis, estas
possibilitam ao pesquisador de ver a prevalência de certas situações ou pontos de
vista.
Já a abordagem qualitativa implica uma série de leituras sobre o assunto pesquisado,
descrevendo atenciosamente o que os diferentes autores ou especialistas
escreveram sobre a temática, com objectivo de obter introspecções mais profundas
nas ideias expressadas.
Na verdade, com a pesquisa qualitativa procurar-se-á explicar os contornos da
observância daqueles direitos nos centros penitenciários exprimindo, conforme avança
TATIANA GERHARDT2 o que convém ser feito, mas não quantificam os valores e as
trocas simbólicas nem se submetem à prova de factos, pois os dados analisados s ão
não-métricos (suscitados e de interacção) e se valem de diferentes abordagens.
Técnicas da pesquisa
Com vista a encontrar subsídios teóricos em relação a Prática da Presunção de
Inocência Face à Publicidade do Processo Penal na Ordem Jurídica
Moçambicana, assim como a busca de fundamentos para discutir cientificamente
os resultados da pesquisa, as técnicas de pesquisa a serem aplicadas, serão:
Pesquisa bibliográfica, e
Pesquisa documental.
Que não se confunda essas duas técnicas, porque essa duas figuras tem
características quase similares. A principal diferença entre elas está na natureza das
fontes de ambas as pesquisas, enquanto a pesquisa bibliográfica se utiliza
fundamentalmente das contribuições de vários autores sobre determinado assunto, a
pesquisa documental baseia-se em materiais que não receberam ainda um
tratamento
2
GERHARDT,TatianaEngeleSILVEIRA,DeniseTolfo.MétodosdePesquisa.1ªEd.,UniversidadeFederal
6
doRioGrandedoSul,2009.,p.32
7
analítico ou que podem ser reelaborados de acordo com os objectivos da pesquisa. A
primeira técnica nos levara ao uso de fontes mediatas, nomeadamente: obras e
pesquisas elaboradas por outros autores que podem estar, em livros, jornais, artigos ou
revistas científicas. Já a segunda serão fontes imediatas, como arquivos públicos,
documentos político-administrativos; etc.
Técnicas de recolha de dados
Entrevistas semiestruturadas
Estas possibilitam o pesquisador ganhar uma compreensão mais a fundo do
problema em questão, que estejam a ser enfrentados pela popula ção tida como alvo,
e elas resultam da combinação de perguntas abertas com perguntas fechadas, onde
o entrevistado tem a faculdade de tecer um discurso sobre o tema apresentado.
Neste estudo, será utilizado a técnica de entrevista semiestruturada através de
questionários individuais, pré elaborados e desenvolvidas num contexto de uma
conversa informal, com a finalidade de recolher os dados sócio demográficos dos
participantes, como por exemplo: idade, ocupação, nível de escolaridade, estado civil,
número do agregado familiar; histórico de família de origem, e questões directamente
ligados ao problema da pesquisa.
População alvo
Irá constituir o grupo específico desta pesquisa o tribunal judicial de Sofala,
procuradoria entre outras fontes jurídicas. Sem qualquer excepção, homens ou
mulheres, solteiros, casados ou unidos de facto, reincidentes ou n ão. Portanto, achando
desnecessário o uso da amostra, ira se proceder com inquéritos a todos, no sentido
de obtermos melhores informações sobre o estudo.
À essa pesquisa aplicar-se-á um inquérito a 20 pessoas, homens e mulheres, a partir de
dados colectados no local determinado para o estudo, com idades a partir dos 21
anos.
Local de estudo
Toda e qualquer pesquisa científica, deve indicar o seu local de estudo, de modo a
impor as devidas limitações.
8
Foi possível notar acima que especificamos o grupo-alvo desta pesquisa, e agora
cabe descrever o local onde o estudo da presente pesquisa ser á realizado. Quanto ao
local, a pesquisa será feita nos tribunais da Cidade da Beira, localizado em
Moçambique, província de Sofala, distrito e cidade da Beira.
Cronograma das actividades
Actividades Marc. Marc. Abril. Abril Maio. Junho.
Escolha do tema
Estudo bibliográfico
Revisão da literatura e Referencial
teórico
Pesquisa de campo
Análise de dados
Entrega do projecto
Orçamento
Materiais/despesas Valor (mt)
Caneta e caderno para anotações 250.00mt
Impressões, cópias e encadernação 1000.00mt
Transporte 800.00mt
Recargas 1400.00mt
Internet 1000.00mt
Total 4350.00mt
Resultados esperados
Ficou demonstrado neste estudo que, a publicidade do processo penal expõe o
processo e o arguido à censura da sociedade. Abrindo espaço para o surgimento de
uma justiça penal sem julgamento, que passa pela lesão dos direitos, liberdades e
garantias do indivíduo. Entretanto, observou-se que a publicidade do processo penal
não lesa de per si a presunção de inocência. Porquanto, presumir alguém inocente,
9
apesar de ser uma exigência legal, faz parte da liberdade individual dos membros da
sociedade, dos quais os outros sujeitos processuais diversos do arguido. Pelo que,
ficou demonstrado que, a presunção de inocência pode ser lesada quer haja
publicidade do processo, quer não. Do exposto acima resulta a não comprovação das
duas primeiras hipóteses avançadas como solução ao problema sobre, "Como
Salvaguardar a Presunção de Inocência Face à Publicidade do Processo Penal", a saber,
a sua salvaguarda pela redução das modalidades em que se materializa o princípio
da publicidade do processo penal e; pela imposição de limites à liberdade de
imprensa pela incriminação específica de certas condutas dos meios de comunicação
social que a lesem. Fica então comprovada a terceira e última hipótese a saber,
salvaguarda-se a presunção inocência, independentemente da publicidade do processo,
pela concessão do direito a defesa ao arguido.
Pelo que, ficou demonstrado ainda que, a aplicação prática da presunção de
inocência não tem que ver com um paralelismo que se possa estabelecer com a
aplicação da publicidade do processo penal. Mas est á ligada ao direito que a lei
processual penal atribui àquele que for constituído arguido em processo penal, de se
pronunciar e contrariar todas as acusações que pesam sobre si, este é o direito de
defesa, consagrado nos Arts. 5, 7 e 69, nº 1, do CPP. Ou seja, considera-se
praticamente aplicada a presunção de inocência quando, o indivíduo é constituído
arguido, nos termos do Art. 66, nº 2, do CPP, pois é a qualidade de arguido que
possibilita a dinamização das garantias de defesa, em processo penal. O direito a
defesa, por sua vez, é o invólucro de todos os direitos reconhecidos ao arguido em
nome do princípio do contraditório (Arts. 5, 7 e 69, nº 1, do CPP). Esta posi ção
adoptada é corroborada pelo exposto valor jurídico da presunção de inocência que,
traduz-se no reconhecimento de todas as necessárias garantias práticas de defesa
daquele que não foi ainda solene e publicamente julgado por sentença transitada,
portanto o arguido ou inocente.
1
Referências Bibliográficas
ANDRADE, Maria Paula Gouveia, Prática de Direito Processual Penal: Questões Teóricas
e Hipóteses Resolvidas, Quid Juris Sociedade Editora, Lisboa, 2010.
ANTUNES, Maria João, Direito Processual, EDIÇÕES ALMEDINA, S.A., Coimbra, 2016.
ANDRADE, Maria Margarida De Introdução à Metodologia do Trabalho Cientifico, 5.ª ed.,
São Paulo, Ed. Atlas S.A., 2001.
BARTOLOMEU, L. Varela; Manual de Introdução ao Direito; 2.ª edição, revista; Praia: Uini
-CV; 2011.
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito Processual Penal, Escolar Editora, Editores e
Livreiros Lda., Maputo, Moçambique, 2014.
CINTRA, António Carlos de Araújo et al, Teoria Geral do Processo, 25ª Edição,
MALHEIROS EDITORES LTDA, Brasil, 2009.
CANOTILHO, José Joaquim, Direito Constitucional, 6.ª edição revista, Livraria Almedina,
Coimbra – Portugal, 1993.
DIAS, Jorge de Figueiredo, Direito Processual Penal, 1ªED 1974. Reimpressão, Coimbra
Editora, Limitada, 2004.
Lei n.º18/2018 de 12 de Junho, Lei da Revisão Pontual da Constituição da República de
Moçambique.
Lei N.º25/2019 de 26 de Dezembro, Lei de Revisão do Código de Processo Penal.