Avaliação de Desempenho 270 Graus
Avaliação de Desempenho 270 Graus
1.1. Conceito
O Feedback é definido como um processo crucial para todo contexto organizacional (i.e., organização e
individual) tendo repercussões nas atitudes, comportamentos e desempenho Jawahar, (2006).
Segundo London e Smither, (2000) as pessoas precisam de feedback para avaliar o trabalho que estão a
efetuar e para promover uma busca independente e autónoma das suas aspirações intrínsecas.
A título de exemplo, a meta análise realizada pelos autores Kluger e DeNisi (1996) demonstrou que o
feedback melhora os níveis médios de desempenho mas, por outro lado, cerca de 1/3 das observações
apresentou uma diminuição do desempenho. Segundo estes autores, as possíveis razões para estes
acontecimentos estão relacionadas com o facto de o feedback potencializar uma alteração do foco em 3
aspetos essenciais:
a) Aprendizagem da tarefa;
b) Motivação para a tarefa
c) Processo de meta-tarefa.
As características do feedback e as reações que emergem do mesmo são um dos vetores mais importantes
no processo de gestão de desempenho. O estudo de Jawahar (2006) mostrou que a satisfação com o
feedback da avaliação de desempenho num determinado período influencia o esforço subsequente, tendo
repercussões na satisfação com o trabalho e com a chefia.
O feedback pode assim ser considerado como um importante meio de mudança, de motivação e de
desenvolvimento. De acordo com Roberts (2003), o feedback é uma das componentes mais importantes do
processo de avaliação de desempenho, considerando que a eficácia do mesmo está dependente do tipo e da
forma como é transmitido.
Ao longo desta caracterização sobre o feedback, tem-se verificado a relevância do mesmo sobre as diversas
componentes do trabalho e o seu efeito no processo de avaliação de desempenho. Porém, existem autores
que referem que a eficácia do feedback é maior quando esta é acompanhada por objetivos.
Segundo Tziner e Latham (1989) o feedback tem um efeito favorável e uma magnitude maior quando este
está agregado a metas, do que quando é dado de uma forma individualizada.
A primeira etapa é caracterizada pelo antes e após feedback e envolve antecipação, receção e resposta ao
feedback. Esta antecipação tem repercussões no modo como cada pessoa vai perceber e reagir ao feedback.
Uma orientação de feedback irá determinar as expectativas sobre a natureza do feedback e que
consequências poderão daí resultar. Assim, o modo como o feedback é percebido irá influenciar a
orientação individual do feedback e a natureza do mesmo.
A orientação do feedback de cada pessoa é um dos principais determinantes das expectativas individuais de
cada sujeito sobre o feedback (e.g., desconforto geral ou o medo sobre os efeitos da informação podem
levar a atitudes defensivas, confusas ou incertas sobre a perceção de justiça e parcialidade) (London &
Smither, 2002).
Esta fase decorre principalmente quando um evento crítico ou o feedback é inconsistente com a auto-
imagem, provocando um processamento do feedback em quatro aspetos:
a) Interpretação do feedback;
b) Compreensão do significado e valor do feedback;
c) Lidar com as emoções
d) Aceitar ou descredibilizar o feedback (London & Smither, 2002).
O indivíduo faz uma reflexão do feedback recebido, procurando possíveis justificações, bem como pontos
fortes e fracos do seu comportamento. Porém, esta situação torna-se complicada quando o indivíduo se
auto perceciona de uma forma antagónica ao feedback rececionado (London & Smither, 2002).
Desta forma, a compreensão dos comportamentos que afetam o desempenho e o entender da ligação entre
esses e os resultados valorizados aumenta o desejo de encontrar sentido no feedback rececionado (London
& Smither, 2002).
A terceira e última etapa do ciclo de gestão de desempenho é uso do feedback que tem duas funcionalidades:
a) Definir metas;
b) Acompanhar o progresso.
O uso de feedback exige a definição de objetivos, com o intuito de agir sobre os mesmos e acompanhar o
progresso, dando um feedback adicional (London & Smither, 2002). Um feedback acompanhado por objetivos
potencializa a aprendizagem, novos comportamentos, existindo um esforço de cada indivíduo no alcance dos
objetivos de desempenho inicialmente definidos (London & Smither, 2002).
Desta forma, à medida que o indivíduo atinge metas intermédias ou grandes, deverão ser definidas novas metas,
o que leva ao fim de um ciclo e ao início de outro ciclo de gestão de desempenho (London & Smither, 2002).
Perante isso, a satisfação com o feedback influencia o desempenho e está relacionada com as atitudes e
intenções dos colaboradores. As organizações devem formar os avaliadores no sentido de estarem bem
informados sobre o trabalho de cada colaborador, tendo como base avaliações suportadas por critérios
previamente estabelecidos e a participação dos avaliados na definição de metas e sugestões de melhorias
(Jawahar, 2006).
De acordo Rodgers e Hunter (1993), se o colaborador é produtivo, então o feedback é positivo gerando um
aumento da satisfação. Se, por outro lado, o colaborador mostra um trabalho contraproducente, o feedback é
negativo originando insatisfação.
Estes autores realçam ainda, que quando se está perante um feedback objetivo, o colaborador perante uma
avaliação negativa, pode interpretá-la e mudar o modo como reage, desencadeando um possível feedback
positivo e, por sua vez, um aumento da satisfação no trabalho.
Por esta razão, as características de cada organização e função exigem uma avaliação e um feedback
personalizado que congrega tanto as necessidades dos colaboradores como os objetivos organizacionais. Desse
modo, um feedback personalizável e adequado é fundamental para a eficácia do desempenho e,
consequentemente, da organização a longo prazo.
1.3. Qualidade Feedback
As perceções sobre a qualidade do feedback são avaliadas a partir de 3 sub-dimensões que estão presentes
na escala Feedback Enviornment Scale (FES) (Steelman, Levy & Snell, 2004).
2.3Monitoramento Contínuo
O desempenho deve ser monitorado continuamente ao longo do período de avaliação. Isso permite
ajustes em tempo real e ajuda a manter os colaboradores no caminho certo em relação aos seus objetivos.
2.4 Feedback
O feedback é uma parte vital do processo de avaliação. Deve ser construtivo e oferecido regularmente,
não apenas no fim do ciclo de avaliação. O feedback ajuda no desenvolvimento pessoal e profissional dos
colaboradores e na correção de desvios em relação aos objetivos estabelecidos.
Para minimizar esses erros, é importante que os processos de avaliação sejam bem desenhados e
implementados com treinamento adequado para os avaliadores. É fundamental utilizar critérios claros e
objetivos, garantir que os avaliadores sejam conscientes e treinados para reconhecer e evitar seus próprios
preconceitos, e usar múltiplos avaliadores quando possível para obter uma visão mais equilibrada do
desempenho do funcionário. Além disso, feedback regular e processos de revisão também podem ajudar a
corrigir quaisquer distorções nas avaliações iniciais.
No geral, não existe o melhor método de avaliação de desempenho. Porém, dependendo da situação,
certos métodos são melhores que outros (Marras, 2012). Entende-se que a escolha do modelo a ser
utilizado influenciará diretamente o resultado final da avaliação.
Camara (2010) classifica os métodos de avaliação em dois grupos: métodos orientados para o
comportamento e métodos orientados para os resultados. Como exemplo dos métodos do primeiro tipo, os
autores apontam as seguintes abordagens:
Ensaio narrativo: o avaliador descreve, por escrito, os pontos fortes e fracos do colaborador,
potencialidades e sugestões de melhoria. Quando bem empregado, este método promove um bom
feedback e é um método orientado para o desenvolvimento. Como ponto negativo, tende a dificultar
a comparação entre colegas e departamentos, o que pode prejudicar as decisões voltadas à gestão de
pessoas, como promoções e progressões de carreira.
Escala gráfica ou de atributos: este método classifica o desempenho numa escala - numérica ou
entre “insatisfatório” para “excelente”, por exemplo - e pode avaliar diversos atributos definidos pela
empresa. As principais vantagens do método são os baixos custos, a facilidade na sua utilização e a
perspetiva de aplicação em áreas e funções diferentes. Entre as desvantagens estão: critérios
ambíguos ou mal definidos, devido às diferenças entre funções, além da possibilidade de os atributos
serem interpretados de maneira divergente, consoante o avaliador.
Checklist comportamental: semelhante ao método anterior, o checklist consiste em pontuar o
desempenho com base numa escala de, por exemplo, cinco pontos: (1) discordo plenamente a (5)
concordo plenamente. São apresentadas diversas afirmações, onde se escolhe aquelas que melhor
revelam o desempenho do colaborador.
Incidentes críticos: este método se concentra em avaliar o colaborador baseado em eventos e
comportamentos com impacto significativo no seu desempenho. Promove, principalmente, a
discussão regular destes efeitos, e serve para nortear a definição de aspetos específicos para os dois
métodos descritos anteriormente. Como ponto negativo, pode gerar resistência dos avaliadores, que
deverão acompanhar de forma recorrente os seus subordinados.
No grupo de métodos orientados para os resultados, diversos estudos citados por Gomes (et. al.,
2008) e Pereira (2013) descrevem outros dois métodos:
Gestão por objetivos: nesta abordagem, os objetivos organizacionais são definidos de maneira
estratégica, e posteriormente replicados para cada área em forma de cascata, desde a direção até cada um
dos funcionários. Assim, a avaliação é medida através da contribuição de cada avaliado para o alcance do
sucesso estratégico da organização
[Link]ÇÃO DE DESEMPENHO NA
CONTEMPORANEADADE
Mais esse tipo de avaliação tinha duas características, hoje em dia muito mal aceites:
Esta forma de avaliação, que modernamente veio desembocar no sistema de notação de pessoal, só veio a ter
uma verdadeira alternativa com a apresentação por Peter Drucker, em 1954, do conceito de gestão
participativa por objectivo (GPO). (Camara et all, 2010)
O que Drucker propôs consistia essencialmente na contratualização do desempenho que assentava na noção de
compromisso de ambas as partes – empresa e colaborador em relação a um conjunto de objectivo concreto e
mensuráveis, que eram estabelecidos no inicio do ciclo de desempenho anual. (Tavares, 2004)
O colaborador daria esforço e trabalho necessário para atingir um conjunto de objectivos que lhe
eram fixados no inicio do ano.
A empresa, representada pela chefia, daria o apoio indispensável para o colaborador conseguir atingir
as metas estabelecidas e assumia o compromisso de avaliar o seu desempenho em função dessas
metas e não de outros factores subjectivos.
Cria-se pois, um verdadeiro contracto psicológico entre a chefia e o colaborador, o contracto de desempenho,
que é reduzido a escrito (plano de acção) e assinado por ambas as partes. (Idem)
Drucker, ao apresentar a GPO, tinha em vista unicamente objectivos individuais, que eram os que faziam
sentido em plena era industrial e em empresa de matriz taylorista. (Camara et all, 2010)
Mas modelo de GPO é um modelo aberto, que não teve dificuldade em absorver os objectivos de equipa, a par
dos individuais, quando a forma de organização de trabalho, das empresas deixou de ser sequencial passou a
ser modular ou por equipas. (Camara et all, 2010)
No contexto da gestão contratualizada do desempenho Robert Kaplan de David Norton vieram mais
recentemente em 1996, propor o conceito de Balanced scorecard (BSC), cujo contributo para esta área foi o de
chamar a atenção dos gestores, para a necessidade de formularem objectivos que, para além dos resultados do
negócio enfocassem igualmente a melhoria de processos internos e as competências dos seus colaboradores.
(Camara et all, 2010) Ou seja utilizando esta metodologia balanceavam-se Hard Issues (resultados), com Soft
Issues
(processo de competências).
O BSC não inova relativamente a GPO, na forma de fixar os objectivos porque assume os mesmos princípios
desta. (Idem)
O seu maior mérito consiste em chamar atenção para que a saúde e o sucesso da empresa dependem não só do
seu resultados do negocio, no curto prazo, como também da forma como se estrutura internamente para ganhar
eficiência e das competências detidas pelos seus colaboradores, quer numa óptica de desenvolvimento futuro
do negócio, que no ponto da gestão do relacionamento dentro das equipas do trabalho e entre as áreas
funcionais diferentes (relação fornecedor - cliente interno). (Camara et all, 2010)
Para os mesmos autores, o BSC procura, por outro lado, ligar eficazmente os objectivos estratégicos da
empresa as metas que são acordadas com os seus colaboradores, dando respostas as seguintes questões:
Kaplan e Norton alimentam também que BSC tem a vantagem de evitar a proliferação de objectivos e
indicadores que os gestores têm dificuldade depois em acompanhar. (Idem)
Quando é o colaborador é avaliado pela chefia, estamos perante uma avaliação 90 graus, mas quando o
sistema prevê e preconiza que o colaborador, por seu turno, avalie formalmente a chefia, nomeadamente em
termo de qualidade da supervisão recebida, acompanhamento e feedback ao longo do ano, denomina-se
avaliação a 180 graus. (Camara et all, 2010)
Quando falamos em avaliação multilateral estamos a tratar de ferramentas de avaliação (mas não de gestão) de
desempenho em que o colaborador é avaliado, não só pela chefia como igualmente pelos seus pares (avaliação
a 270 graus) ou ainda pelos seus clientes internos ou externos (avaliação 360º). (Idem)
Nem num caso nem noutro, os pares do avaliado (270 graus), ou estes e os clientes (360 graus), tem qualquer
interferência na fixação dos objectivos ao colaborador no inicio do ano, no seu acompanhamento ao longo do
ano, e, finalmente, na avaliação do mesmo em termos de atingimento dos objectivos do negócio. (Camara et
all, 2010)
Por isso afirmamos que se trata de uma ferramenta de avaliação, mas não de gestão de desempenho.
A natureza de avaliação a 360 graus, como ferramenta do desenvolvimento leva mesmo algumas empresas a
evitar o termo “avaliação” e chamar-lhe antes “feedback a 360º e processo de desenvolvimento”, para vincar
claramente que os objectivos não é medir o desempenho, mas criar formas de o colaborador conseguir
aperfeiçoar a sua actuação, na área comportamental. (Camara et all, 2010)
A avaliação multilateral não tem, normalmente, influencia na avaliação do desempenho, nem serve de
suporte a atribuição de aumento salariais.
Essa a razão por que é frequentemente levada a cabo com a calendarização diferente da avaliação de
desempenho para evitar que haja contaminação entre ambas. (Idem)
O primeiro desses aspectos é, em termos de gestão, essencial e para o assegurar é necessário estabelecer uma
sólida ligação entre a estratégia da empresa e os objectivos individuais que são estabelecidos aos seus
colaboradores. (Camara et all, 2010)
Fixação dosInicio
meiosdo ano
e objectivos
Acompanhamen
to e feedback
Meios de apoio
Ao longo do ano
Avaliação de
desempenho
No fim do ano
Isso não impede a inclusão no plano de acção do colaborador dos objectivos com uma duração inferior
(projectos) ou superiores (contribuições de longo prazo) a um ano.
É um lugar - comum dizer-se que a qualidade da avaliação depende, sobre tudo da qualidade dos objectivos,
que forem previamente fixados e que a sua fixação não deve ser feita unilateralmente, do topo para base da
empresa, mais deve antes ser negociada com o avaliado. (Camara et all, 2010)
E essa negociação, quando os objectivos forem desafiantes e deficientemente alcançáveis, conduzirá à
identificação dos meios de apoio inpreensidiveis para os viabilizar.
Encerada a fase inicial, que se vai traduzir no plano de acção individual, o colaborador não deve ser
abandonado à sua sorte, durante o ano. (Idem)
A chefia, deve dar-lhe acompanhamento (coaching), ao longo do ano, aconselhando-o e dirigindo eventuais
desvios, e agendar com ele entrevistas intercalares de avaliação de progresso e resultados (as sessões
feedback), com vista avaliar e rever as metas estabelecidas no inicio do ano e acordar medidas correctivas que
forem mais indicadas para que o colaborador tenha sucesso. (Camara et all, 2010)
No final do ciclo de desempenho a entrevista de avaliação deve ser agendada com antecedência, reparada
com cuidado e conduzida num ciclo de abertura e construtivo e estimule o colaborador a melhorar o seu
desempenho no ano seguinte. (Idem)
NOTA:
esta brocura tem por finalidade de socilizacao de vários temas debatidos em sala de aula e sem nenhum cunho de
publicação cientifica