ILUSTRÍSSIMO SENHOR SECRETÁRIO MUNICIPAL DO DEPARTAMENTO
MUNICIPAL DE TRÂNSITO de VOADOS-VA.
Fulano, brasileiro, inscrito no CPF/MF sob o nº 000.000.000-00, nº de
registro da CNH 00000000000, titular da carteira de identidade RG nº 00.000.000-
0, SSP/SP, residente e domiciliado na Avenida Itavuvu, nº 3.560 – Jardim Santa Cecília,
CEP _________, Sorocaba/SP, tel.: (x) xxxxxxxxx, (meu WhastApp, com endereço
eletrônico no e-mail xxxxxxx@[Link], PROPRIETÁRIO, devidamente prenotado no
CRLV, carreado a esta, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Senhoria, apresentar
RECURSO DA AUTUAÇÃO
em face da imposição de Penalidade que lhe é imposta advinda do Auto de Infração,
número do Nº do A. I. T. 9854093850f90, o que o faz com fundamento na Lei nº 9.503/97,
e Resolução nº 404, de 12 de junho de 2012 C/C a Resolução nº 299, de 04 de dezembro
de 2008, ambas do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN, pelos fatos e
fundamentos a seguir aduzidos:
INICIALMENTE
Autorizo O DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE TRÂNSITO |
DEMUTRAN, a seu critério, enviar para o correio eletrônico (e-mail), acima informado,
as notificações de autuação ou penalidade, as cópias de autos de infração, os resultados de
defesas/recursos de multa e outras petições.
I – DOS FATOS
Este Recorrente em pesquisa junto ao site do DETRAN/SP, verificou constar
prenotado em seu prontuário AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO DE
TRÂNSITO, na qual este Recorrente teria em tese na data de 00/00/00 às 00h 00min,
quando estacionado na Praça Barão de Araras, S/Nº, Centro, CEP 00000-000, São
Paulo/SP, cometido infração de trânsito por supostamente Estacionar em Desacordo com
a Regulamentação Especifica.
Todavia, a Imposição de Penalidade não pode prosperar. Pois, a míngua
da notificação da multa, o que impossibilitou assegurar a amplitude do direito de defesa
incrustado na Constituição Federal, o que colide frontalmente com o direito do recorrente
de apresentar sua defesa prévia, direito este que somente se efetiva a partir do momento
em que, comprovadamente, se deu ciência ao apenado, o que de todo não ocorreu.
II – PRELIMINARMENTE
É cediço que o processo administrativo de trânsito, previsto no Capítulo
XVIII do CTB, viceja quando atendido o procedimento estabelecido no artigo 280, o que
pode-se verificar de forma mais cristalina, na Resolução do CONTRAN n. 404/12.
Outrossim, a lavratura do auto de infração (ou autuação) é o registro formal
de um fato típico, devidamente comprovado pela autoridade de trânsito ou seus agentes,
para a correspondente imposição da sanção administrativa cabível (em especial a
penalidade de multa). E, conseguinte há que prosperar a notificação da multa ao seu
possível infrator.
Nessa esteira, é notório o entendimento de que o artigo 282 versa sobre
a notificação da multa, a sua redação demonstra que se trata da notificação a ser
expedida, toda vez que for aplicada uma penalidade de trânsito, o que engloba todas as
sanções administrativas constantes do artigo 256 do Código.
Extrai-se, portanto que a parte final do caput do dispositivo acima assegure a
ciência da imposição da penalidade e, logo, obriga o órgão de trânsito à expedição da
notificação. No caso trazido à bailha não ocorreu.
A necessidade de se certificar de que o Recorrente teve a ciência da
imposição da penalidade mesmo que por “qualquer meio tecnológico hábil”, posto que a
notificação DEVE garantir a amplitude do direito de defesa incrustado na Constituição
Federal;
A Administração pública deve atender, entre outros, ao princípio da
legalidade estrita (artigo 37 da Constituição Federal), o que significa dizer que só pode
fazer aquilo que está expressamente previsto na norma jurídica; a este respeito, não há
qualquer dispositivo legal que assegure o não envio da notificação ao Recorrente, pelo
contrário, inclusive é assegurado aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e
aos acusados em geral o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme prescreve o
artigo 5º, inciso IV, da Constituição Federal, e para isto há que ser notificado para se
defender.
Pois, o recurso é uma prerrogativa que assiste a todo cidadão atingido por ato
punitivo da administração de trânsito, cabendo a esta deixar bem transparente os canais de
apresentação e tramitação.
O ato administrativo punitivo relativo à prática infracional de trânsito,
precedido de ações que tenham assegurado ao infrator o exercício da defesa prévia, se
efetiva a partir do momento em que, comprovadamente, se deu ciência ao apenado. A
ciência ao infrator apenado far-se-á através de um dos meios usuais de comunicação:
a - notificação pessoal;
b - correspondência postal registrada com ou sem "aviso de recebimento";
c - utilização de meios eletrônicos, desde que haja o recebimento da
mensagem pelo operador receptor;
d - edital publicado em órgão oficial com resumo do ato punitivo, após
fracassadas as três formas anteriores de comunicação.
O que não ocorreu no caso em comento, logo o proprietário do veículo não
foi efetivamente notificado, devendo ser a abertura de novo prazo medida que se
impõe, para pagamento da multa com desconto (artigo 284) e/ou para a interposição de
recurso administrativo (aliás, a possibilidade de o órgão de trânsito refazer o ato da
notificação, consta, atualmente, no artigo 19 da Resolução do CONTRAN n. 404/12).
Neste sentido, vale destacar o posicionamento do Supremo Tribunal Federal,
esposado nas Súmulas 346 e 473, que assim consignou:
"A Administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios
atos" e "A Administração pode anular seus próprios atos, quando
eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam
direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a
apreciação judicial". (grifei)
É latente o vicio ora em questão.
III – DO DIREITO
O inconformismo do requerente restringe-se à falta de oportunidade para a
apresentação de defesa prévia na via administrativa em face das autuações lavradas
pelo DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE TRÂNSITO | DEMUTRAN e prenotada
no DETRAN/SP. Pois, não foi previamente notificado, só tomando ciência das mesmas
quando foi impedido de obter o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo
referente ao ano de 2017.
Conforme entendimento sumulado no verbete n. 312 pelo e. Superior
Tribunal de Justiça, que possui a atribuição constitucional de pacificar a interpretação da
legislação federal:
“No processo administrativo para imposição de multa de trânsito, são
necessárias as notificações da autuação e da aplicação da pena
decorrente da infração.” (grifamos)
Vejamos, pois o que o diz o Código de Trânsito nesse sentido:
O procedimento administrativo para a imposição de multas de trânsito prevê
a oportunidade de defesa prévia mediante dupla notificação. Art. 281 e seguintes
do Código de Trânsito Brasileiro e Súmula nº 312 do STJ.
O conjunto fático demonstrado nos revela que não foram observadas as
normas procedimentais estabelecidas no art. 281 e seguintes do Código de Trânsito
Brasileiro, não tendo sido oportunizado ao Recorrente a devida defesa prévia e o
contraditório, mediante a primeira notificação da autuação seguida da notificação da
penalidade encaminhada ao endereço do infrator.
A falta do envio ao infrator/autor da notificação de autuação e da notificação
de penalidade, em cumprimento ao art. 281 e seguintes do Código de Trânsito Brasileiro,
impõe o acolhimento de seu pleito de anulação da multa de trânsito em testilha.
Não bastasse isto assim consigna a RESOLUÇÃO Nº 404 do CONTRAN,
senão vejamos:
Art. 3º À exceção do disposto no § 5º do artigo anterior, após a verificação
da regularidade e da consistência do Auto de Infração, a autoridade de trânsito expedirá,
no prazo máximo de 30 (trinta) dias contados da data do cometimento da infração, a
Notificação da Autuação dirigida ao proprietário do veículo, na qual deverão constar
os dados mínimos definidos no art. 280 do CTB e em regulamentação
específica.(grifamos)
Além do mais, encontra-se sumulado pelo Colendo Superior Tribunal de
Justiça que para a aplicação da multa de trânsito é necessária a dupla notificação: a
notificação prévia de atuação e, posteriormente, a notificação de penalidade. Súmula 312
do STJ.
A exigência de dupla notificação em infração de trânsito decorre de
interpretação das normas contidas no Código de Trânsito Brasileiro.
A ausência da dupla notificação viola a garantia da plena defesa prevista
na Constituição da República.
Por este motivo, pautado o agente público na estrita legalidade, deve esta
autoridade de trânsito, anular a AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO DE
TRÂNSITO em comento, pois eivada de vícios que a torna ilegal, porque dela não se
origina direitos.
III – DOS PEDIDOS
Diante do exposto REQUER-SE digne-se Vossa Senhoria em determinar:
a) A anulação do referido processo administrativo para imposição de
penalidade à Infração de trânsito, no pé em que se encontra;
b) Requer, igualmente, a nulidade da citação direcionada para outro
endereço, que não o prefaciado pelo recorrente.
c) Caso esse não seja o entendimento de Vossa Senhoria, o que o faz apenas
por hipótese, REQUER-SE a abertura de novo prazo para interposição de defesa
prévia por se considerar quinado a vícios inconsistente e oportunizar a devida notificação
ao recorrente nos termos acima delineados;
Por derradeiro, seja a negativa, fundamentada, e entregue por escrito
diretamente ao Recorrente ou no endereço acima citado, no prazo de 05 dias, com a
devida motivação e identificação do julgar sob pena de nulidade, a fim de instruir a
medida judicial cabível, por ser medida da mais LÍDIMA JUSTIÇA!
Local/data
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