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Império Carolíngio e Feudalismo

O documento descreve como o Império Carolíngio unificou a Europa após a queda do Império Romano e lançou as bases para o sistema feudal, através da distribuição de terras em troca de apoio militar e da criação de uma nobreza hereditária. A Igreja Católica apoiou esse processo para restaurar a ordem na Europa.

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Adriana Tavira
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Império Carolíngio e Feudalismo

O documento descreve como o Império Carolíngio unificou a Europa após a queda do Império Romano e lançou as bases para o sistema feudal, através da distribuição de terras em troca de apoio militar e da criação de uma nobreza hereditária. A Igreja Católica apoiou esse processo para restaurar a ordem na Europa.

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O IMPRIO CAROLNGIO E A SNTESE FEUDAL

Marcos Emlio Ekman Faber Orientadora: Profa. Dra. Tnia Chagasttelles

Introduo Com a queda do Imprio Romano do Ocidente em 476, a Europa passou a conviver com uma lacuna no poder temporal, pois o poder poltico fora fragmentado pelos reinos brbaros invasores ali instalados. J a Igreja manteve intacto seu poder espiritual e ideolgico. Conforme afirma Perry Anderson (2004, p. 89), a igreja crist passou a ser a nica ponte entre o mundo antigo e o mundo medieval, a Igreja tornou-se a nica instituio da Antigidade a manter-se intacta aps a queda de Roma. Foi a Igreja que manteve a cultura e a lei romana preservada mesmo com a queda do Imprio. importante que esta Igreja, como instituio, j caminha em direo criao da Igreja Catlica Apostlica Romana, pois nesta poca como em nossos dias, esta Igreja tornara-se muito mais uma instituio poltica do que a verdadeira igreja surgida com os primeiros apstolos em Jerusalm. Das tribos brbaras ao Imprio Carolngio O crescente nmero de invases brbaras e o avano dos rabes muulmanos, fez com que a igreja medieval, agora temerosa com esses invasores, buscasse um novo sistema de governo capaz de reunificar a Europa ou de um novo chefe de Estado capaz de reavivar o Imprio Romano do Ocidente. Esta tentativa de unificao ainda esbarrava na falta de reis cristos, pois as tribos que se instalavam na Europa eram em sua maioria pags ou convertidas heresia crist do arianismo. As tribos germnicas que invadiram o Imprio Romano eram basicamente tribos rurais e patriarcais divididas em cls de famlias. No tinham noes de Estado. A base agrria era formada por camponeses livres e a terra era coletiva, com rarssimas excees tinham escravos. No sculo V, Clvis I (481-511) unificou as tribos francas e instituiu o primeiro Estado dos Francos. A Igreja Romana viu nesta unificao a possibilidade de um aliado militar, j que Clvis buscava sustentao ao seu governo e v na igreja o poder ideolgico que lhe faltava. Igreja e Clvis aliam-se. A igreja unge Clvis como o primeiro rei cristo dos francos, a unio oficializada com o batismo do monarca e de seus oficiais. Clvis fundou a Dinastia Merovngia, nome em homenagem ao seu av Meroveu, que fora um importante lder tribal franco. Ao morrer em 511, Clvis, deixou como herdeiros seus quatro filhos. Os filhos de Clvis dividiram o reino em quatro partes, cada um deles governando um reino distinto. Esta diviso causou o enfraquecimento poltico e militar dos francos. O povo discordando das polticas desses reis e por no ver neles nada alm de uma corte pomposa e sem efeitos prticos, passou a cham-los de reis vagabundos. A inabilidade poltica dos descendentes de Clvis ocasionou a passagem do governo s mos dos Prefeitos de Palcio, tambm conhecidos como Mordomos de Palcio, eram esses prefeitos que de fato passaram a governar, quase como num sistema de monarquia parlamentarista. Os prefeitos palacianos governavam o Estado e o exrcito. Com o descrdito dos reis, passaram a receber o apoio do povo e dos integrantes do exrcito. O principal destes mordomos palacianos foi Carlos Martel (715-741), sua fama cresceu quando venceu os visigodos em 711 e os rabes na batalha de Poitiers em 732. Carlos Martel teve no exrcito os seus fiis seguidores e teve, tambm, a simpatia do povo. Martel venceu diversas batalhas impedindo s invases rabes, os rabes tentavam subir a Pennsula Ibrica em direo da Glia. As conquistas de Martel garantiram aos Francos uma grande quantidade de terras, terras que Martel dividiu entre seus oficiais. Porm, esta poltica de Carlos Martel entrou em

choque com a Igreja quando este tomou terras outrora pertencentes Igreja e as dividiu entre seus fiis seguidores. Quando morreu, seu filho Pepino o Breve assumiu seu posto. Pepino contando com a simpatia do povo e do exrcito aliou-se Igreja romana, devolvendo-lhes parte das terras confiscadas. Pepino percebendo a fragilidade dos reis merovngios, deu um golpe de Estado tomando o trono dos Francos. Pepino reunificou-os em um s reino, ampliou as fronteira de seu reino e expulsou os Lombardos da Itlia entregando essas terras Igreja. Igreja e Estado estavam novamente unidos. Pepino deixou para seu filho, Carlos Magno, um grande e prspero reino. Porm, este reino era novamente ameaado pelas invases rabes na Pennsula Ibrica, pelos vickings no Norte e pelos eslavos no Leste. Carlos Magno venceu os rabes, conteve o avano dos eslavos e expulsou os vickings da Glia. Ao vencer os invasores, Carlos Magno reconquistou a maior parte dos territrios do antigo Imprio Romano do Ocidente. Ao ver a possibilidade de reavivar o Imprio Romano, o papa Leo III, lder da Igreja Romana na poca, ungiu a Carlos Magno como imperador do Sacro Imprio Romano, esta celebrao aconteceu na data simblica de 25 de dezembro de 800, ou seja, em pleno natal, a data mais sagrada do cristianismo. Igreja e Estado estavam de mos dadas. A monarquia carolngia representava a mais efetiva realizao do sonho de renascimento do Imprio Romano por parte da igreja medieval. Carlos Magno deu seqncia s distribuies de terras aos seus oficiais e soldados de destaque. Para garantir o apoio militar destes arrendatrios, Carlos Magno, os dava ttulos de nobreza, os nomeando Condes, cada qual responsvel por seu Condado, com isso Carlos Magno fortaleceu uma nobreza proprietria e militarizada, que pouco a pouco foi tornando-se autnoma. Para conter as invases estrangeiras, Carlos Magno criou nas regies fronteirias do imprio, as Marcas, os governantes das Marcas eram os marqueses. Essa medida trouxe bons resultados imediatos, porm com o tempo esses marqueses passaram a usufruir de uma grande influncia poltica nas regies em que ocupavam, logo tornando-se auto-sustentveis. Concluso Com a regionalizao do poder e a criao de uma poderosa nobreza foram dados os passos decisivos para o surgimento do feudalismo, como de fato ocorreu aps a morte de Carlos Magno em 814. "A poca da morte de Carlos Magno, as instituies centrais do feudalismo j estavam presentes, sob o dossel de um Imprio centralizado pseudo-romano. Na verdade, logo tornou-se claro que a rpida disseminao dos benefcios e a crescente possibilidade de hereditariedade tendiam a minar por baixo todo o canhestro aparato do Estado carolngio. (...) A unidade interna logo desmoronou, entre guerras civis de sucesso e a crescente regionalizao da aristocracia que o mantivera coeso". (ANDERSON, 2004,p. 136). J o problema da mo de obra foi resolvido com o progressivo processo de transformao dos trabalhadores livres em servos. A nobreza carolngia adotou o sistema de servido forando os trabalhadores a submeterem-se a um sistema onde ficavam presos a terra que cultivavam. Foram lanados os alicerces do sistema feudal que dominaria o cenrio europeu dos prximos sculos. O feudalismo foi, portanto, o resultado da sntese cultural, econmica e poltica da associao do poder administrativo Carolngio, e sua fragmentao, e do poder ideolgico da Igreja Romana. Referncias Bibliogrficas ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. [Link]. So Paulo: Brasiliense, 2004. BANNIARD, Michael. A Alta Idade Mdia Ocidental. Lisboa: Europa-Amrica, 1985.

FRANCO JR, Hilrio. A Idade Mdia: Nascimento do Ocidente. So Paulo: Brasiliense, 2001. GONZELES, Justo L. A Era das Trevas. So Paulo: Editora Vida Nova, 2006. GIBBON, Edward. Declnio e Queda do Imprio Romano. So Paulo: Cia das Letras, 2005. HALPHEN, Louis. Carlomagno y el Imperio Carolngio. Mxico: UTEHA, 1955. KOSMINSKY, E.A. Histria da Idade Mdia. Lisboa: Centro Brasileiro do Livro, ____. MENDONA, Sonia Regina de. O Mundo Carolngio. So Paulo: Brasiliense, 1985. PEDRERO-SNCHES, Maria Guadalupe. Histria da Idade Mdia: Textos e Testemunhas. So Paulo: UNESP, 2000. WERNER, Karl Ferdinand. A Formao do Imprio Carolngio. IN: Histria Viva, So Paulo, Ago. 2005, p. 38-43.

REFERNCIA PARA CITAO DESTE ARTIGO: FABER, Marcos. O Imprio Carolngio e a Sntese Feudal. Disponvel em: <[Link] Acesso em: 20 de abril de 2006. Esta resenha pode ser utilizado e publicado em outros sites desde que citada a fonte: Autor: Marcos Faber Disponvel em [Link]

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