Regulamento Roma II sobre Obrigações Extracontratuais
Regulamento Roma II sobre Obrigações Extracontratuais
2007
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, (5) O Programa da Haia (4), aprovado pelo Conselho Euro-
peu em 5 de Novembro de 2004, apela à prossecução
activa dos trabalhos sobre regras de conflitos de leis no
Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia, que respeita às obrigações extracontratuais («Roma II»).
nomeadamente a alínea c) do artigo 61.o e o artigo 67.o,
(3) Na sua reunião em Tampere, de 15 e 16 de Outubro (10) As relações de família deverão abranger a filiação, o casa-
de 1999, o Conselho Europeu subscreveu o princípio do mento, a afinidade e o parentesco em linha colateral. A
reconhecimento mútuo das sentenças e outras decisões referência feita no n.o 2 do artigo 1.o às relações com efei-
das autoridades judiciais como pedra angular da coopera- tos equiparados ao casamento e outras relações de família
ção judiciária em matéria civil e solicitou ao Conselho e à deverá ser interpretada de acordo com a lei do Estado-
Comissão que adoptassem um programa legislativo para -Membro do tribunal em que a acção é proposta.
implementar aquele princípio.
(11) O conceito de obrigação extracontratual varia entre os
(4) Em 30 de Novembro de 2000, o Conselho aprovou um Estados-Membros. Por conseguinte, para efeitos do pre-
programa conjunto da Comissão e do Conselho, de medi- sente regulamento, a obrigação extracontratual deverá ser
das destinadas a aplicar o princípio do reconhecimento entendida como um conceito autónomo. As regras de con-
mútuo das decisões em matéria civil e comercial (3). Esse flitos de leis estabelecidas no presente regulamento deve-
programa aponta as medidas de harmonização das regras rão igualmente cobrir as obrigações extracontratuais
de conflitos de leis como medidas que contribuem para resultantes de responsabilidade objectiva.
facilitar o reconhecimento mútuo das decisões judiciais.
(12) A lei aplicável deverá regular igualmente a questão da
(1) JO C 241 de 28.9.2004, p. 1. capacidade de incorrer em responsabilidade fundada em
(2) Parecer do Parlamento Europeu de 6 de Julho de 2005 (JO C 157 E acto lícito, ilícito ou no risco.
de 6.7.2006, p. 371), posição comum do Conselho de 25 de Setem-
bro de 2006 (JO C 289 E de 28.11.2006, p. 68), posição do Parla-
mento Europeu de 18 de Janeiro de 2007 (ainda não publicada no (4) JO C 53 de 3.3.2005, p. 1.
Jornal Oficial), resolução legislativa do Parlamento Europeu de (5) JO L 12 de 16.1.2001, p. 1. Regulamento com a última redacção que
10 de Julho de 2007 e decisão do Conselho de 28 de Junho de 2007. lhe foi dada pelo Regulamento (CE) n.o 1791/2006 (JO L 363 de
(3) JO C 12 de 15.1.2001, p. 1. 20.12.2006, p. 1).
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(13) Regras uniformes, aplicadas independentemente da lei que (20) A regra de conflito de leis em matéria de responsabilidade
designem, poderão evitar o risco de distorções da concor- por produtos defeituosos deverá responder aos objectivos
rência entre litigantes comunitários. que consistem na justa repartição dos riscos inerentes a
uma sociedade moderna de alta tecnologia, na protecção
da saúde dos consumidores, na promoção da inovação, na
(14) A exigência de certeza jurídica e a necessidade de adminis- garantia de uma concorrência não falseada e na facilita-
trar a justiça nos casos individuais são elementos essenci- ção das trocas comerciais. A criação de um sistema em
ais de um espaço de justiça. O presente regulamento cascata de factores de conexão, acompanhada de uma clá-
estabelece os factores de conexão mais apropriados para usula de previsibilidade, constitui uma solução equilibrada
a consecução desses objectivos. Consequentemente, o pre- em relação a estes objectivos. O primeiro aspecto a ter em
sente regulamento estabelece uma regra geral, mas tam- conta é a lei do país onde o lesado tenha a sua residência
bém regras específicas e, em certas disposições, uma habitual, no momento em que tenha ocorrido o dano, se
«cláusula de salvaguarda» que permite não aplicar essas o produto tiver sido comercializado nesse país. Os outros
regras se resultar claramente do conjunto das circunstân- elementos da cascata são desencadeados se o produto não
cias do caso que a responsabilidade fundada em acto lícito, tiver sido comercializado nesse país, sem prejuízo do n.o 2
ilícito ou no risco apresenta uma conexão manifestamente do artigo 4.o e da possibilidade de uma conexão manifes-
mais estreita com outro país. Assim, este conjunto de tamente mais estreita com outro país.
regras cria um quadro flexível de regras de conflitos. Além
disso, permite ao tribunal em que a acção é proposta tra-
tar os casos individuais da forma adequada.
(21) A regra especial do artigo 6.o não constitui uma excepção
(15) Embora o princípio lex loci delicti commissi constitua a solu- à regra geral do n.o 1 do artigo 4.o, mas sim uma clarifi-
ção de base em matéria de obrigações extracontratuais na cação da mesma. Em matéria de concorrência desleal, a
quase totalidade dos Estados-Membros, a concretização regra de conflito de leis deverá proteger os concorrentes,
deste princípio varia quando elementos do caso estão dis- os consumidores e o público em geral, bem como garan-
persos por vários países. Esta situação é fonte de incer- tir o bom funcionamento da economia de mercado. A
teza quanto à lei aplicável. conexão à lei do país onde as relações concorrenciais ou
os interesses colectivos dos consumidores sejam afecta-
dos ou sejam susceptíveis de ser afectados cumpre, em
(16) As regras uniformes deverão reforçar a previsibilidade das geral, estes objectivos.
decisões judiciais e assegurar um equilíbrio razoável entre
os interesses da pessoa alegadamente responsável e os inte-
resses do lesado. A conexão com o país do lugar onde o
dano directo ocorreu (lex loci damni) estabelece um justo (22) As obrigações extracontratuais decorrentes das restrições
equilíbrio entre os interesses da pessoa alegadamente res- à concorrência referidas no n.o 3 do artigo 6.o deverão
ponsável e do lesado e reflecte a concepção moderna da abranger as violações da legislação nacional e comunitá-
responsabilidade civil, assim como a evolução dos siste- ria da concorrência. A lei aplicável a tais obrigações extra-
mas de responsabilidade objectiva. contratuais deverá ser a lei do país em que o mercado seja
afectado ou seja susceptível de ser afectado. Caso o mer-
cado seja afectado ou seja susceptível de ser afectado em
(17) A lei aplicável deverá ser determinada com base no local mais do que um país, o requerente deverá poder, em cir-
onde ocorreu o dano, independentemente do país ou paí- cunstâncias determinadas, optar por basear o seu pedido
ses onde possam ocorrer as consequências indirectas do na lei do tribunal em que a acção é proposta.
mesmo. Assim sendo, em caso de danos não patrimoniais
ou patrimoniais, o país onde os danos ocorrem deverá ser
o país em que o dano tenha sido infligido, respectiva-
mente, à pessoa ou ao património. (23) Para efeitos do presente regulamento, o conceito de restri-
ção à concorrência deverá abranger as proibições de acor-
(18) A regra geral consagrada no presente regulamento deverá dos entre empresas, decisões de associações de empresas
ser a lex loci damni, prevista no n.o 1 do artigo 4.o O n.o 2 e práticas concertadas que tenham por objectivo ou efeito
do artigo 4.o deverá ser visto como uma excepção a este impedir, restringir ou falsear a concorrência no território
princípio geral, criando uma conexão especial caso as par- de um Estado-Membro ou no interior do mercado interno,
tes tenham a sua residência habitual no mesmo país. O bem como as proibições relativas ao abuso de posição
n.o 3 do artigo 4.o deverá ser entendido como uma «cláu- dominante no território de um Estado-Membro ou no
sula de salvaguarda» relativamente aos [Link] 1 e 2 do interior do mercado interno, caso tais acordos, decisões,
mesmo artigo, se resultar claramente do conjunto das cir- práticas concertadas ou abusos sejam proibidos pelos
cunstâncias do caso que a responsabilidade fundada em artigos 81.o e 82.o do Tratado ou pela lei de um
acto lícito, ilícito ou no risco apresenta uma conexão Estado-Membro.
manifestamente mais estreita com outro país.
(19) Deverão ser previstas regras específicas para os casos espe- (24) Por «danos ambientais» deverá entender-se a alteração
ciais de responsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou adversa de um recurso natural, como a água, o solo ou o
no risco em relação aos quais a regra geral não permita ar, ou a deterioração do serviço de um recurso natural em
obter um equilíbrio razoável entre os interesses em benefício de outro recurso natural ou do público, ou a
presença. deterioração da variabilidade entre organismos vivos.
L 199/42 PT Jornal Oficial da União Europeia 31.7.2007
(25) Relativamente aos danos ambientais, o artigo 174.° do intenções das partes. É necessário proteger as partes mais
Tratado, que estabelece como objectivo um nível elevado vulneráveis, impondo determinadas condições a esta
de protecção fundado nos princípios da precaução e da escolha.
acção preventiva, da correcção, prioritariamente na fonte,
e do poluidor-pagador, justifica plenamente o recurso ao
princípio de discriminar a favor do lesado. O momento (32) Considerações de interesse público justificam que, em cir-
em que a pessoa que pede a indemnização pode escolher cunstâncias excepcionais, os tribunais dos Estados-
a lei aplicável deverá ser determinado pela lei do Estado- -Membros possam aplicar excepções, por motivos de
-Membro do tribunal em que a acção é proposta. ordem pública e com base em normas de aplicação ime-
diata. Em especial, a aplicação de uma disposição da lei
designada pelo presente regulamento que tenha por efeito
(26) No que diz respeito à violação dos direitos de proprie- dar origem à determinação de indemnizações não com-
dade intelectual, importa preservar o princípio universal- pensatórias exemplares ou punitivas de carácter excessivo
mente reconhecido da lex loci protectionis. Para efeitos do pode, em função das circunstâncias do caso e da ordem
presente regulamento, a expressão direitos de propriedade jurídica do Estado-Membro do tribunal em que a acção é
intelectual deverá ser interpretada como abrangendo, proposta, ser considerada contrária à ordem pública do
nomeadamente, o direito de autor, os direitos conexos, o foro.
direito sui generis para a protecção das bases de dados, bem
como os direitos de propriedade industrial.
(33) De acordo com as regras nacionais actualmente em vigor
relativas à indemnização às vítimas de acidentes de via-
ção, ao quantificar a indemnização por danos não patri-
(27) O conceito exacto de acção colectiva, como a greve ou o moniais quando o acidente ocorre num Estado diferente
lock-out, varia de Estado-Membro para Estado-Membro e do da residência habitual da vítima, o tribunal em que a
rege-se pelas normas internas de cada um deles. Por con- acção é proposta deverá ter em conta todas as circunstân-
seguinte, o presente regulamento assume como princípio cias efectivas relevantes da vítima em causa, incluindo, em
geral que deverá ser aplicável a lei do país onde ocorre a especial, os reais prejuízos e custos da assistência ulterior
acção colectiva, a fim de proteger os direitos e obrigações e do acompanhamento médico.
dos trabalhadores e empregadores.
(36) O respeito pelos compromissos internacionais subscritos 2. São excluídas do âmbito de aplicação do presente
pelos Estados-Membros significa que o presente regula- regulamento:
mento não deverá afectar as convenções internacionais nas
quais sejam partes um ou mais Estados-Membros, na data
a) As obrigações extracontratuais que decorram de relações de
da aprovação do presente regulamento. Para facilitar o
família ou de relações que a lei aplicável às mesmas consi-
acesso às regras em vigor, a Comissão publicará, no Jornal
dere terem efeitos equiparados, incluindo as obrigações de
Oficial da União Europeia, a lista das convenções em causa, alimentos;
com base em informações transmitidas pelos
Estados-Membros.
b) As obrigações extracontratuais que decorram de regimes de
bens no casamento, de regimes de bens em relações que a
(37) A Comissão apresentará ao Parlamento Europeu e ao Con- lei aplicável às mesmas considere terem efeitos equiparados
selho uma proposta relativa aos procedimentos e às con- ao casamento e as sucessões;
dições em que os Estados-Membros terão o direito de
negociar e celebrar, em seu próprio nome, acordos com
c) As obrigações extracontratuais que decorram de letras de
países terceiros, em casos individuais e excepcionais, res-
câmbio, cheques, livranças, bem como de outros títulos
peitantes a matérias sectoriais, que contenham disposições
negociáveis, na medida em que as obrigações decorrentes
sobre a lei aplicável às obrigações extracontratuais.
desses outros títulos resultem do seu carácter negociável;
(38) Atendendo a que o objectivo do presente regulamento não d) As obrigações extracontratuais que decorram do direito das
pode ser suficientemente realizado pelos Estados- sociedades e do direito aplicável a outras entidades dotadas
-Membros e pode, pois, devido à sua dimensão e efeitos, ou não de personalidade jurídica, como em matéria de cons-
ser mais bem alcançado a nível comunitário, a Comuni- tituição, através de registo ou por outro meio, de capaci-
dade pode tomar medidas em conformidade com o prin- dade jurídica, de funcionamento interno ou de dissolução
cípio da subsidiariedade consagrado no artigo 5.o do das sociedades e de outras entidades dotadas ou não de per-
Tratado. Em conformidade com o princípio da proporci- sonalidade jurídica, de responsabilidade pessoal dos sócios e
onalidade consagrado no mesmo artigo, o presente regu- dos titulares dos órgãos que agem nessa qualidade, relativa-
lamento não excede o necessário para atingir aquele mente às obrigações da sociedade ou de outra entidade, e de
objectivo. responsabilidade pessoal dos auditores perante uma socie-
dade ou perante os titulares dos seus órgãos no exercício do
controlo legal de documentos contabilísticos;
(39) Nos termos do artigo 3.o do Protocolo relativo à posição
do Reino Unido e da Irlanda, anexo ao Tratado da União
e) As obrigações extracontratuais que decorram das relações
Europeia e ao Tratado que institui a Comunidade Euro-
entre os constituintes, os trustees e os beneficiários de um
peia, o Reino Unido e a Irlanda participam na aprovação
trust voluntariamente criado;
e aplicação do presente regulamento.
Artigo 2.o
o
Artigo 1. Obrigações extracontratuais
Âmbito de aplicação
1. Para efeitos do presente regulamento, o dano abrange todas
as consequências decorrentes da responsabilidade fundada em
1. O presente regulamento é aplicável, em situações que
acto lícito, ilícito ou no risco, do enriquecimento sem causa, da
envolvam um conflito de leis, às obrigações extracontratuais em
negotiorum gestio ou da culpa in contrahendo.
matéria civil e comercial. Não é aplicável, em especial, às maté-
rias fiscais, aduaneiras e administrativas, nem à responsabilidade
do Estado por actos e omissões no exercício do poder público 2. O presente regulamento é aplicável às obrigações extracon-
(acta iure imperii). tratuais susceptíveis de surgir.
L 199/44 PT Jornal Oficial da União Europeia 31.7.2007
3. Todas as referências no presente regulamento a: c) A lei do país onde o dano tenha ocorrido, se o produto tiver
sido comercializado nesse país.
a) Um facto que dá origem a um dano, incluem os factos sus-
ceptíveis de ocorrer que dêem origem a danos; e
No entanto, a lei aplicável é a lei do país onde a pessoa cuja res-
ponsabilidade é invocada tenha a sua residência habitual, se essa
b) Um dano, incluem os danos susceptíveis de ocorrer. pessoa não puder razoavelmente prever a comercialização do
produto, ou de um produto do mesmo tipo, no país cuja lei é
aplicável, ao abrigo das alíneas a), b) ou c).
Artigo 3.o
Aplicação universal
2. Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias do
caso que a responsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou no
É aplicável a lei designada pelo presente regulamento, mesmo risco tem uma conexão manifestamente mais estreita com um
que não seja a lei de um Estado-Membro. país diferente do indicado no n.o 1, é aplicável a lei desse outro
país. Uma conexão manifestamente mais estreita com um outro
país poderá ter por base, nomeadamente, uma relação pré-
CAPÍTULO II -existente entre as partes, tal como um contrato, que tenha uma
ligação estreita com a responsabilidade fundada no acto lícito,
RESPONSABILIDADE FUNDADA EM ACTO LÍCITO, ILÍCITO
OU NO RISCO ilícito ou no risco em causa.
2. Todavia, sempre que a pessoa cuja responsabilidade é invo- 2. Se um acto de concorrência desleal afectar apenas os inte-
cada e o lesado tenham a sua residência habitual no mesmo país resses de um concorrente específico, aplica-se o artigo 4.o
no momento em que ocorre o dano, é aplicável a lei desse país.
3. Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias que 3. a) A lei aplicável a uma obrigação extracontratual decor-
a responsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou no risco tem rente de uma restrição de concorrência é a lei do país
uma conexão manifestamente mais estreita com um país dife- em que o mercado seja afectado ou seja susceptível de
rente do indicado nos [Link] 1 ou 2, é aplicável a lei desse outro ser afectado;
país. Uma conexão manifestamente mais estreita com um outro
país poderá ter por base, nomeadamente, uma relação preexis-
tente entre as partes, tal como um contrato, que tenha uma liga- b) Quando o mercado for afectado ou for susceptível de
ção estreita com a responsabilidade fundada no acto lícito, ilícito ser afectado em mais do que um país, a pessoa que
ou no risco em causa. requer a reparação do dano e propõe a acção no tribu-
nal do domicilio do réu pode optar por basear o seu
pedido na lei do tribunal em que a acção é proposta,
Artigo 5.o desde que o mercado desse Estado-Membro seja um
dos directa e substancialmente afectados pela restrição
Responsabilidade por produtos defeituosos à concorrência de que decorre a obrigação extracon-
tratual em que se baseia o pedido. Caso o requerente
1. Sem prejuízo do n.o 2 do artigo 4.o, a lei aplicável a uma proponha nesse tribunal, de acordo com as regras apli-
obrigação extracontratual decorrente de um dano causado por cáveis em matéria de competência judiciária, uma
um produto é: acção contra mais do que um réu, só pode optar por
basear o seu pedido na lei desse tribunal se a restrição
à concorrência em que se baseia a acção contra cada
a) A lei do país onde o lesado tenha a sua residência habitual um desses réus também afectar directa e substancial-
no momento em que ocorre o dano, se o produto tiver sido mente o mercado do Estado-Membro em que se situa
comercializado nesse país; ou, não sendo assim, esse tribunal.
Artigo 7.o 3. Sempre que a lei aplicável não possa ser determinada com
base nos [Link] 1 ou 2, é aplicável a lei do país onde tenha ocor-
Danos ambientais rido o enriquecimento sem causa.
A lei aplicável à obrigação extracontratual que decorra de danos 4. Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias do
ambientais ou de danos não patrimoniais ou patrimoniais decor- caso, que a obrigação extracontratual que decorra de enriqueci-
rentes daqueles é a que resulta da aplicação do n.o 1 do mento sem causa tem uma conexão manifestamente mais estreita
artigo 4.o, salvo se a pessoa que requer a reparação do dano esco- com um país diferente do indicado nos [Link] 1, 2 e 3, é aplicável
lher basear o seu pedido na lei do país onde tiver ocorrido o a lei desse outro país.
facto que deu origem ao dano.
Artigo 11.o
o
Artigo 8. Negotiorum gestio
Violação de direitos de propriedade intelectual
1. Se uma obrigação extracontratual que decorra da prática
de um acto relativamente a negócios alheios sem a devida auto-
1. A lei aplicável à obrigação extracontratual que decorra da rização estiver associada a uma relação previamente existente
violação de um direito de propriedade intelectual é a lei do país entre as partes, baseada nomeadamente num contrato ou em res-
para o qual a protecção é reivindicada. ponsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou no risco que apre-
sente uma conexão estreita com essa obrigação extracontratual,
2. No caso de obrigação extracontratual que decorra da viola- a lei aplicável é a lei que rege essa relação.
ção de um direito de propriedade intelectual comunitário com
carácter unitário, a lei aplicável a qualquer questão que não seja 2. Sempre que a lei aplicável não possa ser determinada com
regida pelo instrumento comunitário pertinente é a lei do país base no n.o 1 e as partes tenham a sua residência habitual no
em que a violação tenha sido cometida. mesmo país no momento em que ocorre o facto que dá origem
ao dano, é aplicável a lei desse país.
3. A lei aplicável ao abrigo do presente artigo não pode ser
3. Sempre que a lei aplicável não possa ser determinada com
afastada por acordos celebrados em aplicação do artigo 14.o
base nos [Link] 1 ou 2, é aplicável a lei do país onde tenha sido
praticado o acto.
Artigo 9.o 4. Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias do
Acção colectiva caso que a obrigação extracontratual que decorra da prática de
um acto relativamente a negócios alheios sem a devida autoriza-
ção tem uma conexão manifestamente mais estreita com um país
Sem prejuízo do n.o 2 do artigo 4.o, a lei aplicável a uma obriga- diferente do indicado nos [Link] 1, 2 e 3, é aplicável a lei desse
ção extracontratual no que diz respeito à responsabilidade de outro país.
uma pessoa que age na qualidade de trabalhador ou de emprega-
dor, ou das organizações que representam os respectivos interes-
ses profissionais, pelos danos decorrentes de acções colectivas, Artigo 12.o
pendentes ou executadas, é a lei do país no qual a acção tenha
ocorrido ou venha a ocorrer. Culpa in contrahendo
Para efeitos do presente capítulo, o artigo 8.o aplica-se às obriga- d) Nos limites dos poderes conferidos ao tribunal pelo seu
ções extracontratuais que decorram da violação de um direito de direito processual, as medidas que um tribunal pode tomar
propriedade intelectual. para prevenir ou fazer cessar o dano ou assegurar a sua
reparação;
CAPÍTULO IV
e) A transmissibilidade do direito de exigir indemnização ou
LIBERDADE DE ESCOLHA reparação, incluindo por via sucessória;
ou,
Artigo 16.o
b) Caso todas as partes desenvolvam actividades económicas, Normas de aplicação imediata
também mediante uma convenção livremente negociada,
anterior ao facto que dê origem ao dano.
O disposto no presente regulamento em nada afecta a aplicação
A escolha deve ser expressa ou decorrer, de modo razoavelmente das disposições da lei do país do foro que regulem imperativa-
certo, das circunstâncias do caso, e não prejudica os direitos de mente o caso concreto independentemente da lei normalmente
terceiros. aplicável à obrigação extracontratual.
Se o credor tiver um direito contra vários devedores responsá- Entende-se por aplicação da lei de qualquer país designada pelo
veis pelo mesmo direito e se um deles já tiver satisfeito total ou presente regulamento, a aplicação das normas jurídicas em vigor
parcialmente o pedido, o direito de este devedor exigir repara- nesse país, com exclusão das suas normas de direito internacio-
ção aos restantes condevedores rege-se pela lei aplicável às obri- nal privado.
gações extracontratuais desse devedor para com o credor.
Artigo 25.o
o
Artigo 21.
Ordenamentos jurídicos plurilegislativos
Validade formal
2. Os actos jurídicos podem ser provados mediante qualquer A aplicação de uma disposição da lei de qualquer país designada
meio de prova admitido, quer pela lei do foro, quer por uma das pelo presente regulamento só pode ser afastada se for manifesta-
leis referidas no artigo 21.o, ao abrigo da qual o acto seja formal- mente incompatível com a ordem pública do foro.
mente válido, desde que esse meio de prova possa ser produzido
no tribunal do foro.
Artigo 27.o
OUTRAS DISPOSIÇÕES
O presente regulamento não prejudica a aplicação das disposi-
ções do direito comunitário que, em matérias específicas, estabe-
leçam regras de conflitos de leis referentes a obrigações
Artigo 23.o extracontratuais.
Residência habitual
Artigo 28.o
1. Para efeitos do presente regulamento, a residência habitual
das sociedades e outras entidades com ou sem personalidade jurí- Relações com convenções internacionais existentes
dica é o local onde se situa a respectiva administração central.
CAPÍTULO VII ii) Um estudo sobre os efeitos do artigo 28.° do presente regu-
DISPOSIÇÕES FINAIS
lamento no que diz respeito à Convenção da Haia, de
4 de Maio de 1971, sobre a lei aplicável em matéria de aci-
dentes de circulação rodoviária.
Artigo 29.o
Lista das convenções 2. Até 31 de Dezembro de 2008, a Comissão deve apresentar
ao Parlamento Europeu, ao Conselho e ao Comité Económico e
1. Até 11 de Julho de 2008, os Estados-Membros comuni- Social Europeu um estudo sobre a situação do direito aplicável
cam à Comissão as convenções referidas no n.o 1 do artigo 28.o às obrigações extracontratuais resultantes de violações do direito
Após essa data, os Estados-Membros comunicam à Comissão a à reserva da vida privada e dos direitos de personalidade, tendo
denúncia dessas convenções. em conta as regras relativas à liberdade de imprensa e à liber-
dade de expressão nos meios de comunicação social, e sobre
questões de conflitos de leis relacionadas com a Directiva
2. No prazo de seis meses após a sua recepção, a Comissão 95/46/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 24 de Outu-
publica no Jornal Oficial da União Europeia: bro de 1995, relativa à protecção das pessoas singulares no que
diz respeito ao tratamento de dados pessoais e à livre circulação
i) Uma lista das convenções a que se refere o n.o 1; desses dados (1).
A Comissão, ciente das diferentes práticas dos Estados-Membros no que diz respeito ao nível de indemniza-
ção concedido às vítimas de acidentes de viação, declara-se disposta a examinar os problemas específicos
com que se confrontam os residentes da União Europeia envolvidos em acidentes de viação num Estado-
-Membro diferente do Estado-Membro da sua residência habitual. Para este efeito, a Comissão apresentará
um estudo ao Parlamento Europeu e ao Conselho até final de 2008 sobre todas as opções, incluindo os
aspectos relativos aos seguros, a fim de melhorar a posição das vítimas transfronteiras, e que antecederá a
elaboração de um livro verde.
A Comissão, ciente das diferentes práticas dos Estados-Membros no que diz respeito ao tratamento da lei
estrangeira, publicará o mais tardar quatro anos após a entrada em vigor do Regulamento «Roma II», e em
qualquer caso logo que esteja disponível, um estudo de carácter horizontal sobre a aplicação da lei estran-
geira em matéria civil e comercial pelos tribunais dos Estados-Membros, tendo em conta os objectivos do
Programa da Haia. A Comissão está igualmente preparada para, se necessário, tomar as medidas adequadas.