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Regulamento Roma II sobre Obrigações Extracontratuais

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L 199/40 PT Jornal Oficial da União Europeia 31.7.

2007

REGULAMENTO (CE) n.o 864/2007 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO


de 11 de Julho de 2007
relativo à lei aplicável às obrigações extracontratuais («Roma II»)

O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA, (5) O Programa da Haia (4), aprovado pelo Conselho Euro-
peu em 5 de Novembro de 2004, apela à prossecução
activa dos trabalhos sobre regras de conflitos de leis no
Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia, que respeita às obrigações extracontratuais («Roma II»).
nomeadamente a alínea c) do artigo 61.o e o artigo 67.o,

(6) O bom funcionamento do mercado interno exige, para


Tendo em conta a proposta da Comissão, favorecer a previsibilidade do resultado dos litígios, a cer-
teza quanto à lei aplicável e a livre circulação das decisões
judiciais, que as regras de conflitos de leis em vigor nos
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social Estados-Membros designem a mesma lei nacional, inde-
Europeu (1), pendentemente do país em que se situe o tribunal perante
o qual é proposta a acção.
Deliberando nos termos do artigo 251.o do Tratado, tendo em
conta o projecto comum aprovado pelo Comité de Conciliação (7) O âmbito de aplicação material e as disposições do pre-
em 25 de Junho de 2007 (2), sente regulamento deverão ser coerentes com o Regula-
mento (CE) n.o 44/2001 do Conselho, de 22 de Dezembro
de 2000, relativo à competência judiciária, ao reconheci-
Considerando o seguinte: mento e à execução de decisões em matéria civil e comer-
cial (5) (Bruxelas I) e com os instrumentos referentes à lei
aplicável às obrigações contratuais.
(1) A Comunidade fixou como seu objectivo manter e desen-
volver um espaço de liberdade, de segurança e de justiça.
A fim de estabelecer gradualmente esse espaço, a Comu- (8) O presente regulamento deverá aplicar-se independente-
nidade deverá adoptar medidas no domínio da coopera- mente na natureza do tribunal em que a acção é proposta.
ção judiciária em matéria civil que tenham uma incidência
transfronteiriça, na medida do necessário ao bom funcio-
namento do mercado interno. (9) As acções resultantes de acta iure imperii deverão abranger
as acções contra funcionários que agem em nome do
Estado e a responsabilidade por actos praticados no exer-
(2) Nos termos da alínea b) do artigo 65.o do Tratado, essas cício de poderes públicos, incluindo a responsabilidade de
medidas devem incluir medidas que promovam a compa- funcionários oficialmente mandatados. Por conseguinte,
tibilidade das normas aplicáveis nos Estados-Membros em estas matérias deverão ser excluídas do âmbito de aplica-
matéria de conflitos de leis e de jurisdição. ção do presente regulamento.

(3) Na sua reunião em Tampere, de 15 e 16 de Outubro (10) As relações de família deverão abranger a filiação, o casa-
de 1999, o Conselho Europeu subscreveu o princípio do mento, a afinidade e o parentesco em linha colateral. A
reconhecimento mútuo das sentenças e outras decisões referência feita no n.o 2 do artigo 1.o às relações com efei-
das autoridades judiciais como pedra angular da coopera- tos equiparados ao casamento e outras relações de família
ção judiciária em matéria civil e solicitou ao Conselho e à deverá ser interpretada de acordo com a lei do Estado-
Comissão que adoptassem um programa legislativo para -Membro do tribunal em que a acção é proposta.
implementar aquele princípio.
(11) O conceito de obrigação extracontratual varia entre os
(4) Em 30 de Novembro de 2000, o Conselho aprovou um Estados-Membros. Por conseguinte, para efeitos do pre-
programa conjunto da Comissão e do Conselho, de medi- sente regulamento, a obrigação extracontratual deverá ser
das destinadas a aplicar o princípio do reconhecimento entendida como um conceito autónomo. As regras de con-
mútuo das decisões em matéria civil e comercial (3). Esse flitos de leis estabelecidas no presente regulamento deve-
programa aponta as medidas de harmonização das regras rão igualmente cobrir as obrigações extracontratuais
de conflitos de leis como medidas que contribuem para resultantes de responsabilidade objectiva.
facilitar o reconhecimento mútuo das decisões judiciais.
(12) A lei aplicável deverá regular igualmente a questão da
(1) JO C 241 de 28.9.2004, p. 1. capacidade de incorrer em responsabilidade fundada em
(2) Parecer do Parlamento Europeu de 6 de Julho de 2005 (JO C 157 E acto lícito, ilícito ou no risco.
de 6.7.2006, p. 371), posição comum do Conselho de 25 de Setem-
bro de 2006 (JO C 289 E de 28.11.2006, p. 68), posição do Parla-
mento Europeu de 18 de Janeiro de 2007 (ainda não publicada no (4) JO C 53 de 3.3.2005, p. 1.
Jornal Oficial), resolução legislativa do Parlamento Europeu de (5) JO L 12 de 16.1.2001, p. 1. Regulamento com a última redacção que
10 de Julho de 2007 e decisão do Conselho de 28 de Junho de 2007. lhe foi dada pelo Regulamento (CE) n.o 1791/2006 (JO L 363 de
(3) JO C 12 de 15.1.2001, p. 1. 20.12.2006, p. 1).
31.7.2007 PT Jornal Oficial da União Europeia L 199/41

(13) Regras uniformes, aplicadas independentemente da lei que (20) A regra de conflito de leis em matéria de responsabilidade
designem, poderão evitar o risco de distorções da concor- por produtos defeituosos deverá responder aos objectivos
rência entre litigantes comunitários. que consistem na justa repartição dos riscos inerentes a
uma sociedade moderna de alta tecnologia, na protecção
da saúde dos consumidores, na promoção da inovação, na
(14) A exigência de certeza jurídica e a necessidade de adminis- garantia de uma concorrência não falseada e na facilita-
trar a justiça nos casos individuais são elementos essenci- ção das trocas comerciais. A criação de um sistema em
ais de um espaço de justiça. O presente regulamento cascata de factores de conexão, acompanhada de uma clá-
estabelece os factores de conexão mais apropriados para usula de previsibilidade, constitui uma solução equilibrada
a consecução desses objectivos. Consequentemente, o pre- em relação a estes objectivos. O primeiro aspecto a ter em
sente regulamento estabelece uma regra geral, mas tam- conta é a lei do país onde o lesado tenha a sua residência
bém regras específicas e, em certas disposições, uma habitual, no momento em que tenha ocorrido o dano, se
«cláusula de salvaguarda» que permite não aplicar essas o produto tiver sido comercializado nesse país. Os outros
regras se resultar claramente do conjunto das circunstân- elementos da cascata são desencadeados se o produto não
cias do caso que a responsabilidade fundada em acto lícito, tiver sido comercializado nesse país, sem prejuízo do n.o 2
ilícito ou no risco apresenta uma conexão manifestamente do artigo 4.o e da possibilidade de uma conexão manifes-
mais estreita com outro país. Assim, este conjunto de tamente mais estreita com outro país.
regras cria um quadro flexível de regras de conflitos. Além
disso, permite ao tribunal em que a acção é proposta tra-
tar os casos individuais da forma adequada.
(21) A regra especial do artigo 6.o não constitui uma excepção
(15) Embora o princípio lex loci delicti commissi constitua a solu- à regra geral do n.o 1 do artigo 4.o, mas sim uma clarifi-
ção de base em matéria de obrigações extracontratuais na cação da mesma. Em matéria de concorrência desleal, a
quase totalidade dos Estados-Membros, a concretização regra de conflito de leis deverá proteger os concorrentes,
deste princípio varia quando elementos do caso estão dis- os consumidores e o público em geral, bem como garan-
persos por vários países. Esta situação é fonte de incer- tir o bom funcionamento da economia de mercado. A
teza quanto à lei aplicável. conexão à lei do país onde as relações concorrenciais ou
os interesses colectivos dos consumidores sejam afecta-
dos ou sejam susceptíveis de ser afectados cumpre, em
(16) As regras uniformes deverão reforçar a previsibilidade das geral, estes objectivos.
decisões judiciais e assegurar um equilíbrio razoável entre
os interesses da pessoa alegadamente responsável e os inte-
resses do lesado. A conexão com o país do lugar onde o
dano directo ocorreu (lex loci damni) estabelece um justo (22) As obrigações extracontratuais decorrentes das restrições
equilíbrio entre os interesses da pessoa alegadamente res- à concorrência referidas no n.o 3 do artigo 6.o deverão
ponsável e do lesado e reflecte a concepção moderna da abranger as violações da legislação nacional e comunitá-
responsabilidade civil, assim como a evolução dos siste- ria da concorrência. A lei aplicável a tais obrigações extra-
mas de responsabilidade objectiva. contratuais deverá ser a lei do país em que o mercado seja
afectado ou seja susceptível de ser afectado. Caso o mer-
cado seja afectado ou seja susceptível de ser afectado em
(17) A lei aplicável deverá ser determinada com base no local mais do que um país, o requerente deverá poder, em cir-
onde ocorreu o dano, independentemente do país ou paí- cunstâncias determinadas, optar por basear o seu pedido
ses onde possam ocorrer as consequências indirectas do na lei do tribunal em que a acção é proposta.
mesmo. Assim sendo, em caso de danos não patrimoniais
ou patrimoniais, o país onde os danos ocorrem deverá ser
o país em que o dano tenha sido infligido, respectiva-
mente, à pessoa ou ao património. (23) Para efeitos do presente regulamento, o conceito de restri-
ção à concorrência deverá abranger as proibições de acor-
(18) A regra geral consagrada no presente regulamento deverá dos entre empresas, decisões de associações de empresas
ser a lex loci damni, prevista no n.o 1 do artigo 4.o O n.o 2 e práticas concertadas que tenham por objectivo ou efeito
do artigo 4.o deverá ser visto como uma excepção a este impedir, restringir ou falsear a concorrência no território
princípio geral, criando uma conexão especial caso as par- de um Estado-Membro ou no interior do mercado interno,
tes tenham a sua residência habitual no mesmo país. O bem como as proibições relativas ao abuso de posição
n.o 3 do artigo 4.o deverá ser entendido como uma «cláu- dominante no território de um Estado-Membro ou no
sula de salvaguarda» relativamente aos [Link] 1 e 2 do interior do mercado interno, caso tais acordos, decisões,
mesmo artigo, se resultar claramente do conjunto das cir- práticas concertadas ou abusos sejam proibidos pelos
cunstâncias do caso que a responsabilidade fundada em artigos 81.o e 82.o do Tratado ou pela lei de um
acto lícito, ilícito ou no risco apresenta uma conexão Estado-Membro.
manifestamente mais estreita com outro país.

(19) Deverão ser previstas regras específicas para os casos espe- (24) Por «danos ambientais» deverá entender-se a alteração
ciais de responsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou adversa de um recurso natural, como a água, o solo ou o
no risco em relação aos quais a regra geral não permita ar, ou a deterioração do serviço de um recurso natural em
obter um equilíbrio razoável entre os interesses em benefício de outro recurso natural ou do público, ou a
presença. deterioração da variabilidade entre organismos vivos.
L 199/42 PT Jornal Oficial da União Europeia 31.7.2007

(25) Relativamente aos danos ambientais, o artigo 174.° do intenções das partes. É necessário proteger as partes mais
Tratado, que estabelece como objectivo um nível elevado vulneráveis, impondo determinadas condições a esta
de protecção fundado nos princípios da precaução e da escolha.
acção preventiva, da correcção, prioritariamente na fonte,
e do poluidor-pagador, justifica plenamente o recurso ao
princípio de discriminar a favor do lesado. O momento (32) Considerações de interesse público justificam que, em cir-
em que a pessoa que pede a indemnização pode escolher cunstâncias excepcionais, os tribunais dos Estados-
a lei aplicável deverá ser determinado pela lei do Estado- -Membros possam aplicar excepções, por motivos de
-Membro do tribunal em que a acção é proposta. ordem pública e com base em normas de aplicação ime-
diata. Em especial, a aplicação de uma disposição da lei
designada pelo presente regulamento que tenha por efeito
(26) No que diz respeito à violação dos direitos de proprie- dar origem à determinação de indemnizações não com-
dade intelectual, importa preservar o princípio universal- pensatórias exemplares ou punitivas de carácter excessivo
mente reconhecido da lex loci protectionis. Para efeitos do pode, em função das circunstâncias do caso e da ordem
presente regulamento, a expressão direitos de propriedade jurídica do Estado-Membro do tribunal em que a acção é
intelectual deverá ser interpretada como abrangendo, proposta, ser considerada contrária à ordem pública do
nomeadamente, o direito de autor, os direitos conexos, o foro.
direito sui generis para a protecção das bases de dados, bem
como os direitos de propriedade industrial.
(33) De acordo com as regras nacionais actualmente em vigor
relativas à indemnização às vítimas de acidentes de via-
ção, ao quantificar a indemnização por danos não patri-
(27) O conceito exacto de acção colectiva, como a greve ou o moniais quando o acidente ocorre num Estado diferente
lock-out, varia de Estado-Membro para Estado-Membro e do da residência habitual da vítima, o tribunal em que a
rege-se pelas normas internas de cada um deles. Por con- acção é proposta deverá ter em conta todas as circunstân-
seguinte, o presente regulamento assume como princípio cias efectivas relevantes da vítima em causa, incluindo, em
geral que deverá ser aplicável a lei do país onde ocorre a especial, os reais prejuízos e custos da assistência ulterior
acção colectiva, a fim de proteger os direitos e obrigações e do acompanhamento médico.
dos trabalhadores e empregadores.

(34) Para atingir um equilíbrio razoável entre as partes, é neces-


(28) A regra especial do artigo 9.o sobre a acção colectiva não sário ter em conta, na medida do possível, normas de
prejudica as condições do exercício dessas acções de segurança e de conduta em vigor no país em que o acto
acordo com a lei nacional e não prejudica o estatuto jurí- danoso foi praticado, mesmo quando a obrigação extra-
dico das organizações representativas dos trabalhadores contratual seja regulada pela lei de outro país. Os termos
ou dos sindicatos, tal como previsto na lei dos «regras de segurança e de conduta» deverão ser interpreta-
Estados-Membros. dos como referindo-se a todas as regras relacionadas com
a segurança e a conduta, incluindo, por exemplo, as rela-
tivas à segurança rodoviária em caso de acidente.

(29) É conveniente prever regras especiais para danos relativa-


mente aos quais a responsabilidade não seja fundada em
(35) Deverá ser evitada a dispersão por vários instrumentos das
actos lícitos, ilícitos ou no risco, como o enriquecimento
regras de conflitos de leis e as divergências entre essas
sem causa, a negotiorum gestio e a culpa in contrahendo.
regras. O presente regulamento não exclui, porém, a pos-
sibilidade de, em matérias específicas, se incluírem regras
de conflitos relativamente a obrigações extracontratuais
(30) A expressão culpa in contrahendo, para efeitos do presente em disposições de direito comunitário.
regulamento, designa um conceito autónomo e não deverá
forçosamente ser interpretada de acordo com o direito
nacional. Deverá incluir a violação do dever de comuni- O presente regulamento não deverá prejudicar a aplica-
car e a violação das negociações contratuais. O artigo 12.o ção de outros instrumentos que contenham disposições
apenas abrange as obrigações extracontratuais que tenham destinadas a contribuir para o bom funcionamento do
uma relação directa com as negociações realizadas antes mercado interno, na medida em que estas não possam ser
da celebração de um contrato. Isso significa que, se uma aplicadas em conjugação com a lei designada pelas regras
pessoa sofrer danos não patrimoniais enquanto um con- do presente regulamento. A aplicação das disposições da
trato é negociado, serão aplicáveis o artigo 4.o ou outras lei aplicável designada pelas regras do presente regula-
disposições relevantes do presente regulamento. mento não deverá restringir a livre circulação de bens e
serviços regulada por instrumentos comunitários como a
Directiva 2000/31/CE do Parlamento Europeu e do Con-
selho, de 8 de Junho de 2000, relativa a certos aspectos
(31) Para respeitar o princípio da autonomia das partes e refor- legais dos serviços da sociedade de informação, em espe-
çar a certeza jurídica, as partes deverão poder escolher a cial do comércio electrónico, no mercado interno («Direc-
lei aplicável a uma obrigação extracontratual. Esta esco- tiva sobre o comércio electrónico») (1).
lha deverá ser expressa ou demonstrada com um grau de
certeza razoável pelas circunstâncias do caso. Ao determi-
nar a existência de acordo, o tribunal deverá respeitar as (1) JO L 178 de 17.7.2000, p. 1.
31.7.2007 PT Jornal Oficial da União Europeia L 199/43

(36) O respeito pelos compromissos internacionais subscritos 2. São excluídas do âmbito de aplicação do presente
pelos Estados-Membros significa que o presente regula- regulamento:
mento não deverá afectar as convenções internacionais nas
quais sejam partes um ou mais Estados-Membros, na data
a) As obrigações extracontratuais que decorram de relações de
da aprovação do presente regulamento. Para facilitar o
família ou de relações que a lei aplicável às mesmas consi-
acesso às regras em vigor, a Comissão publicará, no Jornal
dere terem efeitos equiparados, incluindo as obrigações de
Oficial da União Europeia, a lista das convenções em causa, alimentos;
com base em informações transmitidas pelos
Estados-Membros.
b) As obrigações extracontratuais que decorram de regimes de
bens no casamento, de regimes de bens em relações que a
(37) A Comissão apresentará ao Parlamento Europeu e ao Con- lei aplicável às mesmas considere terem efeitos equiparados
selho uma proposta relativa aos procedimentos e às con- ao casamento e as sucessões;
dições em que os Estados-Membros terão o direito de
negociar e celebrar, em seu próprio nome, acordos com
c) As obrigações extracontratuais que decorram de letras de
países terceiros, em casos individuais e excepcionais, res-
câmbio, cheques, livranças, bem como de outros títulos
peitantes a matérias sectoriais, que contenham disposições
negociáveis, na medida em que as obrigações decorrentes
sobre a lei aplicável às obrigações extracontratuais.
desses outros títulos resultem do seu carácter negociável;

(38) Atendendo a que o objectivo do presente regulamento não d) As obrigações extracontratuais que decorram do direito das
pode ser suficientemente realizado pelos Estados- sociedades e do direito aplicável a outras entidades dotadas
-Membros e pode, pois, devido à sua dimensão e efeitos, ou não de personalidade jurídica, como em matéria de cons-
ser mais bem alcançado a nível comunitário, a Comuni- tituição, através de registo ou por outro meio, de capaci-
dade pode tomar medidas em conformidade com o prin- dade jurídica, de funcionamento interno ou de dissolução
cípio da subsidiariedade consagrado no artigo 5.o do das sociedades e de outras entidades dotadas ou não de per-
Tratado. Em conformidade com o princípio da proporci- sonalidade jurídica, de responsabilidade pessoal dos sócios e
onalidade consagrado no mesmo artigo, o presente regu- dos titulares dos órgãos que agem nessa qualidade, relativa-
lamento não excede o necessário para atingir aquele mente às obrigações da sociedade ou de outra entidade, e de
objectivo. responsabilidade pessoal dos auditores perante uma socie-
dade ou perante os titulares dos seus órgãos no exercício do
controlo legal de documentos contabilísticos;
(39) Nos termos do artigo 3.o do Protocolo relativo à posição
do Reino Unido e da Irlanda, anexo ao Tratado da União
e) As obrigações extracontratuais que decorram das relações
Europeia e ao Tratado que institui a Comunidade Euro-
entre os constituintes, os trustees e os beneficiários de um
peia, o Reino Unido e a Irlanda participam na aprovação
trust voluntariamente criado;
e aplicação do presente regulamento.

f) As obrigações extracontratuais que decorram de um dano


(40) Nos termos dos artigos 1.o e 2.o do Protocolo relativo à nuclear;
posição da Dinamarca, anexo ao Tratado da União Euro-
peia e ao Tratado que institui a Comunidade Europeia, a
Dinamarca não participa na aprovação do presente regu- g) As obrigações extracontratuais que decorram da violação da
lamento e não fica a ele vinculada nem sujeita à sua vida privada e dos direitos de personalidade, incluindo a
aplicação, difamação.

3. Sem prejuízo dos artigos 21.o e 22.o, o presente regula-


ADOPTARAM O PRESENTE REGULAMENTO: mento não se aplica à prova e ao processo.

4. Para efeitos do presente regulamento, por «Estado-Membro»


CAPÍTULO I entende-se qualquer Estado-Membro, com excepção da
Dinamarca.
ÂMBITO DE APLICAÇÃO

Artigo 2.o
o
Artigo 1. Obrigações extracontratuais
Âmbito de aplicação
1. Para efeitos do presente regulamento, o dano abrange todas
as consequências decorrentes da responsabilidade fundada em
1. O presente regulamento é aplicável, em situações que
acto lícito, ilícito ou no risco, do enriquecimento sem causa, da
envolvam um conflito de leis, às obrigações extracontratuais em
negotiorum gestio ou da culpa in contrahendo.
matéria civil e comercial. Não é aplicável, em especial, às maté-
rias fiscais, aduaneiras e administrativas, nem à responsabilidade
do Estado por actos e omissões no exercício do poder público 2. O presente regulamento é aplicável às obrigações extracon-
(acta iure imperii). tratuais susceptíveis de surgir.
L 199/44 PT Jornal Oficial da União Europeia 31.7.2007

3. Todas as referências no presente regulamento a: c) A lei do país onde o dano tenha ocorrido, se o produto tiver
sido comercializado nesse país.
a) Um facto que dá origem a um dano, incluem os factos sus-
ceptíveis de ocorrer que dêem origem a danos; e
No entanto, a lei aplicável é a lei do país onde a pessoa cuja res-
ponsabilidade é invocada tenha a sua residência habitual, se essa
b) Um dano, incluem os danos susceptíveis de ocorrer. pessoa não puder razoavelmente prever a comercialização do
produto, ou de um produto do mesmo tipo, no país cuja lei é
aplicável, ao abrigo das alíneas a), b) ou c).
Artigo 3.o
Aplicação universal
2. Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias do
caso que a responsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou no
É aplicável a lei designada pelo presente regulamento, mesmo risco tem uma conexão manifestamente mais estreita com um
que não seja a lei de um Estado-Membro. país diferente do indicado no n.o 1, é aplicável a lei desse outro
país. Uma conexão manifestamente mais estreita com um outro
país poderá ter por base, nomeadamente, uma relação pré-
CAPÍTULO II -existente entre as partes, tal como um contrato, que tenha uma
ligação estreita com a responsabilidade fundada no acto lícito,
RESPONSABILIDADE FUNDADA EM ACTO LÍCITO, ILÍCITO
OU NO RISCO ilícito ou no risco em causa.

Artigo 4.o Artigo 6.o


Regra geral Concorrência desleal e actos que restrinjam a livre
concorrência
1. Salvo disposição em contrário do presente regulamento, a
lei aplicável às obrigações extracontratuais decorrentes da res-
ponsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou no risco é a lei 1. A lei aplicável a uma obrigação extracontratual decorrente
do país onde ocorre o dano, independentemente do país onde de um acto de concorrência desleal é a lei do país em que as rela-
tenha ocorrido o facto que deu origem ao dano e independente- ções de concorrência ou os interesses colectivos dos consumido-
mente do país ou países onde ocorram as consequências indirec- res sejam afectados ou sejam susceptíveis de ser afectados.
tas desse facto.

2. Todavia, sempre que a pessoa cuja responsabilidade é invo- 2. Se um acto de concorrência desleal afectar apenas os inte-
cada e o lesado tenham a sua residência habitual no mesmo país resses de um concorrente específico, aplica-se o artigo 4.o
no momento em que ocorre o dano, é aplicável a lei desse país.

3. Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias que 3. a) A lei aplicável a uma obrigação extracontratual decor-
a responsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou no risco tem rente de uma restrição de concorrência é a lei do país
uma conexão manifestamente mais estreita com um país dife- em que o mercado seja afectado ou seja susceptível de
rente do indicado nos [Link] 1 ou 2, é aplicável a lei desse outro ser afectado;
país. Uma conexão manifestamente mais estreita com um outro
país poderá ter por base, nomeadamente, uma relação preexis-
tente entre as partes, tal como um contrato, que tenha uma liga- b) Quando o mercado for afectado ou for susceptível de
ção estreita com a responsabilidade fundada no acto lícito, ilícito ser afectado em mais do que um país, a pessoa que
ou no risco em causa. requer a reparação do dano e propõe a acção no tribu-
nal do domicilio do réu pode optar por basear o seu
pedido na lei do tribunal em que a acção é proposta,
Artigo 5.o desde que o mercado desse Estado-Membro seja um
dos directa e substancialmente afectados pela restrição
Responsabilidade por produtos defeituosos à concorrência de que decorre a obrigação extracon-
tratual em que se baseia o pedido. Caso o requerente
1. Sem prejuízo do n.o 2 do artigo 4.o, a lei aplicável a uma proponha nesse tribunal, de acordo com as regras apli-
obrigação extracontratual decorrente de um dano causado por cáveis em matéria de competência judiciária, uma
um produto é: acção contra mais do que um réu, só pode optar por
basear o seu pedido na lei desse tribunal se a restrição
à concorrência em que se baseia a acção contra cada
a) A lei do país onde o lesado tenha a sua residência habitual um desses réus também afectar directa e substancial-
no momento em que ocorre o dano, se o produto tiver sido mente o mercado do Estado-Membro em que se situa
comercializado nesse país; ou, não sendo assim, esse tribunal.

b) A lei do país onde o produto tenha sido adquirido, se o pro-


duto tiver sido comercializado nesse país; ou, não sendo 4. A lei aplicável ao abrigo do presente artigo não pode ser
assim, afastada por acordos celebrados em aplicação do artigo 14.o
31.7.2007 PT Jornal Oficial da União Europeia L 199/45

Artigo 7.o 3. Sempre que a lei aplicável não possa ser determinada com
base nos [Link] 1 ou 2, é aplicável a lei do país onde tenha ocor-
Danos ambientais rido o enriquecimento sem causa.

A lei aplicável à obrigação extracontratual que decorra de danos 4. Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias do
ambientais ou de danos não patrimoniais ou patrimoniais decor- caso, que a obrigação extracontratual que decorra de enriqueci-
rentes daqueles é a que resulta da aplicação do n.o 1 do mento sem causa tem uma conexão manifestamente mais estreita
artigo 4.o, salvo se a pessoa que requer a reparação do dano esco- com um país diferente do indicado nos [Link] 1, 2 e 3, é aplicável
lher basear o seu pedido na lei do país onde tiver ocorrido o a lei desse outro país.
facto que deu origem ao dano.

Artigo 11.o
o
Artigo 8. Negotiorum gestio
Violação de direitos de propriedade intelectual
1. Se uma obrigação extracontratual que decorra da prática
de um acto relativamente a negócios alheios sem a devida auto-
1. A lei aplicável à obrigação extracontratual que decorra da rização estiver associada a uma relação previamente existente
violação de um direito de propriedade intelectual é a lei do país entre as partes, baseada nomeadamente num contrato ou em res-
para o qual a protecção é reivindicada. ponsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou no risco que apre-
sente uma conexão estreita com essa obrigação extracontratual,
2. No caso de obrigação extracontratual que decorra da viola- a lei aplicável é a lei que rege essa relação.
ção de um direito de propriedade intelectual comunitário com
carácter unitário, a lei aplicável a qualquer questão que não seja 2. Sempre que a lei aplicável não possa ser determinada com
regida pelo instrumento comunitário pertinente é a lei do país base no n.o 1 e as partes tenham a sua residência habitual no
em que a violação tenha sido cometida. mesmo país no momento em que ocorre o facto que dá origem
ao dano, é aplicável a lei desse país.
3. A lei aplicável ao abrigo do presente artigo não pode ser
3. Sempre que a lei aplicável não possa ser determinada com
afastada por acordos celebrados em aplicação do artigo 14.o
base nos [Link] 1 ou 2, é aplicável a lei do país onde tenha sido
praticado o acto.
Artigo 9.o 4. Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias do
Acção colectiva caso que a obrigação extracontratual que decorra da prática de
um acto relativamente a negócios alheios sem a devida autoriza-
ção tem uma conexão manifestamente mais estreita com um país
Sem prejuízo do n.o 2 do artigo 4.o, a lei aplicável a uma obriga- diferente do indicado nos [Link] 1, 2 e 3, é aplicável a lei desse
ção extracontratual no que diz respeito à responsabilidade de outro país.
uma pessoa que age na qualidade de trabalhador ou de emprega-
dor, ou das organizações que representam os respectivos interes-
ses profissionais, pelos danos decorrentes de acções colectivas, Artigo 12.o
pendentes ou executadas, é a lei do país no qual a acção tenha
ocorrido ou venha a ocorrer. Culpa in contrahendo

1. A lei aplicável a uma obrigação extracontratual decorrente


CAPÍTULO III de negociações realizadas antes da celebração de um contrato,
independentemente de este ser efectivamente celebrado, é a lei
ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA, NEGOTIORIUM GESTIO E aplicável ao contrato ou que lhe seria aplicável se tivesse sido
CULPA IN CONTRAHENDO celebrado.

2. Caso não possa ser determinada com base no n.o 1, a lei


Artigo 10.o aplicável é:
Enriquecimento sem causa
a) A lei do país onde ocorre o dano, independentemente do
país em que tenha ocorrido o facto que deu origem ao dano
1. Se uma obrigação extracontratual que decorra de enrique- e do país ou países em que ocorram as consequências indi-
cimento sem causa, incluindo o pagamento de montantes inde- rectas desse facto; ou,
vidamente recebidos, estiver associada a uma relação existente
entre as partes, baseada nomeadamente num contrato ou em res- b) Quando as partes tiverem a sua residência habitual no
ponsabilidade fundada em acto lícito, ilícito ou no risco que apre- mesmo país no momento em que ocorre o facto que dá ori-
sente uma conexão estreita com esse enriquecimento sem causa, gem ao dano, a lei desse país; ou,
é aplicável a lei que rege essa relação.
c) Se resultar claramente do conjunto das circunstâncias do caso
2. Sempre que a lei aplicável não possa ser determinada com que a obrigação extracontratual, decorrente de negociações
base no n.o 1 e as partes tenham a sua residência habitual no realizadas antes da celebração de um contrato, tem uma cone-
mesmo país no momento em que ocorre o facto que dá origem xão manifestamente mais estreita com um país diferente do
ao enriquecimento sem causa, é aplicável a lei desse país. indicado nas alíneas a) e b), a lei desse outro país.
L 199/46 PT Jornal Oficial da União Europeia 31.7.2007

Artigo 13.o c) A existência, a natureza e a avaliação dos danos ou da repa-


ração exigida;
Aplicabilidade do artigo 8.o

Para efeitos do presente capítulo, o artigo 8.o aplica-se às obriga- d) Nos limites dos poderes conferidos ao tribunal pelo seu
ções extracontratuais que decorram da violação de um direito de direito processual, as medidas que um tribunal pode tomar
propriedade intelectual. para prevenir ou fazer cessar o dano ou assegurar a sua
reparação;

CAPÍTULO IV
e) A transmissibilidade do direito de exigir indemnização ou
LIBERDADE DE ESCOLHA reparação, incluindo por via sucessória;

Artigo 14.o f) As pessoas com direito à reparação do dano pessoalmente


sofrido;
Liberdade de escolha
g) A responsabilidade por actos de outrem;
1. As partes podem acordar em subordinar obrigações extra-
contratuais à lei da sua escolha:
h) As formas de extinção das obrigações, bem como as regras
a) Mediante convenção posterior ao facto que dê origem ao de prescrição e caducidade, incluindo as que determinem o
dano; início, a interrupção e suspensão dos respectivos prazos.

ou,
Artigo 16.o
b) Caso todas as partes desenvolvam actividades económicas, Normas de aplicação imediata
também mediante uma convenção livremente negociada,
anterior ao facto que dê origem ao dano.
O disposto no presente regulamento em nada afecta a aplicação
A escolha deve ser expressa ou decorrer, de modo razoavelmente das disposições da lei do país do foro que regulem imperativa-
certo, das circunstâncias do caso, e não prejudica os direitos de mente o caso concreto independentemente da lei normalmente
terceiros. aplicável à obrigação extracontratual.

2. Sempre que todos os elementos relevantes da situação se


situem, no momento em que ocorre o facto que dá origem ao Artigo 17.o
dano, num país que não seja o país da lei escolhida, a escolha Regras de segurança e de conduta
das partes não prejudica a aplicação das disposições da lei desse
país não derrogáveis por acordo.
Ao avaliar o comportamento da pessoa cuja responsabilidade é
3. Sempre que todos os elementos relevantes da situação se invocada, são tidas em conta, a título de matéria de facto e na
situem, no momento em que ocorre o facto que dá origem ao medida em que for apropriado, as regras de segurança e de con-
dano, num ou em vários Estados-Membros, a escolha, pelas par- duta em vigor no lugar e no momento em que ocorre o facto
tes, de uma lei aplicável que não a de um Estado-Membro, não que dá origem à responsabilidade.
prejudica a aplicação, se for esse o caso, das disposições de direito
comunitário não derrogáveis por convenção, tal como aplicadas
pelo Estado-Membro do foro. Artigo 18.o
Acção directa contra o segurador do responsável
CAPÍTULO V
REGRAS COMUNS O lesado pode demandar directamente o segurador do responsá-
vel pela reparação, se a lei aplicável à obrigação extracontratual
ou a lei aplicável ao contrato de seguro assim o previr.
Artigo 15.o
Alcance da lei aplicável
Artigo 19.o
A lei aplicável às obrigações extracontratuais referidas no pre- Sub-rogação
sente regulamento rege, designadamente:
Se, por força de uma obrigação extracontratual, uma pessoa («o
a) O fundamento e o âmbito da responsabilidade, incluindo a credor»), tiver direitos relativamente a outra pessoa («o devedor»),
determinação das pessoas às quais pode ser imputada res- e um terceiro tiver a obrigação de satisfazer o direito do credor,
ponsabilidade pelos actos que praticam; ou tiver efectivamente satisfeito o credor em cumprimento dessa
obrigação, a lei que rege esta obrigação do terceiro determina se
b) As causas de exclusão da responsabilidade, bem como qual- e em que medida este pode exercer os direitos do credor contra
quer limitação e repartição da responsabilidade; o devedor, segundo a lei que rege as suas relações.
31.7.2007 PT Jornal Oficial da União Europeia L 199/47

Artigo 20.o Artigo 24.o


Responsabilidade múltipla Exclusão do reenvio

Se o credor tiver um direito contra vários devedores responsá- Entende-se por aplicação da lei de qualquer país designada pelo
veis pelo mesmo direito e se um deles já tiver satisfeito total ou presente regulamento, a aplicação das normas jurídicas em vigor
parcialmente o pedido, o direito de este devedor exigir repara- nesse país, com exclusão das suas normas de direito internacio-
ção aos restantes condevedores rege-se pela lei aplicável às obri- nal privado.
gações extracontratuais desse devedor para com o credor.

Artigo 25.o
o
Artigo 21.
Ordenamentos jurídicos plurilegislativos
Validade formal

1. Sempre que um Estado englobe várias unidades territori-


Os actos jurídicos unilaterais relativos a uma obrigação extracon- ais, tendo cada uma normas de direito próprias em matéria de
tratual são formalmente válidos desde que preencham os requi- obrigações extracontratuais, cada unidade territorial é conside-
sitos de forma prescritos pela lei que rege a obrigação rada um país para fins de determinação da lei aplicável por força
extracontratual em causa ou pela lei do país em que o acto é do presente regulamento.
praticado.

2. Um Estado-Membro em que diferentes unidades territori-


ais tenham normas de direito próprias em matéria de obrigações
Artigo 22.o extracontratuais não é obrigado a aplicar o presente regulamento
Ónus da prova aos conflitos de leis que respeitem exclusivamente a essas unida-
des territoriais.

1. A lei que rege a obrigação extracontratual por força do pre-


sente regulamento aplica-se na medida em que, em matéria de
Artigo 26.o
obrigações extracontratuais, contenha regras que estabeleçam
presunções legais ou repartam o ónus da prova. Ordem pública do foro

2. Os actos jurídicos podem ser provados mediante qualquer A aplicação de uma disposição da lei de qualquer país designada
meio de prova admitido, quer pela lei do foro, quer por uma das pelo presente regulamento só pode ser afastada se for manifesta-
leis referidas no artigo 21.o, ao abrigo da qual o acto seja formal- mente incompatível com a ordem pública do foro.
mente válido, desde que esse meio de prova possa ser produzido
no tribunal do foro.
Artigo 27.o

CAPÍTULO VI Relação com outras disposições de direito comunitário

OUTRAS DISPOSIÇÕES
O presente regulamento não prejudica a aplicação das disposi-
ções do direito comunitário que, em matérias específicas, estabe-
leçam regras de conflitos de leis referentes a obrigações
Artigo 23.o extracontratuais.
Residência habitual

Artigo 28.o
1. Para efeitos do presente regulamento, a residência habitual
das sociedades e outras entidades com ou sem personalidade jurí- Relações com convenções internacionais existentes
dica é o local onde se situa a respectiva administração central.

1. O presente regulamento não prejudica a aplicação das con-


Caso o facto que dá origem ao dano seja praticado, ou o dano venções internacionais de que um ou mais Estados-Membros
ocorra, no exercício da actividade de uma sucursal, agência ou sejam parte na data de aprovação do presente regulamento e que
outro estabelecimento, considera-se que a residência habitual cor- estabeleçam regras de conflitos de leis referentes a obrigações
responde ao local onde se situa a sucursal, agência ou outro extracontratuais.
estabelecimento.

2. Todavia, entre Estados-Membros, o presente regulamento


2. Para efeitos do presente regulamento, a residência habitual prevalece sobre as convenções celebradas exclusivamente entre
de uma pessoa singular no exercício da sua actividade profissio- dois ou vários Estados-Membros, na medida em que estas inci-
nal é o local onde se situa o seu estabelecimento principal. dam sobre matérias regidas pelo presente regulamento.
L 199/48 PT Jornal Oficial da União Europeia 31.7.2007

CAPÍTULO VII ii) Um estudo sobre os efeitos do artigo 28.° do presente regu-
DISPOSIÇÕES FINAIS
lamento no que diz respeito à Convenção da Haia, de
4 de Maio de 1971, sobre a lei aplicável em matéria de aci-
dentes de circulação rodoviária.
Artigo 29.o
Lista das convenções 2. Até 31 de Dezembro de 2008, a Comissão deve apresentar
ao Parlamento Europeu, ao Conselho e ao Comité Económico e
1. Até 11 de Julho de 2008, os Estados-Membros comuni- Social Europeu um estudo sobre a situação do direito aplicável
cam à Comissão as convenções referidas no n.o 1 do artigo 28.o às obrigações extracontratuais resultantes de violações do direito
Após essa data, os Estados-Membros comunicam à Comissão a à reserva da vida privada e dos direitos de personalidade, tendo
denúncia dessas convenções. em conta as regras relativas à liberdade de imprensa e à liber-
dade de expressão nos meios de comunicação social, e sobre
questões de conflitos de leis relacionadas com a Directiva
2. No prazo de seis meses após a sua recepção, a Comissão 95/46/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 24 de Outu-
publica no Jornal Oficial da União Europeia: bro de 1995, relativa à protecção das pessoas singulares no que
diz respeito ao tratamento de dados pessoais e à livre circulação
i) Uma lista das convenções a que se refere o n.o 1; desses dados (1).

ii) As denúncias das convenções a que se refere o n.o 1.


Artigo 31.o
Artigo 30.o Aplicação no tempo
Cláusula de revisão
O presente regulamento é aplicável a factos danosos que ocor-
1. Até 20 de Agosto de 2011, a Comissão apresenta ao Par- ram após a sua entrada em vigor.
lamento Europeu, ao Conselho e ao Comité Económico e Social
Europeu um relatório relativo à aplicação do presente regula-
mento, acompanhado, se necessário, de propostas de adaptação Artigo 32.o
do mesmo. O relatório deve incluir:
Data de aplicação
i) Um estudo sobre os efeitos do tratamento dado ao direito
estrangeiro pelos diferentes ordenamentos jurídicos e sobre O presente regulamento é aplicável a partir de 11 de Janeiro de
a aplicação prática do direito estrangeiro pelos tribunais dos 2009, com excepção do artigo 29.o, que é aplicável a partir de
EstadosMembros por força do presente regulamento; 11 de Julho de 2008.

O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável nos


Estados-Membros, em conformidade com o Tratado que institui a Comunidade Europeia.

Feito em Estrasburgo, em 11 de Julho de 2007.

Pelo Parlamento Europeu Pelo Conselho


O Presidente O Presidente
H.-G. PÖTTERING M. LOBO ANTUNES

(1) JO L 281 de 23.11.1995, p. 31.


31.7.2007 PT Jornal Oficial da União Europeia L 199/49

Declaração da Comissão sobre a cláusula de revisão (artigo 30.o)

A Comissão, a convite do Parlamento Europeu e do Conselho no quadro do artigo 30.° do Regulamento


«Roma II», apresentará, até Dezembro de 2008, um estudo sobre a situação no domínio da lei aplicável às
obrigações extracontratuais que decorram da violação da vida privada e dos direitos de personalidade.
A Comissão terá em consideração todos os aspectos da situação e, se necessário, tomará as medidas adequadas.

Declaração da Comissão em matéria de acidentes de viação

A Comissão, ciente das diferentes práticas dos Estados-Membros no que diz respeito ao nível de indemniza-
ção concedido às vítimas de acidentes de viação, declara-se disposta a examinar os problemas específicos
com que se confrontam os residentes da União Europeia envolvidos em acidentes de viação num Estado-
-Membro diferente do Estado-Membro da sua residência habitual. Para este efeito, a Comissão apresentará
um estudo ao Parlamento Europeu e ao Conselho até final de 2008 sobre todas as opções, incluindo os
aspectos relativos aos seguros, a fim de melhorar a posição das vítimas transfronteiras, e que antecederá a
elaboração de um livro verde.

Declaração da Comissão sobre o tratamento da lei estrangeira

A Comissão, ciente das diferentes práticas dos Estados-Membros no que diz respeito ao tratamento da lei
estrangeira, publicará o mais tardar quatro anos após a entrada em vigor do Regulamento «Roma II», e em
qualquer caso logo que esteja disponível, um estudo de carácter horizontal sobre a aplicação da lei estran-
geira em matéria civil e comercial pelos tribunais dos Estados-Membros, tendo em conta os objectivos do
Programa da Haia. A Comissão está igualmente preparada para, se necessário, tomar as medidas adequadas.

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