PODER EXECUTIVO
Art. 80, 81, 83, 84, 85, 86, 88, 89, 90 e 91 da CRFB/88
Súmula Vinculante 46
• Funções do Poder Executivo
Antes de adentrarmos no Resumo do Poder Executivo, vejamos sobre as
funções deste poder.
O poder executivo, assim como os demais poderes, tem funções típicas e
atípicas, assim vejamos.
I. Funções típicas:
• Função de governo: decisão política
• Função administrativa: prestação de serviço público
II. Funções atípicas:
• Função legislativa: ao editar MPs, decretos autônomos e etc.
• Função de julgamento: no contencioso administrativo. Ex. PAD, PAF e
etc.
• PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Iniciemos dizendo que o Poder Executivo é exercido pelo Presidente da
República, auxiliado pelos Ministros de Estado (Art. 76), atente-se que pela
literalidade não há menção ao Vice.
Os requisitos constitucionais para se candidatar à presidência são:
• Ser brasileiro nato.
• Possuir alistamento eleitoral.
• Estar no pleno gozo dos direitos políticos.
• Ter mais de 35 anos. Destaque-se que essa idade deve ser comprovada
na data da posse.
• Não se enquadrar em nenhuma das inelegibilidades previstas na
Constituição.
• Possuir filiação partidária.
Mandato do Presidente: 4 anos e terá início em primeiro de janeiro do ano
seguinte ao da sua eleição (Art. 82).
IMPORTANTE - CRIMES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Crime de responsabilidade - Desde a Constituição de 1981, inspirada na Carta
Magna Americana, até a Constituição atual, o constituinte preocupou -se em
taxar como crime de responsabilidade algumas condutas do Presidente da
República, são infrações políticos-administrativas, definidas em lei especial
federal, que poderão ser cometidas durante o mandato presidencial, a prática de
tais condutas poderão resultar no impedimento do mandato para o qual foi eleito
(impeachment).
O art. 85 da Constituição Federal traz uma lista exemplificativa das condutas que
poderão caracterizar crime de responsabilidade:
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República
que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério
Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que
estabelecerá as normas de processo e julgamento.
É perceptível o caráter genérico das condutas descritas acima, taxadas como
crime de responsabilidade, pois como dito anteriormente, tais condutas devem
ser especificadas em lei federal, ditando os rumos do processo e julgamento.
A competência para processar e julgar o Presidente da República nos crimes de
responsabilidade é do Senado Federal (art. 52, I, CF), após autorização da
Câmara dos Deputados, por dois terços (2/3) dos seus membros (art. 51, I, CF).
Determina a Constituição que, durante o processo de julgamento dos crimes de
responsabilidade pelo Senado Federal, funcionará como Presidente o do
Supremo Tribunal Federal (art. 52, parágrafo único). Sendo que na realidade o
Senado Federal não estará funcionando como órgão legislativo, mas sim como
órgão judicial híbrido, porque composto de senadores da República, mas
presidido por membro do Poder Judiciário.
Qualquer cidadão é parte legítima para oferecer a acusação contra o Presidente
da República à Câmara do Deputados, pela prática de crime de
responsabilidade. Essa prerrogativa é privativa do cidadão, na qualidade de
titular do direito de participar dos negócios políticos do Estado, na prática,
qualquer autoridade pública ou agente político poderá fazê-lo, desde que na
condição de cidadão.
Como se vê, o processo de impeachment tem início na Câmara dos Deputados,
a partir da apresentação da denúncia por qualquer cidadão, pois cabe
privativamente a essa Casa autorizar, por dois terços (2/3) de seus membros, a
autorização ou não do processo contra o Presidente da República.
Eventual autorização pela Câmara, não mais vincula o Senado, como era o
entendimento antes da ADPF 378/STF, conforme indicado pelo STF e
efetivamente seguido no caso Collor, o Plenário da Câmara deve deliberar uma
única vez por maioria qualificada de seus integrantes, sem necessitar, porém,
desincumbir-se de grande ônus probatório. Afinal, compete a esta Casa
Legislativa apenas autorizar ou não o seguimento do processo para eventual
instauração pelo Senado Federal, tal autorização será como uma verdadeira
condição de procedibilidade da denúncia.
É assegurando ao acusado, durante esse juízo de autorização na Câmara, a
ampla defesa e contraditório, exercida pelo prazo de dez sessões (RI/CD. Art.
218, § 4ª), tal como ocorreu no caso Collor (MS 21.564. Rel. Para acordão Min.
Carlos Velloso). Caso não seja assim, aplica-se por analogia o prazo de 20
(vinte) dias, previsto art. 22 da Lei nº 1.079/50, lembrando que o julgamento
exercido pela Câmara dos Deputados é eminentemente político.
Pois bem, autorizado o processo pela Casa Popular, cabe ao Senado Federal
em uma etapa inicial, deliberar sobre a instauração ou não do processo, bem
como uma etapa de pronúncia ou não do denunciado, tal como se fez em 1992,
constituindo-se assim, etapa essencial ao exercício pleno e pautado pelo devido
processo legal, da competência do Senado de processar e julgar o Presidente
da República.
Diante da ausência de regras específicas acerca dessas etapas iniciais do rito
no Senado, a recomendação do STF é que a instauração do processo pelo
Senado se dê por deliberação de maioria simples, a partir de parecer elaborado
por Comissão Especial.
No momento que é instaurado o processo de julgamento pelo Senado Federal,
o Presidente da República ficará suspenso de suas funções, somente retornando
ao exercício da Presidência se for absolvido ou se, decorrido o prazo de cento e
oitenta (180) dias, o julgamento não estiver concluído, hipótese em que retornará
ao exercício das suas funções, sem prejuízo do regular prosseguimento do
processo (CF, art. 86, § 1.º).
A condenação do Presidente da República pela prática de crime de
responsabilidade, que somente será proferida pelos votos de dois terços (2/3)
dos membros do Senado Federal, em votação nominal aberta, acarretará a
perda do cargo, com a inabilitação por oito (8) anos, para exercício de funções
públicas, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis (CF, art. 52,
parágrafo único).
A sentença será formalizada por meio da expedição de uma Resolução do
Senado Federal.
Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a renúncia ao cargo,
apresentada na sessão de julgamento, quando já iniciado este, não paralisa o
processo de impeachment. Ainda firmou entendimento de que, apresentada a
denúncia o Presidente da República estiver no exercício do cargo, prosseguirá
o julgamento, mesmo após o término do mandato. O STF ainda deixou assente
que o Poder Judiciário não dispõe de competência para alterar a decisão
proferida pelo Senado Federal no processo de impeachment.
❖ Crime comum - O Presidente da República dispõe de prerrogativas e
imunidades em relação ao processo que vise à sua incriminação pela prática de
crime comum. As regras procedimentais para o processamento dos crimes
comuns estão previstas na Lei n. 8.038/90 e nos arts. 230 a 246 do RISTF.
Da mesma forma como ocorre nos crimes de responsabilidade, também haverá
um controle político de autorização, a ser realizado pela Câmara dos Deputados,
que autorizará ou não o recebimento da denúncia ou queixa-crime pelo Supremo
Tribunal Federal, através do voto de dois terços (2/3) de seus membros (art. 86,
caput, CF), pois bem, admitida a acusação, ele será submetido a julgamento
perante o STF.
A denúncia, nos casos de ação penal pública, será oferecida pelo Procurador-
Geral da República. Em caso de não ter formado sua opinio delicti (Opinião a
respeito de delito), deverá requerer o arquivamento do inquérito policial. Nos
casos de ação privada, haverá necessidade de oferta da queixa-crime pelo
ofendido, ou quem por lei detenha tal competência.
A expressão “crime comum”, conforme posicionamento do Supremo Tribunal
Federal, abrange “todas as modalidades de infrações penais, estendendo-se aos
delitos eleitorais, alcançando até mesmo os crimes contra a vida e as próprias
contravenções penais.
Recebida a denúncia ou queixa-crime, o Presidente da República ficará
suspenso de suas funções por cento e oitenta (180) dias, sendo que, decorrido
tal prazo sem o julgamento, voltará a exercê-las, devendo o processo continuar
até a decisão final.
• VICE-PRESIDENTE:
A eleição do Presidente importará a do Vice (Art. 77, §1º)
O Vice substituirá o Presidente no caso de impedimento e o sucederá no caso
de vacância (Art. 79).
OBS. - Não confunda: SUBSTITUIÇÃO X SUCESSÃO:
o SubsTiTuição: Temporária Ex: Viagem; – impedimenTo
o Sucessão: definitiva Ex: Renúncia, impeachment – vacância
Competências do Vice (Art. 79, §u): além de outras atribuições que lhe forem
conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele
convocado para missões especiais.
• ELEIÇÃO
Eleição do Presidente e Vice (Art. 77)
• 1º turno – 1º domingo de outubro – vence o candidato que, registrado por
partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em
branco e os nulos (Art. 77, §2º).
• 2º turno (se não houver vencedor no primeiro turno) – último domingo de
outubro* – concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se
eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos (Art. 77, §3º)*.
OBS. - A Constituição Federal fala em nova eleição em até vinte dias após a
proclamação do resultado.
OBS 2 - Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou
impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de
maior votação (Art. 77, §4º).
Resultado das eleições:
Posse: O Presidente e o Vice tomarão posse em sessão do Congresso Nacional,
prestando o compromisso (Art. 78):
• Manter, defender e cumprir a Constituição,
• Observar as leis,
• Promover o bem geral do povo brasileiro,
• Sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.
Obs. - Se, decorridos 10 dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o
Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este
será declarado vago.
Dupla vacância ou duplo impedimento:
Atente-se que no caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou
vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício
da Presidência:
• Presidente da Câmara dos Deputados
• Presidente do Senado Federal
• Presidente do Supremo Tribunal Federal
Trata-se de uma substituição temporária, uma vez que somente o Vice-
Presidente pode assumir a presidência em caráter definitivo.
Para solucionar a questão em definitivo haverá uma nova eleição, direita ou
indireta a depender do período em que ocorreu a dupla vacância.
Vacância dos cargos do PR e Vice:
• 2 primeiros anos (Art. 81, caput) -> Eleição direta em 90 dias
• 2 últimos anos (Art. 81, §1º) -> Eleição indireta (CN) em 30 dias
OBS. Conforme o STF (ADI 3549), estados e municípios terão autonomia para
disciplinar a matéria no caso de dupla vacância, não sendo necessário seguir as
regras constitucionais do âmbito federal.
Por fim, vale lembrar que Presidente e o Vice-Presidente da República não
poderão, sem licença do Congresso Nacional, ausentar-se do País por período
superior a quinze dias, sob pena de perda do cargo, conforme o artigo 83.
Bizu: Au5ênsia do PR e Vice – 15 dias
• DOS MINISTROS DE ESTADO
Os Ministros de Estado são os assessores do Presidente, sendo livremente
nomeáveis e exoneráveis.
Serão escolhidos entre:
• brasileiros natos ou naturalizados –> lembre-se que o Ministro de Defesa
deve ser brasileiro nato (Art. 12, §3º, VII)
• maiores de 21 anos
• exercício dos direitos políticos.
Competência dos Ministros:
• exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades
da administração federal na área de sua competência;
• referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República;
• expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
• apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no
Ministério;
• Demais delegadas pelo Presidente da República.
Obs. Outras atribuições podem ser estabelecidas pela Constituição Federal e
por Lei.
Ainda, atente-se que a lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e
órgãos da administração pública, competência do Congresso Nacional, com a
sanção do Presidente da República (CF, Art. 48, XI).
• DO CONSELHO DA REPÚBLICA E DO CONSELHO DE DEFESA
NACIONAL
Tanto o Conselho da República quanto o Conselho de Defesa Nacional são
órgãos colegiados que prestam assessoramento ao Presidente da República, ou
seja, são de natureza consultiva.
A doutrina disciplina que o Presidente é obrigado a consultar os órgãos nos
casos previstos na Constituição, ainda que não seja vinculado pelas orientações,
ou seja, o parecer é de natureza é meramente opinativa.
o DO CONSELHO DA REPÚBLICA
O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da
República referente aos seguintes assuntos (Art. 90):
• pronunciar-se sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de
sítio;
• pronunciar-se sobre as questões relevantes para a estabilidade das
instituições democráticas.
Participam como membros (Art. 89):
• Vice-Presidente da República;
• Presidente da Câmara dos Deputados;
• Presidente do Senado Federal;
• líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
• líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
• Ministro da Justiça;
• 6 cidadãos brasileiros natos, com mais de 35 anos de idade, sendo 2
nomeados pelo PR, 2 eleitos pelo Senado Federal e 2 eleitos pela Câmara dos
Deputados, todos com mandato de 3 anos, vedada a recondução.
OBS. O Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para
participar da reunião do Conselho, quando constar da pauta questão relacionada
com o respectivo Ministério (Art. 90, §1º)
o DO CONSELHO DE DEFESA NACIONAL
O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da República
nos assuntos relacionados com (art. 91)
• Soberania nacional; e
• Defesa do Estado democrático.
Participam como membros:
• Vice-Presidente da República;
• Presidente da Câmara dos Deputados;
• Presidente do Senado Federal;
• Ministro da Justiça;
• Ministro de Estado da Defesa;
• Ministro das Relações Exteriores;
• Ministro do Planejamento.
• Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Competência do Conselho de Defesa Nacional (Art. 91, §1ª):
• opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz,
nos termos desta Constituição;
• opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da
intervenção federal;
• propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à
segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente
na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos
recursos naturais de qualquer tipo;
• estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas
necessárias a garantir a independência nacional e a defesa do Estado
democrático.
EXERCÍCIOS - Questão 74 ao 76 do caderno de questões