UEM- Teóricas
20/09/2023
Moeda:
Valor inscrito no metal e não o valor do metal.
Funções: instrumento geral de trocas; unidade monetária serve para dar valor às coisas;
reserva de valores (geralmente em moeda). Outros instrumentos de troca não abrangem
todas as funções como os cripto ativos porque não são instrumentos gerais de troca
porque nem todos têm e para além disso ainda não é reconhecida pelo estado
oficialmente.
O valor das moedas pode ser medido internamente com base na taxa da inflação- Poder
de compra da moeda. Como se mede o valor da moeda? Através de cálculos que vêm o
poder de compra da moeda.
A lei impõe alguma regra à entidade da gestão da moeda? Ou pertence a um Banco
central? As pessoas cofiam na lei se esta for cumprida. A confiança está na estabilização
do valor da moeda. O valor da moeda tem de ser estável? Artigo 119 e ss do tratado.
Estabelecimento de uma união económica baseada nas politicas económicas de cada
EM. Moeda única e uma politica monetária e manutenção da estabilidade dos preços. O
mandato não tem valor por si próprio só por ser previsto na lei.
22/09/2023
Estabilidade da moeda. A moeda nada vale por si só. Ela presta-nos utilidades indiretas.
É fundamental existir o mandato.
Eurosistema: sistema conjugado com o sistema europeu dos bancos centrais nacionais.
O tratado determina que os responsáveis pela moeda devam assegurar a estabilidade da
moeda.
Há unamnidade é considerar que é necessária uma elevação dos preços mas contida e
reduzida e não ultrapassar os 0,2%. Há quem ache que a inflação pode ser mais tolerada
se for mais elevada.
Não é fácil a aplicação do TFUE. Estabilidade não significa 0% de inflação. 119º/2 do
TFUE.
Há a proibição de receção ou pedir instruções e ordens em politica monetária porque
devem obedecer ao tratado.
A EU tem competências exclusivas e partilhadas .A politica monetária encontra-se nas
competências exclusivas da EU artigo 3º/1, al.c) do TFUE mas apenas para os estados
que tenham a moeda euro.
As entidades que administram a moeda (aumentam ou reduzem os montantes da moeda
em circulação) são todos os bancos porque a maior parte da moeda são os saldos dos
depósitos das pessoas têm nos bancos e não propriamente a moeda física.
Se houvesse uma atualização generalizada seria como se não houvesse inflação, no
entanto, não é isto que acontece e por isso certas pessoas são prejudicadas.
Noção de união monetária. Tipicamente cada país tem a sua moeda. No banco central
europeu não se define só o valor da moeda no geral, mas sim em todos os países que
têm o euro. Em vez de ser cada país a tomar decisões em matéria monetária passa a ser
apenas uma entidade. Houve a transferência do poder da moeda para as entidades do
banco central europeu, perdendo os poderes.
27/10/2023
O dólar e o ouro: determinada uma evolução do dólar ao valor do ouro. A
ligação de um valor de uma moeda ao ouro, em principio assegura estabilidade
no valor da moeda, não assegura a médio longo prazo. Porque o valor da moeda
pode diminuir se for encontrado mais ouro. Os EUA não conseguem manter o
compromisso da convertibilidade o dólar em ouro, porque assegurar a
convertibilidade da moeda em ouro, não é suficiente (o dólar não pode manter a
sua ligação ao ouro porque é impossível na prática porque há poucas
quantidades de ouro. Com este descrédito
E com isto era necessário a estabilidade das moedas europeias. Tentou segurara a
ligação com o dólar mas quando o dólar caiu em desvalorização, tentava que se
garantisse que as variações ficassem com as moedas europeias.
Num primeiro momento não se afastavam das margens do dólar e depois foi
desligado o valor do dólar (daí a serpente porque era formada pelas cotações das
moedas e as cotações evoluíam de forma harmonizada entre si).
Em bretton woods as moedas participantes relacionam-se com o dólar. E é com a
inspiração deste sistema que os países europeus tentam adaptar os mecanismos
às moedas europeias.
Sistema monetário novo: é o que permite aferir se um pais consegue adaptar à
estabilidade do euro. Esta garantia unilateral de estabilidade pode criar pressões
e crises.
A estabilidade monetária idealmente é a melhor solução mas isto depende da
economia do pais e se houver instabilidade significa uma desvalorização da
moeda o que leva à perda do poder de compra.
Numa união monetário o estado perde os seus poderes monetários. Decide
valorizar e desvalorizar a sua moeda em função da economia. A evolução do
valor da moeda reflete a evolução da economia do pais.
A estabilidade da moeda à partida parece um coisa excelente, permite a
facilidade das trocas, decisões de investimento. Mas às vezes há crise e em caso
de crise os estados têm de desvalorizar e se não puderem acumulam-se as
dividas. O instrumento mais eficaz e rápido é a desvalorização. No caso de se
estra numa união económica os países deixam de poder ter esse poder.
Quais os instrumentos típicos da politica monetária para se gerir o valor da
moeda: são instrumentos indiretos, permitem mas não garantem os
compromissos propostos: taxas de juro ( o estado só define as taxas de juro do
banco central, a dos outros bancos é só entre o banco central e eles), a compra
de ativos (operações de mercado aberto).
Taxas de desconto e redesconto: desconto é a taxa paga para haver um
adiantamento do crédito depositado.
Se houver mis aquisição de títulos, há mais moeda em circulação do mercado e
leva à desvalorização da moeda.
03/11/2023
Pacto de estabilidade e crescimento. 1997. Preocupação das finanças publicas
e disciplinar o recurso ao endividamento. Estas regras foram criticadas quanto
aos seus fundamentos. Porquê 3% do défice publico e não outra percentagem?
Via do recurso à divida e recorrer a impostos equivale à criação da moeda.
Um stock monetário criado equivale exatamente ao montante da divida criada.
Se o estado emitir divida emite moeda.
Os critérios do pacto de estabilidade eram rígidos e inflexíveis. E depois os
estados terem transferido os seus poderes para autoridade europeias centrais, por
questões de legitimidade democrática. A rigidez dessas medidas fez com quem
certos estados questionassem o pacto e pedissem reformas. Houve reforma em
2005.
Os anos subsequentes e com a flexibilidade dada pela reforma de 2005
verificou-se uma contabilidade criativa.
Em 2010 teve de se recorrer a mecanismos de auxilio financeiro para estados
que não conseguissem obter financiamento dos mercados. Este mecanismo não
ia ser suficiente porque vários países estavam com dificuldades.
Interpretações diversas quanto aos efeitos na criação de uma união monetária.
Uns diziam que iam deixar de haver crises por desequilíbrios externos entres os
estados. Outros defenderam que os problemas mantinham-se e para o solucionar
tornar-se-ia mais difícil para uns estados garantirem o equilíbrio e era necessário
um procedimento rápido como a desvalorização da moeda.
Não seria apenas a Grécia a necessitar de auxilio financeiro e daí que se
preparou um outro instrumento destinado a auxiliar os estados que necessitassem
dessa ajuda financeira. Os estados tinham de tomar medidas de reajustamento e
medidas monitorizadas da UE e pelo fundo monetário internacional.
O fundo monetário internacional prevê que os estados membros tenham ajuda
embora limitada e a cortes das despesas e aumentos das receitas publicas.
O ideal perante uma crise não é a utilização destes mecanismos rígidos. O ideal
é que o reajustamento seja gradual e não repentino.
Crise das dividas soberanas: enquanto alguns países do sul tinham sido atingidos
de certa forma, diferente de outros estados que não foram prejudicados e viram
as taxas de juro negativas e um crescimento financeiro. Choque assimétrico.
O presidente do BCE garantiu soluções. E parecia que a crise tinha passado pelo
menos quanto ao euro.
Houve quem defendesse que foi a única forma de obter reajustamento e outros
disseram que com estas medidas exigentes os resultados só vão ser mais
gravosos.
Se for gradual pode resultar, se forem bruscos podem ser gravosas as
consequências.
O que é que se fez? O BCE preparou um programa de aquisição de títulos.
Artigo 103. Programas preveem medidas de não descriminação entre os países
O programa tornou-se operacional porque as taxas de juro tinham descido e a
taxa de inflação também. A taxa de inflação adequada era inferior a 2 mas perto
de 2 e como estava perto do zero o BCE decide aumentar a taxa de inflação e
cria vários programas de aquisição de divida.
Mas depois viu-se que se estava a infringir o 123º e o principio da
responsabilização financeira dos diferentes países.
Do ponto de vista politico e legislativo decidiu-se inverter a solução do 2004 e
2005. Com o six pack e os seis diplomas europeus que vieram ampliar os meios
de monitorização e acompanhamento em relação à situação económica e
financeira dos estados membros. Em vez de se olhar + para o défice e a divida
começava-se a olhar também para as impostações e exportações. Vertente
preventiva no sentido de identificar situações de desequilíbrio e também uma
vertente sancionatória pela violação pelos instrumentos do six.
Foram criados instrumentos de ainda maior restrição de divida publica. Tratado
Orçamental de 2012, não é da UE mas sim internacional. Two pack de 2013.
Este controlo seria de tal ordem que depois em 2015 a UE tentou flexibilizar.
10/11/2023
Tratados e protocolos anexos. Legislação dos limites do défice.
Six pack é de 2011. Não tinha uma solução eficaz para o incumprimento. Se um
pais já está com dificuldade em termos de défice como é que ainda vai aguentar
com as sanções pelo não cumprimento do nível do défice.
Six pack, two pack e pacto orçamental, muito restritivos.
Suspensão da aplicação do pacto de estabilidade aos países que não conseguiam
acompanhar.~
A partir de 2015, coação, aquisição da divida publica para os paises que não
cumpriam. Dúvidas quando à ilegalidade destes diplomas.
Mas a aquisição de divida publica favoreceu o recurso ao endividamento. E as
taxas de juro baixaram.
Mais uma folga foi em 2020: novo programa de compra de divida na sequencia
da pandemia.
Legalidade do9s diplomas: porque o BCE estavam na prática a beneficiar as
dividas dos paises do sul o que leva à inflação elevada e quem tinha poupanças
ia ser prejudicado. O BCE estava ainda dentro da politica monetária como nos
tratados ou se estava só a financiar os estados que não conseguiam
financiamento.
PRR, programa financeiro agora ainda em curso. Permitia-se uma duplicação
dos recursos europeus. Só tinha acontecido uma vez com Delors. Também se
verificou uma duplicação simultânea. Queriam isto em forma permanente.
Permitiu-se financiamento gigantes juntos de mercados terceiros. A EU está a
endividar-se até aos anos 50. Conta com o recurso ao crédito por parte dos
estados e da comissão. O
O orçamento europeia duplicou mas continua a ser relativamente diminuto em
relação ao PIB na UE.
Numa união monetária há sempre a possibilidade de ocorrem choques
económicos sejam simétricos como assimétricos. É inevitável que problemas
internos e externos perturbem o andamento da economia. Choque petrolífero,
conflitos armados, inflação. Se um desses eventos conduzir a um aumento de
20% 30% das fontes de energia. Isto faz com que os preços do petróleo
aumentem e afeta tudo, produtos que precisem de petróleo para ser feitos,
energia, isto faz com que os preços dos bens sobem e resulta numa diminuição
da capacidade financeira das pessoas. Choques simétricos são os que atingem
todos os paises de forma igual
Choques assimétricos são localizados e é em função destes problemas que
devem ser procuradas medidas para os resolve.
Para um orçamento europeu poder responder a um problema é preciso acordo
entre os estados e os custos são repartidos.
No caso da pandemia foi possível chegar a acordo mas há 10 anos dada a crise
das dividas soberanas não houve acordo porque cada país tinha uma situação
diferente.
Artigo 125º cada pais tem de se responsabilizar integralmente pelas suas dividas.
Quem não cumpre para alem de ser incumpridor e a comissão europeia pode
aplicar sanções.
Os estados mais afetados pelos choque assimétricos, estes estados poderiam
evitar estas situações? A maior parte no, não se trata do incumprimento dos
tratados mas talvez seja necessária uma revisão dos tratados. É preciso uma
união orçamental, um reforço do orçamento.
Já há recursos para situações de emergência. Eram em 2010 eram proibidos.
Houve maior flexibilização dos poderes do BCE, em termos do programa de
aquisição da divida publica.
Já há mecanismos para garantir o funcionamento dos pagamentos.
Na politica monetária o BCE pode atuar mas no domínio orçamental dos estados
não pode atuar.
Instrumentos da politica monetária para além do mercado aberto são as taxas de
juro. Todos os meses se decide as taxas de juro (de desconto ou redesconto) do
BCE, aplicadas pelo BCE aplicadas aos outros bancos.
Operações de open market para aumentar ou reduzir a inflação, vendem ou
compram
Para um banco obter liquidez precisa de entregar um titulo que garanta ao BCE
garanta um reembolso do montante cedido.
Reservas de caixa: limites à emissão da moeda, os bancos têm de ter sempre
uma percentagem de reserva mínima caso os clientes queiram crédito. A
generalidade da moeda em circulação é corresponde ao saldo das pessoas,
empresas,.. nos bancos comerciais, porque não dispõe de compras nos bancos
centrais.
Há um projeto do euro digital que permitirá que as pessoas possam ser titular de
contas nos bancos centrais.
Ligações entre os cripto ativos e as moedas. Nenhuma entidade oficial reconhece
os cripto ativos como moeda.
Quase moeda: coloca-se a questão aos depósitos a prazo, obrigações do tesouro.
E em relação aos cripto ativos. Uma conta a moeda a prozo pode imediatamente
levantar a moeda, no cado da cripto não
Atendemos a dois instrumentos fundamentais de política monetária, nomeadamente
utilizados pelos bancos centrais relativamente aos instrumentos de política monetária
de forma a prosseguir o fim visado na lei, que é a estabilidade do valor dos preços.
Temos então as taxas de juros, que se aplicam a empréstimos do BCE aos bancos
centrais ou dos bancos nacionais junto do banco central, através de depósitos, onde
o BCE consegue criar moeda ou extinguir moeda; se houver mais depósitos no BCE há
maior estabilidade da moeda, e as operações open market, que correspondem a
compra de dívida pública por parte do BCE, que gera um aumento da moeda em
circulação. Levantou questões quando a conformidade com o direito interno e
europeu. A nível do direito europeu, o art. 123.º TUE apenas proíbe a aquisição direta
e não outros tipos de aquisição.
Teoria das zonas monetárias ótimas: há um grau ótimo quando se verifica
mobilidade dos fatores de produção – capital e trabalho –, tornando-se esta a
primeira característica de uma ZMO: elevada mobilidade interna dos fatores de
produção, uma vez que, desta forma, é provável que haja menos necessidade de
alteração dos preços reais dos fatores de produção (Petreski, 2007: 3). Assim,
essa elevada mobilidade possibilitará um melhor ajustamento entre os países
perante um eventual choque ou crise.
ECU: Desde que surgiu no início de 1979, o ECU tornou-se, gradualmente, na unidade
de conta de referência no sistema de câmbios, na base para o indicador de desvio, na
unidade de conta nas operações do sistema de intervenção e de crédito, um
instrumento de compensação de saldos entre as autoridades monetárias da
comunidade e na única unidade de conta utilizado nos orçamentos e na fixação dos
direitos aduaneiros específicos, dos direitos niveladores, das restituições e dos demais
pagamentos intra comunitários. Emitido oficialmente pelo FECOM, tinha como
contrapartida reservas em ouro e dólares depositados pelos bancos centrais. O ECU
serviu para realizar transferências entre bancos centrais europeus e para efetuar
transações entre bancos e entre grandes empresas. Nos anos 90, o ECU constituía uma
moeda privada e liberatório e uma moeda de emissão nos mercados financeiros,
oferecendo uma maior proteção contra a incerteza das flutuações cambiais, dada a
maior repartição do risco pelas diversas moedas que compunham cada ECU, em
percentagens diversas, dependentes do peso ou da importância económica medida
pelo produto e pelo volume de comércio Internacional e intracomunitário dos vários
Estados membros da Comunidade
Politica monetária: Artigos 119.º a 144.º, 219.º e 282.º a 284.º do Tratado sobre
o Funcionamento da União Europeia (TFUE); Protocolo (n.º 4) relativo aos
Estatutos do Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC) e do Banco Central
Europeu (BCE), anexo ao Tratado de Lisboa.
Objetivos: O objetivo primordial do SEBC é, nos termos do artigo 127.º, n.º 1,
do TFUE, a manutenção da estabilidade dos preços. Sem prejuízo deste objetivo,
o SEBC apoia as políticas económicas gerais na União tendo em vista contribuir
para a realização dos objetivos da União. O SEBC atua de acordo com o
princípio de uma economia de mercado aberto e de livre concorrência,
incentivando a repartição eficaz dos recursos (artigo 127.º, n.º 1, do TFUE).
Princípios orientadores:
1. Independência
O princípio essencial da independência do BCE está consagrado no
artigo 130.º do TFUE: «No exercício dos poderes e no cumprimento das
atribuições e deveres que lhes são conferidos pelos Tratados e pelos
Estatutos do SEBC e do BCE, o BCE, os bancos centrais nacionais, ou
qualquer membro dos respetivos órgãos de decisão não podem solicitar
ou receber instruções das instituições, órgãos ou organismos da União,
dos Governos dos Estados-Membros ou de qualquer outra entidade». A
independência é também preservada pelas proibições de financiamento
monetário referidas no artigo 123.º do TFUE, que também se aplicam aos
bancos centrais nacionais. O Tratado prevê a utilização de instrumentos
tradicionais (artigos 18.º e 19.º dos Estatutos) e permite ao Conselho do
BCE recorrer a quaisquer outros métodos (artigo 20.º dos Estatutos).
2. Transparência e obrigação de prestar contas
A fim de assegurar a credibilidade do BCE, o Tratado (artigo 284.º do
TFUE) e os Estatutos (artigo 15.º) impõem-lhe a obrigação de apresentar
relatórios. O BCE elabora e publica, pelo menos trimestralmente,
relatórios sobre as atividades do SEBC. Semanalmente, são publicadas
informações sobre a situação financeira consolidada do SEBC. Em
fevereiro de 2015, o BCE publicou, pela primeira vez, uma ata de uma
reunião de política monetária do Conselho do BCE, alinhando-se assim
pelas políticas de comunicação de outros grandes bancos centrais.
A independência do banco central vai de par com a sua obrigação de
prestar contas perante o público e os seus representantes eleitos. De
acordo com o TFUE, o BCE é responsável, em primeiro lugar, perante o
Parlamento Europeu (ver «Papel do Parlamento Europeu» infra). Foram
estabelecidas, entre as duas instituições, melhorias adicionais no quadro
de prestação de contas, que vão além dos requisitos estabelecidos pelo
Tratado. O BCE também responde perante o Conselho da UE.
Instrumentos convencionais
Taxas de juro: O principal instrumento de política monetária de que o BCE
dispõe é constituído pelas três taxas de juro diretoras do BCE a que os
bancos comerciais podem contrair empréstimos ou constituir depósitos
junto do BCE: a taxa de juro das operações principais de refinanciamento
(OPR), a taxa de juro da facilidade permanente de depósito e a taxa de
juro da facilidade permanente de cedência de liquidez.
Operações de mercado aberto: As operações de mercado
aberto desempenham um papel importante na orientação das taxas de
juro, na gestão da situação de liquidez no mercado e quando se trata de
sinalizar a orientação da política monetária. As operações de mercado
aberto de caráter regular do Eurosistema consistem nas operações de
cedência de liquidez pelo prazo de uma semana (OPR) e nas operações
de cedência de liquidez pelo prazo de três meses (operações de
refinanciamento de prazo alargado, ou ORPA). As OPR incidem sobre as
taxas de juro de curto prazo, enquanto as ORPA oferecem um
refinanciamento adicional por um prazo mais alargado.
As operações de regularização e as operações estruturais constituem
outras operações de mercado aberto. As primeiras têm por objetivo
responder às flutuações inesperadas de liquidez no mercado, em
particular com vista a atenuar os efeitos sobre as taxas de juro,
enquanto as últimas são essencialmente destinadas a ajustar, de modo
permanente, a posição estrutural do Eurosistema em relação ao setor
financeiro.
Por exemplo, ajustando as taxas de juro, o BCE pode influenciar os preços dos
empréstimos bancários. Pense no dono de uma loja que pretende um empréstimo
bancário para expandir o negócio ou numa pessoa que pretende um empréstimo
para comprar casa. Ao influenciar quanto custa contrair empréstimos, a nossa
política monetária tem impacto no quanto nós – como consumidores ou
proprietários de empresas – gastamos e investimos. Tal, por seu turno, afeta os
preços. Portanto, alterando as taxas de juro, o BCE pode influenciar os preços e
a inflação.
[Link]
Etapas da UEM:
1º. Plano de Werner (1970) com a elaboração da UEM em dez anos com 3 etapas
2º. Colapso do sistema de Bretton Woods que fez com que o plano de wernner não se
cumprisse
3º. Serpente túnel com as flutuações em relação ao dólar
4º. Crise petrolífera que fez cair o túnel
5º. Criação do Sistema Monetário Europeu (SME) baseado no conceito de taxas
cambiais fixas mas ajustáveis. A sua principal característica era o mecanismo de taxas
de câmbio (MTC) As moedas de todos os estados membros, exceto o Reino Unido
participaram no mecanismo de taxas de cambio. Baseavam-se em taxas centrais em
relação ao ECU, a unidade de conta europeia que consistia numa média ponderada das
moedas participantes. O ECU serviu para realizar transferências entre bancos centrais
europeus e para efetuar transações entre bancos e entre grandes empresas. O ECU
constituía uma moeda privada e liberatória que oferece uma maior proteção contra a
incerteza das flutuações cambiais, dada a maior repartição do risco pelas diversas
moedas que compunham cada ECU, em percentagens diversas, dependentes do peso e
importância económica medida pelo produto e pelo volume de comércio internacional.
A participação no sistema monetário europeu não implicava a adesão ao mecanismo de
taxas de cambio. Todavia essa participação representava o maior compromisso com o
projeto de construção monetária europeia. A sua adesão impunha que as taxas de cambio
bilaterais de mercado não ultrapassassem determinados limites percentuais em relação a
cotações bilaterais
6º. Mercado único com o Ato Único europeu
7º. Delors (1989) que criou o relatório que propunha medidas concretas para a
introdução da UEM em três fases. Em particular, salientou a necessidade de uma melhor
coordenação das políticas económicas, do estabelecimento de regras orçamentais para a
fixação de limites para os défices dos orçamentos nacionais e da criação de uma
instituição independente que seria responsável pela política monetária da União:
o Banco Central Europeu (BCE). Houverem três fases: a primeira caracterizou-se
sobretudo pela constituição de um mercado único europeu através da abolição dos
entraves de circulação; a segunda fase com a criação do Instituto monetário europeu
para preparar a moeda e contral os défices excessivos e a terceira fase com a fixação
irrevogável das taxas de cambio, transferência de responsabilidade pela politica
monetária para o BCE e a introdução do euro como moeda única
8º. Tratado da EU que prevê a introdução da UEM em 3 fases com critérios de
convergência. Dinamarca e UK com estatutos especiais.
9º. Crise da divida soberana (2009-2012) que levou ao artigo 136º do TFUE que
permiriu mecanismos de apoio permanente aos EM com maiores dificuldades. Isto
levou à criação do mecanismo europeu de estabilidade (MEE) em 2012. Criou-se o
instrumento de Transações Monetárias definitivas (TMD) que permite ao BCE a compra
de obrigações soberanas de um EM em dificuldades. Para evitar outra crise da divida
soberana foi criado o semestre europeu que reforçou o PEC.
10º. COVID- 19 o que fez com que o Conselho tenha ativado a cláusula de derrogação
de âmbito geral do PEC a fim de conceder aos EM um período de tempo limitado para
aumentar a sua divida com cautela, apesar de continuar a ser possível aplicarem-se as
sanções do PEC. Também levou a uma grande compra de ativos que inclui a aquisição
de grandes montantes de divida soberana.
11º. Com a guerra na Ucrânia o BCE diminuiu a compra de ativos e aumentou as taxas
de juro
Questão da Grécia: os mercados despertaram e os juros das emissões de divida soberana
helénica subiram em flecha.
No bail out artigo 122.
Instrumentos parte final do livro.
Os regulamentos «Six-Pack» e «Two-Pack» preveem a elaboração de relatórios
periódicos para avaliar a sua aplicação. Estas avaliações realizam-se de cinco em
cinco anos e visam avaliar, nomeadamente, a eficácia dos regulamentos e os
progressos realizados para assegurar uma coordenação mais estreita das políticas
económica e orçamental e a convergência sustentada dos resultados económicos
e orçamentais.
As taxas de inflação negativas são prejudiciais para o funcionamento da
economia porque não incentivam as transações nem dinamizam a economia por
isso o valor da moeda é importante porque se a taxa de inflação for muito
elevada as pessoas perdem confiança no funcionamento da moeda daí ser muito
importante o exercício da politica monetária e deve ter-se em consideração que
nem todos os países exigem a mesma taxa de inflação e por isso em
determinados países da mesma união monetária a taxa de inflação poderá ser ou
ainda mais negativa ou mais elevada daqui segue que a politica monetária
deveria ser diferente, mais adequada às realidades de cada país .
Desvalorização porque se a moeda em circulação num país se valorizar
significativamente, os bens nele produzidos e destinados à exportação tornar-se-
ão um comparativamente mais caros e, por isso, menos competitivos nos
mercados estrangeiros onde sejam transacionados, quando avaliados nas moedas
desses países, que, em termos relativos, se tenham depreciado face à moeda do
país de origem daqueles bens. tal resulta na desvalorização da moeda que tende a
ser mais acentuada quanto maior for a quantidade da moeda em circulação.
Sistema Monetário
O Sistema Europeu-de-Bancos-Centrais-(SEBC)-é-composto-pelo-Banco-Central-
Europeu-(BCE)-e-pelos-bancos-centrais-nacionais-de-todos-os-Estados-Membros,-
incluindo-os-que-não-adotaram-o-euro.
O-Eurosistema,-por-seu-lado,-é-composto-apenas-pelo-BCE-e-pelos-bancos-centrais-
nacionais-dos-Estados-Membros-que-adotaram-o-euro.-O-TFUE-menciona-o-SEBC-e-
não-o-Eurosistema,-já-que-foi-formulado-no-pressuposto-de-que-todos-os-Estados-
Membros-adotariam-um-dia-o-euro.-Determinadas-disposições-do-Tratado-referentes-
ao-SEBC-não-são-aplicáveis-aos-Estados-Membros-que-ainda-não-adotaram-o-euro-
(porque-estes-beneficiam-de-uma-derrogação-ou-de-uma-cláusula-de-autoexclusão),-o-
que-significa-que-as-referências-gerais-no-Tratado-ao-SEBC-dizem,-na-prática,-
essencialmente-respeito-ao-Eurosistema.-A-independência-do-BCE-está-consagrada-
no-artigo-130.º-do-TFUE:-«No-exercício-dos-poderes-e-no-cumprimento-das-
atribuições-e-deveres-que-lhes-são-conferidos-pelos-Tratados-e-pelos-Estatutos-do-
SEBC-e-do-BCE,-o-Banco-Central-Europeu,-os-bancos-centrais-nacionais,-ou-
qualquer-membro-dos-respetivos-órgãos-de-decisão-não-podem-solicitar-ou-receber-
instruções-das-instituições,-órgãos-ou-organismos-da-União,-dos-Governos-dos-
Estados-Membros-ou-de-qualquer-outra-entidade»
Os principais fatores que contribuíram para a crise da dívida soberana incluem:
1. Endividamento Excessivo: Alguns países acumularam níveis
significativos de dívida em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB),
muitas vezes devido a gastos excessivos, déficits orçamentários
persistentes e práticas financeiras insustentáveis.
2. Crescimento Econômico Fraco: O fraco crescimento econômico em
alguns países agravou a capacidade dessas nações em pagar suas
dívidas, uma vez que a receita fiscal foi afetada negativamente.
3. Crise Financeira Global: A crise financeira global de 2008 teve um
impacto significativo nas economias ao redor do mundo, contribuindo
para a recessão e exacerbando os problemas financeiros de alguns
países.
4. Falta de Convergência Econômica: A zona do euro, em particular,
enfrentou desafios de convergência econômica, pois diferentes países
tinham diferentes níveis de desenvolvimento econômico e
competitividade.
5. Má Gestão Financeira e Política: Em alguns casos, a má gestão
financeira e política também desempenhou um papel crucial na crise da
dívida soberana.
Os países mais afetados pela crise incluíram Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e
Itália. Essas nações enfrentaram dificuldades em refinanciar suas dívidas nos
mercados financeiros, levando a uma necessidade de assistência externa, muitas
vezes por meio de pacotes de resgate negociados com instituições como o
Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a
Comissão Europeia.
Recordemos um pouco. O artigo 125.º do Tratado de Funcionamento da União Europeia
(TFUE) impede o resgate dos países em dificuldades (vítimas de "choques assimétricos",
como se diz na gíria das uniões monetárias). Pela lógica das "regras", a Grécia deveria
ter falido logo em 2010, e o mesmo teria ocorrido com a Irlanda e Portugal. Pois bem,
não só o artigo 125.º foi frontalmente transgredido como se criou um novo tratado
intergovernamental que instituiu o Mecanismo Europeu de Estabilidade, que funciona
como um fundo de resgate permanente para países em dificuldade. O mesmo acontece
com o artigo 123.º do TFUE, que impede o financiamento monetário da economia, isto é,
impede que o BCE compre títulos de dívida pública diretamente aos Estados. Ora, desde
que Mario Draghi avançou com o mecanismo das OMT (no verão de 2012) e lançou
neste ano a sua operação de compra maciça de dívida pública no mercado secundário,
tudo se passa como se esse artigo 123.º tivesse ido para o mesmo sótão das
obsolescências, onde repousa o 125.º. O mesmo se poderá dizer da famigerada União
Bancária. Uma desajeitada tentativa para disciplinar um sistema bancário que foi deixado
à solta dentro da UEM, com o freio nos dentes, provocando danos que continuam ativos