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Testes de Constituência na Linguística

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TEMA DE DEBATE:

As intuições dos falantes sobre a estrutura das frases podem ser confirmadas através de
testes de constituência, que permitem identificar os constituintes principais da frase.
Comente.

De acordo com Covane (s/d), a cada palavra ou combinação de palavras que funciona como uma unidade
sintáctica chama-se constituinte. Os constituintes que se combinam para formar uma unidade sintáctica
maior chamam-se constituintes imediatos dessa unidade. Quando determinam a estrutura de uma
combinação de palavras, analisando o modo como cada palavra se combina em unidades sucessivamente
maiores e mais complexas estruturalmente, estamos a fazer análise em constituintes.

A análise em constituintes pode estar representada através de:

(i) uma caixa de Hockectt;

(ii) um diagrama em árvore e;

(iii) uma parentetização.

As intuições dos falantes sobre a estrutura das frases podem ser confirmadas através de testes de
constituências, que permitem identificar os constituintes principais de cada frase conforme destacado por
Covane (s/d).

a) Teste de substituição (por pronome pessoal):


Essa rapariga loura /comprou um chapéu com uma pena.
Ela / comprou um chapéu com uma pena.
b) Teste de Deslocação (por clivagem e por Deslocação à Direita):

Foi essa rapariga loura que comprou um chapéu com uma pena.

Comprou um chapéu com uma pena, essa rapariga loura.

c) Teste de Retoma Anafórica (em estrutura de coordenação):

Essa rapariga loura comprou um chapéu com uma pena mas todos acham que ela fez um disparate.

Como afirma Duarte (2000: 125), “quando as unidades sintácticas determinadas intuitivamente são

efectivamente constituintes principais da frase, o resultado da aplicação destes testes são frases

gramaticais; caso contrário, as sequências são agramaticais”.

Usando como exemplo a frase (1) e colocando a hipótese de que o rapaz alto é um dos constituintes
imediatos da frase, exemplifica-se, de seguida, a aplicação dos testes de constituência:

(1) O rapaz alto tem um casaco com um remendo.

(i) Teste de Substituição (por um pronome pessoal)

(a) [O rapaz alto] tem um casaco com um remendo.

(b) [Ele] tem um casaco com um remendo.

(ii) Teste de Deslocação (por clivagem (c) e por deslocação à direita (d))

(c) É [o rapaz alto] que tem um casaco com um remendo.

(d) Tem um casaco com um remendo, [o rapaz alto].

(iii) Teste de Retoma Anafórica (em estruturas de coordenação)


(e) [O rapaz alto] tinha um casaco com um remendo mas todos

acham que [ele] fez um disparate.

Como se pode verificar, os resultados da aplicação dos três testes são frases

gramaticais, logo, o rapaz alto é um constituinte imediato da frase. Por essa

razão, pode ser substituído por uma única expressão (o pronome pessoal em (b)),

pode ser clivado ou deslocado (cf.(c) e (d)); e pode ser retomado anaforicamente

por um pronome no 2º membro da coordenação (cf.(e)).

Considerações finais

Os testes de constituência são ferramentas importantes na linguística para analisar a


estrutura das frases e identificar seus constituintes principais. Eles ajudam a confirmar
as intuições dos falantes sobre como as frases são construídas e organizadas na
gramática de uma língua.

Esses testes geralmente envolvem manipular as frases de diferentes maneiras para


determinar quais partes delas podem ser removidas, substituídas ou delectadas sem
comprometer a gramaticalidade ou o significado da frase

Referências bibliográficas

Covane, L. (s/d). Manual de Linguística Descritiva do Português III. Beira: UCM.

Duarte, I. (2000). Língua Portuguesa. Instrumentos de Análise. Lisboa: Universidade


Aberta

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