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Conceito e Evolução da Divindade

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22/06/2024, 13:27 Divindade – Wikipédia, a enciclopédia livre

Divindade
(Redirecionado de Deuses)
O conceito de divindade assumiu, ao longo dos séculos, várias
concepções, evoluindo desde as formas mais primitivas
provenientes das tribos da antiguidade até as dogmáticas
definições das religiões.

Conceito
Divindade é ser sobrenatural, com capacidades superior e
fora de compreensão, de origem natural de outra divindade;
Os Elementos: Terra, Ar, Água e
cuja imagem, muitas vezes, é tida como semelhante à do
Fogo.
homem. Cultuado, sendo este santo, divino ou sagrado, e/ou
respeitado por seres humanos. Normalmente, as divindades
são percebidas como superiores aos seres humanos, controlando ou sendo superiores à própria
natureza.

Divindades assumem uma variedade de formas, mas são frequentemente antropomorfas ou


zoomorfas. Uma divindade pode ser masculina, feminina, hermafrodita ou neutra, mas é
usualmente imortal.

Por vezes, as divindades são identificadas com elementos ou fenômenos da natureza, virtudes ou
vícios humanos ou ainda atividades inerentes aos seres humanos em referências de cunho
mitológico.

Além disso, é usual que uma determinada divindade presida sobre aspectos do cotidiano do
homem, como o nascimento, a morte, o tempo, o destino etc.

No Cristianismo
Deus no cristianismo é a doutrina sobre Deus, o ser divino que criou e governa o mundo,
segundo o cristianismo. Ele é manifesto em três personalidades diferentes: Como Pai, como Filho e
como Espírito. Ao Deus Trino crê-se em diferentes atributos entre eles o amor, o mais importante
de todos (I João 4:8) e manifesto assim por Paulo em I Coríntios 13), a Onipotência, a Onisciência,
a Onipresença, a Santidade, a Verdade (João 14:16), a Justiça e a Fidelidade.

Os cristãos acreditam que Deus é espírito (João 4:24), incriado, onipotente e eterno. O criador é o
sustentador de todas as coisas, que resgata o mundo através de seu Filho, Jesus Cristo. Com este
pano de fundo, a crença na divindade de Cristo e no Espírito Santo é expressa como a doutrina da
Santíssima Trindade, que descreve uma única "substância" divina já existente como três pessoas
distintas e inseparáveis: o Pai, o Filho (Jesus Cristo), e o Espírito Santo (I João 5:7) . De acordo

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com esta doutrina, Deus não está dividido, no sentido de que cada pessoa tem um terço de todo,
mas antes, cada pessoa é considerada como sendo plenamente Deus (cf. Perichoresis). A distinção
reside nas suas relações.

Visão histórica
Historicamente, não é possível definir qual foi a primeira tribo a manifestar uma ideia de
divindade. As primeiras dessas concepções teriam surgido nos períodos Paleolítico e Neolítico, e
teriam sido manifestadas pelo sentimento humano de um vínculo com a Terra e com a Natureza,
os ciclos e a fertilidade.[1] Contudo, os escritos mais antigos até hoje encontrados referem-se às
concepções vindas das religiões suméria, védica e egípcia, as quais surgiram por volta de 3600 a.C..

No intuito de criar explicações para a existência dos elementos e dos seres da natureza, bem como
para conhecer o sentido dos fenômenos naturais (a tempestade, o vento, o dia e a noite, as
estações, etc.), os povos e tribos da antiguidade conceberam diversas divindades que, no mais das
vezes, passaram a ter sentimentos e emoções idênticas às dos humanos. Daí derivaram os rituais,
cerimônias e sacrifícios, que tinham como objetivo agradecer as bênçãos enviadas por essas
divindades ou aplacar sua ira, que castigava a humanidade com alguma calamidade.

Cronologia
300.000 – primeira (questionada) evidência de uma cerimônia de enterro de mortos. Num sítio
arqueológico como o de Atapuerca na Espanha, formam encontrados ossos de 32 indivíduos
no buraco de uma caverna.[2]
130.000 – Evidência de uma cerimônia de enterro. Neanderthals enterravam os mortos em
sítios como os de Krapina na Croácia.[2]
100.010 – O mais antigo ritual de enterro de seres humanos modernos é considerado como
originário de Qafzeh em Israel. Há duas cerimônias do que se supõe serem uma mãe e uma
criança. Os ossos foram manchados com ocre vermelho.[3][4]
100.000 a 50.000 – Aumento do uso do ocre vermelho em vários sítios arqueológicos da Idade
da Pedra. O ocre vermelho é considerado de grande importância nos rituais.
70.000 – traços de culto a cobras descobertos em Ngamiland, região da Botswana.[5]
50.000 – Humanos evoluem em gestos associados com o comportamento do homem
moderno. Muito desta evidência tem origem na Idade da Pedra Tardia em sítios africanos.
Este comportamento denominado de moderno abrange habilidades com a língua, o
pensamento abstrato, simbolismo e religião.[4]
42.000 – cerimônia de rituais de humanos no Lago Mungo (Austrália). O corpo aparece
respingado por grande quantidade de ocre vermelho. Isso é considerado como uma evidência
de que o povo australiano importou os rituais que eram praticados na África.
40.000 – início do Paleolítico Superior na Europa. Há uma abundância de fósseis incluindo
cerimônias elaboradas de enterro de mortos; registro arqueológicos das chamadas vênus
paleolíticas e arte rupestre. As estatuetas de Vênus são consideradas deusas da fertilidade.
As pinturas de caverna em Chauvet e Lascaux são consideradas representativas da
manifestação de um pensamento religioso.
30.000 – O mais recente registro da cerimônia de enterro de um shaman (pajé ou
sacerdote).[6]
11.000 – início da Revolução Neolítica.

Visão contemporânea

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Atualmente, muitos intelectuais questionam e especulam sobre o próprio conceito de Divindade,


como também diversas investigações históricas e arqueológicas tentam desvendar os
acontecimentos e circunstâncias em que os homens primitivos criaram os primeiros conceitos
religiosos.

A visão oriental
No Oriente a partir dos séculos VII e VI aC., surgiram sistemas filosóficos
(budismo, taoísmo, confucionismo), que não veneram divindades, mas se
baseiam em conceitos não-teísticos, os quais chegaram aos nossos dias,
com centenas de milhões de adeptos espalhados por vários países dos
mundo.

No Extremo Oriente (China, Japão e Índia) foram desenvolvidos


complexos conceitos filosóficos não-teísticos, os quais, ao longo do
Yin e Yang. tempo, tem se mesclado com as tradições de primitivas religiões
politeístas, que sempre ali existiram e que estavam profundamente
enraizadas no espírito do povo.

Xintoísmo – É uma religião nativa do Japão. Envolve a adoração dos kami, que representam
deuses, ou os espíritos da natureza, ou ainda, simplesmente uma presença espiritual. O tema
principal e mais importante na religião xintoísta é um grande amor e reverência pela natureza.
Assim, a lua, uma cachoeira ou uma rocha podem ser observados como um kami. Os kamis
não são divindades transcendentes, mas sim seres divinos que estão próximos a nós, que
habitam o mesmo mundo que nós, cometem os mesmos erros que nós, e têm sentimentos e
pensamentos semelhantes aos nossos. Uma pessoa que morre pode automaticamente ser
transformado em kami, não importando o tipo de vida que ela tenha levado. Os kamis podem
ser bons ou maus. O Xintoísmo é uma coleção de rituais e métodos que regulam as relações
entre os seres humanos e as divindades (kami). A vida após a morte não é uma preocupação
primária para os xintoístas, pois uma ênfase maior é colocada em encontrar a felicidade na
vida nesse mundo.
Taoísmo – É uma filosofia não-teística criada por Lao-Tsé, que expôs seus pensamentos no
livro: Tao Te Ching. O conceito Deus, conforme é conhecido na tradição ocidental, não existe
nesta filosofia. Tudo o que existe é o Tao, que significa “O Caminho”. Tao é um conceito que
transcende as dimensões espaço-tempo e, portanto, não pode ser compreendido pela limitada
mente humana. Constituí a essência do universo, a realidade última e indefinível, e é através
do Tao – termo e meio eterno da evolução – que passam todas as coisas. Tudo é cíclico, pois
Tao é a energia que flui através de toda a vida. De Tao deriva-se Yin e Yang – o número dois,
que representa a natureza dual de todas as coisas (bom-ruim, vida-morte, dia-noite, claro-
escuro, felicidade-tristeza, saúde-doença). De Yin e Yang nasce implicitamente o três (Céu,
Terra e Humanidade) e, finalmente, por extensão, se produz a totalidade do mundo na forma
como o vemos e conhecemos.
Budismo – Criado por Siddhartha Gautama, o Buda ou o Iluminado, é geralmente visto como
uma religião não-teística, embora pregue a existência de deuses – os devas – que são
criaturas que gozam de grande felicidade em seus mundos celestiais. Contudo, esses seres,
não são eternos e estão sujeitos à morte e a eventuais renascimentos como seres inferiores,
amarrados a um determinado aspecto da natureza, no qual terão que incondicionalmente
trabalhar. A existência do homem é passageira e cíclica – o Samsara (conjunto dos ciclos de
nascimento e morte). O homem somente estará livre desse “Ciclo de Renascimentos” quando
eliminar definitivamente seu auto-apreço atingindo a libertação ou Nirvana. Para os budistas
somente os seres-humanos podem atingir o nirvana ou a iluminação, os deuses por
desconhecerem o sofrimento são incapazes de gerar renúncia ou compaixão. O ser Iluminado
confunde-se então com a Mente Universal. Diversos Tantras budistas declaram sobre esse
Ser Iluminado: “Eu sou o Núcleo de todas as coisas que existe. Eu sou a Semente de todas as

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coisas que existe. Eu sou a Causa de todas as coisas que existe. Eu sou a Raiz da
Existência”.

Confucionismo - Sistema filosófico, religioso e ético desenvolvido a partir


dos ensinamentos de Confúcio. O objetivo principal dessa filosofia consiste
- não em subjugar as pessoas a um Ser Superior (Deus) - mas sim, através
de Ritos, trabalhar no interior delas, a fim de moldar seu comportamento e
dar auto-controle sobre seus desejos. Nesse sentido, todos reconhecerão
sua posição relativa diante de seus semelhantes, identificando a cada
instante quem é o mais jovem e quem é o mais sábio, quem é o visitante e
quem é o dono da casa, e assim por diante; e atingirão o conhecimento
sobre sua obrigação entre os outros e sobre o que esperar deles. Há
obrigações específicas prescritas para todos os participantes em todas as
ramificações do relacionamento humano. "Não faça aos outros, aquilo que
Vênus de
você não quer que eles façam a você", é a máxima chinesa conhecida
como Regra de Ouro do Confucionismo. A solidariedade e a educação são Willendorf, do
os grandes ideais buscados por essa filosofia, e em Confúcio está o maior Paleolítico.
exemplo dessas virtudes.
Deusa Mãe - Precedido por cerimônias de cultos aos mortos (300 mil a.C.),
data de 30 mil anos a.C. o primeiro registro humano de um sentimento de culto e de religião a
uma divindade feminina;[1] segundo alguns autores, o vínculo com a Terra, a Natureza, a
fertilidade e os ciclos teria formado o primeiro sentimento humano de divindade e o mito do
útero de uma Deusa mãe ou Mãe Cósmica. Inicialmente cultuada na Índia, como Kali, a Mãe
Informe, recebeu depois o nome de Tiamat (Babilônia), Temut (Egito), Nu Kua (China), Têmis
(Grécia pré-helênica) e Tehom (Síria e Canaã) ou Abismo (Bíblia). Esta concepção teve
origem na experiência do nascimento humano, que consistia na única origem possível das
coisas: a visão de um útero cheio de sangue era capaz de criar magicamente a prole. A partir
do sangue divino do útero e através de um movimento, dança ou ritmo cardíaco, que agitava
este sangue, surgia os "frutos", a própria maternidade. Muitas tradições referiram o princípio
do coração materno que detém todo o poder da criação. Este coração materno, "uma energia
capaz de coagular o caos espumoso" organizou, separou e definiu os elementos que
compõem e produzem o cosmos; a esta energia organizadora os gregos deram o nome de
Diakosmos, a Determinação da Deusa. Os egípcios, nos hieróglifos, chamaram este coração
de ab e os hebreus foram os primeiros a chamar de pai. O coração e o sangue definiriam um
elo imanente a todos os seres que dele nasciam e a ideia de coração oculto do universo que
pulsa e mantém o ritmo de ciclos das estações, dos nascimentos, mortes, destinos. Este é o
significado que está no Livro dos Mortos ou das mutações. No mesmo sentido o livro chinês I
Ching é denominado Livro das Mutações.[7]

Outros conceitos
Além da visão teística (politeísmo ou monoteísmo), a divindade pode ainda ser visualizada sob a
ótica dos seguintes conceitos filosófico-religiosos:

Ateísmo – Contrapondo-se à visão do teísmo, o ateísmo não reconhece a existência de


divindades.
Agnosticismo – Dentro da visão agnóstica, não é possível provar racionalmente a existência
de Deus, como também é igualmente impossível provar a sua inexistência. O politeísmo e o
monoteísmo enquadram-se dentro de uma visão gnóstica de deus, isto é, Deus ou os deuses
são seres cujos atributos estão perfeitamente definidos ou revelados em seus livros sagrados.
Para um agnóstico, no entanto, Deus pode até existir, porém suas características são
incompreensíveis para a razão humana.
Panteísmo – A visão panteísta sustenta que o Universo inteiro é o próprio Deus. Assim: "Deus
é o Universo, e o Universo é Deus". No panteísmo dá-se ênfase às divindades imanentes,
enquanto que no Panenteísmo (visão em que o Universo está inteiramente contido em Deus,

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porém Este é alguma coisa maior que o Universo) dá-se ênfase às características
transcendentais de Deus.
Animismo – Crença na qual se atribui a todos os elementos do cosmos (Sol, Lua, estrelas), a
todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres
vivos (animais, árvores, plantas) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite) um
princípio vital e pessoal, isto é, uma Alma. Consequentemente, todos esses elementos são
passíveis de possuírem: sentimentos, emoções, vontades ou desejos, e até mesmo
inteligência. Resumidamente, os cultos animistas alegam que: "Todas as coisas são Vivas",
"Todas as coisas são Conscientes", ou "Todas as coisas têm uma Alma". Atualmente, discute-
se quais foram historicamente os primeiros cultos que deram origem a todas as religiões e a
todos os deuses. Alguns historiadores e cientistas defendem a tese de que foram os mitos
politeístas, enquanto outros afirmam que foram os cultos animistas.

Referências
1. Revista Artemis ([Link]
[Link]) - UFPB
2. When Burial Begins ([Link]
3. «Museum of Natural History article on human human evolution» ([Link]
0080417013924/[Link]
Consultado em 5 de junho de 2009. Arquivado do original ([Link]
manent/humanorigins/history/[Link]) em 17 de abril de 2008
4. «The beginning of religion at the beginning of the neolithic» ([Link]
910084649/[Link] (PDF). Consultado em
5 de junho de 2009. Arquivado do original ([Link]
[Link]) (PDF) em 10 de setembro de 2008
5. Vogt, Yngve; Alan Louis Belardinelli (translation) (30 de novembro de 2006). «World's oldest
ritual discovered. Worshipped the python 70,000 years ago» ([Link]
0119041817/[Link] Apollon.
Universidade de Oslo. Consultado em 17 de maio de 2009. Arquivado do original ([Link]
[Link]/vis/art/2006_4/Artikler/python_english) em 19 de janeiro de 2012
6. Tedlock, Barbara. 2005. The Woman in the Shaman's Body: Reclaiming the Feminine in
Religion and Medicine. New York: Bantam.
7. Walker, B. O I Ching da deusa

Ver também
Deidade
Deus
Nomes de Deus

Ligações externas
(em francês) Dictionnaire des noms de divinités ([Link]
94125v6/document), por Michel Mathieu-Colas.

Obtida de "[Link]

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