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Contribuição dos Ativos de Capital na Suinocultura em Angónia

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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLADE

FACULDADE DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAS

Autor

Paulo Afonso Sambo

TÍTULO

AVALIAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS ACTIVOS DE CAPITAL NA PRODUÇÃO


FAMILIAR DE PORCOS E BEM ESTAR DAS COMUNIDADES DO DISTRITO DE
ANGÓNIA, PROVÍNCIA DE TETE

Dissertação Apresentada em Cumprimento dos Requisitos Parciais Para a Obtenção do Grau


de Mestre Em Sociologia Rural e Gestão de desenvolvimento.

Maputo, 2012
UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLADE

FACULDADE DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAS

Autor

Paulo Afonso Sambo

TÍTULO

AVALIAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS ACTIVOS DE CAPITAL NA PRODUÇÃO


FAMILIAR DE PORCOS E BEM ESTAR DAS COMUNIDADES DO DISTRITO DE
ANGÓNIA, PROVÍNCIA DE TETE

Supervisor

Cláudio Mungoi, PhD

Dissertação Apresentada em Cumprimento dos Requisitos Parciais Para a Obtenção do Grau


de Mestre Em Sociologia Rural e Gestão de desenvolvimento.

O Presidente O Supervisor O Oponente Data

............................... ............................... ............................... ......./......../...........


ÍNDICE
DECLARAÇÃO .............................................................................................................................. i

DEDICATÓRIA ............................................................................................................................. ii

AGRADECIMENTOS .................................................................................................................. iii

LISTA DE ACRÓNIMOS ............................................................................................................. iv

RESUMO ........................................................................................................................................ v

ANEXO 1 FOTOGRAFIA DE UMA REPRODUTORA ............................................................. vi

ANEXO 2: MAPA DO DISTRITO DE ANGÓNIA .................................................................... vii

ANEXO 3: MAPA DE LOCALIZAÇÃO DAS LOCALIDADES AVALIADAS ..................... viii

CAPÍTULO I ............................................................................................................................... 1

1.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1

1.2 JUSTIFICAÇÃO ................................................................................................................... 2

1.3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ..................................................................................... 3

1.3.1 QUESTÃO DE PARTIDA ............................................................................................. 3

1.4 OBJECTIVOS ....................................................................................................................... 4

1.4.1 OBJECTIVO GERAL .................................................................................................... 4

1.4.2 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS....................................................................................... 4

1.5 HIPÓTESES .......................................................................................................................... 4

CAPITULO II ................................................................................................................................. 5

2.1 METODOLOGIA ................................................................................................................. 5

2.1.1 ÁREA DE ESTUDO ...................................................................................................... 5


2.1.2 CLIMA ........................................................................................................................... 6

2.1.3 ACTIVIDADES SÓCIOECONÓMICAS ...................................................................... 6

2.1.4 EDUCAÇÃO .................................................................................................................. 7

2.1.5 SAÚDE ........................................................................................................................... 7

2.1.6 HISTÓRIA POLÍTICA E ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL ................ 8

2.2 CONCEPÇÃO DO ESTUDO ............................................................................................... 9

2.3 CRITÉRIOS DE SELECÇÃO DO LOCAL DA PESQUISA ............................................ 10

2.4 PROCEDIMENTOS PARA SELECÇÃO DAS AMOSTRAS .......................................... 10

2.5 ENVOLVIMENTO DAS VILAS ....................................................................................... 11

2.6 MÉTODO DA RECOLHA DE DADOS ........................................................................... 11

2.6.1 OBSERVAÇÃO DIRECTA ......................................................................................... 11

2.6.2 INFORMANTES CHAVE .......................................................................................... 11

2.6.3 CONSTRUÇÃO DO QUESTIONÁRIO...................................................................... 12

2.6.4 DADOS SECUNDÁRIOS ........................................................................................... 12

2.7 ANÁLISE ESTATÍSTICA. ................................................................................................ 13

2.8 CONSTRANGIMENTOS ................................................................................................ 13

CAPÍTULO III ............................................................................................................................ 15

3.1 IDENTIFICAÇAO DOS INTERVENIENTES .............................................................. 15

3.1.1 Pequenos produtores de porcos ................................................................................. 15

3.1.2 Comerciantes e intermediários .................................................................................. 15

3.1.3 Serviços Distritais das Actividades Económicos (SDAE) ........................................ 15


3.1.4 Danish International Development Agency (DANIDA) .......................................... 16

3.1.5 Universidade Eduardo Mondlane ( UEM) ............................................................... 16

3.1.6 Grupo alvo .................................................................................................................... 16

CAPITULO IV............................................................................................................................. 17

4.1 PERCURSO HISTÓRICA DO CONTEXTO DO(S) DESENVOLVIMENTOS Á


ABORDAGEM DOS MEIOS DE VIDA ................................................................................ 17

4.1.1 DESENVOLVIMENTOS PREDOMINANTES .......................................................... 17

4.1.2 OS MITOS DO DESENVOLVIMENTO .................................................................... 17

4.1.3 DESENVOLVIMENTO E INJUSTIÇA ESTRUTURAL .......................................... 18

4.1.4 O DESENVOLVIMENTO E A NECESSÁRIA JUSTIÇA ......................................... 18

4.2 CORRENTES TEÓRICAS DE DESENVOLVIMENTO .................................................. 19

4.2.1 O DESENVOLVIMENTO ........................................................................................... 19

4.3 PERSPECTIVA DOS MEIOS DE VIDA .......................................................................... 22

4.3.1 DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA DE MEIOS DE VIDA SUSTENTÁVEIS ...... 23

[Link] CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE: ( shoques, tendências e flutuações), ....... 23

[Link] POLÍTICAS , INSTITUIÇÕES E PROCESSOS (PIPS) .............................................. 23

[Link] ESTRATÉGIAS ............................................................................................................ 23

[Link] RESULTADOS ............................................................................................................. 24

[Link] ACTIVOS DE CAPITAL ............................................................................................. 24

CAPÍTULO V ............................................................................................................................... 27

5.1REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................................ 27


5.1.1 CONCEITOS OPERACIONAIS ................................................................................. 27

5.1.2 CONCEITOS CLÁSSICOS DOS ECONOMÍSTAS ................................................... 30

5.1.3 ABORDAGEM BEBBINGTON .................................................................................. 31

CAPÍTULO VI.............................................................................................................................. 35

6.1 DESCRIÇÃO DOS INDICADORES DE AVALIAÇÃO E BASES PARA SUA


ESCOLHA. ............................................................................................................................... 35

6.1.1 CAPITAL HUMANO .................................................................................................. 35

6.1.2 CAPITAL SOCIAL ...................................................................................................... 35

6.1.3 CAPITAL FÍSICO ........................................................................................................ 36

6.1.4 CAPITAL NATURAL ................................................................................................ 36

6.1.5 CAPITAL FINANCÉIRO ........................................................................................... 37

6.2 BASES PARA A ESCOLHA DOS INDICADORES ..................................................... 37

CAPITULO VII ............................................................................................................................ 39

7.1 RESULTADOS DO INQUÉRITO .................................................................................... 39

7.1. 1 CAPITAL HUMANO ................................................................................................. 39

7.1.2 CAPITAL SOCIAL ...................................................................................................... 39

7.1.3 CAPITAL FÍSICO ........................................................................................................ 40

7.1.4 CAPITAL NATURAL ................................................................................................. 40

7.1.5 CAPITAL FINANCÉIRO ............................................................................................ 40

7.2 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DA AVALIAÇÃO. .................................................. 41

7.2.1 ANÁLISE DE TABELAS ............................................................................................ 41


7.2.2 ANÁLISE DE FIGURAS ............................................................................................. 43

7.3 ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA .......................................................................... 43

7.3.1 BASEADAS NOS RECURSOS NATURAIS ............................................................. 43

7.3.2 NÃO BASEADAS NOS RECURSOS NATURAIS................................................... 44

CAPÍTULO VIII ........................................................................................................................... 45

8.1 TESTAGEM DAS HIPÓTESES ....................................................................................... 45

8.1.1 PRIMEIRA HIPÓTESE .............................................................................................. 45

8.1.2 SEGUNDA HIPÓTESE ............................................................................................... 45

8.1.3 TERCEIRA HIPÓTESE ............................................................................................... 46

CAPÍTULO IX.............................................................................................................................. 48

9.1 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES........................................................................... 48

9.1.1 CONCLUSÕES ............................................................................................................ 48

9.1.2 RECOMENDAÇÕES ................................................................................................... 49

ANEXO 4: QUESTIONÁRIO ..................................................................................................... 51

ANEXO 5: TABELAS ................................................................................................................ 58

ANEXO 6: DOCUMENTO DO PROJECTO ............................................................................. 63

ANEXO 7: LISTA DOS INQUERIDOS ...................................................................................... 77

BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................... 83
DECLARAÇÃO

Eu Paulo Afonso Sambo, declaro por minha honra que esta dissertação é resultado da investigação
por mim efectuada . Nunca foi apresentada, na sua essência, para a obtênção de qualquer grau ,
estando indicadas no texto e na bibliografia as fontes por mim consultadas para a realização da
presente dissertação

........................................................................
Paulo Afonso Sambo

i
DEDICATÓRIA
Aos meus pais, Afonso Sambo e Cristina Daniel Langa, Esposa, Carolina Eugénio e filhos, Márcia
, Cleyton e Ednílson.
A todos os familiares e irmãos em cristo.

ii
AGRADECIMENTOS
Profunda gratidão ao meu supervisor, o Prof. Doutor Cláudio Mungoi, pela sua disponibilidade e
colaboração, no acompanhamento, sobretudo a sua longanimidade, dedicação, pelas críticas e
sugestões.
Enaltecer também o apoio do Projeto Establishing a Post Graduate on Rural Sociology através da
Faculdade de Letras e Ciências Sociais pela disponibilização de fundos para o pagamento de
propinas e trabalho de campo no ano académico 2010/11.
Esta gratificação estende-se ao Projecto SLIPP (Smallholder Livelihoods Improved Pig
Production) particularmente a Professora Maria Van Johansen e o Dr. Alberto Pondja pelo auxílio
e cooperação no campo de estudo.
A todos agregados familiares de pequenos produtores de porcos , líderes comunitários e demais
individualidades vai a minha gratifição pela sensibilização, cooperação nos inquéritos.
A todos que directa ou indirectamente encorajaram-me nos momentos difíceis.

iii
LISTA DE ACRÓNIMOS

CH : Capital Humano
CS : Capital Social
CF : Capital Físico
CN: Capital Natural
CFn : Capital Financéiro
DFID : Department for International Development
DANIDA: Danish International Development
ESA : Eastern and Southern Africa
FAO : Food Agricultural organization
IDS : Institute of development of studies
PARP : Plano de acção da redução da pobreza
PPs: Pequenos produtores
PPP: Pequenos produtores de porcos
PFP : PRODUTORES FAMILIARES DE PORCOS
SLIPP : Smallholder Livelihoods Improved Pig Production
SDAE : Serviços Distritais das Actividades Económicas
SPSS: Statistical Package for Social Science
UEM : Universidade Eduardo Mondlane
O : Abreviatura usada nas tabelas , significa “não” nas perguntas de duas alternativas
1 : Abreviatura nas tabelas, significa “sim”, o 11: Significa sem resposta formulada

iv
RESUMO
O presente estudo faz uma avaliação dos activos de capital dos pequenos produtores de porcos do
distrito de Angónia na província de Tete onde a agricultura e, sobretudo a criação de porcos é tida
como estratégia atractiva para a geração da renda.
O estudo avalia os cinco activos de capital identificados por Carney(1998), nomeadamente, o
capital : humano, social, natural, físico e financeiro com finalidade de perceber as complexas
relações na produção familiar de porcos, meio de vida das comunidades.
Para elaborar um guião de observação e entrevista estruturada do processo de produção de porcos
, foi feito um questionário baseado no documento do projecto designado SLIPP benchmark
highlights measurement goals ou seja um instrumento de avaliação adoptada pelo projecto para os
trabalhos de consultoria contendo as linhas mestras para avaliação de meios de vida (livelihoods)
anexo4 pag58-69
O resultado da avaliação indica que a produção de porcos confere algum rendimento aos
produtores e constitui uma alternativa para mitigação da crescente insegurança alimentar porém
foi notório que a dificuldade no acesso e combinação das diversas categorias de activos de capital
afecta o alcance de vários resultados positivos, Esta situação é particularmente visível nesta
comunidade onde o acesso ao capital financeiro bem como inexistência de instituições sociais (
organizações governamentais e não governamentais) que estimulem a produção de porcos tende a
ser muito limitadas.
Ficou igualmente demonstrado que a maioria das comunidades não possui conhecimentos e
habilidades básicas requeridas para o alcance de um meio de vida sustentável, como consequência
optam pelas práticas corriqueiras de produção perpetuando deste modo as contaminações do seu
meio de vida, com reflexos na saude humana pela contracção da neurocisticercosis , doença
epilética que ataca o Homem e tem o porco como hospedeiro intermediário.
Palavras chave: Meios de vida (livelihoods), pequenos produtores de porcos, activos de capital.

v
ANEXO 1 FOTOGRAFIA DE UMA REPRODUTORA

Fig. Suplementação nutricional da ninhada

vi
ANEXO 2: MAPA DO DISTRITO DE ANGÓNIA

Mapa 1: Postos administratívos do Distrito de Angónia , MAE(2005).

vii
ANEXO 3: MAPA DE LOCALIZAÇÃO DAS LOCALIDADES AVALIADAS

Mapa 2: Localização das localidades avaliadas no estudado em Domue e Ulongue. Fonte:


adaptado da Direcção Distrital de Agricultura de Angónia, (2006). Fonte: adaptado da Direcção
Distrital de Agricultura de Angónia, (2006).

viii
CAPÍTULO I

1.1 INTRODUÇÃO
A presente dissertação insere-se na perspectiva meios de vida, conhecida no debate internacional
como The Sustainable Livelihoods Approach - Avaliação da sustentabilidade dosmeios de vida,
tradução pessoal, desenvolvida por Chambers e Conway na década de 1990. Essa abordagem
dedica-se a avaliar o modo como os pobres conseguem construir estratégias que lhes permitem
ganhar a vida no contexto de vulnerabilidade, isto é, ambientes de sujeição a situações de risco
e instabilidade socioeconómica e ambiental.

Dessa abordagem derivam várias linhas de pesquisa, sendo uma delas a ferramenta analítica
proposta por Bebbington, cuja a centralidade é o acesso a activos de capitais e actores preocupado
com acções vinculadas a pobreza e a projectos de desenvolvimento ( local, regional, endógeno e
territorial). Neste caso, a abordagem é no âmbito local e ao nível do Distrito de Angónia.

O tema centra-se na avaliação da contribuição dos activos de capital na PFP pela determinação do
grau de acesso e combinação dos activos ou seja ilustrar os contornos do pentágono de activos
que possibilitem a percepção da vulnerabilidade e consequente esboço de possível intervenção.
Nesta avaliação dirigiu-se atenção “ao que os pequenos produtores tem”, e apreenderam-se as
estratégias a partir do modo pelo qual, eles acessam e combinam um conjunto de activos para
converte-los em seu meio de vida sustentável.

Todavia, ficou demonstrado que o acesso a diversas categorias de activos tem de a ser escasso,
alternativamente procura se estimular a combinação de forma inovada dos poucos activos
acessíveis por forma a garantir a produção de porcos .

A maioria da população em Angónia dedica-se as actividades informais para a obtenção dos seus
rendimentos, porém a expectativa á volta dos rendimentos esperados dos seus meios de vida
afiguram-se desencorajadores e, a criação de porcos é uma delas, situada no segundo plano depois
da agricultura.

1
1.2 JUSTIFICAÇÃO
A agropecuária constitui a principal actividade produtiva nas zonas rurais. Em Moçambique, para
além de ser a base de sobrevivência da maioria da população é, por razões históricas dominada
pelo sector familiar.

Segundo a Food Agricultural Organization FAO (2005) a produção e consumo da carne suína na
região oriental e sul de Africa ESA- Earten and Southern Africa aumentou em detrimento do
gado, especialmente ao nível dos pequenos produtores, a prior devido a seca e estiagem para
pastagem do gado bem como pelo reconhecimento dos criadores do rápido retorno que a actividade
proporciona;.

O estudo afigura se pertinente dado que nesta região, a produção de porcos é praticada como meio
de vida, para fins comerciais, o que lhes confere um “banco móvel” para despesas correntes. O
incremento da produção de porcos pode proporcionar uma enorme contribuição na segurança
alimentar, bem estar e consequente alívio da pobreza pela produção da proteína de maior qualidade
nutricional com baixos custos de produção e em pouco tempo.

A escassez de activos de capital relacionadas a sustentabilização da produção dos porcos, atenta


para a mensuração ou ainda avaliação das componentes, activos predominantes ou escassos que
interferem nos meios de vida dos pequenos produtores. A experiência efectuada duma forma
sistemática numa amostra aleatória no norte de Tanzânia aos parceiros do projecto SLIPP que se
circunscrevia em: Planificar, implementar e avaliar as intervenções da educação dos pequenos
produtores de porcos no controle das doenças resultou numa redução de aproximadamente metade
de incidências de cisticercoses suína Ngowi et al.(2008), dados apurados através do investimento
na investigação pelo método analítico, Ngowi et al (2007). A investigação mostrou igualmente
que intervenções na saúde animal e educação sobre a gestão da produção trazem um significativo
benefício para os produtores familiares pela protecção da sua produção. O PARP – Plano de acção
da redução da pobreza tem igualmente um enfoque do capital humano que tem como pressuposto
o desenvolvimento das capacidades humanas de trabalho, técnicas e científicas, do bem estar da
saúde e sanitário, de acesso aos recursos básicos, em particular, alimentos, agua e saneamento
adequado, e de redução da incidência de doenças que afectam os grupos mais vulneráveis da
população.

2
A própria abordagem dos meios de vida , mostra-se relevante porque:

 Confere aos pequenos criadores modalidades de produção de porcos com base na sua
realidade local;

 Contribui para o esboço dum quadro sustentável de produção de porcos, realístico e


centrado nas pessoas;

 Melhora as intervenções nos meios de vida das comunidades.

 Influencia profundamente o pensamento e prática de desenvolvimento rural.

1.3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA


A produção de porcos pode trazer uma enorme contribuição para a segurança alimentar e
consequente redução da pobreza pela disponibilização da proteína de maior qualidade em pouco
espaço de tempo e, com insumos de baixa qualidade, porém segundo Lukele et al (2003); Garces
et al (1998) a gestão e produção em Moçambique e Tanzania varia e, é afectada pelos activos de
capital,nomeadamente: capital Humano, Social, Natural, físico e financeiro os quais na óptica de
Ellis (2000) sintetizam os activos ou seja o capital na determinação de ganhos de vida pelos
indivíduos ou unidades domésticas, assim, destaca-se que: A dificuldade de acesso e combinação
dos activos de capital afecta a produção de porcos e o bem estar dos produtores familiares do
Distrito de Angónia , província de Tete.

1.3.1 QUESTÃO DE PARTIDA


Partindo de uma premissa de que existe no Distrito um potencial produtivo de porcos, meio de
vida dos PF cuja exploração é deficitária, como reflexo, ocorre de forma cíclica a cisticercosis
suína, uma doença parasitária que tem o Homem como hospedeiro definitivo, afecta o cérebro e
provoca a neurocisticercoses suína (epilepsia) que pode culminar com a sua morte. Surge a
seguinte questão de partida. De que forma os activos de capital podem contribuir para a produção
familiar de porcos e bem estar das comunidades do Distrito de Angónia, Província de Tete?

3
Estima-se que, devido a presença de doenças como a cystis, na África central e ocidental
anualmente perde-se cerca de 25 mil Euros Zioli et al, (2003) incluindo a febre suína Africana,
doença viral e fatal para a qual ainda não existe vacina Penrith et al (2004)

1.4 OBJECTIVOS

1.4.1 OBJECTIVO GERAL


 Avaliar a contribuição dos activos de capital na produção familiar de porcos e no bem
estar das comunidades do Distrito de Angónia, Província de Tete.

1.4.2 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS


 Avaliar a acessibilidade e combinação das diferentes categorias de activos para transformar
em capacidade produtiva;
 Determinar o conjunto de activos de capital existentes que permitem projectar as acções
concretas de intervenção e investimento útil nas comunidades;
 Medir o nível das condições de reprodução de capacidades existentes no seio das
comunidades para transformar os activos de capital em capacidade produtiva.

1.5 HIPÓTESES
 Na projecção de acções de intervênção para diferentes lugares a identificação dos tipos de
activos de capital mais importantes pode contribuir para apropriação das estratégias de
desenvolvimento;

 Se os produtores familiares forem capazes de melhorar suas condições de reprodução,


poderão identificar e assegurar a oportunidade para a transformação dos activos de capital
em capacidade produtiva;
 As modificações na estrutura dos activos de capital ( pentágono de activos de capital)
podem contribuir para uma produção sustentável e consequente bem estar das
comunidades do Distrito de Angónia;

4
CAPITULO II

2.1 METODOLOGIA
Este capítulo apresenta informações relativas aos procedimentos levados a cabo para o
posseguimento do estudo, desde a indicação do local, critérios para a sua escolha bem como
definição da amostra. Apresenta igualmente os instrumentos usados para a recolha de dados, sua
análise, os constrangimentos supervenientes da realização da realização do mesmo e por fím o
tratamento á questões de ética.

2.1.1 ÁREA DE ESTUDO


O estudo foi conduzido no distrito de Angónia , província de Tete, que está situado a nordeste de
Moçambique entre as latitudes 14.46°S e a uma longitude de 34.45°E. Sendo limitado a Norte ,
Nordeste e Este pelo território do vizinho Malawi, a Sul pelo Tsangano e a Noroeste pelo distrito
de Macanga. A vegetação dominante é arbustiva, Serviços Distritais de Actividades Económicos,
(2006)

Em 2007, a população situava-se em 333,808 habitantes com uma densidade de 72.2 hab/km2. O
número total de agregados situava-se em 1,080 INE,(2007).

O distrito está dividido em dois postos Administrativos : Ulongue e Domue. Ulongue tem seis
localidades com uma população de 161,001 habitantes, enquanto Domue possui onze postos
Administrativos e uma população na ordem de 174,807 habitantes. INE,(2007) MAE,(2005).
Ulongue foi declarado distrito municipal em 2009. Instituições governamentais e ONGs estão
localizadas neste posto administrativo.

A rede de estradas do distrito é bastante precária e a maioria usa a bicicleta como meio de
transporte, todavia algumas carrinhas de caixa aberta são usadas para transporte de pessoal para
ligação dos dois postos administrativos. Ao longo do período chuvoso verificam se graves
problemas de transitabilidade quer de motorizada assim como de carro de tracção a quatro rodas.

Em anexo, os mapas 1 e 2 nas páginas 67 e 68 de localização dos postos administratívos e as


localidades abrangidas pelo estudo.

5
2.1.2 CLIMA
O distrito apresenta um clima humido com uma precipitação anual que se situa entre 1100 e 1200
mm. A estação chuvosa estende-se de outubro a meados de Março. A humidade relativa situa-se
aos 70% e a temperatura média anual entre 18° a 22°C, Serviços Distritais de Actividades
Económicas (2006)

2.1.3 ACTIVIDADES SÓCIOECONÓMICAS


Aprincipal actividade económica do distritoé a agricultura. Eles cultivam culturas como milho,
feijão , a mandioca, batata reno, amendoim, bem como hortaliças, nomeadamente: pepino, couve,
melancia, cenoura, alho e alface.

A comunidade cultiva igualmente culturas de rendimento, como o algodão e soja. A cultura de


tabaco é financeada pela Mozambique Leaf Tobbaco e é considerada a principal fonte de receita
para muitas famílias.

A comunidade também cria porcos . O número total de porcos no distrito está situado em 3500.
Para além de porcos as comunidades também criam vacas, cabritos, ovelhas, galinhas patos e
coelhos MAE,( 2005); Serviços Distritais de Actividades Económicas de Angónia, SDAE(2006).
Animais como: galinhas, patos e coelhos servem para o consumo doméstico enquanto que porcos
, cabritos , vacas e ovelhas para a comercialização MAE, (2005). Os porcos são de fácil colocação
no mercado e, a receita contribui nas despesas domésticas correntes.

A produção de porcos tem estado a crescer, porém segundo Afonso et al.,(2001) muitos porcos
estão paralelamente infectados com a cisticercosis suina, sobretudo devido ao não confinamento
e outras razões que se prendem a falta de conhecimento.

A irregularidade da precipitação e a vulnerabilidade as calamidades naturais , tem condicionado


o potencial de produção agrícola deste distrito. Somente em 2003, após o período da seca e
estiagem, se reiniciou a exploração agrícola e a recuperação dos níveis de produção agrícola do
distrito.

6
2.1.4 EDUCAÇÃO

A rede escolar no distrito é composta por 145 escolas, das quais 142 são de ensino primário, duas
de ensino secundário e uma de ensino técnico. Existem no distrito 86 centros de alfabetização de
adultos MAE,(2005) as quais conferem aos adultos habilidades para escrever e falar e são
ministradas por indivíduos que tenham no mínimo 7ª classe.

O nível geral de educação no distrito é bastante inferior. Os dados disponíveis apontam para uma
cifra de 81% da população analfabeta e, somente 11.4% da população fala a lingua portuguesa
MAE, (2005). Estes índices de analfabetísmo, tal como em outros distritos, ficou a dever-se
sobretudo devido a guerra civil entre a Frelimo e a Renamo entre os anos 1972 á 1992.

A maioria da população refugiou-se em Malawi e Zimbabwe sem acesso a educação, contudo


mesmo após o fím da guerra muitas crianças não tiveram acesso a escola devido a falta destes, de
professores, bem como pela falta de professores.

Esta situação só veio a ser corrigida em 2005 com a adopção pelo governo das facilidades para o
ensino primário obrigatório.

2.1.5 SAÚDE

O distrito comporta dois tipos de serviços de saúde, o tradicional que é composto pelos ervanáriose
os serviços modernos de saúde, nomeadamente um hospital rural e três postos de saúde. As
principais doenças registadas no distrito são: a Malária, cólera, diarreia, tuberculose, HIV SIDA
E gonorrhoea MAE, (2005) e MISAU, (2006)

Embora o estado cerológico da neurocysticercoses e hepilepsia não tenham sido oficialmente


divulgadas pelos orgãos de saúde, os estudos de Afonso et al.(2001) apontam para 20% de
infecções pela neurocysticercosis e sua correlação com casos de epilepsia nos Homens.

7
2.1.6 HISTÓRIA POLÍTICA E ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL

A população originária da região , os Angonis são resultado de uma mistura entre os povos
Achewas e os Nguni.

A liderança tradicional é assegurada pelos representantes do poder da comunidade,


nomeadamente:

 Régulos e secretários de bairros;


 Chefes de grupo de povoações;
 Chefe da povoação;
 Chingore;
 Outras personalidades da comunidade respeitadas, legitimadas pelo seu papel social,
cultural, económico e religioso.

Na liderança tradicional existe uma espécie de divisão de trabalho e de funções entre os diferentes
lideres das comunidades, assim os secretários tem como função principal a mobilização da
comunidade para as tarefas sociais e económicas enquanto os líderes tradicionais, tratam
principalmente dos aspectos tradicionais, tais como cerimónias, ritos e conflitos sociais.

Foram legitimadas 8 Ndunas e 28 Nhacuawas que constituem a estrutura paralela aos chefes de
10 casas com maior aceitação nas comunidades. Para além destes foram legitimados 3 régulos.

Das 1.080 famílias do distrito, a maioria é do tipo sociológico nuclear com filhos (44%) e tem,
em média 3 a 5 membros INE, (2007)

Neste distrito regista-se um predomíneo de seitas religiosas, como a Católica, Protestante, Igreja
reformada, Testemunhas de Jeová, Igreja presbiteriana, Nazarena, , Universal, Reino de Deus,
Zion, Adventísta do Sétimo Diae por fím a Comunidade Islámica embora poucas se comparadas
com as restantes sietas.

8
Segundo o senso do INE, (1997) a Igreja mais frequentada neste distrito é a Católica com uma
margem de 47% de crentes, seguida da Zion com 20.7%, Envagélica com 3.4%, Testemunha de
Jeová com 3.4% e outras igrejas com 28.2% de crentes.

2.2 CONCEPÇÃO DO ESTUDO


Segundo Lakatos e Marconi (1991) a história revela acontecimentos, rupturas e crises do passado
que permitem descobrir os processos de construção de práticas sociais, políticas e económicas. A
análise de processos permite descobrir alguns aspectos específicos dessas práticas e verificar a sua
influência na vida actual das comunidades.

Com vista aanalisar os processos de construção dessas práticas foi realizado em Angónia,
província de Tete entre os meses de Janeiro á Marco de 2011 um levantamento de dados numa
amostra de 134 pequenos produtores de porcos, acerca do problema da dificuldade de acesso e
combinação dos activos, posteriormente avaliados mediante análise quantitativa para obter
conclusões correspondentes dos dados colectados GIL, (1996). O mesmo, compreendeu duas
fases, na primeira foram basicamente efectuadas visitas nas áreas de estudo, nesta fase foram
contactados os principais intervenientes, nomeadamente: Oficiais da Administração local,
representantes e membros das comunidades no sentido de obter a autorização para a realização do
estudo. Foram explicados os procedimentos, objectivos do estudo e suas limitações para não criar
expectactivas que não possam ser cumpridas bem como foram identificados os postos
administrativos e vilas que reuniam a maioria de criadores e, na segunda fase foi conduzido o
levantamento com apoio de um guia local alocado pelo SDAE

Pelo seu carácter prático e pela necessidade de resolver problemas reais, a pesquisa foi aplicada.
O Levantamento de amostras foi efectuado por meio de questionário com objectivo de apurar o
grau de cristalização do problema. O check list permitiu o entendimento sobre o problema da
dificuldade de acesso e combinação dos activos de capital nas comunidades .

Para o presente estudo, além de apropriado ao objecto de investigação e de oferecer elementos


teóricos para análise, foi operacionalmente exequível o método quantitativo. Os dados primários
foram recolhidos na pesquisa de campo em paridade com o método qualitativo sobretudo como
complemento nas questões que ao mesmo tempo que se questionava seriam facilmente

9
observáveis, partilhadas e descutidas com o inquerido ao nível de informante chave. Os grupos
delimitados foram abrangidos intensamente por meio de entrevistas, como foi o caso dos líderes
de opinião o que permitiu a observação, partilha e descussão.

2.3 CRITÉRIOS DE SELECÇÃO DO LOCAL DA PESQUISA


O distrito apresenta boas condições agroclimáticas para a prática da criação de porcos, principal
meio de vida das comunidades de Angónia. Em média, cinco (5) em cada dez (10) famílias pratica
a produção de porcos, porém a obvia dificuldade de acesso á activos diversos, sendo de destacar:
conhecimentos em matérias de produtividade, redes sociais, acesso ao crédito, dificuldades no
maneio alimentar e reprodutivo, sobretudo a ausência de práticas que garantam uma produção
sustentável e livre de contaminantes para a saude pública conduziu a uma avaliação dos activos de
capital que concorrem para o bem estar das comunidades de Angónia.

Outro factor não menos importante é o estudo de Afonso et al. (2001) que indica que, 20% da
população esta infectada com a neurocisticercosis e, em alguns casos relacionado com a
cisticercosis, doença viral ainda sem cura que tem o porco como hospedeiro intermediario, sendo
este, meio de vida das comunidades do distrito.

2.4 PROCEDIMENTOS PARA SELECÇÃO DAS AMOSTRAS


Para obtenção da amostra o estudo adoptou o método probabilístico ( aliatório simples) e não
probabilístico ( conveniente). O aliatório simples foi usado para seleccionar 10 das 17 localidades
( 4 localidades do posto administrativo de Ulongue e 6 do posto administrativo de Domue). Para
apurar as 10 localidades , todas as 17 localidades foram enumeradas, isto é cada localidade foi
atribuida um número no intervalo de 1 a 17 no folheto de papel da mesma cor posteriormente
selado. A legenda foi visualizada aos intervientes antes do início do escrutíneo, e em seguida, um
dos líderes comunitário presente foi lhe apresentada a proposta de tirar de forma aliatória 10
folhetos sem no entanto abri-los. Este procedimento, foi usado porque a maioria das localidades
produzem porcos e, as apuradas foram: Seze, Chimuala, N´kane, Mangane, Liranga,Ulongue,
Kamphensa, Ndaula, Kalomue e Bonga.

10
2.5 ENVOLVIMENTO DAS VILAS
Após a escolha das 10 localidades, uma vila de cada localidade foi escolhida por conveniência
para o levantamento. Em cada vila foram escolhidos com ajuda dos líderes locais 15 pequenos
criadores. Caso o indicado não estivesse, o levantamento era feito ao imediatamente asseguir.

A escolha dos 15 em cada localidade era feita de forma arbitrária porque não existiam informações
concisas de pequenos criadores com ou sem porcos devido as flutuações ocasionadas pela
ocorrência cíclica de pestes. Deste modo não foi possível nas vilas optar pelo método aliatório
simples.

Inicialmente o estudo previa um total de 250 produtores, porém ao longo do processo de


levantamento, notou se que, a maioria das vilas do interior não mostravam muito interesse no
projecto, mantendo se nessas vilas recordes muito a baixo do que se presumia pelo método
probabilístico. Deste modo para se evitar disparidades(spill over) de um produtor para o outro, a
maioria dos produtores do interior foram descartadas.

2.6 MÉTODO DA RECOLHA DE DADOS

2.6.1 OBSERVAÇÃO DIRECTA


O método de observação directa foi adoptado para gerar informações qualitativas sobre como os
PPs se relacionam ou olham para os porcos bem como as condições ambientais em que são criados.
Para obter estas informações, seis observações foram feitas ao nível do agregado numa
periodicidade de duas vezes ao dia. Para questões de como tratam ou lidam com os animais
observou-se o tipo de curral, alimentação, número de crias por parto, e para questões ambientais.
a limpeza, número de animais por área ( espaço vital) bem como existencia ou não de latrina
familiar, este último devido as práticas de fecalísmo a céu aberto

2.6.2 INFORMANTES CHAVE


Informante chave é um tipo de entrevista pessoal que consiste em entrevista directa (cara a cara)
com vista a obter respostas pertinentes a hipótese formulada, Nachmias and Nachmias,(2005)

Esta entrevista foi usada para obter informações qualitativas ao nível do agregado sobretudo aos
lideres de opinião. para questões de relação homem animal observou-se o tipo de curral,
alimentação, procedimento em caso de ocorrência de doenças e elevada mortalidade, e, para
11
questòes ambientais: a limpeza, animais por área (espaço vital) bem como existencia ou não de
latrina familiar.

2.6.3 CONSTRUÇÃO DO QUESTIONÁRIO


Para a elaboração do questionário tomou-se como base a ferramenta analítica designada
Benchmark highlights for livelihoods measurement-Estrutura básica para avaliação dos meios de
vida, tradução pessoal, anexo4 nas pag58-69 concebido pelo projecto Danida com maior enfoque no
seu ponto 1.6 pentágono dos activos de capital , nomeadamente: o capital (humano, social, natural
físico e financeiro) na componente de produção de porcos para o período de 2010 á 2014.

O pentágono de activos de capital é o núcleo da estrutura dos meios de vida, permite uma
apresentação esquemática e visual da variação do acesso á activos no contexto da vulnerabilidade
dos pequenos produtores, oferece sobretudo uma compreensão real sobre o potencial existente nas
pessoas, o grau de acessibilidade aos recursos ou activos isolados de capital bem como a forma
de combinação.

Na construção do mesmo, foi considerado que nenhuma categoria isolada de capital seria
suficiente para as comunidades alcançarem o meio de vida adequado de que esperam, deste modo,
o questionário envolveu questões que permitiram obter o máximo de forças e ou fraquezas
existentes no distrito por forma a desenhar a intervenção nas categorias onde o activo de capital
tende a escassear, todavia, ha uma percepção da existência de uma complexidade de relações entre
os activos de capital, de tal ordem que, um simples capital físico quando bem combinado pode
gerar múltiplos benefícios, deste modo, foi observada a ignorância óptima pela inclusão sem
detalhes excessívos para cada campo de pentágono de activos, o que facilitou o levantamento da
informação precisa, concisa e objectiva da pesquisa. Anexo3, pág47-53.

2.6.4 DADOS SECUNDÁRIOS


Como subsídios aos dados do presente estudo foram consultadas fontes de informação diversas,
tais como: literatura existente na forma de dados secundários, publicações de ONGs, internet,
porém ainda não há nenhuma publicação sobre avaliação da contribuição dos activos de capital
dos pequenos produtores de porcos e bem estar das comunidades.

12
2.7 ANÁLISE ESTATÍSTICA.
Os dados quantitativos obtidos através do levantamento foram codificados, confirmados e
analisados por via de Statistical Package for Social Science (SPSS) um software informático. O
método proporcionou a obtenção de agregados de informação, descritas e apresentadas em tabelas
de frequência e figuras.

2.8 CONSTRANGIMENTOS
Ao longo do trabalho , vários constrângimentos foram encontrados com especial enfoque no
acesso as localidades previamente selecionadas devido a ocorrência das chuvas e consequente mau
estado das vias de acesso;
Face a inacessibilidade das vias, mesmo com recurso a uma carrinha 4*4 ou mesmo bicicleta, duas
localidades seleccionadas aleatoriamente não foram estudadas, alternativamente foram
substituidas por conveniência;
O acesso aos inqueridos era outro constrângimento devido a época que coincidia com actividades
agrícolas, tais como : colheita de feijão e venda de tabaco. Como solução alternativa para este
caso, os levantamentos eram feitos de manhã e de tarde por forma a cobrir o estudo em tempo útil,
sendo que, no período de tarde ainda encontravam-se alguns a regressar da machamba;
A questão do tabaco, cultura de rendimento e atractiva para as familias, deslocava os chefes de
família para locais de recepção de insumos ( sementes, adubos e pesticidas), onde vezes sem conta
permaneciam todo o dia porque o distribuidor não chegou e, sendo assim deverá espera-lo no dia
seguinte, a saber, ninguém dos restantes membros da família é autorizada a prestar informações;
A lingua local, o Chewa, uma vez que a maioria dos participantes não fala e nem escreve em
português e o investigador não fala a lingua local. De igual modo uma solução alternativa foi
adoptada pela via de contratação e treinamento ao assistente nos objectivos respeitantes ao estudo.
Esta situação criou alguma dependência do investigador ao seu assistente, que nalgumas vezes,
adiava o processo de levantamento. Para compensar, por vezes trabalhou-se com o líder
comunitário que pudesse falar tanto português como a lingua local. Os líderes que mostraram
interesse em cooperar, foram intensivamente treinados sobre as abordagens do projecto e testato
o seu nível de adopção antes da prática.
A falta de cooperação de alguns criadores motivado sobretudo por questões de natureza de
subordinação, aqui ressalta a questão do poder político, onde um criador por achar que um

13
determinado líder foi indicado pelo partido A ou B, não coopera porque não nutre nenhuma
simpatia. O desconhecimento do próprio líder de potencias criadores na área do seu regimento;
A questão das feiras ou dias de mercado, normalmente a comunidade não avisa ao inqueridor se
estará disponível ou não , incluindo o próprio líder porque dão primazia a actividades que resultem
em rendimento imediato ao agregado. Neste distrito estão instituidos dias de mercado ou seja,
feiras onde de forma alternada expõem os seus produtos, incluindo os adquiridos no vizinho
Malawi, uma espécie de trocas comerciais. Nesses dias quase ou ninguem está disponível para
prestar qualquer esclarecimento;
Maior expectativa a volta do investigador pelos criadores, assumindo que este iria naquela altura
resolver todos os problemas relacionados a produção dos pequenos criadores de porcos,
nomeadamente: melhoramento das pocilgas, concessão de leitões para a recria, suplementação
alimentar, tratamento de doenças como a cisticercosis e febre suina africana. Porém, para clarificar
a questão, os membros da comunidade foram explicados que a actual actividade de investigação
visava sobretudo a avaliação de activos de capital bem como a forma de combinação para o
alcance do seu meio de vida e, os resultados do mesmo seriam disponibilizados e partilhados com
as Comunidades, Governo, e outras organizações que possivelmente possam desenhar acções de
intervênção, no sentido de alavancar os recursos escassos .

14
CAPÍTULO III

3.1 IDENTIFICAÇAO DOS INTERVENIENTES

3.1.1 Pequenos produtores de porcos

É a população pobre e vulnerável do distrito de Angónia que se dedica a produção de porcos. São
vulneráveis porque carecem de vários recursos para tornar a actividade sustentável, como são os
casos de ausência de infra estruturas básicas (transporte, instalações condignas para a produção,
processamento e venda da produção, agua potavel, energia e comunicações ), ausência de redes
sociais de defesa de criadores, inacessibilidade á serviços (saude , educação, assistência
veterinaria), falta de capacidade e habilidade para o trabalho e outras formas de crédito. A
expectactiva das comunidades é alcançar bons rendimentos na sua produção, pela redução
substãncial de níveis de perdas e consequente conversão em ganho de dinheiro para custear as
despesas correntes, espécie de banco móvel .

3.1.2 Comerciantes e intermediários

Grupos de indivíduos que interage directa ou indirectamente com os PPP com objectivo de
comercializar os porcos que adquirem a um preço relativamente inferior ao seu valor social e,
geralmente estes interferem na determinação do preço;

3.1.3 Serviços Distritais das Actividades Económicos (SDAE)

São serviços distritais instituidos pelo Estado com autoridade para velar sobre o assuntos de
producão e protecção de animais, estes, integram a Agricultura, pecuária, veterinária, florestas e
fauna bravia, gestão de terras, indústria e comércio, entre outros. O principal objectivo do SDAE
neste projecto é consciencializar as comunidades para práticas de produção sustentáveis, garantir
a inspecção dos animais com vista a evitar a circulação e consequente propagação de doenças,
garantindo deste modo a saude pública.

15
3.1.4 Danish International Development Agency (DANIDA)

Proponente do projecto e principal financeador, tem como objectivo desenvolver e avaliar através
de métodos participativos uma ferramenta com aplicação prática no contexto local com vista a
uma produção sustentavel dos porcos ( meio de vida) do Distrito em prossecussão das estratégias
do governo no que se refere a redução da pobreza, através de acções a nível micro até atingir da
formação superior.

3.1.5 Universidade Eduardo Mondlane ( UEM)

Instituição de ensino e investigação que forma estudantes de nível superior, supervisiona os


trabalhos de investigação e transfere tecnologias até ao nível de potenciais utilizadores.

3.1.6 Grupo alvo


 Pequenos criadores de porcos e comunidade residente do Distrito de Angónia
província de Tete.

16
CAPITULO IV

4.1 PERCURSO HISTÓRICA DO CONTEXTO DO(S) DESENVOLVIMENTOS Á


ABORDAGEM DOS MEIOS DE VIDA

4.1.1 DESENVOLVIMENTOS PREDOMINANTES


A história da humanidade tem conhecido vários episódeos, de entre os quais o processo designado
por «desenvolvimento» que teve o seu cunho na revolução industrial articulada com as revoluções
que lhe abriram o caminho, nomeadamente a revolução agrícola e a comercial, acontecimentos
que radicalmente mudaram a forma de viver, de produzir, e de pensar que facilitaram e
multiplicaram os seus efeitos na revolução liberal (no pensamento, na filosofia e na politica) do
qual o maior símbolo é sem dúvida a revolução Francesa.

É esta possibilidade nova de produzir e consumir um número cada vez maior de produtos que se
traduz na ideia do crescimento económico, que vai, por seu turno, sustentar a ideia do progresso
da humanidade e fazer surgir a expressão e a ideia de desenvolvimento.

Mas este conceito de «desenvolvimento» saido da era inaugurada com a revolução industrial, tem
conhecido variantes as quais destinguem-se em alguns aspectos importantes e conservam em
comum alguns princípios e mitos .

4.1.2 OS MITOS DO DESENVOLVIMENTO


Como marcas ou mitos principais da ideia do desenvolvimento nascido do processo histórico
iniciado com a revolução industrial, pode se indicar os seguintes:

A ideia de que a base económica constitue o centro da actividade humana e o pilar fundamental
em que assenta o «desenvolvimento» resultando daí, a utilização dos indicadores económicos
(produto e rendimento global e per capita) como índices de «desenvolvimento» e não
«desenvolvimento»;

A valorização da quantidade, mais do que a qualidade o que está ligado ao mito de crescimento
económico, utilização dos critérios de valoração e comparação ( das pessoas, dos grupos e dos
países) na base da quantidade, o quantitivísmo;

17
O mito do industrialísmo, onde a indústria é entendida como o ponto de passagem obrigatória , o
motor a alavanca e o sector por excelência do «desenvolvimento» em detrimento de outros tipos
de actividades, como a agricultura.

4.1.3 DESENVOLVIMENTO E INJUSTIÇA ESTRUTURAL


De forma resumida pode-se dizer que estes modelos de «desenvolvimento» possuem na sua
estrutura , os germes da injustiça , na medida em que:

Valorizam os que fazem e têm; desvalorizam os que não fazem e não têm ( ou não sabem ou não
podem fazer e ter) e, também os que apostam no ser (individual e colectivo) e no estar com os
outros e com a natureza, como complementos fundamentais do fazer e do ter.

De uma forma, pode se dizer que a injustiça estrutural deste «desenvolvimento» consiste na sua
incapacidade para articular e conjugar as três dimensões fundamentais e vitais do ser humano ,
nomeadamente: a sua individualidade ( que o diferencia com os outros ), a sua relação social ou
dimensão colectiva ( que o aproxima e o solidariza com outros diferentes) e a sua intimidade com
a natureza ou consciência ecológica (que o situa na criação, no seu ambiente vital).

4.1.4 O DESENVOLVIMENTO E A NECESSÁRIA JUSTIÇA


O des-envolvimento dos seres humanos , das sociedades e da natureza pressupõe e exige uma
concepção sistémica, integrada e circular , pelo menos, dos seguintes princípios:

Autonomia e participação, de forma a assegurar e baseiar-se nas potencialidades próprias ainda


que em relação aberta com o sistema mais global em que cada um se insere;

Diferença e respeito, pelas especificidades próprias de cada indivíduo, grupo, sociedade e elemento
da natureza privilegiando diálogo e troca de experiência;

Solidariedade, como forma de articulação e de conjugação entre os des-envolvimentos das


diferentes partes do todo ou seja não deve haver o Des-envolvimento de uns à custa do
envolvimento dos outros, pois, além de integral ( abarcar todas as dimensões do indivíduo, das
sociedades e da natureza ), ele deve ser integrado e sistémico Por outro lado para alem de conjugar
o fazer, o ter, o ser, e o estar como pilares da vida e do des-envolvimento, a sua realização
pressupõe a articulação das necessidades e capacidades .

18
4.2 CORRENTES TEÓRICAS DE DESENVOLVIMENTO

4.2.1 O DESENVOLVIMENTO
A análise semântica da própria palavra «desenvolvimento» fornece algumas pistas sugestivas para
reflexão. De facto, a palavra composta «Des-envolvimento» ( como as equivalentes, «De-
(en)veloppement», «Des-arroollon, «ennt-wicklung») sugere: o processo de libertação ou de saida
dos «envolvimentos», dos «envelopes», «invólucros < «rolos» ou «embrulhos» que cercam e
prendem o ser humano e impedem a sua realização como ser individual, social e ambiental.

A noção de desenvolvimento retratada nesta dissertação tem como referência primordial a


estratégia de desenvolvimento local.

O desenvolvimento proposto pela União Europeia, as vezes concebido numa perspectiva de cima
para baixo, outras numa perspectiva participativa, tem as seguintes características:

 Considerar o desenvolvimento num modelo analítico mais territorial do que sectorial,


sendo a escala do território menor que o nível nacional;

 A economia e outras actividades de desenvolvimento são estruturadas para maximizar


a retenção de benefícios no território local pela valorização e exploração de recursos
físicos e humanos locais;

 O desenvolvimento é contextualizado, tendo em vista as necessidades, capacidades e


perspectivas da população local.

BORDINAVE, J. (19??), Ob. Cit. Tentando uma classificação capaz de levar em conta as
interpretações mais conhecidas do fenómeno, procura com recurso as cinco correntes teóricas
explicar a razão de ser do desenvolvimento:

a) A corrente de crescimento económico, que admite que o desenvolvimento decorre do


aumento de produção de bens materiais;

b) A corrente da compleficação institucional, para a qual o desenvolvimento deriva da


evolução das instituições, portanto da organização progressiva dos sistemas sociais;

19
c) A corrente difusionísta, para a qual o desenvolvimento se deve a acção dos agentes externos
, isto é à introdução e adopção de inovações exportadas;

d) A corrente das alterações estruturais, para a qual o desenvolvimento resulta da sucessão


dos modos de produção , possibilitada pela ruptura conflituosa da organização social;

e) A corrente ecológica, a mais recente de todas, que admite finalmente que o


desenvolvimento só será viável através do uso criterioso dos recursos naturais e do re-
equilíbrio da natureza.

Porém, para JAGUARIBE, H. (1978), o desenvolvimento de qualquer formação social é um


processo de promoção sócio-económica, que tem de estar sugeito a três “macrovariáveis”, a saber:

a) As variáveis operacionais, que são aquelas que dizem respeito à capacidade realizadora
da formação em causa; isto é a possibilidade da mesma conseguir realizar alguma coisa;

b) As variáveis participacionais, que se referem aos envolvimento dos socci, não apenas na
execussão das acções, mas também no planeamento respectivo; logo à contribuição de
todos para a tomada inicial de decisões;

c) As variáveis direccionais, que são aquelas que tem a ver com o sentido e o destino último
de toda a dinâmica em curso ; logo com definição dos beneficiários que hão de estar
especialmente em vista.

Jaguaribe observa que as variáveis operacionais é que determinam os “aspectos mecánicos” ou


estágio de modernização da formação social , ou seja , o grau de eficiência ou concretização do
sistema no esforço dispendido.

As variáveis participacionais levam em conta os consensos e compromissos estabelecidos, a


legitimidade das decisões tomadas, o nível alcançado de mobilização geral.

Um desenvolvimento assim exige também alterações de fundo da estrutura-base das formações,


mas feitas com a cooperação das pessoas interessadas no processo. Assim, pode-se designar de
estrutural personalísta. Ao contrário daquele que é inspiração marxista, o desenvolvimento não
aparece imposto pelas forças da história, como fruto da dialéctica dos contrários, más como algo

20
concebido, realizado e virado para o colectivo geral. O seu grande e único fim é o homem-pessoa-
e-senhor-do-seu-destino, capaz de perceber que as transformações dos modos de produção são
realmente importantes, mas que não bastam por si próprias para libertar esse homem de todos os
males do mundo.

21
4.3 PERSPECTIVA DOS MEIOS DE VIDA
A perspectiva meios de vida envolve diversas acepções designadas, estrutura de meios de vida
sustentáveis, sustainable livelihoods Framework . O seu uso revela-se adequado pelo método
participativo nas acções de combate á pobreza. Envolve discussões construtivas com os parcéiros
no sentido de encontrar os factores que perpectuam a pobreza e, a sua análise requer habilidade e
rigor em ciências sociais.

Fig 1: Estrutura de meios de vida sustentáveis Adaptado pelo autor a partir de :


livelihoods@[Link] April (1999)

A estrutura a cima, fig1é considerada um instrumento versátil para a gestão e planificação, isto é,
confere as bases para análise e clarifica os diversos factores que afectam os meios de vida,
conforme a descrição a baixo.

22
4.3.1 DESCRIÇÃO DA ESTRUTURA DE MEIOS DE VIDA SUSTENTÁVEIS

[Link] CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE: ( shoques, tendências e flutuações),


A extensão, até a qual os bens das pessoas podem ser acumulados, balanceados e a forma como
contribuem para os seus meios de vida, dependem de um conjunto de factores externos quealteram
as capacidades das pessoas de ganhar a vida. Alguns destes factores vão estar para além do seu
controlo e podem exercer uma influência negativa .
Este contexto, deve ser compreendido, o mais breve possível, para se desenharem estratégias
formas de mitigar os seus efeitos. Existem três tipos : choques, tendências e sazonalidades.

[Link] POLÍTICAS , INSTITUIÇÕES E PROCESSOS (PIPS)


Para além dos factores que determinam o contexto de vulnerabilidade , exise uma gama de PIPs,
desenhados para influenciar as pessoas e a forma como ganham a vida. Se forem bem feitas, estas
influências na sociedade tem efeitos positivos. Contudo dependendo do propósito original,
algumas pessoas podem ser afectadas negativamente.

As PIPs, dentro da ferramenta ou estrutura dos meios de vida, são importantes instituições,
organizações políticas e legislativas que moldam os meios de vida. Operam a todos os níveis, do
familiar, ao internacional, funcionam em todas as esferas das privadas às públicas. Determinam
o acesso , termos de troca e retornos. Para alem disso, eles tem um impacto directo nos sentimentos
das pessoas, de inclusão e bem estar pela inclusão de: Políticas, legislação, impostos e incentivos,
instituições e culturas.

[Link] ESTRATÉGIAS:

Podem ser encontradas três tipos de estratégias , as baseadas nos recursos naturais sobre as quais
a maioria da população rural planeia a forma de ganhar a vida, baseadas directamente nos
recursos naturais á sua volta, exemplo: Agricultura, pesca e caça.,

Estratégias não baseiadas nos recursos naturais: Onde alguns habitantes rurais, e a maior parte
das pessoas urbanas tem optado para ganhar a vida, baseam-se em recursos criados que vão desde
a mendicidade , trabalhos sociais, trabalhadores governamentais ou ainda nas lojas, entre outras.
e,

23
Migrações: Esta estratégia é adoptada na ausência de oportunidades apropriadas para as pessoas
ganharem a vida, assim uma terceira opção pode ser a de migrar da área para um local onde
possam ganhar a vida. Os exemplos de migrações variam de tribos nómados aos académicos
expatriados. A migração pode ser sazonal ou Straddling onde diferentes membros da família
vivem e trabalham temporariamente em locais diferentes, por exemplo a migração sazonal ou
permanente.

[Link] RESULTADOS
Os resultados ( realizações, indicadores e progresso) dos meios de vida reflectem pela:

 Melhoria da segurança alimentar : requisito básico para qualquer meio de vida, bem estar
aumentado;

 Bem estar aumentado : Um sentimento de bem estar físico mental e espiritual;

 Vulnerabilidade reduzida: Pela redução dos efeitos de vários factores

 Uso sustentável dos recursos naturais: Muitos meios de vida dependem de recursos
naturais daí a importãncia de muitas estratégias tomar em consideração o uso sustentável.

[Link] ACTIVOS DE CAPITAL


Quando se está perante um contexto de vulnerabilidade, avalia-se os activos existentes, os
resultados que se esperam e as estratégias a adoptar para atingir esses resultados, todavia os
activos de capital serão descritos no capítulo VI no que respeita a descrição e bases para escolha
dos indicadores de avaliação dado que constituem a base da presente dissertação.

A perspectiva assumiu posição central no debate e pensamento do desenvolvimento rural na última


década, disseminando-se para além das fronteiras europeias, tornando-se vital para a compreensão
da realidade rural dos países mais pobres ou seja um olhar para um mundo real para tentar
compreender os eventos a partir da perspectiva local Scoones, (2009). Para este os Livelihoods
agrupam perspectivas diversas permitindo um diálogo disciplinar e profissional múltiplo e
providencia uma função institucional de transição, conectando pessoas, profissões e práticas em
novos horizontes.

24
Scoones (2009) a despeito das reivindicações genealógicas, sustenta que a perspectiva livelihoods
não surgiu subitamente em 1992, apartir da influência de Chambers e Conway. Estaria alias, nem
além disso , presente numa rica e importante história que remonta dos anos 1950, ou mais onde
uma perspectiva livelihoods transdisciplinar influenciou profundamente o pensamento e prática
de desenvolvimento rural.

Haan(2000) avança mais ainda no tempo e atribui a primeira versão do que hoje seria a
perspectiva livelihoods à noção de genre de vie introduzida por Vidal de La Blanche.

No período após IIª guerra mundial o conceito desapareceu dos estudos e pesquisas geográficas
pela não proximidade com o pensamento vigente na época dominada pelas abordagens de
dependência e neo-marxístas. Prevalecem neste período, as teorias modernizantes e perspectivas
mais monodisciplinares, onde as políticas são amplamente influenciadas pelos economistas do
que generalista do desenvolvimento rural e administradores de base do passado HAAN,
ZOOMERSA,(2005); SCOONES, (2009).

Dessa forma , as fontes alternativas do conhecimento das ciências sociais foram postas de lado ,
em particular a transdisciplinar perspectiva dos meios de vida, como foi a noção de genre de vie.

Até ao início dos anos 1980, quando a perspectiva estruturalista entrou em crise, houve
necessidade de se encontrar uma ferramenta pós marxísta, algumas abordagens como village
studies , análises de género e ecomomia doméstica , sistemas de pesquisa da agricultura, análises
de ecossistema, avaliações participativas, estudos de mudanças sócio ambientais, ecologia política
e estudos de sustentabilidade e resiliência ofereceram diversas perspectivas na forma complexa
como os meios de vida interconectam-se com os processos políticos, económicos e ambientais
apartir de uma vasta amplitude de abordagens Scoones, (2009).

Superada a trânsição dos anos 1980, a chamada abordagem orientada ao actor ressurge nos
estudos sobre o desenvolvimento, e chega aos anos 1990 constituindo a actual abordagem dos
meios de vida PERONDI,( 2007).

O marco considerado moderno no estudo dos Livelihoods é o propósto por Chambers e Conway
(1992), o segundo é complementado por Ellis, (2000) o qual sintetiza que compreender os activos
nomeadamente: capital (humano, social, natural, físico e financéiro) que juntos determinam os
25
ganhos da vida pelos indivíduos ou unidade doméstica. Para estes autores a perspectiva
Livelihoods teria mais força se abordasse a questão de acesso na pobreza e se utilizasse os insights
da sociologia do desenvolvimento e estudo de género e relações. Por fim, um terceiro estágio
conceitual é aprofundado por Scoones e Woolmer (2003) para os quais: uma abordagem dos meios
de vida sustentáveis encorajou uma profunda crítica e reflexão. Isto emerge particularmente da
observância das consequências do esforço do desenvolvimento a partir de um nível micro,
particularidades localizadas nos meios de vida dos mais pobres, para um nível amplo de natureza
institucional e estruturas políticas ao nível do Distrito, Estado, nação e mesmo internacional.

26
CAPÍTULO V

5.1REFERENCIAL TEÓRICO

5.1.1 CONCEITOS OPERACIONAIS


“ACTIVOS” – Recursos de investimento que foram acessados para a construção das estratégias
de reprodução, Bebbington(1999)

ELLIS (2000): Insere o” capital cultural” “ no capital social “ e subdivide “capital produzido” em
“físico” e “financeiro” sendo esta a forma como se apresenta o questionário

ACTIVOS DE CAPITAL: São recursos de investimento que concorrem para o bem estar quando
acessados pelas unidades familiares, são meios que dão significado ao meio rural e fortalece-lhes
conferindo capacidades de ser e agir, Bebbington, (1999). São igualmente entendidos como
factores determinantes no desenvolvimento sócio económico da agricultura.

Na presente dissertação a sua estrutura é designada pentágono de activos pela possibilidade que
oferece para a recolha de informações, visualização esquemática dos activos existentes nas
comunidades e, por esta via, trazer a consciência as suas interdependências.

O centro do pentágono onde as linhas se interceptam, representa inacessibilidade total aos activos
e, o perímetro exterior representa acesso progressivo. Deste modo, diferentes tipos de pentágono
podem ser esquematizados para diferentes comunidades ou grupos sociais dentro das comunidades
por forma a determinar o acesso aos recursos de investimento ou seja activos de capital.

Carney, (1998) identifica-os como o centro para análise de meios de vida livelihoods, comporta
cinco tipos de capital( humano, social, físico, natural e financéiro) . Meios de vida Livelihoods: é
uma ferramenta analítica utilizada com maior ênfase nos estudos sobre a pobreza rural no mundo,
principalmente em África, explica “como” afinal as pessoas fazem para sobreviver em situações
de risco e ou crises ambientais, sociais ou económicas. o termo livelihoods tem o sentido de
sobrevivência, condições de vida, meios de vida, capacidade de reprodução, referindo-se
especialmente as famílias rurais. Como as Livelihoods são dinâmicas e diferem em função da
composição social, económica e cultural dos diferentes grupos, também podem ser consideradas
trajectórias de reprodução.

27
O sentido do termo (Livelihoods) no dicionário da língua inglesa CAMBRIDGE. (2005, p,744, ) é
“ way someone earns” ou “ como se faz para ganhar a vida “, e também “ a place to live” ou “
lugar onde se vive”, entretanto na tradução de Oxford (2002), por exemplo “livelihoods” é
simplesmente tido como “meio de vida”provavelmente porque o Department For International
Development DFID (1999) tenha traduzido como tal. A abordagem dos meios de vida nasceu a
partir de uma publicação do Institute of Development of Studies IDS (1992) de Gordon Conway
e Robert Chambers, que é ainda considerada uma das abordagens explicativas e um excelente foco
orientador das políticas de desenvolvimento rural.

Sendo a presente dissertação orientada para o desenvolvimento rural, o autor irá sempre se socorrer
da expressão “ meios de vida “ para se referir a “livelihoods”

No contexto da Ferramenta dos meios de vida sustentáveis, sustainable livelihood Framework a


abordagem tem o seu foco na avaliação dos activos de capital (Humano, social, físico, natural e
financéiro) na componente produção de porcos no período de 2010 a 2011.

BEM ESTAR: Segundo Mucavel, bem estar das comunidades éo resultado da transformação
social no meio rural dado que, aumentada a produtividade verificam-se excedentes de produção.
Este excedente aumenta o comércio com outros sectores da economia e contribui em impostos
para o crescimento de outros sectores, o que culmina com a integração de mercados agrários e
não agrários, consequentemente, a industrialização. Para ele, a educação e o desenvolvimento de
infraestruturas aumentam a produtividade da força de trabalho a médio e longo prazo bem como o
desempenho da agricultura no geral onde a maioria das actividades sociais se desenvolvem,
Estabelece-se deste modo, as condições básicas para a transformação da estrutura social
possibilitando igualmente aos produtores familiares a utilização da força de trabalho na produção
de alimentos e outros bens indispensáveis à acumulação de riqueza, redução da pobreza incluindo
o princípio de segurança alimentar nas comunidades, o que proporciona o bem estar nas
comunidades, aferido no estudo em apreço pela disposição do pentágono de activos, que possibilite
a acessibilidade razoável á serviços.

Desmistificando o conceito, significa que, serão cada vez numerosas as propriedades de


agricultores onde algum membro da família terá um emprego extra agrícola ou dedicará algum

28
tempo em actividades não agrícolas, como turísmo, artesanato, a prestação de serviços, entre
outras. Isto coloca em questão a unificação dos mercados de trabalho rural e urbano,
Plugiese(1988) e o desaparecimento de dicotomias entre espaço rural e urbano ao nível do acesso
de bens de consumo de origem industrial, das comunicações, da educação e da cultura. O espaço
rural deixa de ter como função exclusiva a produção agrícola e constitui-se num espaço policêmico
onde coexistem as actividades económicas de natureza diversa como a própria agricultura, o
comércio, o turísmo rural , o ambientalísmo, o lazer entre outros, sem que haja necessariamente,
uma prepoderância em termos de lucratividade. O conjunto dessas actividades tem sido descritas
como” neo-ruralísmo” e “renascimento rural”, Miugioned & Pugliese (1987), Font(1988) e
Kayser(1988,1991).

PRODUÇÃO FAMILIAR: É a produção tradicional totalmente dependente da natureza onde os


animais estão em convívio permanente com a natureza, isto é, não estabulados, é praticada por
meio de métodos e técnicas rudimentares a partir dos hábitos, costumes e representações sociais,
a finalidade da produção tem como prioridade o consumo, trocas comerciais ou venda do
excedente.

“E nesta produção cujo o capital pertence a família e em que a direcção do processo produtivo
está assegurado pelos proprietários, a despeito do tamanho das unidades produtivas e de sua
capacidade geradora de renda. Tem como característica a relação íntima entre o trabalho e a gestão,
a direcção do processo produtivo é conduzido pelos proprietários, utilização do trabalho
assalariado em carácter complementar, tomada de decisão imediata, ligadas ao alto grau de
impresivibilidade do processo produtivo. FAO / INCRA (1994)

COMUNIDADE: Conjunto de grupos esubgrupos de uma mesma classe social, que tem
interresses e preocupações comuns sobre condições de vivência no espaço residencial e que,
dadas as condições fundamentais de existência, tendem a ampliar continuamente o âmbito de
repercussão dos interresses, preocupações e enfrentamentos comuns. Sousa, (1997)

29
5.1.2 CONCEITOS CLÁSSICOS DOS ECONOMÍSTAS
Diferentemente do pensamento vigente na era dominada pelas abordagens neo-marxístas, onde
prevaleciam as teorias modernizantes e perspectivas mais monodisciplinares influenciadas
influenciadas pelos economistas do que generalistas do desenvolvimento rural Haan,
Zoomersa,(2005); Scoones, (2009).

A literatura económica contemporânea reconhece diferentes formas de capital, que em comum


tem a possibilidade de serem acumulados. Muitas formas de capital, também tem características
que permitem que sejam valorizados e transacionados no mercado, ou seja, o mercado determina
o seu preço e a sua disponibilidade.

A teoria do desenvolvimento económico associa a acumulação de capital ao crescimento. Por


exemplo, a não ocorrência de retornos decrescentes no capital social, confere a este, uma
apreciação com o trabalho, não deprecia, portanto, é produzido colectivamente apartir das relações
sociais existentes nas comunidades.

De acordo com Glader, Lubson e Sacerdote,(2002), as bases teóricas para mensuração impírica
dos impactos do capital social são bastante claros, más o mesmo não acontece com a identificação
dosmecanísmos associados a sua criação . Parte da dificuldade é atribuida ao facto de que o
verdadeiro proprietário do capital social não é o indivíduo, más a comunidade, por intermédio da
rede de relações existentes..

Para Samuelson e Nordhaus,(2005) :

ACTIVO: É um bem físico, ou um direito incorpório, que tenha valor económico, são exemplos
importantes os edifícios, o equipamento, a terra, as patentes, os direitos do autor e os instrumentos
financéiros, como dinheiro ou obrigações. Estes subdividem-os em activos corpóreos e
financéiros.

CAPITAL: Na teoria económica , um dos três factores produtivos ( terra, trabalho e capital). O
capital consiste nos bens produzidos duráveis que são por sua vez utilizados na produção. Em
contabilidade e finanças, Capital significa o montante total de dinheiro subscrito pelos accionístas
de uma sociedade anónima, em troca do qual recebem acções do capital da sociedade. É também
designado por bens de capital.
30
5.1.3 ABORDAGEM BEBBINGTON
Consubstanciado na abordagem de Anthony Bebbington como seu referencial teórico, o autor faz
alusão a estrutura construída por Bebbington, (1999) para análise da relação entre os meios de
vida e a pobreza rural, a partir de três pontos, nomeadamente:

 Considera que os meios de vida rural são dependentes do acesso a cinco activos de capital,
que são: o capital natural, o capital produzido, o capital social, o capital humano e o capital
cultural;

 Entende que, esses activos de capital são recursos que concorrem para o bem estar das
unidades familiares, são meios que dão significado ao seu mundo e fortalece-lhes
conferindo “capacidades” de ser e agir;

 Acrescenta que , mais importante que recursos, é o acesso a estes, que é fundamental. Esse
acesso se da essencialmente por meio do capital social estabelecido com os actores do
mercado, sociedade civil e Estado. Desse modo o capital social se revela como o de maior
relevância para a sustentabilidade dos meios de vida.

Contrariando e confrontando as abordagens que advogam a centralidade dos recursos naturais ou


de estratégias focadas exclusivamente na agricultura para as unidades familiares, Bebbington
,(1999) aponta que os meios de vida são dependentes de cinco activos de capital. Esta afirmação
vai ao encontro dos debates da década 1990 em torno das noções de pluriactividade e
multifuncionalidade da agricultura que argumentam que a reprodução social das unidades
familiares está assente num conjunto de activos, não sendo suficiente avaliar a viabilidade dos
estabelecimentos rurais apenas do ponto de vista de produção agrícola. Carneiro e Maluf, (2003);
Schneider, (3003) Granziano da Silva (1999); Carneiro, (1998). Para Bebbington at al ,(2000,
2004), os activos de capital são entendidos simultaneamente como inputs e outputs e podem ser
classificados em:

a) Capital natural: refere-se a qualidade e quantidade dos recursos naturais que as


unidades familiares podem acessar, como a terra, disponibilidade e qualidade de agua,
biodiversidade entre outras;

31
b) Capital produzido: envolve recursos materiais tanto para o uso produtivo como para o
uso doméstico ( máquinas, equipamentos, instalações, insumos, móveis,
electrodomésticos entre outros; recursos financeiros ( linhas de crédito, condições de
financiamento e recursos tecnológicos;

c) Capital social : Existência de normas de confiança e de reciprocidade entre os


membros de uma comunidade e criação de rede de coesão e de solidariedade dentro
dela Delgado,(2001) que favorecem a participação em organizações, segundo o tipo
(económicas, políticas, recreativas, lazer) e a escala ( local, regional, nacional /
internacional;

d) Capital cultural: refere-se aos recursos , valores e símbolos culturais dos grupos sociais
que contribuem para suster formas de identidade, tradições e padrões de interacções,
origens (étnicas, religiosas) tradições, crenças e costumes;

e) Capital humano: diz respeito aos activos que as pessoas possuem como consequência
das características próprias da sua condição humana, exemplo: conhecimentos, grau
de escolaridade, saúde, habilidade atitude, entre outras.

O conjunto de activos disponíveis varia no tempo, espaço e entre grupos , porém nem todos são
usados em simultâneo pelas unidades familiares , alguns podem até ser prejudicados ou
sacrificados em detrimento doutros, como é o caso de alguns investimentos de capital produzido
que podem ter influencia negativa no capital natural.

Ainda refere que, é preciso construir uma ferramenta que contempla “noções de pobreza e de
meios de vida centradas nos actores”ë necessário compreender o modo como as pessoas tratam a
pobreza e a “capacidade “que possuem , tanto para melhorarem a sua qualidade de vida como para
confrontarem as condições sociais que produzem a pobreza, Nesse sentido, os activos de capital
devem ser concebidos como meios através dos quais as pessoas ganham a vida , recursos que dão
significado ao mundo das pessoas, elementos que dão a “ capacidade” as pessoas de ser e agir.

Ainda no contexto do referencial teórico recorri a captação de outras abordagens que


complementam o enfoque de bebbington como Sen (2000,1999) que diz que, o mais frequente é
relacionar a pobreza com insuficiência de renda, contudo vários estudos apontam também para
32
dificuldades de acesso, falta de terra, falta de dinheiro para aquisição de instrumentos de trabalho
e insumos, a dificuldade ou não de acesso ao crédito, a elevada taxa de analfabetismo, o baixo
nível de escolaridade, entre outros aspectos como factores causadores e ao mesmo tempo
expressões da pobreza.

Para os pequenos produtores familiares, a residência rural e a relação com a terra constituem
importantes dimensões da sua identidade e podem ser determinantes críticos no sentido de se
autodefinirem pobres ou não. Essas práticas culturais dão sentido de identidade, pertença,
confiança e definem formas de interacção e padrões de comportamentos , dimensões relevantes a
serem considerados nos projectos de desenvolvimento . para que a noção da pobreza utilizada
não fique tão divorciada das concepções das famílias rurais Bebbington, (1999). Ainda na mesma
esfera, as escolhas de actores “dependem do que o desenvolvimento, pobreza e meios de vida
significam para eles, bem como as restrições sob as quais eles tomam suas decisões e das relações
de poder envolvidas” logo, é mister ao se tratar de desenvolvimento local, considerar como e quais
os activos activos são convertidos em renda e bem estar material, como também o que esses
activos significam no mundo das famílias.

Esse output na forma de “saber quem se é “ é também empoderador e capacitador. Segundo


Bebbington (1999), o capital cultural é uma fonte de poder e empoderamento ao exprimir a
possibilidade de os actores sociais constituírem formas de acção e resistência colectiva, o que,
talvez outros tipos de capital individualmente não tornariam possível. O empoderamento, como
menciona Romano (2002) significa colocar as pessoas e o poder no centro dos processos de
desenvolvimento : trata-se de um “ processo pelo qual as pessoas , organizações, comunidades
assumem o controle do seu próprio desejo, da sua própria vida e tomam consciência da sua
habilidade e competência para produzir , criar e gerir “. Nesse sentido, a pobreza, pode ser
interpretada como um estado de desempoderamento, na medida em que os grupos sociais não
tem poder suficiente para melhorarem suas condições nas relações de poder em que estão
inseridos, Romano (2002). Nessas circunstancias pelo seu potencial aglutinador, o capital cultural
pode transformar-se em importante instrumento para inverter ou mesmo reduzir tais situações.

Atendendo igualmente que no meio rural, local onde ocorreu o presente estudo há uma confluência
de categorias sociais e uma mobilidade quase que estanque se comparado com o meio urbano
33
onde a dinámica de classes é bastante notória, justifica em parte o recurso Bebbington pela forma
como trata em particular o capital cultural.

Por fím é mister considerar os activos de capital como fomentadores de “capacidades” nas pessoas.
Bebbington sintetiza esta afirmação a partir da “abordagem das capacitações “ de Amartya Sen.
Para este autor, “capacidade de uma pessoa consiste nas combinações alternativas de
funcionamentos , cuja realização é factível por ela” Sen,(2000). Expãnção das capacidades
significa ampliar as possibilidades de os indivíduos ou grupos se tornarem actores e agirem
segundo suas concepções. As capacidades habilitam as pessoas para serem agentes de mudanças
e alterarem as regras do jogo do desenvolvimento. Nesse sentido os activos de capital tornam-se a
base do agente para agir e ou para reproduzir, desafiar, propor ou mudar as regras que governam
o controle, o uso e a transformação e a transformação dos recursos Bebbington, (1999).

Muitas unidades familiares podem optar por determinadas trajectórias de reprodução por não terem
ciência de outras possibilidades ou por não terem conhecimento ou clareza dos constrangimentos
que as impedem de evidenciarem a existência e ou seguir outras possibilidades. Assim, é
importante dar liberdade aos grupos sociais para escolherem seus meios de vida e o modo como
querem viver, Todavia também é relevante capacita-los para que reavaliem suas percepções de
pobreza e desenvolvimento.

34
CAPÍTULO VI

6.1 DESCRIÇÃO DOS INDICADORES DE AVALIAÇÃO E BASES PARA SUA


ESCOLHA.

6.1.1 CAPITAL HUMANO


Este indicador representa conhecimentos, experiência , habilidades para o trabalho dos produtores
de porcos, nível de escolaridade, capacitações, condições de saúde e nutrição que conjugados
procuram diferentes estratégias para alcançar o meio de vida, o nível de capital humano do
agregado familiar é um factor aglutinador de disponibilidade de mão de obra qualificada, variando
de acordo com o tamanho da família, nível de experiência, estado de saúde entre outras. O capital
humano surge na ferramenta dos meios de vida sustentáveis ( livelihood Framework) como recurso
ou meio para o alcance dos resultados dos meios de vida. A sua acumulação pode ser um fim por
sisó.

Diversas publicações apontam para doenças e baixo nível de instrução escolar como dimensões
básicas que originam a pobreza, sendo que a sua superação, constitue um dos objectivos
primários. O capital humano apresenta um valor intrínsico na operacionalização dos outros quatro
tipos de capital.

6.1.2 CAPITAL SOCIAL


Representa a existência de redes sociais, normas de confiança e de reciprocidade entre os membros
de uma comunidade e a criação de redes de coesão e de solidariedade dentro dela
Delgado,(2001) que favorecem a participação em organização segundo o tipo (económicas,
representativas, políticas, recreação / lazer) percepção mútua e acesso as instituições. De todos os
cinco capitais, o social está intimamente conectado a transformação de estruturas e processos .

O capital social explica a diferença regional, regiões que tradicionalmente apresentam vínculos
cívicos horizontais oferecem níveis de desempenho económico e institucional mais elevados que
naqueles onde as relções sociais e políticas estruturam-se verticalmente.

A existencia de capital social ao nível local pode auxiliar na defesa dos recursos colectivos e
privados, contribuir para o uso mais eficiente dos recursos na medida em que fomenta acções

35
coordenadas e coopera no acesso a outos activos, casos de capital capital financéiro, por exemplo,
em forma de crédito rotativo.

A existência de capital social ao nível regional, interliga organizações regionais com outros
actores da sociedade civil e do estado e pode dificultar que actores externos os recursos, pode
facilitar o acesso a outros tipos de capitais ( saude, educação, entre outros) através da possibilidade
de participação em certos foros definidores de regras e tomadores de decisão na sociedade civil
e no estado.

Ao nível nacional, organizações regionais e nacionais interligadas com instituições


governamentais e a população rural podem colectivamente influenciar as regras que governam a
distribuição do investimento público e uso de capitais.

O capital social “capacita” os actores para colocarem o desenvolvimento a seu favor é importante
por causa do seu valor intrínsico, pois aumenta o bem estar, facilita a geração de outro capital e
serve para gerar a estrutura da sociedade em geral, sob o ponto de vista cultural, religioso, político
entre outras normas de comportamento

6.1.3 CAPITAL FÍSICO


Deriva dos recursos produzidos pelas pessoas, inclui infra-estruturas básicas na produção e
produtividade de porcos: existência de estradas, tipo e sua transitabilidade, electricidade, serviços
de telefonia, abrigo/ estábulo / curral; fornecimento de agua e saneamento do meio.

É constituido de bens de produção, serviços e bens de consumo que estão disponíveis para as
pessoas usarem

6.1.4 CAPITAL NATURAL


É o termo usado para os recursos naturais como terra, ar, agua, floresta e fauna, a biodiversidade
bem como a Influência positiva ou negativa de recursos naturais, a rotação de nutrientes e
protecção contra erosão

Dentro da ferramenta dos meios de vida, a relação entre o capital natural e o contexto da
vulnerabilidade é particularmente próxima. Muitos choques que devastam o meio de vida dos
pequenos pobres são do tipo natural que se destroem mutuamente, exemplo: As queimadas que

36
destroem as florestas, cheias e ciclones que destroem plantações bem como a estacionalidade das
chuvas

O capital natural pode ser medido em termos quantitatívos e qualitativos (diversidade Fertilidade).
É importante pelos seus benefícios ambientaistal como constitui a base essencial de muitas
economias rurais ao providenciar comida, material de construção e forragem.

6.1.5 CAPITAL FINANCÉIRO


É a parte específica dos recursos cria dos , compreende finanças que estão disponíveis para as
pessoas na forma de salários, poupanças, ofertas de crédito, transfeência de dinheiro ou pensões.
É muitas vezes, por definição, o bem limitado das pessoas pobres, apesar de poder ser o mais
importante põis pode ser utilizado para comprar outros tipos de capital e pode ter boa ou má
influência sobre outras pessoas.

Há dois tipos de activo financeiro:

Disponibilidade de stocks: Poupança é o tipo preferencial de capital financeiro porque não


comporta dívidas. Pode ser de diversas formas nomeadamente em dinheiro, depósitos, fontes de
rendimento, rendas, linhas de crédito ou pensões, fazenda e pedras preciosa

Instituições de crédito: recursos financeiros podem ser obtidos também a partir de empréstimos
nas instituições de crédito ou ainda entre famílias.

6.2 BASES PARA A ESCOLHA DOS INDICADORES


Os activos de capital constituem a base do poder do agente para reproduzir, desafiar, propor ou
mudar as regras que governam o controle, o uso e a transformação dos recursos, Bebbington
(1999)

A opção pelo pentágono de activos de capital circunscreve-se na convicção de que, obtida a sua
configuração e interpretação, pode constituir uma agenda para sua discussão no sentido de se
encontrar um ponto de partida para a projecção de acções de intervênção, comparação e troca
deactivos entre diferentes grupos sociais bem como para esboçar acções de mitigação e alívio a
pobreza.

37
O centro do pentágono onde as linhas se intercetam, representa zero ou nenhum acesso aos activos,
e a medida que se afasta do centro implica acesso mínimo ou máximo aos recursos. Os activos
de capital enquanto meios de “ganhar a vida” são a versão mais conhecida no debate sobre
pobreza, Sen (2000,1999), conforme a fig2 que representa a estrutura típica de acessibilidade
razoavel de activos ( pentágono de activos).

Fig 2: Estrutura típica de acessibilidade razoável de activos (pentágono de activos)

38
CAPITULO VII

7.1 RESULTADOS DO INQUÉRITO

7.1. 1 CAPITAL HUMANO


Em relação ao capital humano verifica-se um fraco nível de educação dos membros dos agregados
familiares em idade economicamente activa, com maior destaque para as mulheres, a taxa de
analfabetização na ordem de 30% , isto é apenas apenas 6.7% dos inqueridos frequentou com
sucesso o ensino básico.

Os mesmos mostraram fraco conhecimento e habilidade para práticas de produção sustentável do


seu meio de vida, optando pela formas reproduzidas socialmente, nota se no seio da comunidade
a existência da informação sobre uma das razões das perdas cíclicas da produção todavia a
inexistência de extensionístas tem dificultado a adopção de formas sustentáveis de produção

Notou-se igualmente que não há nenhuma atitude perante a informação da existência de doenças
porque muitos dos inqueridos advogam a mudança do tempo e não as práticas sociais , entre elas
o confinamento parcial de animais, ignorando que , este facto por sí só constitui um foco de
propagação de doenças.

Olhando para a finalidade da produção onde 97.8 % dos inqueridos responderam que destinava-se
a venda, fica cada vez mais claro que para estas comunidades a criação de porcos constitui a maior
transação comercial, seu meio de vida sobre o qual assenta o bem estar social, e reflecte tanto as
suas aspirações de longo prazo, como as imediatas nomeadamente o pagamento das despesas
escolares e serviços de saúde.

7.1.2 CAPITAL SOCIAL


O levantamento efectuado neste prisma mostra a inexistência de redes sociais que contribuam para
o meio de vida das comunidades todavia há uma ligação com os vendedores de porcos que não
conferem nenhuma base de confiança aos pequenos produtores. Os PPs na sua maioria sentem-se
explorados na sua relação comercial, isolados e estagnados a espera de quem consiga alcança-los
num miasma sufocante de círculos viciosos.

39
Fraca cobertura de serviços de extensão, o que não permite que as comunidades, agregados
possam desenvolver aptidões para explorar o potencial produtivo do distrito.

Todavia há dimensões sociais que são valorizados e entendidos como sinónimo de riqueza e bem
estar, nomeadamente a criação de porcos que proporciona uma estabilidade social das famílias,
constituição da família, ter machamba e filhos que podem constituir um ponto de entrada nas
acções de intervenção

7.1.3 CAPITAL FÍSICO


Nota-se uma precariedade acentuada e franco nível de desenvolvimento das infra-estruturas desde
as condições necessárias para uma criação saudável dos porcos, meio de vida das comunidades,
inacessibilidade das vias que culmina com o isolamento da maioria dos pequenos criadores devido
a questões de intransitabilidade , ausência de meios de comunicação, precárias condições de
habitação, o recurso a lenha único meio para iluminar e confeccionar refeições o que atenta para o
uso insustentável dos recursos florestais , ausência de instalações apropriadas para o
manuseamento e tratamento da produção o que culmina com contaminações progressivas, redes
de comercialização inadequada, gasta-se muito tempo a busca de mercado, carregamento de agua,
corte de lenha do que em actividades produtivas.

7.1.4 CAPITAL NATURAL


Oferece condições para a sustentabilizaçào do meio de vida embora se verifiquem fenómenos de
seca e estiagem, há disponibilidade de terra, agua, forragem sem conflitos aparentes.

A relação com a terra constituem igualmente importantes dimensões da identidade dos produtores
e auto afirma-se ricos.

7.1.5 CAPITAL FINANCÉIRO


Nestas comunidades foi notório que a maioria tem o porco como fonte de rendimento, todavia
verifica-se uma inexistência bem como debilidade de instituições de promoção económica ao
nível da base, aliado a insuficiência de “instrumentos concretos” de viabilização da produção
considerada como proporcionadora de lucros. Os rendimentos provenientes da actividade são
aplicados na formação da família, reabilitações dos locais de residencia bem como trocas
comerciais para garantir o auto sustento.
40
7.2 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DA AVALIAÇÃO.

7.2.1 ANÁLISE DE TABELAS


Tendo em conta o problema da dificuldade de acesso e combinação de activos de capital dos PPP,
foram cruzadas quatro variáveis diferentes do capital social, uma de cada vez, com outras de
diversos capitais por forma a aferir o problema nas suas diversas vertentes, se não vejamos:

Em relação a variável extraída do capital social constante nas tabelas da pág54 com a questão
centrada no seguinte: Criar porcos representa o bem estar social ?

Do universo dos inqueridos em número de 133, a maioria numa média de 82.6% dos PPP admite
que a actividade constitua uma dimensão do bem estar social uma vez que cruzada com a variável
acesso a saúde, no que tange ao acesso á saúde 64.5% afirma que a actividade proporciona o
acesso e construção do capital humano, com a variável pagamento das taxas escolares 95.5%
assegurou que a actividade confere um cash flow ou por outra um Banco móvel para o pagamento
das despesas correntes , isto no concernente ao capital financeiro com reflexo directo no capital
físico sobretudo na variável tipo de paredes , onde 78.8% admite que a actividade proporciona o
bem estar pela melhoria do seu estado habitacional.

Relativamente a outra variável, também extraída do capital social e constante das tabelas da pág55
com a questão centrada na seguinte pergunta: Coordena a criação de porcos com outros criadores

Foi notório que há dificuldades na coordenação uma vez que do universo dos 134 inqueridos
apenas 24 responderam positivamente e os restantes em número de 110 afirmaram que não havia
nenhuma espécie de coordenação e, a ausência destas relações reduzem o acesso ao capital
financeiro tal como se pode depreender ao analisar a variável credito, 93.9% dos inqueridos não
consegue crédito devido as dificuldades de acesso e combinação do capital social e humano, a
saber o acesso á recursos nesta esfera é mediado pelas relações sociais estabelecidas com outros
actores, o que tornaria possível as acções coordenadas.

Adiante, cruzada com frequência escolar da variável do capital humano, nota-se que 89.6% dos
inqueridos embora não privilegie acções coordenadas tem consciência da necessidade de levar
os filhos á frequentar a escola como forma de conferir-lhes conhecimentos e habilidades da vida
pelo reinvestimento dos rendimentos da produção.
41
Ao analisar a variável social que questiona se as redes sociais existentes contribuem para a criação
de porcos, seu meio de vida, constata-se que a maioria em media 101 do universo dos inqueridos
aponta para a inexistência instituições que fortaleçam o meio de vida dos PPP, a mesma questão
cruzada com ao variável do capital humano que questiona se nestas circunstâncias os PPs
conseguem pagar pelos serviços de saúde. Da resposta pode se aferir a partir das tabelas da pág56
que, a despeito da inexistência de oportunidades de âmbito social, existe uma consciência no seio
das comunidades dos benefícios que a saúde lhes proporciona pela sua disponibilidade para o
trabalho bem como pela relação directa entre o estado de saúde e o rendimento pelo que 95.5%
paga pelos mesmos.

A mesma variável social cruzada com a do capital físico no que refere a transitabilidade das vias
ao longo do ano, torna evidente que a não contribuição pelas redes sociais para a fortificação do
meio de vida dificulta a integração das áreas remotas onde se encontra a maioria dos PPs devido
a precariedade das infra-estruturas de transporte, facto demonstrado pela diferença mínima nas
resposta dos inqueridos, onde 74 dizem sim e 59 não a questão da transitabilidade.

A outra consequência directa é a formação de ilhas que não permitem o intercâmbio e troca de
experiência, vivendo cada localidade o seu drama.

Por último, analisando as tabelas pág56-57 onde se avalia de forma cruzada a variável do capital
social pela questão, criar porcos representa riqueza para a comunidade? Pode-se constatar que dos
134 inqueridos , a maioria em número de 129 considera que criar porcos representa riqueza, na
mesma análise pode-se notar que o capital natural na variável posse de terra sob gestão privada,
a maioria detém a posse o que significa que a residência rural e posse de terra constituem
igualmente importantes dimensões da sua identidade de pertencimento, confiança bem como para
se definirem ricos.

De igual modo, cruzada com a variável do capital financeiro pode-se aferir que o investimento
gera lucros conforme indicam os resultados do inquérito onde 98.5% responderam
afirmativamente. Todavia verifica-se insuficiência de conhecimentos e habilidades requeridas
para uma exploração sustentável uma vez que, do total dos inqueridos, apenas nove
frequentaram com sucesso o nível básico o que representa 6.7%. A bicicleta representa de igual

42
modo riqueza para esta comunidade e principal meio de transporte de pessoas e para o escoamento
da produção.

7.2.2 ANÁLISE DE FIGURAS


Partindo do pressuposto de que, a fig2na pag37 apresenta umaEstrutura típica de acessibilidade
razoável de activos, a comunidade do distrito de Angónia apresenta uma estrutura atípica,
conforme ilustra a fig3a baixo indicada com um declínio no activo físico e humano, um acesso
limitado ao capital social e o capital financeiro também esta a decrescer.

Fig 3 : Imagem da disposição de pentágono de activos de capital no distrito de Angónia.

O acesso limitado ao capital social que caracteriza esta comunidade, reduz não só a capacidade
de formar grupos de trabalho, associações ou redes que possam interceder ou criar a conectividade
junto as instituições locais, regionais ou internacionais com vista a fortalecer o acesso ao capital
financeiro através de grupos orientados em esquemas de micro-finanças, que por sua vez,
também ajudam na construção e estabilização do capital social, como na promoção de habilidades
por via de treinamento ( capital humano).

7.3 ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA


Em resultado da disposição do pentágono de activos de capital, as comunidades tem adoptado
estratégias diversas, embora a partida não sejam de grosso modo consideradas sustentáveis, se
não vejamos:

7.3.1 BASEADAS NOS RECURSOS NATURAIS


Pratica a agricultura de subsistência;

Cultivo da cultura de rendimento, o tabaco;

43
Devastação da floresta como único recurso para a energia das unidades familiares, bem como para
a construção da maioria das habitações e currais;

Suplementação de porcos com recurso a forragem ou simplesmente capim.

7.3.2 NÃO BASEADAS NOS RECURSOS NATURAIS


A práctica de dias de mercado ou feiras de troca e comercialização de produtos diversos,

Venda de carne de animais mortos ou abatidos por suspeitar doença, uma das estratégias que
propaga o vírus de cisticercosis;

Adopção pela maioria dos PPs da pastagem de porcos na fase de pousio, isto é pós colheita,
estratégia que de igual modo propaga o vírus da cisticercosis e cria conflitos entre os produtores
devido a devastação de culturas

44
CAPÍTULO VIII

8.1 TESTAGEM DAS HIPÓTESES

8.1.1 PRIMEIRA HIPÓTESE


Na projecção de acções de intervênção para diferentes lugares a identificação dos tipos de activos
de capital mais importantes pode contribuir para apropriação das estratégias de
desenvolvimento.

A hipótese, é fundamentada pela necessidade de melhorar a eficácia e a relevância de qualquer


acção de desenvolvimento local, vinca a necessidade de mapeamento prévio dos diferentes activos
de capital que as pessoas precisam para manter e melhorar as suas condições de reprodução, de
modo a intervir sobre as suas possibilidades de acesso, como sobre o volume e a qualidade dos
activos de que dispõem num dado momento. Ao se tratar de investimentos públicos e projectos
de desenvolvimento é fundamental ter uma compreensão clara dos activos mais importantes para
diferentes pessoas e lugares. As unidades familiares devem lançar a mão naquelas estratégias que
sejam mais consistentes com o portefólio de activos que possuem num dado momento A projecção
de acções deve reflectir tanto as suas aspirações de longo prazo como as necessidades imediatas
viáveis dentro das restrições impostas pela económia, maximizando deste modo as vantagens
comparativas.

8.1.2 SEGUNDA HIPÓTESE


Se os produtores familiares forem capazes de melhorar suas condições de reprodução, poderão
identificar e assegurar a oportunidade para a transformação dos activos de capital em
capacidade produtiva.

A hipótese levantada encontra a sua conexão se atendermos que , segundo Durkheim, (1866) na
sua classificação das sociedades a comunidade de Angónia é considerada primitiva caracterizada
pela solidariedade mecánica e consciência colectiva onde a concepção da realidade objectiva
não depende dos sujeitos todavia os precede. Quando os individuos nascem encontram a sociedade
organizada, coercitiva dado que os pressiona a agir de acordo com os valores e normas dos
grupos sociais nos quais estão inseridos.

45
A consciência colectiva exerce sobre os indivíduos uma coerção reforçando hábitos, costumes e
representações sociais, limitando o espaço para melhorar as condições da reprodução e
oportunidade para transformação dos habitos de vida .
No meio rural onde ocorreu a presente pesquisa verifica se uma mobilidade quase que estanque
se comparado com o meio urbano onde a dinámica é bastante notória, de tal ordem que, mostra
se necessária a mudança de paradigma por forma a torna-los agentes de desenvolvimento, ou
por outra, que os indivíduos se tornem agentes da mudança social, se atendermos que, como
humanos estão dotados de capacidade para agir livremente e modificar o futuro pela apreensão
interpretativa do significado ou da conexão do sentido da acção.

8.1.3 TERCEIRA HIPÓTESE


As modificações na estrutura dos activos de capital ( pentágono de activos de capital) podem
contribuir para uma produção sustentável e consequente bem estar das comunidades do Distrito
de Angónia.

A hipótese é fundamentada pelo formato da disposição do pentágono de activos de capital, fig. 3


que apresenta acesso limitado ao capital social , declínio no capital físico e humano, o capital
financeiro também está a decrescer, sendo o acesso ao capital natural, o único que se mostra
razoável.
Esta configuração, fundamenta sobremaneira a necessidade da modificação da estrutura dos
activos dado que, é caracterizada pelas dificuldades de acesso ao crédito, elevada taxa de
analfabetizaçào, baixo nível de escolarização, ausência de redes sociais bem como infra-estruturas
básicas, vulnerabilidade á ocorrência de doenças e insegurança alimentar comprometendo deste
modo o bem estar das comunidades.
Os activos de capital estabelecem relações com as componentes da estrutura dos meios de vida de
seguinte modo:

[Link] ACTIVOS E CONTEXTO DE VULNERABILIDADE


Os activos são destruídos e construídos em resultado da ocorrência de shoques, flutuações ou
tendências.
[Link] ACTIVOS E PIPS ( Políticas instituições e processos)
46
[Link] ACTIVOS E ESTRATÉGIAS

Na projecção de acções de intervenção para diferentes lugares a identificação dos tipos de activos
de capital mais importantes pode contribuir para apropriação das estratégias de desenvolvimento.
[Link] ACTIVOS E RESULTADOS
As estatísticas mostram que a habilidade das pessoas para escapar a pobreza, dependem
criticamente do acesso aos activos, diferentes activos são imprescindíveis para o alcance de
diferentes resultados

47
CAPÍTULO IX

9.1 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

9.1.1 CONCLUSÕES
Construir forma de acesso, torna-se uma questão de primeira ordem para a perspectiva de
desenvolvimento defendida por Bebbington, (1999) referencial teórico do autor, por sua vez
melhorar o acesso a activos remete ao desenvolvimento de capacidades individuais, colectivas e
das estruturas de oportunidade ( contexto social, político, económico) que facilitam ou, no caso
do distrito em estudo constrangem o acesso.

Analisando a configuração do pentágono de activos que esta comunidade apresenta, fig3 napág42
pode se concluir que só o acesso e combinação de activos de capitais irá habilitar a construir e
reproduzir o seu meio de vida.

Pode-se concluir igualmente que as comunidades em Angónia denotam:

 Falta generalizada de conhecimentos básicos sobre a gestão da produção

 Inexistência bem como debilidade de instituição de promoção económica ao nível da base,


bem como insuficiência de “instrumentos concretos” de viabilização da produção;

 Fraca cobertura de serviços de extensão, o que não permite que as comunidades, agregados,
em suma pequenos produtores de porcos possam desenvolver aptidões para explorar o
potencial produtivo do distrito;

 Falta de infra-estruturas comerciais e de processamento;

 Actualmente muito a baixo de 2% de produtores inqueridos beneficiam de serviços de


extensão agrária concedidos pelos serviços de extensão pública;

 O único cenário visível que está a acontecer nesta área é o actual projecto SLIPP, que prevê
na fase posterior uma intervenção na produção de porcos, meio de vida do distrito.

48
 O acesso ao capital natural mostra-se inalterável porém a construção do físico a partir da
combinação do capital social, financeiro, humano pode proporcionar ao distrito um meio
de vida sustentável.

A inadequada acessibilidade das vias de acesso e serviços como fornecimento de agua potável e
energia ameaçam o meio de vida e consequentemente a saúde humana, dado que gastam se longos
períodos de tempo em actividades não produtivas tais como carregamento de agua e lenha para
condicionamento de comida, agravando deste modo os custos de oportunidade associados a
ausência de infra-estruturas básicas

9.1.2 RECOMENDAÇÕES
Para pensar e projectar acções de intervenção, é importante identificar os tipos de activos de
capital mais importantes para diferentes pessoas em diferentes lugares e com estratégias diversas
de reprodução de modo a identificar os investimentos locais mais úteis ou prejudiciais nessas
áreas. Nesse sentido, para melhorar a eficácia e a relevância de qualquer acção de
desenvolvimento, é importante mapear previamente os diferentes activos de que as pessoas ou
famílias precisam para manter e melhorar as suas condições de reprodução, de modo a intervir
sobre as suas possibilidades de acesso, como sobre o volume e a qualidade dos activos de que
já dispõem.

As unidades familiares devem dedicar especial atenção naquelas estratégias que sejam mais
consistentes com o portefólio de activos que possuem num dado momento, que reflitam tanto
suas aspirações de longo prazo, as necessidades imediatas bem como viaveis dentro das
oportunidades e restrições impostas pela economia,

Olhando para a disposição do pentágono de activos deste distrito recomendaria igualmente:

 Elaboração de um pacote de informações práticas tendo em conta o efeito “ tricle down”


que advoga que para países em vias de desenvolvimento, uma educação relevante e de
qualidade para os habitantes de campo nem sempre pode ser um factor determinante
para que os actores locais possam explorar os recursos disponíveis para o seu próprio
proveito e das gerações vindouras

49
 Ajuda e motivação aos pequenos produtores para aderirem aos programas de educação
com vista a adoptarem um modelo seguro e sustentável de produção de porcos;

 Introdução nas escolas primárias de Angónia aspectos que abordem conhecimentos


práticos relevantes sobre o seu meio de vida;

 Introdução de serviços de extensão, inspecção que façam um acompanhamento específico


até ao abate dos animais;

 Divulgação das facilidades que a lei das associações agro-pecuárias concede em termos
de custos e período da aprovação por forma a facilitar as intervenções concretas;

 Disponibilização de serviços bancários, mais concretamente créditos que incentivem a


produção e consequente criação de cadeia de valores;

 Criação de infra-estruturas básicas;

 Adopção de centros de demonstração para a melhoria da saúde e produção dos porcos


junto aos lideres de opinião através de :

 Construção de conhecimento local nos centros pilotos;

 Promoção da assistência veterinária;

 Disponibilização de fármacos mediante os recordes de produção apresentados pelo


PP;

 Por fim a formação de redes de cooperação.

50
ANEXO 4: QUESTIONÁRIO
UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

FACULDADE DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAIS

QUESTIONÁRIO SOBRE AVALIAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS ACTIVOS DE CAPITAL


NA PRODUÇÃO FAMILIAR DE PORCOS E BEM ESTAR DAS COMUNIDADES DO
DISTRITO DE ANGÓNIA , PROVÍNCIA DE TETE

[Link]ção geral

1.1Data da entrevista:..../......./......... dia /mês/ano

1.2 Nr. Do inquérito:………….

1.3 Localidade: …………………………..,…………

1.4 Aldeia:……………………………………………

1.5 Nome do entrevistado :……………………………….

1.6 Nr. da casa : ………………………………………….

2. Capital humano

2.1 Idade [ ] anos

2.2 Sexo : Femenino [ ] Masculino [ ]

2.3 Escolaridade ? Marque com X em baixo do nível correspondente

Sem educação formal Primária 1 grau Primária 2 grau

Secundária geral Pré Universitário Licenciatura

51
2.4 De que forma cria os teus porcos ? (a) confina no curral [ ] (b) Sem curral [ ]

2.5 Qual é a sua ocupação? (a) Agricultor [ ] (b) Empregado [ ] (c) Comerciante[ ]

(d) Conta própria [ ]

2.6 Faz outra actividade que gera rendimento para além de criar porcos?(a) Sim[ ](b) Não [ ]

2.7 Onde mantém os porcos nas diferentes épocas do ano ? Marque com X a prática
correspondente.

Épocas Curral Livres Amarrados Outros


(especifique)

Plantio

Crescimento

Colheita

Pousio

2.8 .Possue terras que podem ser usadas para machamba incluindo quintal? (a) Sim [ ] Não [ ]

2.9 Quem trabalha na machamba?. (a) Marido [ ] (b) Esposa[ ] (c) Filhos[ ] Empregados[ ]

2.10 Produz alguma cultura especificamente para alimentar os porcos? (a) Sim [ ] Não [ ]

2.11 Qual é a finalidade da produção ? (a) consumo[ ] (b) venda[ ] (c) trocas comerciais[ ]

2.9 Exerce uma outra actividade para além da criação de porcos? (a) Sim [ ] Não [ ]

2.10 Tem acesso aos serviços de saúde (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

2.12 Se sim, consegue pagar pelos serviços de saúde (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

2.13 Acha que a criação de porcos é bom negócio ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

52
2.14 A criação de porcos aumenta a renda da família? Sim [ ] (b) Não [ ]

2.15 Tem filhos a estudar ? Sim [ ] (b) Não [ ]

2.16 Paga as despesas escolares? Sim [ ] (b) Não [ ]

3. Capital natural

3.1 Qual é a sua fonte de agua ? (a) Torneira [ ] (b) furo [ ] (c) poço[ ] (d)Rio [ ]

(e)Lagoa[ ]

3.2 A agua é suficiente para o uso doméstico ?(a) Sim [ ] (b) Não [ ]

3.3 Tem acesso a agua para o suplementar os porcos ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

3.4 Caso afirmativo em 3, a mesma é suficiente para cobrir actividades de criação de porcos ?

(a) Sim [ ] (b) Não [ ]

3.5 A agua tem alguma influência positiva na criação suína? (a) Muito pouca [ ] (b) Pouca[ ]

(c) influencia [ ] (d)Alguma influência [ ] (e)muita influência[ ]

3.6 Tem acesso a terra para criação de porcos ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

3.7 Tem terra sob sua gestão privada ?(a) Sim [ ] (b) Não [ ]

3.8 A mesma terá uma influência positiva para produção suína? (a) Muito pouca [ ]

(b) Pouca[ ] (c) influencia [ ] (d)Alguma influência [ ] (e)muita influência[ ]

3.9 Existe algum conflito para o acesso a agua nessa parcela ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

3.10 Existe algum conflito para o acesso e uso da terra ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4. Capital físico

4.1Tem vias de acesso (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4.2 Que tipo de acesso ? (a) Picada [ ] (b) Terra batida (c) asfalto[ ]
53
4.3 A via é transitável ao longo de todo o ano (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4.4 O acesso influencia positivamente na produtividade dos porcos? (a) Muito pouca [ ]

(b) Pouca[ ] (c) influencia [ ] (d)Alguma influência [ ] (e)muita influência[](

4.5 Tem acesso a energia eléctrica ? (a)Sim [ ] (b) Não [ ]

4.6 De que meio de comunicação dispõe? (a)Telemóvel [ ] (b) Rádio [ ] (c)Televisor [ ]

(f) nenhum[ ]

4.7 Qual é o meio de transporte que tem usado ? (a) Bicicleta [ ] (b) Motorizada [ ](c) carro[ ]

(d) Carroça de burros (e ) comboio[ ](f ) nenhum[ ]

4.8 Tem residência própria ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4.9 Qual é a estrutura das paredes? (a) Paus, pedras e barro [ ] (b) Tijolos [ ](c ) Chapas de zinco[
] (d) Paus maticados[ ] (e) capim e estacas[ ]

4.10 Qual é o material de cobertura ? (a ) Chapas de zinco[ ] (b )Estacas e capim[ ]

4.11 A sua casa tem o chão cimentado ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4.12 Como é que fertilizas os solos? (a) Estrume de porcos [ ] (b) Fezes humanas[ ]

(c )Fertilizantes comerciais[ ]

4.13 Tem latrina familiar ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4.14 Qual é a periodicidade das limpezas ? (a) Diária [ ] (b) semanal [ ](c) mensal[ ]

(d) ocasional[ ]

4.15 Usa a latrina diariamente ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4.16 Tem comprado mobília para sua casa ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4.17 Tem comprado utensílios domésticos ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

54
[Link] 2010 produziu o suficiente para o consumo doméstico ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

24. Em 2010 terá investido em rações na criação de porcos ? (a) Sim [ ] (b)

Não [ ]

5. Capital Financeiro

5.1 Qual é a principal fonte de receita do agregado familiar? (a) Venda se porcos [ ]

(b) trocas comerciais [ ] (c) Venda de produtos agrícolas [ ] rendimento laboral[ ]

5.2 Tem alguma conta bancária? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.3 Caso afirmativo em 5.2, consegue contrair algum empréstimo? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.4 Já tem mercado para a sua produção de porcos ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.5 Vende porcos vivos ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.6 Vende carne suína? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.7 O investimento na criação de porcos , traz algum rendimento ? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.8 Usa telemóvel para comunicar com os clientes para aquisição porcos?

(a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.9 Consegue pedir emprestado dinheiro nos outros criadores de porcos? (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.10 Tem curral para os porcos (a) Sim [ ] (b) Não [ ]

5.11 Qual é a estrutura do piso do curral ? (a) Terra[ ] (b) Cimentado [ ]

5.12 Qual é a estrutura da cobertura ? (a) Chapa de zinco[ ](b) Capim [ ](C) outro[ ]

5.13 Tem feito limpeza do curral ? (a) diariamente[ ] (b) semanalmente[ ]

(c) mensalmente[ ](d) no período chuvoso[ ]( e) ocasionalmente[ ] (f ) nunca[ ]

55
5.14 Que benefícios tem a criação de porcos ? enumere em ordem de importância de 1 a 5

(a) construção da casa[ ] (b) Compra de roupa [ ] (c) Construção de casa[ ]

(d) Pagamento de despesas escolares (e ) Aquisição de estrume para agricultura[ ]

5.15 Quais são os problemas que enfrenta na criação de porcos ? enumerar em ordem de
importância de 1 a 5.

(a) Doenças [ ] (b) Mercado[ ] (c) Transporte[ ] (d) Serviços de extensão[ ]

(e ) Falta de dinheiro para investir na criação[ ]

6. Capital social

6.1 O que caracteriza o bem estar na sua comunidade ?

(a) Estar casado [ ] (b) Ter filhos [ ] (c) Ter machambas [ ]

(d) Criar animais[ ], Quais ?................................................................................................

6.2 O que caracteriza riqueza na sua comunidade ? (a) Estar casado [ ] (b) Ter filhos [ ] (c) Ter
machambas [ ] (d) Criar animais[]

Quais ? .............................................................................................................................

6.3 Existe alguma organização, rede social formal/informal que coopera com os criadores de
porcos nesta zona ? a) Sim [ ] (b) Não [ ]

2. Está filiado a alguma dessas redes? a) Sim [ ] (b) Não [ ]

3. As redes sociais existentes contribuem para a melhoria da criação dos porcos?

a) Sim [ ] (b) Não [ ]

4. Tem alguma ligação com comercializadores de porcos?( a) Sim [ ]

(b) Não [ ]

5. Caso afirmativo em 3, estará feliz com a relação comercial estabelecida?


56
a) Sim [ ] (b) Não [ ]

6. Estará feliz com a modalidade de venda estabelecida nesta zona? a) Sim [ ] (b) Não [ ]

7. Conhece alguém dos serviços de extensão rural que possa contacta-lo em caso de ocorrência de
um surto nos porcos? a) Sim [ ] (b) Não [ ]

8. Está a corresponder com as suas expectativas ? a) Sim [ ] (b) Não [ ]

9. Existe algum profissional de saúde que possa contacta-lo em caso de doença que afecte a si ou
a algum membro da família a) Sim [ ] (b) Não [ ]

10. Está a corresponder com as suas expectativas ? a) Sim [ ] (b) Não [ ]

[Link] a sua criação com outros criadores? a) Sim [ ] (b) Não [ ]

57
ANEXO 5: TABELAS

BE_pa gapo * Tem ace sso ao servi ço de sa úde Crossta bul ation

Tem ac ess o ao serviço de s aúde


não sim 11 Total
BE_pagapo Não Count 22 26 0 48
% within BE_pagapo 45,8% 54,2% ,0% 100,0%
Sim Count 23 61 1 85
% within BE_pagapo 27,1% 71,8% 1,2% 100,0%
Total Count 45 87 1 133
% within BE_pagapo 33,8% 65,4% ,8% 100,0%

Tabela 4.1

BE_pa gapo * Paga aa taxa s Crosstabulation

Paga aa taxas
não sim Total
BE_pagapo Não Count 4 42 46
% within BE_pagapo 8,7% 91,3% 100,0%
Sim Count 2 76 78
% within BE_pagapo 2,6% 97,4% 100,0%
Total Count 6 118 124
% within BE_pagapo 4,8% 95,2% 100,0%

Tabela 4.2

58
BE_pa gapo * Usa tijolos pa ra pare des? Crosstabul ation

Us a tijolos para
paredes?
0 1 Total
BE_pagapo Não Count 1 46 47
% within BE_pagapo 2,1% 97,9% 100,0%
Sim Count 27 58 85
% within BE_pagapo 31,8% 68,2% 100,0%
Total Count 28 104 132
% within BE_pagapo 21,2% 78,8% 100,0%

Tabela 4.3

Coord_cria d * Consegue pedir emprestado dinheiro nos outros cria dores?


Crosstabul ation

Consegue pedir
empres tado dinheiro
nos outros criadores ?
Não Sim Total
Coord_criad Não Count 104 1 105
% within Coord_criad 99,0% 1,0% 100,0%
Sim Count 17 7 24
% within Coord_criad 70,8% 29,2% 100,0%
S/ R Count 3 0 3
% within Coord_criad 100,0% ,0% 100,0%
Total Count 124 8 132
% within Coord_criad 93,9% 6,1% 100,0%

Tabela 4.4

59
Coord_cria d * Frequenta a escola Crosstabulation

Frequenta a esc ola


não sim Total
Coord_criad Não Count 9 98 107
% within Coord_criad 8,4% 91,6% 100,0%
Sim Count 4 20 24
% within Coord_criad 16,7% 83,3% 100,0%
S/ R Count 1 2 3
% within Coord_criad 33,3% 66,7% 100,0%
Total Count 14 120 134
% within Coord_criad 10,4% 89,6% 100,0%

Tabela 4.5

Fortale ce * Pa ga Crosstabulati on

Paga Serviç os de
saúde
não sim Total
Redes sociais não Count 6 95 101
Fortalecem? % within Fortalece 5,9% 94,1% 100,0%
sim Count 0 4 4
% within Fortalece ,0% 100,0% 100,0%
s/R Count 0 27 27
% within Fortalece ,0% 100,0% 100,0%
Total Count 6 126 132
% within Fortalece 4,5% 95,5% 100,0%

Tabela 4.6

60
Fortale ce * A via é transitá vel ao l ongo de todo o ano? Crossta bul ation

A via é transitável ao
longo de todo o ano?
não sim Total
Redes sociais não Count 52 48 100
Fortalecem? % within Fortalece 52,0% 48,0% 100,0%
sim Count 2 2 4
% within Fortalece 50,0% 50,0% 100,0%
S/ R Count 5 24 29
% within Fortalece 17,2% 82,8% 100,0%
Total Count 59 74 133
% within Fortalece 44,4% 55,6% 100,0%

Tabela 4.7

R_gapapo * Privada Crosstabulati on

Tem terra Privada?


não sim s/R Total
Porcos representam não Count 0 5 0 5
riqueza? % within R_gapapo ,0% 100,0% ,0% 100,0%
sim Count 4 124 1 129
% within R_gapapo 3,1% 96,1% ,8% 100,0%
Total Count 4 129 1 134
% within R_gapapo 3,0% 96,3% ,7% 100,0%

Tabela 4.8

61
R_gapapo * A inve stim ento na cri ação de porcos traz lucros? Crossta bul ation

A inves timento na
criação de porc os t raz
luc ros?
não sim Total
porcos representam não Count 0 5 5
riqueza? % within R_gapapo ,0% 100,0% 100,0%
sim Count 2 125 127
% within R_gapapo 1,6% 98,4% 100,0%
Total Count 2 130 132
% within R_gapapo 1,5% 98,5% 100,0%

Tabela4.9

R_gapapo * Ní vel de e scol aridade Crossta bula tion

Nível de es colaridade
sem
educaç ão 1º ciclo 2º ciclo secundário Total
Porcos representam não Count 0 0 3 2 5
riqueza? % within R_gapapo ,0% ,0% 60,0% 40,0% 100,0%
sim Count 40 8 74 7 129
% within R_gapapo 31,0% 6,2% 57,4% 5,4% 100,0%
Total Count 40 8 77 9 134
% within R_gapapo 29,9% 6,0% 57,5% 6,7% 100,0%

Tabela 4.10

R_gapapo * Usa bicicl eta com o m eio de transporte? Crosstabulation

Us a bic icleta como


meio de transporte?
não sim Total
Porcos representam não Count 3 2 5
riqueza? % within R_gapapo 60,0% 40,0% 100,0%
sim Count 47 81 128
% within R_gapapo 36,7% 63,3% 100,0%
Total Count 50 83 133
% within R_gapapo 37,6% 62,4% 100,0%

Tabela 4.11

62
ANEXO 6: DOCUMENTO DO PROJECTO

SLIPP BENCHMARK HIGHLIGHTS FOR LIVELIHOOD

MEASUREMENT

1.0 Livelihood: background, definition and concepts

1.1 Why using livelihoods approach in SLIPP

i. It is crucial in providing insights into rural realities on pig enterprises

ii. It will contributes to the design of more realistic and sustainable people-centered pig

improvement activities

iii. It will increase the intervention affects on people’s livelihoods

1.2 Livelihood concepts and definitions

-A livelihood is the set of capabilities, assets, and activities that furnish the means for people to
Meet their basic needs and support their well-being (Carney, 1998)

- Livelihoods are not simply a localized phenomenon, but connected by environmental,


economic,

political and cultural processes to wider national, regional and global arenas

- A livelihood is sustainable when it can cope with and recover from external stresses and Shocks

and maintain or enhance its capabilities and assets now and in the future (Chambers and
Conway, 1992)

- Evaluation of capacity of livelihoods for sustainability involves assessing past conditions and

patterns, current circumstances and future trends.

1.3 Sustainable livelihood approaches/ analysis (SLA)

- SLA has emerged as an alternative way of conceptualizing poverty alleviation, including its

context, objectives and priorities

- It provides a framework for research and policy that takes into account the complex and

multidimensional relationships between the social and physical environments, especially

63
highlighting the vulnerability context in which decisions about livelihood strategies take place

- Analysts increasingly seek to understand what the poor have, rather than what they lack

- Examining the nature of tangible and intangible assets.

- Focusing on how and why people move into and out of poverty.

- Reflecting new questions about vulnerability, capabilities and social capital 1.4 Livelihood
framework

1.3.1 Key features/aspects of the SL Approach

- These are the key features/aspects of the framework for analysing the livelihoods of

individuals and the community. Relationships among different aspects of livelihood framework
are shown in Figure 1.

- However, there is no single SL approach, and flexibility in method is a distinctive feature of SL

[Link] Vulnerability context

- The external environment in which poor people live their lives and which is responsible for
many of their hardships

- External environment includes shocks [sudden onset of natural disasters, conflicts, economic
traumas, health problems and crop or livestock distress), trends (in population, resources, health
problems, the economy or governance) and seasonality (cyclic fluctuations in prices,
production, health and employment)

[Link] Livelihood assets and capabilities

- The resources poor people possess or have access to and use to gain a livelihood

- SLA takes into account the range of tangible and intangible assets/capital necessary to build a
livelihood

- An analysis of assets is a review of what people have (and recognition of what people do not
have) rather than an analysis of needs (Helmore, 1998).

- The asset analysis also considers how access to assets has changed over time, what changes are
predicted, what the causes of changes are and how access and control of assets differs between
social groups (Helmore, 1998)

- Five types of ‘capital’ or “core assets” have been identified (Carney, 1998) (it bears noting that
building a livelihood requires to some extent inclusion of all five)
64
i. Human capital

- Denotes skills, knowledge (labour capacity), good health and ability to work

ii. Social capital

- The social resources upon which people draw in pursuit of livelihoods

- Include formal and informal social relationships

- Examples: networks, membership of groups, relationships of trust, access to wider institutions


of society.

iii. Natural Capital - The natural resource stocks from which resource flows useful for
ivelihoods are derived

- Example: land, water, wildlife, biodiversity and environmental resources

iv. Physical Capital

- Denotes basic infrastructure and production equipment and means that enable people to pursue
their livelihoods.

- Examples: transport, shelter, water, energy and communications

v. Financial Capital

- Referred to the financial resources which are available to people and which provide them with
different livelihood options

- Examples: whether savings, supplies of credit or regular remittances or pensions

[Link] Transforming Structures and Processes

- Refer to the key roles of all levels of government and the private sector in shaping livelihoods

- Access, control and use of assets are influenced by the institutional structures and processes

- An understanding of structures and processes provides the link between the micro (individual,
household, and community) and the macro (regional, government, powerful private enterprise)
(Scoones, 1998, Carney, 1998, Ellis, 2000).

- Such an understanding helps to identify areas where restrictions, barriers, or constraints

occur and explain social process that could affect the livelihood sustainability (Scoones, 1998).

- Examples of transforming structures and processes are laws, policies, societal norms,
65
incentives, institutions, and culture.

[Link] Livelihood Outcomes

- Livelihood outcomes are the results or ‘outcomes’ of the livelihood strategies

- A focus on outcomes leads to a focus on achievements, indicators, and progress.

- Ideally, livelihood incomes would generate more income, increased well-being, reduced

vulnerability, improved food security, and sustained use of natural resources

- An understanding of livelihood outcomes is intended to provide, through a participatory

enquiry, a range of outcomes that will improve well-being and reduce poverty Figure 1:
Sustainable livelihood framework

[Link]. Livelihood strategies

- Depending on the assets people have, the structures and processes that impact on them,
tradition, and the vulnerability context under which they operate, people choose livelihood
strategies that will best provide them with livelihood outcomes

- Livelihood strategies are composed of activities that generate the means of household survival

- Livelihood strategies change as the external environment over which people have little control

changes

Three types of rural livelihood strategies have been identified (Scoones, 1998)

i. Agricultural intensification or extensification

ii. Livelihood diversification including both paid employment and rural enterprises,

iii. Migration (including income generation and remittances)

Note

- Usually, livelihood analysis begins with the taking stock and specifying the key resources
people have at their disposal.

- Resources are a key component of livelihoods. - They may be tangible resources (such as land
or cattle) but many are non-tangible. For examples, one could think about policies or law as
resources around which peoples’ livelihoods revolve.

66
- It is essential to identify these resources in a non-rigid way, particularly as they can have
multiple meanings.

1.4 Important steps of the livelihoods analysis in the context of development programmes
and projects

Step 1: Select the sites where the livelihoods analysis will be undertaken.

Step 2: Put together the team who will carry out the analysis. This involves the selection of team

members who can best meet the demands of the particular [Link] may involve selecting

people with particular Participatory Rural Appraisal and/or Gender Analysis skills. It may
involve identifying people with specific local, content or policy knowledge.

Step 3: Collect secondary data. Once sites have been selected, the collection and summation of

secondary data - information from reports, development plans and census data - will help the
team build up knowledge about the areas in which they will be doing planning. A list of
indicative key questions to help guide secondary data collection as well as the initial assessment
(Step 6), are set out in Annex 3: Key Questions for Sustainable Livelihoods Analysis.

Step 4: Determine entry strategies. Before the team can get started with fieldwork in selected
sites, they will need to develop an entry strategy. This involves identifying who the key

stakeholders are, deciding whom they will speak to, and deciding how to negotiate the planning

process with local people. When the team develops its entry strategy, it might find that an area it

selected is not suitable after all and then it is a case of reconsidering Step 1.

Step 5: Building the team. The team members orient themselves and refresh key fieldwork

principles, behaviours, and approaches.

Step 6: Initial assessment. This is likely to involve a combination of different participatory

methods and activities. These help the team - and participants: Example

- Develop a historical understanding of the area and different forces that have shaped it

- Identify issues of gender, age and power and how these are reflected in local institutional

arrangements

- Discover how local people define well-being/wealth

67
- Understand the range of assets, activities and capabilities that create different livelihood

strategies

- Develop categories of well-being and rank sample households - Assess the key aspects of the
vulnerability context - risks, hazards and trends

- Identify connections between local level issues and factors which affect them that originate in
the broader environment

Step 7: Analysing the information. This is about making sense of the information collected

through different participatory activities. The team brings together secondary data and
information from fieldwork to see key trends and the connections between different issues.

Step 8: Making the linkages (1). Now that the team and local stakeholders have the information

before them, they need to consciously make the connections between local trends and factors in
the broader environment that are influencing them.

Step 9: Reflection, vision and prioritisation. This is about reflecting back and analysing the

information that has been synthesised from fieldwork and secondary data with local people. Who

develops the criteria and indicators that are used to assess the information and prioritise the
issues?

Team members should not substitute their ideas for the analysis of local people. They should also

recognise the limitation of narrow problem-based analysis. Appreciative planning approaches


can enable people to develop a vision, priorities, and ideas about key activities, building on
existing strengths.

Step 10: Activity design and appraisal. This involves carrying forward the analysis, reflection

and prioritisation undertaken in Steps 7-9 above into activity design and appraisal. More

information on the livelihoods situation of households and individuals, through a baseline study

that includes household profiles, can be helpful. Furthermore, this stage will entail more in-depth

information on, and the analysis of, the specific priorities that have been identified. Depending
on these priorities, it might be appropriate at this stage to use other types of analyses or methods,
such as market analysis, gender analysis and environmental analysis.

Step 11: Making the linkages (2). This involves a revisiting of, with local people, the linkages

68
with the wider environment (Step 8). This process may suggest areas for policy reform and

advocacy that can form a separate (but parallel) stream to local-level livelihood activities.

Step 12: Project implementation. Key activity areas are refined with the stakeholders and
detailed activities agreed.

Step 13: Participatory monitoring and evaluation. Data from the baseline livelihoods analysis

and household profiles can provide important information for a monitoring and evaluation

framework. This data enables the team to select indicators that will measure the impacts of the

development activities. 1.6 Key questions for sustainable livelihood analysis in the context of pig
production

i. Livelihood assets

• Human capital

General knowledge and skills of pig keepers; (general literacy level, specific literacy males and
females)

Specific knowledge and skills on the pig production (gender specific)

Sources of knowledge and skills on pig production (specific institutions and their roles)

Do people feel that they are particularly lacking in certain types of information on

pig production

Some of the specific issues (or derivatives thereof) that it could be interesting to

monitor pre and post intervention:

The level of knowledge of healthy (including the major diseases of interest for this

project; cysticercosis, ASF, endo- and ectoparasites) and economical pig


production/management (we need to document the actual level of knowledge on pig production)

If the pig keeper has adopted a more business like approach to pig keeping (costbenefit
approach, better understanding of market values and trading mechanisms)

The level of confidence in pig keeping as a means to improve their overall opportunities/income

69
What the pig keeper considers to be the major limiting obstacles keeping pigs (One very
important goal is to construct a prioritized list of the 10 most important issues (made using focus
groups (farmer field schools for forefront farmers) and elaborated during in depth interviews)

The perception of open defecation and usefulness of latrines

The perception of the use of meat with cysts

Whether the pig keepers grow any crops specifically for pig feed

Which crops the pig keeper grows

From where the pig keeper gets his/her information about pig production

The level of personal well-being of the pig keeper

The level of personal vulnerability of the pig keeper

How many and which children goes to school

How decisions are made in the household

What do the pig keeper perceive as the major obstacles for improving their living conditions

• Social capital (social mapping)

What social networks/organization/institutions (both formal and informal) exist in

their environment

To what extent do such networks build trust, facilitate cooperation, and expand access to wider
institutions? o How does these networks influence (negative or positive) pig production in the
area

Some of the specific issues (or derivatives thereof) that it could be interesting to monitor pre and
post intervention:

The family structure

If the pig keeper collaborates with private companies (this we want to stimulate if possible)

If the pig keeper is satisfied with his/her relationship with the pig trader(s)/supplier of piglets
(or other relevant tradesmen)

If the pig keeper is satisfied with the trade done with the pig trader(s)/supplier of piglets (or ther
relevant tradesmen)

70
If the pig keeper is satisfied with his/her communication with the pig

trader(s)/supplier of piglets (or other relevant tradesmen)

How the pig keeper communicates with the pig trader(s)/supplier of piglets (or other relevant
tradesmen)

If the pig keeper is interested (or even thinks it is feasible) in collaborating with other pig
keepers in order to arrange transport to Dar es Salaam in order to sell the pigs there

If the pig keeper knows of someone they can contact if they have problems with crops or pigs

If the pig keeper knows someone they can contact if they or family members are ill

If the pig keeper is part of a production network (with respect to buying and/or
selling/transporting pigs and products, feed)

If the pig keeper coordinate his/her production with others

If the pig keeper would think that a African swine fever alarm system (including

emergency guidelines) would benefit them

• Natural capital

List of natural resources in the area (i.e. land, water sources etc)

Relationship/influence (both positive and negative) of natural resources to pig production

Levels of access of natural resources among different gender and socio-economic

What is the nature of access rights (e.g. private, common?)

Is there evidence of significant conflict over resources?

• Physical capital

What is the state of basic infrastructures

Roads (presence, types, pass-ability

Energy (i.e. electricity)

Telecommunication cervices

Shelters, water supply and sanitation

71
How do basic infrastructures influence pig production/productivity and thus livelihoods Some
of the specific issues (or derivatives thereof) that it could be interesting to monitor pre and post
intervention:

Do you use pig manure as fertilizer

Do you use human faeces (from latrines?) as fertilizer

Can you buy commercial fertilizers

Do you buy commercial fertilizers

Do you have a latrine

Do you maintain your larine

Do you use your latrine

If the household has made any recent improvements to the house or other fixed structures

If the household has purchased items for the household (furniture, utensils etc.)

Level of food safety

If the pig keeper or a resident family member has a mobile if not does the pig keeper have
access to a mobile

Does the pig keeper invest in commercial materials/products for their pig production

If the pig keeper is aware of new commercial offers in relation to pig production

The source of their water supply

If the pig keeper provides water to his/her pigs

How often the pig keeper provides water to his/her pigs

If the household buys medicines and who in the household gets treated with the medicines

If the household has access to electricity and from where

• Financial capital

Main sources of income

Position/state of pigs enterprise as source of income

72
Which types of financial service organisations exist (both formal and informal) and types of
financial service offered

Access to financial institution (i.e. who/ which groups or types of people has access?) What
prevents others from gaining access?

What are the current levels of savings and loans?

How many households (and what type) have family members living away who remit

Some of the specific issues (or derivatives thereof) that it could be interesting to monitor pre and
post intervention:

If provided with money which items would the pig keeper buy (prioritized list)

Farmer’s perception of the opportunity for investments in their pig production/crop production

If the pig keeper uses a mobile phone for financial transactions

If and where the pig keeper can borrow money

If the pig keeper or resident family members borrow money and how they do it

What are loans spent on

ii. Transforming structures and processes

- Which policies and legislation influence pig keeping activities, production and productivity,
and how?

- What institutions and organisations (formal and informal) influence people’s livelihoods
assets, strategies and outcomes, and how do they influence these?

- More specific to pig production: What institutions and organisations (formal and informal)

influence pig keeping activities & production, and how do they influence these

- What are the roles and responsibilities of these different institutions and organisations, and

how are they established and enforced?

- What access do pig keepers have to these institutions and organisations?

- Are there organisations and processes that are owned by pig keeping communities and

groups?

73
iii. Livelihood outcomes

- What are the kinds of livelihood goals that pig keepers aspire to achieve, and what types

of strategies they perform to achieve different livelihood outcomes? (e.g. more income,

increased well-being, reduced vulnerability, improved food security).

- What trade-offs or conflicts are there between these different strategies and livelihood

outcomes?

- To what extent do pig keepers actually achieve their livelihood goals, and what is

preventing pig keepers from fully achieving them?

iv. Vulnerability context

- Which groups/gender is engaged in pig keeping activities?

- How important is each activity to the groups that engage in it?

- Is the revenue from a given pig keeping activity used for a particular purpose e.g. if it is

controlled by women, is it particularly important to child health or nutrition?

- What proportion of outputs is used for food and which part is marketed?

- How do prices for different pig products vary throughout the year?

- How predictable is seasonal price variation?

- Are the price cycles of different products all correlated?

- At what time of the year is cash income most important? Does this coincide with the time

at which most cash is available? - Do people have access to appropriate financial services to
enable them to save for the

future? Does access vary by social group?

- How do income-earning opportunities vary throughout the year? Are they agricultural or

non-farm?

- How does remittance income vary throughout the year?

1.7 Participatory Methods for Livelihoods Analysis


74
i. Livelihood outcomes

• Well-being ranking/wealth ranking of social groups, communities or populations in regions

(at different moments in recent history)

• Social mapping

• Cause-effect diagrams (flow chart)

ii. Livelihood strategies

• Inventory and ranking of income sources

• Mapping of migration patterns

• Inventory and ranking of expenditure

• Seasonal calendars of production, employment and income

iii. Policies, institutions and processes

• Venn/chapatti diagrams

• Actor network analysis and ‘power network diagrams’

• Cause-effect and flow diagrams/flow chart

• Market inventories and commodity price tracking

• Narratives or institutional histories from key informants (including on traditional rules, tenure

and markets)

iv. Livelihood assets

• Livelihood diagrams

• Asset surveys and resource mapping, including soil and vegetation surveys and inventories of

the quality of housing stock

• Seasonal calendars of asset availability and quality

• Social network and Venn diagrams

References Carney, D. (1998) (ed) Sustainable rural livelihoods. What contribution can we
Make?
75
Papers presented at the DFID Natural Resources Advisers’ Conference, July 1998.

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for the 21 st century. IDS Discussion Paper No. 296.: IDS, Brighton.

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Helmore, K. (1998) Local know-how the right stuff. Choices 7 (3):6-14.

Scoones, I. (1998) Sustainable rural livelihoods. A framework for analysis. IDS Working

Paper No. 72. IDS, Brighton

76
ANEXO 7: LISTA DOS INQUERIDOS
Nr.
Ord Nome complete Localidade
1 Brizdo Bonifacio Mangane
2 Severiano Bethuare Mangane
3 Matias Bachora Mangane
4 Fernando Domingos Mangane
5 Afonso Benvula Mangane
6 Luis Levi Mangane
7 Waiton Biriate Mangane
8 Maatolino Khanfhatengo Mangane
9 Gabriel Joaquim Mangane
10 Leonardo Fidelix Mangane
11 Ernesto Vicente Mangane
12 Luciano Djimuasse Mangane
13 Fanuel Severino Mangane
14 Juliano Matias Mangane
15 Eulanda Lourenco Mangane
16 Silvestre Daniel Mangane
17 Joao Atanasio Mangane
18 Alexandre Marcelino Mangane
19 Legan Jelurio Mangane
20 Daniel Simone Mangane
21 Matias Lino Mangane
22 Januario Tomas Mangane
23 Wilson Cristovao Mangane
24 Julio Andre Mangane
25 Celina Rafael Mangane
26 Alberto dinisio Mangane
27 Marco Miba Mangane
28 Sergio Faustino Mangane
29 Marcelino Domingos Mangane
30 Cornelio Fabiao Mangane
31 Maria David Ulongue
32 Calasson Maquion Ulongue
33 Flaiton Salomone Ulongue
34 Abilio Salomon Ulongue
35 Manuel Laiton Ulongue
36 Alicangero Pio Khanphessa
37 Djondjo Lamuai Cleimomba Khanphessa
38 Freza Kalonga Khanphessa
39 Samuel Kachissanu Khanphessa
77
40 Ganizane Samala Khanphessa
41 Tiachepere Tito Khanphessa
42 Erasmo Pitala Khanphessa
43 Donociano Eusebio Khanphessa
44 Joaquim Pitala Khanphessa
45 Madalitso Tito Khanphessa
46 Venancio Estevao Khanphessa
47 Fidolina Estevao Khanphessa
48 Didino Estevao Khanphessa
49 Ernesto Inacio Khanphessa
50 Firimete Litissone Khanphessa
51 Valena Estevao Liranga
52 Gervasio Estevao Liranga
53 Patricio Silverio Liranga
54 Cristovao Chipetsane Liranga
55 Enifa Simione Liranga
56 Azala Chimaiba Liranga
57 Miclesia Matias Liranga
58 Rosario Filimone Liranga
59 Valentina Joao Liranga
60 Quimerio Lutiele Chimuala
61 Gervasio Lefione Chimuala
62 Dgeadi Mapira Chimuala
63 Gadon Lutier Chimuala
64 Damiao Atanasio Chimuala
65 Vinoia Lourencoo Chimuala
66 Lucio Ernesto Chimuala
67 Vererico Erasmo Chimuala
68 Nabweza Simione Chimuala
69 Inosse Afonso Kalomue
70 Manuel Elias Kalomue
71 Fernando Lazaro Kalomue
72 Kanganga Tiago Kalomue
73 Kanvandgi Eviassoni Kalomue
74 Modesto Samissone Kalomue
75 Eliseu Francisco Kalomue
76 Lino Simao Kalomue
77 Ossidolo Silverio Kalomue
78 Fidelis Silverio Kalomue
79 Zacarias Vicente Kalomue
80 Clementino Emiliano Kalomue
81 Marcelino Simao Kalomue
78
82 Jose Pataicio Kalomue
83 Policarpo Patricio Kalomue
84 Erasmo Fernando Kalomue
85 Veredina Jonasse Kalomue
86 Emissoni Bilode Kalomue
87 Victorino Liguimala Kalomue
88 Vitorino Atanasio Kalomue
89 Januario Wilson Kalomue
90 Estevao Bique Kalomue
91 Jose Atanasio Kalomue
92 Flackson Diston Kalomue
93 Venancio Bailosse Kalomue
94 Yobe Lameque Kalomue
95 Cristovao Paulo Kalomue
96 Celina Francisco Seze
97 Elisio Chaima Seze
98 Patisson Ngundas Seze
99 Frank Richard Seze
100 Jose Haussene Seze
101 Molessi Ananias N kane
102 Merifody Lenion N kane
103 Rosa Samissone N kane
104 Natalia Antonio N kane
105 Rafael Avelino N kane
106 Cagueza Lodjasse Calio
107 Belifa Macapo Calio
108 Domingos Alfredo Calio
109 Djessulane Chapione Calio
110 Gabriel Feniasse Calio
111 Fonsecas Joao Calio
112 Alberto Mwendequeza Calio
113 Paulo Alfredo Calio
114 Beatriz Creva Calio
115 Manana Quenasse Calio
116 Bonifacio Tarcisio Calio
117 Aguedje Sapulane Calio
118 Aliguesse Queriasse Calio
119 Wiliamo Machona Calio
120 Maria de aceu Marco Calio
121 Ausentina Andre Calio
122 Paulo Gomes Nioce Calio
123 Eularia Econias Ndaula
79
124 Abel Agostinho Ndaula
125 Alvares Antonio Ndaula
126 Atanasio Graciano Ndaula
127 Eusebio Ernesto Damiao Ndaula
128 Tadfeu Cesario Bonga
129 Lucinda Chidengo Bonga
130 Angelo EMILIO Bonga
131 Ines Cipriano Bonga
132 Francisco Cornelio Chissalers Bonga
133 Francisco Chavier Bonga
134 Flaviano Antonio Bonga

80
Observação : O decurso de todas as actividades carece da anuência do supervisor, Prof. Doutor
Claudio Mungoi da UEM

81
BIBLIOGRAFIA

BEBBINGTON, Anthony, Capital and Capabilities : A framework for analyzing peasant viability,
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MUCAVEL, Firmino G.(2010). Módulo de Estruras Sócio-económicas

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