Poder Constituinte Derivado
Direito Constitucional I
Docente :Luciano
Dicentes:
Sobral,Eduardo Silva
Lima,Luiz Jonathan Carvalho.
Silva,Karla Grasiane Santos da
CAMAÇARI-BA
2024
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFAMEC
O PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE
Trabalho apresentado como requisito parcial
para avaliação da disciplina de Atividades
Complementares do Curso de Bacharel em
Direito no 2º Semestre da Unifamec.
Sob a orientação: Luciano
CAMAÇARI-BA
2024
Sumário:
Poderes Constituidos 1
Características 2
Especies 2
Poder Constituído Decorrente 3
Poder Constituído Reformador 8
Limitações ao poder de Reforma 9
Anexos 12
Bibliografia 13
Poderes Constituídos:
Criado pelo poder constituinte originário de "poderes constituintes " A falta técnica nos
parece nítida :se foram poderes que foram instituídos pelo poder originário, a rigor não podem
ser constituintes, pois não são criadores e sim criaturas" afrontaria, pois à própria natureza e
essência una do poder constituinte, sua divisão em originário (de 1º grau) e derivado (2º grau),
categorias que contrariam seu conceito, categorias que contrariam seu conceito.
Nesse mesmo sentido é a opinião de Canotilho, para quem "verdadeiramente, o poder de
revisão só em sentido impróprio se poderá considerar constituinte. "Celso Ribeiro Bastos
notícia que "alguns autores, como Carl Schmitt e Luis Recansens Siches, sustentam ponto de
vista de que somente o originário é o poder constituinte, pois somente ele tem caráter inicial e
ilimitado, ao passo que o poder reformador retira sua força própria da Constituição, estando
limitado pelo direito".
Por sua vez, Carlos Ayres Brito preceitua não existir um “poder constituinte derivado, pela
consideração elementar de que, se é um poder derivado é porque não é constituinte. Se o
poder é exercitado por órgãos do Estado ainda que para o fim de reformar a Constituição, é
porque sua ontologia é igualmente estatal. E sendo estatal, o máximo que lhe cabe é retocar
o Estado, nesse ou aquele aspecto, mas não criar um Estado zero quilometro. E sem esse
poder de plasmar ex novo e ab novo o Estado (que é o correlato poder de desmontar,
desconstituir por inteiro o Estado preexistente), então de poder constituinte já não se trata.”
Em conclusão, embora seja expressão consagrada pela doutrina e pela prática constitucional, a
intitulação dos poderes derivados do poder originário de " poderes constituintes" é enganosa
tecnicamente problemática e cria uma contradição de termos ao formular que um mesmo
poder seria simultaneamente " constituinte e constituído".
Inseridos na Constituição, os poderes constituídos são "poderes de direito" (possuem
natureza jurídica) por elas disciplinados. Conhecem, limitações e condicionamentos e
subordinando-se de modo irrestrito ao regramento imposto pelo poder originário no texto.
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Características:
Derivado (ou de 2º grau):pois derivam do poder originário, ou seja, são poderes de direito que
encontram seu fundamento na Constituição, dela retirando sua existência e sua validade;
Condicionado: Haja vista suas atribuições estarem diretamente vinculadas ao que determina
previamente a Constituição.
Subordinada (ou limitada):suas ações são pautadas pelas limitações (expressas e implícitas)
inseridas na Constituição e, por consequência, como nos parece lógico, se sujeitam aos
diferentes mecanismos de controle de constitucionalidades, o que, no direito brasileiro, é uma
possibilidade real, pois o STF já admitiu e julgou diversas ações diretas de
inconstitucionalidade contra emendas constitucionais.
Espécies:
Os poderes constituídos são normalmente agrupados sob a terminologia "poder derivado"
transcrevendo -se como poder criado pelo originário com função de exercer certas
competências constitucionais.
Dentre outras palavras, existe um poder originário, que este sim é constituinte, que cria a nova
ordem jurídica. Com a dupla finalidade de manter sua obra (a Constituição adaptada aos
novos ambientes políticos/jurídicos que a própria dinâmica social cria, evitando que a
realidade a elimine, e permitindo a criação das coletividades estaduais, este poder originário
institui o poder derivado, a ele vinculado, com atribuições previamente delimitadas.
As atribuições do poder derivado serão exercidas por poderes que foram constituídos pelo
originário, daí porque, na subdivisão do poder, surgem as seguintes nomenclaturas:
3.1 Poder Constituído decorrente-(ou poder derivado decorrente); É a capacidade conferida
pelo poder originário aos Estados-Membros, enquanto entidades integrantes da federação,
para elaborarem suas próprias constituições.
3.2 Poder Constituído reformador - (poder derivado reformador) tem a função de alterar
formalmente a Constituição da República, exercendo a importante tarefa de ajustar e atualizar
o texto constitucional aos novos ambientes formatados pela dinâmica social.
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4. Poder Constituído Decorrente (ou poder derivado decorrente)
Quando o poder constituinte originário atua e uma nova Constituição é apresentada, uma nova
ordem jurídica - com distintos preceitos e princípios - emerge. Para assegurar harmonia e
coerência sistêmica á nova estrutura normativa, imprescindível será que todos os demais
documentos estejam afinados com a Carta Maior, em razão da superioridade inconteste que os
valores nela possuem.
É daí que surge a necessidade de, numa federação - forma de Estado caracterizada pela
descentralização do poder político em diferentes entidades políticas, todas dotadas de
autonomia -, novos documentos constitucionais estaduais serem feitos, a fim de se adequarem
ao novo ordenamento.
Poder constituído (ou derivado) decorrente é, por tanto, a capacidade conferida pelo poder
originário aos Estados- membros, enquanto entidades integrantes da Federação, para
elaborarem sia próprias Constituições (art., CF/88).
Nota-se que é no exercício do poder decorrente que os Estados cumprirão sua capacidade de
auto-organização, fruto da autonomia política a eles conferida pelo sistema constitucional
federado.
Para viabilizar essa tarefa, o poder originário fez constar no ADCT (art,11) a possibilidade de
as Assembleias Legislativas eleitas em 1986, investidas no poder decorrente, elaborarem, no
prazo de um ano a contar da promulgação da Constituição da República, as Constituições
Estaduais.
Revele-se, por último que quando o poder decorrente cria a Constituição do Estado ele é
denominado "poder decorrente instituidor " e quando realiza as alterações em seu texto,
procedendo aos ajustes necessários á compatibilização coma realidade, é intitulado "poder
decorrente reformador'.
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Características:
Nada obstante o poder decorrente também elaborar um documento que será nomeado
"Constituição ", seguimos convictos de que qualificá-lo como "poder constituinte" é uma
inadequação, Só quem "constitui" é o poder originário, de modo que "parece impróprio
conservar-se o mesmo nome para realidade tão díspares",
Em sendo, pois, um poder derivado, criado pelo poder constituinte originário, é:
- Poder de direito, institucionalizado pela Constituição, possuidor, pois de natureza
jurídica;
- Poder limitado (ou subordinado)
- Condicionado;
- Secundário- ou de 2º grau,
Limites impostos pela Constituição ao poder decorrente
A existência das características acima mencionadas nos licencia a apresentar as regras que
limitam a atuação do poder decorrente, restringindo sua capacidade de conformação da
Constituição estadual.
No estudo desses limites, deve-se, inicialmente, firmar que os Estados-membros têm
autonomia para se auto-organizarem por suas Constituições, mas que essas últimas devem
obediência à Constituição da República. Não serão as Constituições estaduais meras cópias da
federal, todavia deverão observar certos padrões fixados nesta última, em respeito a um
princípio norteador da federação conhecido como princípio da simetria.
Nesse sentido, como limite á atividade do poder decorrente são impostas a ele as normas de
observância (também denominadas normas de reprodução compulsória), normalmente
organizadas a partir de três grupos, a saber.
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Os princípios constitucionais sensíveis :consagrados no art.34 VII, CF/88, representam os
fundamentos que organizam constitucionalmente a federação brasileira. Seu descumprimento
por parte dos Estados-membro acarreta a propositura de uma ação direta de
inconstitucionalidade interventiva que, for julgada procedente pelo STF, ensejará a decretação
de intervenção federal pelo Presidente da República.(art,36,III CF/ 88). Referem-se:
A forma republicana.
Ao sistema representativo e ao regime democrático,
Aos direitos da pessoa humana.
A autonomia municipal,
A prestação de contas da administração pública, direta e indireta
Aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, Compreendidas a
proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e
serviços públicos de saúde.
Os princípios constitucionais extensíveis: preveem as normas centrais de organização da
federação, válidas para a União e extensíveis às demais entidades federativas (Estados,
Distrito Federal e Municípios). Tais normas podem ser expressas ou implicitamente
extensíveis.
Como exemplo do primeiro grupo tem se as regras atinentes ao sistema eleitoral,
inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e
incorporação às Forças Armadas, que devem ser aplicadas aos Deputados Estaduais em
simetria com o que a Constituição Federal preceituou para os Congressistas, de acordo com o
art. 27 § 1º CF/88.
Para exemplificar o segundo grupo, de princípios implicitamente extensíveis, pode-se citar
algumas normas da Constituição e a jurisprudência correlata:
- A regra concernente à licença para ausentar-se do país (art. 83 e ADI 3.647 - MA, Rel. Min.
Joaquim Barbosa, noticiada no Informativo 480, STF);
- A disciplina relativa à competência e organização do Tribunal de Contas (ADI 916 - MT,
Rel. Min. Joaquim Barbosa, noticiada no Informativo 534,STF);
- Os requisitos para a criação das Comissões Parlamentares de Inquérito (art. 58, § 3º e ADI
3.619 - SP, Rel. Min. Eros Grau, no informativo 434,STF);
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- Os princípios basilares do processo legislativo federal (os arts.59 e seguintes e ADI 3.555-
MA,3.644-RJ, ADI 486 - DF, dentre muitas outras ações diretas);
- A regra de acesso de advogado e representantes do MP nos
Tribunais pelo quinto constitucional (art.94 e ADI 4.150- SP, Rel .Min Marco Aurélio
noticiada no informativo 523,STF).
Outras palavras em reforço à definição, são de BULOS, para quem os princípios extensíveis
"são aqueles que integram a estrutura da federação brasileira, relacionando - se, por exemplo,
com a forma de investidura em cargos eletivos (art.77), o processo legislativo (arts. 59 e s.) os
orçamentos (arts.165 e s.), os preceitos ligados à Administração Pública (arts.37 e s.) etc.
Os princípios constitucionais estabelecidos: previstos de maneira esparsa pelo texto
constitucional, são as "normas que limitam a autonomia estadual, em obediência á regra
segundo a qual aos Estados-membros se reservam os poderes que não lhe sejam vedados.
Por isso, a identificação das normas relacionadas a esse tipo de princípios exige pesquisa do
Texto Constitucional.
Exemplos: as regras de repartição de competência, as normas do sistema tributário, a
organização dos Poderes, as garantias individuais, os direitos políticos etc.
O poder decorrente e a polêmica envolvendo a criação da Lei Orgânica do Distrito
Federal e das Leis Orgânicas dos Municípios
É da nossa tradição adotar a federação enquanto forma de Estado: desde a nossa primeira
Constituição republicana (de 1891), a organização do poder em virtude de um território é
realizada segundo o modelo federado.
Como federação pressupõe a descentralização no exercício do poder político, teremos variadas
entidades políticas, todas dotadas de autonomia. No Brasil reconhecemos a União, os Estados-
membros, o Distrito Federal e os Municípios como entes federados, estes últimos incluídos
pela Constituição de 1988.
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Por serem autônomas, essas entidades federadas possuem auto-organização, isto é a
capacidade de editarem seus próprios diplomas organizatórios. E é aqui que surge a
divergência doutrinária que nos interessa: o poder decorrente atua somente na elaboração das
Constituições estaduais ou é igualmente responsável pela elaboração dos documentos de
organização do Distrito Federal e dos Municípios?
A resposta ainda divide a [Link] um lado temos a corrente minoritária partidária da tese
de que o poder decorrente atua nos Municípios e no DF. O argumento central é o seguinte:
apesar de a Constituição ter se valido da locução " lei orgânica", os documentos principais
desses dois entes são efetivas " Constituições em sentido material", já que formatam
principais desses dois entes são efetivas " Constituições em sentido material", já que
formatam e estruturam toda a organização deles. Nessa perspectiva, se os estatutos que os
disciplinam possuem natureza constitucional, o poder que os apresenta é o decorrente.
Em contraposição, tem-se a corrente que perfilhamos, segundo a qual o poder decorrente
também é perceptível no Distrito Federal, mas não nos Municípios. A argumentação que
sustenta nossa opinião pode ser construída a partir das seguintes ponderações:
- O Distrito Federal possui, por força do art. 32, § 1º,CF/88, as mesmas competências
legislativas reservadas aos Estados-membros, dentre as quais se situa a atribuição estadual de
elaborar sua própria Constituição;
- A Lei Orgânica do Distrito Federal, assim como ocorre com as Constituições estaduais, é m
documento que só está submetido à Constituição da República (subordinação direta);
- Na Reclamação 3.436, STF, o relator Min. Celso Mello, firmou o entendimento de que a Lei
Orgânica do Distrito Federal seria parâmetro para o controle de constitucionalidade
concentrado das leis e demais atos normativos distritais. Nos seus dizeres: "Em uma palavra a
Lei Orgânica equivale, em força, autoridade e eficácia jurídicas, a um verdadeiro estatuto
constitucional, essencialmente equiparável às Constituições promulgadas pelos Estados-
membro";
- Em reforço ao julgado acima mencionado, temos o art. 30 da Lei nº 9.868/1999 que prevê
expressamente que a Lei Orgânica do Distrito Federal é parâmetro para o controle de
constitucionalidade concentrado das leis e dos demais atos normativos distritais;
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- Quanto aos Municípios, diga-se que estes são formatados por documentos condicionados
simultaneamente à Constituição estadual e à Constituição Federal, isto é, se sujeitam a uma
dupla subordinação;
- Implicação essencial da subordinação a esses “dois graus de imposição constitucional
tornaria um eventual poder decorrente municipal em um poder de terceiro grau, vez que
decorreria do poder decorrente estadual, que por sua vez já é um poder de segundo grau. Em
conclusão, o poder decorrente deve extrair sua legitimidade diretamente do texto da
Constituição, o que não ocorreria se vislumbrássemos um poder decorrente municipal, sujeito
a duas ordens de normatização constitucional;
- Nesse sentido, eventual conflito entre leis municipais e a Lei Orgânica do Distrito Federal,
não sendo, todavia, conferido aos Municípios.
Poder Constituído Reformador (elaboração das emendas constitucionais)
Já se sabe que o poder constituído derivado reformador (ou, simplesmente, poder reformador)
tem a função de alterar formalmente a Constituição da República, exercendo a importante
tarefa de ajustar e atualizar o texto constitucional aos novos ambientes formatados peal
dinâmica social.
Isso ocorre porque as Constituições não podem ser imutáveis, precisam de adaptar às
mudanças sociais e à evolução histórica, sob pena de o texto perder a sintonia com a realidade
que pretende normatizar, tornando-se um conjunto de recomendações desprovido de sentido.
Vez ou outra, pois o documento constitucional passará por modificações, consistentes em
pequenos ajustes que pretendem rejuvenescer o texto e melhor adequá-lo ao momento
histórico.
Por outro lado, registre-se tão indesejável quanto a Constituição imutável é o texto
constitucional volúvel, frágil diante de atentados ao seu projeto ou de casuísmos políticos,
afinal, se construídas com alta suscetibilidade e maleabilidade, a Constituição também não
cumprirá seu papel, pois não será capaz de amparar efetivamente os valores, os direitos e as
garantias essenciais nela consagrados.
É nesse estado, pois, de permanente tensão entre a “estabilidade e adaptabilidade “, entre a
“permanência e a mudança”, que se situa a problemática envolvendo a tarefa de reformar a
Constituição.
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Na tentativa de equacionar esses (por vezes contraditórios) valores, tem-se adotado, como
tradição no direito pátrio, a rigidez do documento constitucional.
A rigidez pressupõe a possibilidade de modificação da Constituição, o que desvia
definitivamente a incidência da imutabilidade do texto. Todavia, ao consentir com a alteração,
o faz exigindo um procedimento para feitura das emendas constitucionais substancialmente
distinto daquele estabelecido para criação da legislação infraconstitucional, pois, comparado
com este último, mostra-se bem mais solene, complexo e sofisticado.
Limitações ao poder de Reforma
Limitações expressas:
O poder constituinte originário fez constar expressamente na Constituição algumas regras às
quais o poder reformador deve obediência irrestrita quando se dedica a tarefa de elaborar as
emendas constitucionais, realizando as adaptações necessárias à conciliação do texto
constitucional com a realidade fática.
Esses argumentos, que pode ser organizado sob o título “limitações ao poder de reformar à
Constituição, deve ser estritamente acatado, sob pena de o produto do trabalho do poder
reformador ser viciado pela inconstitucionalidade, tornando imprestáveis as modificações
feitas.
Limitações temporais:
Inexistentes no texto constitucional de 1988, consistem em limites construídos no intuito de
impedir alterações na Constituição durante certos espaçamentos temporais, a fim de que seu
regramento se consolide, se assente, para posteriormente as mudanças serem engendradas.É
limitação que normalmente se traduz numa cláusula proibitiva de alteração do texto durante
um específico período de tempo.
Fixando a intangibilidade temporária de seu texto, a Constituição do Império,1824, só
autorizou a reforma de seu texto após passados 4 anos do início da vigência, sendo este o
único documento constitucional pátrio que estabeleceu essa espécie de limitação.
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Em que pese nossa convicção de que a atual Constituição da República não possui em seu
texto limitações temporais, sobrevive, ainda hoje, certa divergência doutrinária a esse
respeito, relativamente à classificação da limitação de tempo, todavia, é certo que a doutrina
majoritária reconhece esse limite como de natureza procedimental, por duas razões.
o dispositivo não impede a apresentação de emendas em geral durante certo período, mas tão
somente obsta que a matéria discutida numa proposta de emenda constitucional rejeitada (ou
havida por prejudicada) numa sessão legislativa seja objeto de nova proposta na mesma
sessão legislativa. O texto constitucional não fica, portanto, intangível / imodificável durante
um determinado período, pois outras propostas de emendas podem ser validamente
apresentadas.
o obstáculo que se cria com o § 5º é formal, procedimental, haja a vista circunstância de que a
matéria da PEC rejeitada / prejudicada só pode ser rediscutida numa nova PEC quando houver
mudança de sessão legislativa, pouco importante qual lapso temporal que decorreu da rejeição
.Vê-se nitidamente, que a possibilidade de reapreciação depende só do respeito a uma regra
formal - mudança de sessão legislativa - e não temporal, já que não se leva em consideração o
tempo transcorrido da rejeição até a nova apreciação. Não importa que entre a rejeição e a
reapreciação tenham se passado dois meses ou onze meses, o que interessa numa nova sessão
legislativa.
Limitações materiais:
Conforme previsão explícita da Constituição Federal, não poderá ser objeto de deliberação a
proposta de emenda constitucional tendente a abolir a forma federativa de Estado, o voto
direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias
individuais.
Essas matérias, elencadas no art. 60, § 4º. dá CF/88 e intituladas "cláusulas pétreas ", estão
fora do alcance do poder constituído derivado reformador, formando um núcleo intangível da
Constituição Federal, imunizada contra possíveis alterações que reduzem o seu núcleo
essencial ou debilitem o duradouro projeto que ela tencionou construir.
A justificativa da imposição desses limites materiais ao poder de reforma encontra-se na
necessidade de preservar a identidade básica do projeto constitucional, assegurando a
manutenção da essência da Constituição e do núcleo de decisões políticos e valores
fundamentais que legitimaram sua criação.
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Limitações circunstanciais:
A vedação à do documento constitucional no curso de circunstância anormais e excepções
visa preservar a autonomia e a livre manifestação do poder reformador, evitando que maiorias
ocasionais - que surgem em situações extraordinárias - destruam o projeto constitucional
diante de contingências da crise, transformações precipitadas e impensadas da Constituição.
Dessa forma, e em conformidade com o que preceitua o texto constitucional (art,60, §1 º, CF /
88), impossível é o acionamento do mecanismo de modificação da Constituição na vigência
do estado de sítio, do estado de defesa e da intervenção federal. Os ajustes só poderão ser
feitos quando vencida e superada a excentricidade do momento, com a cautela e serenidade
necessária à mudança.
Limitações Formais:
A opção pela rigidez constitucional exige um procedimento especial, mais solene e dificultoso
que aquele observado na elaboração das leis ordinárias, para feitura e aprovação das emendas
constitucionais. Destarte, a reforma do texto constitucional somente será válida quando
normas especiais de processo legislativo forem cumpridas com exatidão. O poder reformador,
nesse sentido, deverá observar os seguintes limites formais: Limitação formal subjetiva e
Limitação formal objetiva.
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Anexos:
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Bibliografia:
MIRANDA, Jorge. Manual de direito constitucional. 4. ed. Coimbra: Coimbra Editora, 1990.
MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 33. ed. rev. e atual. até a EC nº 95. São
Paulo.
Atlas, 2017. SARLET, Ingo Wolfgang. Curso de direito constitucional. 7. ed. São Paulo.
Saraiva Educação, 2018. CARVALHO, Virgílio de Jesus Miranda. Os valores constitucionais
fundamentais: esboço de uma análise axiológico normativa. Coimbra: Coimbra Editora, 1982.
CANOTILHO, J. J. Gomes. Constituição dirigente e vinculação do legislador. Coimbra.
Coimbra Editora, 1994. TEIXEIRA, J. H. Meirelles. Curso de direito constitucional. Forense
Universitária: Rio de Janeiro, 2011. SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional
positivo. 9. ed. São Paulo: Malheiros, 1992. ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios, 10.
ed., 2006.
ROBERT, Alexy. Teoria dos direitos fundamentais, 2017. CAETANO, Marcelo. Princípios
fundamentais de direito administrativo. Coimbra: Almedina, 1996.
ABREU, Dalmo Dalari. Elementos de teoria geral do Estado, 23. ed., p. 118, 2011
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