PEMSEIS: Medidas Socioeducativas no RS
PEMSEIS: Medidas Socioeducativas no RS
Presidente da República
Dilma Rousseff
Vice-Presidente da República
Michel Temer
B823p
190 p.
CDU: 361.63
/ 5 /
Sumário
/ 6 /
/ 7 /
APRESENTAÇÃO 12
1 ATRIBUIÇÃO /COMPETÊNCIA INSTITUCIONAL DA FASE 16
1.1 INTERNAÇÃO PROVISÓRIA 18
1.2. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO 19
1.2.1. Medida Socioeducativa de Internação Sem Possibilidade de Ativi- 20
dades Externas – ISPAE
1.2.2. Medida Socioeducativa de Internação Com Possibilidade de Ativi- 20
dades Externas- ICPAE
[Link] Critérios para execução das atividades externas 22
[Link] Critérios para restrição das atividades externas 22
1.2.3 Internação-Sanção 23
1.3 MEDIDA SOCIOEDUCATICA DE SEMILIBERDADE 23
2 PRÁTICA SOCIOEDUCATIVA DA INTERNAÇÃO 26
2.1 PRINCÍPIOS E DIRETRIZES 28
2.2 PROGRAMA DA UNIDADE 29
2.2.1 Plano de Atendimento Coletivo 30
2.2.2 Prontuário Individual do socioeducando 31
2.2.3 Manual do Adolescente 31
2.3 ACOLHIMENTO DA UNIDADE 32
2.4 SISTEMA NACIONAL DE ACOMPANHAMENTO DE MEDIDAS SOCIOE- 33
DUCATIVAS - SIPIA-SINASE
2.5 PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO - PIA 35
2.5.1 PIA Contextualização 36
2.5.2 PIA Plano de Ação 36
2.5.3 PIA Relatório Avaliativo 37
2.5.4 PIA Egresso 37
2.5.5 Proposta Pedagógica 37
[Link] Ações Socioeducativas 38
/ 8 /
[Link].1 Escolarização 39
[Link].2 Profissionalização 40
[Link].3 Oficina Ocupacional 41
[Link].4 Educação Profissional 42
[Link].5 Aprendizagem 44
[Link].6 Biblioteca e Salas de Leitura 45
[Link].7 Cultura 46
[Link].8 Espiritualidade 46
[Link].9 Atenção à Saúde 47
[Link].10 Atividades Esportivas 51
[Link].11 Lazer 52
[Link].12 Abordagem Familiar e Comunitária 52
[Link].13 Visita Íntima 53
[Link].14 Atendimento individual 54
[Link].15 Atendimento em Grupo 54
[Link] Procedimentos Restaurativos 56
[Link].1 Círculos Familiares 56
[Link].2 Círculos de Adesão 57
[Link].3 Círculos de Compromisso 57
[Link].4 Círculos de Construção de Paz/ Resolução de Conflitos 58
2.6. EQUIPE SOCIOEDUCATIVA 58
2.6.1 Equipe Diretiva 60
[Link] O processo de escolha dos dirigentes 60
2.6.2 Agentes Socioeducadores 61
2.6.3 Equipe de Apoio 62
2.6.4 Equipe Técnica 62
[Link] Advogado 64
[Link] Assistente Social 65
/ 9 /
[Link] Bibliotecário 67
[Link] Dentista 67
[Link] Enfermeiro 68
[Link] Farmacêutico 68
[Link] Médico Clínico 69
[Link] Médico Psiquiatra 69
[Link] Nutricionista 70
[Link] Psicólogo 70
[Link] Técnico em Educação/Pedagogo 72
[Link] Técnico em Recreação/Profissional de Educação Física 74
2.7 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 74
2.7.1 Composição e Atribuições da CAD 76
2.7.2 Procedimento da CAD 77
2.7.3. Dosimetria e Prazo 79
2.7.4 Da Ciência da Decisão e do Recurso Administrativo 79
2.7.5 Homologação / Apreciação do Recurso 79
2.7.6 Disposições Gerais 80
2.8 AÇÕES DE PREVENÇÃO E MANEJO EM SITUAÇÕES DE RISCO 80
2.9 CUSTÓDIA 81
2.10 DESLIGAMENTO 83
3 PRÁTICA SOCIOEDUCATIVA DE SEMILIBERDADE 84
3.1 PRINCÍPIOS E DIRETRIZES 86
3.2 ESTRUTURA FÍSICA 87
3.3 PROGRAMA DA UNIDADE 87
3.4 ACOLHIMENTO 88
3.5 PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO 90
3.5.1 Escolarização 91
3.5.2 Profissionalização 92
/ 10 /
3.5.3 Abordagem Familiar e Comunitária 94
3.5.4 Cultura, lazer, esporte e espiritualidade 94
3.5.5 Saúde 95
3.5.6 Jurídico 95
3.6 EQUIPE SOCIOEDUCATIVA 95
3.7 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 96
3.8 DESLIGAMENTO 97
4 PROGRAMA DE ACOMPANHAMENTO DE ADOLESCENTES/ JOVENS 98
ADULTOS EGRESSOS
4.1 COMPETÊNCIAS 101
4.1.1 Núcleo de Acompanhamento de Egressos 101
4.1.2 Equipe Técnica e Direção (CASE) 101
4.1.3 Entidades Executoras 102
4.2 PROCESSO DE INCLUSÃO NO PROGRAMA DE EGRESSOS 103
4.2.1 PIA Egresso 103
4.2.2 Pré-Círculo 103
4.2.3 Círculo de Compromisso 104
4.2.4 Pós-Círculo 104
4.3 FLUXOGRAMA 104
5 AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DA GESTÃO DO PROGRAMA 110
CONSIDERAÇÕES FINAIS 110
ANEXOS 114
SINASE 164
/ 11 /
Apresentação
/ 12 /
/ 13 /
Na perspectiva dos princípios da Proteção Integral, do Estatuto da Crian-
ça e do Adolescente – ECA e do Sistema Nacional de Atendimento Socioe-
ducativo – SINASE, o Sistema de Administração da Justiça Juvenil estabe-
lece as bases para a responsabilização, afirmação e garantia de direitos de
adolescentes/jovens adultos em cumprimento de medida socioeducativa.
Especificamente, no universo do atendimento ao adolescente/jovem adul-
to autor de ato infracional, destaca-se a necessidade da estruturação de um
programa capaz de dar as diretrizes pedagógicas ao propósito da reintegra-
ção social.
O Estado do Rio Grande do Sul vem se adaptando e atendendo essas
exigências desde o ano de 2002, quando do traçado de um documento nor-
teador de suas ações através da primeira edição do Programa de Execução
de Medidas Sócio-Educativas de Internação e Semiliberdade – PEMSEIS.
Tendo em vista que toda proposta pedagógica é um processo dinâmi-
co, o referido Programa foi atualizado visando o alinhamento com as dire-
trizes nacionais preconizadas na Lei nº 12.594/2012 – Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo (SINASE), sendo mantidos os pressupostos de
/ 14 /
sistematização da intervenção institucional junto aos adolescentes/jovens
adultos no que se refere aos aspectos teóricos e operacionais que devem
configurar um trabalho socioeducativo, efetivando os direitos e os deveres
previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), constituindo as
ações socioeducativas em ações de exercício de cidadania.
O PEMSEIS se constitui em um instrumento norteador das ações dos
Programas de Atendimento das Unidades e da prática dos profissionais da
socioeducação. Com efeito, tais ações necessitam ser planejadas a fim de
estabelecer o rumo e afirmar a missão institucional, bem como efetuar a
operacionalização com base no conhecimento técnico levando em conta
também os aspectos empíricos.
Assim, como forma de dar continuidade à qualificação do trabalho e de
ratificar os aspectos participativos da gestão, a presente revisão teve a con-
tribuição das diferentes categorias profissionais, operadores de direitos da
Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (FASE/RS), cujos saberes impri-
mem os elementos imprescindíveis para a solidificação da política institu-
cional. Significa também a ampliação da qualidade dos serviços que devem
culminar na reinserção social da população atendida, questão esta reafir-
mada no Programa Político da Secretaria de Justiça e dos Direitos Humanos
do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, que tem por objetivo atuar
conjuntamente na construção da ressocialização de socioeducandos em
cumprimento de medida socioeducativa no Estado.
/ 15 /
1
/ 16 /
Atribuição - Competência
Institucional da Fase.
/ 17 /
A Fundação de Atendimento Sócio-Educativo condição peculiar do adolescente/jovem adulto,
tem por finalidade a implantação e a manuten- como pessoa em desenvolvimento.
ção do sistema de atendimento responsável pela Será também de competência da FASE a In-
execução do Programa Estadual de Medidas So- ternação-Sanção, quando por descumprimento
cioeducativas, promovendo, no Estado do Rio de outras medidas impostas é aplicada pelo ju-
Grande do Sul, o atendimento ao adolescente/ diciário a medida de internação, que não poderá
jovem adulto em cumprimento de medida de ultrapassar três meses.
internação e semiliberdade e daquele que se en-
contra em internação provisória, de acordo com 1.1 INTERNAÇÃO PROVISÓRIA
as leis, normas e resoluções de âmbito nacional
e estadual. A determinação judicial de permitir a inter-
Constituem medidas socioeducativas, pre- nação do adolescente /jovem adulto acusado
vistas no Estatuto da Criança e do Adolescente, de ato infracional antes de definida a sentença é
determinadas pelo Poder Judiciário e executadas uma medida cautelar e tem como objetivo asse-
diretamente ou em parceria pela Fundação: gurar a integridade do acusado do ato infracio-
I - semiliberdade; nal, além de resguardar a sociedade, como pre-
II – internação. coniza o artigo 174 do Estatuto da Criança e do
O regime de semiliberdade é determinado Adolescente.
judicialmente, podendo ser primeira medida res- Conforme dispõe o art.108 do ECA, o adoles-
tritiva de liberdade ou como forma de transição cente somente pode ser internado provisoria-
para o meio aberto. mente por meio de decisão fundamentada que
A internação constitui medida privativa da se baseie em indícios suficientes de autoria e ma-
liberdade, sujeita aos princípios que regem o terialidade, após ser demonstrada a necessidade
atendimento socioeducativo, especialmente, imperiosa da medida, não podendo ultrapassar o
os de brevidade, excepcionalidade e respeito à prazo de 45 (quarenta e cinco) dias. Ultrapassado
/ 18 /
este prazo deverá a Unidade adotar as providên- 1.2. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTER-
cias de comunicação ao juízo de conhecimento e NAÇÃO
a Defensoria para interposição do devido remé-
dio processual. Trata-se de medida privativa de liberdade, po-
O Centro de Atendimento Socioeducativo rém assegura todos os demais direitos do adoles-
- CASE deverá assegurar a separação do atendi- cente/jovem adulto que não colidam com a na-
mento e das atividades pedagógicas da Inter- tureza da medida, assegurados nos artigos 111
nação Provisória da medida socioeducativa de e 124 do Estatuto da Criança e do Adolescente
Internação, bem como, propiciar condições para e artigo 35 do SINASE. É a resposta do Estado
que o adolescente/jovem adulto possa reorgani- ao cometimento de atos infracionais com grave
zar-se, servindo a instituição como um ambiente ameaça ou violência à pessoa, reiteração de in-
de cuidado, continência, apoio e orientação. frações graves e também nos casos de descum-
Durante o período em que permanecer no primento reiterado e injustificado de medidas
CASE, aguardando a definição de sua situação anteriormente impostas.
jurídica, o adolescente/jovem adulto deverá re- Os princípios aplicados na imposição da me-
ceber atendimento das diferentes áreas técnicas dida são fundamentais para que a garantia dos
que compõe a socioeducação, elencando suas direitos do socioeducando sejam reverenciados.
principais necessidades, levando-se em conta a E as regras são: a brevidade - o regime deve ser
peculiar condição de pessoa em desenvolvimen- desenvolvido por pouco tempo, o necessário
to. Inicia-se na Internação Provisória a confecção para a readaptação do adolescente e/ou jovem
do Plano Individual de Atendimento - PIA, con- adulto autor de ato infracional considerando o
textualizando a história de vida do adolescente/ alcance dos objetivos da medida socioeducativa
jovem adulto elencando as reais necessidades conforme prevê o Art. 1º Lei 12.594 e metas do
do atendimento. PIA; a excepcionalidade - em último caso, a inter-
nação deve ser imputada; e o respeito à condi-
/ 19 /
ção peculiar de pessoa em desenvolvimento - a 1.2.1. Medida Socioeducativa de Internação
imposição do meio predispõe uma investigação, Sem Possibilidade de Atividades Externas – IS-
em cada caso, se o adolescente/ jovem adulto PAE
tem condições de cumprir a medida e se a inter-
nação possibilita formas para o desenvolvimento Quando aplicada a medida socioeducativa de
educativo e profissional do socioeducando. internação sem possibilidades de atividades ex-
A medida de internação retira o adolescente/ ternas – ISPAE em sentença condenatória, deverá
jovem adulto autor de ato infracional do convívio vir à expressa vedação à realização de atividades
com a sociedade. Em contrapartida, a internação, externas.
também possui o condão pedagógico, visando à Os adolescentes e/ou jovens adultos realiza-
reinserção do socioeducando autor de ato infra- rão suas atividades dentro do espaço físico das
cional ao meio familiar e comunitário, bem como Unidades, bem como, escolarização, profissiona-
o seu aprimoramento profissional e intelectual. lização, atendimentos individuais, atendimentos
Deverá ser cumprida nos Centros de Atendi- em grupos e oficinas.
mento Socioeducativo – CASE’s, obedecendo-se
separação por critérios de idade, compleição físi- 1.2.2. Medida Socioeducativa de Internação
ca e gravidade da infração. Com Possibilidade de Atividades Externas-
A medida de internação regula-se pela sentença ICPAE
e/ou decisão de unificação, devendo sua manuten-
ção ser reavaliada, mediante decisão fundamenta- A atividade externa na Internação sempre
da, no máximo a cada 06 (seis) meses e não poderá, será permitida, quando não houver determina-
em nenhuma hipótese, exceder ao período máxi- ção judicial em sentido contrário (artigo 121, §
mo de internação de 03 (anos). 1 do ECA), ou concedida na avaliação judicial da
medida. Quando não vedada à atividade externa
em sentença, esta se efetivará após a homolo-
/ 20 /
gação do Plano Individual de Atendimento (PIA) Durante todo o cumprimento da atividade
pelo juízo da execução, ficando às entidades que externa serão realizadas avaliações sistemáticas
desenvolvem programas de internação a obriga- do grau de responsabilidades do adolescente/jo-
toriedade de não restringir nenhum direito que vem adulto pactuadas a partir do PIA, que orien-
não tenha sido objeto de restrição na decisão de tarão as atividades permitidas.
internação (Art. 94, inciso II do ECA). O exercício de atividades externas dar-se-á
Não sendo a atividade externa uma medida de forma gradual, avaliado sistemática e tecnica-
em si mesma, mas parte da Internação deve in- mente, sem representar uma mera rotina de saí-
tegrar as atividades do Plano de Atendimento das ou numa regularidade tal que descaracterize
Coletivo da Unidade e Plano Individual de Aten- a própria natureza da medida de Internação. Po-
dimento, o primeiro tratando das rotinas da Uni- dendo, a critério e fundamentação da equipe, ser
dade e o segundo das disposições pessoais do determinada a restrição das atividades externas
socioeducando. por até 30 dias. Em caso da necessidade de sus-
A internação com possibilidade de atividade pensão e/ou vedação, somente mediante autori-
externa (ICPAE) visa proporcionar uma prepara- zação do juízo de execução, conforme previsão
ção do socioeducando para o reingresso na so- do artigo 121 § 1, do ECA.
ciedade, de forma parcial, gradual, planejada e As atividades externas estarão vinculadas à
monitorada, onde o socioeducando irá vivenciar construção do Plano Individual de Atendimento
a proposta de atendimento com acompanha- – PIA, da qual participará o adolescente/jovem
mento de todos os profissionais da unidade. A adulto e a família/responsável e rede socioas-
família e/ou família extensa e a rede de atendi- sistencial vinculando-as ao acompanhamento e
mento são partes integrantes desse processo, à avaliação multidisciplinar do socioeducando,
auxiliando e se comprometendo no desenvolvi- através de reuniões sistemáticas no decorrer da
mento da medida, atuando de forma integrada medida socioeducativa.
com a equipe de profissionais da unidade.
/ 21 /
[Link] Critérios para execução das ativida- [Link] Critérios para restrição das ativida-
des externas des externas
a) Não estar expressamente vedada à possi- Constituirá causa para a restrição das atividades
bilidade de atividade externa na guia de interna- externas a ocorrência de uma ou mais das situações
ção e/ou sentença; abaixo listadas:
b) Análise da história de vida do adolescen- a) Cometimento de falta disciplinar de nature-
te/jovem adulto, com vistas a resguardar a sua in- za média ou grave, conforme definido no Programa
tegridade física, psíquica e moral (art. 17 do ECA); de Atendimento do CASE baseado na Resolução
c) Identificação e conhecimento da situa- 005/2012 da FASE;
ção sócio-familiar; b) Descumprimento de qualquer item pactua-
d) Verificação da existência de eventuais do e definido no PIA;
riscos na comunidade de origem, buscando-se c) Existência de algum indicador de risco à inte-
outros locais alternativos para a realização das gridade física do socioeducando em ambiente diver-
atividades externas; so do CASE;
e) Situação de saúde do socioeducando; d) Utilização de substâncias psicoativas;
f) Freqüência e aproveitamento escolar; e) Decisão da equipe diretiva, havendo indícios
g) Boa conduta no âmbito institucional. de participação em qualquer ato destinado a provo-
Preenchidos os requisitos necessários para car tumulto ou desordem na Instituição;
a inclusão em atividades externas, o socioedu- f) A reinclusão do socioeducando dependerá
cando e sua família e ou responsáveis deverão de nova avaliação na(s) reunião (ões) de ICPAE ou
participar da elaboração do Plano Individual de microequipe, subseqüente ao fato que provocou a
Atendimento, firmando compromisso. restrição de atividades.
As atividades de natureza pedagógica e/ou pro-
fissionalizantes, terapêuticas e/ou ocupacionais se-
/ 22 /
rão garantidas. b) Detectar os entraves e dificuldades que
Em caso de evasão e/ou retorno com atraso à contribuíram para o não cumprimento da medi-
Unidade, esta deverá seguir o previsto na sistema- da anterior;
tização das rotinas com o judiciário. c) Reorganizar o PIA com vistas ao retorno
do socioeducando, recorrendo, para tanto aos re-
1.2.3 Internação-Sanção cursos da rede de atendimento e/ou técnico do
programa anterior, bem como inclusão no Pro-
É o atendimento dirigido aos adolescentes/ grama de Egressos.
jovens adultos que descumpriram medidas de
meio aberto fixadas em sentença, quando da 1.3 MEDIDA SOCIOEDUCATICA DE SEMILI-
aplicação de medida socioeducativa de meio BERDADE
aberto ou restritiva de liberdade (artigo 122, inc.
III, § 1°). O prazo máximo de cumprimento de É a medida que poderá ser aplicada em sen-
internação sanção é de 3 (três) meses, devendo tença e/ou por determinação do juízo da execu-
o adolescente/jovem adulto receber um atendi- ção.
mento diferenciado dos que cumprem medida É a medida socioeducativa que trata da pri-
de Internação. vação parcial da liberdade, com períodos de
Deverá a Unidade: permanência no Centro de Atendimento e perí-
a) Organizar o Plano Individual de Atendi- odos de atividades externas, sem a presença de
mento, de forma a privilegiar o caráter pedagógi- custódia, mas com o monitoramento da equipe
co da internação, propiciando a reflexão no senti- de trabalho, da família e ou responsável e da rede
do da responsabilização de sua medida anterior, de atendimento do município, visando propiciar
a consciência de direitos e deveres, o respeito às a reintegração social do socioeducando para a
regras e normas, bem como a elaboração ou re- construção de sua cidadania.
tomada de um projeto de vida; A execução da medida de Semiliberdade é de
/ 23 /
responsabilidade do Estado, a mesma é realiza-
da não somente através da gestão pública, mas
também mediante gestão compartilhada.
A Semiliberdade será executada de forma arti-
culada com o CASE da Vara da Regional, visando
à convergência de esforços através da atuação
conjunta no atendimento aos adolescentes/jo-
vens adultos, preservadas a autonomia e dinâmi-
ca de cada instituição.
/ 24 /
/ 25 /
2
/ 26 /
Prática
Socioeducativa de Internação.
/ 27 /
O trabalho a ser desenvolvido com adolescen- diano e do papel exercido por todos os educa-
tes/jovens adultos em cumprimento de medida dores sociais envolvidos no programa, visando
requer pensarmos o papel socioeducativo a ser oxigenar a proposta educativa e adequá-la à re-
estabelecido para a garantia não somente de alidade.
uma unidade continente, mas também centrado
em desenvolver uma intervenção de continui- 2.1 PRINCÍPIOS E DIRETRIZES
dade das ações a serem planejadas no cotidiano
institucional. Para isto, é fundamental a equipe O atendimento deverá partir da construção e
de trabalho estabelecer as diretrizes norteadoras implementação do Plano Individual de Atendi-
do atendimento que o socioeducando necessita mento, garantindo a proteção integral dos direi-
e que baliza o cumprimento da medida socioe- tos do adolescente/jovem adulto, observando-
ducativa. -se os seguintes princípios:
A efetividade do atendimento aos socioedu- a) Fazer prevalecer à ação sócio-pedagógi-
candos está fundamentalmente relacionada ao ca sobre a sancionatória, respeitando a singulari-
ambiente físico, de forma que respeite a dignida- dade do socioeducando, através de uma postura
de do sujeito e que favoreça o desenvolvimento de exigência, compreensão e disciplina, entendi-
das práticas socioeducativas previstas no Plano da esta como elemento organizador da subjeti-
de Atendimento Coletivo e demais propostas vidade e não como mero instrumento de ordem
individuais e coletivas de trabalho organizadas institucional;
pela Unidade. b) Estimular o desenvolvimento de atitude
Acima de tudo, o desenvolvimento de práti- cidadã nos adolescentes/jovens adultos, condi-
cas socioeducativas deverá manter sempre acesa cionada à garantia de direitos e ao desenvolvi-
a discussão acerca das diretrizes metodológicas mento de ações socioeducativas que visem à au-
do processo educativo, procurando estimular a tonomia do sujeito e o preparo para o convívio
reflexão a respeito dos acontecimentos do coti- social;
/ 28 /
c) Propiciar o acompanhamento da execu- um projeto de vida a partir do contexto familiar e
ção deste Programa e dos Programas específicos comunitário;
das Unidades, através de supervisão técnico-ins- h) Envolver concretamente a família/res-
titucional sistemática, realizada por servidores ponsável e o adolescente/jovem adulto na cons-
designados pela Direção Geral da FASE; trução e elaboração do plano individual de aten-
d) Organizar o Plano de Atendimento Cole- dimento;
tivo dos diversos Centros de Atendimento, bus- i) Proporcionar atendimentos individuais
cando compatibilizar a fundamentação teórica e/ou coletivos referentes aos direitos sexuais e re-
com a intervenção prática através das atividades produtivos de que são signatários adolescentes e
integradas de forma interdisciplinar; jovens adultos, e outros temas pertinentes;
e) Individualizar as ações, considerando as j) Promover a atualização e interação dos
fases de desenvolvimento de cada adolescente/ profissionais da socioeducação através da forma-
jovem adulto, sua subjetividade, capacidades, ção continuada, fundamental para o aperfeiçoa-
potencialidades e limitações, priorizando a sua mento das ações e práticas socioeducativas;
participação em todas as etapas socioeducativa, k) Manter interface e cooperação entre os
através do processo ação-reflexão; programas de Internação, Semiliberdade, Progra-
f) Garantir o atendimento de irmãos que in- mas de Meio Aberto da respectiva regional, bem
gressem concomitantemente, preferencialmen- como com o Programa de Acompanhamento de
te na mesma unidade. Egressos;
g) Organizar a dinâmica institucional, privi- l) Garantir a interlocução com os Progra-
legiando o caráter pedagógico da medida, para mas de Atendimento da Rede Socioassistencial.
desenvolver no socioeducando o sentido da
responsabilidade, o entendimento de direitos e 2.2 PROGRAMA DA UNIDADE
deveres, o respeito às regras e normas próprias
do convívio em sociedade, bem como a busca de Cada Unidade de Atendimento deverá pos-
/ 29 /
suir o seu Programa, que deve explicitar a organi- te - CEDICA, conforme previsão do artigo 9º da
zação e o funcionamento da Unidade de atendi- Lei nº 12.594/12, bem como no Conselho Muni-
mento, especificando o regime de atendimento, cipal dos Direitos da Criança e do Adolescente -
(Internação Provisória, Internação, Internação- COMDICA específico de cada regional onde há
-sanção e Semiliberdade), sexo (masculino/fe- Unidade de Internação.
minino), métodos e técnicas pedagógicas, bem Toda Unidade, ainda, deverá possuir: Plano
como as atividades coletivas. de Atendimento Coletivo, Prontuário Individual
Deve prever, ainda, a estrutura de material e para cada socioeducando e Manual do Adoles-
recursos humanos, bem como as estratégias de cente.
segurança, normas gerais para a proposta e reali-
zação do Plano Individual de Atendimento (PIA), 2.2.1 Plano de Atendimento Coletivo
atribuições e responsabilidades dos dirigentes,
equipes técnicas e agentes socioeducadores, É composto pelas várias atividades desenvol-
medidas disciplinares e devidos procedimentos vidas na Unidade e, dado o seu alcance na rotina
e acompanhamento de egressos. institucional, deve estar exposto em local visível
Na Unidade de Atendimento as socioeducan- e de acesso geral.
das do sexo feminino, deverá haver previsão de Deve estar em sintonia com a concepção do
espaço, para alojamento conjunto de mãe e re- Programa de Atendimento, apresentando o pla-
cém–nascido. O tempo de permanência do bebê nejamento geral das rotinas da Unidade com
junto à genitora ficará sujeito à avaliação especí- descrição das atividades cotidianas, de participa-
fica de cada caso, respeitando-se o superior inte- ção obrigatória ou facultativa, definição de local
resse da criança, e demais previsões legais. e horário das refeições e visitas, tipo e frequência
O Programa da Unidade, bem como suas al- dos atendimentos técnicos, mapeamento de es-
terações, deverão estar inscritos no Conselho cala de limpeza, organização da movimentação
Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescen- interna em razão das atividades escolares, de
/ 30 /
profissionalização, recreação, lazer, espiritualida- Nas hipóteses de transferência do socioedu-
de, de atendimentos de saúde em geral. cando para outro Centro de Atendimento So-
Conterá também as normas pertinentes à se- cioeducativo, o prontuário deverá ser remetido
gurança da Unidade, como as relativas aos pro- ao novo local para dar continuidade aos atendi-
cedimentos de revista, disciplina (Comissão de mentos.
Avaliação Disciplinar), às estratégias de preven- Nos casos de trabalhos acadêmicos, a solicita-
ção e atuação nas situações de conflito, controle ção deverá ser encaminhada a Assessoria de In-
de entrada e saída da Unidade (incluindo o desli- formação e Gestão (AIG) da FASE para o processo
gamento de adolescentes/jovem adulto), etc. de avaliação do trabalho a ser pesquisado, cujo
acesso ocorrerá com a devida autorização do
2.2.2 Prontuário Individual adolescente e seu responsável legal.
do socioeducando
2.2.3 Manual do Adolescente
É o conjunto ordenado de documentos e
anotações referentes ao adolescente/jovem O manual será entregue a todos os socioe-
adulto e ao cumprimento da medida estabeleci- ducandos no momento de seu acolhimento,
da judicialmente. Destina-se ao registro de toda mediante protocolo, consistindo no documento
a evolução do atendimento ao socioeducando, que contém informações e orientações acerca de
desde o ingresso até o desligamento, efetuados seus direitos e deveres, bem como dos procedi-
pelos membros da Equipe Diretiva e Técnica. Da mentos e medidas disciplinares em caso de faltas
mesma forma, a equipe de saúde fará os regis- cometidas durante o cumprimento da medida.
tros pertinentes em prontuário específico, o qual O manual assegura que todos os socioedu-
deverá estar disponível para acesso do socioedu- candos possuirão o mesmo grau de informações,
cando e de sua família, se assim for autorizado permitindo que estas sejam revistas sempre que
pelo mesmo. desejado, possibilitando, assim, a sua reflexão so-
/ 31 /
bre as normas de conduta e convívio na Unidade. Respeitar-se-á os seguintes aspectos:
a) A equipe diretiva, diretamente ou por re-
2.3 ACOLHIMENTO DA UNIDADE presentante, deverá verificar a existência da devi-
da guia de internação proferida pela autoridade
O acolhimento é o momento inicial que pro- judicial competente sendo atestado o recebi-
picia ao socioeducando o conhecimento e es- mento ao Oficial de Justiça responsável pela con-
clarecimento da medida socioeducativa que irá dução do socioeducando;
cumprir, assumindo o compromisso com a sua b) O Oficial de Justiça da Infân-
reintegração social. cia e da Juventude designado tem competência
Essa percepção poderá ser de aceitação, re- para conduzir o socioeducando até a Unidade,
jeição ou indiferença e influenciará nas atitudes mas não precisa aguardar a realização dos pro-
que permearão essa relação no decorrer do cum- cedimentos internos institucionais, para poder
primento da medida. Este trabalho de aproxi- ser liberado. Sua tarefa é cumprir a determinação
mação do socioeducando se dá no processo de judicial de internação.
construção de vínculo e participação da família c) Ato contínuo será encaminhado para reali-
e/ou família extensa que é fundamental na ade- zação dos procedimentos de exame físico a ser
são da medida socioeducativa. realizado pela enfermagem mediante a entrega
Para isto, é necessário que a equipe atente do boletim de exames de lesões corporais (DML),
para esses contatos iniciais, assumindo atitudes e posteriormente a revista pessoal do socioedu-
facilitadoras de acolhida, tais como tratar o so- cando pelo Agente Socioeducador estritamente
cioeducando pelo nome, transmitir segurança e necessária para garantia da segurança do adoles-
apoio, abrindo-se para captar o seu estado emo- cente e/ou jovem adulto, bem como dos demais.
cional do mesmo, não emitindo conceito de va- d) Orientação ao adolescente/jovem adulto,
lor sobre seu ato infracional, ou outros constran- pelo chefe de equipe, sobre os aspectos relevan-
gimentos pejorativos. tes ao cumprimento da medida socioeducativa,
/ 32 /
como a organização interna do CASE, objetivos 2.4 SISTEMA NACIONAL DE ACOMPANHA-
e metodologia de atendimento, seus direitos e MENTO DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS - SI-
deveres, bem como os procedimentos discipli- PIA-SINASE
nares, com a entrega do manual do adolescente
que permanece com o socioeducando em todo O Sistema Nacional de Acompanhamento de
o processo de internação. Medidas Socioeducativas, SIPIA-SINASE, tem em
e) Encaminhamento para realização de higie- sua proposta a criação do Sistema de Informação
ne pessoal, alimentação e vestuário, de acordo em rede para registro e mensuração de dados
com suas necessidades; referentes aos socioeducandos em cumprimen-
f) Efetivação de revista dos pertences e obje- to de medida socioeducativa. Este Sistema tem
tos a serem recolhidos em local apropriado, devi- abrangência Nacional, onde todos os opera-
damente relacionados em ficha própria, conten- dores de direitos realizam a inserção dos dados
do a assinatura do socioeducador e adolescente/ de acompanhamento dos adolescentes/ jovens
jovem adulto. adultos. O SIPIA cumpre o papel de ser ferramen-
g) Dentro do período máximo de 72 horas se- ta de interlocução entre as instituições executo-
rão realizados atendimentos técnicos especiali- ras de medidas socioeducativas, Ministério Pú-
zados para início da construção do PIA. blico, Varas da Infância e Juventude, Delegacias,
Ao término das etapas acima, será o socioedu- Centro de Atendimento Socioeducativo (interna-
cando em cumprimento da medida socioeduca- ção e semiliberdade), CREAS e demais órgãos das
tiva e de acordo com o seu plano individual de esferas Municipal, Estadual e Federal.
atendimento, inserido nas atividades coletivas, O SIPIA SINASE fundamenta-se no Estatuto da
levando-se em conta os critérios de convivência Criança e do (a) Adolescente e tem como prin-
institucional, gravidade da infração, compleição cipal diretriz a formulação de políticas públicas
física e idade. que atendam de forma efetiva o socioeducando
em cumprimento de medida. O mesmo se apre-
/ 33 /
senta como sistema de avaliação dos programas, incluírem e alimentarem o sistema também po-
nas seguintes etapas: derão pesquisar se o mesmo já mantinha acom-
1 – Sistema de Processamento de Transação – panhamento sistemático na rede socioassisten-
gestão do atendimento - administração do caso/ cial. Esta ferramenta vem agregar informações
medida socioeducativa, composição e acompa- que serão fundamentais no processo de conti-
nhamento do PIA, onde as equipes socioeduca- nuidade da intervenção com o adolescente/jo-
tivas registram as ações e atendimentos realiza- vem adulto, sua família e/ou família extensa.
dos. A interlocução das informações inseridas no
2 - Sistema de Informação Gerencial - gestão SIPIA dará condições de compreender a propos-
do sistema - onde utiliza os dados e relatórios, ta socioeducativa que está sendo construída pela
para retroalimentar o Planejamento Estratégico rede de serviços e dará condições e subsídios de
da instituição. re-planejar a intervenção dentro do cumprimen-
3 - Sistema de Apoio a Decisão – panorâmica to da medida socioeducativa, contribuindo as-
da Unidade Federativa e administrativa da movi- sim com o Plano Individual de Atendimento em
mentação dos casos para a tomada de decisão suas diferentes etapas dentro da execução.
em nível de Governo Estadual e suas políticas. Além de subsidiar e qualificar o trabalho das
4 – Sistema de Apoio do Executivo – incidên- equipes da socioeducação, o SIPIA SINASE tem
cia na efetividade das políticas setoriais, cruza os por finalidade mensurar qual o perfil dos ado-
dados de todos os estados e gera políticas públi- lescentes/jovens adultos em cumprimento de
cas e legislação. medida socioeducativa no Estado, traçando in-
No processo de atendimento e acompanha- dicadores e analisando as diferentes expressões
mento da medida socioeducativa, o SIPIA SINASE da questão social. Estas análises a partir do SI-
será um grande aliado na composição da história PIA SINASE contribuirão para o tensionamento
de vida dos adolescentes/jovens adultos aten- de criação de políticas públicas que atendam as
didos na FASE, uma vez que as equipes além de demandas do socioeducando atendido não so-
/ 34 /
mente pela FASE, mas também em todo territó- caráter gradativo, desde a Internação Provisória
rio nacional. até o seu desligamento. É um acompanhamento
A implantação do SIPIA SINASE na FASE está sistemático que garante que a Equipe de Traba-
ocorrendo concomitante com o processo de im- lho possa revisar frequentemente, o processo de
plementação nacional da Secretaria de Direitos evolução do cumprimento da medida socioedu-
Humanos, a qual será revisada a cada três anos. cativa.
Deverá conter a avaliação disciplinar, os obje-
2.5 PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO tivos declarados pelo socioeducando, a definição
- PIA das atividades de integração e de apoio à família/
responsável, individuais e de grupo, as ações es-
O PIA é um instrumento de intervenção dinâ- peciais de assistência e tratamento as demandas
mico, estando sempre em processo de avaliação que surgirão no período de internação, fixação
e mudança, e acompanha o socioeducando des- de metas e atenção à saúde, as condições para a
de o seu primeiro ingresso. sua progressão e/ou desligamento.
Todo adolescente/jovem adulto que ingressar O PIA é um importante instrumento de ava-
nas Unidades de Internação Provisória, Interna- liação do processo de cumprimento da medida
ção, ou Semiliberdade será avaliado pela Equipe socioeducativa, contendo a previsão, o registro
Técnica, devendo ser elaborado um Plano Indivi- e a administração das atividades desenvolvidas
dual de Atendimento – PIA. com o socioeducando. Este instrumento deverá
O PIA será estruturado de acordo com as ne- contemplar os seguintes aspectos:
cessidades do socioeducando, descrevendo as - Educação Formal: grau de escolaridade, me-
atividades que o auxiliarão no seu desenvolvi- tas e expectativas do socioeducando no proces-
mento e amadurecimento pessoal e social, ga- so de ensino formal, áreas do conhecimento de
rantindo a interlocução com a rede socioassisten- que necessita ou em que deseja se aprofundar;
cial de referência. Para tanto, deve atentar para o - Profissionalização: experiências que o socio-
/ 35 /
educando já possui no âmbito do trabalho, áreas continuidade do processo socioeducativo após
de formação profissional que sejam de seu in- o seu desligamento. Este instrumento, por ora
teresse bem como oficinas e cursos disponíveis organizado em formulários específicos, estará
que o mesmo deseja freqüentar. sendo atualizado conforme a implementação do
- Abordagem Familiar e Comunitária: serão SIPIA SINASE.
abordadas as relações do socioeducando com
sua família e/ou família extensa promovendo a 2.5.1 PIA Contextualização
construção de ações que proporcionem o forta-
lecimento e restabelecimento dos vínculos afeti- Este PIA deve contextualizar a situação ini-
vos bem como a reinserção social e comunitária. cial do adolescente/jovem adulto, trazendo sua
- Cultura, Lazer, Esporte e Espiritualidade: ex- história de vida familiar e comunitária, sua auto
periências que o socioeducando já possui ativi- identificação étnica, bem como avaliando as
dades esportivas e de lazer em que queira inse- possíveis situações de vulnerabilidade e risco
rir-se e ou aperfeiçoar, focos de interesse cultural social, necessidades, potencialidades a serem
que queira desenvolver, grupos de formação es- trabalhadas no acompanhamento técnico. Este
piritual e religiosa que deseje conhecer ou parti- instrumento traça o plano de intervenção a ser
cipar, garantia a livre opção religiosa. construído e avaliado com o socioeducando e
- Saúde: referente à saúde integral do socio- sua família e/ou família extensa. O mesmo deve-
educando, considerado ações de prevenção e rá ser encaminhado para a apreciação do Poder
promoção de saúde. Judiciário, conforme prevê o artigo 55, parágrafo
- Jurídico: informação acerca da situação pro- único, da Lei nº 12.594/2012.
cessual do socioeducando.
O PIA será dividido em etapas, conforme o 2.5.2 PIA Plano de Ação
momento de internação em que se encontra o
adolescente/jovem adulto, buscando garantir a O PIA Plano de Ação constitui o momento de
/ 36 /
pactuar com o socioeducando, família e/ou fa- sistencial, buscando atividades de integração e
mília extensa e rede de apoio os objetivos a se- apoio às referências familiares, buscando garan-
rem alcançados no decorrer do cumprimento da tir a continuidade do acompanhamento na co-
medida socioeducativa bem como estabelecer munidade.
as atividades internas e externas, individuais ou
coletivas das quais o adolescente/jovem adulto 2.5.4 PIA Egresso
poderá ser incluído. Este plano tem por base os
itens apontados no PIA Contextualização, con- Este plano contém as ações construídas com
templando os dados gerais de identificação, o socioeducando, família e/ou família extensa e
saúde, escolarização, aprendizagem, profissio- rede de apoio na progressão de medida ou em
nalização, responsabilização, lazer, espiritualida- seu desligamento institucional. Deve conter,
de, atividades esportivas e culturais, família e ou além dos dados gerais de identificação, a descri-
responsável, inclusão comunitária e articulação ção das propostas a serem trabalhadas no seu
com a rede socioassistencial. retorno ao convívio familiar e comunitário, bem
como descrever a adesão, ou não, ao POD Socio-
2.5.3 PIA Relatório Avaliativo educativo, ou outras intervenções do Programa
de Egresso. Importante constar também todas
Este relatório deve retratar o acompanhamen- as articulações com a rede externa de apoio que
to e evolução dos objetivos traçados no PIA Plano será acionada para a continuidade do acompa-
de Ação, discriminando e analisando os objetivos nhamento do socioeducando e família/respon-
atingidos e os não alcançados, propondo novas sável.
ações a serem traçadas no processo de continui-
dade da intervenção. 2.5.5 Proposta Pedagógica
Entende-se como fundamental a potencia-
lização das ações voltadas para rede socioas- A educação só é eficaz na medida em que re-
/ 37 /
conhece e respeita os limites e exercita as possi- balho. Ser referência é um lugar que implica en-
bilidades e, desse modo, as ações pedagógicas volvimento contínuo, uma troca sistemática com
devem estar integradas e contextualizadas com a equipe de trabalho, avaliando e reavaliando as
a realidade vivenciada pelo adolescente/jovem ações socioeducativas pensadas, tendo como
adulto, possibilitando, com isso, a reflexão sobre balizador:
a sua condição de sujeito e visando alternativas • Acolhimento e manutenção do cuidado;
nesse processo de (re) inserção social. •Reparação de danos decorrentes de estig-
mas, discriminações e situações de violência;
[Link] Ações Socioeducativas • Convívio em grupo (sociabilidade);
• Acesso a conhecimentos;
A proposta de atuação socioeducativa passa a • Experimentação e meios que favoreçam a
ser ágil e eficiente a partir do momento em que autonomia;
se estabelece a colaboração, parceria e diálogo • Estimular o senso de responsabilidade e de
entre a equipe construindo-se um fazer coletivo coletividade;
e solidário. • Desenvolver e fortalecer os vínculos na con-
No trabalho interdisciplinar todos ganham, na vivência familiar e comunitária no território;
medida em que se consegue realizar uma inter- • Possibilitar o acesso a conhecimentos e habi-
venção pautada na construção e troca de sabe- lidades que facilitem o ingresso e/ou reinserção
res. Neste aspecto as ações socioeducativas ga- na profissionalização e no mundo do trabalho;
nham um caráter propositivo e de continuidade. •Espaços de cultura e lazer.
A equipe de trabalho (Direção, Socioeducadores Assim, o período de cumprimento da medi-
e Equipe Técnica) é a referência do socioeducan- da não deve representar um recorte absoluto
do e dos seus familiares, para tanto ter clareza do socioeducando em relação à sua realidade.
dos princípios que subsidiam a prática interdis- O reconhecimento da totalidade do sujeito e do
ciplinar é fundamental para a efetivação do tra- seu protagonismo na construção de sua história
/ 38 /
deve ser fator presente em todo o processo de [Link].1 Escolarização
socioeducação. Para tanto, a equipe socioeduca-
tiva deve reconhecer sua incompletude e prati- De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da
car ações vinculadas com a realidade sócio-co- Educação Nacional, a educação abrange os pro-
munitária, construindo e fortalecendo vínculos cessos formativos que se desenvolvem na vida
com entidades de atendimento voltadas à saú- familiar, na convivência humana, no trabalho, nas
de, educação, profissionalização, lazer, cultura e instituições de ensino e pesquisa, nos movimen-
de caráter social. tos sociais e organizações da sociedade civil e nas
O socioeducando deve ser reconhecido como manifestações culturais.
um ser social em constante crescimento, mudan- Compete à Secretaria Estadual da Educação
ça e em movimento nos grupos sociais. Partindo- a oferta de Educação Básica que compreende o
-se deste entendimento, a abordagem socioedu- Ensino Fundamental – séries iniciais e finais e En-
cativa também deve buscar a estimulação do sino Médio aos adolescentes/jovens adultos au-
socioeducando para a avaliação crítica da sua tores de ato infracional. As instalações da escola
realidade, reconhecendo-se como ser atuante devem estar integradas ao espaço dos CASE’s e
e responsável por suas ações. Com o desenvol- seu funcionamento dar-se-á nos turnos da ma-
vimento destes aspectos, o caráter pedagógico nhã, tarde e vespertino, com turmas distintas e
da medida socioeducativa passa a contemplar, grupos pequenos, buscando-se não exceder a
junto ao sujeito atendido, a construção da rela- 10(dez) socioeducandos, para possibilitar o aten-
ção empática deste com todos os envolvidos no dimento de todos os adolescentes/jovens adul-
processo, promovendo sua responsabilidade e tos em cumprimento de medida socioeducativa
envolvimento genuíno com seu processo de in- contemplando tanto os aspectos pedagógicos
clusão social. quanto os de segurança.
A metodologia da escolarização deverá ser
construída através de estudos realizados entre
/ 39 /
a FASE e a Secretaria da Educação/RS, cabendo conteúdo formal, mesmo durante o período de
ao Técnico em Educação/Pedagogo mediar à IP.
sintonia entre a escola e o projeto pedagógico No cumprimento da execução da medida
do programa de internação, compondo tecnica- socioeducativa de internação, deve ser garan-
mente com os responsáveis pelo gerenciamento tido na programação das atividades escolares,
das instituições envolvidas (FASE e Secretaria da um espaço para acompanhamento sistemático
Educação). das tarefas, onde os socioeducandos possam ser
A carga horária do ano letivo, prevista em le- auxiliados caso apresentem dificuldades, objeti-
gislação específica 1 , corresponde a 800 (oito- vando a autonomia e a responsabilidade.
centas) horas e 200 (duzentos) dias letivos, distri-
buídos, por competência, pela Escola, cabendo [Link].2 Profissionalização
aos CASEs proporcionar as condições que garan-
tam a execução 2 , sendo que cada socioeducan- Na FASE RS, a proposta de profissionalização
do deve ter no mínimo 4 (quatro) horas diárias desenvolve-se de acordo com três modalidades
de aula. diferentes. A primeira forma de atender o ado-
Durante o período de internação provisória, lescente/jovem adulto é a Oficina Ocupacional, a
a escolarização dar-se-á através de metodologia segunda modalidade é a de Educação Profissio-
específica que garanta abordagens curriculares nal e a terceira modalidade é Aprendizagem.
correspondentes ao nível de ensino 3, de forma A profissionalização envolve todos os ado-
a adequar-se ao tempo de permanência, para
posterior (re) inserção no regime regular de en-
1
Lei n° 9.394/96 – que estabelece as Diretrizes e Bases da Edu-
cação Nacional
sino . Nos casos de socioeducandos que estavam 2
Compete à Secretaria de Estado da Educação, enquanto
frequentando regularmente a rede oficial de en- mantenedora das escolas, elaborar as diretrizes e as questões
afetas ao regimento e à organização escolar, incluindo regi-
sino, deve ser realizado imediato contato com a me e proposta pedagógica a serem adotados.
escola de origem para que este tenha acesso ao 3
SINASE – item [Link](1)
/ 40 /
lescentes/jovens adultos internos na Fundação ta de sua história, na escolha das oficinas e cursos
e visa contribuir para o processo de socializa- que irá realizar sendo competência do Técnico
ção, considerando o interesse e potencialidades em Educação/Pedagogo a abordagem, orienta-
pessoais dos socioeducandos na busca de sua ção e acompanhamento do socioeducando no
inclusão no mundo do trabalho. Para tanto, o processo.
Técnico em Educação/Pedagogo atuará identi- Dentro desta proposta, são três as modalida-
ficando as potencialidades dos socioeducandos des:
e encaminhando-os para a realização dos cursos
ofertados através dos convênios firmados pela [Link].3 Oficina Ocupacional
FASE, adequados à sua condição, onde terão a
oportunidade de desenvolver suas competên- A Oficina Ocupacional constitui-se como pro-
cias, habilidades básicas e atitudes necessárias posta alternativa de atividades e para a prepara-
à convivência social e exigidas pelo mercado de ção de geração, futura ou provável, de renda aos
trabalho. adolescentes/ jovens adultos, em conformidade
A proposta de profissionalização a ser oferta- com a legislação. Estas oficinas visam atender so-
da, integrará o Plano Individual de Atendimento cioeducandos no início da execução da medida,
(PIA) que é definido a partir de uma abordagem sendo ofertada em todos os Centros de Aten-
interdisciplinar, com reuniões e discussões sobre dimentos Socioeducativos (CASEs) e Centro de
cada socioeducando. No PIA constará entre ou- Convivência (CECON). A orientação e o auxílio na
tras informações, a trajetória, as necessidades, a construção das propostas de oficinas, bem como
idade, escolaridade, os interesses do socioedu- a coordenação pedagógica destas ações obser-
cando e suas habilidades, sendo compartilhados vando sua pertinência e adequação, são de com-
com sua família/responsáveis os encaminha- petência do Técnico em Educação/Pedagogo. Da
mentos. Deverá haver a participação do próprio mesma forma, a seleção e encaminhamento dos
adolescente/jovem adulto enquanto protagonis- socioeducandos para participação nas ativida-
/ 41 /
des serão de responsabilidade deste profissional, acompanhamento técnico de como adminis-
baseado em critérios que considerem o interes- trar o recurso pecuniário. Ainda, o adolescente/
se, a capacidade cognitiva e o comprometimen- jovem adulto por meio de recursos expressivos
to, acompanhando, igualmente, todo o desen- possui a oportunidade de explorar problemas
volvimento das mesmas, desde a inscrição até a e potencialidades pessoais através de processo
frequência e o aproveitamento alcançado, envol- criativo.
vendo o oficineiro neste processo avaliativo atra-
vés da aplicação de instrumento específico. [Link].4 Educação Profissional
As oficinas envolvem atividades variadas de
artesanato, cultura, expressão artística, educação A Educação Profissional é modalidade pro-
ambiental e formação humana, que atendam as fissionalizante que propõe aos socioeducandos
necessidades e características dos programas em passagem para o mundo do trabalho. Tal opor-
que estarão sendo desenvolvidas respeitando as tunidade de formação para acesso ao emprego
peculiaridades de cada região. contribui para um novo projeto de vida, com
O número de participantes nas oficinas pode- possibilidade de superar ações delitivas que
rá variar conforme a organização dos grupos e acarretaram privação de liberdade.
coordenação das atividades, que pode ser execu- A oferta de cursos conforme as tendências
tada por socioeducador, instrutor de artes, equi- produtivas de mercado são alternativas que su-
pe técnica ou integrante do Programa de Serviço postamente minimiza o risco de reingresso na
Voluntário da FASE. FASE e de exclusão social. Os cursos são utiliza-
As oficinas são oportunidades dos socioedu- dos socialmente como mecanismo de seletivi-
candos aprenderem a decidirem acerca da pro- dade ocupacional. O adolescente/jovem adulto
dução, comercialização dos produtos e, caso a ao possuir certificado de qualificação profissio-
oficina proporcione o ganho financeiro, recebe- nal possui melhores condições para concorrer à
rão a orientação em conformidade com o seu oferta de vagas de trabalho, o que facilita a inser-
/ 42 /
ção profissional inicial. A execução dos cursos, conforme preconiza a
Os cursos podem ser de iniciação profissional Lei 12.594/2012 – SINASE nos art. 76 ao art. 80 se
ou de qualificação profissional, com matriz refe- dará por meio do Sistema S (SENAI, SENAC, SE-
rencial organizada por módulos e carga horária NAR, SENAT). Poderão ser executados pelos Ins-
total máxima de 160h. A qualificação tem mo- titutos Federais e Fundações que desenvolvam
mento teórico concomitante com experiências programas voltados para a profissionalização,
práticas de trabalho. Conforme a área do curso, além da agenda orçamentária própria, destina-
o adolescente/jovem adulto de ICPAE ou em se- da para profissionalização, a FASE poderá realizar
miliberdade pode ser encaminhado para prática parceria com empresas privadas ou outras ins-
(conforme lei de estágios) na Fundação mesmo tituições que buscam cumprir tarefas sociais de
em empresas locais. desenvolver a formação profissional como pre-
A proposta é oportunizar cursos de diferentes coniza o ECA.
áreas profissionais que propiciem a escolha do Após essa formação, os adolescentes/jovens
adolescente/jovem adulto conforme seus inte- adultos deverão ser encaminhados ao mer-
resses, habilidades e medida de internação que cado de trabalho e/ou estágios remunerados.
cumpre. O seu encaminhamento para inserção Tais encaminhamentos serão feitos a partir de
nestes cursos será de competência do Técnico convênios com empresas privadas e públicas,
em Educação/Pedagogo que irá considerar o considerando, sobretudo, o aspecto formativo
interesse do socioeducando pela formação e o no desenvolvimento da competência pessoal
acompanhará durante a formação nos aspectos (aprender a ser), relacional (aprender a convi-
pedagógicos e de aproveitamento. Na interna- ver) e a cognitiva (aprender a conhecer). Nesse
ção provisória (IP) onde os adolescentes/jovens contexto, a remuneração recebida pelo socioe-
adultos aguardam definição jurídica e podem ducando, bem como a sua participação, em di-
permanecer até 45 dias, os cursos ofertados são nheiro ou espécie, no produto do seu trabalho,
de carga horária máxima de 70hs. reforçará o caráter educativo, uma vez que o in-
/ 43 /
troduz na gestão efetiva e prática do resultado pação na venda de produtos de seu trabalho não
da sua atividade laboral sendo também um es- desfigura o caráter educativo da atividade 4 .
paço propício para a equipe de trabalho incidir Desta forma, o trabalho educativo constitui-se
sua intervenção no que diz respeito à tolerância, num tipo específico de relação laboral que, sem
responsabilidade, comprometimento e admi- excluir a possibilidade de produção de bens ou
nistração do recurso recebido nas atividades de serviços, subordina essa dimensão ao imperativo
aprendizagem e trabalho. do caráter formativo da atividade, reconhecendo
como sua finalidade principal o desenvolvimen-
[Link].5 Aprendizagem to pessoal e social do socioeducando, predomi-
nando o aspecto educativo sobre o produtivo.
Na perspectiva da qualificação profissional, O programa de aprendizagem, regulamenta-
a Organização Internacional do Trabalho – OIT do pelo Decreto nº 5.598, de 1º de dezembro de
estabelece como princípio a proibição de em- 2005 e das diretrizes curriculares estabelecidas na
pregar crianças e adolescentes que não tenham Portaria MTE nº 615, de 13 de dezembro de 2007,
completado a escolarização obrigatória ou a ida- proporciona não só a qualificação específica da
de mínima de 14 anos para ingressar no mundo ocupação para o adolescente, mas também o
do trabalho, na condição de aprendiz. desenvolvimento da sociabilidade, da cidadania
O ECA define a profissionalização aos ado- e do protagonismo. Características importantes
lescentes/jovens adultos que cumprem medida para a inclusão desses no mundo do trabalho.
socioeducativa de internação e semiliberdade Além disso, estabelece a obrigatoriedade da fre-
como sendo a atividade laboral em que as exi- quência à Escola, pelo menos até a conclusão do
gências pedagógicas relativas ao desenvolvi- Ensino Fundamental.
mento pessoal e social do educando prevalecem As empresas muitas vezes apresentam dificul-
sobre o aspecto produtivo, e que a remuneração
recebida pelo trabalho efetuado ou pela partici- 4
ECA - art. 68, § 1º e 2º.
/ 44 /
dades em cumprirem a obrigatoriedade de em- em instrumentos de cooperação celebrados en-
pregar e matricular nos cursos dos Serviços Na- tre os operadores do Sistema S e os gestores dos
cionais de Aprendizagem (SESI, SENAI, SENAC) Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
número de aprendizes equivalente a 5% (cinco Essa previsão legal possibilita organizar pro-
por cento), no mínimo, e 15% (quinze por cen- gramas que contemplem as peculiaridades da
to), no máximo, dos trabalhadores existentes em população atendida pela FASE, como tamanho
cada estabelecimento, cujas funções demandem das turmas, tempo de duração.
formação profissional. Tal situação é para a FASE Tais atividades serão desenvolvidas nos tur-
a possibilidade de, em parceria com a Superin- nos manhã, tarde e noite, respeitando o horário
tendência Regional do Trabalho (SRT), estabele- da escola, e permitindo o atendimento em pe-
cer um programa de qualificação e profissionali- quenos grupos.
zação inovador na socioeducação. A FASE possui
adolescentes/ jovens adultos com perfil e neces- [Link].6 Biblioteca e Salas de Leitura
sidade de qualificação e experiência prática no
mundo do trabalho; ainda, precisam de parcerias Estes espaços assumem um papel importante
para desenvolver ações conjuntas entre governo na promoção do desenvolvimento cultural, do
e sociedade civil, na busca da ressocialização dos ensino, do estimulo à leitura, bem como ao pro-
adolescentes/ jovens adultos em cumprimento porcionar o acesso à informação que é condição
de medida socioeducativa de internação e semi- fundamental para o desenvolvimento da cidada-
liberdade. nia. Por meio do livro e leitura os adolescentes/
O SINASE, Lei nº 12.594/12, prevê que os Ser- jovens adultos que se encontram privados de li-
viços Nacionais de Aprendizagem (SENAI, SE- berdade aprendem de forma mais organizada a
NAC, SENAR E SENAT) poderão ofertar vagas aos sistematizar as informações e os conhecimentos,
usuários do Sistema Nacional de Atendimento a olhar com espírito crítico a realidade circundan-
Socioeducativo nas condições a serem dispostas te, a problematizar o mundo, além de interiorizar
/ 45 /
os seus direitos e deveres como sujeito e como Atendimento Coletivo de cada Programa da Uni-
cidadãos. Estes ambientes servem de suporte e dade.
reforço, também, à escolarização obrigatória e à A cultura também se propõe a
profissionalização. ser instrumento de elevação da autoestima pela
Cada unidade de atendimento deve dispor “participação de sujeitos históricos integrados
de espaços destinados para este fim, com pro- socialmente em torno de objetivos comuns, dia-
fissionais capacitados para a mediação de leitura logados e acordados por todos protagonistas de
e para a execução dos atendimentos multicultu- ações baseadas em pedagogia emancipatória
rais, cabendo à instituição garantir a execução das relações humanas, onde todas as pessoas se-
desta ação socioeducativa e incentivar as ativida- jam vistas como cidadãs” (I Conferência de Espor-
des de leitura dos adolescentes/ jovens adultos. te e Lazer RS, 2000).
Os acervos devem ser adequados, atualizados
e preservados. A orientação técnica e a supervi- [Link].8 Espiritualidade
são do trabalho serão realizadas pelo técnico bi-
bliotecário. O ECA estabelece o direito à assistência reli-
giosa de acordo com a crença proferida e com a
[Link].7 Cultura vontade do adolescente/ jovem adulto (art. 124).
Por espiritualidade entende-se a capacidade e
Por cultura se entende todas as manifestações necessidade humanas de vivenciar sentimentos,
artísticas e intelectuais que vão se estabelecendo perspectivas, experiências e idéias relacionadas a
ao longo do tempo e de forma coletiva. uma esfera da existência que transcende ao con-
As atividades culturais envolvem as diversas creto, ao cotidiano, de forma que o adolescente/
formas de expressão artística e humana, e serão jovem adulto reconheça sua vida inserida em um
realizadas nos turnos da manhã, tarde e noite, contexto para além do imediato.
durante toda a semana, conforme o Plano de Na perspectiva dos credos religiosos, será ga-
/ 46 /
rantida em parceria com as instituições religiosas, um direito de todos os brasileiros, garantido pela
dos diferentes credos da comunidade, compete Constituição Federal de 1988 e Lei Orgânica da
aos operadores socioeducativos promover a au- Saúde n° 8080/90, sendo realizada por um con-
to-reflexão, a crítica e a elaboração dos conflitos junto de ações e serviços de promoção, proteção
vivenciados pelo adolescente/ jovem adulto, de e assistência à saúde, garantindo os princípios
forma que sua experiência espiritual signifique doutrinários de universalidade, integralidade e
um auxílio em seu processo de mudança e cres- equidade.
cimento humano. A atenção integral à saúde dos adolescentes/
As atividades devem ser pautadas na reflexão jovens adultos na FASE/RS dar-se-á em conso-
e discussão dos valores universais como amor, nância com o SINASE, no Art. 60 e com a Política
paz, solidariedade, ética, companheirismo, ho- Nacional de Atenção Integral à Saúde de Ado-
nestidade, amizade e respeito pela vida. lescentes em Regime de Internação e Interna-
O atendimento religioso consiste na assistên- ção Provisória (PNAISARI), regulamentada em
cia, orientação e não na captação e/ou formação Portarias Interministeriais. No âmbito estadual a
de seguidores ou de novos orientadores, deven- PNAISARI foi instituída pelo Plano Operativo Es-
do, portanto, constituir-se num elemento orien- tadual (POE) de Atenção Integral a Saúde de so-
tador, e não opressor, na vida do adolescente/ cioeducandos em Conflito com a Lei, em Regime
jovem adulto. de Internação e Internação Provisória elaborada
por uma comissão intersetorial e aprovada pelo
[Link].9 Atenção à Saúde Conselho Estadual da Criança e Adolescência -
CEDICA, Comissão Intergestores Bipartite - CIB e
De acordo com a definição da Organização Conselho Estadual de Saúde – CES, e devidamen-
Mundial de Saúde (OMS), saúde é um estado te habilitado no Ministério da Saúde, em 2006.
de completo bem-estar físico, mental e social e Todo Centro de Atendimento Socioeducativo
não apenas a ausência de doenças. A saúde é possui um espaço destinado ao atendimento em
/ 47 /
saúde, denominado Ambulatório de Saúde, que Adolescente do RS 2010, podendo ser utilizado
deve possuir um Cadastro Nacional (CNES) no como instrumento disparador a Caderneta de
Data SUS do Estabelecimento de Saúde e de seus Saúde do Adolescente, para a faixa etária de 12
profissionais. Este ambulatório possui equipe de a 16 anos, a partir da distribuição pelos profissio-
profissionais, tais como: médico, enfermeiro, téc- nais de saúde e/ou escola.
nico e/ou auxiliar de enfermagem, odontólogo, Com relação às adolescentes/jovens adultas,
psicólogo e assistente social. será assegurado o direito à assistência pré-na-
Dentro dos níveis de complexidade das ações tal, parto e puerpério na rede SUS, recebendo
e serviços em saúde o socioeducativo executa a orientações em relação ao parto, amamentação
baixa complexidade. Os Ambulatórios de Saúde e cuidados com o recém-nascido e com o bebê.
dos Centros de Atendimento obedecerão às nor- A amamentação será assegurada por um prazo
mativas relativas à Estratégia de Saúde da Família mínimo de seis meses após o nascimento. Às
– ESF, tais como prontuário de saúde, Sistema de socioeducandas que estão cumprindo medida
Informação da Atenção Básica – SIAB, vacinação de Internação e Semiliberdade está assegurado
conforme calendário de vacinação do adoles- o direito à convivência com o(s) filho(s) a fim de
cente, preenchimento do RINAV – Relatório Indi- preservar os vínculos afetivos.
vidual de Notificação de Acidentes e Violências Garantindo a concepção de incompletude
(conforme Portaria n° 40/2004/SES/RS) e confec- institucional, os atendimentos de média e alta
ção do cartão SUS. complexidade prestados aos socioeducandos
Será acompanhado o desenvolvimento dos nos Centros de Atendimento da FASE são rea-
adolescentes/jovens adultos em termos de sua lizados pela Secretaria Municipal de Saúde, de
saúde sexual e reprodutiva; diagnóstico, acon- acordo com princípio organizacional do SUS de
selhamento e tratamento em DSTS/HIV/AIDS, descentralização. Este atendimento de média e
imunização, saúde bucal e doenças crônicas se- alta complexidade consiste em: atendimento es-
guindo a Política Estadual de Atenção Integral ao pecializado, exames laboratoriais, radiológicos e
/ 48 /
internações hospitalares (clínica, cirúrgica e psi- c) Identificar precocemente os fatores e as
quiátrica). condutas de risco, visando à redução da vulnera-
Cabe à FASE a operacionalização das ações de bilidade;
Atenção Básica, de acordo com as diretrizes do d) Promover uma cultura de prevenção às
Ministério da Saúde para adolescentes/jovens violências física, sexual e psicológica, e de aci-
adultos em cumprimento de medida socioedu- dentes;
cativa, priorizando ações de promoção, preven- e) Promover atenção integral aos socioedu-
ção de saúde e o trabalho em equipe interdisci- candos com problemas decorrentes do uso de ál-
plinar. Devem ser incluídas práticas educativas, cool e outras drogas, na perspectiva de redução
sem prejuízo da assistência à saúde como: de danos, bem como ações visando a amenizar
a) Favorecer o processo de acolhimento do os sintomas da abstinência;
adolescente/jovem adulto e construção do PIA, f) Abordar temáticas como: relações de
que visa desenvolver ações integradas a fim de gênero; relações étnico-raciais; relacionamentos
proporcionar o bem estar físico, mental e social sociais (família, escola, turma, namoro); preven-
dos socioeducandos, em conjunto com a família ção ao abuso de álcool, tabaco e outras drogas;
e/ou família extensa; violência doméstica e social, violência e abuso
b) Coordenar os atendimentos individuais sexual;
e grupais de adolescentes/jovens adultos com g) Propiciar atividades esportivas, espiritu-
o intuito de estruturar um plano de trabalho ais, culturais e de lazer;
que estimule a autoestima, o compromisso, o h) Estabelecer um programa de atendimen-
auto-cuidado, a responsabilidade, os direitos e to interdisciplinar e multisetorial.
deveres da cidadania, o controle do estresse, as Considerando que a população atendida no
inteligências intra e interpessoal, a influência dos sistema socioeducativo, está circunscrita em
pares, o pensamento crítico, e a consequência meio aos conflitos e estruturações sócio-bio-
das ações e escolhas; -psíquicas da adolescência, tem um sofrimento
/ 49 /
intensificado diante da privação de liberdade. c) O atendimento diferenciado ao ado-
Tal situação pode desencadear ou intensificar lescente/jovem adulto portador de sofrimento
psicopatologias, necessitando intervenções dife- mental e grande vulnerabilidade, acrescendo ao
renciadas e equânimes no campo de atenção da PIA o Plano Terapêutico Singular (PTS), de forma
saúde mental, contemplados no SINASE, seção II, a acolher e abordar as necessidades próprias des-
Art. 64. tes sujeitos;
Visando fortalecer as ações de prevenção do d) A promoção de eventos científicos visan-
adoecimento mental e de promoção da saúde do aquisição de conhecimentos, atualizações,
dos adolescentes/jovens adultos, o Grupo de troca de experiências e qualificação dos atendi-
Trabalho de Saúde Mental, formado através da mentos prestados aos socioeducandos.
Portaria 73/2013 – Presidência, estabelece as se- Os profissionais de saúde devem obedecer às
guintes diretrizes para o trabalho em saúde men- normativas (planos, ordens de serviço e/ou re-
tal no sistema socioeducativo: soluções) emanadas pela Direção Geral da FASE,
a) O fortalecimento do trabalho integrado que norteiam suas ações, entre elas:
nas unidades de execução das medidas, através - Resolução que disciplina o atendimento
de suas equipes interdisciplinares, na elaboração médico-psiquiátrico, a prescrição, a administra-
e implementação do Plano Individual de Atendi- ção de medicamentos psicotrópicos, bem como
mento; o manejo de comportamento de risco;
b) O estreitamento das relações com a Rede - Regimento Interno do Serviço das cate-
Externa de Atendimento, fortalecendo o fluxo de gorias profissionais de acordo com os conselhos
atendimento do adolescente/jovem adulto entre pertinentes;
as equipes da Fase/RS e a rede externa de atendi- - Resolução da Custódia, que orientam as
mento do Sistema Único de Saúde, na pactuação atribuições da equipe quando o socioeducando
dos Planos Operativos Municipais, bem como co- está em atendimento externo;
adjuvando nos diálogos Interinstitucionais; - Plano Intersetorial de Atenção Integral à
/ 50 /
Saúde Mental do Adolescente/ jovem adulto em uma vez que aplicada de forma dinamizada ten-
cumprimento de MSE de Internação. de a propiciar o bem estar do socioeducando,
As ações voltadas à saúde integral do adoles- permitindo-lhe condições de viver e conviver
cente/jovem adulto interno na FASE deve ocorrer adequadamente no cumprimento da MSE.
de forma humanizada, atendendo as legislações As atividades esportivas compreendem um
vigentes, buscando proporcionar o auto-cuida- sistema ordenado de práticas corporais que en-
do e estimular a cidadania. volvem “atividade competitiva, institucionaliza-
da, realizada conforme técnicas, habilidades e
[Link].10 Atividades Esportivas objetivos definidos pelas modalidades desporti-
vas segundo regras pré-estabelecidas que lhe dê
As atividades físicas, esportivas, culturais e de forma, significado e identidade, podendo tam-
lazer representam importante instrumento no bém ser praticadas com liberdade e finalidade lú-
processo socioeducativo, uma vez que atuam dica estabelecida por seus praticantes, realizado
nas múltiplas dimensões da formação humana em ambiente diferenciado, inclusive na natureza
(biopsicossocial). Constituem-se em uma ferra- (jogos: da natureza, radicais, orientação, aventu-
menta na construção da cidadania, na medida ra e outros)” 5 .
em que devem possibilitar a participação ativa, O Conselho Federal de Educação Física, ainda
criativa e cooperativa do socioeducando, traba- na conceituação de termos, refere que “Atividade
lhando a aceitação de regras e normas, “ensinan- física é todo movimento corporal voluntário hu-
do valores como liderança, tolerância, disciplina, mano, que resulta num gasto energético acima
confiança, equidade étnico-racial e de gênero” dos níveis de repouso, caracterizado pela ativida-
(SINASE) que, analogicamente, embasarão suas de do cotidiano e pelos exercícios físicos. Trata-
vidas. -se de comportamento inerente ao ser humano
A atividade física representa, portanto, um com características biológicas e sócio-culturais.
instrumento eficaz para a promoção da saúde, No âmbito da Intervenção do Profissional de
/ 51 /
Educação Física, a atividade física compreende a [Link].12 Abordagem Familiar e Comunitária
totalidade de movimentos corporais, executados
no contexto de diversas práticas: ginásticas, exer- Levando-se em conta a incompletude insti-
cícios físicos, desportos, jogos, lutas, capoeira, ar- tucional, compete aos agentes institucionais o
tes marciais, danças, atividades rítmicas, expres- encaminhamento a programas de atendimento
sivas e acrobáticas, musculação, lazer, recreação, e serviços comunitários (Art. 129 do ECA), no sen-
reabilitação, ergonomia, relaxamento corporal, tido da promoção do grupo familiar, visando ga-
ioga, exercícios compensatórios à atividade la- rantir o retorno do adolescente/jovem adulto ao
boral e do cotidiano e outras práticas corporais.” convívio social, reassumindo a família/responsá-
vel sua função educativa/protetiva, aumentando
[Link].11 Lazer as possibilidades de não reincidência do adoles-
cente/jovem adulto.
Atividades de lazer são aquelas voltadas para O encaminhamento a serviços existentes na
o bem-estar físico e mental dos adolescentes/ rede socioassistencial é fundamental para a in-
jovens adultos, incluindo-se filmes, espetáculos clusão da família e/ou família extensa em servi-
artísticos, meios de comunicação, jogos pedagó- ços e programas de proteção social básica, média
gicos, salas de leitura, ou seja, toda atividade que e alta complexidade que visem o fortalecimento
proporcione momentos de integração e partici- dos vínculos sociais e comunitários. Esta inter-
pação social entre os socioeducandos, incenti- locução deve acontecer em todo o processo de
vando e potencializando a capacidade criadora. acompanhamento da medida socioeducativa do
A mesma deve estar prevista no Plano Coletivo adolescente/jovem adulto, pois, visa garantir a
de Atendimento, especialmente dos finais de se- continuidade da manutenção de reinserção so-
mana e feriados, dias em que não haja atividades cial e comunitária.
fixas, como atendimentos técnicos, Escola e Ati-
vidades de profissionalização. 5
Documento Intervenção do Profissional - CONFEF
/ 52 /
Deverão ser desenvolvidas ações que propor- dar-se-á mediante a apresentação de cópia au-
cionem o fortalecimento e restabelecimento dos tenticada de documento de identidade do com-
vínculos afetivos entre os socioeducandos e seus panheiro (a) e da Declaração pública de união es-
familiares com a oferta de práticas restaurativas. tável, escritura pública ou administrativamente.
Dentre essas ações, será assegurada a visita A declaração de união estável, quando feita
periódica, ao menos semanal, ao adolescente/jo- por um dos companheiros que seja maior de 16
vem adulto que cumpre medida socioeducativa e menor de 18 anos, somente será aceita com a
de internação, observando dias e horários pró- participação de ambos os pais ou representantes
prios definidos pela Direção do Programa, bem legais.
como, os critérios técnicos e as especificidades A comprovação da união estável, quando al-
do Plano Individual de Atendimento. gum dos companheiros for menor de 16 anos,
Além disso, será assegurada a promoção de somente será aceita mediante reconhecimento
igualdade nas relações de gênero e étnico-ra- judicial.
ciais, direitos sexuais, bem como o direito à visita Aos menores de 16 anos, somente será permi-
íntima para os adolescentes/jovens adultos. tida a visita íntima se restar comprovado o casa-
mento ou reconhecimento judicial da declaração
[Link].13 Visita Íntima de união estável.
Cada CASE deverá garantir local adequado e
Será permitida a visita íntima ao adolescente/ reservado para a realização da visita íntima, nos
jovem adulto casado ou que viva em união es- termos das normativas nacionais, assegurando o
tável e esteja cumprindo medida socioeducativa direito à privacidade e à intimidade do socioedu-
de internação, após a comprovação do estado de cando.
casado ou de união estável. A prática desse direito ocorrerá com perio-
A comprovação da união estável, quando am- dicidade mensal em horário distinto do horário
bos os companheiros forem maiores de 16 anos, da visita familiar na Unidade e que não coincida
/ 53 /
com o horário escolar, com duração de, no má- Equipe Técnica em atendimento individualiza-
ximo, 90 (noventa) minutos, devendo o visitante do, bem como socioeducadores no cotidiano da
trazer roupa de cama e banho, conforme plano Unidade, observando-se o papel pedagógico de
de atendimento coletivo da unidade. A higiene cada agente institucional, seja da equipe diretiva
do local deverá ser realizada pelo próprio socioe- ou da operacional, no desenvolvimento de suas
ducando e o visitante. funções.
São critérios para obtenção da visita íntima: Durante o período de institucionalização do
a) Apresentação de certidão de casamento ou adolescente/jovem adulto, será garantido pela
comprovante de união estável; equipe técnica, no mínimo, um atendimento in-
b) Possuir o visitante documento de iden- dividual por semana.
tificação pessoal e intransferível específico para O atendimento individual ocorre conforme
realização da visita íntima, emitido pela Direção estiver estipulado no PIA, por solicitação do ado-
da Unidade; lescente/ jovem adulto e/ou familiar/ respon-
c) Não estar o socioeducando contemplado sável; por encaminhamento de profissional de
com atividades externas de visita familiar; outra área e sempre que o socioeducando en-
d) Participação do socioeducando, visitante contrar-se em regime de atendimento especial.
e de seus familiares em atendimentos individuais Será extensivo aos familiares e/ou responsáveis,
e/ou em grupos referentes à orientação sexual, conforme a necessidade, avaliação da equipe
métodos contraceptivos, doenças sexualmente técnica e demanda da própria família.
transmissíveis e HIV/AIDS e outros temas perti-
nentes à educação em saúde. [Link].15 Atendimento em Grupo
/ 54 /
vência e os relacionamentos interpessoais como encaminhamento de questões referentes a pro-
importantes conteúdos que possibilitam o de- blemas pontuais e de saúde, criação de um es-
senvolvimento de vínculos baseados na relação paço continente, diminuição da ansiedade, am-
solidária. pliação da comunicação e o convívio em grupo,
O atendimento em grupo é dirigido aos fami- contribuição com a equipe técnica oferecendo
liares e/ou responsáveis e aos adolescentes/ jo- um instrumento de trabalho e coleta de dados, e
vens adultos, utilizando técnicas de experiência/ trabalho interdisciplinar.
vivência de diferentes abordagens de processo O grupo irá operar o trabalho em cima de um
grupal, objetivando desenvolver o fortalecimen- tema definido e conduzido previamente. É in-
to das relações interpessoais, trabalhando temas dicado como um instrumento para o desenvol-
que visem à tomada de consciência crítica. Essa vimento de fatores de prevenção, trabalhando
dinâmica se estrutura fundamentalmente na questões referentes à: juízo crítico, autoestima,
constituição de pequenos grupos. Em geral, o criatividade, etc. Deverá ter uma organização e
atendimento em grupo deverá ter um caráter in- periodicidade, tempo entre cada atendimento.
formativo, reflexivo, de orientação e convivência Compete à coordenação do atendimento em
institucional, conforme as demandas dos usuá- grupo manter os limites bem definidos criando
rios. condições adequadas de comunicação e diálo-
O objetivo da realização dos atendimentos em go, para que o socioeducando e sua família e/
grupo é criar um espaço onde os socioeducan- ou família extensa encontre um espaço saudável
dos e suas famílias e/ou família extensa possam para expor seus questionamentos.
falar sobre suas dúvidas e anseios, bem como O profissional deverá, após os atendimentos,
receberem informações sobre diferentes temas, fazer o registro com a finalidade de acompanhar a
tais como: Uso abusivo de substâncias psicoati- evolução do processo grupal, para que a Unidade
vas, internação no CASE, vocação profissional, tenha conhecimento do trabalho que está sendo
etc. Objetiva-se também: escuta profissional e realizado e da mensuração de seus resultados.
/ 55 /
[Link] Procedimentos Restaurativos comunicação não violenta que remete à constru-
ção de Territórios de PAZ, em conformidade com
Em 28/07/1999 a ONU recomendou aos Esta- os novos paradigmas das políticas públicas so-
dos Membros, mediante resolução, a adoção da ciais.
Justiça Restaurativa. Em 2005, o Projeto Justiça A implementação destas ações apoia-se na
para o Século XXI no Rio Grande do Sul foi im- metodologia da Comunicação Não Violenta
plantado e implementado pela 3ª Vara da Infân- (CNV) e de Construção de Paz da Justiça Restau-
cia e da Juventude, em parceria com a Fase/RS no rativa, em parceria com o Tribunal de Justiça, JIJ/
âmbito das Medidas Socioeducativas. POA e Programa de Justiça para o Século 21.
Os Procedimentos Restaurativos na FASE/ Cabe à Fase/RS promover capacitações para
RS visam à construção de novas perspectivas os seus profissionais visando transmitir e apro-
de atendimento ao socioeducando conforme fundar os conhecimentos em Justiça Restaurati-
preconiza o SINASE, promovendo mudanças na va, implementar de forma permanente os proce-
prática institucional, a partir de um paradigma dimentos e padronizar as ações.
embasado em valores restaurativos e na horizon- Os procedimentos restaurativos implementa-
talidade, garantindo o exercício da cidadania e a dos na Fase/RS são:
co-responsabilização de todos os participantes
envolvidos no Círculo Restaurativo. [Link].1 Círculos Familiares
As ações restaurativas na Fase/RS – Círculo
Restaurativo Familiar, Círculo de Compromisso e O Círculo Restaurativo Familiar é um procedi-
Círculo de Adesão - estão fundamentadas nas di- mento utilizado durante o cumprimento de MSE
retrizes da integração das políticas concernentes de internação provisória, internação sanção ou
à infância e adolescência, dos atores do judiciá- semiliberdade e realiza-se sob os princípios e va-
rio, executivo e legislativo, dada a importância da lores restaurativos da voluntariedade, responsa-
mediação de conflitos no âmbito do diálogo e da bilização, horizontalidade, respeito, participação,
/ 56 /
protagonismo e inclusão. Conta com a participa- [Link].2 Círculos de Adesão
ção do adolescente/ jovem adulto, familiares, co-
munidade, rede de atendimento e profissionais Os Círculos de Adesão são realizados no mo-
da Fase/RS. mento em que o adolescente/ jovem adulto re-
Objetiva-se a compreensão do adolescente/ cebe progressão da Medida Socioeducativa de
jovem adulto a cerca da desaprovação do ato Internação para Semiliberdade, sendo conduzi-
infracional, a responsabilização por suas conse- das por ambas as equipes técnicas.
quências, o auxílio no cumprimento da medida Tem como objetivo a satisfatória continuida-
socioeducativa e a restauração das relações uma de do processo socioeducativo e implementação
vez rompidas, comprometidas ou enfraquecidas o plano individual de atendimento, garantindo
com a sociedade ou grupo familiar. as aquisições já alcançadas na medida anterior,
O processo restaurativo inclui: Pré-círculo, Cír- oportunizando um novo momento de reflexões
culo e Pós-círculo. Os momentos do Círculo pro- acerca do delito cometido e de suas consequên-
priamente dito trabalham as seguintes questões: cias.
compreensão mútua, auto-responsabilização e
oferecimento de ações positivas de uns para os [Link].3 Círculos de Compromisso
outros, implicando em acordo mútuo entre os
participantes. Os Círculos Restaurativos Fami- Os Círculos de Compromisso são uma variante
liares são realizados mediante avaliação técnica dos Círculos Restaurativos Familiares, sem a par-
sobre a pertinência do procedimento ou por in- ticipação direta da vítima, abrangendo o socio-
dicação do Juiz da Execução, ficando a cargo da educando e a respectiva comunidade de apoio
equipe técnica da Fase/RS a sua organização e e rede externa, tendo por objetivo a pactuação
realização. do PIA Egresso (Plano Individual de Atendimen-
to para o Egresso) no momento do desligamento
da MSE de Internação, Semiliberdade e/ou pro-
/ 57 /
gressão para MSE de meio aberto. estratégia de trabalhar resolução de situações
de crise. No processo de acompanhamento do
[Link].4 Círculos de Construção de Paz/ Re- cumprimento da medida socioeducativa há ne-
solução de Conflitos cessidade de se potencializar ações pautadas no
círculo de construção de paz, pois, a mesma con-
Os Círculos de Construção de Paz traz a impor- tribui para o estabelecimento de relações mais
tância de trabalhar diferentes formas de inter- saudáveis quando em situação de estresse, sem
venção na resolução de conflitos. Um lugar para voltar-se para atitudes de reprodução da violên-
estabelecer relacionamentos, sendo um espaço cia bem como outras formas de expressão de
que oportuniza momentos em que os partici- conflitos.
pantes possam se conectar uns com os outros. O fortalecimento de formação continuada
Possibilita que os participantes compartilhem para as equipes é fundamental para que a Fun-
sentimentos, pensamentos e apoio mútuo. É um dação possa continuar potencializando suas
lugar para fortalecer habilidades fundamentais ações na construção de alternativas para traba-
no estabelecimento da comunicação não violen- lhar mediação e resolução de conflitos tema este
ta, do diálogo, da escuta como princípios funda- de grande impacto institucional.
mentais para o estabelecimento de relações mais
saudáveis. Este instrumento de trabalho oferece 2.6. EQUIPE SOCIOEDUCATIVA
a oportunidade da autoexpressão, auto-reflexão
para a re-significação das situações conflituosas O trabalho socioeducativo deve embasar-se
do cotidiano. na estruturação de instituição continente, ou
Os preceitos, de referência dos círculos de seja, um espaço socioeducativo que atenda às
construção de paz vêm a somar ao trabalho re- necessidades materiais básica, de segurança, e
alizado na Fundação, pois oportuniza que as que balize sua intervenção conforme o Plano de
equipes possam agregar esse instrumental como Atendimento Coletivo, refletindo cotidianamen-
/ 58 /
te ações preventivas e estratégias de atendimen- da estratégias de intervenção educativa. Contri-
to. Na Internação o atendimento deve ocorrer de buem no processo de desenvolvimento comu-
forma sistêmica com ações continuadas integra- nitário atendendo as situações que envolvem
das da rede pública de atendimento direto e in- vivências de risco, desempenhando ações edu-
direto ao adolescente/ jovem adulto em conflito cativas, informativas, de orientação, tornando-se
com a lei, adotando-se referencial educativo in- co-responsáveis pelo planejamento, execução e
tegrado e coeso. avaliação da prática pedagógica.
A ação dos profissionais da socioeducação Aos profissionais da socioeducação compete:
deve refletir uma prática embasada em referên- a) Propor e participar da execução do Plano
cias que fundamentem o trabalho socioeducati- de Atendimento Coletivo;
vo de aproximação com a questão social e suas b) Propor e participar da elaboração e exe-
múltiplas expressões e estratégias de enfreta- cução do Plano Individual de Atendimento – PIA;
mento e não na mera obrigação funcional ou c) Atender e orientar individualmente o so-
tolerância/condescendência para com o socio- cioeducando, nos termos do respectivo Plano In-
educando. Suas atribuições seguem as disposi- dividual;
ções legais, as diretrizes contidas no ECA, SINASE d) Atender e orientar os familiares e/ou
e PEMSEIS, bem como no Regimento Interno da responsáveis do socioeducando, objetivando o
FASE, além do disposto no Plano de Empregos, restabelecimento ou a preservação dos vínculos
Funções e Salários. familiares e da reinserção social e comunitária,
Todos os funcionários da Unidade têm um pa- tornando-os co-partícipes do processo socioe-
pel fundamental na efetivação das propostas e, ducativo;
por terem como objetivo a execução da medida e) Comprometer-se com a criação de am-
socioeducativa, devem estar imbuídos do papel biente institucional saudável, através da promo-
de educadores sociais, ou seja, são agentes de ção e manutenção do diálogo, da paz e do clima
mudança social que utilizam de forma integra- de entendimento, combatendo condutas desle-
/ 59 /
ais, vingativas, rancorosas, provocativas, antipe- doras do sistema socioeducativo.
dagógicas, vexatórias, degradantes ou aterrori- É responsável pela construção do Plano de
zantes nas relações interpessoais da unidade; Atendimento Coletivo junto com a equipe téc-
f) Manter interlocução com os profissionais nica, assim garantindo a realização das rotinas e
da rede de proteção básica, média e alta comple- metodologia de trabalho, propiciando a constru-
xidade seja elas públicas ou privadas que execu- ção de estratégias e meios para a efetivação de
tam as políticas de atendimento de meio aberto fóruns de discussão, interlocução e participação.
nos municípios. A sintonia entre Direção e demais membros
da equipe socioeducativa é fundamental para
2.6.1 Equipe Diretiva a continuidade e solidificação das propostas
de atendimento, bem como por imprimir uma
É formada pelo Diretor, Assistente de Direção linguagem única e coerente na Unidade. Para
e Chefes de Equipe, que detém a responsabilida- os socioeducandos, esta prerrogativa auxilia na
de legal pela guarda dos socioeducandos, com- necessidade de coerência interna, facilitando a
petindo-lhes a coordenação das demais equipes transformação do estado de ansiedade inicial
e o zelo pela adequada execução do Programa para um sentimento de segurança, pertenci-
de Atendimento do CASE e implementação do mento e identificação positiva com os adultos da
Plano Individual de Atendimento. Unidade.
Para o desempenho de suas atribuições, de-
vem exercer liderança junto aos funcionários e [Link] O processo de escolha dos dirigentes
constituírem uma referência para os socioedu-
candos devendo, para tanto, apresentar qualida- A escolha de dirigentes das Unidades, nos
des como dinamismo e comprometimento com termos do artigo 15, inciso II, da Lei Federal nº
o trabalho, além de conhecimento da legislação 12.594/12, observará critérios de escolarização e
específica e dos parâmetros e diretrizes nortea- formação superior, experiência no atendimento
/ 60 /
com adolescentes, conhecimento à cerca da rede árias em conformidade com o Plano de Atendi-
de atendimento socioeducativo, nos termos do mento Coletivo, bem como as demais atividades
artigo 17, da referida Lei. Fica vedado o acesso a previstas no Plano Individual de Atendimento.
qualquer função diretiva quem apresentar con- Assim, esse profissional é responsável por
denação criminal por decisão colegiada. veicular as informações cotidiana das rotinas e
intervenções através dos registros nos livros ofi-
2.6.2 Agentes Socioeducadores ciais, como forma de apontar as situações iden-
tificadas bem como agilizar as providências ne-
É nas atividades do agente socioeducador cessárias; participar dos fóruns de discussões da
que se evidencia a expressão mais constante do Unidade contribuindo com sugestões que me-
papel socioeducativo, uma vez que é nas 24h do lhorem a eficiência e efetividade das ações socio-
dia-a-dia que o espírito da proposta de atendi- educativas planejadas.
mento se manifesta de forma mais contundente Dentre suas atribuições inserem-se as ações
e inequívoca. Desta forma, o agente socioedu- preventivas para a preservação da integridade
cador representa, concretamente, a referência física e psicológica dos socioeducandos; bem
educativa aos socioeducandos, e suas atitudes e como a realização e/ou acompanhamento em
ações precisam ser o contraponto do mundo até atividades, internas ou externas à Unidade, e
então conhecido como única realidade por esses como partícipe ativo da implementação do PIA.
adolescentes/ jovens adultos. Compete também subsidiar com informações
Nesta troca constante de orientações, obser- a equipe de trabalho no que se refere ao com-
vações e diálogos (falas e escutas) é que se esta- portamento, conduta e participação do socioe-
belece o vínculo qualificado para a transforma- ducando no convívio diário.
ção da realidade. É sua competência executar,
supervisionar e orientar, junto aos socioeducan-
dos, todas as atividades previstas nas rotinas di-
/ 61 /
2.6.3 Equipe de Apoio pública e comunitária, visando à promoção e ga-
rantia dos direitos.
É formada por servidores das demais áreas: Considerando que o atendimento socioedu-
rouparia, almoxarife, assistente administrativo, cativo possui uma finalidade pedagógica, as ca-
motorista, serviço gerais que juntamente com tegorias profissionais devem alicerçar suas ações
os demais devem cumprir seu papel com ética na busca do desenvolvimento das competências
e comprometimento. Importante destacar que pessoais, relacionais, produtivas e cognitivas dos
a equipe de trabalho, incluindo os profissionais socioeducandos que estão sob os seus cuidados.
da equipe de apoio, deverá ter conhecimento e A equipe técnica deve trabalhar numa visão
clareza do Programa de Atendimento para que interdisciplinar, proporcionando atendimento
a proposta de intervenção seja coesa e tenha jurídico, psicossocial individual e/ou grupal, fa-
maior êxito em sua execução. miliar, ações de restabelecimento e manutenção
dos vínculos familiares, atividades educacionais
2.6.4 Equipe Técnica e recreativas. Os atendimentos e os relatórios
avaliativos é a síntese de todo o processo de
A equipe técnica além do conhecimento es- atendimento do socioeducando e sua família e
pecífico de sua área deverá ter conhecimento da /ou família extensa e exercem um papel funda-
legislação específica da socioeducação, relativo à mental no que se refere ao acompanhamento e
especificidade do trabalho, entendendo assim a encaminhamentos realizados durante a execu-
natureza do processo de cumprimento de uma ção da medida socioeducativa.
medida socioeducativa. É atribuição da equipe técnica a elaboração
Sua função é a de auxiliar no desenvolvimen- do PIA, cujas metas são traçadas junto com o so-
to pessoal e social do socioeducando atendendo cioeducando e seus familiares, produzindo rela-
as demandas e realizando os devidos encami- tórios (PIA Contextualização, PIA Plano de Ação,
nhamentos, acessando a rede de atendimento Relatórios Avaliativos, PIA Egresso), que serão
/ 62 /
repassados à autoridade judicial, como subsídio d) Inteirar-se do conteúdo dos diferentes li-
para o acompanhamento e revisão da medida vros de registros da unidade de atendimento;
socioeducativa. e) Participar das reuniões da unidade;
Compete aos técnicos apontar e orientar a di- f) Participar de treinamentos internos e ex-
reção da unidade sobre os adolescentes/ jovens ternos;
adultos que apresentem indícios de transtornos g) Acompanhar e oferecer subsídios técni-
mentais graves, de deficiências mentais ou asso- cos às atividades dos agentes socioeducadores;
ciadas, para que não sejam segregados em alas h) Recepcionar, acompanhar, atender e
ou espaços especiais, mas atendidos em suas ne- orientar os socioeducandos, enfocando aspectos
cessidades específicas. Desse modo, respeitando pertinentes à medida socioeducativa, ao Centro
a dignidade e os direitos dos socioeducandos de Atendimento e a sua área de atuação;
diante de seu sofrimento psíquico, conforme le- i) Realizar estudos de caso;
gislação vigente, devendo, quando necessário, j) Participar propositivamente da elabora-
buscar tratamento especializado ambulatorial ção e execução do Plano Individual de Atendi-
ou hospitalar externo. mento, na sua especificidade e no âmbito inter e
Quanto às rotinas que compõe a dinâmica de transdisciplinar promover ações para implemen-
atendimento, compete ainda à equipe técnica: tação do mesmo;
a) Planejar, coordenar e executar as ativida- k) Realizar acompanhamento especializado
des das respectivas áreas; nas áreas da educação, da recreação, do direito,
b) Participar propositivamente da elabo- da saúde, da psicologia e do serviço social;
ração, execução, acompanhamento e avaliação l) Registrar sistematicamente os atendi-
contínua do Plano de Atendimento Coletivo; mentos nos prontuários;
c) Participar da permanente avaliação das m) Avaliar a liberação de ligações telefônicas
ações da Unidade, propondo alternativas para a para os socioeducandos de acordo com as regras
superação das dificuldades; da unidade;
/ 63 /
n) Pesquisar e coletar dados nos autos dos [Link] Advogado
processos e demais documentos que constem
em prontuário, mantendo-se informado de to- A partir do pressuposto legal de que nenhum
dos os aspectos da medida socioeducativa; adolescente/ jovem adulto a quem se atribua a
o) Participar da Comissão de Avaliação Dis- prática de ato infracional será processado sem
ciplinar; defensor, sendo a ele assegurada assistência ju-
p) Propiciar aos socioeducandos atividades diciária integral e gratuita, através da Defensoria
grupais que trabalhem suas dificuldades e facili- Pública (Arts. 206, 207 e 141 do ECA), fica esta-
dades de convivência com o coletivo, reforçando belecido ao advogado da unidade outras atribui-
seu papel de cidadão e, portanto, sujeito de direi- ções inerentes ao atendimento técnico socioe-
tos e deveres; ducativo.
q) Propiciar o envolvimento, a reflexão, o Assim, compete ao advogado prestar aten-
fortalecimento dos vínculos familiares através de dimento sistemático aos adolescentes/ jovens
grupos de famílias; adultos, fornecendo as informações referentes à
r) Elaborar relatórios informativos, quando sua situação jurídico-processual, bem como, re-
necessário, aos Juizados da Infância e Juventude; gistrar, atualizar e evoluir os prontuários dos so-
s) Realizar visita domiciliar com a finalidade cioeducandos, referentes à situação jurídica.
de juntar elementos para a compreensão da re- Atender e informar o socioeducando e seus
alidade familiar e social do adolescente/ jovem familiares acerca da forma de cumprimento da
adulto atendido; medida socioeducativa, regras da unidade, pe-
t) Elaborar relatórios avaliativos periódicos, ríodo de avaliações e regramento disciplinar.
valendo-se de outros serviços da rede pública, Acompanhar a evolução jurídico-processual dos
para elaboração de uma proposta de atendimen- socioeducandos, coletando dados sobre a exis-
to, visando à reinserção social; tência de outros atos infracionais, que esses pos-
u) Participar da elaboração do PIA Egresso. sam estar envolvidos.
/ 64 /
Deve orientar os adolescentes/ jovens adultos [Link] Assistente Social
quanto à postura exigida para a participação em
Audiências; manter tabela atualizada acerca do O Serviço Social, enquanto profissão inscrita
prazo de internação dos socioeducandos da res- na divisão sócio-técnica do trabalho tem como
pectiva unidade; zelar e observar os prazos legais objetivo o enfrentamento da ‘questão social’,
no cumprimento das determinações judiciais, re- enquanto expressão das desigualdades e lutas
lativo aos adolescentes/ jovens adultos; verificar sociais em suas múltiplas manifestações, criando
a regularidade das internações e desligamentos, e gestando políticas sociais, programas, ações
preparando os documentos hábeis para tanto. e projetos sociais para a maioria (excluída) da
Comunicar-se com a Defensoria Pública a res- população, visando à inclusão, a garantia de di-
peito da situação jurídica dos adolescentes/ jo- reitos, a cidadania e a erradicação das injustiças
vens adultos, para que o defensor público adote sociais.
as providências jurídicas necessárias. Partindo de tais premissas, a atuação profis-
Realizar a defesa técnica dos socioeducandos sional do Assistente Social no âmbito socioedu-
em procedimentos administrativos disciplinares, cativo, deve pautar-se pela perspectiva da garan-
garantindo o direito a ampla defesa e o contra- tia dos direitos dos adolescentes/ jovens adultos
ditório. privados de liberdade, assegurados pelo Estatu-
O advogado deve, ainda, verificar, nos casos to da Criança e do Adolescente, sobretudo nos
pertinentes, a perda do poder familiar e a quem artigos 94, 121, 122, 123 e 124.
cabe à guarda legal orientando e encaminhando, O Assistente Social, no espaço socioinstitucio-
quando necessário, os familiares às autoridades nal do trabalho, situa sua prática no campo dos
competentes. direitos sociais e atua buscando o pleno cumpri-
mento do disposto no inc. II do art. 94 do Estatuto
da Criança e do Adolescente, no sentido de que
não seja restringido, ao adolescente, nenhum di-
/ 65 /
reito que não tenha sido objeto de restrição na A intervenção do Assistente Social pauta-se,
decisão de internação, compartilhando tal atri- portanto, pelo princípio da incompletude insti-
buição/competência com profissionais de outras tucional, efetivado por meio da articulação en-
áreas e com outros agentes institucionais, numa tre os serviços e programas sociais executados
perspectiva interdisciplinar. pelas diversas políticas sociais públicas, externas
Perante a aplicação e execução das medidas à própria instituição, fundamentais no processo
socioeducativas privativas de liberdade, proce- formativo e de cidadania do adolescente/ jovem
de ao acompanhamento sistemático do socio- adulto.
educando e de sua família/e ou família extensa, Nesse sentido, a identificação de redes de
objetivando restabelecer ou consolidar vínculos apoio no âmbito comunitário, bem como a in-
familiares, no intuito de desvelar condições para clusão do adolescente/ jovem adulto e da família
viabilizar, após o cumprimento da medida, o pró- em serviços de proteção social básica, de média
prio desligamento institucional e a retomada do e alta complexidade, previstos na Política Nacio-
convívio sócio-familiar. nal de Assistência Social (PNAS), constitui ações
Nesse sentido, mediante a utilização de ins- prioritárias da intervenção do Assistente Social,
trumentais como abordagem individual ou em nesse campo.
grupo, da realização de visitas domiciliares e de Trabalhando em equipe interdisciplinar, com-
contatos com recursos sociais da comunidade, o pete ainda ao Assistente Social compartilhar,
Assistente Social trabalha numa perspectiva de com outros agentes institucionais e profissionais
articulação entre a instituição e o local de origem de outras áreas do conhecimento, a atribuição de
do adolescente/ jovem adulto, facilitando o aces- realizar a avaliação periódica dos adolescentes/
so deste e de seus familiares aos meios necessá- jovens adultos em cumprimento de medida so-
rios ao exercício da sua cidadania, além de buscar cioeducativa (art. 94, inc. XIV do ECA).
o seu compromisso como partícipe do processo Nesse processo de trabalho, o Assistente So-
sócio-pedagógico de responsabilização. cial mantém interface com profissionais de ou-
/ 66 /
tras áreas do conhecimento, tanto para fins do res, concernentes às matérias de administração e
atendimento direto aos destinatários, como na direção de bibliotecas, organização e direção dos
elaboração de avaliações interdisciplinares, pa- serviços de documentação, execução dos servi-
receres e opiniões técnicas conjuntas, periodica- ços de classificação e catalogação de manuscri-
mente apresentadas perante a autoridade judici- tos e de livros raros ou preciosos, de mapotecas,
ária competente. de publicações oficiais e seriadas, de bibliografia
Esclareça-se que através das Resoluções nºs e referência”.
557/09 e 559/09, o Conselho Federal de Servi- Na socioeducação, compete ao bibliotecário
ço Social já normatizou a atuação do Assistente coordenar, avaliar e executar projetos que esti-
Social no concernente à emissão de pareceres, mulem à leitura, à pesquisa e que dêem supor-
laudos e opiniões técnicas conjuntas com outros te às atividades desenvolvidas nas unidades de
profissionais, bem como sobre o exercício profis- atendimento, estimulando a imaginação, pro-
sional, inclusive na qualidade de perito judicial movendo o desenvolvimento lingüístico, sus-
ou assistente técnico, quando convocado a pres- citando o gosto por boas leituras, e a produção
tar depoimento como testemunha, pela autori- cultural. Além disto, é a função do bibliotecário
dade competente. primar o acervo das bibliotecas, orientando seus
atendentes quanto à organização e à preserva-
[Link] Bibliotecário ção dos materiais em que os espaços abrigam.
/ 67 /
Emite laudos e pareceres referentes à saúde avaliando a necessidade de encaminhamento
bucal. Desenvolve atividades grupais de caráter aos serviços especializados.
educativo junto aos socioeducandos. Também Executa cuidados de enfermagem de maior
cabe ao profissional da odontologia assessorar complexidade técnica, bem como participa na
e orientar as Direções e servidores das Unidades prevenção e controle de doenças transmissíveis
nas questões vinculadas à temática da saúde bu- e nos programas de vigilância epidemiológica,
cal dos adolescentes / jovens adultos. com ênfase no controle e registro da situação va-
Realiza o agendamento e encaminhamento cinal de todos os internos.
dos socioeducandos a atendimentos na comuni- Ao enfermeiro ainda compete elaborar sínte-
dade para procedimentos de alta complexidade, se informativa sobre a situação de saúde do ado-
sempre que necessário. lescente/ jovem adulto conforme metodologia
de trabalho da FASE e participa dos Conselhos de
[Link] Enfermeiro Saúde ou outros Conselhos afins, de seu Distrito
Sanitário, visando à integração e o acesso dos in-
Cabe-lhe o gerenciamento administrativo do ternos à rede Pública em todos os níveis.
ambulatório de saúde da unidade, compartilha- Deverá o profissional no desempenho de suas
do com a Direção do Centro. Realiza também o atribuições observarem as normas constantes no
gerenciamento técnico do Serviço de Enferma- Regimento Interno do Serviço de Enfermagem/
gem, distribuindo sua equipe nas diferentes fun- FASE/2010 aprovado pelo COREN – Conselho Re-
ções e tarefas. Assim como a supervisão da pres- gional de Enfermagem.
tação dos serviços de enfermagem a realização
de consulta de enfermagem. [Link] Farmacêutico
Participa da elaboração, realização e supervi-
são da execução PIA, prestando assistência aos O profissional farmacêutico tem como princi-
socioeducandos nas intercorrências mais graves, pais atribuições à organização de procedimentos
/ 68 /
operacionais padrão no NCM - Núcleo Central de do socioeducando.
Medicamentos da FASE/RS, e a ele compete à Atende ainda às urgências clínicas, encami-
responsabilidade técnica farmacêutica em todo nha os adolescentes/ jovens adultos a atendi-
o ciclo do medicamento (aquisição, armazena- mentos na comunidade para a realização de
mento, dispensação e distribuição). exames diagnósticos, consultas especializadas e
Realiza a prestação de assistência técnica far- procedimentos de alta complexidade e trabalha
macêutica aos profissionais dos ambulatórios de junto à equipe técnica socioeducativa para o pla-
saúde das unidades. nejamento, a elaboração e a reavaliação do PIA.
Participa das reuniões e grupos de estudo,
emitindo pareceres sobre assuntos relacionados [Link] Médico Psiquiatra
ao setor de saúde.
Cabe ainda ao Farmacêutico revisar e atualizar O médico psiquiatra realiza a avaliação e o
a lista de medicamentos padronizados e atender acompanhamento individual do socioeducando,
os requisitos da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de promovendo ações com enfoque terapêutico
maio de 1998, na sua totalidade. grupal.
Providencia os encaminhamentos dos socioe-
[Link] Médico Clínico ducandos para internações hospitalares quando
houver necessidade. Trabalha junto à equipe téc-
O médico clínico tem como atribuições efetu- nica para o planejamento, a elaboração e a rea-
ar exames médicos, emitir diagnósticos, requisi- valiação do PIA, bem como dos estudos de caso.
tar exames, encaminhar a especialistas, prescre- O psiquiatra, assim como os demais técnicos,
ver medicamentos e realizar outras formas de deve participar da elaboração do relatório se-
tratamento para diversos tipos de enfermidades, mestral a ser encaminhado ao Juizado da Infân-
aplicando recursos de medicina preventiva ou cia e Juventude.
terapêutica, para promover a saúde e bem-estar Realiza atendimento em grupo juntamente
/ 69 /
com a equipe técnica, a nível educativo e pre- gêneros e produtos alimentícios destinados aos
ventivo, aos socioeducandos com dependência socioeducandos.
química e/ou outras situações identificadas. Compete ainda ao profissional elaborar re-
Cabe também ao psiquiatra realizar atendi- latórios informativos para a Direção, Juizado da
mentos de emergência, emitir informações re- Infância e Juventude e Ministério Público, quan-
ferentes à saúde mental e assessorar a direção e do solicitado. Participa também da permanente
servidores quanto ao manejo na área de saúde avaliação do programa de atendimento através
mental, emitindo pareceres sobre assuntos rela- de reuniões interdisciplinares e grupos de traba-
cionados ao setor de saúde. lho.
Deve o profissional no exercício de suas atri- O nutricionista orienta e executa programas
buições observarem os preceitos da Resolução de educação alimentar, participa de grupos ope-
N° 01/2008-Pres. que disciplina o atendimento rativos e/ou informativos com socioeducandos, a
médico-psiquiátrico, a prescrição, a dispensação fim de orientar e esclarecer sobre assuntos refe-
e a administração de medicamentos psicotrópi- rentes à alimentação e nutrição.
cos, bem como o manejo de comportamento de Assessora a equipe diretiva e servidores das
risco; unidades em assuntos referentes à nutrição,
além de orientar e supervisionar a empresa ter-
[Link] Nutricionista ceirizada de alimentação.
/ 70 /
de Psicologia, o psicólogo, nas unidades de pri- trução e sustentação de espaços adequados nos
vação de liberdade, é um profissional que consi- quais a subjetividade do socioeducando possa
dera a subjetividade e produz suas intervenções expressar-se.
a partir de compromisso ético político, com a ga- Na elaboração de seus documentos, o psi-
rantia dos direitos do adolescente/ jovem adulto, cólogo, distante de emitir julgamentos sociais e
preconizados no ECA e nas normativas interna- morais, deverá registrar os aspectos por ele ob-
cionais. servados de acordo com seu referencial teórico-
Nesse contexto, o adolescente/ jovem adulto -técnico, em consonância com os preceitos de
autor de ato infracional, é um sujeito com carac- seu Código de Ética e demais prerrogativas que
terísticas peculiares e próprias a todos que atra- norteiam o seu trabalho respeitando a resolução
vessam esse período de desenvolvimento huma- 07/2003 do CFP. O psicólogo deverá adotar como
no em nossa sociedade. Isso implica considerar princípios norteadores as técnicas da linguagem
o ato infracional no contexto de sua história e escrita e os princípios éticos, técnicos e científi-
circunstâncias de vida. cos da profissão. Assim, ao elaborar a avaliação
Neste sentido, compreende-se que a atuação psicológica, deve se basear em seu instrumen-
do psicólogo ocorre na interface de várias áreas tal técnico (entrevistas, observações, dinâmicas
da psicologia, exigindo do profissional um po- de grupo, escuta, intervenções verbais, e uso de
sicionamento político em relação às demandas testes) por tratar-se de métodos e técnicas psico-
que lhe interpelam e as ações técnicas por ele lógicas para a coleta de dados, estudos e inter-
produzidas. pretações de informações a respeito dos adoles-
Os psicólogos estão aptos a promover, ela- centes/ jovens adultos atendidos.
borar e sustentar práticas favoráveis à socioedu- Em face de suas atribuições no âmbito do Pro-
cação, tendo como enfoque a saúde do socioe- grama de Atendimento, conclui-se pela existên-
ducando em consonância com o Programa da cia de um impedimento de ordem técnica a que
Unidade. Para isto deverá contribuir para a cons- estes profissionais efetuem o tratamento psico-
/ 71 /
terápico dos socioeducandos em cumprimento entre a unidade de atendimento e a escola, au-
de medida de internação, competindo-lhe atuar xiliando tecnicamente os responsáveis pelo ge-
no acompanhamento e monitoramento do pro- renciamento das instituições envolvidas (FASE
gresso do cumprimento da MSE, obedecendo ao e Secretaria da Educação), buscando parceria
disposto no Plano Individual de Atendimento. salutar e coesa. Integrado com a escola, deve
A realização do tratamento psicoterápico pro- participar das reuniões e dos Conselhos de Clas-
priamente dito, mediante avaliação de critérios se e dessa forma acompanhar a frequência e o
para encaminhamento, como todos os demais aproveitamento escolar dos socioeducandos e
tratamentos, deverá ser providenciada na rede operacionalizar os encaminhamentos que forem
de atendimento externa, onde receberá o tra- pertinentes à Fundação.
tamento conforme o diagnóstico, cabendo aos Junto com os demais integrantes da equipe
profissionais da área que integram a equipe téc- técnica auxilia na elaboração do PIA e é também
nica realizar o acompanhamento socioeducativo o profissional responsável por atender os familia-
sistemático, reforçando os benefícios do trata- res do socioeducando, visando colher informa-
mento psicoterápico. ções de sua história educacional e estimulá-los a
acompanharem o desenvolvimento escolar pre-
[Link] Técnico em Educação/Pedagogo visto nas metas propostas no PIA.
O Técnico em Educação/Pedagogo deverá
O Técnico em Educação/Pedagogo é o pro- providenciar a matrícula do socioeducando na
fissional responsável pela operacionalização das escola que atende a unidade e para isso deverá
ações na área da educação formal, do trabalho solicitar para a escola de origem o Atestado de
educativo, da profissionalização e da espiritua- Freqüência e, posteriormente, o Histórico Escolar.
lidade que são implementadas na comunidade No momento do desligamento deverá também
socioeducativa. fornecer a documentação que possibilite que
Atua para o estabelecimento de uma ligação o socioeducando seja de imediato inserido em
/ 72 /
uma escola da comunidade para que possa dar em ações que se inserem no contexto institucio-
continuidade à escolarização. nal como recurso lúdico, de formação e de re-
Cabe ao Técnico em Educação/Pedagogo flexão, em que o universo do socioeducando se
oportunizar aos adolescentes/ jovens adultos a manifesta espontaneamente na interação com
realização de atividades pedagógicas que servi- o oficineiro e com o grupo. São definidas nos
rão de suporte à educação escolar, bem como CASEs a partir da área de interesse, da cultura re-
estimular o uso sistemático dos recursos peda- gional, da otimização de recursos materiais exis-
gógicos, de modo a ampliar o campo de conhe- tentes e de profissionais que possam executar a
cimento do adolescente/ jovem adulto e forta- tarefa. Ao Técnico em Educação/Pedagogo cabe
lecer a ação educativa. Deve ser um “criador de selecionar os adolescentes/ jovens adultos que
espaços” (Costa, 2006. p.45), ou seja, deve criar participarão das atividades, baseado em critérios
acontecimentos, articulando o espaço, o tempo, que considerem o interesse, a capacidade cog-
as coisas e as pessoas para oportunizar momen- nitiva e o comprometimento, acompanhando,
tos que permitam que o socioeducando possa, outrossim, todo o desenvolvimento das mesmas,
cada vez mais, se assumir como sujeito do seu desde a inscrição até a frequência e o aproveita-
processo de desenvolvimento pessoal. mento alcançado.
Em relação à profissionalização, atuará iden- Compete ainda ao Técnico em Educação/Pe-
tificando as potencialidades dos adolescentes/ dagogo proporcionar a oferta e supervisionar
jovens adultos e encaminhando-os para a reali- o andamento do atendimento espiritual, que
zação de cursos, onde terão a oportunidade de deve ser facultativo e de acordo com a crença
desenvolver suas competências, habilidades bá- do socioeducando, e cuja dinâmica deverá es-
sicas e atitudes necessárias à convivência social e tar integrada às demais atividades do Plano de
exigidas pelo mercado de trabalho. Atendimento Coletivo da unidade e executadas
Compete-lhe, também, a coordenação das preferencialmente no turno da noite ou nos fi-
oficinas e dos estágios. As oficinas constituem-se nais de semana.
/ 73 /
[Link] Técnico em Recreação/Profissional 287/98 do Conselho Nacional de Saúde.
de Educação Física No âmbito da socioeducação, ao Técnico em
Recreação/Profissional de Educação Física cabe
Segundo o Estatuto do Conselho Federal de desenvolver atividades que priorizem a partici-
Educação Física (CONFEF) em seu Art. 8º “compe- pação coletiva, de modo que a dinâmica grupal
te exclusivamente ao Profissional de Educação auxilie na introjeção de limites comportamentais
Física, coordenar, planejar, programar, prescrever, como forma de incentivar a responsabilidade in-
supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, orien- dividual e a noção de respeito social.
tar, ensinar, conduzir, treinar, administrar, im- Suas ações consistem na elaboração e acom-
plantar, implementar, ministrar, analisar, avaliar e panhamento de um conjunto de projetos/
executar trabalhos, programas, planos e projetos, atividades, inseridas no Plano de Atendimen-
bem como, prestar serviços de auditoria, consul- to Coletivo da Unidade, que contemplarão os
toria e assessoria, realizar treinamentos especia- socioeducandos em suas individualidades, por
lizados, participar de equipes multidisciplinares ocasião da construção e desenvolvimento do
e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, seu Plano Individual de Atendimento. Razão pela
científicos e pedagógicos, todos nas áreas de ati- qual, importa que haja amplitude da oferta de
vidades físicas, desportivas e similares.” atividades, pois será a partir destas que se aten-
A sua intervenção se dá, conforme o Art. 10 derão as especificidades individuais e se almejará
do referido Estatuto, “segundo propósitos de a consecução das metas propostas.
prevenção, promoção, proteção e reabilitação
da saúde, da formação cultural e da reeducação 2.7 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO
motora, do rendimento físico-esportivo, do lazer DISCIPLINAR
e da gestão de empreendimentos relacionados
às atividades físicas, recreativas e esportivas.” In- É a instância interna, constituída com a finali-
tervenção essa referendada pela Resolução nº dade de apurar fato disciplinar suas causas e con-
/ 74 /
seqüências em que se envolva o socioeducando, fato;
devendo a conduta estar definida como falta b) Independentemente da medida disciplinar
disciplinar em conformidade com o disposto no aplicada poderá ser encaminhado a ocorrência
capítulo VII, da Lei nº 12.594/2012, garantindo-se para círculo restaurativo, principalmente quando
ao interno o direito ao devido processo adminis- ocorrerem confronto entre os socioeducandos
trativo. ou deste com servidores da FASE.
Toda e qualquer infração deverá ser tipifica- c) A tipificação das faltas disciplinares leves,
da e classificada previamente em leve, média ou médias e graves, bem como as medidas disci-
grave, com determinação das correspondentes plinares aplicáveis em cada caso, está definida
sanções disciplinares e enumeração de justifi- através da Resolução 005/2012 – FASE/RS e do
cantes, atenuantes ou agravantes que incidam Programa de Atendimento de cada Unidade;
sobre a medida aplicada. d) Proibição de medida disciplinar que implique
Tem como objetivo a garantia do convívio tratamento cruel, desumano e degradante;
harmônico na Unidade, buscando a responsa- e) Garantia da observância da razoabilidade e
bilização do socioeducando sobre seus atos, da proporcionalidade entre a natureza da falta e
resguardando o direito à participação coletiva, a aplicação da medida disciplinar;
oferecendo atenção específica ao socioeducan- f) Garantia da continuidade dos atendimen-
do nas suas necessidades momentâneas, obser- tos técnicos sistemáticos dos demais membros
vando-se os seguintes princípios: da equipe de trabalho;
a) Todo o procedimento disciplinar observará g) As medidas disciplinares somente serão
os princípios da legalidade, da proporcionalida- impostas pelo colegiado, vedada à participação
de, da razoabilidade, da igualdade, da pondera- de socioeducandos na aplicação ou execução
ção e da excepcionalidade, respeitando a ampla daquelas;
defesa e o contraditório, vedado à aplicação de h) Proibição da incomunicabilidade e da sus-
mais de uma medida disciplinar pelo mesmo pensão de visita, assim como qualquer medida
/ 75 /
que importe prejuízo à escolarização, profissio- pado diretamente dos fatos, ficando assim defi-
nalização e as medidas especiais de atenção à nidas suas atribuições:
saúde. a) Assistente de Direção - tem a responsabili-
i) Proibição de aplicação de medida disciplinar dade de coordenar e gerenciar todo o processo
de afastamento de convívio coletivo (isolamen- da Comissão de Avaliação Disciplinar. Na impos-
to), exceto nas hipóteses estabelecidas no art. sibilidade da participação do Assistente de Dire-
48, § 2º da Lei nº 12.594/2012, ou seja, quando ção, o Diretor da Unidade não poderá substituí-
for imprescindível para garantia da segurança -lo, ficando impedido de participar da Comissão.
de outros internos ou do próprio adolescente/ Nesse caso, permanecem os outros três compo-
jovem adulto a quem seja imposta a sanção; nentes, sendo que a coordenação dos trabalhos
j) Admite-se a restrição de convívio, em cará- fica a cargo do Chefe de Equipe.
ter preventivo, como medida de exceção, antes b) Representante da Equipe Técnica – partici-
de definida a medida disciplinar a ser aplicada, pa trazendo elementos da dinâmica individual
quando for imprescindível para garantia da se- do adolescente/ jovem adulto que possam auxi-
gurança de outros internos ou do próprio ado- liar na compreensão da alteração disciplinar. Este
lescente a quem seja imposta a sanção. técnico não fica impedido de atender o socioe-
ducando durante a medida disciplinar;
2.7.1 Composição e Atribuições da CAD c) Advogado da Unidade ou Advogado consti-
tuído/Defensor Público - realiza a análise jurídica
A Comissão de Avaliação Disciplinar será com- do fato e faz a defesa técnica do adolescente/ jo-
posta por um representante da Equipe Técnica; vem adulto, ficando impossibilitado de participar
um Advogado da Unidade ou Advogado cons- da discussão do caso no âmbito da Comissão de
tituído/defensor público; um Chefe de Equipe e Avaliação Disciplinar. Sendo a defesa elaborada
pelo Assistente de Direção. por defensor constituído o Advogado da Unida-
Nenhum dos integrantes poderá ter partici- de não fica impedido de participar da CAD, como
/ 76 /
representante da equipe técnica. Diretor da Unidade, encaminhando relatório des-
O advogado constituído deverá ser imediata- critivo do mesmo, de forma clara, com subsídios
mente comunicado da falta disciplinar envolven- dos fatos que ensejaram o encaminhamento.
do seu cliente e a data da realização do proce- Ressalta-se a necessidade de estar identifica-
dimento, efetuando-se o registro no prontuário do formalmente o artigo da Resolução da FASE
social do socioeducando. ou do Programa de Atendimento da Unidade em
d) Chefia de Equipe - trará elementos do coti- que o mesmo está incurso, visto que a falta desta
diano institucional e do acompanhamento diário informação pode implicar a nulidade do procedi-
dos socioeducadores, dispensado no plano de mento. Cabe ao Diretor da Unidade ou ao Assis-
atendimento coletivo e individual ao socioedu- tente de Direção de posse do relatório recebido,
cando em tela. O Chefe de Equipe integrante da constituir a Comissão de Avaliação Disciplinar.
Comissão de Avaliação Disciplinar poderá ser o O Diretor da Unidade terá o prazo de 72 ho-
chefe do plantão onde se passaram os fatos, não ras para enviar o Relatório Disciplinar ao Juízo da
devendo, contudo, ter participado diretamente Execução. Logo, a Comissão deverá reunir-se até
na ocorrência. Na falta de Assistente de Direção, o prazo de 48 horas do fato, a fim de garantir o
caberá ao Chefe de Equipe coordenar o processo prazo recursal e a homologação do procedimen-
da Comissão de Avaliação Disciplinar, sendo este to pelo Diretor da Unidade.
substituído na comissão por outro membro da Quando os fatos ocorrerem em sábados, do-
chefia de equipe. mingos e feriados, a Comissão formar-se-á no
primeiro dia útil subseqüente ao fato, tendo o Di-
2.7.2 Procedimento da CAD retor Unidade o prazo de 72 horas para enviar o
Relatório Disciplinar ao Juízo da Execução.
Ocorrendo fato disciplinar de natureza leve, O adolescente/jovem adulto tem o direito de
média ou grave o Chefe de Equipe informará ser entrevistado individualmente e em separado
imediatamente ao Assistente de Direção ou ao pelo seu advogado constituído/defensor. Poste-
/ 77 /
riormente, o socioeducando será ouvido pela co- c) produzido lesão corporal grave ou morte.
missão, podendo cada membro fazer as pergun- Constituem circunstâncias que sempre atenu-
tas que entender cabíveis para elucidar os fatos, am a medida disciplinar:
tendo o direito de permanecer em silêncio. a) ter conduta institucional adequada, sem
A critério da Comissão poderão ser coletados faltas disciplinares graves;
testemunhos, os quais serão reduzidos a termo b) ser de pouca relevância sua participação no
e assinados no momento em que finalizar a de- cometimento da falta;
claração, perante a comissão, fazendo parte do c) ter o socioeducando assumido responsabi-
próprio relatório. lidade pela autoria da falta, com crítica do ato;
Para a conclusão do procedimento e análise
da situação, é importante avaliar questões psi- 6
O Atendimento Especial pressupõe a separação do adoles-
cológicas e/ou psiquiátricas na perspectiva da cente e /ou jovem adulto do convívio com os demais socio-
educandos e se dá com o intuito de propiciar a ele atenção
adequação e eficácia da proposta da medida específica, focal, nas suas necessidades momentâneas, impe-
disciplinar, análise das circunstâncias pessoais do ditivas do atendimento coletivo. Sua utilização está inserida
na execução da medida socioeducativa, devendo, portanto,
socioeducando, tanto institucionais como sócio- atender ao caráter pedagógico e terapêutico, com respeito
ao preconizado no ECA. Assim, ocorre uma transposição con-
-familiares, que influenciaram no cometimento ceitual: no lugar do isolamento, o atendimento especial, em
da falta disciplinar, o real benefício do socioedu- contraponto à mera segregação punitiva, que é sinônimo de
“isolar”.
cando com a medida disciplinar e a segurança da As Regras Mínimas das Nações Unidas para Proteção dos Jo-
unidade. vens Privados de Liberdade, no seu item 66, assim apregoa:
“Todas as medidas e procedimentos disciplinares deverão
Constituem circunstâncias que agravam a contribuir para a segurança e para uma vida comunitária
ordenada e ser compatíveis com o respeito à dignidade ine-
medida disciplinar, ter o socioeducando: rente do jovem e com o objetivo fundamental do tratamento
a) coagido ou induzido a outrem na prática institucional, ou seja, infundir um sentimento de justiça e de
respeito por si mesmo e pelos direitos fundamentais de toda
da falta disciplinar, mediante uso de violência ou pessoa”. O Atendimento Especial implica esta única limitação
restritiva. Não se cogitam restrições de saídas para o pátio,
grave ameaça; limitação de visitas e privação de atendimento escolar. (PEM-
b) tomado refém; SEIS/2002).
/ 78 /
d) aceitar participar de formas alternativas na didas disciplinares conta-se o dia de início e o dia
solução do conflito, como por exemplo, na meto- do término.
dologia restaurativa;
e) ter procurado, logo após o cometimento da 2.7.4 Da Ciência da Decisão e do Recurso Ad-
falta, evitar ou minorar os seus efeitos. ministrativo
/ 79 /
2.7.6 Disposições Gerais presente procedimento, cuja aplicação constitui
uma atenção sócio-pedagógica, respeitando-se
Na hipótese de o socioeducando incorrer em os direitos dos socioeducandos, no sentido da
nova falta grave, no decorrer da medida discipli- eficácia da medida de internação e respeitando
nar de Atendimento Especial 6 , esta deve ser con- os princípios da legalidade, do contraditório e da
textualizada, porque pode configurar sintoma ampla defesa.
negativo da medida aplicada, indicativo da sua
ineficácia, sendo vedada a prorrogação do prazo 2.8 AÇÕES DE PREVENÇÃO E MANEJO EM
máximo de 15 (quinze) dias. SITUAÇÕES DE RISCO
Neste caso, esgotado o prazo limite e persis-
tindo as necessidades ensejadoras do atendi- Visando o planejamento e a prevenção, bem
mento, o adolescente/ jovem adulto a equipe como o enfrentamento em situações de risco,
socioeducativa deverá reavaliar as estratégias a devem as Unidades:
serem construídas no processo de acompanha- a) Garantir espaços de circulação livres de
mento técnico do socioeducando para que se toda e qualquer estrutura que possa servir de
garanta a eficácia da própria medida de inter- obstáculo para as atividades rotineiras, em es-
nação, podendo implicar a rediscussão do PIA e pecial os locais de acesso e saída de alas, setores,
encaminhamento ao Juiz da execução para nova salas de aula ou atividades em geral;
homologação. b) Manter junto ao setor encarregado pela
Nos casos de lesões corporais - ofensa à inte- segurança institucional de lista de meios de co-
gridade física e dano grave ao patrimônio, deve- municação com as instituições responsáveis pela
-se proceder ao devido registro policial o mais segurança, justiça, promotoria e defensoria pú-
breve possível. blica, a fim de agilizar encaminhamento de pro-
As questões omissas serão resolvidas sem- vidências diante de evento de crise ou urgência;
pre de acordo com os princípios que norteiam o c) Disponibilizar treinamento e acesso a in-
/ 80 /
formações relacionadas aos cuidados para atua- vedada a previsão de isolamento cautelar como
ção na atividade socioeducativa para todos os in- estratégia para gestão de conflitos, conforme
tegrantes da equipe socioeducativa, garantindo prevê o artigo 15, inciso IV da Lei n 12.594/2012.
atualização nas práticas da atividade de seguran- h) A atuação interna de força policial da Bri-
ça institucional; gada Militar somente será autorizada mediante
d) Garantir espaços que permitam a troca pedido do Diretor da Unidade à Presidência da
de experiências e estudo de casos; FASE, que autorizará ou não, diante de um even-
e) Dispor de estrutura de equipamentos mí- to crítico, sendo restrita esta atuação apenas à
nimos necessários para fazer frente às medidas situação em que esteja acontecendo grave ame-
de segurança institucional, permitindo ao qua- aça à vida de pessoa, seja da equipe socioeduca-
dro funcional os recursos materiais próprios para tiva ou do socioeducando. Deverá ser realizada
a atividade. comunicação imediata ao Juízo da Execução,
f) Possibilitar aos agentes socioeducadores Ministério Público responsável pela fiscalização e
participação em cursos ou estágios de qualifica- Defensoria Pública, fora do horário de expedien-
ção em negociação de conflitos. te, informar os mesmos serviços em Plantão.
g) Dar prioridade a atuação de manejo ver-
bal frente à situação de crise, buscando o diálogo 2.9 CUSTÓDIA
e o convencimento para a volta à normalidade
sem retaliações ou maiores agravamentos, en- Procedimento inerente a natureza da medida
quanto não haja configuração de atitude infra- socioeducativa, que envolve o acompanhamen-
cional ou criminosa, neste caso se tratando de to permanente do socioeducando por agentes
jovem adulto, valendo-se da contenção física
apenas quando restar infrutífero aquele tipo ma-
7
Disposições contidas no Manual de Gerenciamento das
ações de Segurança da Fase/ RS.
nejo, de forma que garanta a supremacia da ação 8
Disposições contidas no Manual de Gerenciamento das
no sentido de evitar dano físico possível. Sendo ações de Segurança da Fase/ RS.
/ 81 /
socioeducadores durante a realização de enca-
minhamentos pertinentes tais como audiências,
demandas de saúde na rede de atendimento, ati-
vidades culturais, educativas, de lazer, entre ou-
tras situações que sejam avaliadas pela equipe.
A custódia exerce a função de
acompanhar os socioeducandos,
que cumprem medida de interna-
ção, em deslocamento, devendo
ser respeitada a proporção de dois
socioeducadores por adolescente/
jovem adulto, sendo aumentada essa
proporção, caso o mesmo apresente
maior necessidade de contenção, proteção,
ou ainda, manifeste motivação expressa
ou tácita para fuga. A equipe custodian-
te deverá tomar as medidas necessárias
a assegurar a presença do adolescente/
jovem adulto no seu local de destino,
considerando volume de trânsito, distân-
cias e condições das estradas, bem como
solicitar escolta policial nos casos em que
houver risco ou perigo iminente, justificando
a medida. O deslocamento deverá ser reali-
zado em viatura comum, o socioeducando
/ 82 /
ocupará o banco atrás do carona, em veículos de gas, encomendas ou outro passageiro 7 .
maior espaço, exemplo: “Kombi”, o mesmo Todo membro da equipe custodiante deve
sentará no fundo, no lado oposto a por- manter-se alerta e em comunicação constante com
ta. O veículo usado na custódia não fará os demais, bem como conhecer a documentação
concomitantemente transporte de car- necessária ao deslocamento e entrega do socioe-
ducando.
Em caso de tumulto ou outra alteração, cabe a
equipe custodiante retirar o adolescente/jovem
adulto o mais rápido possível do local, solicitan-
do, se necessário, apoio policial 8 .
Questões específicas de operacionalização devem
seguir as resoluções e normativas vigentes.
2.10 DESLIGAMENTO
Todo adolescente/ jovem adulto deve ser prepa-
rado para o retorno ao convívio familiar e social, bem
como para a participação no Programa de Egressos.
No processo de desligamento, será elaborado
o Plano Individual de Atendimento, específico para
a condição de egresso, denominado “PIA-Egresso”,
especificado na seção do Programa de Egressos, ela-
borado com a participação dos adolescentes/ jovens
adultos, familiares e/ou responsáveis, rede externa e,
se for necessário, técnicos do programa de execução
de MSE de meio aberto, independentemente de sua
adesão ou não ao Programa.
/ 83 /
3
/ 84 /
Prática
Socioeducativa
de Semiliberdade.
/ 85 /
A medida socioeducativa de semiliberdade Fundo, Santa Cruz do Sul. Importante salientar
possui características distintas da medida de in- que o Centro de Atendimento de Semiliberdade
ternação, uma vez que o principal aspecto traba- feminina não é regionalizado existindo somente
lhado é a potencialização das atividades externas um CAS para todo o Estado.
fora do Centro de Atendimento de Semiliberda- O principal objetivo da semiliberdade é pro-
de (CAS) bem como a articulação com a rede porcionar ao socioeducando espaços de desen-
socioassistencial do município, potencializando volvimento da autonomia responsável e a refle-
a participação dos diferentes agentes sociais ne- xão crítica de ações e circunstâncias cotidianas
cessários para o atendimento integral dos socio- apresentadas, tanto no que se refere ao ato in-
educandos e suas famílias e/ou família extensa. fracional, quanto pelas situações vivenciadas nos
A execução da medida de Semiliberdade é espaços de inserção na sociedade (escola, traba-
de responsabilidade do Estado, a mesma é rea- lho, família, comunidade) construindo com isso a
lizada não somente através da gestão pública, formação humana.
mas também mediante gestão compartilhada. A
mesma é operacionalizada através de convenia- 3.1 PRINCÍPIOS E DIRETRIZES
mento com 07 entidades não governamentais
e 03 Centros de Atendimento de Semiliberdade Alguns pressupostos básicos devem estar
orgânica (da FASE) sendo uma delas do sexo fe- contemplados em sua execução:
minino, totalizando 10 Centros de Atendimentos a) Articulação da transição da medida de
de Semiliberdade (CAS) que executam seu traba- privação de liberdade ou MSE originária para a
lho mediante supervisão e orientação da FASE. semiliberdade entre as equipes técnicas do Cen-
Os Centros de Atendimento de Semiliberdade tro de Atendimento Socioeducativo - CASE e
são distribuídos conforme as regionais: Porto Centro de Atendimento de Semiliberdade CAS e
Alegre, Novo Hamburgo, Santo Ângelo, Santa o Poder Judiciário;
Maria, Pelotas, Caxias do Sul, Uruguaiana, Passo b) O princípio da incompletude institucio-
/ 86 /
nal, efetivado por meio da articulação entre os espaços da cidade e região e sem identificação
serviços e programas sociais executados pelas institucional.
respectivas políticas públicas, fundamentais no No que se refere às dependências físicas do
processo de reorganização do socioeducando; CAS devem ter espaços de convivência em gru-
c) A garantia da escolarização com órgãos po, com sala, banheiros, dormitórios, refeitório,
responsáveis pelo fornecimento da educação lavanderia, espaços de lazer, espaço de ativida-
formal (em todos os níveis), bem como a discus- des pedagógicas quando necessário. É impor-
são conjunta de outras formas de educação, bus- tante que o CAS tenha espaços próprios para
cando a garantia do direito a educação; atendimentos individuais e de grupos bem como
d) Fortalecimento das relações familiares de espaços próprios, definidos e privativos para o
referência, dando-lhe condições de exercer sua desenvolvimento do trabalho da equipe técnica,
cidadania, comprometendo-o como partícipe coordenação e setor administrativo.
do processo jurídico social. As atividades devem estar norteadas por re-
e) A oferta de uma alternativa com vistas à gras, horários e tarefas construídas e planejadas
progressão de medida e/ ou desligamento insti- pela equipe de trabalho do CAS com a partici-
tucional. pação dos socioeducandos e suas famílias e em
conformidade com o Programa de Atendimento
3.2 ESTRUTURA FÍSICA da casa.
/ 87 /
cando, entre outras coisas, métodos e técnicas família extensa que é fundamental na adesão da
pedagógicas, bem como as atividades coletivas. medida socioeducativa. O acolhimento é realiza-
Deve prever, ainda, a estrutura de material e do pela Equipe de trabalho, e nesta intervenção
recursos humanos, bem como as estratégias de que inicia-se o processo de orientação sobre a
segurança, normas gerais para a proposta e re- organização interna da casa, objetivo e metodo-
alização do PIA, atribuições e responsabilidades logia de atendimento, procedimentos discipli-
dos dirigentes, equipes técnicas e agentes so- nares, normas, direitos e deveres, bem como co-
cioeducadores, medidas disciplinares e devidos nhecimento do ambiente da casa e aqueles com
procedimentos e acompanhamento de egressos. os quais irá conviver, todos descritos no Manual
O Programa da Unidade, bem como suas al- do Adolescente que é entregue para o socioedu-
terações, deverá estar inscrito no Conselho Es- cando e suas referências familiares.
tadual dos Direitos da Criança e do Adolescen- É no contato inicial do socioeducando com
te- CEDICA, conforme previsão do art.10 da Lei a equipe de trabalho que começa o estabeleci-
12.594/12. mento do vínculo e demais combinações impor-
tantes para o desenvolvimento do atendimento.
3.4 ACOLHIMENTO É importante também a realização do trabalho
de acolhimento com as referências familiares,
A recepção é o momento inicial que propicia pois as mesmas são fundamentais na adesão da
ao socioeducando o conhecimento e esclareci- medida socioeducativa.
mento da medida socioeducativa de semiliber- O acolhimento baseia-se no primeiro contato
dade que deverá cumprir, assumindo o com- do socioeducando com a dinâmica institucional
promisso com a sua reintegração social. Este e familiarização com o espaço que cumprirá a
trabalho de aproximação do socioeducando medida socioeducativa de semiliberdade. Neste
com a semiliberdade se dá no processo de cons- aspecto, é importante que todos os funcionários
trução de vínculo e participação da família e/ou atentem para este acolhimento inicial de apro-
/ 88 /
ximação da equipe com o socioeducando, para mento à semiliberdade;
isso é fundamental estabelecer os seguintes as- d) Deverá o socioeducando ser tratado pelo
pectos: nome;
a) Quando o socioeducando for oriundo de e) Repassar ao socioeducando e suas famí-
progressão de medida ou internação provisória, lias todas as informações necessárias no que se
é de responsabilidade do Centro de Atendimen- refere ao Centro de Atendimento Socioeducativo
to Socioeducativo (CASE) o processo de transição de Semiliberdade, esclarecendo dúvidas sobre a
do socioeducando para a semiliberdade. É im- dinâmica institucional quando necessário;
portante a interlocução neste processo de con- f) É fundamental a utilização de linguagem
tinuidade da medida socioeducativa que se dá clara no repasse das informações, lembrando
através das discussões de caso entre as equipes. que a equipe de trabalho é referência e presença
Neste processo de transição e construção é educativa em todos os momentos, inclusive na
imprescindível que se realize o Círculo de Adesão forma de comunicar-se;
à Semiliberdade. É neste espaço que as equipes g) Não emitir na presença do socioeducan-
trabalham com os socioeducandos, família e/ou do conceito de valor sobre o ato infracional, ou
família extensa a importância da medida socio- outros constrangimentos pejorativos;
educativa de semiliberdade bem como todo o h) No momento do acolhimento oferecer-
processo de continuidade da medida. -lhe vestuário, alimentação ou medicamento
b) Importante salientar que de responsabili- caso haja prescrição médica;
dade do CASE o encaminhamento do prontuário i) É no acolhimento que se inicia os primei-
social e de saúde, bem como os encaminhamen- ros registros de informações repassadas pelo
tos da escolarização. socioeducando específico para coleta de dados
c) O socioeducando deverá ser recebido iniciais;
pelo profissional de plantão com a devida ordem j) No acolhimento técnico, se inicia o enten-
(guia judicial e guia de execução) de encaminha- dimento da história do socioeducando e referên-
/ 89 /
cias familiares que virão a compor os primeiros o retorno ao convívio familiar bem como a inser-
encaminhamentos sociais bem como contribui- ção na convivência familiar e comunitária mais
rão na elaboração do Plano Individual de Atendi- saudável fica esta medida socioeducativa volta-
mento (PIA); da para a realização de atividades externa sendo
k) Caberá no momento do acolhimento, a a mesma orientada pela a equipe de trabalho.
revista pessoal do socioeducando estritamente O trabalho de acompanhamento do socioe-
necessária para garantia da segurança do adoles- ducando na semiliberdade é norteado por ins-
cente e/ou jovem adulto, bem como dos demais trumentos avaliativos próprios, que são traba-
e da própria equipe, além de realizar a revista dos lhados em todo o período de cumprimento da
pertences do socioeducando e os objetos reco- medida que são fundamentais em todo processo
lhidos deverão ser colocados em local próprio de atendimento. Segue abaixo, o processo meto-
(armário) conforme organização da casa, relacio- dológico da medida socioeducativa de semili-
nados em fichas construídas pelo CAS, assinado berdade.
pelo socioeducando, garantindo a preservação
de seus pertences e a segurança da Unidade de 3.5 PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO
Semiliberdade.
No Centro de Atendimento de semiliberdade O Plano de Individual de Atendimento (PIA) é
os socioeducandos realizam visitas familiares nos um instrumento de intervenção dinâmico, estan-
finais de semana, tendo como base a dinâmica do sempre em processo de avaliação e mudança,
institucional, as avaliações da equipe técnica têm e acompanha o socioeducando desde o seu pri-
como objetivo verificar juntamente com a famí- meiro ingresso.
lia onde deverá ser realizada a visita familiar e de- Quando o socioeducando for oriundo de pro-
mais combinações. gressão de medida ou internação provisória, é de
Tendo em vista a metodologia de trabalho da responsabilidade do CASE o processo de transi-
semiliberdade que tem como principal objetivo ção do socioeducando para a semiliberdade. É
/ 90 /
importante que ocorra a interlocução entre as ção Técnica, Assistente Social, Pedagogo, Psicó-
equipes, planejando o momento da realização logo, Advogado, Equipe de socioeducadores,
do círculo de adesão à semiliberdade. Assistente Administrativo e Cozinheira, (quando
Para o ingresso do socioeducando na semili- o CAS for orgânico da FASE não terá profissional
berdade é necessário que se realize o círculo de da cozinha, pois a alimentação será fornecida
adesão à semiliberdade que se caracteriza como através de empresa terceirizada licitada pela Fun-
sendo o primeiro momento de acolhimento, pois dação). Para os demais atendimentos ao socioe-
é nesta intervenção que o socioeducando passa ducando serão utilizados os recursos da rede de
a compreender como funciona o Centro de Aten- atendimento socioassistencial.
dimento de Semiliberdade. Esta intervenção é A construção do PIA deve contemplar os se-
realizada conjuntamente pelas equipes técni- guintes direitos para o socioeducando:
cas (CASE e CAS), este momento é fundamental
neste processo de continuidade da medida so- 3.5.1 Escolarização
cioeducativa, pois possibilita a aproximação e o
estabelecimento de um momento reflexivo pre- Prioridade absoluta no cumprimento da me-
parando o socioeducando para a semiliberdade dida socioeducativa, devendo ser inseridas in-
e constituição do seu Plano Individual de Aten- formações referentes ao nível de escolarização,
dimento (PIA). metas e expectativas do socioeducando no pro-
Com base neste processo contínuo de inter- cesso de ensino. A ação do Técnico em Educa-
venção, a equipe do CAS dará continuidade ao ção/Pedagogo junto ao processo de escolariza-
trabalho de avaliação e mudança junto com so- ção é fundamental, sendo de sua competência o
cioeducando e sua família, com o enfoque sem- encaminhamento e acompanhamento de todo
pre na convivência familiar e comunitária. o processo junto à escola onde o adolescente/
É importante salientar que os CAS são com- jovem adulto estiver inserido. Considerando as
postos pelos seguintes profissionais: Coordena- dificuldades que a rede escolar ainda encontra
/ 91 /
para entender a especificidade do público alvo, vida, que faça uma aproximação ao mundo do
o profissional será o elo da garantia do acesso. trabalho, com suas leis, lógicas e contradições,
Nesse sentido, o encaminhamento de alterna- que tenha como ferramenta a aprendizagem es-
tivas à rede escolar de ensino pode melhorar a pecífica de determinada técnica. Mas também,
eficiência e a qualidade do atendimento quando que priorize a aprendizagem de conhecimentos
observados entraves nestes encaminhamentos. básicos que permitam elevar os níveis de parti-
Além da inserção no espaço escolar, cabe cipação dos socioeducandos, onde a ação peda-
ao pedagogo planejar-se para oportunizar aos gógica se constitua na perspectiva da inclusão a
socioeducandos momentos de reflexão, bem partir da construção da cidadania.
como fortalecimento quanto ao seu processo de Trata-se de um tipo específico de relação labo-
escolarização/aprendizagem. Sendo este o prin- ral, que, sem excluir a possibilidade de produção
cipal objetivo a ser trabalhado para ampliação de bens ou serviços, subordina essa dimensão
do campo de conhecimento do socioeducando ao imperativo do caráter formativo da atividade,
e fortalecendo não somente a ação pedagógica, reconhecendo como sua finalidade principal o
mas também a construção de projetos de vida. desenvolvimento pessoal e social do socioedu-
cando.
3.5.2 Profissionalização Nesse contexto, a remuneração recebida pelo
socioeducando, bem como a sua participação,
A mesma deve estar fundamentada respei- em dinheiro ou espécie, no produto do seu tra-
tando idade e escolaridade do socioeducando, balho, longe de desfigurar, vem, ao contrário,
conforme preconiza o ECA em seu artigo 60 a 69 reforçar o caráter educativo, uma vez que o intro-
que se referem à garantia do desenvolvimento duz na gestão efetiva e prática do resultado da
pessoal e social do educando prevalecendo o as- sua atividade laboral sendo também um espaço
pecto educativo, tendo como objetivo principal propício para a equipe de trabalho incidir no que
contribuir para a construção de um projeto de diz respeito à tolerância, responsabilidade, com-
/ 92 /
prometimento e administração do recurso rece- cesso de participação e incentivo à autonomia,
bido nas atividades de aprendizagem e trabalho. incidência no planejamento, execução e avalia-
Conforme documento do Ministério do Traba- ção das atividades desenvolvidas, bem como
lho, definem-se como trabalho educativo aquele apropriação dos resultados (produtos do seu
centrado no trinômio educação (formação hu- trabalho). Nessa perspectiva, a profissionalização
mana), trabalho e geração de renda, de modo traduzir-se-á em uma proposta com atividades
a garantir ao socioeducando, paralelamente ao de trabalho educativo que tenham o compro-
exercício da atividade produtiva, a obtenção da misso com a formação humana e emancipação
escolaridade mínima obrigatória e o acesso à al- dos sujeitos e não com a ocupação de tempo
ternativa de prosseguimento de estudos acadê- ou com o ganho temporário. Ao mesmo tempo,
micos e/ou profissionalizantes. deve oportunizar a geração de renda, a vivência
Cabe salientar que, para os socioeducandos da obtenção de recursos financeiros a partir do
que cumprem medida de semiliberdade, tendo próprio trabalho e do trabalho em grupo.
como referência o Plano Individual de Atendi- Os Centros de Atendimento de Semiliberda-
mento, buscar-se-ão parcerias para ações de pro- de devem desenvolver parcerias com entidades
fissionalização na comunidade. de ensino profissional, empresas prestadoras de
As atividades de trabalho socioeducativo serviços, indústrias, comércio em geral, Progra-
devem envolver todos os socioeducandos, con- ma Jovem Aprendiz, no sentido de oportunizar
tribuindo no seu processo de socialização e or- aos socioeducandos a iniciação, finalização pro-
ganização, incluindo ações diversificadas que fissional, geração de renda e/ou colocação no
possibilitem o exercício de potencialidades indi- mercado de trabalho em geral.
viduais bem como identificação com as ativida-
des propostas.
9
Protagonismo juvenil - designa a participação de adolescen-
tes no enfrentamento de situações reais na escola, na comu-
Deve ser priorizado o protagonismo do socio- nidade e na vida social mais ampla, atuando como parte da
solução e não do problema.
educando 9 através do fortalecimento do pro-
/ 93 /
Respeitando as características individuais lítica esta fundamental para o estabelecimento
do público alvo, prescritas no PIA, a equipe dos da garantia de direitos. Trabalhando o estabele-
Centros de Atendimento de Semiliberdade deve cimento / fortalecimento dos vínculos familiares
quando do encaminhamento do socioeducan- como ponto fundamental do acompanhamento
do a cursos profissionalizantes, levar em conta a técnico, tendo em vista ser este um importante
demanda do mercado de trabalho no município alicerce para a continuidade das intervenções
de origem, a oferta de cursos profissionalizantes com o socioeducando.
conforme a escolaridade no município onde o
programa está sendo desenvolvido, o interesse e 3.5.4 Cultura, lazer, esporte e espiritualidade
a habilidade do socioeducando.
As atividades realizadas fora do Centro de Esses recursos serão utilizados pelo adoles-
Atendimento de semiliberdade são a essência da cente de preferência na sua comunidade de ori-
ação socioeducativa e não podem ser retiradas gem, aos finais de semana, durante sua visita à
ou suprimidas. Esta medida requer um monitora- família. O Centro de Atendimento de Semiliber-
mento sistemático da equipe ao socioeducando dade deverá proporcionar momento de ativida-
na comunidade e na realização de suas ativida- des lúdicas de cultura, lazer, esportes, espiritua-
des bem como fortalecidas com a família. lidade e formação humana dentro do seu Plano
Coletivo de Atendimento. Cabe salientar que por
3.5.3 Abordagem Familiar e Comunitária ser a medida de semiliberdade constituída por
inserção social na comunidade a busca de articu-
Serão analisadas as relações do socioeducan- lação fora do espaço institucional é fundamental
do com sua família e/ ou família extensa, pon- para o socioeducando vivenciar outras experiên-
tuando os aspectos necessários à intervenção, cias na construção do processo de ressocialização.
articulada com a rede local como preconiza o
Sistema Único de Assistência Social (SUAS), po-
/ 94 /
3.5.5 Saúde 3.5.6 Jurídico
/ 95 /
profissionais: 01 Diretor - Coordenador (a), 01 As- me ou contravenção deverá ser registrado ocor-
sistente Social, 01 Advogado, 01 Psicólogo, 01 Pe- rência policial na delegacia competente.
dagogo, 01 Assistente Administrativo, 01 socioe- Tem como objetivo a garantia do convívio
ducador para cada 05 socioeducandos, quando harmônico na Unidade, buscando a responsa-
o Centro de Atendimento de Semiliberdade for bilização do socioeducando sobre seus atos,
Conveniado terá 01 cozinheira. Importante des- resguardando o direito à participação coletiva,
tacar que os Centros de Atendimento de Semili- oferecendo atenção específica ao socioeducan-
berdade orgânicas da FASE têm sua alimentação do nas suas necessidades momentâneas, obser-
através de Empresa terceirizada. vando-se os seguintes princípios:
A equipe de trabalho tem como pressuposto a) Todo o procedimento disciplinar observará
fundamental executar sua intervenção de forma os princípios da legalidade, da proporcionalida-
interdisciplinar, ou seja, entender o processo de de, da razoabilidade, da igualdade, da pondera-
trabalho de forma continuada inter-relacionada ção e da excepcionalidade, respeitando a ampla
com as diversas áreas do saber. defesa e o contraditório, vedada a aplicação de
mais de uma medida disciplinar pelo mesmo
3.7 PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO fato;
DISCIPLINAR b) Independentemente da medida disciplinar
aplicada poderá ser encaminhado a ocorrência
É a instância interna, constituída com a finali- para círculo restaurativo, principalmente quando
dade de apurar fato disciplinar de qualquer na- ocorrerem confronto entre os socioeducandos
tureza, suas causas e consequências em que se ou deste com trabalhadores da medida socioe-
envolva o socioeducando, devendo a conduta ducativa;
estar definida como falta disciplinar em confor- c) A tipificação das faltas disciplinares leves,
midade com o disposto no capítulo VII, da Lei nº médias e graves, bem como as medidas disci-
12.594/2012. Quando ocorrer ato infracional, cri- plinares aplicáveis em cada caso, será definida
/ 96 /
no Programa de Atendimento de cada Unidade, lescentes/ jovens adultos, independentemente
tendo como balizador a Resolução 005/2012 – de sua adesão ou não ao Programa.
FASE/RS;
d) Proibição de medida disciplinar que impli-
que tratamento cruel, desumano e degradante;
e) Garantia da observância da razoabilidade e
da proporcionalidade entre a natureza da falta e
a aplicação da medida disciplinar;
f) As medidas disciplinares somente serão
impostas pelo colegiado, através da instituição
de comissão, composta, por no mínimo três in-
tegrantes, sendo um técnico; vedada a participa-
ção de socioeducandos na aplicação ou execu-
ção, conforme Resolução nº 005/2012 FASE/RS.
3.8 DESLIGAMENTO
/ 97 /
4
/ 98 /
Programa de
Acompanhamento de Adolescentes /
Jovens Adultos Egressos
/ 99 /
O ECA e o SINASE preconizam que as entida- da Justiça e dos Diretos Humanos.
des que desenvolvem Programas de Internação, O programa disponibiliza profissionais espe-
internação sanção e Semiliberdade devem man- cializados para a continuidade do processo de
ter programas destinados ao apoio e acompa- orientação e apoio sistemático, promoção de
nhamento de egressos da medida socioeducati- educação e capacitação profissional, bem como
va. a responsabilização da família no cumprimento
Os adolescentes/ jovens adultos que, por de- do seu papel na formação do sujeito e no resgate
terminação judicial, tiveram suas medidas extin- dos vínculos afetivos.
tas e/ou progredidas para o meio aberto, são li- Dadas às dificuldades econômicas, justifica-se
berados para o livre convívio com a sociedade, e, a destinação de um apoio financeiro visando à
portanto, não estão mais sob a proteção integral iniciação de sua autonomia e inclusão social. O
do Estado, precisando ainda receber acompa- benefício é caracterizado pela concessão de va-
nhamento até alcançar autonomia e responsabi- le-transporte e um valor monetário não superior
lidade, para a condução de um projeto de vida a meio salário mínimo nacional ao mês, totalizan-
positivo. do 12 parcelas, podendo ser prorrogado excep-
Assim, considerando que é dever do Estado, cionalmente por mais seis parcelas. Para efeitos
através da articulação intersetorial acompanhar desse programa, consideram-se egressos adoles-
a inserção social e produtiva desses adolescentes centes/ jovens adultos de 12 a 21 anos sempre
e jovens adultos foi editada a Lei nº 13.122/09, que desligados por extinção ou progressão que
que instituiu o Programa de Acompanhamentos cumpriram medida de internação, internação
de Egressos, atualmente intitulado Programa de sanção e/ou semiliberdade.
Oportunidades e Direitos - POD Socioeducati- A adesão dos adolescentes /jovens adultos ao
vo, no qual foi alterada em 16/04/2013 sob o nº POD Socioeducativo dar-se-á mediante o princí-
14.228, denominando–se Programa de Oportu- pio da voluntariedade.
nidades e Direitos – POD, vinculado à Secretaria Todo o adolescente / jovem adulto com pro-
/ 100 /
posta de desligamento, tem direito e o dever de 4.1.1 Núcleo de Acompanhamento de Egres-
participar do Círculo de Compromisso para a ela- sos
boração do PIA Egresso de forma compartilhada.
No caso de não adesão ao Programa POD – So- Tem por objetivo implementar a execução do
cioeducativo, o PIA Egresso deverá igualmente Programa de Atendimento de Egressos no Esta-
ser realizado contemplando as interfaces, que o do, estabelecendo interface entre as unidades da
caso requer (família, CREAS, CRAS, SUS SEDUC, FASE, Juizado da Infância e Juventude, Secretaria
SMED, FASE/Núcleo de Egresso e apoiadores) ga- de Justiça e dos Direitos Humanos, (Coordena-
rantindo condições favoráveis para a sua reinser- ção Geral do Programa) a rede de políticas sociais
ção social. e as entidades conveniadas.
Cabe também, instrumentalizar, acompanhar
4.1 COMPETÊNCIAS e supervisionar os recursos humanos das unida-
des da FASE dar-lhes o suporte necessário para
Para a adequada execução do Programa esta- que possam garantir aos adolescentes/ jovens
beleceram-se as atribuições dentro da composi- adultos, os seus direitos contidos no Programa,
ção intersetorial de governo. Atualmente cabe a bem como apoiar no processo da elaboração do
Secretaria de Justiça e dos Direitos Humanos do PIA Egresso, viabilizando a reinserção social do
Estado o gerenciamento, conveniando as insti- socioeducando.
tuições escolhidas, dando o aporte dos recursos
humanos e logística prevista em cada iniciativa 4.1.2 Equipe Técnica e Direção (CASE)
conjunta, em conformidade com as suas normas
internas e as políticas operacionais de cada par- A Equipe Técnica e a Direção do CASE são so-
tícipe. lidariamente responsáveis por providenciar, no
momento da construção da proposta de desliga-
mento ou progressão do socioeducando:
/ 101 /
• Providenciar, desde o ingresso na Unida- 4.1.3 Entidades Executoras
de, à documentação necessária ao exercício da
cidadania para a reinserção social e inclusão no Executar as oficinas de Sensibilização, quan-
Programa (certidão de nascimento, CPF, carteira do o adolescente/ jovem adulto ainda estiver
de identidade, histórico escolar, comprovante de na FASE; implementar a execução do PIA Egres-
residência com CEP, certificado de reservista, car- so, através da capacitação para o fortalecimento
teira de trabalho e título de eleitor, caderneta de pessoal (após o desligamento); inclusão em ofi-
saúde); cinas ou cursos de acordo com a faixa etária e
• Informar os adolescentes/ jovens adultos escolaridade dos socioeducandos (12 a 14 anos
e familiares sobre o Programa de Egressos; – oficinas socioeducativas; 15 a 16 anos - cursos
• Organizar o espaço e os socioeducandos de iniciação profissional; 16 a 21 anos – cursos de
para a realização das oficinas de sensibilização; profissionalização); acompanhamento psicosso-
• Realizar o relatório avaliativo, incluindo a cial e escolar; inserções em atividades culturais e
propositura de participar do Programa; esportivas; encaminhamento para o mercado de
• Fazer o cadastramento de forma quali- trabalho; apoio financeiro 4 ; acompanhamento
ficada e encaminhar ao Núcleo de Egressos no integrado com a rede socioassistencial, relatórios
prazo estabelecido; de acompanhamento para o processo jurídico
• Realizar o pré-círculo e o círculo de com- do socioeducando.
promisso dentro dos princípios da Justiça Res-
taurativa na metodologia da Comunicação Não
Violenta (CNV);
• Elaborar o PIA Egresso, apresentando-o
em audiência. 10
No que se refere ao apoio financeiro, em valor não superior
a 50% do salário mínimo regional, depositado mensalmente,
pelo prazo de um ano, é responsabilidade da Secretaria de
Justiça e Direitos Humanos - SJDH.
/ 102 /
4.2 PROCESSO DE INCLUSÃO NO PROGRA- 4.2.1 PIA Egresso
MA DE EGRESSOS
O PIA Egresso é elaborado através do Círcu-
O trabalho desenvolvido com os adolescen- lo de Compromisso que adota o procedimento
tes/ jovens adultos e seus responsáveis ocorrem restaurativo e segue os princípios da Justiça Res-
em todo o processo de acompanhamento da taurativa, preconizado no SINASE e no Programa
medida socioeducativa. Este trabalho é funda- Justiça para o Século 21, observando-se a meto-
mental não somente no que diz respeito à toma- dologia: Pré – Círculo (preparação), Círculo (reali-
da de consciência crítica do socioeducando, mas zação do encontro) e Pós- Círculo (acompanha-
também a toda interlocução realizada para dar mento).
continuidade ao processo socioeducativo em Para a realização do PIA EGRESSO faz-se neces-
sua comunidade. Para que este trabalho seja efe- sário a confecção do cadastro do socioeducando,
tivo é necessário mecanismos de manutenção em formulário próprio, o qual deve conter as in-
destes cuidados, acionando as políticas públicas formações básicas e relevantes para subsidiar a
pertinentes como apoio externo aos adolescen- elaboração do PIA Egresso, bem como servir de
tes/ jovens adultos, suas famílias e/ou família ex- apoio para a entidade conveniada acompanhar
tensa. a sua execução. O preenchimento do Formulá-
Nesta intervenção é fundamental o trabalho de rio de Cadastro é de responsabilidade da Equipe
preparação do socioeducando, para seu desliga- Técnica das Unidades de execução das medidas
mento ou progressão, sendo o mesmo balizado socioeducativas.
e construído com todos os operadores de direitos
necessários para continuidade da intervenção. Esta 4.2.2 Pré-Círculo
diretriz é pactuada nos procedimentos circulares
descritos a seguir que sedimentam o rito de passa- O Pré-Círculo – coordenado e elaborado pela
gem e de reinserção social. Equipe Técnica da unidade em instrumento pró-
/ 103 /
prio. Propicia condições para que o Círculo possa cando; quem, o quê, como, onde, quando etc. O
acontecer. Encontro presencial que busca o es- PIA vem, no seu final, assinado pelos participan-
tabelecimento de vínculo de confiança entre os tes e com o termo de adesão ou não do socioe-
participantes e o técnico. Informa também sobre ducando ao Programa, comprometendo-se pela
o procedimento restaurativo. O Pré- Círculo, con- decisão tomada.
cluído, será encaminhado ao Núcleo de Egressos
– NE. 4.2.4 Pós-Círculo
/ 104 /
/ 105 /
5
/ 106 /
Avaliação e
Acompanhamento
da Gestão do Programa
/ 107 /
A avaliação e acompanhamento da execu- zadas no SINASE.
ção do Programa das Unidades Socioeducativas Para a realização deste trabalho de supervi-
ocorre por meio da Supervisão, esta atribuição são, são utilizados instrumentos norteadores de
agrega todas as Diretorias da Fundação de Aten- avaliação da execução das ações socioeducativas
dimento Sócio-Educativo. de cada Unidade de Internação e Semiliberdade,
Tendo em vista o trabalho a ser realizado nos fundamental para a mensuração de resultados.
Programas de Execução de medida, a Diretoria O trabalho de monitoramento e avaliação dos
Sócio-Educativa (DSE) tem como objetivo realizar Programas de Atendimento Socioeducativo dar-
a supervisão e acompanhamento das Unidades -se-á por indicadores de mensuração da execu-
de Internação Provisória, Internação e Semiliber- ção, através de instrumentos para a produção de
dade da Capital e Interior do Estado, conforme dados quantitativos e qualitativos, os quais serão
prevê o Regimento Interno da FASE-RS. analisados mediante supervisão sistemática e
conjunta da Direção-Geral da Fundação.
Art. 46 - Compete à Assessoria Especial A avaliação anual deste trabalho, por sua vez,
da Diretoria Sócio- Educativa: V - realizar a servirá de parâmetro para a adoção de melhorias
supervisão e acompanhamento sistemáti- e a readequação das metas estabelecidas, quan-
co das unidades do sistema de execução de do necessário. Os dados constantes no relatório
medidas sócio-educativas. geral a ser repassado pela presidência da FASE
serão publicizados pelos meios utilizados pelo
A Diretoria Sócio-Educativa busca garantir a Governo do Estado.
todos os Centros de Atendimento de Internação Deste modo, objetiva-se estabelecer um fluxo
e Semiliberdade a supervisão continuada do pro- de informações que permita focar os pontos frá-
cesso de trabalho das equipes, contribuindo com geis no atendimento e, consequentemente, ado-
a implementação e ampliação das diretrizes da tar medidas para saná-los, processo que requer
execução das medidas socioeducativas preconi- a elaboração de plano de trabalho condizente
/ 108 /
com as metas estabelecidas, considerando a rea-
lidade de cada Regional de atendimento e os
parâmetros do PEMSEIS.
/ 109 /
Considerações Finais
/ 110 /
/ 111 /
A FASE, ao longo de sua trajetória histórica, mulgação em 1990, o ECA traz o desafio de supe-
vem buscando debater a temática da socioe- ração das práticas que referem a um passado de
ducação, sobretudo no que tange à efetivação negação de direitos ao público infanto-juvenil.
das prerrogativas previstas no Sistema Nacional A potencialização de debates, com diferentes
de Atendimento Socioeducativo - SINASE, que participantes dos conselhos de direitos e serviços
estão sendo implementadas no cotidiano das da rede, que estruturaram as diretrizes e modelos
ações desenvolvidas nos Centros de Atendimen- socioeducativos, se regulamentou por definitivo
tos Socioeducativos de privação de liberdade. em 2012 com o Sistema de Atendimento Socio-
Reafirmando o seu compromisso em atender educativo (SINASE), no qual foram definidos pa-
adolescentes/jovens adultos em conflito com a râmetros para adequação de uma nova proposta
lei, a FASE, instituição responsável pela execu- de atendimento socioeducativo com base em
ção da medida de internação e semiliberdade diretrizes operacionais e pedagógicas pautadas
no Estado, nomeou comissão institucional para na construção da reinserção social e interlocução
estudo, discussão e atualização do Programa de intersetorial na garantia dos direitos.
Execução de Medidas Socioeducativas de Inter- O PEMSEIS tem o objetivo de fortalecer e ba-
nação e Semiliberdade do Rio Grande do Sul (PE- lizar o atendimento socioeducativo no Estado do
MSEIS), composta por diferentes categorias pro- Rio Grande do Sul. O desafio da reedição do PEM-
fissionais de modo direto e indireto, na execução SEIS vem no sentido de atender e complementar
das medidas. a metodologia de trabalho da medida socioedu-
Nas últimas décadas, o atendimento socioe- cativa, bem como ser um instrumento norteador
ducativo no Rio Grande do Sul vem buscando se das ações dos Programas de Atendimento das
especializar frente aos avanços promovidos pela Unidades e da prática dos profissionais da socio-
introdução da concepção da Proteção Integral educação, reafirmando assim, a missão institu-
como diretriz norteadora prevista no Estatuto da cional da FASE.
Criança e do Adolescente (ECA). Desde a sua pro- A missão de potencializar o debate socioe-
/ 112 /
ducativo não finda com a
reedição do PEMSEIS, pelo
contrário, impulsiona que
continuemos neste pro-
cesso de reordenamento
o qual necessita de esfor-
ços coletivos que venham
a propor ações que revisi-
tem e desmistifiquem os
problemas historicamente
identificados, orientando
novas práticas e impri-
mindo de forma dialética
a política socioeducativa
do Estado do Rio Grande
do Sul.
/ 113 /
Anexos
/ 114 /
/ 115 /
/ 116 /
/ 117 /
/ 118 /
/ 119 /
/ 120 /
/ 121 /
/ 122 /
/ 123 /
/ 124 /
/ 125 /
/ 126 /
/ 127 /
/ 128 /
/ 129 /
/ 130 /
/ 131 /
/ 132 /
/ 133 /
/ 134 /
/ 135 /
/ 136 /
/ 137 /
/ 138 /
/ 139 /
/ 140 /
/ 141 /
/ 142 /
RESOLUÇÃO Nº 005/2012 FASE/RS 2012 ocorrências disciplinares no interior das Unida-
des;
Normatiza a atuação da equipe socioeduca- O dever da Direção do programa e da equipe
tiva nas situações de apuração e aplicação de socioeducativa de proceder à atenta divulgação
medidas disciplinares aos socioeducandos que das normas regimentais ao socioeducando que
cumprem medida de internação nas Unidades ingressar na Unidade de Atendimento, destacan-
da FASE. do sua importância dentro do contexto da pro-
posta socioeducativa a ele dirigida;
A Direção do Programa Geral da Fundação de RESOLVE:
Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Art.1º- A apuração das faltas disciplinares e
Sul- FASE/RS, legitimada pelo disposto no art. 9º aplicação das medidas disciplinares pela Direção
da Lei 11.800/2002 e no uso das atribuições con- do Programa aos socioeducandos em cumpri-
feridas pelo art. 9º do Estatuto Social, aprovado mento de medida de internação obedecerão ao
pelo Decreto Estadual nº 41.664/2002 e conside- disposto nesta Resolução.
rando; Art. 2º- O descumprimento das regras de con-
As disposições contidas na Lei nº 12.594/12, vívio coletivo nas Unidades de Atendimento im-
em especial nos arts. 71 e seguintes; plica em falta disciplinar.
A necessidade de regulamentar as regras Parágrafo único: Independente da medida
constantes dos Programas de Atendimento das disciplinar aplicada poderá ser encaminhado a
Unidades de Internação da FASE; ocorrência para círculo restaurativo, principal-
A necessidade de definição de critérios claros mente quando ocorrerem confronto entre os
para a apuração de faltas e aplicação de medidas socioeducandos ou deste com socioeducadores.
disciplinares a fim de instrumentalizar a equipe Art.3º- É dever do Diretor do Programa (Dire-
socioeducativa para uma atuação preventiva de tor da Unidade) e em sua falta, do Assistente de
enfrentamento de situações limites, envolvendo Direção e do Chefe de Equipe, nesta ordem, pro-
/ 143 /
ceder à avaliação da conduta disciplinar do so- a) efetuar a compra ou a venda de produtos
cioeducando após o fato, com intuito de avaliá- de mercadorias não autorizadas;
-la e, se for o caso, enquadrá-la como falta leve, b)recusar-se a abrir a correspondência pessoal
média ou grave, contidas no Programa e nesta na presença de membro da Direção do Programa
resolução, não sendo permitido qualquer outro ou servidor designado, quando solicitado;
enquadramento. c) organizar ou participar de apostas envol-
Art.4º- As faltas podem ser de natureza leve, vendo roupas, calçados, alimentos, dinheiro ou
média ou grave, de acordo com a seguinte clas- pertences de uso pessoal, de outro socioeducan-
sificação: do ou da Unidade;
I- São consideradas faltas de natureza leve: d) desrespeitar ou ofender membro da equi-
a) portar-se inadequadamente e indevida- pe socioeducativa, socioeducando, familiar ou
mente em alguma atividade; outra pessoa que tiver contato;
b) dissimular ou provocar doença para eximir- e) atribuir a outro interno falsamente a pratica
-se de alguma atividade e ou dever; de falta disciplinar;
c) recusar-se a colaborar ou a executar as ativi- f)recusar-se a participar da escola e ou cursos
dades que lhe forem solicitadas; que esteja matriculado;
d) fazer barulho no horário de descanso; g) ser reincidente em três faltas leves, no perí-
e) reincidir em pequenas transgressões disci- odo de 15(quinze) dias.
plinares não capituladas expressamente no pro-
grama de atendimento como falta leve, mas que III- São faltas de natureza grave:
impliquem em desobediência ou descumpri- a) insurgir-se contra a revista individual e ge-
mento das normas contidas no Programa da Uni- ral;
dade, Plano Coletivo e Manual do Adolescente. b) perturbar a ordem, gerando transtornos e
tumultos no interior da unidade;
II- São faltas de natureza média: c) apossar-se indevidamente de materiais, ob-
/ 144 /
jetos e bens de outrem ou da Unidade; ríodo de 15(quinze) dias.
d) fazer ameaças a equipe socioeducativa, so- Parágrafo único- Na hipótese de prática de ato
cioeducando, familiar ou outra pessoa que tiver infracional e ou crime deverá o Diretor do Progra-
contato; ma adotar as seguintes providências:
e) realizar ou participar de situação com grave I- comunicação a autoridade policial compe-
ameaça ou violência; tente, através do registro de ocorrência policial,
f) fazer uso ou portar qualquer tipo de droga; II- nos fatos que deixam vestígios deverá ser
g) fugir, tentar fugir ou tentar praticar ato des- providenciado o exame de corpo de delito,
tinado à fuga de outrem; III- providenciar , quando necessário, a realiza-
h) agredir física ou moralmente socioeduca- ção de perícias no local dos fatos.
dor, socioeducando, familiar ou qualquer outra
pessoa;
i) portar, fabricar, confeccionar, produzir arte- Da apuração das faltas disciplinares:
fato ou arma com potencial agressivo ou perfu- Art. 5º- Na apuração de qualquer falta discipli-
ro-cortante; nar deverão ser utilizados meios idôneos e que
j) provocar, incitar ou participar de incidentes não importem em lesão aos direitos individuais
graves destinados a causar tumultos e instabili- dos socioeducandos privados de liberdade.
zações institucionais; §1 º - Na escolha dos instrumentos a serem
k) liderar, participar ou pressionar os demais aplicados para a apuração das faltas disciplinares
socioeducandos para amotinamento, mesmo devem ser observados os critérios da razoabili-
sem atingir os objetivos; dade e da proporcionalidade entre a natureza da
l) praticar qualquer ato infracional e ou crime falta e aplicação da medida sancionatória.
no interior da Unidade; §2º - Os instrumentos de contenção física ou
m) falta de natureza coletiva medicamentosa constituem-se medidas de pro-
n) ser reincidente em três faltas médias, no pe- teção, saúde e segurança, nunca podendo ser
/ 145 /
utilizados como medidas disciplinares. escolarização, profissionalização, regular período
de pátio e visita.
Art. 6º – Qualquer membro da equipe socio- §3º-A medida de separação do convívio me-
educativa que tiver conhecimento da prática de diante atendimento especial deverá ser comuni-
falta disciplinar deverá colher as provas que fo- cada, no prazo máximo de 24 horas, ao Juízo da
rem necessárias para o esclarecimento do fato e Execução, ao Defensor e ao Ministério Público.
das circunstâncias.
Art. 8º- Será permitida, em caráter excepcio-
Das medidas disciplinares nal, a aplicação preventiva da separação do con-
Art. 7º- Constituem medidas disciplinares: vívio coletivo mediante atendimento especial,
I- repreensão escrita; nos seguintes casos:
II- restrição de atividades; I – para preservar a integridade física ou emo-
III- suspensão de atividades; cional do socioeducando ou à outrem;
IV- separação do convívio mediante atendi- II – para evitar a deflagração de conflitos mais
mento especial graves, garantindo ou à outrem.
§1º - Nas situações acima referidas o Chefe de
§ 1º- A medida disciplinar de separação do Equipe responsável pelo plantão deverá apre-
convívio mediante atendimento especial somen- sentar à Direção do Programa justificativa escrita
te poderá ser aplicada quando imprescindível da necessidade da aplicação da medida, o que
para a segurança do próprio socioeducando ou será avaliado pela Comissão de Avaliação Disci-
dos demais internos, nos termos do §2º, do art. plinar, que se manifestará sobre a pertinência e a
48 da Lei nº 12.594/12. necessidade ou não de manutenção da medida.
§ 2º- A medida será efetivada por prazo nun- §2º - Deverá a Unidade nestas situações co-
ca superior a quinze dias, garantindo-se o ofere- municar o Judiciário, Defensoria e o Ministério
cimento de atendimento técnico especializado, Público, no prazo de 24 horas.
/ 146 /
§3º - Se a Comissão de Avaliação Disciplinar, dades.
ao avaliar a justificativa apresentada, entender III- Nas faltas de natureza grave poderá ser
não ser aplicável a medida de separação do con- aplicada medida disciplinar de suspensão de ati-
vívio mediante atendimento especial, deverá o vidades, por prazo não superior a quinze dias.
socioeducando ser imediatamente reintegrado IV- A prática de falta disciplinar poderá auto-
ao convívio coletivo e, se verificar a abusividade rizar a separação do convívio coletivo mediante
da aplicação da medida deverá comunicar a Di- atendimento especial, quando for imprescindí-
reção do Programa, que deverá comunicar o fato vel para a segurança do próprio socioeducando
a Diretoria Socioeducativa da FASE/RS para pro- ou dos demais, nos termos do art. 48, § 2º da lei
vidências cabíveis. nº 12.594/12.
Art. 9º - Na definição da medida disciplinar Parágrafo único- A reincidência em três faltas
aplicável ao caso levar-se-ão em conta a natu- leves poderá acarretar na aplicação de medida
reza, os motivos, as circunstâncias e as conse- disciplinar de restrição de atividades e a reinci-
qüências do fato, bem como o comportamento dência em três faltas médias poderá acarretar na
do socioeducando e a proposta de intervenção aplicação de medida de suspensão de ativida-
prevista no seu Plano Individual de Atendimen- des, em período nunca superior a 15 dias.
to, observando-se a proporcionalidade entre o
fato cometido e a resposta disciplinar. Art. 11- Aos socioeducandos que demonstra-
Art. 10- As medidas disciplinares serão defini- rem obediência as regras e normas de convívio
das segundo as seguintes regras: coletivo da Unidade poderão ser adotadas as se-
I- Nas faltas de natureza leve somente será ad- guintes medidas:
mitida aplicação de medida disciplinar de repre- a) desclassificação da falta para uma de me-
ensão escrita. nor gravidade;
II- Nas faltas de natureza média poderá ser b) redução do prazo inicialmente aplicado
aplicada medida disciplinar de restrição de ativi- para as medidas disciplinares de restrição e sus-
/ 147 /
pensão de atividades e de separação de convívio III- Advogado da Unidade ou Advogado cons-
coletivo mediante atendimento especial, a fim tituído ou Defensor Público - realiza a análise
de aplicar medida mais justa; jurídica do fato e faz a defesa técnica do jovem,
c) remissão da medida disciplinar anterior- ficando impossibilitado de participar da discus-
mente aplicada. são do caso no âmbito da Comissão de Avaliação
Disciplinar. Sendo a defesa elaborada por defen-
Do procedimento e da competência sor constituído o Advogado da Unidade não fica
impedido de participar da CAD, como represen-
Art. 12- A Comissão de Avaliação Disciplinar tante da equipe técnica.
é uma instância interna, constituída com a finali- IV- Chefe de Equipe Chefia de Equipe de Mo-
dade de apurar o fato, suas causas e conseqüên- nitores - trará elementos do cotidiano institu-
cias, diante de ocorrência de falta disciplinar e cional e do acompanhamento diário dos socio-
será composta por um representante da Equipe educadores. O Chefe de Equipe integrante da
Técnica, pelo advogado da Unidade/advogado Comissão de Avaliação Disciplinar poderá ser o
constituído ou Defensor Público, por um Chefe chefe do plantão onde se passaram os fatos, não
de Equipe e por um Assistente de Direção. devendo, contudo, ter participado diretamente
I- Assistente de Direção - tem a responsabili- na ocorrência. Na falta de Assistente de Direção,
dade de coordenar e gerenciar todo o processo caberá ao Chefe de Equipe coordenar o processo
da Comissão de Avaliação Disciplinar. da Comissão de Avaliação Disciplinar.
II- Representante da Equipe Técnica – partici-
pa trazendo elementos da dinâmica individual Art. 13 - A competência para aplicação das
do jovem que possam auxiliar na compreensão medidas disciplinares determina-se segundo as
da alteração disciplinar. Este técnico não fica im- seguintes regras:
pedido de atender o adolescente durante a me- I- Compete ao agente socioeducador que pri-
dida disciplinar; meiro tiver ciência da falta proceder à comunica-
/ 148 /
ção da ocorrência e autoria, quando conhecida, e)encaminhar ao Juizado da Execução, nos ca-
ao Chefe de Equipe da Unidade. sos de homologação da conclusão da Comissão
II- Ao chefe de equipe compete, ao tomar de Avaliação Disciplinar, nas situações de faltas
ciência das faltas disciplinares orientar o socio- graves, dentro do prazo máximo de 72 horas;
educando sobre as conseqüências de seu ato e f)proceder ao registro de ocorrência policial
registrar o acontecido no Livro de Ocorrências sempre que ocorrer a prática de ato infracional
Disciplinares, comunicando todos os fatos à Di- ou crime, designando, quando for o caso, servi-
reção do Programa. dor para acompanhar o socioeducando à auto-
III- Compete ao Diretor do Programa: ridade policial competente, e, encaminhar infor-
a) diariamente verificar os registros de nature- mação a Diretoria Socioeducativa e ao Juizado
za disciplinar e determinar o atendimento técni- de Execução da Medida.
co com o registro no prontuário do socioeducan-
do; IV- Compete à Comissão de Avaliação Discipli-
b) verificada a ocorrência de falta disciplinar nar:
providenciar a instalação da Comissão de Avalia- a) avaliar o cabimento de quaisquer das me-
ção Disciplinar; didas disciplinares previstas nos incisos I, II, III e
c) quando se tratar de separação do convívio IV, respeitadas as regras dos artigos 10 a 12 desta
mediante atendimento especial efetuar a comu- Resolução;
nicação, no prazo de 24 horas, ao Juízo da Execu- b)em caso de aplicação de medida discipli-
ção, Ministério Público e Defensor; nar de separação do convívio coletivo mediante
d) analisar o relatório da Comissão de Avalia- atendimento especial, a Comissão de Avaliação
ção Disciplinar e decidir sobre eventual recurso Disciplinar deverá apontar para a equipe técnica
interposto pelo socioeducando, podendo homo- a elaboração de Plano Individualizado que asse-
logar a decisão da Comissão, determinar nova gure a intensificação do atendimento técnico do
instalação ou dar provimento ao recurso; socioeducando durante o período, além de ade-
/ 149 /
quar, quando for o caso, o seu Plano Individual de de semana este prazo será computado a partir
Atendimento as atuais necessidades de cumpri- do primeiro dia útil seguinte.
mento da medida;
c)analisar a justificativa apresentada pela Art. 14- As providências adotadas pelos Che-
Chefia de Equipe para a aplicação da medida de fes de Equipe quando da intercorrência de faltas
atendimento especial preventivo, manifestando- disciplinares em horário diverso ao expediente
-se sobre a correção de sua aplicação e a necessi- administrativo, especialmente quando no ho-
dade de sua manifestação; rário noturno, serão objeto de análise e homo-
d) comunicar ao socioeducando a decisão so- logação ou não, pelo Diretor do Programa no
bre a medida, bem como, cientificá-lo da possibi- primeiro expediente administrativo posterior ao
lidade de interposição de recurso da decisão, no evento, caso não tome conhecimento antes des-
prazo de 24 horas. te momento.
§1º- Nas situações que ocorrerem aplicação Parágrafo único: Se dentre as providências
de medida disciplinar de Atendimento Especial o decorre necessidade de separação do convívio
Diretor da Unidade terá o prazo de 72 horas, im- mediante atendimento especial, deverão, tam-
prorrogáveis, para enviar o Relatório Disciplinar bém, serem providenciadas as comunicações, no
ao Juízo da Execução. Logo, a Comissão deverá prazo de 24 horas, ao Juizado, Ministério Público
reunir-se no prazo de 48 horas do fato, a fim de e Defensoria.
garantir o prazo recursal e a homologação do
procedimento pelo Diretor da Unidade. Das faltas disciplinares coletivas
§2º- A interposição do recurso pelo socioedu- Art. 15- A falta disciplinar será considerada
cando e a decisão do Diretor do Programa deverá coletiva quando praticada por número igual ou
ocorrer no prazo de 24horas, totalizando o prazo superior a três jovens.
de 72 horas dos fatos.
§3º- Quando os fatos acontecerem em finais Art.16- Na apuração de faltas coletivas, deve-
/ 150 /
-se observar os critérios de proporcionalidade Art.19- A inobservância das regras e dos pro-
entre os meios empregados e a falta praticada, cedimentos estabelecidos na presente Resolu-
assegurando-se o respeito aos direitos individu- ção será considerada irregularidade administrati-
ais dos socioeducandos. va ou falta funcional e poderá ensejar a abertura
de procedimento administrativo disciplinar, na
Art.17- Em caso de dificuldade na verificação forma das regras administrativas que regem a
da autoria de uma falta disciplinar de natureza matéria.
coletiva, o socioeducador deverá registrar o fato
e encaminhar a situação para análise da Direção Art.20- Sendo o Diretor da Unidade o respon-
do Programa, que decidirá sobre os instrumen- sável pela execução do Programa de Atendimen-
tos a serem utilizados para a apuração do caso, to, caberá a ele promover a apuração prévia dos
podendo, para tanto, utilizar-se da assistência da fatos envolvendo qualquer irregularidade no
Equipe Técnica da Unidade. cumprimento das regras expressas nesta Reso-
lução, comunicando os seus resultados a auto-
Art.18- A apuração e aplicação de medida dis- ridade superior, sob pena de responsabilização
ciplinar deverá ser sempre individual, ainda que administrativa, civil e penal.
a falta tenha sido praticada por vários internos,
devendo cada um dos envolvidos ser ouvido se- Art. 21- Acompanha em Anexo, como parte
paradamente e as medidas aplicadas individu- integrante desta Resolução, modelo de relatório
almente, especialmente para que seja avaliada da Comissão de Avaliação Disciplinar.
a aplicabilidade do estabelecido nos art.10 a 12
desta Resolução. Art. 22- Revogam-se as disposições em con-
trário, em especial a Resolução nº 006/2008.
Disposições gerais
Art.23- Esta Resolução entrará em vigor na
/ 151 /
data de sua publicação.
/ 152 /
– MODELO DE RELATÓRIO DA COMISSÃO DE AVALIAÇÃO DISCIPLINAR
2. MANIFESTAÇÃO D0 SOCIOEDUCANDO
(Relato do Socioeducando)
Assinatura do socioeducando:
3. DEFESA DO SOCIOEDUCANDO
(Razões e argumentos da Defesa que será realizada pelo Defensor Público, Defensor Constituído
ou Operador Jurídico)
/ 153 /
4. DA MEDIDA DISCIPLINAR APLICADA:
/ 154 /
6. DA MANIFESTAÇÃO DO DIRETOR DA INSTITUIÇÃO
Local e data
/ 155 /
/ 156 /
Grupo de Trabalho 2012/2013: Giovana Mazzarolo Foppa( Assessora Jurídi-
ca –DSE);
Maria do Rosário (Ministra-Chefa da Secre- Cintia Marques da Rosa (Assessora/Assisten-
taria de Direitos Humanos); te Social – DSE)
Fabiano Pereira (Secretário da Justiça e dos Liana Lemos Gonçalves (Técnica em Educa-
Direitos Humanos); ção – Case Novo Hamburgo);
Presidente: Joelza Mesquita; Marli Claudete da Silva Lima (Psicóloga/ Co-
Diretores Administrativos: Marcelo Macha- ordenadora CFP);
do e Rodolfo Castro; Paulo Dilamar de Castro da Silva (Técnico
Diretora de Qualificação Profissional e Cida- em Recreação – Case Santo Angelo);
dania: Ledi de Oliveira Teixeira; Vera Lúcia Biasin (Psicóloga – Case Passo
Diretores Socioeducativos: Luciana Cardoso, Fundo).
Fatiana Dutra, Juliana Colombo, André Mar-
colino e Carlos André Severo da Silva; Colaboradores:
Débora Perin (Advogada- Corregedora Ge-
ral); Saúde: Ricardo Freitas Piovesan, Caroline da
Felipe Borges Bubols (Agente Socioeducador Rosa e Cristina Chazan.
– Case Novo Hamburgo); Serviço Social: Alexandre Onzi Pacheco, Ele-
Herno Campos (Agente Socioeducador – nita Roca Bragança.
CIPCS); Psicologia: Maiana Ribeiro Rodrigues, Anali-
Marlise Pereira de Oliveira (Agente Socioe- ce Brusius, José Novoa Fin e Ana Denise de
ducadora – CASE POA I) Souza Cidade, Marta Nileni Alves Gomes.
Jussandra Rigo (Assessora Jurídica - DSE); Bibliotecário: Daniel Jesus Vieira Magnus
Janaína de Freitas Mildner (Coordenação - Educação: Janaína de Freitas Mildner, Ricar-
DSE); do Joaquin Aquino Cortes.
/ 157 /
Recreação: Ricardo Panatieri e Denisse de lombo (Socioeducador), Maria do Carmo
Moura Ugalde Fagundes; Ney Marques (Técnica).
Egresso: Eremita Gouvea de Souza, Denisse POA II: Estevão Quevedo (Socioeducador),
de Moura Ugalde Fagundes, Claudino Va- Denise Moraes (Técnica).
lentim Troian, Mariza Bemfica Garcia CSE: Daniel Castro (Chefe de Equipe), Marce-
Semiliberdade: Cintia Marques da Rosa; lo Finardi (Socioeducador), Alexandre Onzi
Segurança: Claudio Omar Cougo; (Técnico).
Grupos Operativos: Rodrigo Pereira CASEF: Claudia Maria Elias (Chefe de Equi-
Lima,Taína Silva Corrêa,Juliana Cordeiro, pe), Suzana Maria Bolzan Teixeira (
Cristiane Pan Nys; Márcia Lopes, Simone Socioeducador), Raquel Moura B. dos San-
Rauber, Jucélia Fagundes,Liege Maria P. tos (Técnica).
Silva,Lúcia Fraga Cristina e Maria da Concei- CASE Caxias do Sul: Luis Roberto dos Santos
ção Silva. (Chefe de Equipe), Alexandre Antônio dos
Representantes escolhidos nas Unidades Santos Barboza (Socioeducador), Marco An-
tonio de Freitas (Técnico).
Centro Internação Provisória Carlos Santos: CASE Novo Hamburgo: Felipe Borges Bubols
Carlos André Severo da Silva (Chefe de Equi- (Chefe de Equipe), Andreza Costenaro (So-
pe), Herno Gonçalves de Campos (Socioedu- cioeducador), Liana Lemos Gonçalves (Téc-
cador), Angelisa Meneses (Técnica) nico).
Padre Cacique: Michelini Flores Ferreira CASE-Passo Fundo: Anderson Strneman
(Chefe de Equipe), Luis Alberto Caus Pereira Vieira (Chefe de Equipe), Vanderlei Ribeiro
(Socioeducador), Márcia Regina Borges Nu- (Socioeducador), Isair Barbosa Abrão (Téc-
nes (Técnica). nico).
POA I: Fábio Goulart Nogueira (Chefe de CASE Uruguaiana: Nidiane Ribeiro (Chefe de
Equipe), Alcindo Adelar Gavião Costa Co- Equipe), Joaquim Borges (Socioeducador),
/ 158 /
Anita Pimentel (Técnico). Diretora de Qualificação Profissional e Cida-
CASE Santo Ângelo: Marileia Bazana dania: Ledi de Oliveira Teixeira
(Chefe de Equipe), Valderez Girardi (Socioe- Diretores Socioeducativos: Glau-
ducador), co Zorawski e Neide Bragagnolo
Paulo Dilamar de Castro da Silva (Técnico),
Andre Marcolino (Técnico). Coordenação: Marli Claudete da Silva Lima
CASE Santa Maria: Marta da Silva (Psicóloga/Assessora Técnica - DSE).
Godoy(Chefe de Equipe), Édson Natali Cou- Grupo de Trabalho: Paulo Dilamar de Castro
to de Lara (Socioeducador), Ronald Martins da Silva (Técnico em Recreação – Case San-
Gansmann (Técnico). to Ângelo), Rosalba Leite Merlin (Técnica em
CASE Pelotas: Educação – DSE), Ana Maria Rotili Teixeira
Renata Duarte Amaro (Chefe de Equipe), (Assessora de Educação - DSE).
João Francisco da Rocha Paz (Socioeduca- Colaboradores:
dor), Luis Inácio de Azevedo Machado (Téc- Saúde – Márcia Borges Nunes Regina, Caro-
nico). line da Rosa,Valdirene D’avila Bandeira, Elisa
CAS Caxias do Sul: Solange Castilhos (Chefe Maria. Dellosbel, Angelisa Meneses, Fernan-
de Equipe), Janari Nunes (Técnico). da Ascolese de Lima, Guacira Gomes Abreu,
Sueli Bakalarczyk, Cristiane Jovita, Raquel
Mortari, Ricardo Piovesan, Aline Vargas Rus-
chel.
Minuta de revisão de 2009 a 2010 Serviço Social – Alexandre Onzi Pacheco,
Maria do Carmo Ney Marques, Juliana Co-
Presidente: Irany Bernardes de Souza lombo Costa, Malena Bello Ramos, Mariza
Diretor Administrativo: Bayard Paschoa Pe- Bemfica Garcia, Raquel Moura Baptista,
reira Rossana Alicinda Dias, Silvia Regina Capra.
/ 159 /
Psicologia – Maiana Ribeiro Rodrigues, Tâ- Diretores dos Centros de Atendimento
nia Regina Dorneles da Costa, Maristela
Ferreira, Analice Brusius, Lisiane Ross Soares,
Taís Maidana, Marta Gomes, Vanderlei L. PEMSEIS EM 2002
Carniel e Vera Lúcia Biasin.
Educação – Ana Maria Rotili Teixeira, Rosal- Presidente: Ana Paula Motta Costa
ba Leite Merlin, Maria Silveira, Marques, Ere- Coordenação: Vládia Regina Athayde Paz
mita Gouvea de Souza, Ara Maria Carvalho, Equipe Técnica: Diretoria Sócio-
Cíntia H. Abrahão, Margareth Lages Lenz, -Educativa:Ana Maria Agliozzo Guidini,
Zoraide Freitas Testa, Janaína de Freitas Celso Francisco Tondin, Diná Prytula Greco
Mildner, Claudino Valentin Troian. Soares, Eremita Souza Gouveia, Maria do
Recreação – Paulo Dilamar de Castro da Carmo Ney Marques, Maria Tamara Porto
Silva, Iolanda Inês Behn, Ramiro Cordeiro, de Ávila, Silvia Regina Ramirez.
Bruno Krenzinger, Roberto Marquetti, Isabel Normatização da Comissão de Avaliação
Cristina Berlese, Alessandro Madalena da Disciplinar
Silva. Coordenação: Adriano Martins da Silva e
Direito – Tatiana Telles Gomes, Helga Regina Vládia Regina Athayde Paz
L. Ozório, Sade Maria S. Rosemberg, Lisange Sistematização: Adriano Martins da Silva,
Moreira Freitas, Glauco Zorawski. Diná Prytula Greco Soares,José Renato Du-
Egresso – Eremita Gouvea de Souza, Mariza tra Argiles.
Bemfica Garcia. Colaboração / Operadores Jurídicos: Flora
DA – Neuza Marques Praetzel, Charles Pizza- Teixeira de Oliveira, Hercilhia Rabelo Teixeira,
to, Paulo Alario d’Avila. Luiz Carlos Cartezi Dihl, Luiz Gustavo Franco,
DQPC – Hércules Araújo de Menezes, Marta Mariana Lourenço Lima Carneiro, Oswaldir
Gomes. da Cunha Nunes.
/ 160 /
Colaboração / Supervisoras das unidades: Porto de Ávila, Nely Teixeira Marques, Patrice
Cristina Sefton, Diná Prytula Greco Soares, Schuch , Sílvia Regina Ramirez, Sônia Maria
Maria do Carmo Ney Marques, Maria Tama- Perin.
ra Porto de Ávila. Edição: Kátia Maria Martins Ferreira, Sven-
Colaboração / Diretores das unidades de dla Chaves.
Porto Alegre: Cristina Kluge, Jorge Luiz Pires, Revisão: Flávio Dotti Cesa
José Renato Dutra Argiles, Luiz Carlos Sou-
za Alves, Luiz Ronaldo Padilha Leão, Major
Irany Bernardes de Souza, Regina Helena
Pereira Ferreira.
Grupo de Trabalho sobre o Relatório Avalia-
tivo
Coordenação: Diná Prytula Greco Soares
Colaboração: Alexandre Onzi Pacheco, Ber-
nadete Maria Franco Cunha, João Carlos
Nique, Leila Moura Garcia Lúcia Cristina Ca-
/ 161 /
REFERÊNCIAS
Legislação consultada
Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA – (Lei Federal nº 8.069/1990)
Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS - (Lei Federal nº 8.742/1993)
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal nº 9.394/1996)
Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE (Lei Federal nº 12.594/2012).
PNAS-
Portarias e Resoluções
CFESS. Res 273/93: Código Ética Profissão dos Assistentes Sociais
CFESS. Res 557 e 559/2009
CFP. Res 17/2002: Código Ética Profissional de Psicologia
CONFEF. Conselho Federal de Educação Física (estatuto)
Portaria SVS/MS 344/98 (Central de Medicamentos)
Res ANVISA RDC 50/2002
Portarias 340/MS/2004 e 647/MS/2008 (Saúde do adolescente)
Portaria Interministerial 1.426/GM/2004, (Saúde do adolescente)
Portaria 40/2004/SES/RS
Portaria Estadual n° 292/2005, (Plano Operativo Estadual)
Decreto 6286/2007 (Art 4º) Programa Saúde na Escola
Res 01/2008 – Pres/FASE (psiquiatria)
Res 005/2012 – Pres/FASE
Portaria 1190/2009 SUS/PEAD
/ 162 /
Obras consultadas
BRITO, Leila Maria Torraca. Olhares muito além dos laudos técnicos. Psicologia: ciência e profissão –
Diálogos, ano 2, n.2, mar/2005.
CAIRES, Maria Adelaide de Freitas. Psicologia Jurídica – Implicações conceituais e aplicações práticas.
São Paulo9: Vetor Editora, 2003.
COUTO, Berenice Rojas e PERUZZO, Juliane Felix. Questão Social e Processo de Trabalho em Serviço
Social in Capacitação Profissional em Serviço Social. CRESS 10ª Região, 1999.
GUERRA, Yolanda. Instrumentalidade do Processo de Trabalho e Serviço Social In Revista Serviço So-
cial e Sociedade. São Paulo: Cortez, 2000.
IAMAMOTO, Marilda V. O Serviço Social na Contemporaneidade: Trabalho e formação Profissional.
São Paulo: Cortez, 2001.
Konzem, Afonso Armando. Pertinência Socioeducativa – Reflexões sobre a natureza
SARAIVA, João Batista Costa. Adolescentes em Conflito com a Lei: da indiferença à proteção integral:
uma abordagem sobre a responsabilidade penal juvenil. 3. ed. rev. atual. - Porto Alegre: Livraria do
Advogado Editora, 2009.
________, Compêndio de Direito Penal Juvenil Adolescente e Ato Infracional. 4. ed. rev. atual. - Porto
Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010.
/ 163 /
s e
in a
S
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
TÍTULO I
DO SISTEMA NACIONAL DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO (Sinase)
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1o Esta Lei institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e regulamenta a execução das medidas
destinadas a adolescente que pratique ato infracional.
§ 1o Entende-se por Sinase o conjunto ordenado de princípios, regras e critérios que envolvem a execução de medidas
socioeducativas, incluindo-se nele, por adesão, os sistemas estaduais, distrital e municipais, bem como todos os planos,
políticas e programas específicos de atendimento a adolescente em conflito com a lei.
§ 2o Entendem-se por medidas socioeducativas as previstas no art. 112 da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto
da Criança e do Adolescente), as quais têm por objetivos:
I - a responsabilização do adolescente quanto às consequências lesivas do ato infracional, sempre que possível incentivan-
do a sua reparação;
II - a integração social do adolescente e a garantia de seus direitos individuais e sociais, por meio do cumprimento de seu
plano individual de atendimento; e III - a desaprovação da conduta infracional, efetivando as disposições da sentença como
parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição de direitos, observados os limites previstos em lei.
§ 3o Entendem-se por programa de atendimento a organização e o funcionamento, por unidade, das condições necessá-
rias para o cumprimento das medidas socioeducativas.
§ 4o Entende-se por unidade a base física necessária para a organização e o funcionamento de programa de atendimento.
§ 5o Entendem-se por entidade de atendimento a pessoa jurídica de direito público ou privado que instala e mantém a
unidade e os recursos humanos e materiais necessários ao desenvolvimento de programas de atendimento.
Art. 2o O Sinase será coordenado pela União e integrado pelos sistemas estaduais, distrital e municipais responsáveis pela
implementação dos seus respectivos programas de atendimento a adolescente ao qual seja aplicada medida socioeduca-
tiva, com liberdade de organização e funcionamento, respeitados os termos desta Lei.
CAPÍTULO II
DAS COMPETÊNCIAS
/ 164 /
Art. 3o Compete à União:
I - formular e coordenar a execução da política nacional de atendimento socioeducativo; II - elaborar o Plano Nacional de
Atendimento Socioeducativo, em parceria com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
III - prestar assistência técnica e suplementação financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o desen-
volvimento de seus sistemas;
IV - instituir e manter o Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo, seu funcionamento, entida-
des, programas, incluindo dados relativos a financiamento e população atendida;
V - contribuir para a qualificação e ação em rede dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo;
VI - estabelecer diretrizes sobre a organização e funcionamento das unidades e programas de atendimento e as normas de
referência destinadas ao cumprimento das medidas socioeducativas de internação e semiliberdade;
VII - instituir e manter processo de avaliação dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo, seus planos, entidades e pro-
gramas;
VIII - financiar, com os demais entes federados, a execução de programas e serviços do Sinase; e
IX - garantir a publicidade de informações sobre repasses de recursos aos gestores estaduais, distrital e municipais, para
financiamento de programas de atendimento socioeducativo.
§ 1o São vedados à União o desenvolvimento e a oferta de programas próprios de atendimento.
§ 2o Ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) competem as funções normativa, delibe-
rativa, de avaliação e de fiscalização do Sinase, nos termos previstos na Lei n o 8.242, de 12 de outubro de 1991 , que cria o
referido Conselho.
§ 3o O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à deliberação do Conanda.
§ 4o À Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) competem as funções executiva e de gestão
do Sinase.
Art. 4o Compete aos Estados:
I - formular, instituir, coordenar e manter Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo, respeitadas as diretrizes fixadas
pela União;
II - elaborar o Plano Estadual de Atendimento Socioeducativo em conformidade com o Plano Nacional;
III - criar, desenvolver e manter programas para a execução das medidas socioeducativas de semiliberdade e internação;
IV - editar normas complementares para a organização e funcionamento do seu sistema de atendimento e dos sistemas
municipais;
V - estabelecer com os Municípios formas de colaboração para o atendimento socioeducativo em meio aberto;
VI - prestar assessoria técnica e suplementação financeira aos Municípios para a oferta regular de programas de meio aber-
to;
VII - garantir o pleno funcionamento do plantão interinstitucional, nos termos previstos no inciso V do art. 88 da Lei n o
8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente);
/ 165 /
VIII - garantir defesa técnica do adolescente a quem se atribua prática de ato infracional;
IX - cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo e fornecer regularmente os
dados necessários ao povoamento e à atualização do Sistema; e
X - cofinanciar, com os demais entes federados, a execução de programas e ações destinados ao atendimento inicial de
adolescente apreendido para apuração de ato infracional, bem como aqueles destinados a adolescente a quem foi aplicada
medida socioeducativa privativa de liberdade.
§ 1o Ao Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente competem as funções
deliberativas e de controle do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo, nos termos
previstos no inciso II do art. 88 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente), bem como outras definidas na legislação estadual ou distrital.
§ 2o O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à deliberação do Conselho Estadual dos Direitos
da Criança e do Adolescente.
§ 3o Competem ao órgão a ser designado no Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo as funções executiva e de
gestão do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo.
Art. 5o Compete aos Municípios:
I - formular, instituir, coordenar e manter o Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo, respeitadas as diretrizes
fixadas pela União e pelo respectivo Estado;
II - elaborar o Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo, em conformidade com o Plano Nacional e o respectivo
Plano Estadual;
III - criar e manter programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas em meio aberto;
IV - editar normas complementares para a organização e funcionamento dos programas do seu Sistema de Atendimento
Socioeducativo;
V - cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo e fornecer regularmente os
dados necessários ao povoamento e à atualização do Sistema; e VI - cofinanciar, conjuntamente com os demais entes fede-
rados, a execução de programas e ações destinados ao atendimento inicial de adolescente apreendido para apuração de
ato infracional, bem como aqueles destinados a adolescente a quem foi aplicada medida socioeducativa em meio aberto.
§ 1o Para garantir a oferta de programa de atendimento socioeducativo de meio aberto, os Municípios podem instituir os
consórcios dos quais trata a Lei no 11.107, de 6 de abril de 2005, que dispõe sobre normas gerais de contratação de con-
sórcios públicos e dá outras providências, ou qualquer outro instrumento jurídico adequado, como forma de compartilhar
responsabilidades.
§ 2o Ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente competem as funções deliberativas e de controle
do Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo, nos termos previstos no inciso II do art. 88 da Lei nº 8.069, de 13 de
julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), bem como outras definidas na legislação municipal.
§ 3o O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à deliberação do Conselho Municipal dos Direitos
/ 166 /
da Criança e do Adolescente.
§ 4o Competem ao órgão a ser designado no Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo as funções executiva e de
gestão do Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo.
Art. 6o Ao Distrito Federal cabem, cumulativamente, as competências dos Estados e dos Municípios.
CAPÍTULO III
Art. 7o O Plano de que trata o inciso II do art. 3o desta Lei deverá incluir um diagnóstico da situação do Sinase, as diretrizes,
os objetivos, as metas, as prioridades e as formas de financiamento e gestão das ações de atendimento para os 10 (dez)
anos seguintes, em sintonia com os princípios elencados na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente).
§ 1o As normas nacionais de referência para o atendimento socioeducativo devem constituir anexo ao Plano de que trata
o inciso II do art. 3o desta Lei.
§ 2o Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão, com base no Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo,
elaborar seus planos decenais correspondentes, em até 360 (trezentos e sessenta) dias a partir da aprovação do Plano Na-
cional.
Art. 8o Os Planos de Atendimento Socioeducativo deverão, obrigatoriamente, prever ações articuladas nas áreas de educa-
ção, saúde, assistência social, cultura, capacitação para o trabalho e esporte, para os adolescentes atendidos, em conformi-
dade com os princípios elencados na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Parágrafo único. Os Poderes Legislativos federal, estaduais, distrital e municipais, por meio de suas comissões temáticas
pertinentes, acompanharão a execução dos Planos de Atendimento Socioeducativo dos respectivos entes federados.
CAPÍTULO IV
Seção I
Disposições Gerais
Art. 9o Os Estados e o Distrito Federal inscreverão seus programas de atendimento e alterações no Conselho Estadual ou
Distrital dos Direitos da Criança e do Adolescente, conforme o caso.
Art. 10. Os Municípios inscreverão seus programas e alterações, bem como as entidades de atendimento executoras, no
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
/ 167 /
Art. 11. Além da especificação do regime, são requisitos obrigatórios para a inscrição de programa de atendimento:
I - a exposição das linhas gerais dos métodos e técnicas pedagógicas, com a especificação das atividades de natureza co-
letiva;
II - a indicação da estrutura material, dos recursos humanos e das estratégias de segurança compatíveis com as necessida-
des da respectiva unidade;
III - regimento interno que regule o funcionamento da entidade, no qual deverá constar, no mínimo:
a) o detalhamento das atribuições e responsabilidades do dirigente, de seus prepostos, dos membros da equipe técnica e
dos demais educadores;
b) a previsão das condições do exercício da disciplina e concessão de benefícios e o respectivo procedimento de aplicação;
e c) a previsão da concessão de benefícios extraordinários e enaltecimento, tendo em vista tornar público o reconhecimen-
to ao adolescente pelo esforço realizado na consecução dos objetivos do plano individual;
IV - a política de formação dos recursos humanos;
V - a previsão das ações de acompanhamento do adolescente após o cumprimento de medida socioeducativa;
VI - a indicação da equipe técnica, cuja quantidade e formação devem estar em conformidade com as normas de referência
do sistema e dos conselhos profissionais e com o atendimento socioeducativo a ser realizado; e
VII - a adesão ao Sistema de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo, bem como sua operação efetiva.
Parágrafo único. O não cumprimento do previsto neste artigo sujeita as entidades de atendimento, os órgãos gestores, seus
dirigentes ou prepostos à aplicação das medidas previstas no art. 97 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente).
Art. 12. A composição da equipe técnica do programa de atendimento deverá ser interdisciplinar, compreendendo, no
mínimo, profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, de acordo com as normas de referência.
§ 1o Outros profissionais podem ser acrescentados às equipes para atender necessidades específicas do programa.
§ 2o Regimento interno deve discriminar as atribuições de cada profissional, sendo proibida a sobreposição dessas atribui-
ções na entidade de atendimento.
§ 3o O não cumprimento do previsto neste artigo sujeita as entidades de atendimento, seus dirigentes ou prepostos à
aplicação das medidas previstas no art. 97 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Seção II
Dos Programas de Meio Aberto
Art. 13. Compete à direção do programa de prestação de serviços à comunidade ou de liberdade assistida:
I - selecionar e credenciar orientadores, designando-os, caso a caso, para acompanhar e avaliar o cumprimento da medida;
II - receber o adolescente e seus pais ou responsável e orientá-los sobre a finalidade da medida e a organização e funciona-
mento do programa;
III - encaminhar o adolescente para o orientador credenciado;
IV - supervisionar o desenvolvimento da medida; e V - avaliar, com o orientador, a evolução do cumprimento da medida e,
/ 168 /
se necessário, propor à autoridade judiciária sua substituição, suspensão ou extinção.
Parágrafo único. O rol de orientadores credenciados deverá ser comunicado, semestralmente, à autoridade judiciária e ao
Ministério Público.
Art. 14. Incumbe ainda à direção do programa de medida de prestação de serviços à comunidade selecionar e credenciar
entidades assistenciais, hospitais, escolas ou outros estabelecimentos congêneres, bem como os programas comunitários
ou governamentais, de acordo com o perfil do socioeducando e o ambiente no qual a medida será cumprida.
Parágrafo único. Se o Ministério Público impugnar o credenciamento, ou a autoridade judiciária considerá-lo inadequado,
instaurará incidente de impugnação, com a aplicação subsidiária do procedimento de apuração de irregularidade em en-
tidade de atendimento regulamentado na Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente),
devendo citar o dirigente do programa e a direção da entidade ou órgão credenciado.
Seção III
Dos Programas de Privação da Liberdade
Art. 15. São requisitos específicos para a inscrição de programas de regime de semiliberdade ou internação:
I - a comprovação da existência de estabelecimento educacional com instalações adequadas e em conformidade com as
normas de referência;
II - a previsão do processo e dos requisitos para a escolha do dirigente;
III - a apresentação das atividades de natureza coletiva;
IV - a definição das estratégias para a gestão de conflitos, vedada a previsão de isolamento cautelar, exceto nos casos pre-
vistos no § 2o do art. 49 desta Lei; e V - a previsão de regime disciplinar nos termos do art. 72 desta Lei.
Art. 16. A estrutura física da unidade deverá ser compatível com as normas de referência do Sinase.
§ 1o É vedada a edificação de unidades socioeducacionais em espaços contíguos, anexos, ou de qualquer outra forma
integrados a estabelecimentos penais.
§ 2o A direção da unidade adotará, em caráter excepcional, medidas para proteção do interno em casos de risco à sua inte-
gridade física, à sua vida, ou à de outrem, comunicando, de imediato, seu defensor e o Ministério Público.
Art. 17. Para o exercício da função de dirigente de programa de atendimento em regime de
semiliberdade ou de internação, além dos requisitos específicos previstos no respectivo programa
de atendimento, é necessário:
I - formação de nível superior compatível com a natureza da função;
II - comprovada experiência no trabalho com adolescentes de, no mínimo, 2 (dois) anos; e
III - reputação ilibada.
CAPÍTULO V
/ 169 /
Art. 18. A União, em articulação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, realizará avaliações periódicas da imple-
mentação dos Planos de Atendimento Socioeducativo em intervalos não superiores a 3 (três) anos.
§ 1o O objetivo da avaliação é verificar o cumprimento das metas estabelecidas e elaborar recomendações aos gestores e
operadores dos Sistemas.
§ 2o O processo de avaliação deverá contar com a participação de representantes do Poder Judiciário, do Ministério Públi-
co, da Defensoria Pública e dos Conselhos Tutelares, na forma a ser definida em regulamento.
§ 3o A primeira avaliação do Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo realizar-se-á no terceiro ano de vigência desta
Lei, cabendo ao Poder Legislativo federal acompanhar o trabalho por meio de suas comissões temáticas pertinentes.
Art. 19. É instituído o Sistema Nacional de Avaliação e Acompanhamento do Atendimento Socioeducativo, com os seguin-
tes objetivos:
I - contribuir para a organização da rede de atendimento socioeducativo;
II - assegurar conhecimento rigoroso sobre as ações do atendimento socioeducativo e seus resultados;
III - promover a melhora da qualidade da gestão e do atendimento socioeducativo; e IV - disponibilizar informações sobre
o atendimento socioeducativo.
§ 1o A avaliação abrangerá, no mínimo, a gestão, as entidades de atendimento, os programas e os resultados da execução
das medidas socioeducativas.
§ 2o Ao final da avaliação, será elaborado relatório contendo histórico e diagnóstico da situação, as recomendações e os
prazos para que essas sejam cumpridas, além de outros elementos a serem definidos em regulamento.
§ 3o O relatório da avaliação deverá ser encaminhado aos respectivos Conselhos de Direitos, Conselhos Tutelares e ao Mi-
nistério Público.
§ 4o Os gestores e entidades têm o dever de colaborar com o processo de avaliação, facilitando o acesso às suas instalações,
à documentação e a todos os elementos necessários ao seu efetivo cumprimento.
§ 5o O acompanhamento tem por objetivo verificar o cumprimento das metas dos Planos de Atendimento Socioeducativo.
Art. 20. O Sistema Nacional de Avaliação e Acompanhamento da Gestão do Atendimento Socioeducativo assegurará, na
metodologia a ser empregada:
I - a realização da autoavaliação dos gestores e das instituições de atendimento;
II - a avaliação institucional externa, contemplando a análise global e integrada das instalações físicas, relações institucio-
nais, compromisso social, atividades e finalidades das instituições de atendimento e seus programas;
III - o respeito à identidade e à diversidade de entidades e programas;
IV - a participação do corpo de funcionários das entidades de atendimento e dos Conselhos Tutelares da área de atuação
da entidade avaliada; e
V - o caráter público de todos os procedimentos, dados e resultados dos processos avaliativos.
Art. 21. A avaliação será coordenada por uma comissão permanente e realizada por comissões temporárias, essas compos-
/ 170 /
tas, no mínimo, por 3 (três) especialistas com reconhecida atuação na área temática e definidas na forma do regulamento.
Parágrafo único. É vedado à comissão permanente designar avaliadores:
I - que sejam titulares ou servidores dos órgãos gestores avaliados ou funcionários das entidades avaliadas;
II - que tenham relação de parentesco até o 3o grau com titulares ou servidores dos órgãos gestores avaliados e/ou funcio-
nários das entidades avaliadas; e III - que estejam respondendo a processos criminais.
Art. 22. A avaliação da gestão terá por objetivo:
I - verificar se o planejamento orçamentário e sua execução se processam de forma compatível com as necessidades do
respectivo Sistema de Atendimento Socioeducativo;
II - verificar a manutenção do fluxo financeiro, considerando as necessidades operacionais do atendimento socioeducativo,
as normas de referência e as condições previstas nos instrumentos jurídicos celebrados entre os órgãos gestores e as enti-
dades de atendimento;
III - verificar a implementação de todos os demais compromissos assumidos por ocasião da celebração dos instrumentos
jurídicos relativos ao atendimento socioeducativo; e
IV - a articulação interinstitucional e intersetorial das políticas.
Art. 23. A avaliação das entidades terá por objetivo identificar o perfil e o impacto de sua atuação, por meio de suas ativida-
des, programas e projetos, considerando as diferentes dimensões institucionais e, entre elas, obrigatoriamente, as seguin-
tes:
I - o plano de desenvolvimento institucional;
II - a responsabilidade social, considerada especialmente sua contribuição para a inclusão social e o desenvolvimento socio-
econômico do adolescente e de sua família;
III - a comunicação e o intercâmbio com a sociedade;
IV - as políticas de pessoal quanto à qualificação, aperfeiçoamento, desenvolvimento profissional e condições de trabalho;
V - a adequação da infraestrutura física às normas de referência;
VI - o planejamento e a autoavaliação quanto aos processos, resultados, eficiência e eficácia do projeto pedagógico e da
proposta socioeducativa;
VII - as políticas de atendimento para os adolescentes e suas famílias;
VIII - a atenção integral à saúde dos adolescentes em conformidade com as diretrizes do art. 60 desta Lei; e
IX - a sustentabilidade financeira.
Art. 24. A avaliação dos programas terá por objetivo verificar, no mínimo, o atendimento ao que determinam os arts. 94,
100, 117, 119, 120, 123 e 124 da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Art. 25. A avaliação dos resultados da execução de medida socioeducativa terá por objetivo, no mínimo:
I - verificar a situação do adolescente após cumprimento da medida socioeducativa, tomando por base suas perspectivas
educacionais, sociais, profissionais e familiares; e
II - verificar reincidência de prática de ato infracional.
/ 171 /
Art. 26. Os resultados da avaliação serão utilizados para:
I - planejamento de metas e eleição de prioridades do Sistema de Atendimento Socioeducativo e seu financiamento;
II - reestruturação e/ou ampliação da rede de atendimento socioeducativo, de acordo com as necessidades diagnosticadas;
III - adequação dos objetivos e da natureza do atendimento socioeducativo prestado pelas entidades avaliadas;
IV - celebração de instrumentos de cooperação com vistas à correção de problemas diagnosticados na avaliação;
V - reforço de financiamento para fortalecer a rede de atendimento socioeducativo;
VI - melhorar e ampliar a capacitação dos operadores do Sistema de Atendimento Socioeducativo; e
VII - os efeitos do art. 95 da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Parágrafo único. As recomendações originadas da avaliação deverão indicar prazo para seu cumprimento por parte das
entidades de atendimento e dos gestores avaliados, ao fim do qual estarão sujeitos às medidas previstas no art. 28 desta Lei.
Art. 27. As informações produzidas a partir do Sistema Nacional de Informações sobre Atendimento Socioeducativo serão
utilizadas para subsidiar a avaliação, o acompanhamento, a gestão e o financiamento dos Sistemas Nacional, Distrital, Esta-
duais e Municipais de Atendimento Socioeducativo.
CAPÍTULO VI
Art. 28. No caso do desrespeito, mesmo que parcial, ou do não cumprimento integral às diretrizes e determinações desta
Lei, em todas as esferas, são sujeitos:
I - gestores, operadores e seus prepostos e entidades governamentais às medidas previstas no inciso I e no § 1 o do art. 97
da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente); e
II - entidades não governamentais, seus gestores, operadores e prepostos às medidas previstas no inciso II e no § 1 o do art.
97 da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Parágrafo único. A aplicação das medidas previstas neste artigo dar-se-á a partir da análise de relatório circunstanciado
elaborado após as avaliações, sem prejuízo do que determinam os arts. 191 a 197, 225 a 227, 230 a 236, 243 e 245 a 247 da
Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Art. 29. Àqueles que, mesmo não sendo agentes públicos, induzam ou concorram, sob qualquer forma, direta ou indireta,
para o não cumprimento desta Lei, aplicam-se, no que couber, as penalidades dispostas na Lei no 8.429, de 2 de junho
de 1992, que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de
mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências (Lei
de Improbidade Administrativa).
/ 172 /
CAPÍTULO VII
Art. 30. O Sinase será cofinanciado com recursos dos orçamentos fiscal e da seguridade social, além de outras fontes.
§ 1o (VETADO).
§ 2o Os entes federados que tenham instituído seus sistemas de atendimento
socioeducativo terão acesso aos recursos na forma de transferência adotada pelos órgãos integrantes do Sinase.
§ 3o Os entes federados beneficiados com recursos dos orçamentos dos órgãos responsáveis pelas políticas integrantes do
Sinase, ou de outras fontes, estão sujeitos às normas e procedimentos de monitoramento estabelecidos pelas instâncias
dos órgãos das políticas setoriais envolvidas, sem prejuízo do disposto nos incisos IX e X do art. 4o, nos incisos V e VI do art.
5o e no art. 6o desta Lei.
Art. 31. Os Conselhos de Direitos, nas 3 (três) esferas de governo, definirão, anualmente, o percentual de recursos dos Fun-
dos dos Direitos da Criança e do Adolescente a serem aplicados no financiamento das ações previstas nesta Lei, em especial
para capacitação, sistemas de informação e de avaliação.
Parágrafo único. Os entes federados beneficiados com recursos do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente para
ações de atendimento socioeducativo prestarão informações sobre o desempenho dessas ações por meio do Sistema de
Informações sobre Atendimento Socioeducativo.
Art. 32. A Lei no 7.560, de 19 de dezembro de 1986, passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Art. 5o Os recursos do Funad serão destinados:
.............................................................................................
X - às entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo
(Sinase).
...................................................................................” (NR)
“Art. 5o-A. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), órgão gestor do Fundo Nacional Antidrogas (Funad),
poderá financiar projetos das entidades do Sinase desde que:
I - o ente federado de vinculação da entidade que solicita o recurso possua o respectivo Plano de Atendimento Socioe-
ducativo aprovado; II - as entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sinase que solicitem recursos
tenham participado da avaliação nacional do atendimento socioeducativo;
III - o projeto apresentado esteja de acordo com os pressupostos da Política Nacional sobre Drogas e legislação específica.”
Art. 33. A Lei no 7.998, de 11 de janeiro de 1990, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 19-A:
“Art. 19-A. O Codefat poderá priorizar projetos das entidades integrantes do Sistema Nacional de Atendimento Socioedu-
cativo (Sinase) desde que:
I - o ente federado de vinculação da entidade que solicita o recurso possua o respectivo Plano de Atendimento Socioedu-
/ 173 /
cativo aprovado;
II - as entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sinase que solicitem recursos tenham se submetido
à avaliação nacional do atendimento socioeducativo.”
Art. 34. O art. 2o da Lei no 5.537, de 21 de novembro de 1968, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3o:
“Art. 2o .......................................................................
.............................................................................................
§ 3o O fundo de que trata o art. 1o poderá financiar, na forma das resoluções de seu conselho deliberativo, programas e
projetos de educação básica relativos ao Sistema Nacional de Atendimento
Socioeducativo (Sinase) desde que:
I - o ente federado que solicitar o recurso possua o respectivo Plano de Atendimento Socioeducativo aprovado;
II - as entidades de atendimento vinculadas ao ente federado que solicitar o recurso tenham se submetido à avaliação na-
cional do atendimento socioeducativo; e
III - o ente federado tenha assinado o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação e elaborado o respectivo Plano
de Ações Articuladas (PAR).” (NR)
TÍTULO II
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 35. A execução das medidas socioeducativas reger-se-á pelos seguintes princípios: I - legalidade, não podendo o ado-
lescente receber tratamento mais gravoso do que o conferido ao adulto;
II - excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas, favorecendo-se meios de autocomposição de
conflitos;
III - prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre que possível, atendam às necessidades das vítimas;
IV - proporcionalidade em relação à ofensa cometida;
V - brevidade da medida em resposta ao ato cometido, em especial o respeito ao que dispõe o art. 122 da Lei n o 8.069, de
13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) ;
VI - individualização, considerando-se a idade, capacidades e circunstâncias pessoais do adolescente;
VII - mínima intervenção, restrita ao necessário para a realização dos objetivos da medida;
VIII - não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia, gênero, nacionalidade, classe social, orientação
/ 174 /
religiosa, política ou sexual, ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status; e
IX - fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo socioeducativo.
CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS
Art. 36. A competência para jurisdicionar a execução das medidas socioeducativas segue o determinado pelo art. 146 da Lei
n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Art. 37. A defesa e o Ministério Público intervirão, sob pena de nulidade, no procedimento judicial de execução de medida
socioeducativa, asseguradas aos seus membros as prerrogativas previstas na Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto
da Criança e do Adolescente), podendo requerer as providências necessárias para adequar a execução aos ditames legais
e regulamentares.
Art. 38. As medidas de proteção, de advertência e de reparação do dano, quando aplicadas de forma isolada, serão execu-
tadas nos próprios autos do processo de conhecimento, respeitado o disposto nos arts. 143 e 144 da Lei n o 8.069, de 13 de
julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Art. 39. Para aplicação das medidas socioeducativas de prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliber-
dade ou internação, será constituído processo de execução para cada adolescente, respeitado o disposto nos arts. 143 e
144 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e com autuação das seguintes peças:
I - documentos de caráter pessoal do adolescente existentes no processo de conhecimento, especialmente os que com-
provem sua idade; e
II - as indicadas pela autoridade judiciária, sempre que houver necessidade e, obrigatoriamente:
a) cópia da representação;
b) cópia da certidão de antecedentes;
c) cópia da sentença ou acórdão; e
d) cópia de estudos técnicos realizados durante a fase de conhecimento.
Parágrafo único. Procedimento idêntico será observado na hipótese de medida aplicada em sede de remissão, como forma
de suspensão do processo.
Art. 40. Autuadas as peças, a autoridade judiciária encaminhará, imediatamente, cópia integral do expediente ao órgão
gestor do atendimento socioeducativo, solicitando designação do programa ou da unidade de cumprimento da medida.
Art. 41. A autoridade judiciária dará vistas da proposta de plano individual de que trata o art. 53 desta Lei ao defensor e ao
Ministério Público pelo prazo sucessivo de 3 (três) dias, contados do recebimento da proposta encaminhada pela direção
do programa de atendimento.
§ 1o O defensor e o Ministério Público poderão requerer, e o Juiz da Execução poderá determinar, de ofício, a realização de
/ 175 /
qualquer avaliação ou perícia que entenderem necessárias para complementação do plano individual.
§ 2o A impugnação ou complementação do plano individual, requerida pelo defensor ou pelo Ministério Público, deverá
ser fundamentada, podendo a autoridade judiciária indeferi-la, se entender insuficiente a motivação.
§ 3o Admitida a impugnação, ou se entender que o plano é inadequado, a autoridade judiciária designará, se necessário,
audiência da qual cientificará o defensor, o Ministério Público, a direção do programa de atendimento, o adolescente e seus
pais ou responsável.
§ 4o A impugnação não suspenderá a execução do plano individual, salvo determinação judicial em contrário.
§ 5o Findo o prazo sem impugnação, considerar-se-á o plano individual homologado.
Art. 42. As medidas socioeducativas de liberdade assistida, de semiliberdade e de internação deverão ser reavaliadas no
máximo a cada 6 (seis) meses, podendo a autoridade judiciária, se necessário, designar audiência, no prazo máximo de 10
(dez) dias, cientificando o defensor, o Ministério Público, a direção do programa de atendimento, o adolescente e seus pais
ou responsável.
§ 1o A audiência será instruída com o relatório da equipe técnica do programa de atendimento sobre a evolução do plano
de que trata o art. 52 desta Lei e com qualquer outro parecer técnico requerido pelas partes e deferido pela autoridade
judiciária.
§ 2o A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de duração da medida não ão fatores que, por si, justifi-
quem a não substituição da medida por outra menos grave.
§ 3o Considera-se mais grave a internação, em relação a todas as demais medidas, e mais grave a semiliberdade, em relação
às medidas de meio aberto.
Art. 43. A reavaliação da manutenção, da substituição ou da suspensão das medidas de meio aberto ou de privação da
liberdade e do respectivo plano individual pode ser solicitada a qualquer tempo, a pedido da direção do programa de
atendimento, do defensor, do Ministério Público, do adolescente, de seus pais ou responsável.
§ 1o Justifica o pedido de reavaliação, entre outros motivos:
I - o desempenho adequado do adolescente com base no seu plano de atendimento individual, antes do prazo da reava-
liação obrigatória;
II - a inadaptação do adolescente ao programa e o reiterado descumprimento das atividades do plano individual; e
III - a necessidade de modificação das atividades do plano individual que importem em maior restrição da liberdade do
adolescente.
§ 2o A autoridade judiciária poderá indeferir o pedido, de pronto, se entender insuficiente a motivação.
§ 3o Admitido o processamento do pedido, a autoridade judiciária, se necessário, designará audiência, observando o prin-
cípio do § 1o do art. 42 desta Lei.
§ 4o A substituição por medida mais gravosa somente ocorrerá em situações excepcionais, após o devido processo legal,
inclusive na hipótese do inciso III do art. 122 da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente),
e deve ser:
/ 176 /
I - fundamentada em parecer técnico;
II - precedida de prévia audiência, e nos termos do § 1o do art. 42 desta Lei.
Art. 44. Na hipótese de substituição da medida ou modificação das atividades do plano individual, a autoridade judiciária
remeterá o inteiro teor da decisão à direção do programa de atendimento, assim como as peças que entender relevantes à
nova situação jurídica do adolescente.
Parágrafo único. No caso de a substituição da medida importar em vinculação do adolescente a outro programa de atendi-
mento, o plano individual e o histórico do cumprimento da medida deverão acompanhar a transferência.
Art. 45. Se, no transcurso da execução, sobrevier sentença de aplicação de nova medida, a autoridade judiciária procederá
à unificação, ouvidos, previamente, o Ministério Público e o defensor, no prazo de 3 (três) dias sucessivos, decidindo-se em
igual prazo.
§ 1o É vedado à autoridade judiciária determinar reinício de cumprimento de medida socioeducativa, ou deixar de consi-
derar os prazos máximos, e de liberação compulsória previstos na Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança
e do Adolescente) , excetuada a hipótese de medida aplicada por ato infracional praticado durante a execução.
§ 2o É vedado à autoridade judiciária aplicar nova medida de internação, por atos infracionais praticados anteriormente, a
adolescente que já tenha concluído cumprimento de medida socioeducativa dessa natureza, ou que tenha sido transferido
para cumprimento de medida menos rigorosa, sendo tais atos absorvidos por aqueles aos quais se impôs a medida socio-
educativa extrema.
Art. 46. A medida socioeducativa será declarada extinta:
I - pela morte do adolescente;
II - pela realização de sua finalidade;
III - pela aplicação de pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime fechado ou semiaberto, em execução provi-
sória ou definitiva;
IV - pela condição de doença grave, que torne o adolescente incapaz de submeter-se ao cumprimento da medida; e
V - nas demais hipóteses previstas em lei.
§ 1o No caso de o maior de 18 (dezoito) anos, em cumprimento de medida socioeducativa, responder a processo-crime,
caberá à autoridade judiciária decidir sobre eventual extinção da execução, cientificando da decisão o juízo criminal com-
petente.
§ 2o Em qualquer caso, o tempo de prisão cautelar não convertida em pena privativa de liberdade deve ser descontado do
prazo de cumprimento da medida socioeducativa.
Art. 47. O mandado de busca e apreensão do adolescente terá vigência máxima de 6 (seis) meses, a contar da data da expe-
dição, podendo, se necessário, ser renovado, fundamentadamente.
Art. 48. O defensor, o Ministério Público, o adolescente e seus pais ou responsável poderão postular revisão judicial de
qualquer sanção disciplinar aplicada, podendo a autoridade judiciária suspender a execução da sanção até decisão final
do incidente.
/ 177 /
§ 1o Postulada a revisão após ouvida a autoridade colegiada que aplicou a sanção e havendo provas a produzir em audiên-
cia, procederá o magistrado na forma do § 1o do art. 42 desta Lei.
§ 2o É vedada a aplicação de sanção disciplinar de isolamento a adolescente interno, exceto seja essa imprescindível para
garantia da segurança de outros internos ou do próprio adolescente a quem seja imposta a sanção, sendo necessária ainda
comunicação ao defensor, ao Ministério Público e à autoridade judiciária em até 24 (vinte e quatro) horas.
CAPÍTULO III
Art. 49. São direitos do adolescente submetido ao cumprimento de medida socioeducativa, sem prejuízo de outros previs-
tos em lei:
I - ser acompanhado por seus pais ou responsável e por seu defensor, em qualquer fase do procedimento administrativo
ou judicial;
II - ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liber-
dade, exceto nos casos de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, quando o adolescente
deverá ser internado em Unidade mais próxima de seu local de residência;
III - ser respeitado em sua personalidade, intimidade, liberdade de pensamento e religião e em todos os direitos não expres-
samente limitados na sentença;
IV - peticionar, por escrito ou verbalmente, diretamente a qualquer autoridade ou órgão público, devendo, obrigatoriamen-
te, ser respondido em até 15 (quinze) dias;
V - ser informado, inclusive por escrito, das normas de organização e funcionamento do programa de atendimento e tam-
bém das previsões de natureza disciplinar;
VI - receber, sempre que solicitar, informações sobre a evolução de seu plano individual, participando, obrigatoriamente, de
sua elaboração e, se for o caso, reavaliação;
VII - receber assistência integral à sua saúde, conforme o disposto no art. 60 desta Lei; e VIII - ter atendimento garantido em
creche e pré-escola aos filhos de 0 (zero) a 5 (cinco) anos.
§ 1o As garantias processuais destinadas a adolescente autor de ato infracional previstas na Lei n o 8.069, de 13 de julho de
1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), aplicam-se integralmente na execução das medidas socioeducativas, inclusive
no âmbito administrativo.
§ 2o A oferta irregular de programas de atendimento socioeducativo em meio aberto não poderá ser invocada como mo-
tivo para aplicação ou manutenção de medida de privação da liberdade.
Art. 50. Sem prejuízo do disposto no § 1 o do art. 121 da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Ado-
lescente), a direção do programa de execução de medida de privação da liberdade poderá autorizar a saída, monitorada,
/ 178 /
do adolescente nos casos de tratamento médico, doença grave ou falecimento, devidamente comprovados, de pai, mãe,
filho, cônjuge, companheiro ou irmão, com imediata comunicação ao juízo competente.
Art. 51. A decisão judicial relativa à execução de medida socioeducativa será proferida após manifestação do defensor e do
Ministério Público.
CAPÍTULO IV
Art. 52. O cumprimento das medidas socioeducativas, em regime de prestação de serviços à comunidade, liberdade assis-
tida, semiliberdade ou internação, dependerá de Plano Individual de Atendimento (PIA), instrumento de previsão, registro
e gestão das atividades a serem desenvolvidas com o adolescente.
Parágrafo único. O PIA deverá contemplar a participação dos pais ou responsáveis, os quais têm o dever de contribuir com o
processo ressocializador do adolescente, sendo esses passíveis de responsabilização administrativa, nos termos do art. 249
da Lei n o 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), civil e criminal.
Art. 53. O PIA será elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do respectivo programa de atendimento, com a
participação efetiva do adolescente e de sua família, representada por seus pais ou responsável.
Art. 54. Constarão do plano individual, no mínimo:
I - os resultados da avaliação interdisciplinar;
II - os objetivos declarados pelo adolescente;
III - a previsão de suas atividades de integração social e/ou capacitação profissional;
IV - atividades de integração e apoio à família;
V - formas de participação da família para efetivo cumprimento do plano individual; e
VI - as medidas específicas de atenção à sua saúde.
Art. 55. Para o cumprimento das medidas de semiliberdade ou de internação, o plano individual conterá, ainda:
I - a designação do programa de atendimento mais adequado para o cumprimento da medida;
II - a definição das atividades internas e externas, individuais ou coletivas, das quais o adolescente poderá participar; e
III - a fixação das metas para o alcance de desenvolvimento de atividades externas.
Parágrafo único. O PIA será elaborado no prazo de até 45 (quarenta e cinco) dias da data do ingresso do adolescente no
programa de atendimento.
Art. 56. Para o cumprimento das medidas de prestação de serviços à comunidade e de liberdade assistida, o PIA será elabo-
rado no prazo de até 15 (quinze) dias do ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Art. 57. Para a elaboração do PIA, a direção do respectivo programa de atendimento, pessoalmente ou por meio de mem-
bro da equipe técnica, terá acesso aos autos do procedimento de apuração do ato infracional e aos dos procedimentos de
/ 179 /
apuração de outros atos infracionais atribuídos ao mesmo adolescente.
§ 1o O acesso aos documentos de que trata o caput deverá ser realizado por funcionário da entidade de atendimento, de-
vidamente credenciado para tal atividade, ou por membro da direção, em conformidade com as normas a serem definidas
pelo Poder Judiciário, de forma a preservar o que determinam os arts. 143 e 144 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente).
§ 2o A direção poderá requisitar, ainda:
I - ao estabelecimento de ensino, o histórico escolar do adolescente e as anotações sobre o seu aproveitamento;
II - os dados sobre o resultado de medida anteriormente aplicada e cumprida em outro programa de atendimento; e
III - os resultados de acompanhamento especializado anterior.
Art. 58. Por ocasião da reavaliação da medida, é obrigatória a apresentação pela direção do programa de atendimento de
relatório da equipe técnica sobre a evolução do adolescente no cumprimento do plano individual.
Art. 59. O acesso ao plano individual será restrito aos servidores do respectivo programa de atendimento, ao adolescente e
a seus pais ou responsável, ao Ministério Público e ao defensor, exceto expressa autorização judicial.
CAPÍTULO V
SOCIOEDUCATIVA
Seção I
Disposições Gerais
Art. 60. A atenção integral à saúde do adolescente no Sistema de Atendimento Socioeducativo seguirá as seguintes dire-
trizes:
I - previsão, nos planos de atendimento socioeducativo, em todas as esferas, da implantação de ações de promoção da saú-
de, com o objetivo de integrar as ações socioeducativas, estimulando a autonomia, a melhoria das relações interpessoais e
o fortalecimento de redes de apoio aos adolescentes e suas famílias;
II - inclusão de ações e serviços para a promoção, proteção, prevenção de agravos e doenças e recuperação da saúde;
III - cuidados especiais em saúde mental, incluindo os relacionados ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas, e
atenção aos adolescentes com deficiências;
IV - disponibilização de ações de atenção à saúde sexual e reprodutiva e à prevenção de doenças sexualmente transmissí-
veis;
V - garantia de acesso a todos os níveis de atenção à saúde, por meio de referência e contrarreferência, de acordo com as
normas do Sistema Único de Saúde (SUS);
/ 180 /
VI - capacitação das equipes de saúde e dos profissionais das entidades de atendimento, bem como daqueles que atuam
nas unidades de saúde de referência voltadas às especificidades de saúde dessa população e de suas famílias;
VII - inclusão, nos Sistemas de Informação de Saúde do SUS, bem como no Sistema de Informações sobre Atendimento
Socioeducativo, de dados e indicadores de saúde da população de adolescentes em atendimento socioeducativo; e
VIII - estruturação das unidades de internação conforme as normas de referência do SUS e do Sinase, visando ao atendimen-
to das necessidades de Atenção Básica.
Art. 61. As entidades que ofereçam programas de atendimento socioeducativo em meio aberto e de semiliberdade deve-
rão prestar orientações aos socioeducandos sobre o acesso aos serviços e às unidades do SUS.
Art. 62. As entidades que ofereçam programas de privação de liberdade deverão contar com uma equipe mínima de profis-
sionais de saúde cuja composição esteja em conformidade com as normas de referência do SUS.
Art. 63. (VETADO).
§ 1o O filho de adolescente nascido nos estabelecimentos referidos no caput deste artigo não terá tal informação lançada
em seu registro de nascimento.
§ 2o Serão asseguradas as condições necessárias para que a adolescente submetida à execução de medida socioeducativa
de privação de liberdade permaneça com o seu filho durante o período de amamentação.
Seção II
Do Atendimento a Adolescente com Transtorno Mental e com Dependência de Álcool e de Substância Psicoativa
Art 64. O adolescente em cumprimento de medida socioeducativa que apresente indícios de transtorno mental, de defici-
ência mental, ou associadas, deverá ser avaliado por equipe técnica multidisciplinar e multissetorial.
§ 1o As competências, a composição e a atuação da equipe técnica de que trata o caput deverão seguir, conjuntamente, as
normas de referência do SUS e do Sinase, na forma do regulamento.
§ 2o A avaliação de que trata o caput subsidiará a elaboração e execução da terapêutica a ser adotada, a qual será incluída
no PIA do adolescente, prevendo, se necessário, ações voltadas para a família.
§ 3o As informações produzidas na avaliação de que trata o caput são consideradas sigilosas.
§ 4o Excepcionalmente, o juiz poderá suspender a execução da medida socioeducativa, ouvidos o defensor e o Ministério
Público, com vistas a incluir o adolescente em programa de atenção integral à saúde mental que melhor atenda aos objeti-
vos terapêuticos estabelecidos para o seu caso específico.
§ 5o Suspensa a execução da medida socioeducativa, o juiz designará o responsável por acompanhar e informar sobre a
evolução do atendimento ao adolescente.
§ 6o A suspensão da execução da medida socioeducativa será avaliada, no mínimo, a cada 6 (seis) meses.
§ 7o O tratamento a que se submeterá o adolescente deverá observar o previsto na Lei no 10.216, de 6 de abril de 2001, que
dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial
em saúde mental.
§ 8o (VETADO).
/ 181 /
Art. 65. Enquanto não cessada a jurisdição da Infância e Juventude, a autoridade judiciária, nas hipóteses tratadas no art.
64, poderá remeter cópia dos autos ao Ministério Público para eventual propositura de interdição e outras providências
pertinentes.
Art. 66. (VETADO).
CAPÍTULO VI
Art. 67. A visita do cônjuge, companheiro, pais ou responsáveis, parentes e amigos a adolescente a quem foi aplicada me-
dida socioeducativa de internação observará dias e horários próprios definidos pela direção do programa de atendimento.
Art. 68. É assegurado ao adolescente casado ou que viva, comprovadamente, em união estável o direito à visita íntima.
Parágrafo único. O visitante será identificado e registrado pela direção do programa de atendimento, que emitirá documen-
to de identificação, pessoal e intransferível, específico para a realização da visita íntima.
Art. 69. É garantido aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação o direito de receber visita
dos filhos, independentemente da idade desses.
Art. 70. O regulamento interno estabelecerá as hipóteses de proibição da entrada de objetos na unidade de internação,
vedando o acesso aos seus portadores.
CAPÍTULO VII
Art. 71. Todas as entidades de atendimento socioeducativo deverão, em seus respectivos regimentos, realizar a previsão de
regime disciplinar que obedeça aos seguintes princípios:
I - tipificação explícita das infrações como leves, médias e graves e determinação das correspondentes sanções;
II - exigência da instauração formal de processo disciplinar para a aplicação de qualquer sanção, garantidos a ampla defesa
e o contraditório;
III - obrigatoriedade de audiência do socioeducando nos casos em que seja necessária a instauração de processo disciplinar;
IV - sanção de duração determinada;
V - enumeração das causas ou circunstâncias que eximam, atenuem ou agravem a sanção a ser imposta ao socioeducando,
bem como os requisitos para a extinção dessa;
VI - enumeração explícita das garantias de defesa;
VII - garantia de solicitação e rito de apreciação dos recursos cabíveis; e
/ 182 /
VIII - apuração da falta disciplinar por comissão composta por, no mínimo, 3 (três) integrantes, sendo 1 (um), obrigatoria-
mente, oriundo da equipe técnica.
Art. 72. O regime disciplinar é independente da responsabilidade civil ou penal que advenha do ato cometido.
Art. 73. Nenhum socioeducando poderá desempenhar função ou tarefa de apuração disciplinar ou aplicação de sanção nas
entidades de atendimento socioeducativo.
Art. 74. Não será aplicada sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou regulamentar e o devido processo
administrativo.
Art. 75. Não será aplicada sanção disciplinar ao socioeducando que tenha praticado a falta:
I - por coação irresistível ou por motivo de força maior;
II - em legítima defesa, própria ou de outrem.
CAPÍTULO VIII
Art. 76. O art. 2o do Decreto-Lei no 4.048, de 22 de janeiro de 1942, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1o, renumeran-
do-se o atual parágrafo único para § 2o:
“Art. 2o .........................................................................
§ 1o As escolas do Senai poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase)
nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senai e os gestores
dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
§ 2o ...................................................................... ” (NR)
Art. 77. O art. 3o do Decreto-Lei no 8.621, de 10 de janeiro de 1946, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1o, renumeran-
do-se o atual parágrafo único para § 2o:
“Art. 3o .........................................................................
§ 1o As escolas do Senac poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase)
nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senac e os gestores
dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
§ 2o. ..................................................................... ” (NR)
Art. 78. O art. 1o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:
“Art. 1o .........................................................................
Parágrafo único. Os programas de formação profissional rural do Senar poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema
Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação cele-
brados entre os operadores do Senar e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.” (NR)
/ 183 /
Art. 79. O art. 3o da Lei no 8.706, de 14 de setembro de 1993, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:
“Art. 3o .........................................................................
Parágrafo único. Os programas de formação profissional do Senat poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional
de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados
entre os operadores do Senat e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.” (NR)
Art. 80. O art. 429 do Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2o:
“Art. 429. .....................................................................
.............................................................................................
§ 2o Os estabelecimentos de que trata o caput ofertarão vagas de aprendizes a adolescentes usuários do Sistema Nacional
de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados
entre os estabelecimentos e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.” (NR)
TÍTULO III
Art. 81. As entidades que mantenham programas de atendimento têm o prazo de até 6 (seis) meses após a publicação desta
Lei para encaminhar ao respectivo Conselho Estadual ou Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente proposta de
adequação da sua inscrição, sob pena de interdição.
Art. 82. Os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, em todos os níveis federados, com os órgãos responsáveis
pelo sistema de educação pública e as entidades de atendimento, deverão, no prazo de 1 (um) ano a partir da publicação
desta Lei, garantir a inserção de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa na rede pública de educação,
em qualquer fase do período letivo, contemplando as diversas faixas etárias e níveis de instrução.
Art. 83. Os programas de atendimento socioeducativo sob a responsabilidade do Poder Judiciário serão, obrigatoriamente,
transferidos ao Poder Executivo no prazo máximo de 1 (um) ano a partir da publicação desta Lei e de acordo com a política
de oferta dos programas aqui definidos.
Art. 84. Os programas de internação e semiliberdade sob a responsabilidade dos Municípios serão, obrigatoriamente, trans-
feridos para o Poder Executivo do respectivo Estado no prazo máximo de 1 (um) ano a partir da publicação desta Lei e de
acordo com a política de oferta dos programas aqui definidos.
Art. 85. A não transferência de programas de atendimento para os devidos entes responsáveis, no prazo determinado nesta
Lei, importará na interdição do programa e caracterizará ato de improbidade administrativa do agente responsável, veda-
da, ademais, ao Poder Judiciário e ao Poder Executivo municipal, ao final do referido prazo, a realização de despesas para a
sua manutenção.
Art. 86. Os arts. 90, 97, 121, 122, 198 e 208 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente),
/ 184 /
passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 90. ......................................................................
.............................................................................................
V - prestação de serviços à comunidade;
VI - liberdade assistida;
VII - semiliberdade; e
VIII - internação....................................................................................”
(NR)
“Art. 97. (VETADO)”
“Art. 121. .................................…………………............
.............................................................................................
§ 7o A determinação judicial mencionada no § 1o poderá ser revista a qualquer tempo pela autoridade judiciária.” (NR)
“Art. 122. .....................................................................
.............................................................................................
§ 1o O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser de-
cretada judicialmente após o devido processo legal.
...................................................................................” (NR)
“Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude, inclusive os relativos à execução das medidas
socioeducativas, adotar-se-á o sistema recursal da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), com as
seguintes adaptações:
.............................................................................................
II - em todos os recursos, salvo nos embargos de declaração, o prazo para o Ministério Público e para a defesa será sempre
de 10 (dez) dias;
...................................................................................” (NR)
“Art. 208. .....................................................................
.............................................................................................
X - de programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas e aplicação de medidas de proteção.
...................................................................................” (NR)
Art. 87. A Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), passa a vigorar com as seguintes
alterações:
“Art. 260. Os contribuintes poderão efetuar doações aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, distrital,
estaduais ou municipais, devidamente comprovadas, sendo essas integralmente deduzidas do imposto de renda, obede-
cidos os seguintes limites:
I - 1% (um por cento) do imposto sobre a renda devido apurado pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real; e
/ 185 /
II - 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda apurado pelas pessoas físicas na Declaração de Ajuste Anual, observado o
disposto no art. 22 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997.
.............................................................................................
§ 5o Observado o disposto no § 4o do art. 3o da Lei no 9.249, de 26
de dezembro de 1995, a dedução de que trata o inciso I do caput:
I - será considerada isoladamente, não se submetendo a limite em conjunto com outras deduções do imposto; e
II - não poderá ser computada como despesa operacional na apuração do lucro real.” (NR)
“Art. 260-A. A partir do exercício de 2010, ano-calendário de 2009, a pessoa física poderá optar pela doação de que trata o
inciso II do caput do art. 260 diretamente em sua Declaração de Ajuste Anual.
§ 1o A doação de que trata o caput poderá ser deduzida até os seguintes percentuais aplicados sobre o imposto apurado
na declaração:
I - (VETADO);
II - (VETADO);
III - 3% (três por cento) a partir do exercício de 2012.
§ 2o A dedução de que trata o caput:
I - está sujeita ao limite de 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda apurado na declaração de que trata o inciso II do
caput do art. 260;
II - não se aplica à pessoa física que:
a) utilizar o desconto simplificado;
b) apresentar declaração em formulário; ou
c) entregar a declaração fora do prazo;
III - só se aplica às doações em espécie; e
IV - não exclui ou reduz outros benefícios ou deduções em vigor.
§ 3o O pagamento da doação deve ser efetuado até a data de vencimento da primeira quota ou quota única do imposto,
observadas instruções específicas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
§ 4o O não pagamento da doação no prazo estabelecido no § 3º implica a glosa definitiva desta parcela de dedução, fican-
do a pessoa física obrigada ao recolhimento da diferença de imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual com
os acréscimos legais previstos na legislação.
§ 5o A pessoa física poderá deduzir do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual as doações feitas, no respectivo ano
/ calendário, aos fundos controlados pelos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente municipais, distrital, esta-
duais e nacional concomitantemente com a opção de que trata o caput, respeitado o limite previsto no inciso II do art. 260.”
“Art. 260-B. A doação de que trata o inciso I do art. 260 poderá ser deduzida:
I - do imposto devido no trimestre, para as pessoas jurídicas que apuram o imposto trimestralmente; e
II - do imposto devido mensalmente e no ajuste anual, para as pessoas jurídicas que apuram o imposto anualmente.
/ 186 /
Parágrafo único. A doação deverá ser efetuada dentro do período a que se refere a apuração do imposto.”
“Art. 260-C. As doações de que trata o art. 260 desta Lei podem ser efetuadas em espécie ou em bens.
Parágrafo único. As doações efetuadas em espécie devem ser depositadas em conta específica, em instituição financeira
pública, vinculadas aos respectivos fundos de que trata o art. 260.”
“Art. 260-D. Os órgãos responsáveis pela administração das contas dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente
nacional, estaduais, distrital e municipais devem emitir recibo em favor do doador, assinado por pessoa competente e pelo
presidente do Conselho correspondente, especificando:
I - número de ordem;
II - nome, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e endereço do emitente;
III - nome, CNPJ ou Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do doador;
IV - data da doação e valor efetivamente recebido; e
V - ano-calendário a que se refere a doação.
§ 1o O comprovante de que trata o caput deste artigo pode ser emitido anualmente, desde que discrimine os valores do-
ados mês a mês.
§ 2o No caso de doação em bens, o comprovante deve conter a identificação dos bens, mediante descrição em campo
próprio ou em relação anexa ao comprovante, informando também se houve avaliação, o nome, CPF ou CNPJ e endereço
dos avaliadores.”
“Art. 260-E. Na hipótese da doação em bens, o doador deverá:
I - comprovar a propriedade dos bens, mediante documentação hábil;
II - baixar os bens doados na declaração de bens e direitos, quando se tratar de pessoa física, e na escrituração, no caso de
pessoa jurídica; e III - considerar como valor dos bens doados:
a) para as pessoas físicas, o valor constante da última declaração do imposto de renda, desde que não exceda o valor de
mercado;
b) para as pessoas jurídicas, o valor contábil dos bens.
Parágrafo único. O preço obtido em caso de leilão não será considerado na determinação do valor dos bens doados, exceto
se o leilão for determinado por autoridade judiciária.”
“Art. 260-F. Os documentos a que se referem os arts. 260-D e 260-E devem ser mantidos pelo contribuinte por um prazo de
5 (cinco) anos para fins de comprovação da dedução perante a Receita Federal do Brasil.”
“Art. 260-G. Os órgãos responsáveis pela administração das contas dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente
nacional, estaduais, distrital e municipais devem:
I - manter conta bancária específica destinada exclusivamente a gerir os recursos do Fundo;
II - manter controle das doações recebidas; e III - informar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil as doações
recebidas mês a mês, identificando os seguintes dados por doador:
a) nome, CNPJ ou CPF;
/ 187 /
b) valor doado, especificando se a doação foi em espécie ou em bens.”
“Art. 260-H. Em caso de descumprimento das obrigações previstas no art. 260-G, a Secretaria da Receita Federal do Brasil
dará conhecimento do fato ao Ministério Público.”
“Art. 260-I. Os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais divulgarão
amplamente à comunidade:
I - o calendário de suas reuniões;
II - as ações prioritárias para aplicação das políticas de atendimento à criança e ao adolescente;
III - os requisitos para a apresentação de projetos a serem beneficiados com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e
do Adolescente nacional, estaduais, distrital ou municipais;
IV - a relação dos projetos aprovados em cada ano-calendário e o valor dos recursos previstos para implementação das
ações, por projeto;
V - o total dos recursos recebidos e a respectiva destinação, por projeto atendido, inclusive com cadastramento na base de
dados do Sistema de Informações sobre a Infância e a Adolescência; e VI - a avaliação dos resultados dos projetos beneficia-
dos com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais.”
“Art. 260-J. O Ministério Público determinará, em cada Comarca, a forma de fiscalização da aplicação dos incentivos fiscais
referidos no art. 260 desta Lei.
Parágrafo único. O descumprimento do disposto nos arts. 260-G e
260-I sujeitará os infratores a responder por ação judicial proposta pelo Ministério Público, que poderá atuar de ofício, a
requerimento ou representação de qualquer cidadão.”
“Art. 260-K. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) encaminhará à Secretaria da Receita
Federal do Brasil, até 31 de outubro de cada ano, arquivo eletrônico contendo a relação atualizada dos Fundos dos Direitos
da Criança e do Adolescente nacional, distrital, estaduais e municipais, com a indicação dos respectivos números de inscri-
ção no CNPJ e das contas bancárias específicas mantidas em instituições financeiras públicas, destinadas exclusivamente
a gerir os
recursos dos Fundos.”
“Art. 260-L. A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá as instruções necessárias à aplicação do disposto nos arts. 260
a 260-K.”
Art. 88. O parágrafo único do art. 3o da Lei no 12.213, de 20 de janeiro de 2010, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 3o ..........................................................................
Parágrafo único. A dedução a que se refere o caput deste artigo não poderá ultrapassar 1% (um por cento) do imposto
devido.” (NR)
Art. 89. (VETADO).
Art. 90. Esta Lei entra em vigor após decorridos 90 (noventa) dias de sua publicação oficial.
Brasília, 18 de janeiro de 2012; 191o da Independência e 124o da República.
/ 188 /
DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Guido Mantega
Alexandre Rocha Santos Padilha
Miriam Belchior
Mario do Rosário Nunes
/ 189 /
/ 190 /