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Fatores Psicossociais da Depressão Pós-Parto

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A depressão pós-parto em puérperas atendidas na Maternidade Lucrécia Paim em

Luanda: uma compreensão sobre os factores psicossociais

Postpartum depression in puerperas held at the Lucrécia Paim Maternity in Luanda: an understanding
about psychosocial factors

Depresión posparto en puerperas realizadas en la Maternidad Lucrécia Paim de Luanda: una


comprensión sobre factores psicosociales

La dépression post-partum à puerperas à la Maternité Lucrécia Paim à Luanda: une compréhension des
facteurs psychosociaux

Aires Bartolomeu Dias Niuka


[Link]
Doutor. Professor Auxiliar. Instituto Superior de Ciências da Saúde da Universidade Agostinho Neto.
Luanda. Angola.
[Link]@[Link]

DATA DA RECEPÇÃO: Fevereiro, 2022 | DATA DA ACEITAÇÃO: Maio, 2022

RESUMO
O presente trabalho teve como objetivo compreender os factores psicossociais que estão
na base da depressão pós-parto em puérperas assistidas na maternidade Lucrécia Paim
em Luanda e o problema: Quais são os factores psicossociais que estão na base da
depressão pós-parto em puérperas assistidas na maternidade Lucrécia Paim em Luanda?
Os antecedentes históricos da depressão pós-parto, o luto, a melancolia, a autoestima, os
factores psicossociais, transtorno depressivo maior e puérperas, faram tidos como
aspetos teóricos. Realizou-se um estudo misto de carácter quanti-qualitativo, que
permitiu a compreensão desta problemática, os métodos de recolha de dados foram: as
entrevistas estruturadas, inquérito por questionário e o inventário de Beck. Como
resultados verificou-se um maior predomínio nas idades dos 15 a 20 anos; quanto ao
nível de escolaridade as mulheres em estudo possuem apenas o primeiro ciclo e outras
são iletradas, quanto ao estado civil na sua maioria são solteiras, essas mulheres não
trabalham e outras têm a actividade doméstica como ocupação; as mesmas afirmam ser
importante o acompanhamento psicológico como forma a minimizar a depressão pós-
parto, na sua maioria não têm recebido apoio do marido e estes têm demonstrado uma
atitude péssima para com as mesmas, quanto ao estado actual da pressão, nelas
prevalece o mínimo e o moderado. Incapacidade para cuidar do bebé; idealizações
diferentes da realidade acerca das características do bebé; tristeza prolongada,
desmotivação e ideias obsessivas, afetação da gravidez na vida profissional, o abandono
de trabalho, a falta de apoio familiar, a fuga a paternidade, a pobreza extrema, famílias
vulneráveis e disfuncionais foram os factores psicossociais da depressão pós-parto na
amostra estudada.

Palavras-chave: Depressão pós-parto, factores psicossociais, puérperas.

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ABSTRACT

The present work aims to understand the psychosocial factors that underlie postpartum
depression in postpartum women assisted at the Lucrécia Paim maternity hospital in
Luanda and the problem: What are the psychosocial factors that underlie postpartum
depression in postpartum women assisted at the Lucrécia Paim maternity hospital in
Luanda? The historical antecedents of postpartum depression, grief, melancholy, self-
esteem, psychosocial factors, major depressive disorder and postpartum women were
considered theoretical aspects. A mixed study of a quantitative-qualitative nature was
carried out, which allowed the understanding of this problem, the data collection
methods were: structured interviews, questionnaire survey and the Beck inventory. As a
result, there was a greater predominance in the ages of 15 to 20 years; as for the level of
education, the women studied have only the first cycle and others are illiterate, as for
marital status, most of them are single, these women do not work and others have
domestic activity as an occupation; they claim that psychological monitoring is
important in order to minimize postpartum depression, most of them have not received
support from their husbands and they have shown a terrible attitude towards them,
regarding the current state of pressure, in them the minimum prevails and the moderate.
Inability to care for the baby; different idealizations of reality about the baby's
characteristics; prolonged sadness, lack of motivation and obsessive ideas, affectation of
pregnancy in professional life, abandonment of work, lack of family support, escape
from parenthood, extreme poverty, vulnerable and dysfunctional families were the
psychosocial factors of postpartum depression in the sample studied.

Key-Words: Postpartum depression, psychosocial factors, postpartum women.

RESUMEN

El presente trabajo tiene como objetivo comprender los factores psicosociales que
subyacen a la depresión posparto en puérperas atendidas en la maternidad Lucrécia
Paim de Luanda y el problema: ¿Cuáles son los factores psicosociales que subyacen a la
depresión posparto en puérperas atendidas en la maternidad Lucrécia Paim de Luanda?
Se consideraron aspectos teóricos los antecedentes históricos de depresión posparto,
duelo, melancolía, autoestima, factores psicosociales, trastorno depresivo mayor y
posparto. Se realizó un estudio mixto de carácter cuantitativo-cualitativo que permitió la
comprensión de esta problemática, los métodos de recolección de datos fueron:
entrevistas estructuradas, cuestionario de encuesta e inventário de Beck. Como
resultado, hubo un mayor predominio en las edades de 15 a 20 años; en cuanto al nivel
de instrucción las mujeres en estudio tienen solo el primer ciclo y otras son analfabetas,
en cuanto al estado civil la mayoría son solteras, estas mujeres no trabajan y otras tienen
como ocupación la actividad doméstica; afirman que el seguimiento psicológico es
importante para minimizar la depresión posparto, la mayoría no ha recibido apoyo de
sus esposos y han mostrado una actitud pésima hacia ellas, respecto al estado actual de
la depresión, en ellas prevalece la mínima y la moderada. Incapacidad para cuidar al
bebé; diferentes idealizaciones de la realidad sobre las características del bebé; tristeza
prolongada, falta de motivación e ideas obsesivas, afectación del embarazo en la vida
profesional, abandono del trabajo, falta de apoyo familiar, huida de la paternidad,
pobreza extrema, familias vulnerables y disfuncionales fueron los factores psicosociales
de la depresión posparto en la muestra estudiada.

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Palabras-clave: depresión posparto, factores psicosociales, puérperas.

RESUME

Le présent travail vise à comprendre les facteurs psychosociaux qui sous-tendent la


dépression post-partum chez les femmes en post-partum assistées à la maternité
Lucrécia Paim à Luanda et la problématique : Quels sont les facteurs psychosociaux qui
sous-tendent la dépression post-partum chez les femmes en post-partum assistées à la
maternité Lucrécia Paim à Luanda ? Les antécédents historiques de la dépression post-
partum, le chagrin, la mélancolie, l'estime de soi, les facteurs psychosociaux, le trouble
dépressif majeur et les femmes en post-partum ont été considérés comme des aspects
théoriques. Une étude mixte de nature quantitative-qualitative a été réalisée, ce qui a
permis la compréhension de ce problème, les méthodes de collecte de données ont été :
entretiens structurés, enquête par questionnaire et inventaire de Beck. En conséquence,
il y avait une plus grande prédominance dans les âges de 15 à 20 ans ; quant au niveau
d'instruction, les femmes de l'étude n'ont que le premier cycle et d'autres sont
analphabètes, quant à l'état civil, la plupart sont célibataires, ces femmes ne travaillent
pas et d'autres ont une activité domestique comme occupation ; elles affirment que le
suivi psychologique est important afin de minimiser la dépression post-partum, la
plupart d'entre elles n'ont pas reçu de soutien de leurs maris et elles ont montré une
attitude terrible à leur égard, concernant l'état actuel de la pression, chez elles le
minimum prévaut et le modéré. Incapacité de s'occuper du bébé; différentes
idéalisations de la réalité sur les caractéristiques du bébé ; tristesse prolongée, manque
de motivation et idées obsessionnelles, affectation de la grossesse dans la vie
professionnelle, abandon du travail, manque de soutien familial, fuite de la parentalité,
extrême pauvreté, familles vulnérables et dysfonctionnelles étaient les facteurs
psychosociaux de la dépression post-partum dans l'échantillon étudié.

Mots-clés: Dépression post-partum, facteurs psychosociaux, femmes en post-partum.

INTRODUÇÃO
A depressão é uma patologia que, desde sempre assolou as sociedades. Na
Grécia, por exemplo, o estado depressivo atribuía-se a castigos impostos pelos deuses
em função dos comportamentos incorretos, (Areias, 2005, p.106). Em medicina,
Hipócrates (460-377 a.C.) foi o primeiro a fazer referência aos comportamentos
anormais, considerando como causas naturais e não sobrenaturais. Por outro lado, no
século II a.C., Galeno atribuía a esta anomalia o desequilíbrio de quatro líquidos
presentes no corpo, nomeadamente: bílis negra, bílis amarela, fleuma e sangue (Arrais,
2005, p. 123).
Hipócrates, no século V antes de Cristo, já conhecia e definia a depressão com a
denominação de melancolia: “uma afecção sem febre, na qual o espírito triste
permanece sem razão fixado em uma mesma ideia, constantemente abatido”. O autor
atribuía a causa da depressão ao acumulo de bílis negra no organismo. Cujo tratamento

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consistia em expurgar do corpo os sentimentos negativos através do uso de purgantes.
Platão descreveu a mania ou a fúria dos poetas como sendo um estado de excitação. Por
outro lado, os filósofos gregos Platão e Aristóteles e o político e filósofo romano Cícero
trouxeram, nas suas obras significativas contribuições para se compreender tanto a
psicologia humana quanto as doenças mentais. A melancolia era considerada um
afastamento de tudo o que era sagrado (Ibidem).
O filósofo René Descartes, usando a razão e a dúvida, chegou na frase “penso,
logo existo”, desvelando o pensamento dos filósofos dessa época, conhecido como o
Grande Racionalismo Clássico. Predominou a ideia de mecânica e matemática do
universo. Para ele, a convicção de que a razão humana é capaz de conhecer a origem, as
causas e os efeitos das paixões e das emoções e a vontade orientada pelo intelecto, é
capaz de governa-las e domina-las. O mesmo reconhece a dicotomia entre corpo e
mente (dualismo cartesiano) que causa mudança no fundamento da depressão (Batista,
Batista e Oliveira, 2014, p. 16).
Em luto e melancolia, Freud compara a melancolia ao luto, descrevendo uma
sensação de dolorosa infelicidade decorrente de uma perda objectal. “Os traços mentais
distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de
interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e
qualquer actividade e uma diminuição dos sentimentos de auto-envelhecimento,
culminando numa expectativa delirante de punição para a fase oral ainda narcisista da
libido, onde ocorre uma identificação com o objecto perdido. “No luto, é o mundo que
se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego”. É em relação à identificação
regressiva que Freud diz: “A sombra do objecto recai sobre o ego e se volta para
estabelecer uma identificação do ego com o objecto. Por ser julgado como se fosse um
objecto, parte do ego se coloca contra outra, julgando-a criticamente. As auto-
recriminações vistas clinicamente são recriminações feitas a um objecto amado que
foram deslocadas. Objecto e ego sucumbem ao julgamento do chamado, na ocasião,
“agente critico”. Vale observar que, no luto, a perturbação da auto-estima está ausente,
(Freud, 1976).
Quanto á auto-estima, Kachele (1993), lembra ser a sensação do self de ser
estimado e valorizado por seus objectos internos, sejam eles chamados de “agente
crítico”, superego ou imago parental. A expressão se refere a uma relação objectal
interna, a estima tem um papel central na vulnerabilidade à depressão, e o grau em que a

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depressão afecta a auto-estima depende não só da gravidade da doença, mas também da
estrutura de personalidade pré- mórbida.
A depressão pós-parto tem sido uma das principais complicações que as mulheres
temem enfrentar depois da gestação tendo em conta as reacções negativas que este
fenómeno venha a provocar no seu organismo.
Observa-se que os sintomas da depressão pós-parto é um dos factores que em
muitos casos leva algumas crianças a crescerem sem o afecto das próprias mães, a este
factor está associado as perturbações comportamentais que possam passar essas mães.
A depressão Puerperal representa uma patologia clínica derivada de vários
factores bio-psico-sociais, identificada como um episódio depressivo, com início nas
primeiras semanas após o parto. Os profissionais de saúde devem estar aptos a cuidar
das puérperas a fim de evitar impactos para a saúde da mãe, dos filhos e dos familiares
envolvidos (Dias, 2003, P.31).
O tema que nos propusemos a estudar, refere-se a depressão pós-parto em
mulheres puérperas atendidas na Maternidade Lucrécia Paim, com a intenção de
compreender os factores psicossociais que estão na base desta problemática que assola a
muitas mulheres, assunto que consideramos como sendo de extrema relevância para a
sociedade actual, pelas consequências que advém desta, por falta de diagnóstico e
tratamento da patologia em tempo considerado oportuno.
Verificamos que, abordar sobre os factores Psicossociais da depressão pós-parto
como objecto de nossa reflexão, pode de alguma forma ampliar a compreensão do viver
da medicina angolana, quanto ao acompanhamento, discussão, prevenção e tratamento
destes sintomas a nível da nossa realidade.
Estudos recentes de saúde mental relacionados ao parto levaram a uma mudança
no conceito específico de depressão pós-parto (DPP), por considerá-la um aspecto de
transtornos depressivos e ansiosos que surgem no período perinatal.
Muitos são os factores de risco que envolvem a depressão pós-parto, tendo em
conta a ansiedade pela chegada do bebé, os conflitos conjugais, relacionamento
conjugal insatisfatório, gravidez indesejada, fuga a paternidade, gravidez na
adolescência, falecimento do bebé poucos dias após o seu nascimento, podem levar a
uma depressão pós-parto.
De acordo com o DSM-V, (APA, 2014), o Transtorno Depressivo Maior pode
ter como especificador o pós-parto, desde que este início ocorra no período de 4
semanas após o nascimento.

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Um tema dessa natureza é um conhecimento histórico que pode nos auxiliar a
compreender melhor as principais causas e consequências da depressão pós-parto quer
ao nível psicológico e social. Além disso, um estudo sobre factores da depressão pós-
parto, como é proposta aqui, pode ser tomada como ponto de partida para outras
análises cujo foco seja a dimensão discursiva e social relacionada a este tipo de
pesquisa.

É importante fazermos pesquisa desta natureza, porque notamos que durante


muito tempo as questões ligadas a depressão pós-parto, apesar de ter sido foco de
muitos estudos nos séculos XIX e XX, historicamente a atenção dada a essa
enfermidade remonta a vários séculos antes de Cristo.
Neste contexto o factor motivador na escolha deste tema é o facto de ter
observado os vários problemas que tem afectado as mulheres depois do período
gestacional, e que pode levá-las a fatalidades. Pensando nisso, decidimos levar a cabo
estudos sobre a depressão pós-parto em puérperas no sentido de reverter e controlar
eventuais transtornos.

De um modo geral, consideramos este estudo importante na medida em que


alerta a nossa sociedade académica, sobre a necessidade de mais investigações e estudos
sobre esta problemática, e proporciona aos profissionais da saúde, as gestantes, as
mulheres, e a população em geral, um leque de conhecimentos e informações sobre
depressão pós-parto, principalmente quanto a sintomatologia, causas e o devido
tratamento.

MATERIAL E MÉTODOS

Foi realizado um estudo descritivo transversal de abordagem quali-quantitativa,


que serviu para descrever a situação real da depressão em mulheres puérperas atendidas
na maternidade Lucrécia Paim e analisa-los em forma de variáveis objectiva capaz de
ser contados e processados estatisticamente. A população foi constituída por 150
puérperas que estiveram internadas naquele local de estudo e que haviam sido
diagnosticadas com depressão pós-parto, a amostra probabilística foi composta por 50
(33%) dessas mulheres que foram sorteadas mediante a técnica de lotaria da
amostragem aleatória simples. Foram incluídas no estudo todas as mulheres puérperas
internadas na Maternidade Lucrécia Paim que no momento da recolha de dados
aceitaram tomar parte da investigação, após o esclarecimento dos objectivos e assinaram

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o termo de consentimento livre, foram excluídas na pesquisa aquelas que se recusaram
em participar da mesma. A recolha de dados foi feita com recurso as seguintes técnicas:
entrevistas estruturadas, inquérito por questionário, para conseguirmos recolher
subsídios que nos ajudaram na confirmação ou informação das nossas perguntas
científicas. E para determinar o nível de depressão utilizamos o inventário de Beck. A
mesma foi realizada entre os meses de Fevereiro a Agosto do ano 2020.

Durante a recolha de dados respeitaram-se os princípios de autonomia,


beneficência, não maleficência e justiça e todos os participantes do estudo assinaram o
consentimento informado. A investigação abarcou o seu período de execução entre os
meses de Fevereiro a Agosto de 2020 no local em estudo. Posteriormente, os dados
foram organizados em um banco de dados criados em planilhas eletrónicas com o
auxílio do software do Microsoft Office programa Word e Excel, foram analisados e
apresentados em gráficos univariadas e bivariadas por meio de frequência absoluta e
relativa simples.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Tabela 1. Distribuição da amostra segundo a idade
Idade Frequência Percentagem
15-20 29 58
21-29 08 16
30-34 04 08
35-39 06 12
40 em diante 03 06
Total 50 100
Fonte: Elaboração Própria, (2020)
Na tabela acima se pode verificar que das 50 parturientes, quanto a idade houve
maior incidencia de parturientes entre os 15 a 20 anos de idade; 29 (58%); 8 (16%) com
idades entre os 21-29 anos; 4 (8%) estão na faixa etária dos 30-34 anos; 6 (12%) estão
nas idades dos 35-39 anos e se pode verificar também uma menor prevalencia nas
idades comprendida entre 40 a 45 anos de idade 3 (6%) da amostra estudada.

Desta feita, estudos realizados no Brasil no projecto intitulado “Nascer no


Brasil”, levado a cabo por Sarmento, da Silva e Sobreira (2020) revela a idade sobre
tudo a adolescência como um dos principais factores de risco da Depressão Pós-parto. A
adolescência se configura como um factor de risco para depressão pós parto, pois é
um período de transformações biopsicossociais e podem comportar riscos psiquiátricos

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durante a gestação e o puerpério. A Organização Mundial de Saúde (OMS), define
como adolescente o indivíduo que se encontra entre 10 e 19 anos de idade.

Conforme abordam Araújo e Schiavo (2018, p. 23) “uma das complicações mais
comuns vivenciadas durante o puerpério é a depressão pós-parto, podendo atingir de
15% a 20% das puérperas a nível mundial”.

Corroborando com os aspectos defendidos pelos autores acima, em nossa


opinião podemos afirmar, que biologicamente, a alta incidência feminina da depressão
também pode ser explicada pelas diversas variações hormonais que as mulheres sofrem
ao longo da vida.

Tabela 2. Distribuição da amostra segundo o nivel de escolaridade


Escolaridade Frequência Percentagem
Iletrada 10 20
I Cíclo 26 52
II Cíclo 10 20
Ensino Superior 04 08

Total 50 100
Fonte: Elaboração própria, (2020)
Conforme vemos espelhados os resultados da tabela 2 constatamos que dos 50
elementos que integraram a amostra, 10 que correspondem a 20% são iletradas; 26 que
corresponde a 52% têm o I cíclo como nivel de escolaridade; 10 que corresponde a 20%
possuem o II ciclo, e apenas 4 que correspondem a 8% possuem o Ensino Superior.

Estudos realizados pelos autores Maurício e Euclides (2001), afirmam que


quanto maior for o nível de escolaridade maior conhecimento da fisiologia do
organismo. Mulher com maior escolaridade e maiores oportunidades de obtenção de
renda é menor a propensa a cair numa depressão. Uma revisão de estudos desenvolvidos
em países de baixa e média-baixa renda, concluiu que estes possuem as mais altas taxas
de DPP (Fisher et al, 2012). As maiorias das mulheres desses países encontram-se em
posição socioeconómica desvantajosa, tendo dificuldades de acesso a um melhor nível
educacional, ao trabalho remunerado e aos serviços de saúde reprodutiva. Por tanto, em
nossa opinião podemos concluir que esses factores podem contribuir para o prejuízo da
saúde mental das puérperas, na medida em que as expõem a um maior número de
factores de risco e diminuição das possibilidades de tratamento.

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Tabela 3. Distribuição da amostra segundo o estado civil

Estado Civil Frequência Percentagem

Solteira 35 70

Casada 05 10

União de facto 10 20

Total 50 100

Fonte: Elaboração Própria, (2020)

Na tabela acima apresentada os resultados são notórios a quanto dos 50


elementos que tomaram parte da amostra podemos descrever da seguinte maneira: 35
que corresponde a 70% são solteiras; 05 que corresponde a 10% da amostra são casadas;
10 que corresponde a 20% vivem em união de facto.

De acordo com Costa (1999), o romantismo amoroso veio favorecer a formação


da família, o cuidado com as crianças, a conversão das mulheres em mães, coroando as
injunções cristãs, sobretudo as de origem puritana. Na época actual, no entanto, a
família, o pudor, a vergonha, a repressão sexual, o respeito pela intimidade, a
sacralidade do matrimónio, o objectivo da reprodução biológica, a dissimetria entre
homens e mulheres no que concerne à liberdade sexual, todos esses elementos que
levam o amor romântico, estão definhando em uma velocidade vertiginosa.

No lugar, a sociedade de consumo entronizou o culto ao corpo, aos prazeres


físicos, à liberdade de procriar fora das relações conjugais, à ingestão drogas extáticas, à
liberação sexual e, principalmente, à repulsa ao sofrimento.

Tabela 4. Distribuição da amostra segundo a ocupação


Ocupação Frequência Percentagem
Nenhuma 16 32
Estudante 10 20
Doméstica 18 36
Funcionária Pública 06 12
Total 50 100
Fonte: Elaboração própria, (2020)

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De acordo com os dados da presente tabela, se pode constatar que um total
de 34 que correspondem a 68% da amostra têm como ocupação doméstica/ou nenhuma
ocupação; 10 que corresponde a 20% são estudantes e apenas 6 que corresponde a 12%
é que são funcionárias públicas.

Segundo Ribeiro e Andrade (2009), a tal patologia apresenta manifestação


patológica que altera por completo o perfil social do ser e a maneira como vê a vida e o
mundo ao seu redor, podendo ser associado a vários sintomas como: a ocorrência de
tristeza duradoura, perda do prazer, choro fácil, abatimento, alterações do apetite,
distúrbio do sono, fadiga, irritabilidade, hipocondria, dificuldade de concentração e
memorização, redução do interesse sexual e ideação suicida, podendo ocorrer também
em casos de gravidez na adolescência, o que nos dias de hoje vem aumentando.

Outros factores considerados de risco para o surgimento da depressão pós-parto


são os antecedentes psiquiátricos da mulher, a existência de episódios depressivos
anteriores, o estado civil da mulher, baixas condições socioeconómicas, alterações
hormonais e factores obstétricos/ginecológicos, como complicações durante a gestação
e o parto. Além disso, factores adicionais são destacados por alguns autores, como a
associação entre a ocorrência da depressão materna e o baixo apoio oferecido pelo
parceiro ou por outras pessoas com quem a mãe mantém relacionamento, dificuldade no
cuidado com o bebé e problemas de saúde da criança.

Tabela 5. Opinião das mulheres sobre a ausência acompanhamento do psicológico e sua


influência na depressão pós-parto

Critério Frequência Percentagem

Sim 38 76

Não 04 08

Sem opinião 08 16

Total 50 100

Fonte: Elaboração própria (2020)

Se pode verificar na presente tabela acerca da ausencia do acompanhamento


psicológico e sua influencia na depressão pós-parto, 38 que correspode a 76%
responderam sim; 4 que corresponde a 8% responderam não; 8 que corresponde a 16%
estão sem opinião.

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Os psicólogos têm participado desde as primeiras experiências de
matriciamento, especialmente no apoio às equipes de saúde da família sobre os cuidados
aos portadores de sofrimento mental e seus familiares. Hoje, seu papel amplia-se,
passando a incluir a atenção a idosos, usuários de álcool e outras drogas, crianças,
adolescentes, mulheres vítimas de violência e outros grupos vulneráveis (CFP, 2009, p.
12).

Entre os cuidados psicológicos para as pacientes com depressão pós-parto têm-


se destacado com o sucesso a abordagem cognitivo-comportamental, preferencialmente
em grupos de terapia (Meager e Milgrom, 1996).

Tabela 6. Critério das mulheres acerca do apoio recebido por parte do marido e seus
familiares

Critério Frequência Percentagem

Sim 10 20

Não 32 64

Algumas vezes 08 16

Total 50 100

Fonte: Elaboração própria (2020)

A tabela 6 mostra que das 50 parturientes 10 que representa 20% afirmaram que
recebem apoio por parte do marido e familiares 32 que representa 64% afirmaram que
não recebem apoio e 08 que representa 16% afirmaram que recebem algumas vezes.

A depressão pós-parto ou a psicose puerperal podem se manifestar através de


tristeza, rejeição do filho, insônia, descuido com a aparência, dentre outros. Em casos
mais graves as mulheres vivenciam alucinações e idéias suicidas. A mulher sente-se
inútil e incapaz de criar seu filho. Segundo Schwengber e Piccinini (2003) o pouco
suporte oferecido pelo parceiro, o não planeamento da gestação, o nascimento pré-
maturo e a morte do bebê, a dificuldade em amamentar e as dificuldades do parto
podem significar risco para a depressão pós-parto.

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Tabela 7. Distribuição da amostra segundo como tem sido a atitude do marido em
relação a gravidez

Critério Frequência Percentagem

Boa 06 12

Péssima 34 68

Razoável 10 20

Total 50 100

Fonte: Elaboração própria (2020)

Na tabela 7 se pode verificar que das 50 parturientes entrevistadas, 6 que


representa 12% afirmaram boa actitude do esposo em relação a gravidez; 34 que
corresponde a 68% da amostra afirmaram um actitude péssima por parte do marido; 10
que representa 20% afirmaram razoável.

Na fase pós-parto, o tipo e a natureza do suporte recebido são factores possíveis


de contribuir para melhor adaptação e alcance do papel materno. Nesta fase, o
profissional pode prestar decisiva colaboração, pois ao conhecer a situação vivenciada,
este profissional auxilia a puérpera a superá-la e a se readaptar melhor às suas
dificuldades, contribuindo para um exercício saudável da maternidade com impactos,
tanto no binômio mãe- filho como na família. Conforme observado até o momento, a
maior parte dos estudos sobre DPP vem adotando abordagens quantitativas, sobretudo
com a listagem de fatores de risco e ou eventos estressantes (Marcio, 2010).

Tabela 8. Apresentação dos resultados do estado actual da depressão pós-parto de


acordo com inventário de Beck.

Nível de depressão Frequência Percentagem

Mínimo 11 22

Leve 09 18

Moderado 28 56

Severo 02 04

Total 50 100

Fonte: Elaboração própria (2020)

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De acordo a aplicação do inventário de Beck, para apresentar o estado actual da
DPP em puérperas internadas na Maternidade Lucrécia Paim, percebe-se que das 50
puérperas 11 que corresponde a 22% apresentam um grau mínimo; nove que
corresponde a 18% apresentam um grau leve de depressão; 28 que corresponde a 56%
apresentam um grau moderado de depressão e 2 que corresponde a 4% apresentam um
grau severo.

Os resultados acima demostram claramente a prevalência da Depressão pós


parto nas mulheres que tomaram parte da amostra com uma percentagem acima dos 50,
num grau moderado, pelo que as investigações realizadas pelos autores Cantilino e
Garcia, (2009) em um estudo sobre a prevalência da depressão pós parto em mulheres
na cidade de São Paulo, no Brasil o mesmo revelou uma incidência de casos do tipo
moderado e que se não forem acompanhadas a tempo podem evoluir para o estado
severo e chegando mesmo ao suicídio, devido ao aparecimento de outras
comorbilidades.

Factores psicológicos que estão na base da depressão (Análise dos dados qualitativos)
das entrevistas aplicadas às Psicólogas e Técnicas de Saúde
Falta de preparação psicológica: Quando questionamos as pacientes, normalmente
elas dizem que “durante a gestação não tiveram acompanhamento psicológico,
por que elas não aparecem as consultas”.

Idealização: Ao serem questionadas sobre o porque é que ela não olha com rosto de
alegria para o seu bebé, elas responderam: “olha, para nós nos parece um golpe
bastante pesado” (...). Eu nunca esperava um bebé tão escuro... Mas,
infelizmente apareceu assim”. Normalmente elas idealizam algo diferente da
realidade.

Nascimento de um bebé (aceitação/negação): “O que noto é que as mães têm tido


dificuldade em aceitar os seus filhos recém-nascidos do jeito que eles são.”

Os resultados apresentados sobre os factores psicológicos, que estão na base da


depressão pós-parto. Verificou-se, portanto, que os profissionais de psicologia
entrevistados no hospital em estudo disseram: falta de preparação psicológica,
idealização, nascimento do bebé.

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Com essa compreensão dos aspectos psicológicos podemos afirmar que a mulher
enfrenta mudanças que acarretam em grandes transformações. O puérpero proporciona
um confronto entre o imaginário da mulher – que idealiza seu filho – e a realidade, e
este pode ser um momento permeado por ansiedade e angústia. Agora essa mãe está
diante do bebé real, produção sua, do seu corpo, e que pode vir diferente do filho
idealizado. Este é um aspecto muito importante, pois para muitas mulheres é difícil
fazer essa transição, principalmente as que apresentam forte dependência infantil em
relação ao marido ou à própria mãe, pois podem facilmente gostar do filho ainda
enquanto está em seu ventre e amar uma imagem idealizada do bebé, mas não a
realidade do recém-nascido (Maldonado, 1996).

Factores Sociais Que Estão Na Base Da Depressão.


Mudança na vida profissional: As pacientes relatam mais sobre a influência da
gravidez, assim como diz uma delas “A gravidez afectou minha vida
profissional, eu já não me concentrava mais. Porque queria cuidar do meu filho e
trabalhar, tive que abandonar o trabalho.

Mudança na renda familiar: Um grande número de pacientes, informam que


manter a renda familiar tem sido difícil, por que o maior número delas depende
do marido dentre elas, uma afirmou que “Sempre dependi do meu marido depois
de engravidar certo dia ele chegou e disse que o seu salário foi reduzido pela
metade, por que era colaborador”.

Apoio familiar (aceitação/negação): “Tem sido constate que os familiares apoiam


somente nas primeiras semanas passando esta fase, o casal vive segundo as suas
possibilidades e muitas já disseram que chagaram mesmo de passar algumas
noites com fome, o que os torna vulnerável”

Segundo Arrais (2005), a gestação e a maternidade geram transformações na


vida da mulher, estas por sua vez irão reflectir em sua vida profissional. Algumas mães
durante o período gestacional tem que abrir mão de sua carreira profissional e este seria
um factor que gera preocupação e um sentimento de tristeza na mulher.

Dentre as várias dificuldades enfrentadas pela mulher, a situação financeira


seria uma das que mais causam preocupação nessa mãe, pois o medo com os gastos com
a nova vida a deixam vulnerável (Schmidt, Piccoloto e Muller, 2005).

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Quanto ao apoio familiar Konradt et al. (2011) buscou verificar o impacto da
percepção do suporte social durante a gestação como factor de protecção para a
Depressão pós-parto no período de 30 a 60 dias após o parto. De acordo com o estudo o
risco de desenvolver patologia foi duas vezes maior em mulheres que não tiveram
amparo de seus companheiros, familiares e ou amigos durante a gestação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os objectivos traçados para a presente investigação, chegamos as


seguintes conclusões:
Tendo em conta a distribuição da amostra de acordo com os dados
sociodemograficos de acordo com a faixa etária a que mais predominou foi a de 19 a 23
anos de idade. Quanto ao nivel de escolaridade verificou-se que a maioria das mulheres
têm o I cíclo como nivel; essas mulheres na sua maioria afirmaram que são solteiras,
quanto a ocupação as mulheres maoritariamente são domésticas e outras afirmam estar
sem ocupação.
Os fundamentos teoricos relacionados com os conteudos do tema em abordagem
nos permitiram conhecer a depressão pós-parto como um transtorno do humor que se
inicia normalmente, nas primeiras quatro semanas após o parto e pode ser de
intensidade leve e transitória, neurótica, até desordem psicótica.
Relativamente ao estado actual da depressão pós-parto nas mulheres assistidas
na Maternidade Lucrécia Paim apresentam um grau mínimo e moderado como os
principais elementos predominantes nos elementos da amostra.
De entre os vários factores psicossociais que estão na base da depressão pós-
parto na amostra em estudos os mais identificados foram: incapacidade para cuidar do
bebe ou desinteresse por ele; idealizações diferentes da realidade acerca das
características do bebe; tristeza de natureza prolongada, desmotivação e ideias
obsessivas, afectação da gravidez na vida profissional resultando no abandono de
trabalho, a falta de apoio familiar, a fuga a paternidade, a pobreza extrema, famílias
vulneráveis e disfuncionais.

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