Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N.
1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
ABORDAGEM FISIOTERAPÊUTICA EM PACIENTES COM ACIDENTE VASCULAR
ENCEFÁLICO (AVE)
PHYSIOTHERAPEUTIC APPROACH IN PATIENTS WITH STROKE
ABORDAJE FISIOTERAPÉUTICO EN PACIENTES CON ICTUS
Recebido: 11/06/2022 | Revisado: 22/06/2022 | Aceito: 09/10/2022 | Publicado: 09/10/2022
Elany Rodrigues Martins
ORCID: [Link]
Faculdade de Ensino Superior do Piauí, Faespi, Brasil
E-mail:elanyrodriguesmartins83@[Link]
Luigi Gabriel Brasil da Silva
ORCID: [Link]
Faculdade de Ensino Superior do Piauí, Faespi, Brasil
E-mail:luigigabriel010@[Link]
Lourdes Maria de Oliveira Osório
ORCID: [Link]
Faculdade de Ensino Superior do Piauí, Faespi, Brasil
E-mail:lloliveiraosorio@[Link]
Rita de Cássia de Jesus Souza
ORCID: [Link]
Faculdade de Ensino Superior do Piauí, Faespi, Brasil
E-mail:andradecassia9@[Link]
Erica dos Santos Costa
ORCID: [Link]
Faculdade de Ensino Superior do Piauí, Faespi, Brasil
E-mail: ecosta3987@[Link]
Geísa de Morais Santana
ORCID: [Link]
Faculdade de Ensino Superior do Piauí, Faespi, Brasil
E-mail:geisasantana97@[Link]
Ruth Raquel Soares de Farias
ORCID: [Link]
Docente do curso de fisioterapia da Faespi, Brasil
E-mail:ruthraquelsf@[Link]
1
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
Resumo
Objetivo: Analisar a abordagem fisioterapêutica na reabilitação em pacientes com acidente
vascular encefálico. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura por meio
da busca de artigos nas bases de dados da Scielo, Medline, Lilacs e Bireme. Foram encontrados
1.318 artigos nas bases de dados pesquisadas, destes cinco foram incluídos para compor a
discussão como critérios de inclusão foram utilizados artigos científicos que abordam atuação
fisioterapêuticas no tratamento de pacientes com acidente vascular cerebral, publicados nos
últimos dez anos e que apresentem uma boa metodologia de pesquisa. No critério de exclusão
foram artigos que fugiam a temática ou artigos publicados fora dos últimos dez anos, e que não
estivessem disponíveis eletronicamente. Resultados e Discussões: Os estudos evidenciaram
que as técnicas de fisioterapia são muito importantes e que, por meio de atividade física
contribuem para que não ocorram complicações na recuperação e melhora a qualidade de vida.
Considerações finais: Abordagem fisioterapêutica contribui para o ganho funcional e melhoria
da qualidade de vida dos pacientes acometidos, evidenciando há importância da presença do
fisioterapeuta na equipe multiprofissional.
Palavras-chave: Acidente Vascular Encefálico; Hemiplegia; Fisioterapia.
Abstract
Objective: Analyze the physical therapy approach in rehabilitation in patients with stroke
Methodology: This is an integrative review of the literature through the search for articles in
the databases of Scielo, Medline, Lilacs and Bireme. We found 1,318 articles in the databases
surveyed, of these five were included to make up the discussion as inclusion criteria, we used
scientific articles that address therapeutic activities in the treatment of stroke patients, published
in the last ten years and presenting a good research methodology. In the exclusion criterion
were articles that ran away from the theme or articles published outside the last ten years, and
that were not available electronically. Results and Discussions: The studies showed that
physiotherapy techniques are very important and that, through physical activity, they contribute
to the non-complications of recovery and improve quality of life. Final considerations:
Physiotherapeustherapeutic approach contributes to functional gain and improvement of the
quality of life of affected patients, evidencing ago importance of the presence of the
physiotherapist in the multidisciplinary team.
Keywords: Stroke; Hemiplegia; Physiotherapy.
2
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
Resumen
Objetivo: Analizar el enfoque de fisioterapia en rehabilitación en pacientes con ictus.
Metodología: Se trata de una revisión integradora de la literatura a través de la búsqueda de
artículos en las bases de datos de Scielo, Medline, Lilacs y Bireme. Encontramos 1.318 artículos
en las bases de datos encuestadas, de estos cinco fueron incluidos para conformar la discusión
como criterios de inclusión, utilizamos artículos científicos que abordan las actividades
terapéuticas en el tratamiento de pacientes con ictus, publicados en los últimos diez años y
presentando una buena metodología de investigación. En el criterio de exclusión estaban los
artículos que huían del tema o los artículos publicados fuera de los últimos diez años, y que no
estaban disponibles electrónicamente. Resultados y discusiones: Los estudios demostraron
que las técnicas de fisioterapia son muy importantes y que, a través de la actividad física,
contribuyen a la no complicaciones de la recuperación y mejoran la calidad de vida.
Consideraciones finales: El enfoque fisioterapéutico contribuye a la ganancia funcional y a la
mejora de la calidad de vida de los pacientes afectados, evidenciando la importancia de la
presencia del fisioterapeuta en el equipo multidisciplinar.
Palabras clave: Accidente cerebrovascular; Hemiplejia; Fisioterapia.
Introdução
O acidente vascular encefálico (AVE) conhecido também como derrame cerebral é
caracterizado como uma lesão cerebrovascular, ocorre pelo entupimento ou rompimento dos
vasos que levam sangue ao cérebro, provocando a paralisia da região afetada no cérebro
(ROLIM; MARTINS, 2011). É uma doença de causa súbita que pode afetar qualquer zona no
cérebro provocando uma perda da função contralateral correspondente à área afetada (BRASIL,
2013).
A taxa de mortalidade foi de 0,05% e quase 35% das 99.174 mortes ocorreram entre
pacientes que tinham mais de 80 anos. A incidência atual do acidente vascular encefálico no
país pode estar relacionada com alguns fatores, ao envelhecimento populacional, transição
epidemiológica (ALMEIDA, 2012).
Um grande fator de risco para o acidente vascular encefálico são doenças cardiovasculares,
sua incidência é muito alta e principalmente em pacientes com diagnóstico de fibrilação arterial
aumentando o risco maior de AVE (MASSARO; LIP, 2016). “Doenças crônicas como
3
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
hipertensão, diabetes, obesidade são fatores de risco que contribuem para a ocorrência do AVE”
(PIMENTEL; SANTOS FILHA, 2019).
O fisioterapeuta pode atuar na reabilitação de pacientes com acidente vascular encefálico,
pois apresentam alguns distúrbios neurológicos, deficiência de propriocepção, perda motora e
sensitiva, déficits de marcha, e perda de força muscular (LIMA; MALDONE, 2016). A
fisioterapia na recuperação de pacientes de AVE é de extrema importância, ajuda a melhorar as
capacidades motoras e funcionais deste tipo de disfunção (FRANCISCO, 2016).
Alguns exercícios são fundamentais para o processo de reabilitação, sendo eles:
alongamento, fortalecimento muscular, treino de marcha, treino de sensibilidade e
propriocepção. A reabilitação da marcha envolve algumas estratégias conhecidas, como bobath,
treino de força e treino específico de tarefas, visando em adquirir a melhora da independência
funcional, trabalhando o desenvolvimento de habilidades cognitivas e funções executivas
(FRANCISCO, 2016).
O objetivo deste artigo é analisar abordagem fisioterapêutica na reabilitação em pacientes
com acidente vascular encefálico (AVE).
Metodologia
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura referente abordagem fisioterapêutica em
pacientes com acidente vascular encefálico. A revisão da literatura é indispensável não apenas
para definir bem o problema, mas também para obter uma ideia precisa sobre o estado atual dos
conhecimentos sobre um dado tema, as suas lacunas e a contribuição da investigação para o
desenvolvimento do conhecimento (BENTO, 2021).
Foram coletados artigos publicados entre os anos de 2013 e 2022 entre os meses de abril a
junho de 2022, em idiomas português e inglês. Foi realizado uma busca eletrônica nas seguintes
bases de dados: Scielo, Medline, Lilacs e Bireme.
Para a definição dos descritores foi realizada uma pesquisa detalhada no site dos descritores
em ciências da saúde (DeCS), sendo eles em português: Acidente Vascular Encefálico AND
Hemiplegia AND Fisioterapia. E em inglês: Stroke AND Hemiplegia AND Physiotherapy.
Os dados foram organizados em uma tabela, seguindo uma sequência para melhor
organização: autor, ano de publicação, título do artigo, tipo de estudo, resultados e conclusão.
Foram utilizados como critérios de inclusão artigos científicos que abordam a atuação
fisioterapêuticas no tratamento de pacientes com acidente vascular encefálico, publicados nos
4
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
ultimos dez anos, com textos completos e disponíveis gratuitamente nas bases de dados
supracitadas, artigos originais que abordassem a temática.
Foram excluídos artigos que estavam em outros idiomas, duplicados, não disponíveis
para leitura completa e literatura não avaliada por pares, ou seja, teses, dissertações, capítulos
de livro, editorial, dentre outros que não passaram por critérios rigorosos de avaliação e que
não abordassem a temática.
Resultados
Foram encontrados 1.318 artigos nas bases de dados pesquisadas destes, cinco foram
incluídos. Logo abaixo, detalha o processo de inclusão e exclusão dos artigos.
Figura 01: Fluxograma de seleção de estudos para compor a pesquisa.
Quantidade de Resultado de busca
estudos encontrados: Medline: (n= 3)
Identificação
Medline: (n= 1.202) Lilacs: (n= 1)
Lilacs: (n=89) Scielo: (n= 1)
Scielo: (n=27) Total da busca = 5
Total= 1.318
Artigos excluídos por não Estudos selecionados para
Seleção
tratar do tema (n=68) a leitura na íntegra (n=20)
Artigos excluídos por títulos
Elegibilidade
e resumos pois não tratava Excluídos por duplicação
da questão de interesse nas bases de dados (n=6)
(n=50)
5
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
Inclusão Artigos do ano de 2013 a 2022, Total de estudos incluídos
nas línguas portuguesa e inglesa (n=5)
Fonte: Autores (2022)
Após a seleção desses artigos, foram extraídas as seguintes informações: autor, ano de
publicação, objetivo, método, instrumento e avaliação, principais resultados e conclusão
conforme mostra no Quadro 1.
6
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
Autor/Data Objetivo Método Instrumentos e Principais
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
Avaliação Resultados
/conclusão
Rissetti et al. Avaliar o A amostra foi Escala de Rankin Na MIF, 67,9%
(2020) comprometimento composta por Modificada, Mini apresentaram
motor e a indivíduos com Exame do Estado dependência
independência sequelas motoras Mental, Medida modificada,
funcional de de AVE de Independência necessitando de até
indivíduos pós- AVE cadastrados nas Funcional (MIF), 25% de auxílio para
cadastrados nas UBS de Escala de Fugl realizar suas AVD.
Unidades Básicas de Araranguá. Meyer (EFM) e
Saúde (UBS) no questionário
município de sociodemográfico.
Araranguá/SC.
Lopes (2020) Consiste na Assim, Questionário O reconhecimento
identificação precoce estratégias semiestruturado e inicial dos sinais do
da doença em educacionais análise estatística distúrbio vascular
ambiente pré- contínuas descritiva estudado é um dos
hospitalar, mediante tornam-se simples. principais preditores
três parâmetros fundamentais no de bom prognóstico.
ectoscópicos que processo de Este dado chama a
estão presentes na educação em atenção, quando
maioria das vítimas: saúde, em razão consideramos a
assimetria facial, da importância de praticidade e todas as
paresia em um ou sua atuação na recomendações que
ambos os membros comunidade. existem por trás da
superiores e EC.
alterações na fala
sugestivas de afasia,
fala monótona ou
arrastada.
Marques Avaliar o perfil O estudo, Perfil dos pacientes
(2019) sociodemográfico, analisou o com AVC internados
clínico e funcional prontuário de foi caracterizado por
7
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
de indivíduos com pacientes indivíduos do sexo
AVC internados em internados de masculino, baixa
um centro de julho de 2016 a escolaridade e renda,
reabilitação em julho de 2018, foi idade avançada, altos
Goiânia-GO. coletado o perfil índices de
sociodemográfico incapacidade
e a MIF no funcional, alterações
primeiro dia de na marcha,
internação. espasticidade,
hemiplegia e
disfagia.
Carvalho Analisar o Estudo do tipo Escala modificada Os músculos MD e
(2019) recrutamento transversal que de Ashworth e TB apresentaram
muscular do membro seguiu as escala de Fugl- diferenças durante os
superior parético recomendações Meyer movimentos de
durante três do Strengthening alcance (ativo, ativo-
condições de the Reporting of assistido e
alcance: ativo, Observational autoassistido),
ativoassistido e Studies in enquanto que o
autoassistido, através Epidemiology músculo BB não
de dados (STROBE) mostrou alterações
eletromiográficos statement12. significativas.
das fibras anteriores
do Músculo Deltoide
Miranda Investigar o acesso Trata-se de um O acesso à
(2018) aos serviços de estudo de coorte fisioterapia após a
fisioterapia após a incluindo alta hospitalar para os
alta hospitalar (AH) indivíduos com indivíduos com AVC
em indivíduos com AVC, que foram foi deficiente na
AVC. avaliados quanto amostra estudada
à funcionalidade devido
e incapacidade na principalmente às
barreiras burocráticas
8
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
AH e 60 dias e longo tempo de
após. espera.
Fonte: Autores (2022)
Discussão
O sucessivo número de casos de AVE está relacionado ao aumento das doenças
cardiovasculares, sendo hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus (DM), vistas
como importantes causas relacionadas a essa patologia. A idade também tem se apresentado
como importante fator de risco (MARQUES et al., 2019).
Os estudos esclarecem o AVE mais comum entre os homens, embora as mulheres
encontram- se com sequelas mais abundante, logo o risco aumenta duas vezes a cada dez anos
depois dos 55 anos de idade. No que se refere ao hemicorpo mais acometido, alguns autores
relatam a ausência de diferença entre o grau de independência funcional de indivíduos com
AVE à esquerda ou à direita (COLLO et al., 2015).
Buscando compreender os benefícios da fisioterapia em pacientes acometidos por acidente
vascular encefálico e sofrem com algumas sequelas motoras e cognitivas permanentes, Risset
et al. (2020), avaliaram indivíduos pós AVE crônico, e os resultados obtidos foram do
comprometimento motor para avaliação do equilíbrio e a capacidade funcional foi observado
que 46,4% dos indivíduos mostraram comprometimento moderado no membro superior e
32,1% apresentaram um grave comprometimento no membro inferior.
Ferrer et al. (2015), reforçam para os cuidados dos pacientes que recebem a fisioterapia em
relação ao ambiente hospitalar, pois, algumas vezes a falta de organização reflete uma extensa
lista de espera para com o atendimento fisioterapêutico. As contribuições na reabilitação
procuram desenvolver uma boa qualidade de vida e autonomia para realização das atividades
de vida diária (LIMA; MALDONE ,2016 MEDEIROS et al., 2017).
Com a intenção de compreender melhor a importância da abordagem fisioterapêutica,
Marques et al. (2019) realizaram uma coleta de dados com informações pessoais dos pacientes.
Uma ficha com o perfil sociodemográfico e clínico; MIF medida de independência funcional
desde de o início da internação no centro de reabilitação esses pacientes apresentavam um o
percentual de 55,8% referente a locomoção não apresentavam marcha e 84,1% faziam o uso de
cadeira de rodas. Um outro ponto foi a alteração na emissão da voz sendo uma sequela
9
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
geralmente comum em lesões cerebrais não progressivas. Foram analisados 189 prontuários,11
foram excluídos por apresentarem outras doenças neurológicas associadas, 32 foram excluídos
por ter mais de um episódio de AVE, dois estavam faltando dados na ficha e seis com
preenchimento incorreto e incompleto da MIF. O tipo de AVE mais frequente foi o isquêmico
(70,3%), a maioria apresentou hemiplegia (89,9%), sendo o lado esquerdo predominantemente
comprometido (46,4%), o tipo de tônus mais apresentado foi do tipo espástico (44,2%).
Consolidando com Collo et al. (2015), o estudo de Risset et al. (2020), buscou o resultado
da Escala de Fugl-Meyer e eles encontraram que a atividade de subir escadas da MIF e sua
aptidão física em indivíduos na fase crônica do AVE precisa ser melhorado e abordado no
processo de reabilitação, o número de perfil avaliados foram de 130 indivíduos em
Florianópolis – SC que demonstraram que o grau de comprometimento motor, é
dominantemente grave para membros inferiores dos indivíduos, resultando em uma redução
da independência funcional.
Carvalho et al. (2019) em seu estudo completam dizendo que o recrutamento muscular do
membro superior parético no decorrer aos alcances ativo, ativo-assistido e autoassistido, através
de dados eletromiográficos das fibras anteriores do músculo deltoide (MD), bíceps braquial
(BB) e tríceps braquial (TB) exibiram resultados de comprometimento motor, cognitivo,
ativação muscular e funcional leves, as fibras anteriores do músculo deltoide (MD) e tríceps
braquial (TB) no alcance ativo assistido adquiriram mais que no alcance autoassistido,
mostrando assim que o alcance ativo-assistido apresentou melhores resultados maior
recrutamento entre os músculos analisados.
Logo confirmaram que não há um consenso para decisão de quando e como iniciar o treino
de fortalecimento após um AVE, seja ele isquêmico ou hemorrágico. No presente estudo, os
exercícios para fortalecimento muscular principalmente os músculos flexores, extensores
de quadril, joelhos e abdutores do quadril, adequando-se às limitações motoras dos indivíduos
avaliados. Alguns estudos relatam os fatores mais determinantes de uma marcha confortável e
com maior velocidade (WIST et al., 2016).
Assim Damasceno et al. (2019), buscou avaliar indivíduos hemiparéticos crônicos em
uma cartilha de exercícios domiciliares no formato de circuito de treinamento no centro de
atendimento de fisioterapia e reabilitação, na qual consistia em 12 estações por 2 minutos com
supervisão de um terapeuta algumas descrições de exercícios abordadas e realizadas flexão de
ombro e rotação tronco, marcha e membros inferiores, a cada sessão foram registradas na ficha
de avaliação a adesão considerada adequada foi de 85% do total de dias ofertados, dos 22
10
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
indivíduos participantes, apenas 2 realizaram exercícios acima da taxa estabelecida com média
de 49 dias totalizando 87,5% de adesão à cartilha, enquanto que os 20 hemiparéticos restantes,
em média, realizaram exercícios por 27,28 ± 10,41 dias perfazendo 49,59 ± 0,18% de adesão e
em congruência, a taxa média geral de faltas em dias, pairou em 15,33 ± 5 faltas. Este resultado
sinaliza para a importância das atividades domiciliares e, portanto, os fisioterapeutas deveriam
olhar com mais atenção para esta prática que em conjunto com os atendimentos supervisionados
aumentariam a intensidade do tratamento.
O retrospectivo estudo Asa et al. (2021) baseado na análise dos dados presente nos
prontuários dos indivíduos com diagnóstico de hemiparesia após AVE participaram de um
protocolo de condicionamento físico durante 4 meses, com faixa etária heterogênea, sem grupo
controle, mantendo-se todos na fase crônica de recuperação pós AVE. Os resultados indicam
benefícios do protocolo de condicionamento físico e probabilidades para a realização de novos
estudos. Vistas avanços nos valores encontrados em todas as variáveis analisadas teste de
caminhada (TC 6min, TC10min), TUG transferência da posição sentada para em pé, mudanças
de direção durante a marcha e a transferência da posição em pé para a posição sentada e Mini-
Bestest após o término do protocolo e 3 meses de follow-up, no entanto apenas no Mini-Bestest
foi estatisticamente significante.
Os indivíduos realizaram 3 meses de sessões de fisioterapia duas vezes na semana.
Realizando- se um intervalo durante a atividade aeróbica na bicicleta ergométrica no início do
protocolo. Ao término do programa, todos os indivíduos realizavam 30 minutos de atividade
aeróbica sem interrupção. Entre os indivíduos analisados, a maior parte (n = 12) apenas a
bicicleta ergométrica e os demais (n = 8) tanto a bicicleta quanto a esteira, sendo 15 minutos
em cada aparelho. A opção entre realizar a atividade aeróbica na esteira ou na bicicleta foi de
acordo com a capacidade motora de cada indivíduo (ASA et al., 2021).
Em uma última análise a intervenção fisioterapêutica após AVE é desenvolvido através
de programas adequados em ambientes hospitalares, centro de reabilitação e na comunidade
sempre acompanhados com fisioterapeutas e outros profissionais, contudo quando oferecido
estes tipos de programas de exercícios o impacto na recuperação funcional precisam ser
mantidos durante os estágios crônicos para ter efeito no estilo de vida e melhorar a saúde em
geral como nos sintomas de depressão, algumas funções executivas, memória, qualidade de
vida e fadiga após AVE (BILLINGER et al.,2014).
Nesse sentido os autores conseguiram descobrir que abordagem fisioterapêutica em
pacientes acometidos no início do acidente vascular encefálico é de extrema importância desde
11
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
de sua fase hospitalar até mesmo com programas de exercícios e protocolos de condicionamento
físico, exercícios domiciliares. Pode estar associado alguns fatores de riscos, comprometimento
dos membros superiores e inferiores a marcha são muitos afetados sendo necessário uma
abordagem de uma grande relevância.
Considerações Finais
Abordagem fisioterapêutica contribui para o ganho funcional e melhoria da qualidade de
vida dos pacientes acometidos, evidenciando a importância da presença do fisioterapeuta na
equipe multiprofissional nos hospitais, ambiente ambulatorial ou domiciliar, ao mesmo tempo
que mostrou que a fisioterapia provou ter ferramentas que podem auxiliar na reabilitação,
facilitando sua recuperação e devendo ser uma prática adaptada às características da população
atendida.
Referências
ALMEIDA, S. R. M. Análise epidemiológica do Acidente Vascular Cerebral no Brasil.
Revista Neurociência, v. 20, n. 4, p. 481-482, 2012. DOI:10.4181/RNC.2012.20.483ed.
Disponível em: [Link] Acesso em: 17 maio.
2021.
ASA, P. K. S et al. Efeitos de um programa de condicionamento físico no equilíbrio e
funcionalidade da marcha em indivíduos pós acidente vascular cerebral. Fisioterapia Brasil,
v. 22, n.5, p.649-666,2021. DOI:10.33233/fb.v22i5.4714. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 jun.2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com
Acidente Vascular Cerebral. 1. ed. Brasília, 2013. 55 p. Disponível em:
[Link] Acesso em: 14 maio.2021.
BENTO, A. V. Como fazer uma revisão da literatura: Considerações teóricas e
práticas. Revista JA: (Associação Acadêmica da Universidade da Madeira), [S.L.], n. 65,
p.42-44, maio 2021.
BILLINGER, A.S. et al. Physical Activity and Exercise Recommendations for Stroke
Survivors. Journal, v. 45, n. 8, p. 2532- 2553, 2014. DOI:
10.1161/[Link]ível em: [Link] Acesso em:
4 jun.2022.
COLLO, B. S et al. Sex Differences in Stroke Incidence, Prevalence, Mortality and
Disability-Adjusted Life Years: Results from the Global Burden of Disease Study 2013.
12
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
Neuroepidemiology, v. 45 n. 3, p. 204-214, 2021. DOI: 10.1159/000441103. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 jun.2022.
CARVALHO, A. A. et al. Análise da ativação muscular durante o movimento de alcance nas
condições ativo, ativo-assistido e autoassistido em pacientes pós-AVE. Fisioterapia e
pesquisa, v. 26, n. 1, p. 31-36, 2019. DOI:[Link]
Disponível em:[Link]
Acesso em: 25 maio.2022.
DAMASCENO, O.S. et al. Relação da orientação domiciliar associada à fisioterapia em
grupo no desempenho motor de hemiparéticos crônicos. Fisioterapia Brasil, v.20 n. 4, p.
468-475, 2019. Disponível em: [Link]
1281409. Acesso em: 13 maio. 2022.
FRANCISCO, S. E. C. Modelos de intervenção em fisioterapia nos pacientes com
espasticidade pós AVC: Revisão da Literatura. 2016. 72 p. Dissertação (MESTRADO EM
FISIOTERAPIA) – Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Tecnologia da Saúde
de Lisboa, Lisboa. Disponível em: [Link] Acesso em: 15 maio. 2022.
FERRER, M. L. P et al. Microrregulação do acesso à rede de atenção em fisioterapia:
estratégias para a melhoria do fluxo de atendimento em um serviço de atenção secundária.
Fisioter Pesqui , v.22, n.3, pp.223-230, 2015. Disponível em: [Link] Acesso
em: [Link].2022.
LIMA, S. M.; MALDONADE, I. Avaliação da linguagem de pacientes no leito hospitalar
depois do Acidente Vascular Cerebral. Revista distúrbios da comunicação, v. 28, n. 4, p.
673-685, 2016. Disponível em: [Link] Acesso em: 12 maio.2021.
LOPES, Q. L. et al. Conhecimento acerca da escala de cincinnati entre acadêmicos de
medicina, enfermagem e agentes comunitários de saúde da atenção primária. Revista Atenas
Higeia, v. 2, n.1, p. 24-28, 2020. Disponível em: [Link] Acesso em: 4jun.2022
MARQUES, J. C. et al. Perfil de pacientes com sequelas de acidente vascular cerebral
internados em um centro de reabilitação. Acta Fisiátrica, v. 26, n. 3, p. 144 -148, 2019. DOI:
10.11606/issn.2317-0190.v26i3a168160.
Disponível em:[Link] Acesso em: 25
maio. 2021.
MADHAVAN, S.; BISHNOI. A. Comparison of the Mini-Balance Evaluations Systems Test
with the Berg Balance Scale in relationship to walking speed and motor recovery post stroke.
Tópicos em Reabilitação de AVC, v. 24, n. 8, p. 579–584, 2017. DOI:
10.1080/10749357.2017.1366097. Disponível em: [Link] Acesso em:
[Link].2022.
MEDEIROS, P.S.C et al. Perfil Social e Funcional dos Usuários da Estratégia Saúde da
Família com Acidente Vascular Encefálico. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 21,
n.3, p. 211-220,2017. DOI:10.4034/RBCS.2017.21.03.04. Disponível em:
[Link] Acesso em: 4 jun.2022.
13
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
MIRANDA, E.R et al. Avaliação do acesso à fisioterapia após a alta hospitalar em indivíduos
com Acidente Vascular Cerebral. Clin Biomed Res, v. 38, n.3, p. 245- 251, 2018. DOI:
[Link] Disponível em: [Link] Acesso
em: 4 jun.2022.
MASSARO, R. A.; LIP, H. Y. G. Prevenção do Acidente Vascular Cerebral na Fibrilação
Atrial: Foco na América Latina. Sociedade brasileira de cardiologia, v.107, n. 6, p. 576-
589, 2016. DOI: 10.5935/abc.20160116. Disponível em: [Link] Acesso em: 25
jun.2022.
PIMENTEL, N. B.; SANTOS, F. V. A. V. Evaluation of vestibular and oculomotor functions
in individuals with dizziness after stroke. Arq Neuropsiquiatr, v. 77, n. 1, p. 25-32, 2019.
DOI: [Link] Disponível em: [Link]
Acesso em: 15 jun.2022.
RISSET, J. et al. Independência funcional e comprometimento motor em indivíduos pós-ave
da comunidade. Acta Fisiatr, v. 27, n.1, p. 27-33, [Link]ível em:
ttps://[Link]/actafisiatrica/article/view/169615. Acesso em: 4 junh.2022.
ROLIM, C. R. L.C.; MARTINS, M. Qualidade do cuidado ao acidente vascular cerebral
isquêmico no SUS. Cad. Saúde Pública, v. 27, n. 11, p. 2107-2116, 2011. Disponível em:
[Link] Acesso em: 13 jun.2022.
WIST, S. et al. Muscle strengthening for hemiparesis after stroke: A meta-analysis. Annals of
Physical and Rehabilitation Medicine, v.59, n. 2, p. 114-124, 2016. DOI:
[Link] [Link]
Acesso em: 4jun.2022.
Processo de revisão por pares
O presente Artigo foi revisado por meio da avaliação aberta. A rodada de avaliações contou
com a revisão de Michele Diniz Lopes e Luciano Santos da Silva Filho. O processo de revisão
foi mediado pela Profa. Dra. Priscilla Chantal Duarte Silva
14
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
15
Revista de Casos e Consultoria, V. 13, N. 1, e13129139, 2022
ISSN 2237-7417 | CC BY 4.0
16