HERNANDES DIAS LOPES
A VIDA
ESPIRITUAL DO PREGADOR
MÓDULO 6
A VIDA
ESPIRITUAL DO PREGADOR
HERNANDES DIAS LOPES
Palavra do Preletor
Rev. Hernandes Dias Lopes
É uma alegria apresentar mais um módulo do
curso ‘Pregação Transformadora’. Este é um dos
assuntos mais relevantes e fundamentais do
curso: a vida espiritual do pregador.
Fundamentalmente, este módulo vai abordar o
livro ‘Piedade e Paixão’, falaremos da essência
desse livro que trata sobre a vida do pregador.
AULA 1
Vamos iniciar falando de PIEDADE, mais
especificamente sobre a necessidade de que o
pregador seja um homem PIEDOSO, um homem
que anda na presença de Deus, que conhece a
intimidade com Deus.
A prática da pregação, disse John Stott, jamais
pode ser divorciada da pessoa do pregador.
Nós estamos vivendo um tempo em que
as pessoas valorizam muito o talento,
performance, desempenho e, se uma pessoa
tem um conhecimento robusto, uma eloquência
angelical, se ela tem uma personalidade forte,
se ela atrai muita gente, então essa pessoa é
uma pessoa de sucesso no púlpito. Mas, é muito
importante entender o que John Stott disse: a
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prática da pregação não pode ser divorciada
da pessoa do pregador. Pregação e pregador
precisam caminhar juntos.
As palavras do pregador precisam ser referenda-
das pela sua vida e a sua vida precisa ser ava-
lista de suas palavras. A vida do ministro, dizia
Martyn Lloyd-Jones, é a vida do seu ministério.
A pregação poderosa está enraizada no solo da
vida do pregador, ou seja, não se pode divorciar
a mensagem do mensageiro, a pregação do pre-
gador. O conteúdo que é transmitido a partir da-
quele que transmite o conteúdo. É por isso que
a ordem de Paulo Timóteo é: tem cuidado de ti
mesmo e da doutrina!
A piedade é fundamental para aquele que quer
ter um ministério de pregação e quer que sua
pregação seja transformadora. E.M. Bounds, um
metodista piedoso do século 19, dizia que a nos-
sa grande falta não é em relação à cultura da
cabeça, mas a cultura do coração.
A maioria dos seminários dedica muito tempo, ou
quase todo o tempo, ao preparo intelectual, mas
não ao caráter; investe quase todo o tempo na
formação da cabeça e não na cultura do coração.
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E nós temos gigantes do saber no púlpito, mas
nanicos pigmeus na vida de piedade, gente que
conhece muito a respeito de Deus, mas não
conhece a intimidade com Deus.
É muito importante entendermos isso. Se você
não cultivar a piedade, todo o seu conhecimento
não produzirá os efeitos necessários na área da
pregação.
Charles Spurgeon chegou a dizer que o mais
maligno servo de satanás é um ministro infiel
do Evangelho. E é claro que Charles Spurgeon
estava mostrando que a infidelidade, às vezes,
está no fato de haver um divórcio entre aquilo
que o pregador fala e aquilo que ele vive. Entre o
que ele ensina e o que ele pratica. Nas palavras
de outro escritor, a pessoa é ortodoxa de cabeça
e herege de conduta. Há um divórcio entre o que
ele vive e o que ele ensina. Isso vai desconstruindo
a dignidade ou a credibilidade da mensagem,
pois o pregador prega algo sublime, mas ele não
vive uma vida sublime.
John Schow disse algo que deve merecer
destaque por todos nós. ‘Enquanto a vida do
ministro é a vida do seu ministério, os pecados do
ministro são os mestres do pecado’.
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Vamos ler Romanos 2:21-24, onde Paulo trata
desse assunto.
“Tu, pois, que ensinas a outrem, não te
ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que
não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que
não se deve cometer adultério e o cometes?
Abominas os ídolos e lhes roubas os Templos?
Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus
pela transgressão da lei? Porque, como está
escrito, o nome de Deus é blasfemado entre
os gentios por causa vossa causa.”
O que Paulo está mostrando neste trecho é
exatamente o que John Schow destacou: a nossa
vida precisa referendar a nossa pregação.
Quando um líder peca, ele peca contra o maior
conhecimento, por isso seu pecado é mais
grave. Quando um líder peca, seu pecado é mais
hipócrita, porque ele denuncia o pecado em
público e o pratica em secreto. E o seu pecado é
mais danoso, porque quando ele cai, mais gente
é atingida pelo seu erro.
Richard Baxter também falou sobre esse assunto,
ele disse: ‘Se os pecados do pregador são mais
graves, são mais hipócritas e são mais pérfidos,
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ou seja, são mais danosos que os pecados das
demais pessoas’.
Talvez nós precisássemos fazer uma espécie
de check-up da nossa vida com Deus
constantemente. A Escritura sempre aborda o
lado negativo e o positivo dessa questão; fala
sobre aquilo que devemos nos despojar e aquilo
que devemos nos revestir. O pregador está sempre
se despojando de coisas erradas, iras, mágoas,
ressentimentos, palavras torpes, desavenças,
impureza; essas características devem ser
removidas como removemos uma roupa suja,
cheia de lama. Mas o pregador precisa se cobrir
e se revestir com vestes novas, com vestes de
justiça; imitando o caráter de Cristo, vivendo
uma vida de santificação e piedade.
Precisamos fazer esse check-up com frequência
e constantemente. Essa prática levou alguém a
perguntar a Dwight Lyman Moody: ‘qual é o maior
problema da obra?’ E Moody respondeu: ‘o maior
problema da obra são os obreiros.’
Porque nós não ensinamos apenas com palavras,
mas, sobretudo, com o nosso exemplo. As
pessoas nos veem mais do que nos ouvem, elas
nos observam mais do que nos escutam.
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Portanto, a vida do líder é a vida da sua liderança;
a piedade do pregador é a base de sustentação
da sua pregação triunfadora ou vitoriosa.
Charles Haddon Spurgeon costumava dizer: ‘Nós
somos as nossas próprias ferramentas, portanto,
devemos guardá-las em ordem.’ Preste bem
atenção nisso: nós somos as nossas próprias
ferramentas. A ferramenta enferrujada não vai
ter eficácia, uma faca sem corte não vai ter
efeito.
É necessário que você esteja sempre amolando
a sua vida, afiando-a, amoldando-a, confor-
mando-a ao caráter de Cristo. Porque a sua vida
é essa própria ferramenta que vai ser usada, que
vai qualificar ou desqualificar o seu ministério de
pregação.
Robert Mackeyne foi um pastor presbiteriano
na Escócia do século 19 que experimentou um
grande reavivamento em seu coração, em sua
vida, em seu ministério. Mas ele morreu aos 29
anos de idade. Foi um homem tão santo que,
quando ele se levantava para pregar no púlpito,
antes mesmo de abrirem o texto, as pessoas
começaram a chorar. Só de olhar para ele. Veja
o que ele disse: ‘não é aos grandes talentos que
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Deus abençoa de forma especial, mas à grande
semelhança com Jesus.’ Ele disse também: ‘Um
ministro santo é uma poderosa e tremenda arma
nas mãos de Deus.’
Perceba que ele falou que não são os grandes
talentos que Deus abençoa. Nossa sociedade
valoriza muito o talento, a performance, o
desempenho, o palco e os holofotes.
Mas, o ministério que vai produzir mudanças,
a pregação que vai produzir transformação,
emana das Escrituras, pela unção do Espírito
Santo, por meio de um homem cheio do Espírito
Santo de Deus, um homem piedoso, um homem
que anda na presença de Deus e que conhece a
intimidade com Deus.
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AULA 2
Na última aula falamos sobre piedade e hoje va-
mos tratar de outro aspecto da vida espiritual do
pregador, que é a vida de oração.
E.M. Bounds, um piedoso metodista do século 19,
disse que os pregadores que prevalecem com
Deus na vida pessoal de oração são os mais efi-
cazes em seus púlpitos.
Talvez a nossa geração cometeu um grave erro
ao separar a academia da piedade, ao separar a
pregação da oração. Nós temos gigantes do sa-
ber no púlpito, mas, ao mesmo tempo, são pes-
soas mirradas na vida de oração. Conhecem a
respeito de Deus, mas não tem intimidade com
Ele.
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Gosto de olhar para Elias, um homem desconhe-
cido, de uma família desconhecida, de um lugar
desconhecido, que não vinha de uma família
rica, não vinha de uma família sacerdotal, nem
de uma família de profetas. Ele se apresenta ao
rei Acabe com uma mensagem de Deus urgen-
te: ‘segundo a minha palavra oh, Rei, não haverá
chuva, nem orvalho em sete anos.’
Porque que ele tinha essa convicção? O texto
não responde.
Mas, quando saímos dessa narrativa de 1 Reis
17 e lemos Tiago 5. 17, encontramos a resposta:
Elias orou fervorosamente para não chover e não
choveu.
Só vai prevalecer em público diante dos homens,
pela pregação, quem prevalece primeiro em se-
creto diante de Deus em oração. Elias só se le-
vantou diante do rei porque primeiro se curvou
diante do Rei dos reis. Não tem pregação pode-
rosa sem vida de oração. A vida de oração pre-
cede a pregação.
Os pregadores que prevalecem com Deus na
vida pessoal de oração, são os mais eficazes em
seus púlpitos.
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Charles Spurgeon dizia que ele não trocava sua
sala de oração nem mesmo por toda a sua bi-
blioteca, embora fosse um homem culto e que
amasse o estudo e a literatura.
Precisamos entender que o poder do Espírito
Santo que age na vida do pregador, age por meio
da oração.
A grandeza de uma igreja não é medida pela
beleza do seu edifício, nem pela pujança de seu
orçamento. A grandeza de uma igreja é medida
pelo seu poder espiritual através da oração.
Esta é uma expressão de Charles Haddon Spur-
geon. Quando perguntaram para ele como é que
ele conseguia todo domingo juntar no Taberná-
culo mais de 10 mil pessoas, ele disse: ‘o segredo
do sucesso da pregação desta igreja é a sua usina
de poder, é a sua reunião de oração, na segun-
da-feira’. Durante os cultos que ele presidia, ha-
via um grupo de irmãos em uma sala abaixo do
púlpito que estava clamando, orando, rogando a
Deus pela sustentação e pelo poder do Espírito
Santo de Deus. Nós precisamos redescobrir a be-
leza, a sublimidade, a relevância fundamental
da vida de oração.
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É por isso que os apóstolos tomaram uma deci-
são que foi um corte radical no ministério deles:
‘quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao
ministério da Palavra.’ O que é mais importante:
oração ou ministério da palavra?
A melhor resposta que eu já encontrei para essa
pergunta veio de um professor coreano. Ele dis-
se: ‘Deus valoriza tanto a sua Palavra que ele
colocou a oração primeiro. Não está escrito que
eles se consagraram ao ministério da palavra e
à oração, mas está escrito que se consagraram à
oração e ao ministério da Palavra. Sabe por quê?
Se você não for um homem de oração, não haverá
virtude ou poder em seus lábios para pregar.’
Há muitos pregadores hoje que tem fome de li-
vros, mas não tem fome de Deus. Há muitos pre-
gadores hoje que tem erudição, mas não tem
poder. Tem luz na mente, mas não tem fogo no
coração.
Eu acho que nós estudamos pouco, deveríamos
estudar mais. Sou amante do conhecimento;
deveríamos estudar a ponto de sermos ‘obreiros
aprovados que manejam bem a palavra da ver-
dade’. Entretanto, há muitos pregadores e pas-
tores que estudam, fazem mestrado, doutorado,
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pós-doutorado, mas a igreja está minguando
sob sua liderança. Eles têm muita erudição, mas
não têm a virtude de Espírito Santo; têm muito
conhecimento, mas não têm poder. Eles conhe-
cem muito e têm fome de livros, mas não têm
fome de Deus, não conhecem a intimidade com
Deus pela oração.
E.M. Bounds diz o seguinte: ‘homens mortos pre-
gam sermões mortos e sermões mortos matam!
Nós estamos à procura dos melhores métodos,
mas Deus está à procura de melhores homens.
Homens mortos tiram de si sermões mortos e ser-
mões mortos, matam!’
Há pouco tempo, um pastor me ligou, dizendo:
‘pastor Hernandes, eu me tornei apenas um fa-
bricante de sermões e nada mais! Eu sou um pro-
fissional da religião; eu consigo fazer um bom
sermão exegeticamente e homileticamente fa-
lando, mas aquilo não mexe mais comigo, aquilo
não toca mais meu coração, aquilo não queima
mais em meu coração, aquilo não brilha mais em
meus olhos!’
Homens mortos tiram de si sermões mortos e
sermões mortos, matam!
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Lutero dizia que: ‘sermão sem unção endurece o
coração.’
Isso levou João Wesley a dizer: ‘Ponha fogo no seu
sermão ou ponha o seu sermão no fogo.’
Nós precisamos deste poder, e esse poder vem
através da oração.
Arturo Azurdia disse o seguinte: ‘É no lugar secre-
to da oração que a batalha é ganha ou perdida.’
Às vezes, o pregador gasta 5 - 6 – 10 -20 horas
preparando um sermão, mas não gasta 5 minu-
tos em oração pedindo a unção e o poder do Es-
pírito Santo. E sem este poder, sem esta ilumina-
ção, sem este revestimento, a pregação não vai
alcançar as mentes e os corações. Precisamos
conhecer a intimidade de Deus pela oração.
Isso levou David Larsen a dizer que é mais impor-
tante ensinar um estudante a orar do que a pre-
gar. E veja que interessante: no Novo Testamento
encontramos os discípulos pedindo a Jesus: ‘Se-
nhor, ensina-nos a orar’. Mas não encontramos,
nenhuma vez, um discípulo se aproximando de
Jesus dizendo: ‘Senhor, ensina-nos a pregar.’
Se você for um homem de oração, haverá virtu-
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de e poder em seus lábios para pregar. Podemos
estudar homilética, estudar todos os métodos de
pregação, conhecer as línguas originais, ser um
excelente hermeneuta e um excelente exege-
ta, podemos ter todo o aparato desse curso e de
outros mais sobre pregação e, ainda assim, fra-
cassar no púlpito se não formos pessoas com-
prometidas com vida de oração.
Quem abre o coração é Deus, quem dá arrepen-
dimento para a vida é Deus, quem dá a fé sal-
vadora é Deus, quem chama irresistivelmente
é Deus, quem muda as exposições íntimas da
alma é Deus, quem sela com o Espírito Santo é
Deus, quem justifica é Deus. Então, nós deverí-
amos depender mais de Deus do que dos nossos
recursos. Isso é fundamental para termos uma
pregação transformadora.
Jonathan Edwards, que foi a mente mais brilhan-
te da América no século 18, disse assim: ‘Não
existe sermão poderoso. Existem homens cheios
de poder.’
Todos nós conhecemos o famoso sermão que ele
pregou com o título: ‘Pecadores nas mãos de um
Deus irado’. Quando ele pregou esse sermão, em
Enfield, no século 18, segurando o esboço na mão
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e a lamparina na outra, as pessoas se agarravam
nas pilastras do templo, tomadas de convicção
de pecado. Ao término, mais de 500 pessoas es-
tavam prostradas no chão, convertidas a Cristo.
Esse sermão está disponível em nossa língua.
Recentemente eu soube de um seminarista que
decorou esse sermão, frase por frase, palavra
por palavra, e pregou em sua igreja com toda a
veemência e o povo caiu também, mas no sono.
O sermão era o mesmo, mas quem pregava o ser-
mão era outra pessoa. Deus não unge métodos,
Deus unge homens. Não existe sermão poderoso,
existem homens cheio de poder. Foi o que a viúva
de Serepta disse para Elias depois que o seu filho
foi ressuscitado: ‘tu és homem de Deus e a pala-
vra do Senhor na tua boca é a verdade!’
Deus não unge métodos, já dizia E.M. Bounds,
Deus unge homens. Os homens procuram me-
lhores métodos e Deus procura melhores ho-
mens. O mais importante do sermão é o homem
que está atrás do púlpito. Gasta-se algumas
horas para fazer um sermão, mas gasta-se uma
vida para preparar um pregador. É muito impor-
tante que a gente compreenda a necessidade da
vida de oração.
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Há outro aspecto que eu acho importante para a
pregação ligada à oração. Antônio Vieira foi um
padre português que viveu longos anos aqui no
Brasil. Em seu sermão da ‘Sexagésima’, que é o
mais conhecido e famoso sermão que ele pre-
gou, diz que nós precisamos pregar aos ouvidos
e pregar aos olhos. Hoje os homens escutam de
nós belos discursos, mas não veem em nós gran-
des obras. Eles escutam de nós palavras, mas
não veem em nós ações. Nós pregamos para ou-
vidos, mas não pregamos para os olhos.
A oração que produz esse avivamento é fruto de
uma vida piedosa de oração que produzirá uma
pregação aos ouvidos e os olhos.
Uma pregação no poder e na virtude do Espírito
- e não apenas pelo conhecimento, inteligência,
sabedoria, recursos e técnicas humanas - mas
pelo poder do Espírito Santo, essa oração é como
aquela oração de Isaías que está como que um
guarda em cima do muro, vigiando, aguardando,
que vai lembrar do Senhor, que não se cala nem
de dia e nem de noite, até que o Senhor respon-
da, até que o Senhor manifeste o seu poder.
Nós precisamos ter esta inquietação na alma,
essa oração fervorosa, essa oração que solicita
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e pede a Deus sua intervenção sobre-humana e
sobrenatural em nossa vida e em nossa prega-
ção.
David Eby, que escreveu o livro ‘Pregação Pode-
rosa para o Crescimento da Igreja’, faz um com-
bate muito grande ao movimento de crescimen-
to de igreja, desde Fooler, por ter se desviado
para o pragmatismo religioso, para as técnicas
de crescimento de igreja estranhas às Sagradas
Escrituras. Ele disse que se nós queremos cres-
cer, se nós queremos ver a igreja retomando a
pregação poderosa por meio da oração, nós te-
mos que estar retornando ao livro de Atos dos
Apóstolos, ali está o manual. Ele conta que Sa-
tanás usou três estratégias para tentar desviar a
igreja da sua rota de crescimento.
1ª) Capítulo 4 – o ataque de fora para dentro - a
perseguição.
A igreja foi perseguida, mas a igreja orou, a casa
tremeu, ficaram cheios do Espírito Santo e eles
pregaram com mais ousadia.
2ª) capítulo 5 - de dentro para fora - a infiltração.
Ananias e Safira, casal hipócrita, querendo holo-
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fotes, fama, querendo sucesso dentro da igreja,
mentindo ao Espírito Santo, mas a igreja discer-
ne e prega com mais poder e cresce.
3ª) Capítulo 6 – aqui não há ataques nem de fora
e nem de dentro, não há perseguição e nem infil-
tração de pessoas, mas há distração.
Neste capítulo a igreja está crescendo e, com
isso, crescem também as demandas. Há viúvas
e helenistas sendo esquecidos na distribuição
diária. Houve rumor e murmuração na igreja e os
apóstolos tomaram uma decisão. Eles não dis-
seram assim: ‘estamos trabalhando pouco, va-
mos trabalhar mais’, eles não pensaram assim:
‘crente murmura mesmo, deixa para lá’. Não, eles
disseram: ‘vamos eleger homens cheios do Espí-
rito Santo, cheios de sabedoria, cheios de fé para
esse ministério da diaconia das mesas; quanto a
nós, nos consagraremos à oração e ao ministério
da Palavra’.
Aquilo foi um corte radical, um divisor de águas
na história do cristianismo. Os pastores de hoje
estão correndo para lá e para cá, estão disper-
sos e sobrecarregados com todo tipo de ativi-
dade. Se precisa comprar um saco de cimento,
é o pastor que vai comprar; é preciso instalar um
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ventilador, é o pastor que sobe a escada e insta-
la. E estão ficando sobrecarregados, pois fazem
muitas coisas. E eu não estou dizendo que essas
coisas sejam ruins em si, mas outras pessoas po-
diam fazer isso enquanto ele deveria se dedicar à
oração e ao ministério da Palavra.
Cuidado, querido pastor, para você não perder o
foco e não ser distraído com coisas que não são
a essência do seu chamado e do seu ministério.
Tem a diaconia da Palavra e tem a diaconia das
mesas e ambas são importantes, mas se Deus
chamou você para ser pastor, cuide da diaco-
nia da Palavra por meio de uma vida também de
oração.
O Novo Testamento nos mostra Jesus como ho-
mem perfeito, sobretudo, como foi registrado no
Evangelho de Lucas. Jesus dedicou-se à oração.
Jesus está orando em seu batismo e, porque ele
ora, o céu se abre o Espírito Santo desce e o Pai
fala: ‘Tu és meu Filho Amado em quem me com-
prazo’.
Também vemos Jesus orando quando da sua
tentação no deserto. As multidões procuravam
Jesus e Jesus dirigia-se para um lugar solitário
para orar.
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Vemos Jesus passando uma noite inteira, antes
de chamar os 12 apóstolos e designá-los a esta-
rem com ele para pregar e libertar os oprimidos.
Vemos Jesus orando antes de perguntar aos dis-
cípulos quem eles pensavam que ele era. Vamos
ver Jesus orando no monte da transfiguração e o
seu rosto e as suas vestes resplandecem.
Vamos encontrar Jesus Cristo orando no Get-
sêmani; depois orando na cruz. Jesus Cristo ora
junto ao Trono de Deus, à destra de Deus, como
nosso Grande Sumo Sacerdote.
Jesus, como homem perfeito, foi um homem de
oração. Ao abrirmos o livro de Atos, encontramos
a igreja orando, os apóstolos estão orando, por-
que aprenderam com Jesus. Nós precisamos res-
gatar a centralidade da oração em nossa vida,
em nosso ministério e na igreja.
Eu tive a benção de visitar a igreja presbiteriana
e outras igrejas evangélicas na Coreia do Sul. Ali
aconteceu um grande avivamento em 1907. Eu
visitei igrejas com 5.000 membros, 12.000 mem-
bros, 18 mil membros, 30 mil membros, 55 mil
membros, 82 mil membros e 700 mil membros.
Algo que muito me marcou e tocou minha alma
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foi a resposta à pergunta que fiz a todos os pas-
tores dessas igrejas: ‘qual é o segredo do cresci-
mento?’ E a resposta foi: ‘oração, oração e ora-
ção’!
As igrejas não eram organizadas - e não são or-
ganizadas - sem que tenham uma reunião diária
de oração pela madrugada.
Quando abordei um pastor, dizendo: ‘vocês oram
de madrugada porque isso é cultura oriental, é
cultura de vocês?’, ele me respondeu: ‘não, não!
No mundo inteiro as pessoas levantam de ma-
drugada para ganhar dinheiro, nós levantamos
de madrugada para orar porque Deus é prioridade
em nossa vida’.
Eu comecei a entender que oração não é algo
que se faz na lateral, não deve ser apenas um
programa da igreja, mas é a essência da própria
agenda da igreja, é o oxigênio que a igreja res-
pirava. Saudade de Deus, fome de Deus: vida de
oração!
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AULA 3
Nesta aula vamos abordar o seguinte tema:
‘fome de Deus no que tange ao jejum’.
Erroll Hulse disse assim: ‘se desejamos pregar
com poder, o jejum não pode ser esquecido em
nossa vida devocional’.
O jejum é uma prática devocional que está qua-
se que abolida na igreja contemporânea. Na ver-
dade, nós perdemos o apetite e perdemos o sa-
bor do Pão do Céu. Nós estamos tão encantados
com sabor do pão da terra, que nos esquecemos
do sabor do Pão do Céu.
John Pipper, em seu livro “Hunger for God” –
Fome por Deus – Ele disse que jejum é fome de
Deus. Citando 1 Coríntios 10.31, ele diz algo su-
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blime: “portanto, quer comais, quer bebais, quer
façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória
de Deus”. Em outras palavras, você jejua para a
glória de Deus e você come para a glória de Deus.
Ora, se você jejua para a glória de Deus e come
para a glória de Deus, qual a diferença entre je-
juar e comer? Ele responde: ‘quando você come,
você se alimenta do pão da Terra. O pão da Ter-
ra é o símbolo do Pão do Céu, mas, quando você
jejua, você não se alimenta do símbolo, você se
alimenta do próprio Pão do Céu, da própria es-
sência. É por isso que jejum é fome de Deus.’
Qual foi a última experiência que você teve com
o jejum?
Que valor tem o jejum em sua vida pastoral?
Qual foi a última vez que você jejuou para Deus
quebrantar o seu coração e te revestir com po-
der?
Qual foi a última uma vez que você jejuou para
desatar alguns nós da sua vida e do seu minis-
tério?
John Pipper também escreveu assim: ‘o maior ini-
migo da fome de Deus não é o veneno, mas uma
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torta de maçã; as coisas boas podem se tornar
mortíferas, se elas tiram nosso apetite de Deus’.
Talvez você esteja tão encantado com as bên-
çãos de Deus que você substituiu o Deus das
bênçãos pelas bênçãos de Deus. Não há nada de
errado em desejar e usufruir as bênçãos de Deus,
mas se elas são um substituto ao Deus das bên-
çãos, estamos em sério perigo, em grande risco.
Voltando a citar Pipper, relembro o que ele disse:
‘quando comemos, nos alimentamos do símbolo,
quando jejuamos nos alimentamos da essência’,
é importante dizer que o jejum não é meritório. O
jejum não é para você fazer propaganda da sua
espiritualidade. Jejum é fome de Deus e não de
aplausos humanos.
O jejum é para nos humilharmos diante de Deus,
porque Deus usa vasos frágeis e quebrantados.
Enquanto houver qualquer ponta de soberba,
vaidade, jactância em seu coração; enquanto
você achar que é o tal, que conhece muito, que
sabe as línguas originais, que conhece a homi-
lética e a exegese, que sabe examinar um texto
e fazer uma boa divisão homilética do texto; en-
quanto você contar com sua eloquência e habi-
lidades técnicas de comunicação, e pensar que
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será bem sucedido do púlpito; enquanto você
estiver se estribado no seu próprio entendimen-
to, tudo estará errado! Tudo errado!
O jejum é para humilhar, é para nos fazer reco-
nhecer que nada somos. Como dizia Abraão: ‘eu
sou pó e cinza, mas tenho a ousadia de chegar na
presença de Deus’.
O jejum é para suplicarmos a sua ajuda, é para
voltarmos para Deus com intensidade, é para
buscarmos o poder do alto; ‘porque algumas
castas de demônios que nos resistem, só serão
lançadas fora com oração e com jejum’!
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AULA 4
O quinto assunto que vamos abordar nesse
módulo é ‘fome da Palavra Deus’.
Sobre este assunto, Jerry Wainess disse o seguinte:
‘É impossível ser um pregador bíblico eficaz, sem
uma profunda dedicação aos estudos.’
Preciso te dizer algo: se você não gosta de estudar,
talvez você tenha errado na vocação. Não é
possível ser um pastor e pregador sem gostar de
estudar. Sabe por quê? Se cessamos de aprender,
cessamos de ensinar. Só podemos dar aquilo que
recebemos.
Estudo é trabalho!
É por isso que Paulo, escrevendo a Timóteo, disse
que ‘digno de redobrados honorários são aqueles
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que se afadigam na Palavra’. Afadigar é trabalhar,
é empenhar-se, é esforçar-se, é passar noites,
madrugadas, dias, horas, dezenas de horas
estudando, sempre que necessário.
Sobre isso, quero contar um testemunho: nesse
período de isolamento social e de quarentena,
fiquei 100 dias sem poder viajar, minhas viagens
foram canceladas, as conferências canceladas
ou adiadas. Então, eu dediquei em torno de 8 horas
por dia, durante 100 dias, para estudar o livro de
Gênesis e escrever o ‘Comentário Expositivo de
Gênesis’, um livro com 800 páginas.
Se você me perguntar se todas essas horas foram
de deleite, eu teria de responder um sonoro ‘não’!
Houve horas que exigiram de mim esforço, suor e
muito empenho. Houve horas em que me sentia
como que em uma mina de ouro e as pepitas
estavam flutuando. Mas teve muitas horas que foi
necessário cavar, cavar e cavar para encontrar a
riqueza que estava lá embaixo.
Nós precisamos pregar sobre o conceito de Deus,
para isso, é preciso estudar muito. Precisamos
ter uma boa biblioteca. É necessário investir em
livros, em bons livros.
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Como dizia João Calvino, o pastor precisa ser um
erudito! Muitas vezes, as cortes envergonham os
púlpitos, porque os advogados, os promotores, os
juízes que estão nas cortes defendendo causas
humanas, terrenas e temporais, se preparam
com muito mais empenho e esforço do que os
pregadores que pregam a mensagem de vida
ou morte, de consequências eternas. Desejo que
você seja um estudioso das Escrituras.
Charles Haddon Spurgeon dizia o seguinte:
‘Aquele que cessa de aprender, tem cessado de
ensinar; aquele que não semeia nos seus estudos,
não irá colher no púlpito’.
Não podemos oferecer sopa rala para o povo. Não
adianta usarmos frases de efeito, dar uns gritos,
ficar emotivo ou contar histórias e mais histórias.
O povo quer pão e não palha, trigo e não joio. É
necessário estudar.
Há pessoas que acreditam que se estudarem não
deixarão espaço para o Espírito Santo agir. Isso
é um equívoco, pois o Espírito Santo não premia
a preguiça, o Espírito Santo honra o esforço e o
trabalho.
Charles Cooley disse: ‘Um pregador jamais man-
- 30 -
terá o interesse do seu povo se ele pregar somen-
te a plenitude do seu coração e do vazio da sua
cabeça’.
Púlpito não é o lugar para expressar as emoções.
Até podemos expressar, mas a emoção que emana
da inteligência e da razão. O emocionalismo
pelo emocionalismo, não produz nada, é vazio, é
inócuo e infrutífero!
É preciso estudar para saber argumentar e
dissertar, para dar ao povo a compreensão do
que a palavra de Deus diz. Quando o povo de Deus
entende que a razão está iluminada, o coração
aquece, e quando o coração aquece, a pessoa é
movida a fazer a vontade de Deus.
John Stott citou João Calvino quando este disse
que o pregador tem que ser um homem erudito.
Stott acrescenta que o pregador precisa ler a
Bíblia e ler o mundo ao seu redor.
Quando lemos as cartas do Apocalipse, as sete
cartas, vemos como Jesus endereça aquelas
mensagens às sete igrejas, sempre levando
em consideração o contexto da cidade, sua
economia, política, comércio e o pano de fundo
cultural da cidade.
- 31 -
Como pregadores, precisamos conhecer a cidade
em que estamos, saber de seu contexto cultural,
intelectual, financeiro, econômico, o comércio, a
indústria, a cultura, todo o pano de fundo. É ne-
cessário inserir-se nisso para podermos pregar
uma mensagem bíblica íntegra, fiel e, ao mesmo
tempo, relevante, que faça eco no contexto onde
estamos inseridos. Foi assim que fez Jesus.
Mark Lloyd Jones diz o seguinte: ‘leia a Bíblia não
apenas para encontrar sermões, mas leia-a para
alimentar a sua própria alma’. Cuidado para não
se familiarizar com o Sagrado a tal ponto de
perder a noção do sublime e do sagrado!
Um dos maiores pregadores do século 20 – A.W.
Criswell - foi pastor da Igreja Batista de Dallas
por 40 anos e expôs toda a Bíblia - de Gênesis a
Apocalipse - em seu púlpito. Ele disse o seguinte:
‘nenhum homem pode atender as demandas
de um púlpito se ele não estuda constante e
seriamente’.
Constante e seriamente. Eu conheço pregadores
que são bons oradores, mas são preguiçosos. Não
gostam de estudar, vão pra internet e copiam um
sermão aqui, copiam outro lá e enchem uma pasta
com sermões de terceiros. Ele começa a trabalhar
- 32 -
em determinada igreja e prega o primeiro sermão.
Depois de poucos anos, o último sermão da pasta
foi pregado, então ele muda para outra igreja para
poder começar a pregar tudo de novo.
Quem quer ter um ministério consistente, longo e
frutífero precisa estudar. O povo sabe quando seu
pastor não estudou, até as crianças vão saber!
Os ouvintes podem até ser analfabetos, mas eles
sabem quando o pregador se preparou ou não
para pegar.
Não tente enganar o povo! Não dê espaço à
preguiça! Estude! Estude ao ponto da exaustão.
Banhe seu estudo com o óleo da oração, da
devoção, peça a Deus para iluminar sua mente,
para aquecer o seu coração. Traga pão fresco da
padaria celestial para o seu povo.
Jay Adams, que é mais conhecido no Brasil por suas
obras na área de aconselhamento, nos Estados
Unidos, de onde ele é, tem mais livros publicados
sobre homilética do que sobre aconselhamento.
Ele diz que, no mundo inteiro, o que se escuta são
reclamações de que os pastores são fracos de
púlpito, fracos na pregação.
Parece-nos que nos últimos tempos as fornadas
- 33 -
que tem saído dos seminários são de pregadores
fracos, não só pelo aspecto do cabedal intelectual,
mas, talvez, muito mais pela falta de profunda
devoção, de cuidar da cultura do coração, essas
duas coisas caminham juntas. Oração intensa e
fervorosa, estudo profundo, exaustivo, analítico,
constante e sério, como diz A.W. Criswell.
Os tribunais, como eu disse agora a pouco, re-
provam a fraqueza dos nossos púlpitos.
Pense nisso: pregadores preguiçosos, pregadores
frios, pregadores místicos, pregadores liberais,
pregadores gananciosos tem ocupado muitos
púlpitos em nossos dias.
Que tristeza, que angústia, que dor!
Nós precisamos de reavivamento em nossos púl-
pitos!
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AULA 5
O assunto desta aula é a unção do Espírito Santo.
Um assunto tão importante, aliás vital!
Azúrdia escreveu assim: ‘Sem a presença, a obra,
o poder e a unção do Espírito Santo, a igreja será
como um vale de ossos secos. Sem a obra do
Espírito Santo, não haverá conversões, nenhuma
eloquência humana poderia convencer homens
mortos acerca da verdade de Deus.’
Vamos pensar sobre o poder.
Poder para pegar, poder para testemunhar,
poder para sair da especulação teológica para o
campo da ação.
Os púlpitos precisam de um batismo de poder.
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Os pregadores precisam de revestimento de
poder.
Nós não estamos vendendo banana no mercado,
nem algum outro produto. Nós estamos lidando
com a maior e mais urgente mensagem do
mundo e que tem consequências eternas.
Precisamos de poder!
Gosto da fala de Charles Haddon Spurgeon,
quando ele diz o seguinte: ‘Seria mais fácil
convencer um leão a ser vegetariano do que
convencer um homem não regenerado a buscar
as coisas de Deus pela força do argumento
humano’.
Podemos usar a lógica, a razão ou os argumentos
mais sublimes da oratória, podemos usar todos
os métodos dos mais sofisticados.
Um morto não vai ouvir.
O homem natural não vai ser tocado a não ser
que o Espírito Santo de Deus toque nele e dê vida
à sua morte. Caso contrário, ele não vai ouvir.
Precisamos desse poder.
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A eloquência pode ser aprendida, mas a unção
precisa ser recebida do alto e ela é recebida
através da oração e do jejum.
Spurgeon foi um dos mais importante pregadores
do século 19. Aquele pregador batista, chamado
de príncipe dos pregadores, disse: ‘Precisamos
depender do Espírito Santo em nossa pregação’.
Ele subia as escadas do seu púlpito - porque os
púlpitos ficavam lá no alto porque não havia
toda a aparelhagem de som que nós temos hoje
em nossos templos - e na medida em que ele ia
subindo os degraus, ele ia dizendo: ‘eu creio no
Espírito Santo! Eu creio no Espírito Santo! Eu creio
no Espírito Santo’. Ele reconhecia que tinha uma
dependência do Espírito Santo!
Uma coisa é ter o Espírito, outra coisa é ser cheio
do Espírito.
Uma coisa é ter o Espírito presente, outra é ter o
Espírito presidente.
Uma coisa é possuir o Espírito, outra coisa é ser
possuído pelo Espírito.
Você e eu precisamos do poder do Espírito Santo
- 37 -
para pregar.
O Senhor Jesus Cristo disse aos seus discípulos:
‘Permanecei na cidade até que do alto sejais
revestidos de poder.’ (Lucas 24.49)
Essa ordem, disse John Stott, não pode ser
alterada. Primeiro, a igreja é revestida de poder,
depois a igreja prega.
Pregar sem o poder do Espírito é querer cortar
uma árvore com o cabo de machado.
Nós precisamos desse poder! Aquele poder que
Jesus experimentou e pregou aos ouvidos e aos
olhos.
Vamos pensar um pouco no que fez Felipe em
Samaria quando estava pregando aos ouvidos e
aos olhos; ele fazia e falava.
Pense comigo na pregação de Pedro, ele fazia e
falava, ele pregava aos ouvidos e pregava para
os olhos.
Pensa comigo na pregação de Paulo, ele fazia e
falava.
Vamos ler dois textos da pregação de Paulo.
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1 Coríntios 2.4, quando Paulo menciona como
era sua pregação:
“A minha palavra e a minha pregação não
consistiram em linguagem persuasiva de
sabedoria, mas em demonstração do Espírito
de poder.”
Paulo era um homem culto, tinha uma cultura
enciclopédica, mas ele não fundamentou a sua
pregação estribado nessa sabedoria, mas em
demonstração do Espírito e de poder!
Vejamos também 1 Tessalonicenses 1:5:
“Porque o nosso Evangelho não chegou até
vós tão somente em palavras, mas, sobre-
tudo, em poder do Espírito Santo e em plena
convicção, assim como sabeis ter sido o nos-
so procedimento entre vós, por amor de vós.”
Nós precisamos desse poder se nós quisermos
um reavivamento em nossa vida, em nossos
púlpitos, em nossas igrejas.
Os avivamentos espirituais e a unção do Espírito
vêm em decorrência disso. Como a promessa de
Isaías 44.3-5:
- 39 -
“Porque derramarei água sobre o sedento
e torrentes sobre a terra seca; derramarei
o meu Espírito sobre a tua posteridade e a
minha bênção, sobre os teus descendentes;
e brotarão como a erva, como salgueiros
junto às correntes das águas. Um dirá: Eu sou
do SENHOR; outro se chamará do nome de
Jacó; o outro ainda escreverá na própria mão:
Eu sou do SENHOR, e por sobrenome tomará
o nome de Israel.”
Nós precisamos deste revestimento de poder.
Aquele revestimento de poder que John Kindle
Mood experimentou naquele dia em que cami-
nhava pelas ruas de Nova York e o Espirito Santo
veio com grande graça e poder sobre ele. Ele saiu
correndo e entrou na casa de um amigo, fechou
a porta e ajoelhou-se.
Ele disse que parecia que ondas elétricas pene-
travam pelo seu corpo, ele disse que um gozo
inefável e indizível tomou conta da sua vida.
Ainda que lhe dessem todo o ouro da Europa em
troca daquela experiência, ele jamais aceitaria.
Quando ele se levantou, nunca mais foi o mesmo
homem, nunca mais a história da América foi a
mesma. A partir dali aquele homem levou mais
de 500 mil pessoas para Cristo. A partir daquele
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dia, aquele homem era um vaso cheio do Espíri-
to Santo e levou a palavra de Deus com grande
graça e poder para toda sua nação.
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AULA 6
Nossa última aula desse módulo é sobre paixão!
E eu quero lembrar do que disse Dr. Martyn Lloyd
Jones, talvez o pastor mais influente do século
20, que pregou durante muitos anos. Ele era
um médico da família Real britânica e deixou
a medicina para exercer o pastorado. Ele foi o
pastor Abadia de Westminster, e do seu púlpito
ele influenciou o mundo.
Ele disse que pregação é lógica em fogo, pregação
é razão eloquente, pregação é teologia em fogo,
é teologia vindo através de um homem que está
em fogo.
Nós precisamos arder, arder para Deus!
Quero repetir a fala de João Wesley. Ele dizia
- 42 -
para seus alunos: ‘ponha fogo em seu sermão ou
ponha o seu sermão no fogo’.
Os nossos sermões jamais pegarão fogo, a menos
que o fogo do Espírito queime em nosso próprio
coração, dizia John Stott.
Não é o sermão que pega fogo, é o pregador que
pega fogo.
É como dizia Jonathan Edwards: ‘Não existe
pregação poderosa, existem homens cheios
de poder e homens cheios de poder pregam
mensagens poderosas.’
Se eu pregar o sermão “Pecadores nas mãos
de um Deus irado” e outra pessoa pregar “Um
homem que pregou cheio do Espírito Santo”, que
tiveram mais de 500 conversões quando foram
pregadas pela primeira vez, o efeito vai ser outro.
Por quê?
Porque Deus não unge métodos, Deus unge
homens, como dizia E.M. Bounds.
É preciso que a palavra de Deus seja a verdade
em nossa boca.
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Alex Montoya disse o seguinte: ‘quando estivermos
apaixonados por Deus, nossa pregação será cheia
de paixão.’
Primeiro a paixão explode em seu coração e
depois a pregação se torna uma pregação
apaixonada.
Os biógrafos de George Whitefield diziam
que dificilmente ele pregava um sermão sem
lágrimas nos olhos. Ele foi o maior pregador
de praça pública da história. George começou
a pregar com 20 anos e pregou até aos 55
anos. Ele pregava mais de uma vez por dia
para um auditório de 2000 a 80 mil pessoas
em praça pública, sem microfone. Um milagre
extraordinário! A sua voz era um verdadeiro
trombone! Mas o homem pregava com lágrimas
nos olhos e havia abundantes conversões.
Eu gosto muito do que falou Richard Baxter: ‘eu
prego como se jamais fosse pregar novamente;
eu prego como se estivesse morrendo para
homens que estão morrendo, com esse senso
de urgência, com essa paixão veemente, com
essa expectativa de ver a glória de Deus se
manifestando através da salvação dos perdidos e
da edificação e reavivamento dos salvos’.
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Dr. John Murray chegou a dizer que pregação sem
paixão, não é pregação. O pregador não pode ser
uma barra de gelo, tem que ser uma fornalha
acesa, queimando por Deus, pregando uma
mensagem que é lógica em fogo.
Para encerrar, quero contar dois fatos.
Certa feita, um pregador, muito frustrado,
procurou para abrir o coração um palhaço
muito famoso da Inglaterra, chamado Maguire
Guericke. Ele disse ao palhaço: ‘Maguire, eu
prego a verdade e as pessoas não se emocionam,
não se quebrantam; você prega uma fantasia e as
pessoas aplaudem e se entusiasmam. Eu estou
em crise!’
E Maguire respondeu ao pregador: ‘O problema,
pregador, é que você prega a sua verdade como
se fosse fantasia, e eu prego a minha fantasia
como se fosse verdade’.
Será que as pessoas acreditam que nós
acreditamos no que pregamos?
David Hume, o patrono dos agnósticos da
Inglaterra, foi visto, certa vez, correndo pelas ruas
de Londres. Alguém lhe perguntou: ‘David Hume,
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aonde você vai correndo assim?’ E ele respondeu:
‘vou ouvir George Whitefield!’ A pessoa ficou cética
e perguntou: ‘como assim? Você não acredita no
que ele prega, acredita?’ E ele respondeu: ‘Não! Eu
não acredito no que ele prega! Mas ele acredita no
que prega!’
Como é que você e eu podemos restaurar o fervor
de nosso ministério?
Como é que você e eu podemos reavivar o nosso
coração experimentando um avivamento em
nossos púlpitos?
Perguntaram para Moody: ‘como se começa
um avivamento na igreja?’ E ele respondeu:
‘ascenda uma fogueira no púlpito. Se o pregador
for um graveto seco, vai pegar fogo até em lenha
verde, vai começar a arder’.
Eu espero que essa palavra tenha abençoado
o seu coração e tenha te motivado a buscar
uma vida de comunhão e intimidade com Deus,
uma vida piedosa de oração, jejum, estudo da
palavra, busca da plenitude do Espírito e de
paixão espiritual!
Eu espero que você experimente um grande
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reavivamento em sua vida, em seu coração e
ministério!
Eu espero que este módulo não seja um mero
módulo de mais conhecimento, mas que, ao
adquirir esse conhecimento, ele seja como
madeira seca, graveto seco a pegar fogo para
inflamar sua alma, para aquecer o seu coração,
para você experimentar um tempo novo de
refrigério da parte do Senhor, de uma pregação
viva, transformadora, no poder do Espírito Santo.
Que Deus lhe dê a benção de ver os frutos do seu
ministério.
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Este eBook é parte integrante
do curso Pregação Transformadora
do Ministério Luz Para o Caminho.
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