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Pregação Expositiva para Crescimento Igreja

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HERNANDES DIAS LOPES

Parte 1

PREGAÇÃO
EXPOSITIVA
PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA

MÓDULO 9
Parte 1

PREGAÇÃO
EXPOSITIVA
PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA

HERNANDES DIAS LOPES


Palavra do Preletor
Rev. Hernandes Dias Lopes

Neste módulo vamos abordar um assunto da


mais alta importância: a pregação expositiva, um
modelo para o crescimento saudável da igreja.

Esse assunto é, de certa forma, a essência, o


núcleo deste curso “Pregação Transformadora.”
AULA 1

O texto de 2 Timóteo 4:2 tem uma ordem do


apóstolo Paulo: Prega a Palavra! Prega a Palavra!
Não é pregar sobre a Palavra, é pregar a Palavra.

A Palavra é o conteúdo da pregação e a autori-


dade do pregador.

O pregador prepara o sermão, mas não a men-


sagem.

A mensagem vem de Deus.

A mensagem emana das Escrituras.

A mensagem é o conteúdo que está na Bíblia - o


texto inspirado.

A Palavra é inerrante, infalível, suficiente, bem-


-3-
vinda em si mesma.

O papel do pregador não é preparar uma


mensagem. Ele prepara o sermão e a mensagem
emana de Deus.

A essência do que quero comunicar ao longo


deste curso é esta: Prega a Palavra, não sobre a
Palavra, mas a própria Palavra.

É por isso que nós entendemos que a pregação


expositiva é tão relevante. Mais do que isso, a
pregação é a base, o alicerce fundamental para
o crescimento saudável da igreja. Até porque, a
fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus.

Aquele que anda procurando por milagres,


achando que se conseguir contemplar mais mi-
lagres, vai ser capaz de crer mais, equivoca-se.
Porque a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de
Deus. É pela pregação da Palavra que Deus cha-
ma as pessoas à conversão e ao arrependimento.

É pela divina semente que as pessoas nascem de


novo, pelo agir do Espírito Santo. É pela Palavra
que nós somos fortalecidos, é pela Palavra que
somos consolados, edificados e alimentados.

-4-
A Palavra é leite para as crianças; é carne para
os adultos.

Essa Palavra é tão preciosa que é melhor do


que dinheiro, do que muito ouro depurado. Ela
é mais gostosa ao paladar do que o melhor dos
alimentos, o mel e o destilar dos favos.

Quando pregamos a Palavra, levamos a igreja


ao crescimento saudável. A igreja funciona sem
templo, mas não funciona sem pregação.

A pregação é vital. O tempo mais áureo da igreja


foi quando a pregação estava em alta. O tempo
mais crítico é aquele em que a igreja perde o
fervor e a fidelidade na pregação.

Vamos pensar aqui em outro aspecto. O pregador


é um despenseiro, é um mordomo. O papel
dele, como já afirmamos neste curso, é ir para
despensa, pegar a comida que está na despensa
e prepará-la para apresentar à família.

Não é papel dele prover o alimento para a


despensa, mas oferecer à família uma dieta
balanceada com alimento disponível.

Portanto, nosso papel é ir para a Escritura e pre-

-5-
gar todo o conselho de Deus, expor o que está na
Escritura e dessa maneira alimentar o povo.

Quando buscamos o crescimento saudável da


igreja, nós evitamos dois perigos.

Quais são os dois perigos que nós evitamos


quando damos ao povo a dieta balanceada das
Escrituras?

1º) A “numerolatria”

O primeiro perigo é aquilo que nós chamamos de


“numerolatria”.

Há muitos pastores e obreiros hoje que estão


em uma corrida, uma disputa de prestígio. Eles
medem o sucesso pastoral pela quantidade
de pessoas que chegam à igreja, não importa
como chegam, não importa o que recebem ou
o que ouvem. O que é ministrado não importa,
desde que o número de membros da igreja esteja
crescendo.

Nós não podemos medir o sucesso do ministério


pela “numerolatria”, ou seja, a idolatria dos
números.

-6-
Nem tudo que cresce é de Deus. O próprio câncer
é um crescimento desordenado das células. As
seitas crescem no mundo inteiro; as seitas mais
perigosas que negam a essência do Cristianismo,
crescem também.

Se o crescimento não é saudável, este não é o


crescimento que Deus quer.

Em João 6, quando Jesus começa a pregar, o


calo da multidão vai apertando, vai apertando
e as pessoas foram se dispersando. Então, Jesus
se dirige aos discípulos e pergunta: “Quereis vós
também retirar-vos?” E os discípulos responde-
ram: “Senhor, para onde iremos nós, se só Tu tens
a Palavra de vida eterna?”

Eu não estou dizendo que devemos perder mem-


bros, que a igreja deve ser pequena, que a igre-
ja deve ser minguada ou desidratada. Não estou
falando disso! O que estou falando é que nós não
podemos querer o crescimento da igreja a qual-
quer preço ou a qualquer custo, isto é, levar uma
mensagem mais palatável ou mais ao gosto da
freguesia a fim de atender o mercado da fé. Isso
gera o efeito “bloco”, quando o indivíduo decide
o que vai ouvir e o que não vai aceitar. Não é esse
o crescimento que propomos com esse curso.

-7-
2º) A “numerofobia”

O segundo perigo é a “numerofobia.”

Se a “numerolatria” é um problema grave, o


outro extremo é a “numerofobia”, ou seja, medo
dos números. É quando a liderança da igreja
tenta tapar o sol com a peneira, tenta justificar
o fracasso proveniente de sua preguiça e/ou de
sua falta de estratégia e de trabalho.

Há pastores que se conformam e dizem: “Não


vai crescer mesmo, pois aqui não tem eleito. Aqui
a coisa é difícil mesmo e a igreja não vai crescer
nunca.” Eles se conformam com uma igreja
pequena e nem esperam que ela cresça, não
trabalham para isso, não oram pelo crescimento,
não preparam a vida para o crescimento, não
fazem planos, não tecem estratégias, não
possuem métodos, não têm visão. São pastores
mantenedores daquilo que já existe e muitos
acabam por sepultar a igreja.

A igreja é um organismo vivo e seu processo


natural precisa ser o crescimento.

Rick Warren, em seu livro “Uma Igreja com


Propósito”, disse o seguinte:

-8-
Pergunta errada: “O que eu devo fazer para a
igreja crescer?”

Pergunta certa: “O que está impedindo a igreja


de crescer?”

“Se a igreja é um organismo vivo - e ela é,


mas não está crescendo, isso retrata que há
uma doença que precisa ser diagnosticada e
tratada para que a igreja possa fluir e crescer
naturalmente.”

O instrumento que Deus usa para levar a igreja


ao crescimento é a pregação fiel da Sua Palavra.

-9-
AULA 2

Todos já ouvimos falar sobre o movimento de


crescimento da igreja. Isso começa em um ce-
nário estratégico e influente do século XX com
Donald McGavran (1930) .

Ele era um americano que trabalhava na Índia


numa área mais administrativa da missão. Certo
dia, uma pergunta estalou em sua mente e mu-
dou o rumo do seu ministério:

“Por que algumas igrejas crescem e outras não?”

Para responder a essa pergunta, ele saiu da mis-


são - em 1930 - e percorreu o mundo, todos os
continentes e todas as nações fazendo essa per-
gunta: “Por que algumas igrejas crescem e ou-
tras não?”

- 10 -
Sua paixão pelo assunto “crescimento da igreja”
levou-o a criar um Instituto do crescimento da
igreja, em Oregon, nos EUA. Ele tinha dois alunos,
um deles era boliviano.

Mais tarde, o seminário Cooller, na Califórnia,


convidou-o para mudar-se para a Califórnia. Foi
a partir de então que, de fato, começou o Movi-
mento de Crescimento de Igrejas.

Ele enfrentou com muita galhardia, o liberalismo


teológico da primeira metade do século XX.

Ele teve uma influência fundamental no cres-


cimento saudável da igreja. Entretanto, tempos
depois, o Movimento Crescimento de Igrejas foi
se desviando da rota e entrando por caminhos
mais pragmáticos. Os métodos foram se tornan-
do cada vez mais pragmáticos e a essência do
crescimento da igreja foi sendo perdida.

David Eby, um pastor presbiteriano, escreveu


um livro intitulado: “A Pregação Poderosa para
o Crescimento da Igreja”. Quando eu fui aos EUA
para fazer meu doutorado, escrevi uma tese so-
bre: “Pregação Expositiva”. Ao retornar ao Brasil,
solicitei a uma Editora para que traduzisse e pu-
blicasse este livro. Graças a Deus, o livro foi tra-

- 11 -
duzido para o português e publicado. David Eby
fez uma análise das teses, dissertações e mono-
grafias dos estudantes que passaram pelo mo-
vimento de crescimento no Cooler. Ele disse ter
ficado muito surpreso porque havia uma quanti-
dade ínfima de teses que enfatizavam a oração e
a pregação como elementos fundamentais para
o crescimento de igrejas. A maioria dos textos
mostrava que os autores foram buscar técnicas
pragmáticas e métodos humanos para alcançar
o crescimento das igrejas e esqueceram-se da-
quilo que é vital.

O livro de Atos nos ensina que se queremos pen-


sar no crescimento da igreja, não são as técnicas
contemporâneas que precisamos buscar. Em
Atos nós aprendemos que a igreja cresceu com
oração e pregação, oração e pregação, oração e
pregação.

A igreja que está cheia do Espírito Santo, ora.

A igreja que está cheia do Espírito Santo, prega.

A igreja que está cheia do Espírito Santo, expe-


rimenta um crescimento exponencial, tanto nu-
mérico quanto espiritual.

- 12 -
Doutor Tom Rayner fez uma das mais impor-
tantes pesquisas já realizadas nos EUA com 576
Igrejas Batistas da Convenção do Sul dos EUA
para levantar o crescimento da igreja no país.

A conclusão que ele chegou foi a seguinte:

Dentre as igrejas com 10 mil e 100 mil membros,


mais de 90% tiveram um crescimento saudável.
Foi identificado que as principais causas do cres-
cimento saudável das igrejas foram: pregação e
oração, especialmente a pregação expositiva.

E esse é o ponto no qual eu quero focar: quando


a igreja é ensinada a receber a pregação expo-
sitiva, ela não quer mais outro tipo de pregação.

Quando a igreja é ensinada a ouvir a exposição


da Bíblia, ela não quer mais “palha”...

Ela passa a querer trigo e pão. Ela não está inte-


ressada no que os homens pensam ou em suas
grandes ideias, suas filosofias, suas divagações
teológicas. Elas querem a exposição das Escri-
turas: “Assim diz o Senhor” – é isso que interessa.

É isso que alimenta.

- 13 -
É isso que traz força e alento para a igreja.

É isso que produz o crescimento saudável da


igreja.

Quando a igreja está crescendo numérica, espi-


ritualmente ou ambas ao mesmo tempo – que
seria o ideal - certamente isso provoca uma re-
ação no mundo espiritual, um ataque. Não há
crescimento sem luta.

Em Atos também lemos sobre as três estratégias


do diabo e dos seus agentes para tentar barrar o
ímpeto evangelístico da igreja.

1ª estratégia
PERSEGUIÇÃO (cap. 4)

É o ataque de fora para dentro. Os apóstolos são


presos e ameaçados, a igreja é intimidada e em-
paredada. No entanto, quanto mais a igreja era
atacada e seus líderes perseguidos, mais a igreja
crescia.

Por milagre de Deus, os apóstolos saíram da


prisão e retornaram para a igreja, e ela estava
orando. Eles oraram e não se acovardaram, não
ficaram intimidados com armas, não enrolaram

- 14 -
seus estandartes, mas oraram para Deus lhes
dar intrepidez.

Ao orarem, o Espírito Santo desceu sobre eles, a


casa tremeu e eles foram cheios do Espírito San-
to e pregaram com mais ousadia, o que resultou
em um crescimento bastante expressivo.

2ª estratégia
INFILTRAÇÃO(cap. 5)

Como o ataque de fora para dentro não funcio-


nou, o inimigo tentou um ataque de dentro para
fora, colocando um casal hipócrita dentro da
igreja: Ananias e Safira.

A destruição da igreja é a partir do seu núcleo,


pois ela perde a credibilidade e a autoridade,
perde o testemunho e o poder.

Não há nada mais perigoso para uma igreja do


que um crente hipócrita - aquele que tem a apa-
rência de crente, que tem linguagem de crente,
que parece ser generoso como crente, mas o
mundo dele gira em torno de si mesmo.

Ele quer projeção, reconhecimento, aplausos,


medalhas de honra ao mérito, ele está cons-

- 15 -
truindo um monumento para si mesmo.

Se o pecado oculto de Ananias e Safira não fosse


diagnosticado e tratado, a igreja poderia perder
sua autoridade e credibilidade, seu testemunho.

A infiltração do diabo tentando esse casal e le-


vando-o a mentir, levou também o juízo de Deus
sobre eles. Isso trouxe quebrantamento para a
igreja, temor para a sociedade e a igreja conti-
nuou crescendo e florescendo exponencialmen-
te.

3ª estratégia
DISTRAÇÃO (cap. 6)

Neste capítulo, a igreja está crescendo e se mul-


tiplicando, as pessoas estão indo para a igreja,
as pessoas estão sendo convertidas e agregadas
à família da fé.

Logo surge uma espécie de murmuração na igreja


porque a distribuição para as viúvas dos helenis-
tas não estava sendo feita como elas achavam
que deveria ser. Então, começou a murmuração
na igreja.

Os apóstolos tomaram a decisão histórica de

- 16 -
Atos 6.4: “Quanto a nós, nos consagraremos à
oração e ao ministério da Palavra e constituire-
mos homens dentre vós cheios do Espírito Santo,
cheios de fé, cheios de sabedoria para este mi-
nistério.”

Assim os apóstolos instituíram a diaconia das


mesas, que é distinta da diaconia da Palavra.

Os apóstolos poderiam ter tomado outra decisão.


Eles poderiam ter dito, por exemplo: “Nós esta-
mos trabalhando pouco, vamos trabalhar mais!
Estamos nos levantando às seis, então agora va-
mos nos levantar às quatro da manhã!”

Ou ainda, poderiam ter dito: “Crente murmura


mesmo, deixa para lá. Esquece! Vamos fazer a
nossa obra!”

Mas eles não pensaram assim. Eles começaram


a perceber que estavam deixando o ministério
da oração e da Palavra para se dedicar às me-
sas quando outras pessoas poderiam fazer esse
trabalho com excelência. Assim, eles voltariam
a fazer aquilo que Deus os havia chamado para
fazer, que era dedicar-se à oração e ao ministé-
rio da Palavra.

- 17 -
Cuidado, pastor, para você não ficar distraído
com coisas boas, mas não prioritárias.

Há comunidades em que, se é necessário com-


prar um saco de cimento, é o pastor quem vai
comprar; precisa trocar uma cadeira na igreja, é
o pastor quem tem de trocar; precisa abrir a por-
ta do templo, é o pastor que tem de ir mais cedo.

Eu não estou dizendo que esse trabalho não é


digno, que não é um trabalho honroso, estou di-
zendo que é preciso dividir as tarefas, é preciso
descentralizar o trabalho. É preciso que outras
pessoas ocupem funções que o pastor não pre-
cisa ocupar para que ele possa dedicar-se ao
chamado de Deus para ele, que é dedicar-se à
oração e ao ministério da Palavra.

Se o pastor gasta seu tempo correndo de lá para


cá cuidando de outras coisas boas, mas não
prioritárias, vai faltar-lhe tempo para se prepa-
rar adequadamente para alimentar o povo com
a Palavra de Deus.

- 18 -
AULA 3

A pregação fiel das Escrituras, a pregação ex-


positiva, vai livrar a igreja de quatro problemas
gravíssimos que assolam o mundo eclesiástico
atualmente.

1º) O misticismo pragmático

A igreja evangélica brasileira, em grande parte, é


uma igreja extremamente contaminada, infec-
tada, fermentada pelo misticismo pragmático.

Nós temos assistido coisas horríveis na igreja


atual, como por exemplo, a ressurreição das in-
dulgências da Idade Média; a comercialização
da fé.

A igreja atual criou ícones místicos como rosa un-

- 19 -
gida, o azeite de Israel, a água do rio Jordão, a to-
alha suada e cada dia uma nova invenção chega
para ser vendida no mercado da fé, alimentando
as pessoas com sincretismo, com misticismo.

A pessoa sai da feitiçaria e entra em uma igreja


evangélica para tornar-se prisioneira de novo de
outra forma de misticismo.

Uma igreja acostumada com a pregação expo-


sitiva não aceita, não tolera essa prática místi-
ca, sincrética e semipagã. Ela não abre mão de
receber a Palavra de Deus. Ela quer a Palavra de
Deus.

Ela não aceita palha, não aceita doutrinas híbri-


das, misturadas. Ela quer o genuíno leite que nos
torna fortes; ela não aceita a morte na panela,
ela quer alimento saudável.

2º) O liberalismo teológico

Esse é outro perigo que tem atingido as igrejas


que deixam de pregar a Bíblia expositivamente.

O liberalismo teológico é fruto do iluminismo. Ele


quase devastou a igreja do século 19.

Seminários que eram verdadeiros centros de

- 20 -
treinamento para missionários, pastores e teólo-
gos que influenciaram o mundo com o Evange-
lho, foram tomados de assalto pelos professores
e catedráticos com essa cosmovisão-liberal que
se aproxima da Bíblia não pra uma leitura gra-
mático-histórica, mas crítico-liberal.

E eles foram olhando para a Bíblia como um li-


vro contraditório, cheio de defeitos, erros e mitos.
E então, eles entenderam que o papel do pregador
é demitologizar os milagres do Novo Testamento,
por exemplo, não aconteceram, mas foram cren-
dices que, supostamente, Jesus teria feito.

O liberalismo é mortal. Qualquer denominação


que se submeter ao liberalismo, estará assinan-
do seu atestado de óbito.

O que tem acontecido hoje é resultado do libe-


ralismo que entrou no fim do século 19, início do
século 20.

A Europa atual está sem as suas igrejas. Aquele


continente que foi para nós o berço do protes-
tantismo, hoje precisa ser evangelizado nova-
mente. A Europa é considerada um continente
pós-cristão.

- 21 -
Eu preciso ir à Europa quase que anualmente e é
triste de se ver. Recentemente estive na Escócia
e vi que no lugar de um dos templos mais bonitos
da capital da Escócia estava um bar. Onde antes
havia uma igreja, agora você entra para beber
num bar. Na Holanda, até 1960, as pessoas fre-
quentavam a igreja, mas hoje os templos estão
vazios.

A Inglaterra, território dos grandes avivamentos


espirituais com João Wesley, George Whitefield,
William Carey, William Wilberforce, Jhon Charles
Ryle, Charles Haddon Spurgeon, John Stott, tem
hoje menos de 4% da população frequentando
uma igreja evangélica. Os templos estão sendo
vendidos, transformados em museus, em mes-
quitas muçulmanas e até em bares. Por quê?

É porque muitos se curvaram a este veneno mor-


tífero do liberalismo. Na América do Norte - EUA
e Canadá - você vê os enormes templos vazios,
denominações históricas perdendo milhares de
membros todos os anos.

Já não se acredita mais na Bíblia, e se não é pos-


sível acreditar na inerrância e infalibilidade das
Escrituras, então não há onde basear a prega-
ção. Não há autoridade para pregar. Não há po-

- 22 -
der para pregar. As ovelhas estão dispersas. Os
lobos entram e destroem as ovelhas.

Esse problema chegou no Brasil. Nós temos de-


nominações aqui que já sucumbiram ao libera-
lismo. Nós temos seminários teológicos no Brasil
cujos professores não creem mais na inspiração
da Bíblia. Se essas denominações não se arre-
penderem, vão continuar se desidratando, per-
dendo membros, porque não há antídoto contra
o liberalismo.

Não há nada mais nocivo para uma igreja, para


uma denominação protestante, do que um pro-
fessor liberal no Seminário. Ele presta um grande
desserviço ao Reino de Deus, pois planta o ceti-
cismo e não a fé.

3º) Ortodoxia morta

Só a pregação fiel das Escrituras corrige esse


problema. Há muitas igrejas que, graças a Deus,
mantêm a sã doutrina, mas isso não é suficiente.
Têm muitas pessoas que são ortodoxas de cabe-
ça, mas hereges na conduta.

Elas estão secas como um deserto, estão mortas


como um poste. O eminente teólogo do século

- 23 -
20, falecido recentemente, John Stott, diz que:
“Não tem nada mais solene do que um defunto
dentro de um caixão com um terno azul-marinho
cercado de flores.”

É solene, mas está morto. Há muitas igrejas que,


embora professem a ortodoxia, estão minguan-
do, desidratando, diminuindo porque têm uma
ortodoxia ossificada. Não basta ter luz na men-
te, é preciso ter fogo no coração. Não basta co-
nhecer a verdade, precisa ser transformado por
ela, não basta conhecer a Deus, é preciso ter in-
timidade com Ele através de um relacionamen-
to pessoal por meio da oração e da Palavra.

4º) A superficialidade

É preciso dizer, mas não sem um certo constran-


gimento, que há muitos pregadores preguiçosos
que passam o dia na internet assistindo todas as
séries da Netflix, buscando em sites informações
dessa e daquela outra igreja.

Ele sabe de tudo o que acontece na igreja do ou-


tro, mas nada sabe sobre as próprias ovelhas. Ele
gasta seu tempo bebericando de tantas fontes,
mas não se dedica ao estudo meticuloso da Pa-
lavra de Deus. Não se prepara para pregar, não

- 24 -
se esmera e não se afadiga na Palavra, não se
empenha em dar o melhor ao seu rebanho.

Oferece uma sopa rala feita dos mesmos ossos


antigos, não alimenta adequadamente suas
ovelhas. É por isso que elas ficam inquietas, de-
sassossegadas e vão procurar alimento em ou-
tros lugares.

Muitas dessas ovelhas se perdem pelos desca-


minhos da vida e caem nas garras dos lobos e das
falsas doutrinas porque aquele obreiro, aquele
pastor, aquele pregador, aquele que deveria se
esmerar, que deveria encher o seu coração de
entusiasmo para o estudo da Bíblia, preparar uma
mensagem orando por ela, orando pelo povo,
acertando seu coração com Deus para pregar a
Palavra, está vivendo uma vida completamente
apática. Quando muito, ele se tornou um mante-
nedor de igreja.

Há pouco tempo, um pastor me ligou e disse:


“Pastor Hernandes, a minha igreja, aliás a minha
denominação, não batizou um crente sequer du-
rante um ano. Eu me tornei apenas um fabrican-
te de sermão e nada mais... Isso não mexe mais
comigo! Eu me tornei um profissional da religião;
isso não aquece mais o meu coração isso não traz

- 25 -
mais brilho aos meus olhos.”

Nós precisamos fugir desse mecanicismo de co-


locar o ministério no piloto automático, de viver
esse marasmo. Precisamos desesperadamente
de um reavivamento nos púlpitos!

- 26 -
AULA 4

Nesta aula vamos falar um pouco sobre os vários


tipos de sermão.

“A grosso modo”, podemos dizer que há três tipos


básicos de sermão. Vamos ver cada um deles:

1º) SERMÃO TÓPICO

O que é um sermão tópico? A palavra tópico já dá


uma ideia: tema.

É aquele sermão que aborda um tema, um assun-


to específico. Esse tema é ancorado em um texto
bíblico base e em outros textos das Escrituras que
apoiam seus argumentos.

Esse é o tipo de sermão mais fácil de se preparar,


mas é o menos indicado.
- 27 -
Ele também é conhecido como sermão “nariz de
cera”, porque você pode colocá-lo onde você
quiser. Se o pregador tem uma boa versatilidade
nas Escrituras, ele pode preparar um sermão des-
te no caminho para a igreja, ele só vai juntando os
versículos à sua ideia e pronto.

Isso levou o Doutor Haddon Robinson, que talvez


seja a maior autoridade de homilética da atuali-
dade, a dizer o seguinte: “Um pregador devia pre-
gar um sermão tópico a cada dez anos e depois de
terminar de pregar, pedir perdão a Deus!”

A pregação de um sermão tópico não nos dispen-


sa de expor as Escrituras. Deus não tem nenhum
compromisso com a palavra do pregador, Deus
tem compromisso com a Sua Palavra.

A Palavra que não volta vazia, não é a palavra do


pregador, é a Palavra de Deus.

Vou dar um exemplo do que seria um sermão tó-


pico. Vamos imaginar que você quer tratar da
pessoa de Jesus e, para isso, escolhe o texto de Fi-
lipenses 1.21: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer
é lucro.”

Quem é Jesus neste texto?

- 28 -
O primeiro argumento está no versículo 21: Jesus,
é a minha vida.

Seguindo para o segundo capítulo, lemos no ver-


sículo 5: “Tende em vós o mesmo sentimento que
houve também em Cristo Jesus.”

Quem é Jesus neste texto?

Jesus é o seu exemplo; seu modelo.

E então chegamos no capítulo 3:13 onde lemos:


“Esquecendo-se das coisas que para trás ficam,
sigo para o alvo, para o prêmio da soberana voca-
ção em Cristo Jesus.”

Quem é Jesus neste texto?

Jesus é o meu alvo.

Seguimos para o capítulo 4:13 e lemos: “Tudo


posso Naquele que me fortalece.”

Quem é Jesus neste texto?

Jesus é minha força.

Então, veja seu esboço:

- 29 -
• Jesus é a minha vida – 1:21

• Jesus é o meu exemplo – 2:5

• Jesus é meu alvo – 3:13

• Jesus é minha força – 4:13

Este é um exemplo de um sermão tópico.

Lê-se um versículo e busca-se base em outros


versículos para argumentar sob o mesmo tema.
Neste exemplo, ficamos apenas na carta aos Fi-
lipenses, mas poderíamos recorrer à toda Bíblia.
Também poderia haver mais do que quatro argu-
mentos, quantos você quisesse, pois você teria a
Bíblia toda para buscar a resposta para a pergun-
ta do tema: Quem é Jesus?

É assim que montamos um sermão tópico.

2º) SERMÃO TEXTUAL

O sermão textual, segundo o doutor Blackwood, é


aquele sermão que usamos, no máximo, três ver-
sículos.

Fazemos a leitura dos três versículos e os tiramos


do contexto para focar a atenção exclusiva e es-
- 30 -
pecífica naqueles três versículos.

Também pode ser um ou dois versículos, mas não


mais do que três. Selecionamos uma frase daque-
le versículo e dali extraímos todos os argumentos.

Esse é um sermão textual. Não há preocupação


em expor o capítulo todo ou a perícope toda, nem
mesmo o parágrafo todo. Focamos nossa atenção
naquele pequeno trecho e tiramos dele o tema e
os argumentos.

Vamos à ilustração do que seria um sermão tex-


tual.

Imagine que você precise dar uma palestra ou um


estudo para o departamento de música da sua
igreja e você quer falar sobre a música. Você es-
colhe o Salmo 40, mas não vai ler todo o Salmo,
você vai se deter apenas no verso 3, que diz: “Pôs
em meus lábios um novo cântico; um hino de lou-
vor ao nosso Deus. Muitos verão essas coisas, te-
merão e confiarão no Senhor.”

Apenas nesse versículo encontramos quatro ver-


dades sobre a música.

Você não leu o texto todo, não vai abordar o texto

- 31 -
todo, mas vai tirar esse versículo, como se fosse
examinar uma única pecinha em uma lâmina de-
baixo do microscópio de um laboratório. Aquele
único versículo será examinado detidamente.

Vamos ver quais são as 4 coisas que aprendemos


sobre a música neste trecho.

Qual é a origem da música?

“Pôs em meus lábios um novo cântico” - quem


pôs nos lábios? Deus. Então a música tem origem
divina, ela vem de Deus.

Qual a natureza da música?

“Um novo cântico” - isso significa a natureza da


música. A natureza da música é “um novo cân-
tico”, não é uma edição; também não importa
quão antiga e velha seja, sempre será nova quan-
do você cantar. Não é essa a nossa experiência?
Cantamos hinos que foram compostos a 500 anos
atrás, como “Castelo Forte é o nosso Deus”, mas
sempre que o cantamos, somos consolados como
se estivéssemos cantando pela primeira vez.

Qual o propósito da música?

- 32 -
“Um hino de louvor ao nosso Deus” - Isso trata do
propósito da música. Ela vem de Deus e ela volta
pra Deus. A sua inspiração vem do céu e seu en-
dereço de destino é o céu. Ou seja, você não canta
para entreter; você não canta para agradar; você
não canta para atender o gosto da freguesia...
Você canta para adorar a Deus.

Qual é o resultado da música?

“Muitos ouvirão estas coisas, temerão e confiarão


no Senhor.” Ou seja, a música que veio de Deus é
sempre nova, volta para Deus como resultado da
adoração que prestamos a Ele, mas ela também
impacta horizontalmente os corações, porque ela
é uma ferramenta evangelizadora e evangelísti-
ca. Ela é uma pista dupla que fala a Deus e fala
aos homens.

Percebeu como não saímos Salmo 40:3? Tiramos


dele o tema, a busca cristã e os argumentos.

Sua origem...
Sua natureza...
Seu propósito e...
Seus resultados.

- 33 -
3) SERMÃO EXPOSITIVO

Esse é o foco do nosso curso.

O que é um sermão expositivo?

Sermão expositivo é aquele que nos leva para


a Bíblia e nela nos detém em um parágrafo, em
uma perícope ou mesmo em um capítulo.

A leitura do texto é feita levando em conta seu


contexto gramático- histórico. A interpretação
desse texto será feita a partir dessa perspectiva.
É desse texto que extraímos o tema e os argu-
mentos.

Vou ilustrar isso lançando mão da sugestão de


Warren W. Wiersbe em Efésios 2.1-10. A aborda-
gem homilética dele foi muito oportuna. Ele ex-
põe o panorama da obra da salvação da nossa
vida e enxerga quatro coisas.

a) O pecado trabalha contra nós. (Versos 1 a 3)

“Estávamos mortos, éramos escravos, depra-


vados, estávamos condenados, escravos do
diabo, da carne e do mundo. O pecado traba-
lha contra nós.”

- 34 -
b) Deus trabalha por nós. (Versos 4 a 9)

“Mas Deus, sendo rico e misericordioso, por-


que Ele é o grande amor, aquele que nos
amou, pela graça sois salvos; Ele não só nos
ressuscitou, mas nos fez assentar nos lares
celestiais em Cristo para manifestar no tem-
po futuro a riqueza da sua graça ou a glória da
Sua graça. Pela graça sois salvos mediante a
fé; e isso não vem de vós, vem de Deus, não de
homens para que ninguém se glorie.”

c) Deus trabalha em nós. (Versículo 10a)

“Somos feitura dele, criados em Cristo Jesus...”

Se o pecado trabalha contra nós, Deus trabalha


por nós, mas Deus trabalha também em nós. Ele
nos fez de novo. Nós somos o poema Dele. A pala-
vra “feitura” aqui é poema. Deus está escrevendo
este lindo poema que é a sua vida.

d) Deus trabalha através de nós. (Versículo 10b)

“... para as boas obras, as quais Deus de ante-


mão preparou para que andássemos nelas.”
As boas obras não são a causa da salvação, as
boas obras são o resultado da salvação.
- 35 -
Essa é a gloriosa obra da redenção:

• O pecado trabalha contra nós,

• Deus trabalha por nós,

• Deus trabalha em nós,

• Deus trabalha através de nós.

Essa aula e esse módulo terminam aqui, mas esse


módulo terá uma segunda parte que é “Pregação
expositiva para crescimento da igreja II”, quando
eu vou trabalhar um pouco mais sobre a questão
da pregação expositiva.

Que Deus abençoe você, que Deus abençoe seu


coração e eu espero que esse curso não apenas
traga luz para sua mente, mas sobretudo, traga
fogo para o seu coração.

- 36 -
Este eBook é parte integrante
do curso Pregação Transformadora
do Ministério Luz Para o Caminho.

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