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História da Pregação Expositiva

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HERNANDES DIAS LOPES

A HISTÓRIA
DA PREGAÇÃO

MÓDULO 11
A HISTÓRIA
DA PREGAÇÃO

HERNANDES DIAS LOPES


Palavra do Preletor
Rev. Hernandes Dias Lopes

No décimo primeiro módulo do curso Pregação


Transformadora iremos abordar um dos aspectos
mais importantes deste curso: a história da
pregação, mormente da Pregação Expositiva.

Meu desejo é que, ao final deste módulo, você


esteja convencido e motivado a abraçar com
mais fervor e mais entusiasmo esse estilo de
pregação.
AULA 1

É necessário entender que a pregação expositi-


va não é uma inovação dos pregadores contem-
porâneos, mas uma volta à prática dos profetas,
passando pelo nosso Redentor, pelos apóstolos,
pelos Pais da Igreja, pelos reformadores, pelos
puritanos e pelos mais ilustres pregadores do
nosso tempo.

A primeira coisa muito importante a ser destacada,


é que existe um contraste entre a pregação
revelatória do Antigo Testamento e a pregação
expositiva do Novo Testamento.

Hoje, não temos mais a pregação revelatória, ou


seja, não há mais nenhum pregador que receba
novas mensagens de Deus ou alguma mensagem
que não esteja já revelada nas Escrituras.

-3-
Como disse o Dr. Billy Graham: a Bíblia tem
uma capa ulterior. E Paulo diz isso em sua carta
aos Gálatas: “Ainda que venha um anjo do céu
pregando um outro Evangelho que não aquele
que Ele pregou, que fosse anátema.”

Então, muito cuidado com aquele tipo de


pregador que traz novas revelações que não
estão nas Escrituras, pois, se estão nas Escrituras,
não são novas.

Se não estão nas Escrituras precisam ser


rejeitadas. O último profeta de Deus que disse
“assim diz o Senhor”, foi João Batista.

Portanto, a pregação atual não é mais revelatória,


ela é expositiva. É quando vamos para o texto
bíblico ler aquilo que já foi revelado. Toda a
revelação de Deus está nas Escrituras. É por isso
que a Bíblia é a única regra de fé e prática.

Então, o pregador expositivo faz seu sermão a


partir da Escritura; ele extrai a mensagem da
Escritura, ao invés de trazer coisas inéditas aos
seus ouvintes.

Também é importante lembrar que atualmente


não há mais profetas e apóstolos no sentido bíbli-

-4-
co. A revelação de Deus está completa, portanto,
não há mais necessidade de haver profetas hoje.
Nossa igreja não é a apostólica, não temos mais
apóstolos.

A Igreja Apostólica é aquela que segue a doutri-


na dos apóstolos. Na segunda carta de Paulo aos
Coríntios, vemos as características do apostola-
do. A principal característica para ser um após-
tolo é que o indivíduo precisava ter visto o Senhor
Jesus, ele precisava ter sido comissionado dire-
tamente pelo Senhor Jesus. Seu apostolado era
comprovado através de sinais e maravilhas. Por
isso, não há mais apóstolos hoje.

Nossa igreja segue a doutrina dos apóstolos,


por isso ela é apostólica, mas não no sentido de
que líderes possam se autodeclarar apóstolos,
e nem que possam ser ungidos ou ordenados ao
apostolado.

Essa credencial não foi dada à igreja. Essa cre-


dencial é exclusividade do Senhor Jesus e só ele
constituiu apóstolos.

Nós seguimos a doutrina apostólica e nos-


sos pregadores são despenseiros. O pregador é
aquele que vai para a Escritura e dela extrai o

-5-
que nela está contido. Ele interpreta a mensa-
gem e a entrega ao povo com fidelidade. Ele não
pode acrescentar nada, ele não tira nada.

Já conversamos em aulas passadas sobre a figura


do mordomo: ele tem a responsabilidade de trazer
para a mesa da família de seu senhor o alimento
que está na despensa. Não é responsabilidade do
mordomo abastecer a despensa com alimento,
sua responsabilidade é preparar a comida que o
senhor proveu na despensa e trazê-la à família.

Esse é o nosso papel: entregar a mensagem.


É por isso que a ordem é: Pregue a Palavra!

É nossa responsabilidade ir para a Palavra e dela


tirar o que nela está contido. Nós lemos a Palavra,
a interpretamos e a aplicamos às necessidades
do povo de Deus.

Vamos pensar um pouco sobre a história da pre-


gação enquanto lembramos de alguns exem-
plos.

Primeiramente vamos olhar para Moisés. O livro


de Deuteronômio, no Antigo Testamento, é um
livro de sermões. São os sermões de Moisés.
Moisés não foi apenas o libertador do povo de

-6-
Israel, não foi apenas o legislador de Israel,
sobretudo, Moisés foi um pregador para o povo
de Israel.

O livro de Deuteronômio traz vários discursos de


Moisés em que ele adota essa linha mestra da
pregação expositiva, a saber:

1) Ler o texto;

2) Explicar o texto, e...

3) Aplicar o texto.

Deuteronômio 4:1-2, diz o seguinte: “Agora,


pois, oh Israel! Ouve os estatutos e os juízos que
vos ensino para os cumprirdes, para que vivais,
entreis e possuais a terra que o Senhor, Deus
de vossos pais, vos dá. Nada acrescentareis à
Palavra que vos mando, nem diminuireis dela,
para que guardeis os mandamentos do Senhor
vosso Deus, que eu vos mando.”

Moisés está ensinando a Palavra, está


explicando-a com um propósito: “Para que
as pessoas vivam, pratiquem, experimentem
os benefícios das promessas desta Palavra -
aplicação.” Este é o modelo de Moisés como

-7-
pregador expositivo. Ele lê, explica e aplica para
o povo.

No capítulo 31 de Deuteronômio há uma


expressão interessante que eu quero destacar:
versos 10 a 12:

“Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os


meninos e o estrangeiro que está dentro da
vossa cidade para que ouçam e aprendam
e temam ao Senhor vosso Deus; e cuidam
de cumprir todas as palavras desta lei, para
que seus filhos ouçam e aprendam a temer o
Senhor vosso Deus todos os dias que viverdes
sobre a terra a qual ides passando o Jordão,
para possuir.”

Em outras palavras, o povo se reúne - homens,


mulheres, crianças, estrangeiros - e ouvem. Mas
não é só o gosto estético de ouvir, não é apenas
o interesse de aprender coisas novas e guardar
apenas para o próprio deleite intelectual.

A pregação e a exposição da Escritura sempre


têm um propósito prático - aplicação – quando a
vida vai ser transformada; quando as pessoas que
ouvem vão ser convocadas a temerem a Deus e a
obedecerem a Seus preceitos.

-8-
Quando lemos Deuteronômio 6, isso fica claríssi-
mo, não só no que tange a coletividade do povo -
homens, mulheres, crianças, estrangeiros – mas,
dentro da sacralidade do lar. O Senhor, então, por
meio de Moisés, orienta essas palavras: “Amarás,
pois, o Senhor Teu Deus, de toda a tua alma, de
toda a tua força, de todo o teu entendimento.”

Em Deuteronômio 3:4, lemos: “Essas palavras


que hoje Eu te ordeno: de todo o teu coração tu as
inculcarás aos teus filhos andando pelo caminho,
ao sentar-te, ao levantar-te, ao deitar-te.”

Perceba que a própria casa, a própria família


precisa ser uma espécie de território pedagó-
gico. Um ambiente favorável ao ensino, para a
leitura, para a explicação e para a aplicação da
leitura na dinâmica da vida, usando os recursos
pedagógicos necessários para que a Palavra de
Deus seja compreendida, praticada e, assim,
desfrutem de seus preciosos benefícios.

-9-
AULA 2

Vamos começar falando sobre Esdras. Alguém já


disse que Esdras é o mais eloquente exemplo de
pregação expositiva de todo o Antigo Testamento.

Esdras era um escriba, um sacerdote, um mestre


e um pregador.

Em Esdras 7:10, está escrito que ele tinha disposto


o seu coração para buscar a lei do Senhor, prati-
cá-la e ensiná-la.

Perceba que esses três verbos – praticar, aplicar


e ensinar – estão em uma ordem lógica que não
pode ser mudada.

a) Primeiro conhecemos.

b) Depois vivemos.
- 10 -
c) Somente depois de conhecer e viver é que es-
tamos aptos para ensinar.

Há muitos que conhecem, mas não praticam.

Quem conhece, mas não pratica, não pode en-


sinar.

Então, a vida do pregador e a sua pregação não


podem ser separadas, mas precisam caminhar
juntas.

Vamos ler Neemias 8, onde há um ajuntamento


do povo para ouvir a Palavra, para escutar a ex-
posição da Palavra de Deus. Veja que, a leitura da
Escritura e sua explicação, gerou no povo que-
brantamento, alegria, reforma espiritual, aviva-
mento espiritual.

Em Neemias 8.8, vemos que o livro da lei de Deus


foi lido e claramente explicado, de maneira que
o povo entendeu o que estava sendo lido.

Isso é pregação expositiva.

Nós abrimos o texto sagrado, o explicamos por


meio de uma análise gramático- histórico, fei-
ta através de uma exegese, ou seja, retiramos do

- 11 -
texto o que está no texto.

Então, expomos o que vimos no texto, nós expli-


camos e, assim, o povo será esclarecido sobre o
significado daquela passagem.

Vamos expor o que o autor estava dizendo: qual


sua mensagem, qual seu ensino, qual sua dou-
trina, qual sua exortação, qual seu consolo, quais
são suas reivindicações e exigências? Então,
aplicamos tudo isso ao coração do povo. Essa é a
essência do que nós chamamos de pregação ex-
positiva.

Vale a pena nos determos neste capítulo 8 de


Neemias porque aqui está o núcleo, o néctar, a
essência do que é de fato, pregação expositiva.

Vamos pensar agora em João Batista. Ele é con-


siderado o último profeta, ele abre o Novo Tes-
tamento e fecha o Antigo Testamento. É uma
espécie de dobradiça entre os dois Testamentos.

João Batista foi um pregador - e que pregador


poderoso ele foi!

Eu acho isso extremamente curioso, porque


quando João Batista foi levantado, está escrito

- 12 -
que veio a Palavra do Senhor a João na época em
que homens muito maus governavam o mun-
do, na época de Tibério César, na época em que
Pôncio Pilatos estava em Jerusalém e que Hero-
des Antipas estava na Galileia, que Anás e Cai-
fás eram sumos sacerdotes em Jerusalém, que
o poder político corrompia; a religião corrompia,
a vida moral do povo estava completamente
destroçada, a violência campeando, a hipocrisia
religiosa governando. Foi nesse meio que veio a
Palavra do Senhor a João.

João Batista ancora sua pregação no livro de


Isaías: “Preparai o caminho do Senhor”, ele diz:
“Todo vale será aterrado, todo monte será nive-
lado; todo caminho torto será endireitado; todo
caminho escabroso será aplainado, e toda a terra
verá a salvação de Deus.”

E este homem pregava com tamanho poder,


com tamanho vigor e virilidade que as multidões
se deslocavam das cidades, das aldeias, das vi-
las para o deserto da Judeia para ouvi-lo pregar
sobre o batismo de arrependimento para remis-
são de pecados.

João “enfiava” o dedo na ferida. Ele não era um


pregador popular, mas arrastava multidões, não

- 13 -
porque pregava uma mensagem convenien-
te, ou uma mensagem antropocêntrica, nem
mesmo uma mensagem que fazia cócegas no
egoísmo humano. Ele pregava uma mensagem
confrontadora; ele confrontava os religiosos, os
coletores de impostos, os soldados e até o pró-
prio rei. Esse homem é um pregador tão poderoso
que mesmo sendo preso e condenado à morte,
sua voz não se cala.

João Batista também é um exemplo clássico de


pregação expositiva. Ele expõe as palavras do
profeta Isaías e a aplica ao povo.

Vamos conferir o que está em Mateus 3:1-3: “Na-


queles dias surgiu João Batista, pregando no de-
serto da Judéia. Ele dizia: “Arrependam-se, por-
que o Reino dos céus está próximo”. Este é aquele
que foi anunciado pelo profeta Isaías: “Voz do que
clama no deserto: “Preparem o caminho para o
Senhor, façam veredas retas para ele.”

João Batista está nos tomando pela mão e nos


matriculando na escola da pregação expositiva.

Vamos ver agora a pregação de Jesus, o supremo


modelo de pregador expositivo. Jesus, o filho de
Deus, o verbo encarnado, também era um pre-

- 14 -
gador. Ele era um homem dedicado à pregação
das Escrituras.

Ele veio pregando, ensinando e trazendo a Escri-


tura. Ele ancorou sua palavra, seu ensino, seus
sinais e sua obra naquilo que estava registrado
na lei, nos salmos e nos profetas.

Vamos ver Lucas 4:17-21, quando Jesus está


iniciando o seu ministério em Nazaré, onde ele
cresceu e, nessa passagem, ele está na Sinago-
ga de Nazaré. Está escrito o seguinte:

“Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías.


Abriu-o e encontrou o lugar onde está es-
crito: “O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque Ele me ungiu para pregar boas no-
vas aos pobres. Ele me enviou para procla-
mar liberdade aos presos e recuperação da
vista aos cegos, para libertar os oprimidos e
proclamar o ano da graça do Senhor”. Então,
ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente
e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os
olhos fitos nele; Então, passou Jesus a dizer-
-lhes: “Hoje se cumpriu a Escritura que aca-
bais de ouvir.”

Ou seja, Ele vai explicar o texto dizendo: “Este

- 15 -
texto está se referindo a mim; Eu Sou esse aí. A
profecia se cumpriu.” Jesus não só está inter-
pretando o texto, mas também o aplicando aos
seus ouvintes.

Nem sempre quando a Palavra de Deus é ex-


plicada e exposta, as pessoas a acolhem com
mansidão. Eles rejeitaram Jesus. Mas, Jesus ex-
põe a Escritura.

Em Lucas 24, o Senhor Jesus Cristo já está res-


surreto e vai caminhando com dois homens para
Emaús. No versículo 27 nós lemos:

“E começando por Moisés e todos os profe-


tas, explicou-lhes o que constava a respeito
dele em todas as Escrituras.”

O que Jesus está fazendo com aqueles dois ca-


minhantes é abrir a Escritura. Não parte da Escri-
tura, mas toda a Escritura e Ele vai conectando
as profecias com a sua pessoa, com o seu minis-
tério, com a sua morte, com a sua ressureição.

Quando Jesus expõe a Escritura para aqueles


dois caminhantes que caminhavam tristes, aba-
tidos, desalentados e desiludidos, seus olhos são
abertos, seus corações são aquecidos, seus pés

- 16 -
se apressaram para testemunhar. Então, eles
abriram a boca e deram um testemunho de que
Jesus, de fato, estava vivo, que Ele havia ressus-
citado dentre os mortos.

Jesus foi um pregador expositivo, e podemos en-


contrar vários discursos e vários sermões de Je-
sus e seus ensinamentos. O tão conhecido Ser-
mão do Monte, em Mateus capítulos 5 a 7. Neste
trecho, vamos encontrar várias parábolas e vá-
rios discursos de Jesus e todos eles dentro dessa
linha de abrir a Escritura, explicá-la e aplicá-la.

- 17 -
AULA 3

Vamos continuar olhando para os modelos de


pregação expositiva encontrados na Bíblia.

Vamos falar de Pedro, que também foi um gran-


de pregador. Depois de ter sido restaurado por
Jesus, depois que Pedro experimentou a plenitu-
de do Espírito Santo, ele pregava e os corações
se derretiam.

Na ocasião do Pentecostes, quando Pedro se le-


vantou, aconteceu um milagre tremendo. O Es-
pírito Santo foi derramado em línguas como de
fogo, um vento impetuoso, e todos ficaram cheios
do Espírito Santo e passaram a falar em outras
línguas sobre as grandezas de Deus. A multidão
se ajuntou, mas diante desse milagre insólito que
reuniu aquela multidão, muitos olharam para

- 18 -
aquela cena com ceticismo: o que quer isso dizer?

Outros olharam com preconceito: são galileus,


gente atrasada. Outros ainda olharam com zom-
baria: bêbados e embriagados.

E é em meio a essa conjuntura que Pedro se le-


vantou para pregar sobre Deus, pois só o milagre
em si mesmo, não é o Evangelho. O milagre, por
si só, não produz fé.

Perceba que as três gerações que mais viram


milagres - de Moisés, de Elias e dos apóstolos -
foram as gerações mais incrédulas.

Mas, quando Pedro se levantou para pregar a


Palavra de Deus, aí os corações se derreteram. É
pela pregação que a fé vem. A fé vem pelo ouvir e
ouvir a Palavra de Deus. Deus chama os seus por
meio da pregação e é muito importante enten-
dermos o poder que a Palavra de Deus tem.

O Evangelho é o poder de Deus, dínamo de Deus


para salvar todo aquele que crê.

E Pedro se levantou para pregar. O sermão que


ele fez está registrado em Atos dos Apóstolos 2.
Esse é um sermão expositivo e cristocêntrico em
que Pedro fala sobre a morte de Cristo, sua res-
- 19 -
sureição, ascensão e Seu senhorio. Esse sermão
foi veemente regado com o óleo do Espírito, pois
Pedro estava cheio do Espírito.

Jonathan Edwards diz, e eu concordo com ele,


que não é uma questão de se ter uma prega-
ção poderosa, mas de um homem cheio de poder
pregando a poderosa Palavra de Deus. O apelo
não parte do pregador para o auditório, mas do
auditório para o pregador.

Quando as pessoas, com o coração compungido,


perguntaram para Pedro: “Que faremos à vista
destas coisas?” Pedro respondeu: “Arrependei-
-vos e cada um de vós seja batizado em nome do
Senhor Jesus para a remissão dos vossos pecados
e recebereis então, o dom da vida Eterna. E essa
promessa não é apenas pra vós, é para os vossos
filhos; para aqueles que estão longe, para quan-
tos o Senhor Nosso Deus chamar.”

Quando eu olho pra esse sermão de Pedro, algu-


mas coisas me vêm à mente.

1ª) A pregação de Pedro foi Cristocêntrica em sua


essência.

E como isso é importante! Nós não temos outro

- 20 -
tema; nós não temos outra mensagem. Prega-
mos Cristo e este crucificado.

A Bíblia toda reporta à Cristo. A Bíblia é clara-


mente um livro comprometido com a pessoa de
Cristo.

O Antigo Testamento é a preparação para a sua


vinda. O Novo Testamento é a Sua vinda, Sua
vida, Seu ministério, Seus ensinos, Seus mila-
gres, Sua morte, Sua ressureição, Sua ascensão,
Seu governo, Sua doutrina.

E Pedro não divaga: ele prega Cristo, prega sua


morte, sua ressureição, sua ascensão e seu se-
nhorio.

2ª) A mensagem de Pedro foi eficaz quanto ao


seu propósito.

Ele se levantou para falar e convocar aque-


las pessoas ao arrependimento. Ele botou o dedo
na ferida; ele denunciou aquelas pessoas e seus
pecados, sua rebeldia, sua rebelião contra Deus.
Ele foi claro quanto às exigências: “Arrependei-
-vos.” Ele foi absolutamente específico na ne-
cessidade dessas pessoas retornarem para Deus.
Ele também foi específico sobre receber a pro-

- 21 -
messa: “E recebereis o dom do Espírito Santo.”

No fim dessa pregação, o resultado foi cerca de 3


mil pessoas rendidas a Cristo. E elas foram bati-
zadas naquele mesmo dia na cidade de Jerusa-
lém. A igreja começa já pujante, com um mila-
gre extraordinário do derramamento do Espírito
Santo em cumprimento à promessa do profeta
Joel 2:28, a conversão de cerca de 3 mil pessoas.

Até então, a igreja estava reduzida a 120 mem-


bros, que se reuniu durante dez dias no cenáculo,
pedindo o cumprimento da promessa do Pai so-
bre o revestimento de poder, o derramamento do
Espírito Santo. E agora, o Espírito Santo é derra-
mado sobre a igreja para ficar permanentemente
com ela. E a igreja começa com este vigor, como
resultado da pregação.

Vamos olhar também para Paulo, que é consi-


derado o maior pregador da história do cristia-
nismo.

1ª) Porque Paulo tinha um autoconceito da Es-


critura.

“Toda Escritura é inspirada por Deus.” Preste bem


atenção nisso e fuja léguas do liberalismo teo-

- 22 -
lógico; corra dos teólogos progressistas liberais
que questionam, que põe em dúvida a integrida-
de, a infalibilidade, a inerrância, a insuficiência
das Escrituras.

Nenhum pregador terá poder para pregar e nem


mensagem para pregar se não crer com clare-
za. O apóstolo Paulo diz que toda, não uma parte
da Escritura, é inspirada por Deus. Este livro não
foi escrito por anjos; não foi escrito por homens
maus e demônios. Este livro é inspirado por Deus,
revelado por Deus a homens santos que fizeram
registro destas verdades sagradas. E, graças a
Deus, nós o temos em nossa própria língua.

Por isso, quando o pregador se levanta no púlpito


para pregar, é preciso que ele tenha essa consci-
ência e ensine o povo a ter essa consciência so-
bre a palavra de Deus que estão ouvindo.

A voz de Deus salta do papel porque é a Palavra


de Deus. Paulo tinha esse conceito.

2ª) Paulo tinha o conceito da pregação.

Nós não podemos pregar expositivamente com


graça e poder se nós não tivermos um alto con-
ceito da pregação, porque o Evangelho é o poder

- 23 -
de Deus para salvação de todo aquele que crê.

Quando pregamos essa Palavra, não estamos


pregando Palavra de homem, estamos pregan-
do a Palavra de Deus, que é viva e poderosa. Ela
despede chama de fogo, ela faz tremer o deser-
to, ela opera os propósitos de Deus nos corações
das pessoas. Ela não volta vazia.

Vamos ler um texto precioso do apóstolo Paulo


em 1 Coríntios 1.18: “Certamente a Palavra da
cruz é loucura para os que se perdem, mas para
nós, que fomos salvos, é o poder de Deus.”

O mundo vai rejeitar, vai virar a cara, vai torcer o


nariz, vai zombar, escarnecer, vai dizer que es-
tamos loucos. Mas, para aqueles que foram al-
cançados pela graça, esse Evangelho é o poder
de Deus.

No verso 24 ele diz: “Mas, aos que foram chama-


dos, tanto judeus como gregos, pregamos Cristo,
poder e sabedoria de Deus.” Essa é a consciência
que você e eu precisamos ter no que concerne ao
poder, à grandeza e a eficácia da pregação.

Paulo entendia que não podemos pregar sem


sermos revestidos com o poder do Espírito San-

- 24 -
to. Nós não vamos para o púlpito como quem vai
para uma cátedra, ou como um advogado que
sobe em uma tribuna, ou como um orador que
sobe em um palanque em praça pública.

Vejamos o que Paulo escreve sobre este assunto


em 1 Coríntios 2:4:

“A minha palavra e a minha pregação não


consistem em linguagem persuasiva de sa-
bedoria, mas em demonstração do Espírito e
do poder.”

Demonstração do Espírito e de poder. É por isso


que nós precisamos preparar a mensagem para
entregá-la. Porque não é apenas proferir um dis-
curso religioso; não é apenas preparar um ser-
mão no gabinete e chegar no púlpito e ler o ser-
mão ou apresentá-lo declamando-o. O sermão
não é regado com eloquência ou com sabedoria
humana, mas é no poder e na demonstração do
Espírito Santo de Deus.

Outro exemplo pode ser encontrado em 1 Tessa-


lonicenses 1:5:

“Porque o nosso evangelho não chegou a vo-


cês somente em palavra, mas também em

- 25 -
poder, no Espírito Santo e em plena convic-
ção. Vocês sabem como procedemos entre
vocês, em seu favor. De fato, vocês se torna-
ram nossos imitadores e do Senhor; apesar
de muito sofrimento, receberam a palavra
com alegria que vem do Espírito Santo.”

Precisamos de um reavivamento na vida dos


pregadores, de um reavivamento nos púlpitos e
Paulo nos ensina sobre isso.

Mais do que isso, Paulo é aquele pregador que


nos ensina a pregar com os olhos molhados, com
os olhos úmidos. Talvez nós precisássemos rea-
prender o evangelismo das lágrimas.

Em Atos 20, Paulo exorta os irmãos de Éfeso dia


e noite com lágrimas nos olhos. Talvez o nosso
problema seja que nós estamos pregando com
os olhos enxutos, com o coração seco demais.

Certa vez, William Boffa enviou alguns missio-


nários para um determinado campo e, depois de
algum tempo lá, eles enviaram uma carta para
William Boffa dizendo seguinte: “Tire-nos daqui.
O povo aqui é muito resistente, o campo aqui é
muito hostil; o cenário aqui é muito difícil. Nin-
guém se converte aqui. Queremos ir para outro

- 26 -
lugar. Já experimentamos todos os métodos e não
conseguimos nada.” William Boffa escreveu res-
pondendo a eles: “Se vocês já experimentaram
todos os métodos, agora experimentem chorar!”

Nós precisamos regar o solo com as nossas lá-


grimas, como diz o Salmo 126:

“Quem sai andando e chorando enquanto


semeia, voltará com júbilo trazendo seus
feixes.”

É necessário pregar essa Palavra viva do Deus


vivo com o coração quebrantado e com os olhos
umedecidos de lágrimas.

Mais do que isso, o pregador precisa ser um pre-


gador sensível ao povo. Uma coisa é amarmos a
pregação, outra coisa bem diferente é amarmos
as pessoas para quem pregamos.

Paulo era um pregador apaixonado por Deus,


por seu filho Jesus e pela Palavra, pelo evange-
lho, mas também era apaixonado pelas pessoas
para as quais ele pregava. Ele chegou a dizer que
sentia dores como a de parto até que visse Cristo
sendo formado em seus ouvintes.

- 27 -
Nós precisamos ter essa sensibilidade. Paulo, às
vezes, lidava com os crentes como uma mãe que
acaricia o seu filho ou como um pai que vela e
cuida dos seus filhos. Ele era amável, firme na
hora certa, e doce na hora necessária. As nos-
sas ovelhas precisam saber que nós as amamos.
Que nós não somos profissionais da religião.

Que nós não somos apenas portadores de uma


mensagem que não tem nada a ver com a nossa
própria vida. A pregação expositiva precisa ser
regada pelo óleo do Espírito e precisa vir banha-
da de profundo amor por Deus, pela Palavra e
pelos nossos ouvintes.

Esse é o exemplo de Paulo.

- 28 -
AULA 4

Os primeiros quatrocentos anos do cristianismo


são chamados de Patrística por causa dos pais da
igreja.

Foi um período de muitos pregadores, apologetas,


mestres e historiadores. Mas tivemos poucos ex-
positores. Houve grandes tribunas, grandes ora-
dores, grandes pregadores, grandes apologetas,
grandes historiadores, mas poucos expositores,
poucos pregadores de pregação expositiva.

Vou citar dois dos principais pais da igreja.

1. João Crisóstomo

O primeiro foi João Crisóstomo. Ele viveu no fim do


quarto século, comecinho do quinto. João Crisós-
tomo foi considerado o maior pregador do Oriente
- 29 -
entre os apóstolos e os reformadores.

Ele rejeitou a interpretação alegórica de Alexan-


dria do Egito e adotou a interpretação literal his-
tórico-gramatical da Escola de Antioquia.

Ele foi pregador e depois bispo; foi pregador em


Antioquia e bispo de Constantinopla durante
muito tempo. Ele foi considerado o maior daquele
tempo.

Ele recebeu o apelido de “boca de ouro”. Ele pra-


ticava a interpretação histórico-gramatical e
adotou a linha da escola de Antioquia. Ele pregou
livro por livro, versículo por versículo das Escritu-
ras, uma espécie de “lectio” continua. Era aque-
le homem que abria a Escritura, lia, explicava e
aplicava a Escritura.

Eu não vou me cansar de enfatizar e de repetir


isso.

Esse é o pano de fundo, é a essência desse curso.

Decore esses três verbos e entenda o que eles sig-


nificam e você terá entendido o que é pregação
expositiva!

- 30 -
a) É ler o texto,

b) É explicar o texto e...

c) Aplicar o texto.

Foi exatamente isso que João Crisóstomo, o Boca


de Ouro, fez no quarto século e no comecinho do
quinto século.

2. Aurelio Agostinho

Outro homem que também viveu nesse mesmo


período - final da última metade do século quarto
e no começo do século quinto - foi Aurelio Agos-
tinho, ou como ficou conhecido, Agostinho de Hi-
pona.

Certamente, Agostinho de Hipona, foi o maior


pregador do Ocidente.

E Agostinho viveu muitos anos numa vida promís-


cua. Ele era professor de oratória e era um homem
muito culto, dono de uma cultura enciclopédica.
Diz a história que a sua mãe, Mônica, orou por sua
conversão durante trinta anos.

Certo dia, ele escutou a leitura do texto da car-


ta de Paulo aos Romanos. Então, ele pegou uma
- 31 -
Bíblia, abriu o texto e leu. Neste dia Jesus mudou
a vida de Agostinho de Hipona e ele se tornou no
maior pregador do Ocidente. Mais tarde, Ambrósio
disse que um filho de tantas lágrimas não poderia
se perder, referindo-se à persistência de Mônica
em oração pelo filho.

Agostinho foi o primeiro escritor da “História da


humanidade”, no período do Cristianismo a es-
crever um livro sobre homilética: “Doutrina Cris-
tiana.”

Eu consegui uma cópia desse livro num sebo nos


EUA e guardava este livro com muito carinho. Eu
retornei dos Estados Unidos para o Brasil exata-
mente na época dos atentados às Torres Gêmeas.
Eu defendi minha tese sobre pregação expositi-
va exatamente no dia 11 de setembro de 2001. Eu
estava fazendo a minha defesa quando as Torres
foram atingidas.

Quando saí da sala onde fiz a defesa, a televi-


são mostrava as Torres ardendo em chamas e eu
pensei que aquilo era um filme de ficção e nem
prestei atenção.

Quando cheguei em casa, minhas coisas esta-


vam todas encaixotadas, o gás da casa já estava

- 32 -
desligado, tudo pronto para minha partida para o
Brasil que seria no dia 12 de setembro.

Mas eu fiquei retido lá por mais quatro dias.


O país vivendo uma grande turbulência, gran-
de angústia, grande sofrimento e nós vivencia-
mos um pouco desse sofrimento lá nos EUA.

Conseguimos retornar quatro dias depois, mas


eu havia enviado pelo correio parte da biblioteca
que formei lá; mais de oitenta livros sobre prega-
ção e, dentre eles, este livro de Agostinho, “Dou-
trina Cristiana.” Infelizmente, eu nunca recebi
essa carga. Ela se perdeu, talvez pelos problemas
da época. Retornei lá, pedi, cobrei, impossível! Eu
perdi toda essa preciosíssima biblioteca de livros
raríssimos que nunca chegou às minhas mãos.

Agostinho foi o maior teólogo da igreja de seu


tempo. Ele foi o grande mentor, o grande teólo-
go, o grande formador de opinião. João Calvino
chegou a dizer: “Maior teólogo do que pregador;
enquanto Crisóstomo foi maior pregador do que
teólogo.”

Agostinho era um camarada tão importante que


os reformadores foram beber dele. Alguém já
disse que teologia é o que Paulo pregou, o que

- 33 -
Agostinho interpretou e o que Calvino sistemati-
zou. O resto é nota de rodapé.

É claro que tal afirmação é um tanto ousada, mas


expressa, pelo menos na opinião de alguns, a im-
portância que Agostinho de Hipona teve em seu
tempo.

Se você ainda não leu Confissões, isso certamen-


te vai impactar o seu coração. É um livro que con-
ta a trajetória de Agostinho, sua biografia.

Percorrendo a história da pregação expositiva,


chegamos agora na Reforma.

A chegada da Reforma, certamente, não foi uma


inovação, mas uma volta às origens. Isso porque
durante o período da Idade Média, houve mui-
tos desvios na igreja. A chamada Igreja Católica
Apostólica Romana dominava o mundo de então.
Foi no norte da Itália que teve início um movimen-
to cultural revolucionário, uma verdadeira virada
de mesa, a chamada Renascença.

A Renascença mexeu, em primeiro lugar, com a


economia porque tudo estava nas mãos da igreja.
As viagens marítimas, com a nova classe social, a
burguesia, tira o poder da economia das mãos da

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igreja.

Em segundo lugar, mexeu nas artes. Também era


a igreja que dominava as artes. Tudo que era pro-
duzido – fosse escultura, pintura – tudo precisava
passar pelo viés e os óculos da igreja.

Então surgem Michelangelo e Leonardo da Vin-


ci, e mudam completamente esta história. Com
a produção no mármore de Moisés, Davi, Pietá,
as artes em geral saem do domínio completo da
igreja.

Na política, eram os papas que dominavam, pois


eles depunham os reis e também os levantavam.
Quando Maquiavel escreve “O Príncipe”, o poder
político é tirado das mãos da igreja.

Na Ciência, era a igreja que dava o veredito do que


era verdade e o que não era verdade. A igreja di-
zia que o mundo era geocêntrico, então aparece
Nicolau Copérnico e descobre que o mundo é he-
liocêntrico.

Ele não teve coragem de defender suas afirma-


ções claramente porque temia a inquisição, mas,
seu discípulo Galileu Galilei afirmou: “Não é o sol
que gira em torno da Terra, é a Terra que gira em

- 35 -
torno do sol.” Ele foi preso por isso e, para não
morrer nas mãos da inquisição romana, ele aca-
bou negando o que havia dito, dizendo: “Eu nego,
mas que a Terra gira em torno do sol, gira.”

Então, finalmente vem a religião. É claro que


também estava nas mãos da igreja. Somente os
padres podiam ler a Bíblia e, às vezes, desconhe-
ciam a Bíblia por completo. O povo era comple-
tamente ignorante sobre a Bíblia. Até se dizia que
não podia ler a Bíblia para não ficar maluco. Até
que o monge agostiniano Martinho Lutero desco-
bre na Bíblia o livro de Romanos e mais, ele com-
preende 1:17: “O justo viverá pela fé.”

Lutero liberta-se do cativeiro da ignorância e isso


é o pontapé inicial para a Reforma Protestante do
Século 17.

Vale destacar que isso já é 1450. Concomitante a


tudo isso, Johannes Gutenberg inventa a imprensa
na Alemanha e o primeiro livro a ser impresso vai
ser exatamente a Bíblia que, até os dias de hoje,
continua sendo o livro mais impresso na História
da humanidade.

- 36 -
AULA 5

Terminamos a última aula falando de Martinho


Lutero e quero falar um pouco mais dele nesta
aula.

Além de ter sido o principal reformador, Lutero foi


um pregador expositivo. Ele tinha uma frase mui-
to importante com um entendimento muito im-
portante. Ele dizia que a Palavra tem três mani-
festações: a Palavra escrita, a Palavra encarnada
e a Palavra pregada.

a) A Palavra escrita é a Bíblia.

b) A Palavra encarnada é Jesus, o filho de Deus.

c) A Palavra pregada é exatamente a exposição


da Escritura, a pregação da Palavra de Deus.

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Lutero foi um pregador expositivo. Ele era daque-
les pregadores que pega a Escritura, lê, explica e
aplica a Escritura.

É isto que eu quero muito que você aprenda nesse


curso.

Eu não sei se você já pratica a pregação expositiva


e eu não sei se você entendeu a pregação exposi-
tiva, mas eu gostaria ardentemente que, ao longo
desse curso, você se convencesse de que essa é a
melhor maneira de expor a Palavra de Deus.

Lutero entendia que a pregação precisa ser sim-


ples. Alguém perguntou: “Lutero, como você al-
cança os intelectuais?” Havia poucos intelectuais
na época de Lutero, pois a maioria do povo era
analfabeta. E ele respondeu assim: “Se eu pre-
gar para a pessoa que lava a roupa lá na beira do
rio e ela me entender, então os intelectuais tam-
bém vão me entender.”

É simples, você já percebeu isso?

Tem gente que acha chique complicar uma pre-


gação simples. Esse não é o papel do pregador.

O papel do pregador é simplificar as coisas com-

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plexas, a fim de que até uma criança ou uma pes-
soa iletrada possa entender o que está sendo dito.

Lutero também mostrava a necessidade do pre-


paro espiritual. É por isso que ele disse: “Ser-
mão sem unção endurece o coração das pessoas.”

Não basta você ser um expoente intelectual que


mostra com perícia e clareza diáfana o que ema-
na do texto. Sua vida precisa estar comprometida
com o conteúdo que você está transmitindo ao
povo.

Chegou a vez de Calvino! João Calvino foi o grande


cérebro da Reforma. Foi aquele que sistematizou
as grandes doutrinas da Reforma. Aos 26 anos,
já havia escrito o seu livro principal: As Institutas
da Religião Cristã. Ele viveu 55 anos e influenciou
sua geração, influência até hoje o pensamento
humano; não só na área da teologia, mas tam-
bém nas áreas da economia, social e do governo.
Calvino foi um grande cérebro, teve uma mente
privilegiada. Foi o maior expositor das Escrituras
de seu tempo.

Ele pregou praticamente quase toda a bíblia. Ele


tem comentários de quase todos os livros da Bí-
blia, lendo versículo por versículo, capítulo por

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capítulo, livro por livro.

Como é que ele fazia isso? Eu não tenho essa ex-


pertise. Calvino se levantava no púlpito para pre-
gar no Antigo Testamento e ele ia direto aos origi-
nais no hebraico. Ao pregar no Novo Testamento,
ele ia direto aos originais no grego. E era muito
impressionante porque ele pregava durante uma
hora sem nenhuma nota.

Uma mente brilhante, um cérebro privilegiado,


uma capacidade intelectual sem paralelos. Ele
foi um pregador poderoso.

Ele esteve em Genebra durante três anos e aca-


bou sendo expulso. Mas, ele pede para voltar e
quando volta, ele se dirige ao púlpito e diz assim:
“Onde nós paramos mesmo?” Ele estava se refe-
rindo há mais de três anos, quando ele tinha saído
e ele quer continuar de onde tinha parado.

E ele ficou ali até o fim de sua vida pregando e


expondo a Palavra de Deus. “Pregação fiel é uma
das marcas da verdadeira igreja” – dizia ele.

Para Calvino, a igreja verdadeira tinha três mar-


cas:

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1. A pregação fiel da Escritura;

2. O exercício correto do sacramento;

3. A disciplina bíblica.

Quando a pregação não é fiel, então certamen-


te não há ali uma verdadeira igreja. Pode ser uma
igreja grande, histórica, bonita, ter muita gen-
te, muito sucesso, arrecadar muito dinheiro, mas
onde não tem a pregação fiel da Escritura, aí não
tem uma verdadeira igreja.

Depois vieram os Puritanos, uma geração mais


culta e intelectual da história da igreja.

E eles nasceram de um parto de grande sofrimen-


to. Em 1553 na Inglaterra, se levanta Maria Tu-
dor, depois da morte do rei Eduardo VI. Ela cruel-
mente perseguia os crentes da Inglaterra. Levou
para a estaca e queimou em praça pública Tho-
mas Cranmer, Hugh Latimer, Nicholas Ridley e os
crentes da Inglaterra precisaram fugir de lá para
não serem mortos. Mas, como ela morreu cinco
anos depois, em 1558, quem assume o governo é
Elizabeth e ela manda que os foragidos retornem.
Nessa altura, eles já tinham tido contato com a
Alemanha, Genebra e Holanda e retornaram para

- 41 -
a Inglaterra trazendo algumas exigências.

• Uma igreja com doutrina pura;

• Uma igreja com liturgia pura;

• Uma igreja com governo puro;

• Uma igreja com vida pura.

Por isso, ficaram conhecidos como os puritanos


da Inglaterra, uma geração de gente culta e in-
telectual. Para eles, o sermão tinha que ser como
uma flecha no coração do ouvinte.

Para eles, o púlpito era central. Eles entendiam


que o canto não era o lugar ideal, mas sim o cen-
tro. Essa posição geográfica do púlpito era só
uma representação da centralidade da Palavra
de Deus.

Eles também juntavam erudição e piedade. Para


eles, essas duas coisas, não podem ser divorcia-
das, mas caminhar juntas.

Vou citar alguns dos principais pregadores do sé-


culo 18 ao século 20.

No século 18, nós poderíamos citar Matthew Hen-


- 42 -
ry Jonatan Edwards, John Wesley, George White-
field, Howell Harris. Esses foram os homens mais
conhecidos daquele século.

É no século 18 que o Iluminismo estava dominan-


do o mundo. Mas eu gostaria de citar um dos ho-
mens de mente mais brilhante da Nova Inglater-
ra: Jonatan Edwards.

Ele experimentou um grande avivamento na


Nova Inglaterra em 1737-1740. Foi ele quem pre-
gou aquele famoso sermão: “Pecadores nas mãos
de um Deus irado.” Depois de orarem e jejuarem,
mais de 500 pessoas se renderam a Cristo.

João Wesley foi outro homem cheio do Espírito


Santo que, montado em seu cavalo, percorria re-
giões e mais regiões escrevendo enquanto caval-
gava e pregando com grande poder e graça.

George Whitefield, seu amigo, foi considerado o


maior pregador ao ar livre de toda a História da
humanidade. Ele pregou dos 20 aos 55 anos de
duas a cinco vezes por dia para auditórios de 2 mil
a 80 mil pessoas, sem microfone. Eu não entendo
isso, até hoje.

Os oradores daquela época diziam que dariam

- 43 -
tudo para pronunciar a Palavra Mesopotâmia com
a mesma eloquência de George Whitefield; um
fenômeno.

Esse cidadão que eu cito aí, Howell Harris, conver-


teu-se com um aviso sobre a Santa Ceia na igreja.
Ele não sabia pregar, mas um dia ele pediu para
Deus: “Ajude-me a pregar!” E cheio do Espírito
Santo, ele pegava um livro e ia visitar as pessoas,
ele lia e enquanto ele lia, os corações se derre-
tiam. Um dia, ele estava orando a Deus e Deus o
capacitou e ele veio a se tornar um dos maiores
pregadores do século XVIII. Coisa exponencial.

O século 19 teve alguns pregadores.

John Broadus, escreveu um livro importante sobre


sermão e seu preparo.

John Charles Ryle, foi um pregador fantástico que


escreveu comentários maravilhosos que estão
disponíveis em língua portuguesa.

Alexander Maclaren, um grande pregador que


deixou comentários maravilhosos sobre a área da
pregação.

E o príncipe do século 19, Charles Haddon Spur-

- 44 -
geon que pregou no Tabernáculo Metropolitano
vários anos, tendo mais de dez mil pessoas a cada
domingo. Ele foi o grande baluarte da ortodoxia
quando o liberalismo teológico estava devastan-
do as igrejas. Sua esposa Susana fazia com que
os sermões que ele pregava no domingo fossem
impressos rapidamente e distribuídos naquela
semana. Ele marcou a sua geração e nos marca
até hoje.

E no século XX temos alguns pregadores que eu


gostaria de destacar.

Andrew Blackwood, que escreveu um precioso li-


vro sobre homilética.

F.B Meyer, pregador extraordinário.

George Campbell Morgan, pregador de primeira


grandeza.

Martyn Lloyd-Jones foi um médico que deixou a


medicina para ser pregador na Abadia de West-
minster. Ele foi considerado o pregador mais in-
fluente do século passado. De seu púlpito, ele in-
fluenciou o mundo.

Muitos de nós conhecemos suas obras sobre Ro-

- 45 -
manos, Efésios e seu livro “Pregação e Prega-
dores”. Um homem que marcou a nossa gera-
ção pela sua erudição, piedade, zelo em expor as
Escrituras e um grande pregador expositivo.

E o contemporâneo John Stott. Eu sou um apaixo-


nado por John Stott. Penso que ele seja uma das
mentes mais analíticas e brilhantes de nossa ge-
ração. Não tem ninguém que supere John Stott na
área de comentários bíblicos.

Os livros que ele expôs, os comentários expositi-


vos que ele escreveu são insuperáveis e de uma
beleza, de uma riqueza, uma profundidade e cla-
reza fantásticas.

W.A. Criswell, foi pastor durante quarenta anos


da primeira Igreja Batista de Dallas, ele foi um dos
maiores pregadores do século XX. Pregou toda a
Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, no púlpito de sua
igreja.

John Piper é um grande pregador de nossos dias.

Nós temos homens de Deus também no século 21,


eles estão entre nós, como o próprio John Piper,
John Fullerton MacArthur, e tantos outros homens
de Deus, preciosos da nossa geração.

- 46 -
E eu espero em Deus que você seja levantado por
Deus em nosso século como um expoente da pre-
gação expositiva.

É necessário que neste tempo de humanismo,


um tempo tão centrado no liberalismo teológico;
uma época de sincretismo religioso tão devas-
tadora; numa época de secularismo tão grande;
numa época tão difícil quando a verdade não é
tolerada e, por isso, os pregadores estão aderindo
a uma pregação palatável, humanista, centrada
no homem, que aplaude o homem.

Nós precisamos orar e clamar a Deus para que Ele


nos dê homens comprometidos com Deus e com a
Sua Palavra, que sejam piedosos, com a plenitude
do Espírito Santo e que se levantem para pregar
na força e no poder do Espírito para que a igreja
seja viva, operosa, fiel, para a glória de Deus.

Quero deixar registrado aqui a minha gratidão por


você estar nos acompanhando nesse curso.

Espero ardentemente que essa pequena trajetória


pela história possa inflamar o seu coração, tra-
zendo luz para sua cabeça, fogo para o seu cora-
ção e disposição para você se levantar e pregar o
Evangelho que é o poder de Deus para a salvação

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de todo aquele que crê.

Minha gratidão. Que Deus abençoe o seu coração.

- 48 -
Este eBook é parte integrante
do curso Pregação Transformadora
do Ministério Luz Para o Caminho.

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