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Introdução à Pesquisa Científica

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Unidade 4 – Pesquisa Científica

Pesquisar conhecimento científico é uma das actividades mais


enriquecedoras para o ser humano e, de modo geral, para a ciência. É
comum o desenvolvimento de pesquisas pelos estudantes,
independentemente do seu nível académico. Conceber uma pesquisa
necessita de compreensão quanto ao método utilizado, a sua natureza e a
sua finalidade. Está unidade aborda sobre o planeamento da pesquisa,
quando e como, quais os recursos materiais e humanos estarão
envolvidos, é uma série de questionamentos a serem pensados e
desenvolvidos para que a pesquisa seja posta em prática.

4.1. Conceito e Classificação da Pesquisa

A pesquisa é um "procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico,


que permite descobrir novos factos ou dados, relações ou leis, em
qualquer campo do conhecimento. Portanto, constitui no caminho para
conhecer a realidade ou para descobrir verdades com uma profunda
busca de conhecimentos utilizando métodos e procedimentos científicos.
As pesquisas servem para dar confiabilidade ao resultado com base num
conjunto de acções propostas para encontrar a solução para um

Página1 – Introdução a Pesquisa Científica


problema. A pesquisa é realizada quando se tem um problema e não se
têm informações para solucioná-lo. Vejamos alguns conceitos:

 Estudo sistemático de um determinado campo do


conhecimento, cuja finalidade é a descoberta de algo novo, ou a
ampliação de dados já registrados na literatura;
 Actividade de questionamento sistemático, crítico e criativo, em
diálogo permanente com a realidade em sentido teórico e
prático;
 Processo formal e sistemático de desenvolvimento do
conhecimento com o objectivo fundamental de descobrir
respostas para problemas mediante o emprego de
procedimentos científicos;
Resumindo, pesquisa é um conjunto de operações que objectiva descobrir
novos conhecimentos ou melhorar e aprimorar conhecimentos já
existentes. O objectivo da pesquisa consiste em descobrir respostas para
perguntas, através do emprego de processos científicos, ou seja a
pesquisa procura compreender um conteúdo/assunto específico para
poder solucionar um determinado problema. Ela tem de ser sistémica e
realizada para proporcionar o avanço social e humano.

Nesse sentido, a pesquisa pode ser observada por diferentes aspectos


como: interesse pessoal, autonomia, postura dialéctica, criatividade,
originalidade e relevância social e científica. Para que o estudo seja
considerado científico deve-se obedecer aos critérios de coerência,
consistência, originalidade e objetivação. De acordo com o que se
pretende estudar, a pesquisa pode ser definida em diferentes categorias
ou calcificações, quanto aos seus procedimentos, seus objectivos e sua
natureza.

Quanto à natureza

 Pesquisa Pura, Básica ou Teórica. Objectiva gerar conhecimentos


novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista.
Envolve verdades e interesses universais. Não tem por finalidade a

Página2 – Introdução a Pesquisa Científica


utilização prática, mas contribui para o avanço do conhecimento da
teoria estudada. Ex.: A origem do Universo.
 Pesquisa Aplicada ou Prática - Busca gerar conhecimentos para
aplicação prática e dirigidos à solução de problemas específicos.
Envolve verdades e interesses locais. Este tipo de pesquisa é
desenvolvido tendo em vista sua utilização. Ao contrário do que se
pensa, a pesquisa aplicada depende da pesquisa pura, de natureza
teórica. Sem o desenvolvimento de conhecimento conceitual
avançado pouco se pode fazer para transformar este saber em uma
determinada aplicação tecnológica demandada pela sociedade.
Quanto à forma de abordagem do problema

 Pesquisa Quantitativa. Considera que tudo pode ser quantificável,


o que significa traduzir em números opiniões e informações para
classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e técnicas
estatísticas (percentagem, média, mediana, desvio-padrão,
coeficientes de correlação, análise de regressão, etc.). É a mais
adequada para apurar indicadores e atitudes explícitas e conscientes
dos entrevistados, pois utiliza instrumentos estruturados
(questionários). Deve ser representativa de um determinado
universo de modo que seus dados possam ser generalizados e
projectados para aquele universo (dimensionar mercados, conhecer
os perfis demográficos, sociais e económicos de uma população,
entre outras possibilidades).
 Pesquisa Qualitativa. Considera que há um vínculo indissociável
entre o mundo objectivo e a subjectividade do sujeito que não pode
ser traduzido em números. A interpretação dos fenómenos e a
atribuição dos significados são básicas neste tipo de pesquisa. Os
pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O
processo e seu significado são os focos principais de abordagem,
pois envolve ouvir as pessoas, o que elas têm a dizer, explorando

Página3 – Introdução a Pesquisa Científica


suas ideias e preocupações sobre determinado assunto, analise dos
temas em seu cenário natural, buscando interpretá-los em termos
do significado assumido pelos indivíduos. Para isso, utiliza se uma
abordagem holística que preserva a complexidade do
comportamento humano.

Quanto aos Objectivos

 Pesquisa Exploratória. Visa proporcionar maior familiaridade com


o problema objectivando torná-lo explícito ou construir hipóteses.
Envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que
tiverem experiências práticas com o problema pesquisado, análise
de exemplos que estimulem a compreensão. A principal finalidade
desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, visando à
formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis
para estudos posteriores. Embora o planeamento da pesquisa
exploratória seja flexível, na maioria dos casos assume a forma de
pesquisa bibliográfica ou estudo de caso. Na maioria das vezes, a
pesquisa exploratória constitui a primeira etapa de uma investigação
mais ampla. Quando o tema é bastante genérico, torna-se
necessário seu esclarecimento e delimitação, o que exige revisão da
literatura, discussão com especialistas e outros procedimentos.
 Pesquisa Descritiva. Busca descrever as características de
determinada população, fenómeno, ou o estabelecimento de
relações entre variáveis. Nesta pesquisa os factos são observados,
registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o
pesquisador interfira sobre eles, ou seja os fenómenos do físicos e
humanos são estudados, mas não são manipulados pelo
pesquisador (estudar as características de um grupo, estudar o nível
de atendimento dos órgãos públicos, as condições de habitação de
uma região, o índice de criminalidade, levantar opiniões, atitudes e
crenças de uma população, pesquisas eleitorais que indicam a
relação entre preferência e nível de rendimento e/ou escolaridade.
 Pesquisa Explicativa. É mais complexa porque, além de registrar,
analisar, classificar e interpretar os fenómenos estudados, tem como
preocupação central identificar seus factores determinantes. Este
tipo de pesquisa é o que mais aprofunda o conhecimento da

Página4 – Introdução a Pesquisa Científica


realidade, porquanto explica a razão, o porquê das coisas e,
portanto, está mais sujeita a erros. São os resultados das pesquisas
explicativas que fundamentam o conhecimento científico. A maioria
das pesquisas explicativas utiliza o método experimental que
possibilita a manipulação e o controle das variáveis, no intuito de
identificar qual a variável independente que determina a causa da
variável dependente, ou o fenómeno de estudo.

Quanto aos procedimentos técnicos

 Pesquisa Bibliográfica. Elaborada a partir de material já publicado,


constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e
actualmente material disponibilizado na Internet. Consiste em
apresentar e comentar o que outros autores escreveram sobre o
tema, enfatizando as diferenças ou semelhanças que existem entre
os conceitos. É comum que apareçam citações literais de autores
que falam sobre o assunto. As citações devem seguir as regras
propostas pelas normas de citação como por exemplo: APA, ABNT,
Chicago, etc. Constitui-se do acto de ler, seleccionar, fichar,
organizar e arquivar tópicos de interesse para a pesquisa em pauta.
 Pesquisa Documental. Elabora-se através de materiais que não
receberam tratamento analítico - documentos em geral. Enquanto
na pesquisa bibliográfica utiliza-se fundamentalmente das
contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto na
pesquisa documental utiliza-se de documentos de primeira mão.
Uso de fontes documentais baseia-se principalmente na análise e
interpretação de informações e podem incluir relatórios
governamentais, documentos de arquivo, registros históricos,
periódicos, entre outros materiais impressos ou digitais.
 Pesquisa Experimental. Pesquisa em que se determina um objecto
de estudo, seleccionam-se as variáveis capazes de influenciá-lo,
definem-se as formas de controlo e de observação dos efeitos que a
variável produz no objecto. Esta pesquisa procura entender de que
modo, ou por que causas, o fenómeno é produzido. Para atingir os
resultados, o pesquisador usa aparelhos e instrumentos que a
técnica moderna coloca ao seu alcance, lança mão de

Página5 – Introdução a Pesquisa Científica


procedimentos apropriados, capazes de tornar perceptíveis as
relações existentes entre as variáveis envolvidas no objecto de
estudo.
 Pesquisa Ex-post-facto. (a partir do facto passado). Estudo
realizado após a ocorrência de variações na variável dependente no
curso natural dos acontecimentos. O objectivo principal dessa
modalidade de pesquisa é verificar a existência de relações entre
variáveis. Diferente da pesquisa experimental na pesquisa ex-post-
facto, o pesquisador não dispõe de controlo sobre a variável
independente que constitui o factor presumível do fenómeno,
porque ele já ocorreu. O pesquisador identifica situações que se
desenvolveram naturalmente e trabalhar sobre elas como se
estivessem submetidas a controlos. O delineamento ex-post-facto
não garante que as conclusões relativas a relações do tipo causa-
efeito sejam totalmente seguras.
 Pesquisa-Acção. Pesquisa realizada em estreita associação com
uma acção ou com a resolução de um problema colectivo. Os
pesquisadores e participantes representativos da situação ou do
problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
No processo da pesquisa-acção, os pesquisadores devem recorrer a
métodos e técnicas de grupo para lidar com a dimensão colectiva da
investigação, além de técnicas de registro, de processamento e de
exposição dos resultados. É preocupação dos pesquisadores a
pesquisa teórica, a organização de seminários, a selecção de
métodos e das técnicas de pesquisa de campo, a organização dos
instrumentos, a aplicação dos instrumentos, o cotejar do saber
formal dos especialistas com o saber informal dos usuários.
 Pesquisa Participante. Pesquisa que se desenvolve a partir da
interacção entre pesquisadores e membros das situações
investigadas. Entretanto, enquanto que a pesquisa acção é
especialmente centrada na acção, a pesquisa participante esta
comprometida com a redução da relação entre dirigente e dirigidos,
logo, centra-se nas relações político-sociais que abrem o espaço
para a participação. A pesquisa participante envolve, além da
participação e observação directa, análise documental, entrevista,

Página6 – Introdução a Pesquisa Científica


enfim, todo um conjunto de técnicas metodológicas que abrem
espaço para o envolvimento dos participantes no processo de
investigação.

4.2. Etapas de uma pesquisa científica

A pesquisa necessita de uma elaboração minuciosa com a utilização de


métodos, abordagens e teorias. Embora enfatizando o valor da
criatividade, convém lembrar que a pesquisa científica não pode ser fruto
apenas da espontaneidade e intuição do indivíduo, mas exige submissão
tanto aos procedimentos do método como aos recursos da técnica. Na
pesquisa deve-se utilizar da boa conduta humana moralmente correcta.
Deste modo existem alguns princípios éticos que devem ser seguidos
desde a elaboração à execução da pesquisa como: necessidade da
honestidade intelectual, utilização e/ou apropriação de obras de
terceiros (violando o direito autoral, ser fiel as fontes bibliográficas
utilizadas e devida utilização das normas que dão orientações aos
trabalhos científicos. A pesquisa é um exercício para incentivar a
investigação científica na relação docente, discente e academia que
permite construção de conhecimento original de acordo com certas
exigências científicas.

Fazer uma pesquisa científica não é fácil, além da iniciativa e originalidade,


exige persistência, dedicação ao trabalho, esforço contínuo e paciente,
qualidades que tomam sua feição específica. Para a realização de uma
pesquisa científica é imprescindível: a existência de uma pergunta que se
deseja responder; a elaboração de um conjunto de passos que permitam
chegar à resposta e a indicação do grau de confiabilidade na resposta
obtida. O planeamento e a execução da pesquisa fazem parte de um
procedimento sistematizado que compreende etapas, sendo:

1. Delimitação do tema.

A escolha do tema da pesquisa geralmente é um momento de angústia.

Página7 – Introdução a Pesquisa Científica


Sugerem-se certas operações que podem facilitar a escolha: são técnicas
especiais, operações particulares a serem executadas neste primeiro passo
da pesquisa, considerando critérios como:
 Conhecimento prévio de autores, temas, assuntos, matérias;
 Disponibilidade de tempo e de recursos para a pesquisa;
 Existência de bibliografia disponível no assunto;
 Possibilidade de orientação e supervisão adequada dentro do
assunto;
 Relevância e fecundidade do assunto.

A definição do tema deverá ser guiada não apenas por razões intelectuais,
mas também por questões como a instituição, o nível de conhecimento e
a perspectiva profissional. É imprescindível ressaltar, que o assunto de
uma pesquisa é qualquer tema que necessite melhores definições, melhor
precisão e clareza do que já existe sobre o mesmo.
A decomposição do assunto equivale ao desdobramento do mesmo em
partes, enquanto a definição dos termos implica a enumeração dos
elementos constitutivos ou explicativos que os conceitos envolvem. Nem
todos os assuntos poderão ser delimitados com auxílio dessas técnicas
especiais. De acordo com a natureza do assunto seleccionado, recorrer-se-
á a uma ou outra das técnicas de delimitação. Assim, para delimitar o
assunto, pode-se ainda fixar circunstâncias, sobretudo de tempo e espaço:
trata-se de indicar o quadro histórico e geográfico, em cujos limites se
localizam o assunto.

2. Formulação do problema.

O problema de uma pesquisa é algo a ser formulado pelo autor no início


de seu processo. A partir de uma visão global do contexto, deve surgir o
problema a ser pesquisado. Deve ser identificado claramente e delimitar
os aspectos ou elementos que serão abordados. Deve apresentar a
situação-problema da pesquisa que não necessariamente será uma
limitação. Ou seja, consiste em dizer de maneira explícita, clara,
compreensível e operacional qual é a dificuldade com a qual nos
deparamos e que pretendemos resolver, limitando o seu campo e
apresentando suas características.
A palavra problema não significa uma dificuldade, um obstáculo real à

Página8 – Introdução a Pesquisa Científica


acção ou à compreensão, mas sim ao foco, ao assunto, ao tema específico
delimitado e formulado pelo pesquisador para ser alvo de seu estudo e de
sua prática. Pode ser uma oportunidade percebida sobre uma temática a
ser pesquisada. O problema é escrito na forma de uma pergunta a ser
respondida ao longo da pesquisa, o problema deve referir-se
especificamente ao interesse a ser investigado. Um trabalho de pesquisa
deve apresentar uma ou mais perguntas de pesquisa, que são os
questionamentos que surgem naturalmente a partir da descrição do
problema.

3. Formulação de hipótese.

As hipóteses são suposições que se fazem na tentativa de explicar o que


se desconhece. Consiste em dar explicação provisória e ao mesmo tempo
serve de guia na busca de informações para verificar a validade desta
explicação. As hipóteses antecipam que determinada característica ocorre
com maior ou menor frequência em determinado grupo, sociedade ou
cultura, além de estabelecer relação de associação entre variáveis —
observa-se aqui a existência de relação entre as variáveis.

Podem até indicar a força ou o sentido desta relação, mas nada


estabelecem em termos de causalidade, dependência ou influência. A
variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou
diferentes aspectos, segundo os casos particulares ou as circunstâncias.
Assim, idade é uma variável porque pode abranger diferentes valores. Seu
objectivo é o de conferir maior precisão aos enunciados científicos, sejam
hipóteses, teorias, leis, princípios ou generalizações. As hipóteses deste
grupo estabelecem que uma variável interfere na outra. É usual dizer que
as hipóteses deste grupo estabelecem a existência de relações causais
entre as variáveis.

4. Determinação de objectivos.

O objectivo de uma pesquisa científica é a sua “espinha dorsal que deve


expressar claramente aquilo que o pesquisador pretende conseguir com a
sua investigação. Delimitam e dirigem os raciocínios a serem

Página9 – Introdução a Pesquisa Científica


desenvolvidos. Do ponto de vista técnico o enunciado de objectivos inicia-
se por um verbo no infinitivo. No caso da pesquisa científica, que se
caracteriza como “actividade intelectual”, o verbo deve indicar uma “acção
intelectual”, mensurável, isto é, cujo “produto final” possa ser verificado.
O cérebro humano é capaz de estágios ou estados cognitivos diversos,
com graus também diversos de complexidade: conhecimento,
compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação.

Cada um desses estágios cognitivos possibilita actividades ou acções


intelectuais, expressas por verbos específicos. O problema expresso como
objectivo geral será subdividido em tantos objectivos específicos quantos
necessários para o estudo e solução satisfatória do problema contido no
objectivo geral. Cada um dos objectivos específicos será uma parte
distinta da futura redacção — um capítulo, um segmento. Ou seja, os
objectivos específicos indicam as partes do conteúdo do texto, a ser
produzido na fase da redacção.

5. Justificativa.

Demonstra a relevância e necessidade do estudo do tema escolhido para


o trabalho. O autor deve informar ao seu leitor sobre a importância da
discussão sobre o tema, abordando sua visão de forma geral para a
específica sobre o assunto tratado. Em conjunto a isto, devem-se utilizar
citações directas e indirectas. A abordagem da justificativa deve ser
técnica e científica, argumentando a favor da motivação da pesquisa ao
mercado e à formação do pesquisador. Deve ser elaborada tendo em vista
por que se pretender realiza esta investigação?
 Propósito ou intenção);
 Possibilidades (formação, experiência) no desenvolvimento desta;
 Importância do tema (utilidade ou necessidade da investigação).
O texto deverá convencer de que a pesquisa é importante, que tem um
significado científico, uma relevância social. Citar informações se for o
caso, de pesquisas já realizadas sobre o tema.

6. Fundamentação teórica.

Página10 – Introdução a Pesquisa Científica


Esta fase da pesquisa apresenta o tema proposto, fundamentando-o com
uma revisão crítica de fontes de pesquisa relacionadas ao tema de forma
ampla para depois especificá-la. Deve-se relacionar sua visão sobre o
tema fundamentado aos acontecimentos actuais e trabalhos já realizados
na área, bem como opiniões de autores. A fundamentação teórica, revisão
da literatura ou revisão bibliográfica apresenta os conceitos teóricos que
nortearão o trabalho. O texto deve ser construído expressando as leituras
e os diálogos teóricos entre o pesquisador e os autores pesquisados.

7. Metodologia.

Para o desenvolvimento de qualquer pesquisa científica, é necessária a


definição dos procedimentos metodológicos. Assim, o pesquisador deve
citar e explicar os tipos de pesquisa que o estudo trata, justificando cada
item de classificação e a relação com o tema e objectivos da pesquisa.
Deve-se fazer uso de citações para enriquecer a argumentação. Toda e
qualquer fonte devem ser referenciadas.

8. Colecta de dados.

Apresentar como foi organizada e operacionalizada a colecta dos dados


relativos ao processo de pesquisa. Todas as formas usadas de colecta
devem ser mencionadas como: levantamento bibliográfico — leituras
especializadas —, análise documental, questionários, entrevistas,
observação e outros, bem como onde foram colectadas — identificando o
ambiente, a população e a amostra para a pesquisa.

9. Análise e discussão dos resultados.

O objectivo da análise é reunir as informações de forma coerente e


organizada, visando a responder o problema de pesquisa. A interpretação
proporciona um sentido mais amplo aos dados colectados, fazendo a
relação entre eles. Esta etapa pode ser de carácter quantitativo ou
qualitativo, utilizando várias técnicas para o tratamento dos dados. É
conveniente a realização de uma análise descritiva, apresentando uma
visão geral dos resultados, e, na sequência, análise dos dados cruzados,

Página11 – Introdução a Pesquisa Científica


que possibilita perceber as relações entre as categorias de informação, e
da análise interpretativa.

Assim, a pesquisa deve prezar pela necessidade de apresentação, formal e


oficial, dos resultados do estudo; explicitação dos objectivos, de
metodologia e dos resultados; e prioridade à fidedignidade na
transmissão das descobertas feitas. Todas as informações importantes
constatadas na pesquisa devem ser apresentadas em forma de texto ou
de elementos de apoio ao texto, se for necessário, como figuras, quadros,
gráficos e tabelas. Pode-se apresentar um quadro compreendendo o
período em que se realizaram as actividades da pesquisa.
10. Redacção e apresentação da pesquisa.

Aborda temática referente à ciência, utilizando seu instrumental teórico e


objectivando a discussão científica. Utiliza linguagem técnica ou científica
em seu nível padrão ou culto, respeitando as regras gramaticais. Todo
texto é formado por parágrafos e, por isso, a preocupação deve ser na sua
elaboração e harmonia das ideias. O parágrafo é formado por um
conjunto de enunciados que devem convergir para a produção de um
sentido. A primeira frase de cada parágrafo, denominada tópico frasal, é
sempre muito importante, devendo ter uma palavra forte que possa ser
explorada. A má definição dificulta a redacção. Assim, devem-se evitar
abstracções e lembrar que cada parágrafo deve explorar uma só ideia.
Explorar várias ideias ao mesmo tempo torna o texto confuso e sem
coerência.

A construção de sentido no texto relaciona-se com a coesão e a coerência


dele. Um texto coerente é um conjunto harmónico, em que todas as
partes se encaixam de maneira complementar, de modo que nada haja de
destoante, ilógico, contraditório, ou desconexo. Já o texto coeso é aquele
em que seus vários enunciados estão organicamente articulados entre si,
em que há concatenação entre eles. O modelo de apresentação do
documento deverá seguir as regras definidas para sua tipologia —

Página12 – Introdução a Pesquisa Científica


monografia, artigo científico e outros — e a instituição solicitante —
universidade, revista científica, evento e outros. Após os procedimentos de
planeamento e execução, tem-se a divulgação dos resultados obtidos na
pesquisa.

4.3. Planeamento da pesquisa: Projecto científico

Para o desenvolvimento adequado de uma pesquisa científica, é


necessário planeamento cuidadoso da investigação de acordo com as
normas da metodologia científica, tanto aquela referente à forma quanto
a que se refere ao conteúdo. O projecto é uma das etapas componentes
do processo de elaboração, execução e apresentação de pesquisa. Esta
necessita ser planejada com extremo rigor, caso contrário o investigador,
em determinada altura, encontrar-se-á perdido num emaranhado de
dados colhidos, sem saber como dispor dos mesmos ou até
desconhecendo seu significado e importância.

O planeamento e a fase na qual o pesquisador ou, se for o caso, o seu


grupo faz uma avaliação preliminar do projecto de pesquisa a ser
elaborado, analisando a sua viabilidade. Se o planeamento indicar que a
pesquisa é viável, então parte-se para a segunda etapa. Vale ressaltar que
o planeamento inicial precisa ser sucinto e resumido, porém, com clareza
de ideias e objectivos. Desde que se tenha em vista uma pesquisa
qualquer, deve-se pensar antes de tudo em elaborar um projecto que
possa garantir sua viabilidade.

O nível de detalhes do planeamento de um projecto de pesquisa


depende, é claro, da dimensão do que será pesquisado. Um projecto de
pesquisa requer do pesquisador e de sua equipa (quando esta existir) uma
dedicação ímpar para que sejam alcançados os resultados esperados.
Assim, é natural que se procure seguir uma série de etapas sequenciais,
visando obter melhor produtividade. O projecto de pesquisa pode ter as
seguintes etapas:

 Título do projecto de pesquisa. A etapa do planeamento do


projecto de pesquisa é também uma fase em que se discute um pré-

Página13 – Introdução a Pesquisa Científica


título para o projecto, que poderá ou não ser definitivo. É um tópico
extremamente importante, porque, uma vez definido, não deve
sofrer alterações após a sua apresentação ou submissão sem uma
boa justificativa. O título do projecto deve ser claro e destacar o
objectivo principal da pesquisa. É preciso observar uma enorme
coerência de ideias entre ele e o conteúdo do projecto. Deve-se
evitar ao máximo dar ao projecto de pesquisa um título extenso, de
compreensão dúbia e que tenha grande abrangência.
 Resumo do projecto e palavras-chave. O resumo do projecto de
pesquisa deve ser sucinto e objectivo. Ele deve expressar uma ideia
geral do que vai ser pesquisado: os objectivos pretendidos, as
pesquisas já realizadas a respeito do tema, a forma como os
resultados serão analisados e as possíveis conclusões baseadas na
premissa inicial da(s) hipótese(s) levantada(s). As normas para
elaboração e apresentação do resumo e das palavras-chave já foram
explicadas no capítulo anterior.
 O problema a ser pesquisado e sua justificativa. É nesse item do
projecto que o(s) autor(es) demonstra(m) a razão da pesquisa
proposta. É aqui que a justificativa da pertinência de se pesquisar o
tema proposto é apresentada, com base em dados levantados.
Quais foram os fundamentos científicos que levaram à proposta em
questão? Que benefícios e contribuições a pesquisa irá fornecer à
comunidade científica e à sociedade? Que avanços tecnológicos tal
pesquisa poderá proporcionar? São aqueles que, quando
alcançados, poderão proporcionar benefícios à ciência em geral e às
áreas afins do tema de pesquisa. Pesquisa científica: da teoria à
prática
 Os objectivos. Nesta etapa do projecto, também deverão ser
especificados os objectivos – gerais e específicos – a serem
alcançados. Podemos entender como objectivos gerais aqueles de
maior abrangência, com carácter generalista. São aqueles
directamente relacionados ao tema principal da pesquisa. São
pontuais e restritos à área do conhecimento em que se enquadra o
projecto. Se alcançados, eles poderão apresentar uma solução
definitiva para o problema pesquisado ou trazer uma proposta
inovadora para a sua resolução. Os objectivos específicos de um

Página14 – Introdução a Pesquisa Científica


projecto são, portanto, mais limitados quantitativamente do que os
gerais.
 O estado da arte do assunto a ser pesquisado Uma vez definidos
o problema, os objectivos e as justificativas da pesquisa, cabe agora
incluir no projecto um tópico que trate do panorama actual de
outras pesquisas relacionadas ao tema. É a fase da revisão
bibliográfica que apresenta “como” estão os outros trabalhos que se
aventuraram a trabalhar com temas semelhantes ou aproximados.
Além disso, é preciso buscar na literatura especializada o que já foi
feito para solucionar o problema pesquisado e os motivos que
levaram a não solucioná-lo. Com esse procedimento, evitam-se a
duplicação de pesquisas e o investimento em áreas já pesquisadas e
solucionadas, bem como a escolha de temas que demandem
investimentos excessivamente elevados. É preciso pesquisar as
origens do problema, sua natureza, suas características e os desafios
para a sua solução.
 Metodologia a ser utilizada. Estamos na sétima etapa do projecto
de pesquisa, que trata dos métodos a serem aplicados no
desenvolvimento deste. A escolha está directamente vinculada aos
objectivos e à fundamentação teórica escolhida.
Independentemente de a pesquisa ser quantitativa ou qualitativa, a
metodologia empregada para alcançar os objectivos delineados
deve ser cuidadosamente detalhada nessa fase do projecto. Neste
item, o pesquisador irá descrever, entre outras coisas: se serão
realizados experimentos e quais serão eles, além das técnicas e
equipamentos a serem utilizados, quando for o caso; o instrumento
de colecta de dados que será aplicado: questionário, roteiro de
entrevista, protocolo de observação etc.; quais parâmetros
estatísticos serão utilizados: população/ amostra, média, mediana,
desvio padrão etc.; se a pesquisa envolver seres humanos, quais os
critérios de selecção e quais os cuidados a serem tomados.
 Materiais e Equipamentos necessários. Uma vez explicitados os
materiais a serem aplicados ao longo do projecto de pesquisa, há a
necessidade de relacioná-los e justificá-los, sejam eles permanentes
ou de consumo, bem como apontar quais equipamentos serão
necessários para que o projecto se concretize. É interessante e

Página15 – Introdução a Pesquisa Científica


importante que se faça previamente uma cotação de preços – ou
seja, um orçamento – dos materiais e equipamentos que serão
utilizados. Há de se prever também questões relacionadas a
condições de garantia e, quando necessário, contractos de
manutenção dos equipamentos. Em alguns casos, pode ser que haja
a necessidade de se importar produtos ou outros itens. Se houver, é
fundamental verificar quais são as exigências legais para tal
procedimento.
 Resultados esperados. Embora a pesquisa sequer tenha sido
iniciada, é fundamental que sejam identificados os possíveis
resultados a serem obtidos. Com base nas hipóteses levantadas para
o problema pesquisado, no levantamento bibliográfico realizado e
na metodologia a ser empregada, bem como nos materiais e
equipamentos que serão utilizados, é possível fazer uma estimativa
– com um certo grau de confiança – de quais resultados serão
obtidos. Em todo caso, o projecto deve ser delineado de maneira
que permita que os seus realizadores contornem possíveis desvios
de resultados, fazendo, assim, os devidos ajustes, se necessário.
 Forma de análise dos resultados. O projecto de pesquisa deve
descrever qual(ais) será(ão) a(s) forma(s) ou a metodologia de
análise dos resultados obtidos, que depende muito do tipo de
pesquisa utilizada. No caso das quantitativas, modelos matemáticos
e estatísticos são frequentemente empregados, já que os primeiros
permitem fazer uma “modelagem” dos resultados por meio da
simulação de situações reais, e os segundos aceitam uma análise de
distribuição, frequências, médias, desvios padrões, modas etc. A
tabulação dos resultados quantitativos permite uma boa
visualização da composição e distribuição destes. A análise dos
resultados pode valer-se também de simples observações e, com a
utilização de métodos comparativos Em pesquisas qualitativas – não
experimentais – cujos resultados são gerados por respostas de
entrevistas, técnicas de análises estatísticas também podem ser
úteis. Por outro lado, existem pesquisas mais simples, básicas, nas
quais o objecto pesquisado, por exemplo, é a análise da obra de um
escritor. Nesse caso, não se espera que o pesquisador encontre
resultados, mas que ele faça um estudo aprofundado sobre o autor

Página16 – Introdução a Pesquisa Científica


e sua obra e redija um parecer a respeito da pesquisa. Assim, a
análise dos resultados não se aplica da forma tradicional: com base
em hipóteses levantadas pelo pesquisador e em seus estudos, ele irá
confrontar ambos para tirar suas conclusões.
 Cronograma de execução do projecto. Sempre que se faz um
planeamento, por mais simples que seja, é recomendável que se
estabeleça uma sequência de actividades. O cronograma de
execução é de extrema importância. A partir dele é que será possível
avaliar se o projecto proposto é factível ou não dentro do prazo
estabelecido. Além disso, o cronograma permite ao pesquisador ou
grupo de pesquisa orientar-se quanto ao andamento das
actividades, acelerando as que, eventualmente, estiverem atrasadas
e revendo os prazos estabelecidos.
 Formas de disseminação (divulgação) e de avaliação do
projecto. Tão importante quanto concluir o projecto etapa por
etapa é prever como os resultados serão disseminados ao longo de
seu desenvolvimento. Mesmo que os resultados parciais podem
contribuir de maneira significativa para outros pesquisadores que
actuam em áreas afins, apresentá-los em eventos científicos ou
profissionais torna-se uma obrigação. Para tanto, existe uma
calendário anual de eventos científicos regularmente programados,
nos quais é possível expor os resultados por meio de apresentações
orais ou na forma de póster. Seja em congressos, seminários,
workshops ou em jornadas científicas – nacionais ou internacionais –
, as oportunidades de divulgação de pesquisas são amplas. É
possível também prever a publicação dos resultados em artigos
científicos de revistas especializadas ou de cunho profissional,
nacionais ou internacionais.
 Planilha orçamentária (previsão de investimentos, custos e
despesas) Todo projecto, seja de pesquisa ou não, sempre envolve
custos – directos ou indirectos – que precisam ser especificados,
detalhados e organizados em uma planilha. No caso específico de
um projecto de pesquisa científica, uma série de itens precisa ser
relacionada. Investimentos são necessários quando a infra-estrutura
existente não atende ao mínimo necessário para o bom

Página17 – Introdução a Pesquisa Científica


desenvolvimento das actividades previstas no projecto.
 Referências. A última parte do estudo deve incluir uma lista com
todas as fontes consultadas para a sua elaboração e fundamentação
(artigos de revistas, teses, livros etc.). A indicação das referências
deve seguir uma norma específica
 Apêndices. Constituem um item opcional, onde podem ser
incluídos documentos complementares à pesquisa, elaborados pelo
próprio autor. A diferença em relação aos anexos é que, nestes, são
incluídos documentos elaborados por terceiros. Nos apêndices,
podem ser incluídos o questionário utilizado, a carta de
apresentação do autor à instituição onde será desenvolvida a
pesquisa ou, ainda, o termo de consentimento livre apresentado aos
participantes, por exemplo.
 Anexos. Trata-se de um item opcional dentro do projecto de
pesquisa. Nos anexos é incluída a documentação complementar
para consulta, ou seja, tudo que o pesquisador julgar importante
para uma boa avaliação do trabalho. Pesquisa científica: da teoria à
prática Podem estar nos anexos, entre outros: documentos oficiais,
parecer do comité de ética, plantas de instalações onde será
desenvolvida a pesquisa, cópias ou originais de orçamentos e fotos
ou imagens ilustrativas.
Tudo deve ser estudado e planeado, a fim de que as fases da pesquisa se
processem normalmente, sem riscos de surpresas desagradáveis. O
projecto de pesquisa é muitas vezes, a garantia de seu êxito. Pode,
evidentemente, ser modificado, adaptando-se às novas contingências.
Será sempre motivo de tranquilidade para o pesquisador, além de
testemunhar seu espírito sistemático e sua força de vontade do
pesquisador deve desenvolver a capacidade de elaborar projectos de
pesquisa, pelo menos para atender a seus interesses pessoais ou do grupo
em que está inserido.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Paulo: McGraw-Hill, 1986.
COSTA, Marco António F. da. Metodologia da pesquisa: conceitos e
técnicas. Rio de Janeiro: Interciência, 2001.
CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento: fundamentos
epistemológicos e políticos. 10. Ed. – São Paulo: Cortez: Instituto Paulo
Freire, 2006. Pg. 141.
DEMO, Pedro. Introdução a metodologia da ciência. São Paulo: Atlas,
1994.
___________. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia
científica no caminho de Habernas. Rio de Janeiro: Templo Brasileiro,
1996.
GONÇALVES, Elisa Pereira. Conversa sobre pesquisa científica. Campinas,
SP: Editora Alínea, 2001.
KOCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica teoria da
ciência e prática de pesquisa. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1991

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MARCANTONIO, Antónia Terezinha. Elaboração e divulgação do trabalho
científico. São Paulo: Atlas, 1993.
MAY, Tim. Pesquisa social: questões métodos e processos, Porto Alegre:
Artmed, 2004.
MAZZOTTI, Alda Judith Alves. O método nas ciências naturais e sociais:
pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, 1999.
RUDIO, Vítor Franz. Introdução ao projecto de pesquisa científica.
Petrópolis: Vozes, 1986.
SANTOS, António Raimundo dos. Metodologia científica: a construção do
conhecimento. Rio de Janeiro: DP&A editora, 1999.

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