Isabel Damião
A Pedagogia no Sistema das Ciências da Educação
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Recursos Naturais e Ambiente
2024
Isabel Damião
A Pedagogia no Sistema das Ciências da Educação
Licenciatura em Ensino de Biologia
Trabalho de carácter avaliativo apresentado
no Desenvolvimento Rural e Biociência.
Curso de Licenciatura em Ensino de
Biologia, disciplina de Fundamentos de
Pedagogia, sob orientação de:
Docente Prof. Doutor Félix Alexandre Nhambe
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Recursos Naturais e Ambiente
2024
Índice
Introdução..........................................................................................................................4
1.A Pedagogia no Sistema das Ciências da Educação.......................................................5
1.1. Conceitos básicos........................................................................................................5
1.1.1. Pedagogia..................................................................................................................5
1.1.2. Educação...................................................................................................................5
1.2. O carácter sistemático da ciência pedagógica..............................................................7
1.3. Os fundamentos científicos da pedagogia.................................................................10
Conclusão.........................................................................................................................13
Referências bibliográficas................................................................................................14
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Introdução
A Pedagogia, como disciplina fundamental no sistema das Ciências da Educação,
desempenha um papel crucial na compreensão e no aprimoramento dos processos
educativos. Enquanto campo de estudo e prática, a Pedagogia investiga os princípios, teorias
e métodos que orientam a educação em suas múltiplas dimensões, desde a formação de
indivíduos até a organização de sistemas educacionais.
No contexto mais amplo das Ciências da Educação, a Pedagogia se destaca por sua ênfase
na compreensão dos fenômenos educacionais de maneira holística, considerando não apenas
os aspectos técnicos e metodológicos, mas também os aspectos psicológicos, sociais,
culturais e políticos que influenciam o processo educativo.
Objectivo geral:
➢ Compreender a pedagogia no sistema das ciências sociais.
Objectivos específicos:
➢ Apresentar os conceitos de pedagogia, educação;
➢ Reconhecer o carácter sistémico da ciência pedagógica;
➢ Explicar os fundamentos científicos da pedagogia.
Metodologia
A metodologia utilizada neste trabalho baseia-se principalmente na pesquisa bibliográfica,
que envolve a análise de fontes secundárias, como livros, artigos académicos e materiais
electrónicos relacionados ao tema. No que diz respeito a organização, o trabalho composto
por elementos pré-textuais, desenvolvimento e elementos pós-textuais.
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1. A Pedagogia no Sistema das Ciências da Educação
1.1. Conceitos básicos
1.1.1. Pedagogia
O termo pedagogia, deriva do grego antigo “paidagogos”, era inicialmente composto
por “paidos”=criaça e “gogia”=conduzir ou acompanhar.
Outrora, este conceito faz referência dos escravos da antiga Grécia, os paidagogos que
eram encarregados de acompanhar as crianças que iam a escola. Por meio dessas
interacções esses escravos desenvolveram grande habilidade no trato com as crianças. E
actualmente, o pedagogo é um especialista em educação, e pedagogia, é o conjunto de
conhecimentos sistemáticos que competem a educação.
Também a pedagogia pode ser entendida como sendo a filosofia, a ciência e a técnica da
educação (Piletti, 1986).
A Pedagogia é uma ciência da educação, juntamente com as outras
ciências da educação, embora distinguindo-se delas por causa do seu
carácter científico e, por conseguinte, formando um grupo à parte. As
ciências da educação incluem a Pedagogia: mas a Pedagogia não
inclui as "Ciências da Educação". (...) tenhamos em conta que a
pedagogia deve fundamentar-se nas "Ciências da educação"...”. (J. M.
ª. Quintana Cabanas)
Enquanto fenómeno tipicamente social e especificamente humano, trata-se de uma
ciência aplicada de carácter psicossocial, cujo objecto de estudo é a educação.
Assim, mais tarde, o significado deste termo adquiriu outro valor; assim começou-se a
chamar às pessoas que se dedicavam a educação das crianças e, para isso, tinham uma
preparação especial. Dessa maneira, surgiu a Pedagogia como ciência da educação das
novas gerações. Hoje, pedagogo é o especialista em assuntos educacionais.
1.1.2. Educação
É um processo que visa ao desenvolvimento integral (físico, afectivo e intelectual) da
personalidade.
É um processo pelo qual a pessoa se auto-realiza ao mesmo tempo se integra à
sociedade (Karling, 1991).
Segundo o ICCP (1988) se entende por educação o conjunto de influências que exerce a
sociedade sobre o indivíduo. Isso implica que o ser humano se educa durante toda a
vida.
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A educação consiste, ante todo, em um fenómeno social historicamente condicionado e
com um marcado carácter classista. Através da educação se garantirá a transmissão de
experiências de uma geração à outra. (ICCP, 1988, p.31)
Segundo Lênin, V (apud. ICCP, 1988), a educação é uma categoria
geral e eterna, pois é parte inerente da sociedade desde seu
surgimento. Também, a educação constitui um elo essencial no
sucessivo desenvolvimento dessa sociedade, a ponto de não conceber
progresso histórico-social sem sua presença.
Para Martins,J (1990), a educação é um processo de acção da sociedade sobre o
educando, visando entregá-lo segundo seus padrões sociais, económicos, políticos, e
seus interesses.
Reconhece-se aqui a necessária preparação para a vida, já referida em outras definições
e que só se logra a através de convicções fortes e bem definidas de acordo com esses
padrões. Para uns, Educação é processo, para outros é categoria, ou fenómeno social, ou
preparação, ou conjunto de influências, e muitos conceitos mais.
Ainda seguindo a linha de pensamento de J. Martins, (1990),se concorda que a educação
tem as seguintes características:
➢ É fato histórico, pois se realiza no tempo;
➢ É um processo que se preocupa com a formação do homem em sua plenitude;
➢ Busca a integração dos membros de uma sociedade ao modelo social vigente;
➢ Simultaneamente, busca a transformação da sociedade em benefício de seus
membros;
➢ É um fenómeno cultural, pois transmite a cultura de um contexto de forma
global;
➢ Direcciona o educando para o auto consciência;
➢ É ao mesmo tempo, conservadora e inovadora. (Martins, 1990, p.23)
Deve-se analisar que a educação, mais que processo, mais que conjunto de influências, e
outras, é uma actividade. Como toda actividade tem orientação, por tanto pode ser
planejada. É processo, pois está constituída por acções e operações que devem ser
executadas no tempo e no espaço concreto.
Portanto, a educação é uma actividade social, política e económica, que se manifesta de
diversas formas e que seu sistema de acções e operações exercem influências na
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formação de convicções para o desenvolvimento humano do ser social e do ser
individual.
Neste último aspecto vale destacar que o ser humano que se pretende
construir, desde a óptica como ser social deve ser desenvolvido
simultaneamente nos planos, físico e intelectual, que tem consciência
clara de suas possibilidades e limitações. Um homem munido de uma
cultura que lhe permita conhecer, compreender e reflectir sobre o
mundo. (Martins, 1990, p. 22)
Desta feita, o processo pedagógico, como aspecto consciente dentro do planeamento
educacional, surge a partir das mudanças sofridas pela sociedade e com o objectivo de
construir determinado protótipo de ser humano. Por isso, um dos meios importantes
para influir na construção desse novo ser, é através do adequado planeamento
educacional. Os programas, planos, e projectos, resultados dessas actividades de gestão
educativa, sejam introduzidos e generalizados como forma ideal para orientar, executar
e controlar o trabalho educativo.
1.2. O carácter sistemático da ciência pedagógica
O primeiro carácter do conhecimento científico, reconhecido até por cientistas e
filósofos das mais diversas correntes é a objectividade, no sentido de que a ciência
intenta afastar do seu domínio todo o elemento afectivo e subjectivo, deseja ser
plenamente independente dos gostos e tendências pessoais do sujeito que a elabora.
Numa palavra, o conhecimento verdadeiramente científico deve ser um conhecimento
valido para todos.
De acordo com Vieira Pinto (1969), refere que a objectividade da ciência, por isso, pode
ser também, e talvez melhor, chamado de intersubjectividade, até porque a evolução
recente da ciência, e especialmente da Física , mostrou a impossibilidade de separar
adequadamente o objecto do sujeito e de eliminar completamente o observador.
Este reconhecimento que essencial na teoria da relatividade e na nova física quântica,
torna o carácter da objectividade mais complexo e problemático do que parecia no
século XIX, todavia, não elimina de modo algum da ciência o propósito radicalmente
objectivo.
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Outro carácter do conhecimento científico da pedagogia reside na sua Racionalidade.
Não obstante a oposição de toda a corrente empirista, a ciência moderna é
essencialmente racional, isto é, não consta de meros elementos empíricos mas é
essencialmente uma construção do intelecto.
A ciência pode ser definida como um esforço de racionalização do real, partindo de
dados empíricos, através de sínteses cada vez mais vastas, o cientista esforça-se por
abraçar todo domínio dos factos que conhece num sistema raciona, no qual de poucos
princípios simples e universais possam logicamente deduzir-se as leis experimentais
mais particulares de campos a primeira vista aparentemente heterogéneos.
Além disto, os cientistas modernos verificam unanimemente no conhecimento científico
um carácter muito alheio a mentalidade científica do século XIX, o da revisibilidade.
Não há nem nas ciências experimentais, nem mesmo na matemática, posições
definitivas e irreformáveis. Toda a verdade científica aparece, em certo sentido, como
provisória, susceptível de revisão, de aperfeiçoamento, às vezes mesmo de uma
completa reposição em causa.
Todos os conhecimentos científicos são aproximados, quer pela
imperfeição das observações experimentais em que se fundam, quer
pela necessária abstracção e esquematização com que são tratados. Os
conceitos de adequação total e perfeita devem ser substituídos pelos
de aproximação e validez limitada. Esta nova mentalidade científica
que deve ser mantida num só equilíbrio é principalmente o fruto de
numerosas crises e revoluções da ciência. (Veiga, 1995)
Finalmente, um último carácter do conhecimento científico é a autonomia relativamente
à Filosofia e à fé. A ciência tem o seu próprio campo de estudo, o seu método próprio
de pesquisa, uma fonte independente de informações que é a Natureza.
Isto não significa que a Filosofia não possa e não deva levar a termo uma indagação
crítica sobre a natureza da ciência, sobre os seus métodos e os seus princípios [uma
indagação levada a cabo pela Epistemologia -- nota d'O Canto] e que o cientista não
possa tirar vantagem do conhecimento reflexivo, filosófico e crítico da mesma
actividade de cientista.
Mas em nenhum caso a ciência poderá dizer-se dependente de um sistema filosófico ou
poderá encontrar numa tese filosófica uma barreira-limite que impeça a priori a
aplicação livre e integral do seu método de pesquisa. E o mesmo se dirá no que respeita
à fé: ela poderá constituir uma norma directriz e prudencial para o cientista, enquanto
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homem e crente, nunca será uma norma positiva ou restritiva para a ciência enquanto
tal. O conhecimento é multifacetado e com várias classificações. Segundo Morin, não se
tem mais um porte seguro para o mesmo. Mas dentro da tradição positivista, o
conhecimento precisa de alguns pré-requisitos para ser científico. Dentro das Ciências
Naturais, este são os critérios para ser científico. No entanto, em outras áreas, segue
outros critérios.
O conhecimento científico é fáctico: Parte dos factos, respeita-os até certo ponto e
sempre retorna a eles. A ciência procura descobrir os factos tais como são,
independentemente do seu valor emocional ou comercial: a ciência não poetiza os
factos. Em todos os campos, a ciência começa por estabelecer os factos: isto requer
curiosidade impessoal, desconfiança pela opinião prevalecente e sensibilidade à
novidade.
Nem sempre é possível, nem sequer desejável, respeitar inteiramente os factos quando
se analisam, e não há ciência sem análise, mesmo quando a análise é apenas um meio
para a reconstrução final do todo. O físico perturba o átomo que deseja espiar; o biólogo
modifica e pode inclusive matar o ser vivo que analisa; o antropólogo, empenhado no
seu estudo de campo de uma comunidade, provoca nele certas modificações.
O conhecimento científico é claro e preciso: os seus problemas são distintos, os seus
resultados são claros. A ciência torna preciso o que o senso comum conhece de maneira
nebulosa.
O conhecimento científico é comunicável: não é inefável, mas expressável; não é
privado, mas público. A linguagem científica comunica informações a quem quer que
tenha sido preparado para a entender. O que é inefável pode ser próprio da poesia ou da
música, não da ciência, cuja linguagem é informativa e não expressiva ou imperativa.
O conhecimento científico é verificável: deve passar pelo exame da experiência.
Para explicar um conjunto de fenómenos, o cientista inventa conjecturas fundadas de
algum modo no saber adquirido. As suas suposições podem ser cautelosas ou ousadas,
simples ou complexas; em todo o caso, devem pôr-se à prova.
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O teste das hipóteses fácticas é empírico, isto é, observacional ou experimental. Nem
todas as ciências podem experimentar; e em certas áreas da astronomia e da economia,
alcança-se uma grande exactidão sem ajuda da experimentação.
1.3. Os fundamentos científicos da pedagogia
A pedagogia sendo a ciência dessa educação crítica também precisa ser crítica ao olhar
para os fenómenos educativos, para que no momento da práxis a acção seja consciente.
Para Pimenta: “[..] a pedagogia precisa revelar de modo crítico/ analítico as
contradições sociais, os momentos de alienação na práxis educacional e socialização
anteriores, para daí criar as pré-condições teoricamente conscientes para uma prática
consciente dessa alienação” (1994, p. 14).
Sendo a pedagogia uma ciência prática, ela possui “a estrutura peculiar de ser uma
ciência da educação para a educação, porque a educação, enquanto seu objecto,
representa uma acção do homem sobre o homem” (Schmied-Kowarzik, 1983, p. 128-
129).
Pedagogia e educação estão numa relação de interdependência
recíproca; a educação depende tanto de uma directriz pedagógica
prévia quanto a pedagogia de uma práxis educacional anterior. Por
isso a pedagogia nem pode tematizar de uma maneira puramente
teórica a práxis educacional, como um evento passível de
representação, nem pode se voltar a uma intervenção prática directa, já
que ela é uma ciência da educação somente quando é simultaneamente
uma ciência para a educação, e vice-versa. Nesta medida, a instância
medidora entre teoria pedagógica e práxis educativa repousa no
educador, graças ao qual ela pode, enquanto ciência tornar-se prática
na pesquisa e no ensino (Schmied-Kowarzik, 1983, p. 24).
A educação enquanto uma prática social precisa ser crítica, ou torna-se alienada. Nesta
perspectiva, a pedagogia enquanto teoria é entendida como àquela que faz a crítica da
práxis na sociedade e ao fazê-la está tomando partido em relação aos conflitos e as lutas
reais da sociedade. Cabe a pedagogia transformar esta práxis social pela própria prática.
Este olhar transformador que a pedagogia deve estabelecer sobre a realidade, a
dialéctica da práxis social, é o pensamento central da teoria dialéctico materialista de
Karl Marx. Neste contexto a “educação é concebida no momento da prática social [...] é
àquela prática que serve à produção e reprodução [...] à formação dos indivíduos
enquanto portadores da práxis social.
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Em acordo com Schmied-Kowarzik (1983), entendendo a pedagogia como ciência
apenas quando através da prática educativa do educador a sua teoria assume na práxis
carácter humanizador, buscou-se identificar como pedagogos estão ocupando seus
espaços de trabalho como cientistas.
A pedagogia, como já bem se apresentou neste estudo, chega na contemporaneidade por
meio de um curso que forma professores e pedagogos para actuar nas diferentes esferas
onde se façam necessários conhecimentos pedagógicos e/ou educacionais.
O termo pedagogia se aplica ao campo teórico-investigativo da
educação (em conexão com as demais ciências da educação) e ao
campo técnicoprofissional de formação do profissional não
directamente docente e, o de “pedagogo”, ao profissional formado
nesse curso. É dissolvida, assim, a designação pedagogia para
identificar o curso de formação de professores para as séries iniciais
do ensino fundamental, postulando a regulamentação do curso de
Pedagogia destinado a oferecer formação teórica, científica e técnica
para interessados em aprofundamento na teoria pedagógica, na
pesquisa pedagógica e no exercício de actividades pedagógicas
específicas - planeamento de políticas educacionais, gestão do sistema
de ensino e das escolas (Libâneo, 2001, p. 14).
A pedagogia, para além da nomenclatura de um curso, e como descreve Libâneo (2008),
“é um campo de conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e
historicidade e, ao mesmo tempo, uma directriz orientadora da acção educativa” (p. 29-
30).
É a pedagogia que se ocupa da intencionalidade na acção educativa, investigando e
contribuindo para a construção da sociedade ao passo que contribui para a construção de
seres humanos sociais. Contudo, a pedagogia só é ciência por meio do próprio ser
humano, do pedagogo enquanto cientista, aquele que realiza as acções com base em
seus estudos. Por este motivo é que se faz necessário:
[...] a formação de estudiosos que se dediquem à construção do conhecimento científico
na área, uma vez que a educação também é considerada como um campo teórico-
investigativo e que a produção desse conhecimento é requisito fundante de toda
formação técnica e docente (Libâneo, 2001, p. 15).
Segundo Charlot: Não há sujeito de saber e não há saber senão em
uma certa relação com o mundo, que vem a ser, ao mesmo tempo e
por isso mesmo, uma relação com o saber. Essa relação com o mundo
é também relação consigo mesmo e relação com os outros. Implica
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uma forma de actividade e, acrescentarei, uma relação com a
linguagem e uma relação com o tempo” . (1997, p.63).
A prática pedagógica, entendida como essência do trabalho profissional dos professores,
é assim revitalizada. Torna-se prática científica e, por isso, metódica, sistemática,
hermeneuticamente elaborada e teoricamente sustentada. Uma prática pedagógica de
carácter social, portanto, socialmente elaborada e organizada conforme
intencionalidades, conhecimentos.
Em suma: “A prática pedagógica é uma dimensão da prática social e pressupõe a
relação teoria-prática, e é essencialmente nosso dever, como educadores, a busca de
condições necessárias à sua realização” (Veiga, 1994, p.16)
Para tal acção, é fundamental o modo como têm se organizado os cursos de licenciatura,
privilegiando fundamentação ou prática, conforme suas crenças.
Nessa organização, a Pedagogia é fundante, enquanto ciência, pois:
O trabalho pedagógico não se reduz ao trabalho escolar e docente,
embora todo trabalho docente seja um trabalho pedagógico. Vai daí
que a base comum de formação do educador deva ser expressa num
corpo de conhecimentos ligados à Pedagogia e não à docência, uma
vez que a natureza e os conteúdos da educação nos remetem primeiro
a conhecimentos pedagógicos e só depois ao ensino, como modalidade
peculiar de prática educativa. [...] A base da identidade profissional do
educador é a acção pedagógica, não a acção docente. Com efeito, a
Pedagogia corresponde aos objectivos e processos do educativo.
(Pimenta, 2006, p. 120).
Isso posto, acredito na possibilidade de os professores reconstituírem seu lugar social
como profissionais, inseridos em sua comunidade política e socialmente organizada,
imersos em movimentos mais ampliados, nos quais evidenciam-se políticas públicas, as
quais reverberam nas acções pedagógicas. Por isto, reflectir sobre os aspectos
pedagógicos na escola, para mim, implica tais inter-relações e tem como possibilidade
de revitalizar socialmente o trabalho dos professores, trabalho que é a produção da aula,
este evento pedagógico, por excelência.
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Conclusão
Em suma, a Pedagogia ocupa uma posição central e essencial no sistema das Ciências da
Educação, contribuindo de forma significativa para a compreensão e o avanço da educação
em todas as suas formas e contextos. Seja no contexto formal das salas de aula, na educação
não formal ou na educação informal, a Pedagogia oferece uma base teórica e metodológica
que orienta a prática educativa, promovendo o desenvolvimento integral dos indivíduos e o
progresso das sociedades.
Ao reconhecer a complexidade e a diversidade dos fenômenos educacionais, a Pedagogia
nos convida a uma reflexão contínua sobre os desafios e as oportunidades que enfrentamos
no campo da educação. Por meio da pesquisa, do diálogo interdisciplinar e do compromisso
com a melhoria contínua, a Pedagogia continua a desempenhar um papel vital na construção
de um sistema educacional mais justo, inclusivo e eficaz para todos.
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Referências bibliográficas
Charlot, B. (1997). Da relação com o saber. Porto Alegre: Artmed.
Libâneo, J. (2002). “Ainda as perguntas: o que é pedagogia, quem é o pedagogo, o que
deve ser o curso de Pedagogia” IN: PIMENTA, S. G. (Org.) Pedagogia e
pedagogos: caminhos e perspectivas. São Paulo: Cortez,
Libâneo, J. C; Pimenta, S. G. (2002). “Formação dos profissionais de educação: visão
crítica e perspectivas de mudança”. IN: PIMENTA, S. G. (Org.) Pedagogia e
pedagogos: caminhos e perspectivas. São Paulo: Cortez.
Pimenta, S. G. (2006). “Panorama actual da Didáctica no quadro das Ciências da
Educação: Educação, Pedagogia e Didáctica” IN: PIMENTA, S. G. (Coord.)
Pedagogia, ciência da educação? 5 a ed. São Paulo: Cortez.
Schmied-Kowarzik, W. (1983). Pedagogia Dialéctica – de Aristóteles a Paulo Freire.
São Paulo: Brasiliense.
Suchodolski, B. (1977). La educación humana del hombre. Barcelona: Laia.
Veiga, I. A. (1994). A Prática Pedagógica do Professor de Didáctica. SP: Papirus
Editora.
Veiga, I. A. (1995). Projecto político-pedagógico da escola. 23a ed. Campinas:
Papirus. Vieira Pinto, A. (1969). Ciência e existência. Rio de Janeiro: Paz e Terra.