Arborização Urbana e Qualidade de Vida em Chimoio
Arborização Urbana e Qualidade de Vida em Chimoio
Chimoio, 2020
UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AMBIENTAL E DOS RECURSO
NATURAIS
Chimoio, 2020
UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AMBIENTAL E DOS RECURSOS
NATURAIS
Eu, Bernardo João Francisco Companhia, declaro que esta monografia é resultado do meu
próprio trabalho e está a ser submetida para a obtenção do grau de Licenciado na Universidade
Zambeze, Chimoio.
Ela não foi submetida antes para obtenção de nenhum grau ou para avaliação em nenhuma outra
Universidade.
Chimoio, de 2020
I
DEDICATÓRIA
Aos meus Pais: João Francisco (em memória) e Fátima Fundisse Aleixo
Aos meus irmãos: Sara Fátima Francisco Companhia, Isabel João Francisco, Suzana João
Francisco, Aleixo João Francisco, Dina João Francisco, Catiana João Francisco, Lurdes João
Francisco, Ciara Francisco, e Francisco João Francisco.
II
AGRADECIMENTOS
A Deus, por iluminar meu caminho, guiando meus passos na direcção certa e deixando-
me a galgar mais um degrau na busca de aprimoramento científico.
A minha família que mesmo em meio as dificuldades, não mediu esforço para me apoiar
em diversas formas, e que sempre depositou confiança em mim.
A todos os meus docentes pela ciência transmitida no decorrer dos anos, pelos
ensinamentos, incentivos e críticas, pois foram estes que contribuíram para o alcance do título de
Engenheiro Ambiental e dos Recursos Naturais.
Aos meus colegas de carteira, pela amizade, parceria, cumplicidade e tudo mais, vai o
meu apreço, sem deixar de mencionar: Hélder Muacorica, Ismael Júnior, Arcidio Muruco, Aly,
Edson Nhampulo vicente Sumuel e Alcino Ilhacoto. Ao meu tio Bernardo Francisco pelo apoio,
disposição e a acompanhamento durante a minha formação, a minha Tia Cassilda Sozinho pelo
apoio e consideração.
O meu MUITO OBRIGADO a todos outros que não pude cá mencionar, mais que de
forma directa ou indirecta ajudaram-me, contribuindo assim para o alcance dos meus objectivos.
III
EPÍGRAFE
IV
RESUMO
A arborização urbana está intimamente ligada ao bem-estar físico, emocional e social das
pessoas sendo fundamental para bons níveis de qualidade de vida urbana, porém, quando o
planeamento da arborização é mal executado, acarreta problemas como ofuscação de iluminação
pública, surgimento de fendas nos passeios, destruição de fiação eléctrica e de telecomunicação,
redução da visibilidade de placas de sinalização e semáforos dificultando a circulação de
veículos e pedestres. Partindo desse pressuposto, o presente estudo objectivou analisar e fornecer
subsídios para o maneio integrado e eficiente da arborização urbana no município de Chimoio.
Para alcançar o objectivo formulado procedeu-se primeiramente a caracterização da situação
atual da arborização através de um levantamento de dados qual-quantitativo de espécies arbóreas
utilizadas na arborização por meio da amostragem probabilística aleatória simples. Seguidamente
foi aplicado um questionário a 97 munícipes entre os meses de Julho e Agosto de 2020 para
obter informações da percepção sobre a importância da arborização. Através da observação
directa feita em campo, consultas de referências bibliográficas, das análises dos dados
dendrométricos e entrevista direccionada aos munícipes, foi possível definir estratégia e
directrizes de arborização urbana para o município de Chimoio. Os resultados obtidos
demonstraram existir pequena quantidade de espécies sendo a Senna Siamea a espécie
predominante tanto nas ruas como nas praças. Constatou-se problemas de obstrução da
iluminação pública, abertura de fendas nos passeios, dificuldade de circulação de veículos,
pedestres, danos nas construções e elevado número de indivíduos sofrendo de podas drásticas.
Cerca de 94% dos entrevistados afirmaram ser necessária a arborização e conservação das áreas
verdes em centros urbanos. A actual arborização do município não obedeceu critérios técnicos e
científicos, portanto este trabalho apresenta informações necessárias que certamente ira
contribuir para a reestruturação da arborização do município de modo a minimizar os seus
impactos negativos e maximizar os benefícios. Como parte de solução dos actuais problemas de
arborização e não só, propôs-se um plano que vai desde a selecção de espécie adequadas às
condições físico-naturais, até aos cuidados e maneio integrado da arborização do município de
Chimoio.
V
ABSTRAT
Urban afforestation is closely linked to the physical, emotional and social well-being of
people, being fundamental to good levels of quality of urban life, however, when the
afforestation planning is poorly executed, it causes problems such as glare of public lighting, the
appearance of cracks on sidewalks, destruction of electrical and telecommunication wiring,
reduced visibility of signposts and traffic lights making it difficult for vehicles and pedestrians to
circulate. Based on this assumption, the present study aimed to analyze and provide subsidies for
the integrated and efficient management of urban afforestation in the municipality of Chimoio. In
order to achieve the formulated objective, the current situation of afforestation was first
characterized through a survey of qualitative and quantitative data on tree species used in
afforestation by means of simple random probability sampling. Then a questionnaire was applied
to 97 residents between the months of July and August 2020 to obtain information on the
perception of the importance of afforestation. Through direct observation in the field,
consultation of bibliographic references, analysis of dendrometric data and interviews directed to
residents, it was possible to define urban afforestation strategy and guidelines for the
municipality of Chimoio. The results obtained showed a small number of species, with Senna
Siamea being the predominant species both in the streets and in the squares. Problems with
obstruction of public lighting, opening of cracks in sidewalks, difficulty in circulating vehicles,
pedestrians, damage to buildings and a high number of individuals suffering from drastic pruning
were found. Approximately 94% of respondents said that afforestation and conservation of green
areas in urban centers is necessary. The current afforestation of the municipality did not obey
technical and scientific criteria, therefore this work presents necessary information that will
certainly contribute to the restructuring of the afforestation of the municipality in order to
minimize its negative impacts and maximize the benefits. As part of the solution to the current
problems of afforestation and beyond, a plan was proposed, ranging from the selection of species
appropriate to the physical-natural conditions, to the care and integrated management of
afforestation in the municipality of Chimoio.
VI
LISTAS DE FIGURAS
Figura 1 -Mapa de localização geográfico da Cidade de Chimoio................................................17
Figura 2: Senna Sianea em conflito com construção nas ruas do Município de Chimoio............29
Figura 3 : Sistema radicular de senna Siamea destruindo passeia nas ruas do Município de
Chimoio..........................................................................................................................................32
Figura 4: Indivíduos que sofrem de podas drásticas nas ruas do Município de Chimoio..............33
Figura 5-Praças do Município de Chimoio. A — Praça da independência, B— Praça dos Heróis e
C- Praça..........................................................................................................................................39
LISTA DE QUADROS
VII
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Ruas sorteadas por cada Bairro onde foram realizados o inventário............................18
Tabela 2 - Lista de espécies inventariadas na arborização do Município de Chimoio, sendo FA =
Frequência absoluta e FR = Frequência relativa............................................................................24
Tabela 3 - frequência absoluta e relativa dos indivíduos observados na arborização das praças do
município de Chimoio....................................................................................................................36
Tabela 4- Grau de escolaridade dos entrevistados no município de Chimoio...............................44
Tabela 5 - intensidade de arborização das ruas classificadas por moradores do município de
Chimoio..........................................................................................................................................45
Tabela 6- vantagens da arborização das ruas do município de Chimoio citados pelos munícipes46
Tabela 7 - Desvantagens da arborização das ruas do município de Chimoio citados pelos
munícipes.......................................................................................................................................46
Tabela 8- colaboração da arborização urbana nas ruas do município de Chimoio citadas pelos
moradores.......................................................................................................................................47
VIII
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1-frequência relativa das Seis espécies encontradas na arborização do município de
Chimoio.......................................................................................................................................25
Gráfico 2- Frequência das classes de altura em metros observada na arborização das vias no
Município de Chimoio...................................................................................................................26
Gráfico 3 - frequência de classes de altura da 1ª bifurcação observadas na arborização do
município de Chimoio....................................................................................................................26
Gráfico 4- frequência das classes de valores de DPA observadas na arborização do município de
Chimoio.........................................................................................................................................27
Gráfico 5 - Frequência das classes de Avanço da copa para Rua observadas Município de
Chimoio..........................................................................................................................................28
Gráfico 6 - frequência das classes de Avanço da copa para Construção observada no Município
de Chimoio.....................................................................................................................................28
Gráfico 7 - frequência das classes de Fitossanidade observadas nas ruas do Município de
Chimoio..........................................................................................................................................30
Gráfico 8 - frequência das classes das condições das raízes observadas no Município de
Chimoio..........................................................................................................................................31
Gráfico 9-frequência das classes de Intensidade de Poda observada na arborização do município
de Chimoio.....................................................................................................................................32
Gráfico 10- frequência das classes de necessidade de poda observada na arborização do
município de Chimoio....................................................................................................................33
Gráfico 11 - frequência das classes de área livre de crescimento observado nas ruas do município
de Chimoio.....................................................................................................................................34
Gráfico 12- frequência das classes de largura do passeio observado na arborização das vias do
Município de Chimoio...................................................................................................................35
Gráfico 13- frequência das classes de rede eléctrica observadas nas vias no Município de
Chimoio..........................................................................................................................................35
Gráfico 14 - frequência das espécies observada nas praças do Município de Chimoio...............37
Gráfico 15- frequência das classes de altura total observadas na arborização das três praças do
município de Chimoio....................................................................................................................39
Gráfico 16 - frequência das classes de DAP observada nas praças do município de Chimoio.....40
IX
Gráfico 17 - frequência das classes de fitossanidade observada na arborização das praças do
município de Chimoio....................................................................................................................41
Gráfico 18-frequência das classes de intensidade de poda observada na arborização do município
de Chimoio.....................................................................................................................................41
Gráfico 19 - frequências das classes de necessidade de poda observada na arborização das praças
do município de Chimoio...............................................................................................................42
Gráfico 20- frequências das classes de área livre de crescimento observado na arborização de
praças no município de Chimoio...................................................................................................43
Gráfico 21- frequências das classes de rede eléctrica observadas na arborização das praças do
Município de Chimoio...................................................................................................................43
X
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS
ACC Avanço da copa para construções
ACR Avanço da copa para Rua
ARC Área Livre de Crescimento
CAP (cm) Circunferência a Altura do Peito
CEMIG Companhia energética de minas rega
CR Condição da Raiz
DAP Diâmetro a altura do peito
Esp Espécie
FDC Fundação Para O Desenvolvimento Da Comunidade
FT Fitossanidade
H1b Altura da 1a Bifurcação
Ht Altura total em metros
IP Intensidade de Poda
LP Largura do Passeio
MTAUPSP Manual Técnico de Arborização Urbana da Prefeitura de São Paulo
Nº de R Número da Rua/ Avenida
NP Necessidade de Poda
RE Rede Eléctrica
S/D Sem Data
UFAM Manual de Arborização da Universidade Federal De Maranhão
XI
ÍNDICE
DECLARAÇÃO...............................................................................................................................I
DEDICATÓRIA..............................................................................................................................II
AGRADECIMENTOS...................................................................................................................III
EPÍGRAFE....................................................................................................................................IV
RESUMO........................................................................................................................................V
ABSTRAT.....................................................................................................................................VI
LISTAS DE FIGURAS................................................................................................................VII
LISTA DE TABELAS................................................................................................................VIII
LISTA DE GRÁFICOS.................................................................................................................IX
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS......................................................................................XI
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO.....................................................................................................1
1.1 Contextualização................................................................................................................1
1.2. Problema............................................................................................................................2
1.3. Hipótese.............................................................................................................................3
1.4. Justificativa........................................................................................................................3
1.5. Objectivos..........................................................................................................................5
1.5.1. Geral.................................................................................................................................. 5
1.5.2. Específicos................................................................................................................. 5
CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA............................................................................6
2.1. Arborização: definição e classificação da vegetação arbórea............................................... 6
2.2. Benefícios da arborização urbana......................................................................................7
2.3. Conflitos da arborização urbana........................................................................................9
2.4. Planeamento e implementação da arborização urbana....................................................10
2.5. Avaliação da arborização urbana.....................................................................................14
CAPÍTULO III- METODOLOGIA...............................................................................................17
3.1. Descrição da localização da cidade de Chimoio..............................................................17
3.2. Métodos de colectas de dados......................................................................................... 18
3.2.1. Colecta de dados primários...................................................................................... 18
3.3. Colecta de dados secundários.......................................................................................... 21
3.4. Percepção dos munícipes a respeito da importância da arborização urbana...................21
XII
3.5. Amostragem.....................................................................................................................22
3.5.1. Tamanho da amostra................................................................................................ 22
3.6. Directrizes de planeamento, implantação e maneio da arborização urbana no Município
de Chimoio................................................................................................................................. 23
3.7. Processamento dos dados................................................................................................ 23
CAPÍTULO IV- RESULTADOS E DISCUSSÕES......................................................................24
4.1. Arborização de Praças......................................................................................................... 36
4.2. PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO EM RELAÇÃO À ARBORIZAÇÃO......................44
4.3. DIRECTRIZES DE PLANEAMENTO, IMPLANTAÇÃO E MANEIO DA
ARBORIZAÇÃO URBANA NO MUNICÍPIO DE CHIMOIO................................................48
4.3.1. Planeamento............................................................................................................. 49
4.3.2. Compatibilização com ruas, passeios, áreas residências..........................................50
4.3.3. Implementação......................................................................................................... 51
4.3.4. Cuidados e Manutenção........................................................................................... 52
CAPITULO V – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES..........................................................53
5.1. Conclusão........................................................................................................................ 53
5.2. Recomendações............................................................................................................... 54
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................................55
APÊNDICE....................................................................................................................................59
ANEXOS.......................................................................................................................................62
XIII
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO
1.1 Contextualização
Para RUBIO et al. (2018), investir na qualidade da arborização urbana traz inúmeros
benefícios à saúde, pois as árvores são capazes de conter a poluição, controlar a temperatura
e a humidade do ar, reduzir as ilhas de calor, diminuir a poluição química e sonora. A
cobertura vegetal promovida pelas árvores também protege contra o sol, reduz o processo
erosivo e o assoreamento dos corpos de água, incrementa a permeabilidade dos espaços
urbanos, prolonga a vida útil da cobertura asfáltica e embeleza a cidade, podendo ser
considerada um equipamento urbano público fundamental para a boa qualidade de vida. A
arborização contribui também para o equilíbrio ecológico, favorecendo particularmente a
avifauna que se beneficia dos recursos alimentares e locais para abrigo e nidificação,
contribuindo assim para a redução dos impactos da expansão urbana sobre a biodiversidade.
Além dos benefícios sociais, ecológico e estéticos, as áreas verdes também podem
auxiliar na educação e na melhoria da saúde física e mental da população, devido às
vantagens do elemento anti-stress o relaxamento proporcionado pelo contacto com a
natureza. (MILANO E DALCIN 2000).
1
necessária a observação de pontos fundamentais para que as mesmas não se tornem um
problema para a sociedade, nesta perspectiva o presente trabalho surgiu com o objectivo de
Analisar e fornecer subsídios para o maneio integrado e eficiente da arborização urbana no
município de Chimoio.
1.2. Problema
2
máxima-média de 91.38 dB (A) foi o ponto1 situado na estrada nacional nº 6 - frente à
Shoprite, área sem arborização urbana.
Acredita-se que com a presença de árvores nessa área o nível de ruido encontrado
poderia reduzir significativamente, visto que, as árvores são capazes de absorver ondas
sonoras diminuindo a poluição sonora.
Pode ser que o número de pessoas que sofrem dos efeitos da falta de arborização seja
elevado no Município de Chimoio, pois esta constitui maior centro urbano da província e
concentra maior número de actividades socioeconómicas. Neste contexto levantou-se a
questão seguinte da pesquisa: Como reduzir problemas ambientais urbanos relacionados
com a arborização na cidade de Chimoio?
1.3. Hipótese
A falta de planeamento na elaboração de um projecto arborização urbana e a não
inclusão da arborização urbana no planeamento urbano, como sendo uma actividade a
ser devidamente planeada, minimizam os seus efeitos positivos e maximizam os
negativos.
A existência de um planeamento na elaboração de um projecto de arborização urbana e
a inclusão da arborização urbana no planeamento urbano como uma actividade a ser
devidamente planeada, maximizam os seus efeitos positivos e minimizam os negativos
1.4. Justificativa
3
a aumentar o ambiente natural e maximizar os seus benefícios, a necessidade de se analisar a
situação e elaborar projectos de arborização urbana.
Este trabalho ira trazer informações que irão contribuir para a colmatação de défice
de informação em relação ao planeamento, implementação e manutenção da arborização
urbana, olhando a arborização como um serviço público de grande importância que deve ser
ofertado aos munícipes, e que os munícipes juntamente com o poder público têm o dever de
preservar esse serviço para as gerações futuras, uma vez que esse serviço quando bem
planeado e implementado irá trazer inúmeros benefícios a população no município e ao
meio ambiente, tas como: as árvores proporcionarão sombra, amenizarão a temperatura e a
poluição sonora, aumentarão a humidade relativa do ar assim melhorando sua qualidade
para respiração.
Também prover informações técnicas a respeito da convivência harmónica entre a
arborização urbana e os diversos equipamentos urbanos encontrados em vias públicas e
praças, visando subsidiar aqueles que, de alguma forma, participam da gestão de serviços
urbanos no município de Chimoio. Este estudo certamente irá facilitar e impulsionar estudos
posteriores sobre a arborização urbana no município de Chimoio em particular e noutros
municípios do país.
4
1.5. Objectivos
1.5.1. Geral
Analisar e fornecer subsídios para o maneio integrado e eficiente da arborização
urbana no município de Chimoio.
1.5.2. Específicos
Diagnosticar a situação actual da arborização urbana no Município de Chimoio.
Avaliar a percepção dos munícipes a respeito da importância da arborização urbana.
Definir as directrizes de planeamento, implantação e maneio da arborização urbana
no Município de Chimoio;
5
CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA
6
2.2. Benefícios da arborização urbana
Segundo MTAUPSP (Manual Técnico de Arborização Urbana da Prefeitura de São
Paulo, 2015), as árvores urbanas desempenham funções importantes para os cidadãos e o
meio ambiente, tais como benefícios estéticos e funcionais que estão muito além dos seus
custos de implantação e maneio, Esses benefícios estendem-se desde o conforto térmico e
bem-estar psicológico dos seres humanos. O Manual citado destaca o aumento da
permeabilidade do solo, que contribui para a redução de enchentes e centros urbanos, e
devido ou aumento da capacidade de infiltração, o escoamento superficial reduz assim
reduzindo a ocorrência de erosão em ambientes urbanos.
Estas também influenciam no microclima, segundo PAIVA e GONÇALVES (2004),
afirmam que a vegetação atua na redução da temperatura, no meio urbano, principalmente
sobre três aspectos: Intercepta os raios solares, criando áreas de sombreamento; Reduz a
temperatura ambiente, evitando incidências solar directa no concreto e asfalto; Humedecer o
ar devido a constante transpiração, eliminando a água para o meio ambiente.
No âmbito geral, uma árvore sozinha não afecta muito sua vizinhança em termos
climáticos, mas estas em grupos ou espalhadas podem ser eficientes na melhoria
microclimática e na sensação de conforto no homem (MILANO e DALCIN, 2000).
Os conjuntos arbóreos podem ser eficientes na melhoria térmica no ambiente urbano,
de acordo com o grau de fechamento das copas, do número de espécie, e da estação do ano.
(SANTOS E TEIXEIRA 2001 citados por DE ALMEIDA 2009).
Os “corredores verdes” nas cidades contribuem para a conservação da biodiversidade
(BRYANT, 2006 citado por SCARAMUSSA 2013), pois de acordo com CASSACO e
LUNES (2015), a arborização viabiliza a conexão entre as populações de fauna de
fragmentos maiores. Além disso, as árvores abrigam uma infinidade de seres vivos, como
insectos, líquenes, pássaros, enriquecendo o ecossistema urbano e aumentando sua
biodiversidade.
Ainda aliado a esse benefício, o MTAUPSP (2015) afirma que as flores e frutos
presentes nas árvores também trazem à cidade um ganho ambiental significativo, pois se
prestam como atractivo e refúgio da avifauna urbana. Algumas espécies vegetais, com
7
ênfase nas frutíferas nativas, são responsáveis pelo abrigo e alimentação de aves,
assegurando-lhes condições de sobrevivência.
Dentre vários benefícios da arborização urbana destaca-se também o facto de esta
servir como barreira para ruídos, de acordo com MILANO (1984), as estruturas vegetais são
capazes reduzir os níveis de ruídos, visto que estas absorvem ondas sonoras diminuindo a
poluição sonora. Segundo PAIVA e GONÇALVES (2002), duas filas de arbustos grandes
ou árvores, plantados nas margens das ruas de uma auto-estrada podem reduzir o barrulho
em cerca de um decibel para cada 1,20m de espessura.
Estas ainda podem servir de barreiras para ventos e alta luminosidade, de acordo
com MTAUPSP (2015), As árvores modificam os ventos pela obstrução, deflexão,
condução ou filtragem do seu fluxo, assim, a vegetação quando arranjada adequadamente
pode proteger as construções da acção dos ventos ou direccionar a passagem destes por um
determinado local. Ainda na visão dos autores acima á no que se refere à luminosidade, a
vegetação atenua o incómodo causado pelas superfícies altamente reflexivas de
determinadas edificações, que podem ofuscar a visão.
As árvores purificam o ar pela fixação das partículas de poeira e gases tóxicos e
reciclam os gases através da fotossíntese. (DERESENDE, 2011). As árvores retêm em suas
folhas os matérias particulados em suspensão no ar, frequentes em cidades com grande
tráfego de veículos, impedindo que tais elementos alcancem as vias respiratórias agravando
doenças como asma, pneumonia, bronquites, alergias, entre outras. Posteriormente, estas
partículas retidas são lavadas pelas águas da chuva. (MTAUPSP, 2015).
OLIVEIRA (2012) menciona que a arborização urbana promove à população
grandes benefícios, tais como: conforto ambiental, bem-estar psicológico, além da melhoria
de aspectos estéticos urbanos, melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.
Ao considerar a árvore como vegetal (ser vivo), pode-se denominar esta como um
elemento pertencente aos componentes urbanos, no qual, cabe avaliá-la em sua importância
e seu valor monetário. De acordo com CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais,
2012), a determinação do Valor monetário das árvores pode ser permitido por vários
critérios: Avaliar o património que a cidade possui relativo à arborização; Estabelecer
multas por danos causados às árvores; Estabelecer indemnizações, deduções e/ou isenções
de impostos e taxas, resultados de acções punitivas ou compensatórias; Estimar um seguro
8
seja da própria árvore ou da propriedade relacionada com a presença da árvore no imóvel;
Mensurar os benefícios e custos dos programas de arborização na busca de recursos
orçamentários e; Valorizar o imóvel, com consequente aumento do património real de seu
Proprietário, do corrector e de outros envolvidos.
2.3. Conflitos da arborização urbana
A arborização urbana resguarda sempre um pouco da flora original das cidades.
Porem, quando mal planejada e realizada por pessoal inapto, pode ter influência negativa
directa em alguns elementos da organização urbana como redes de distribuição de energia
eléctrica e telefónica e sistemas de abastecimento de água e esgoto, placas de sinalização,
edificações (MENESES et al., 2003).
Apesar dos vários benefícios que a arborização condiciona ao meio ambiente e a
população, a presença da arborização no meio ambiente apresenta conflitos (COELBA,
2002). Visto que o uso correto das plantas na arborização é essencial, pois o uso indevido de
espécies poderá causar uma série de prejuízos, tanto para o usuário quanto para empresas
prestadoras de serviços de rede eléctrica, telefonia e esgotos. (DANTAS e SOUZA, 2004).
Para RIBEIRO (2009), é comum vermos árvores podadas intensamente e com
grandes problemas fitossanitários, como presença de cupins, brocas, outros tipos de
patógenos, injúrias físicas como anelamentos, caules ocos e podres, galhos lascados,
afectando sua estrutura física tornando o risco de queda eminente.
Segundo VASCONCELOS (2003), citado por PERREIRA (2011), os problemas
entre a arborização e a rede eléctrica se agrava pelo fato de que arborização e as
implantações dos sistemas eléctricos de distribuição são planeados e realizados de forma
independentes. O mesmo autor afirma que a maioria dos problemas observados na
arborização urbana se dá em função das condições stressantes que as árvores estão
submetidas nas vias públicas. Condições estas como: falta de espaços para desenvolvimento
do sistema radicular - limitações por alicerces, dutos, asfalto e compactação do solo que gera
falta de ar e água para a planta; extensas superfícies impermeabilizadas, o que impede
aeração e infiltração d’água; poucos microrganismos presentes nos solos- pois há pouca
disponibilidade de nutrientes e o pH do solo são mais elevados que em ambientes naturais;
existência desordenada de fiação, postes e canalização, devido à falta de controlo com
planejamento urbano; escoamento directo das águas das chuvas para as redes de saneamento
9
de águas pluviais sem penetrar no solo; solos com fraca capacidade de penetração e retenção
de água; danos causados por veículos (atritos e colisões) como derramamento de óleo,
gasolina, emissões gasosas; influência nociva das emissões sólidas e líquidas do ambiente
urbano; a excessiva reflexão de energia pelas casas e pavimentos; diminuição da vitalidade
da árvore devido a escavações, anelações, movimento de veículos sobre o sistema radicular,
etc.
10
e não o volume. Para um adequado planeamento da arborização das ruas e avenidas de uma
cidade, alguns factores devem ser considerados:
a) Condições do ambiente
O conhecimento das condições ambientais locais é pré-condição para o sucesso da
arborização. Qualquer planta só adquire pleno desenvolvimento em clima apropriado, caso
contrário poderá ter alterações no porte, floração e frutificação. Deve-se evitar, portanto, o
plantio de espécies cuja aclimatação não seja comprovada (UFAM, S/D).
11
características desejáveis das espécies que atenderão às características do local a fim de
evitar maiores conflitos de acordo com o Quadro 1:
Espécies Características
Origem As plantas de espécies nativas devem ser preferidas em relação às
exóticas, pois estão mais adaptadas às condições climáticas do local,
tendo maiores chances de sobreviver e desenvolver
A indicação de espécies de pequeno porte é estabelecida apenas para
Porte atender às condições de plantio (presença de redes eléctricas,
construções), porém, este facto não atende a preceitos de ecologia, meio
ambiente e qualidade de vida. Assim, a adaptação não deve ser da
árvore, mas dos outros equipamentos urbanos que não estarão
influenciando no clima.
Frutescência Para ruas e canteiros centrais não é recomendado o uso de espécies de
frutos grandes, pois estes podem representar perigo para os pedestres e
veículos estacionados nas vias públicas.
Desenvolvimento Recomenda-se que para a arborização urbana seja aconselhável a
escolha de plantas de crescimento lento, uma vez que estas apresentam
folhas persistentes, boa formação de copa (dispensando podas), raízes
profundas, e produzem madeira mais densa, por isso, mais resistente
Enfolhamento Deve-se considerar, em primeiro lugar, o tamanho e perenidade das
folhas. Assim, árvores de folhagem perene são preferidas às de folhas
caducas em cidades de clima quente, e o contrário em cidades de clima
frio. Quanto ao tamanho, as folhas grandes são indicadas por
apresentarem maior facilidade na limpeza e prejudicarem menos os
serviços de calhas e bueiros
Empacotamento Embora as condições ambientais e genéticas variem para cada região, é
importante conhecer o desenvolvimento da copa das espécies para
adequá-la ao espaço aéreo disponível. Assim, as medidas mais
importantes são o quanto ela pode crescer longitudinalmente, o quanto
pode transversalmente em direcção à construção e transversalmente em
relação à rua
12
Florescimento O aspecto mais importante a ser considerado é quanto à funcionalidade
das espécies e quanto à saúde pública, não sendo indicadas, portanto,
espécies que exalam perfume muito acentuado e aquelas que produzem
muito pólen, que pode provocar alergias em algumas pessoas.
Rusticidade e Deve-se optar por espécies que apresentem rusticidade e resistência a
Resistência pragas e doenças, já que serão plantadas em condições adversas
Troncos As árvores indicadas devem apresentar ramos e troncos resistentes,
principalmente à acção dos ventos, contudo, não devem ser muito
volumosos e nem providos de acúleos ou espinhos
Enraizamento Para o plantio em calçadas devem ser usadas árvores que não possuem
raízes agressivas e que sejam profundas e pivotantes, pois, plantas com
raízes superficiais danificam calçadas e construções à medida que vão
crescendo
Toxicidade As espécies que segregam substâncias tóxicas, ou mesmo que possam
causar qualquer reacção alérgica aos habitantes devem ser eliminadas
durante a escolha param arborização.
Quadro 1: Características de espécies de acordo com condicionantes locais. Fonte:
GONÇALVES e PAIVA (2004)
Diversidades
Segundo CEMIG (2011), Sempre que se planeia a implantação de árvores em meio
urbano, a palavra diversidade deve ser considerada, em todos os sentidos: Diversidade de
espécies - Actualmente recomenda-se como regra básica procurar densidades que não
ultrapassem 30% de uma única família de árvores, 20% de um único género e 10% de uma
única espécie. Diversidade genética - Quanto mais diversa for a origem geográfica dos
espécimes plantados, maiores serão as chances de se conseguir essa diversidade,
contribuindo para possíveis tolerâncias a adversidades ambientais e ataques de pragas ou
doenças. Diversidade de idade das árvores - Diferentes estágios de desenvolvimento das
árvores, permitindo a renovação suficiente do estoque de indivíduos.
Diversidade de formas e hábitos de crescimento das espécies -Tendo em vista a
importância e necessidade de se combinar as espécies aos locais onde serão plantadas.
d) Rede eléctrica
13
Este factor é uma das mais importantes definidoras do planeamento da arborização
urbana. Segundo CEMIG (2011), tendo em vista a importância da arborização urbana,
sobretudo por seus benefícios sociais e ecológicos, é imprescindível que os agentes
envolvidos com a questão estejam em permanente interacção para que, de forma
participativa e criativa, sejam encontradas soluções de convivência com as várias estruturas
e equipamentos das cidades. Isto significa que a convivência entre a arborização e as redes
de distribuição da energia eléctrica deve ser planeada, pois, caso contrário, podem ocorrer
acidentes, responsáveis por uma série de transtornos, tais como o rompimento de cabos
condutores, interrupção no fornecimento de energia, queima de electrodomésticos e
comprometimento da iluminação pública.
Segundo PIVETTA e SILVA FILHO (2002), a arborização deve ser feita no lado
oposto à fiação e no lado da fiação recomendam-se árvores de pequeno porte e distantes 3 a
4 m dos postes de iluminação. Outra sugestão é a convivência de árvores de grande porte no
lado da fiação com fios encapados. A adequação das redes eléctricas é muito importante, a
fim de reduzir os conflitos e os gastos para manutenção da rede eléctrica e da arborização
conjuntamente (BRITO e CASTRO, 2007).
14
De acordo com BARCELLOS at al (2018), Os inventários para a avaliação da
arborização viária podem ter carácter quantitativo, relativo à contagem do número de
indivíduos, ou qualitativo, referente à qualidade das árvores, e estes inventários pode ser
total (censo) ou por amostragem.
A definição da amostragem ou censo dependerá de informações prévias disponíveis
(como inventários anteriormente elaborados para a cidade), características da área a ser
avaliada e número de variáveis definidas. Em geral, o censo ou inventário qual-quantitativo
de todas as árvores existentes é indicado para cidades com pequena malha urbana ou com
arborização incipiente. Já o inventário (por amostragem) é mais indicado para municípios
com grande quantidade de árvores, considerando o tempo e recursos necessários para a
realização do levantamento. Portanto, o critério sugerido a ser adoptado para a realização de
senso ou amostragem é: em cidades com até 1.500 árvores ou até 50 mil habitantes realizar
senso quantitativo e qualitativo. Para quantidades superiores, poderá ser utilizada
amostragem para o inventário qualitativo BARCELLOS at al (2018).
Em um inventário, a avaliação quantitativa visa determinar a composição percentual
das árvores existentes, e a avaliação qualitativa procura compreender a relação entre as
árvores (e suas partes, raízes, tronco e copa) e o local onde estão inseridas, como a
compatibilidade entre seu porte e o espaço disponível, as condições sanitárias existentes e a
identificação da necessidade de intervenções (CEMIG, 2011). No entanto, as informações a
serem colectadas dependem, também, da disponibilidade de recursos (SILVA et al., 2006).
Segundo SILVA et al (2007), A importância do inventário está no fato de que
através dele é possível conhecer o património arbóreo e identificar as necessidades do
maneio. A definição dos objectivos de um inventário é ponto essencial para o sucesso da
execução e da aplicação das informações obtidas, esses objectivos podem variar de uma
cidade para a outra.
15
2.6. Legislação Aplicada à Arborização Urbana
De acordo com PAIVA e GONÇALVES (2002), a legislação sobre a arborização
urbana é uma preocupação antiga, embora ainda existam muitos municípios sem uma
legislação adequada ou mesmo sem nenhuma legislação.
A arborização urbana como sendo um acessório de planeamento urbano, o
dispositivo legal aplicada em Moçambique esta ligada a lei de regulamento territorial (Lei n°
19/2007 de 18 de Julho). Segundo esta lei, compete ao Estado e às autarquias locais, a
promoção, orientação, coordenação e monitorização do ordenamento do território e cabe a
estas últimas o estabelecimento dos programas, planos, projectos e o regime de uso do solo.
O Decreto nº 23/2008 do Regulamento da Lei de Planeamento Territorial, no seu Artigo 7,
estabelece a hierarquização dos planos, e institui a obrigatoriedade da elaboração de planos
de nível Distrital e Municipal (onde são elaborados planos de gestão urbana que constam
leis aplicadas a arborização urbana).
16
CAPÍTULO III- METODOLOGIA
17
3.2. Métodos de colectas de dados
3.2.1. Colecta de dados primários
a) Situação actual da arborização urbana no Município de Chimoio
A colecta de dados em campo foi realizada nos meses de Julho e Agosto de 2020,
tendo sido seleccionado cinco (6) bairros num total de 33 bairros da cidade que constitui
uma amostra representativa para o estudo em questão. A escolha dos bairros foi por meio de
amostragem aleatória simples.
18
Espécie: Para a identificação das espécies utilizou-se o método comparativo, em que
todos os indivíduos foram registados por fotografia e posteriormente comparados
com bibliografias e manuais que apresentam informações sobre a Arborização
urbana, também foi usado uma aplicativo denominado PlantNet para facultar o
processo de identificação. Além da comparação, houve o Registo direito de espécies
das quais já se tinha conhecimento do nome usual, bastando somente o registo do
nome científico.
Altura total: A altura total da árvore em metros, sendo considerada desde a
superfície do solo, até as folhas no ápice do galho mais alto. Os valores foram
estimados usando uma recta graduada de 4m e agrupado em seguintes classes:
Altura: Classe I (< 6m); Classe II (6 - 10m); Classe III (10- 15m); e classe IV (>
15m).
Altura comercial ou da primeira bifurcação: refere-se à altura do solo até o ponto
de inserção do primeiro galho no tronco. Os valores foram obtidos utilizando-se uma
fita métrica e agrupados em seguintes classes: classe I (<2m) ; classe II (> 2m).
Diâmetro a altura do peito (DAP): refere-se ao diâmetro do tronco em centímetros
medido desde da superfície do solo até a altura do peito do pesquisador. Os valores
foram obtidos com o auxílio de uma fita métrica, fornecendo os valores reais de CAP
(circunferência a altura do peito) que posteriormente foram convertidos para valores
de diâmetro agrupados em seguintes classes: classe I (<15cm); classe II (15 a 30cm);
classe III ( 30 a 45cm); classe IV (45 a 60cm), classe V ( >60cm) e classe VI: Não
apresenta DAP, isto por serem indivíduos muito jovens.
Avanço da copa sobre a rua: trata-se do posicionamento da árvore em relação á
rua. A fim de averiguar possibilidade de causar sérios problemas para o tráfego local.
Os valores foram obtidos utilizando-se uma fita métrica. Esses valores foram
distribuídos em 3 classes (< 1,5m, 1,5 – 3m, > 3m).
Avanço da copa sobre a construção: refere-se ao posicionamento da copa da árvore
em relação à construção, com o intuito de verificar a geração de problemas para os
moradores da cidade, que vão desde a falta de segurança até a diminuição da
iluminação natural. Foram consideradas três situações: boa, quando a copa não toca a
19
construção; regular, quando a copa toca a construção; e ruim, quando a copa
pressiona ou ultrapassa a construção
Fitossanidade: refere a sanidade da árvore, a qual foi avaliado visualmente pelo seu
aspecto físico. Foram abordadas três situações: boa, quando o indivíduo se
apresentou vigoroso, sem sinais de pragas, danos mecânicos ou doenças; regular,
quando apresentou condições de vigor médias para determinado local, podendo
apresentar pequenos problemas de pragas, doenças ou danos físicos; e ruim, quando
a árvore apresentou estado geral de declínio ou com forte ataque de pragas e doenças
e sérios danos físicos.
Condição do sistema radicular: trata-se das condições externas do sistema
radicular ou se o mesmo é totalmente subterrâneo. Foram observadas quatro
situações: não apresenta problemas, quando o sistema radicular se apresentou
totalmente profundo e não provocou dano a edificações ou pisos próximos; apontar,
quando superficial, mas não apresentou rachadura, elevação ou desníveis
significativos da calçada; quebra, quando provocou não mais do que algumas
rachaduras; e destrói, quando causou danos significativos, destruindo o passeio.
Área de crescimento ou área livre: refere-se à área livre no local de plantio junto
ao solo disponível para o engrossamento do tronco da árvore e infiltração de
á[Link] abordadas quatro situações: boa, quando plantada em área aberta, ou
quando foi suficiente para o crescimento normal do espécime, sem ocupação total da
área pelo tronco e sem danificar o passeio; regular, quando a área foi suficiente
apenas para o desenvolvimento completo do tronco, podendo ainda causar pequenos
danos ao passeio; ruim, quando foi insuficiente para o desenvolvimento completo do
tronco, causando, ou com possibilidades de causar danos significativos ao passeio; e
ausente, quando não houve espaço para o engrossamento ou desenvolvimento do
tronco, estando o cimento junto à base do mesmo, geralmente causando danos
Largura do passeio: este parâmetro indica a existência de calçada pavimentada e
trata da largura da mesma. Os valores foram obtidos por meio da utilização de uma
fita métrica distribuídos nas seguintes classes: I (< 1,5 m), II (1,5 — 3,0 m),(> 3,0 m)
e ausente quando não apresenta passeio.
20
Intensidade de poda trata-se da intensidade de poda aplicada sobre determinado
elemento arbóreo no meio urbano. Foram adoptadas as seguintes situações: leve,
quando foram podados apenas galhos finos sem alterar a estrutura típica da espécie,
não se retirando mais que 20% das ramificações da copa do indivíduo; pesado,
quando foram podados galhos da copa da árvore, retirando até 50% das
ramificações; e drástica, se a poda retirou galhos da copa do indivíduo arbóreo,
retirando mais de 50% das ramificações, geralmente alterando a estrutura da copa da
espécie.
Necessidade de poda: diz respeito a necessidade de podas a fim de corrigir ou
amenizar problemas que possam ser causados pelo crescimento da copa da árvore.
Os parâmetros observados foram: ausente, quando não houve necessidade de poda;
afastamento de construção, quando os ramos encostaram ou invadiram construções;
libertação de rede eléctrica, quando ocorreram conflitos com a fiação aérea e
levantamento de copa, quando alguns ramos impediram ou atrapalharam o trânsito
de pedestres, ou de veículos.
Conflitos com a rede eléctrica: indicam à existência ou não de fiação aérea no local
que a árvore se encontrava e se a fiação e a espécie estavam em conflito. E esta
situação foi agrupada em classe onde: apresenta sem conflito, apresenta com
conflitos e ausente quando o local onde se encontra a árvores não apresente rede
eléctrica.
21
entrevistado, o grau de escolaridade, conhecimento do significado da arborização urbana,
vantagens e desvantagens da arborização urbana, importância das áreas verdes de lazer, o
pertencimento e responsabilidade na arborização urbana, a situação da arborização da rua do
morador, a forma de colaboração do mesmo com a arborização, e também colher as
sugestões e comentário dos mesmos sobre a arborização.
3.5. Amostragem
N. p. q. 𝜎²
n = p. q. 𝜎² + (N − 1) · e2
Onde:
22
3.6. Directrizes de planeamento, implantação e maneio da arborização urbana no
Município de Chimoio.
As directrizes de planeamento implantação e maneio da arborização urbana para o
município de Chimoio que constam neste trabalho, foram definidas com base na observação
directa feita em campo, levantamento de dados dendrométricas aplicando um inventário
florestal parcial, entrevista direccionada aos munícipes, objectivando perceber o nível de
entendimento dos munícipes em relação a arborização existente na cidade de Chimoio e
através de pesquisa bibliográfica onde foram consultados livros e trabalhos científicos que
abordam sobre a arborização urbana.
Segundo BARCELLOS et al (2018), a elaboração de um plano Municipal de
arborização urbana deve-se levar em conta alguns aspectos tais como: Diagnóstico da
Arborização Urbana do Município - O diagnóstico da arborização de vias públicas visa:
conhecer o património arbóreo, identificar as espécies que compõem a arborização (bairros
ou regiões da cidade), localizar áreas para novos plantios, verificar quais práticas de
manutenção são necessárias, definir as prioridades nas intervenções, definir as políticas de
administração, com o estabelecimento de previsões orçamentárias e; Diagnóstico
Participativo - Percepção da População - O estudo de percepção da população é uma
importante ferramenta para garantir a participação da população na construção do Plano
Municipal de Arborização Urbana, pois garante captar como a população vê e convive com
as árvores urbanas de seu município.
23
CAPÍTULO IV- RESULTADOS E DISCUSSÕES
A espécie Senna Siamea foi mais abundante com 372 indivíduos, totalizando 89,6%
dos indivíduos encontrados, seguida de Rabinia Pseudocaça L com 5.3%,
JacarandaMimosifolia D, Don 2.4%, Delonix Regia 1.4%,TerminaliaMantaly 1% e
Araucária Angustifolia com 0.2%.Onde as espécies Senna Siamea, Rabinia Pseudoacacia L
e a Delonix Regia, pertencente a família Fabaceae totalizaram 96. 3%, o que espelha
claramente uma falta de diversidade de espécie na arborização urbana das vias no município
de Chimoio.
24
Gráfico 1-frequência relativa das Seis espécies encontradas na arborização do
município de Chimoio.
100.0%
89.6%
90.0%
80.0%
70.0%
Senna Siamea
60.0% Rabinia Pseudoacacia L
50.0% Jacaranda Mimosifolia D,don
Delonix Regia
40.0%
Araucacaria Angustifolia
30.0% Terminalia Mantaly
20.0%
10.0% 5.3%
2.4% 1.4% 1.0%
0.2%
0.0%
25
Gráfico 2- Frequência das classes de altura em metros observada na arborização das
vias no Município de Chimoio
100.0%
80.0%
57.8% <6m
60.0%
6-10m
40.0% 10-15m
26.5% >15m
20.0% 13.7%
1.9%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
26
Avaliando a altura da 1ª bifurcação o estudo mostrou que a frequência de indivíduos
com altura de 1ª bifurcação igual ou maior a 2m foi de 38.8%, enquanto apenas 1.4% não
possuíam bifurcação. E 59,8% das árvores apresentaram primeira bifurcação abaixo de 2 m
(gráfico 3), isto acontece porque a população e a entidade responsável pelo maneio da
arborização urbana não terem efectuado a poda de formação no viveiro ou no local
definitivo (quando a muda plantada for menor que o recomendado), consequentemente
permitindo que espécies como Senna Siamea, Delonix Regia, emitem inúmeros ramos desde
a base, que acabam interferindo na visualização e passagem de pedestre. PIVETTA&
SILVA FILHO (2002), recomendam que seja feito a poda de formação retirando os ramos
laterais até uma altura recomendada de 1,80 m visando não prejudicar o futuro trânsito de
pedestres e veículos sob a copa. Esta poda normalmente é feita no viveiro ou no local
definitivo quando a muda plantada é menor que recomendado.
Gráfico 4- frequência das classes de valores de DPA observadas na arborização do
município de Chimoio.
100.0%
80.0% <15cm
> 60cm
60.0% 15-30cm
37.3% 30-45cm
40.0%
27.5% 45 - 60cm
23.6%
20.0% não apresenta
7.0%
3.4% 1.2%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
27
Gráfico 5 - Frequência das classes de Avanço da copa para Rua observadas Município
de Chimoio
100.0%
90.0%
80.0%
70.0% 64.6%
60.0% <1.5m
50.0% >3m
40.0% 1.5-3m
30.0%
19.8%
20.0% 15.7%
10.0%
0.0%
50.0% 46.3%
45.0%
40.0% 36.9%
35.0%
30.0% boa
25.0% regular
20.0% 16.9% ruim
15.0%
10.0%
5.0%
0.0%
28
Figura 2-Senna Sianea em conflito com construção nas ruas do Município deChimoio
Fonte: Autor (2020).
Constatou-se que 36.9% das copas dos indivíduos observados estão em contacto
com a construção sendo classificadas como regular. Este cenário aponta para ocorrência de
problemas que vão desde a falta de segurança dos morredores ate a diminuição da
iluminação natural.
29
Diante dessas informações, destaca-se importância da poda manutenção para evitar
que 56.5% da população possam prejudicar as construções.
80.0% 74.9%
70.0%
60.0%
Boa
50.0%
Regular
40.0%
Ruim
30.0%
Morta
20.0% 14.5%
9.9%
10.0%
0.7%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
30
Gráfico 8 - frequência das classes das condições das raízes observadas no Município de
Chimoio.
50.0%
46.0%
45.0%
40.0%
35.0%
30.0% 27.5% Não Apresenta
25.0% Aponta
19.5% Quebra
20.0%
Destroi
15.0%
10.0% 7.0%
5.0%
0.0%
31
Figura 3- Sistema radicular de Senna Siamea destruindo passeia nas ruas do Município de
Chimoio
Fonte: Autor (2020).
Avaliando a intensidade de poda o estudo mostrou que 69.2% dos indivíduos apresentam
sinais de podas drásticas. Este facto pode estar associado a falta de conhecimento dos
procedimentos técnico de poda por parte dos executores. Também constatou-se que 18,1%
dos indivíduos sofrem de podas pesadas, e apenas 12.8% apresentam sinais de podas leves.
32
OLIVEIRA (2013), afirma que, podas drásticas ou severas estimulam a produção de
uma grande porção de brotos epicórmicos, o que não é aconselhado em arborização urbana,
pois estes ramos causam transtornos, sendo ideal apenas para cercas vivas.
Figura 4- Indivíduos que sofrem de podas drásticas nas ruas do Município de Chimoio.
Fonte: Autor (2020).
35.0% 33.3%
30.0%
25.1% Ausente
25.0% Afastar da Construção
20.0% 16.4% Libertar Rede
15.0% 12.0% 11.8% Levantar Copa
No que diz respeito a necessidade de poda (gráfico 10), observou-se que 33.3% dos
indivíduos necessitavam de poda para levantar a copa, esta situação pode estar associada a
falta de poda de contenção.
33
Segundo PIVETTA & SILVA FILHO (2002), a poda de contenção é realizada
visando adequar a copa da árvore ao espaço físico disponível em função de um plantio
inadequado. A recomendação geral é manter um mínimo de 30% da copa, mantendo sempre
que possível o formato original.
Por outro lado, 25.1% dos indivíduos não necessitavam de poda, resultado este que
pode ser justificada pela grande quantidade de áreas livres nas quais as árvores estão
inseridas, sem presença de fiação e construções. E 17.8% dos indivíduos necessitavam mais
de um tipo de poda, 12% necessitam de poda para afastar de construção e 11.8% para
libertar rede eléctrica.
Gráfico 11 - frequência das classes de área livre de crescimento observado nas ruas do
município de Chimoio
70.0%
60.7%
60.0%
50.0% Ausente
40.0% Regular
30.0% Ruim
17.6%
20.0% 13.0% Boa
8.7%
10.0%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020)
Analisando a área livre de crescimento das árvores, 60.7% dos indivíduos
encontram-se em boas condições, isto deve-se ao facto de que maior parte das áreas onde os
indivíduos encontram-se inseridos não estarem pavimentadas, possibilitando melhores
condições para o desenvolvimento do tronco. Por outro lado, 17,6% dos indivíduos
encontram-se e condições ruins, isto é, não apresentam áreas livre de crescimento suficiente
para o desenvolvimento do troco e das raízes, o que origina problemas com os passeios.
13% Dos indivíduos encontram-se em condições regulares e 8.7% a área de crescimento
eram ausentes (gráfico 11).
34
Gráfico 12- frequência das classes de largura do passeio observado na arborização das
vias do Município de Chimoio.
100.0%
90.0%
80.0%
70.0%
Ausente
60.0%
49.2% <1,5m
50.0%
1.5-3m
40.0% 31.8%
> 3m
30.0%
20.0% 15.4%
10.0% 3.6%
0.0%
Com relação à largura do passeio onde os indivíduos estavam inseridos, 49.2% dos
indivíduos observados estavam localizadas em áreas sem passeio. Esse cenário pode estar
associado ao facto de que existam muitas ruas não pavimentadas no município de Chimoio.
E 31.8% dos indivíduos estão localizadas em áreas com passeios entre 1,50 a 3 m de largura,
e 15.4% em passeios maiores que 3,1 m de largura, o que é importante para não
comprometer o tráfego de pedestres (gráfico 12). Por outro lado, 3.6% encontravam-se em
passeio com menos de 1,5m de largura
Gráfico 13- frequência das classes de rede eléctrica observadas nas vias no Município
de Chimoio.
100.0%
90.0%
80.0%
70.0%
60.0% Apresenta sem conflito
50.0% 46.3% Apresenta com conflito
40.0% Ausente
30.4%
30.0% 23.4%
20.0%
10.0%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
35
Quanto a rede eléctrica, 46.3% dos indivíduos encontravam-se inseridos em área sem
rede eléctrica ou no lado oposto a rede eléctrica, 30.4% dos indivíduos apresentavam
conflito com a rede eléctrica, este facto pode estar associado a escolha inadequada de
espécie a ser plantada sob fiação, e 23.4% apresentavam rede eléctrica mas sem conflito.
Figura 5- Senna Siamea em conflito com a fiação nas ruas do município de Chimoio
Fonte: Autor (2020)
36
Tabela 3 - frequência absoluta e relativa dos indivíduos observados na arborização das
praças do município de Chimoio
Família Espécie FA FR
Fabaceae Senna Siamea 35 43.2%
Leocaena leucocephala 12 14.8%
Delonix Regia 6 7.4%
Pinaceae Pinus Taeda 7 8.6%
Combretaceae Terminalia Mantaly 6 7.4%
Muringaceae Moringa Oleífera 6 7.4%
Aracaceae Syagrus Romsnzoffiana 6 7.4%
Taxaceae Taxus Baccatq L 2 2.5%
Pandaceae Pandanus Utilis Bory 1 1.2%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
Delonix Regia
Acacia Thorns
Senna Siamea
Senna Siamea
Moringa Olifera
Terminalia Mantaly
Pinus Taeda
L. Leucacephala
Romsnzoffiana
Delonix Regia
37
A praça dos heróis foi a Praça que verificou-se uma diversidade de espécie
considerada regular em relação a Praça da Independência, com 4 espécies, onde a Senna
Siamea foi a espécie mais predominante com 46.2% do total dos indivíduos encontrados,
seguidos de Leucacephala L. com 33.3% de indivíduos, Pinus Taeda com 17.9% dos
indivíduos encontrados e a Delonix Regia contribuindo na arborização com um total de
2.6% dos indivíduos.
Analisando a arborização das três praças do município de Chimoio (figura 6), notou-
se que há uma precariedade com relação ao planeamento, manutenção e lazer. Apenas a
praça dos Heróis oferecia benefícios directos a população, como espaço para o lazer e
harmonia entre espécie e estrutura física, com áreas pavimentas e áreas com um pequeno
jardim, mas notou-se ausência de sistemas de iluminação, o que também foi verificado nas
restantes praças do município, o que faz com que as praças sejam pouco frequentadas nos
períodos da noite.
E a praça Ngungunhane foi a que se encontrava em pior estado, visto que possuía
93.75% dos indivíduos de mesma espécie (Senna Siamea), este facto mostra claramente a
falta de diversidade de espécies, o que não é adequado, porque, para além de não oferecer
quase nenhum tipo de lazer, os indivíduos estão mais susceptíveis a ataques de pragas e
doenças. Não apresenta bancos como estrutura física, não pavimentada na sua totalidade,
apenas oferecia sombra em quase toda a sua área.
38
Figura 6-Praças do Município de Chimoio. A — Praça da independência, B— Praça dos
Heróis e C- Praça
Fonte: Autor (2020).
Gráfico 15- frequência das classes de altura total observadas na arborização das três
praças do município de Chimoio
100.0%
90.0%
80.0%
70.0%
<6m
60.0% 51.9%
>15m
50.0%
40.0% 10-15m
30.0% 6-10m
22.2% 22.2%
20.0%
10.0% 3.7%
0.0%
39
Com relação a altura total das árvores encontradas nas três praças, percebeu-se uma
predominância de indivíduos com Ht entre 10 a 15 m (51.9%), esta situação pode estar
associado ao porte da espécie mais predominante Senna Siamea que varia de 6 a 18m, em
praças esta situação é considerada boa, visto que, árvores com esta altura apresentam maior
alargamento das copas que pode oferecer sombra a uma grande área. Outros 22.2% dos
indivíduos observados apresentam altura total menor que 6 m, este fenómeno esta associado
a existência de indivíduos muito jovens encontradas na praça da independência, 22.2% dos
indivíduos observados apresentavam altura total entre 6 a 10 m e apenas 3.6% apresentou
altura maior que 15 m.
40.0% 37.0%
35.0%
30.0%
25.9% <15cm
25.0% >45cm
21.0%
20.0% 15-30cm
5.0% 2.5%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
Diante dos resultados obtidos com o DAP e altura total fica evidente a maior
participação de árvores maduras em detrimento das jovens, demonstrando baixa renovação
dos elementos arbóreos das praças analisadas.
40
Gráfico 17 - frequência das classes de fitossanidade observada na arborização das
praças do município de Chimoio
100.0%
90.0%
80.0% 75.3%
70.0%
Ruim
60.0%
Boa
50.0%
40.0% Morta
30.0% 22.2% Regular
20.0%
10.0% 1.2% 1.2%
0.0%
120.0%
96.3%
100.0%
80.0%
Drástica
60.0% Leve
Pesada
40.0%
20.0%
1.2% 2.5%
0.0%
Quanto a intensidade de poda, 96.3% dos indivíduos indicavam sofrer poda leve, este
valor pode estar associado e existência de um maneio contínuo visto que na praça da
41
independência e dos heróis e possível notar quase sempre agentes a efectuarem o meneio.
2.5% Dos indivíduos indicavam sofrer de podas pesadas e apenas 1.2% dos indivíduos
indicavam sofrer podas drásticas (gráfico 19).
90.0%
80.0% 76.5%
70.0%
60.0%
Ausente
50.0%
Levantar Copa
40.0%
Liberar Rede
30.0%
18.5%
20.0%
10.0% 4.9%
0.0%
Também verificou-se que 4.9% dos indivíduos necessitam de poda para libertar a
fiação, este resultado está associado a existência de uma PT de transformação de corrente
eléctrica encontrada na praça dos Heróis.
42
Gráfico 20- frequências das classes de área livre de crescimento observado na
arborização de praças no município de Chimoio
100.0% 88.9%
80.0%
20.0% 9.9%
1.2%
0.0%
Gráfico 21- frequências das classes de rede eléctrica observadas na arborização das
praças do Município de Chimoio
100.0% 88.9%
80.0%
Apresenta com conflito
60.0%
Apresenta sem conflito
40.0%
Ausente
20.0%
6.2% 4.9%
0.0%
43
Por outro lado, 6.2% dos indivíduos apresentavam-se com conflitos e 4.9% dos
indivíduos apresentavam sem conflitos.
Quando indagado sobre o que significa da arborização urbana, a resposta foi sim a
um percentual de 70.1%, essa situação é considerada boa porque mostra que a maior parte
dos entrevistados tem conhecimento sobre arborização urbana e 29,9% dos entrevistados
responderam não, este resultado mostra que a necessidade de se fazer campanhas com o
intuito de dar a conhecer aspectos relacionados a arborização urbana e sua importância na
qualidade de vida da população.
Em relação a ruas arborizadas, 86.6% dos entrevistados afirmam que gostam de ruas
arborizadas, destacando os motivos de oferecer sombra e redução do calor. E 13.4%
afirmam não gostar de ruas arborizadas, esta situação pode estar associada ao facto de que
alguns entrevistados desconhecerem os benefícios gerados por ruas arborizadas.
44
Questionando-os sobre como os entrevistados classificam a arborização da sua rua
(tabela 5), 46.4% responderam que elas são pouco arborizada, enquanto 37.1% avaliaram
com sendo razoavelmente arborizadas e 16.5% como muito arborizada. Vale a pena salientar
que, dentre as pessoas que avaliaram como pouco arborizadas, houve as que afirmaram não
ter arborização nas suas ruas. Este facto pode estar associado ao facto de que o município de
Chimoio não possuir muitas ruas arborizadas.
45
Tabela 6- vantagens da arborização das ruas do município de Chimoio citados pelos
munícipes
Vantagens %
Mais de uma vantagem 52.6%
Outros 4.1%
Preservação da Biodiversidade 10.3%
Redução de Calor 6.2%
Redução de Poluição Sonora 2.1%
Redução do impacto das chuvas 5.2%
Sombra 19.6%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
46
Questionando-os sobre a quem recaia a responsabilidade da arborização urbana,
53.6% citaram a população, 39.2% ao município e apenas 7.2% citaram tanto o município
como apropria população. O facto de muitas pessoas citar que a responsabilidade recai a
população, é um bom indicativo de que elas têm consciência da importância da arborização,
dos seus benefícios e da necessidade da sua conservação.
47
Em relação aos comentários e sugestões sobre a arborização local e da cidade vários
foram os comentários feitos pelos moradores, porém direccionadas para o mesmo propósito,
afirmando que a arborização do município era boa, destacando os benefícios que essa
proporciona. Ressaltar que muito dos munícipes comentaram o facto de não haver muitas
ruas e poucas áreas verdes de lazer.
Diante desses factos muitas foram as sugestões citadas pelos moradores, como
remoção de árvores adultas em conflito com rede eléctrica, plantar mais espécies, mobilizar
a comunidade para manutenção das árvores, preservação, maiores investimentos por parte
do Município, escolha das espécies corretas, acções de consciencialização da comunidade,
criação e implantação de projectos paisagísticos, ou seja criação de mais áreas verdes nos
centros urbanos. De salientar que a maioria dos entrevistados manifestou o desejo de
“plantar árvores frutíferas”. Esse fato, apesar de ser compreensível, tendo em vista a
carência de árvores na maioria dos bairros, e a oportunidade de ter acesso gratuitamente aos
frutos, é bastante preocupante, visto que, tradicionalmente, as comunidades costumam
plantar espécies frutíferas inadequadas (pelo porte e tamanho dos frutos), a exemplo das
inúmeras mangueiras e abacateiros existentes na cidade e que, após alguns anos, resultam
em transtornos.
48
explicado pela largura do passeio onde 35.4% dos indivíduos encontram-se em passeios com
largura até 3m. Notou-se também que 30.4% dos indivíduos apresentam conflitos com a
rede eléctrica.
4.3.1. Planeamento
Selecção de espécies
49
prejudique o passeio, e não ter espinhos, que não tornem necessária a poda frequente, de alta
resistência ou que não sejam susceptíveis ao ataque de patógenos e/ou parasitas.
Olhando os critérios supra citados para a selecção de espécie, com vista a melhorar a
qualidade da arborização urbana no município de Chimoio, propõem-se o uso de seguintes
espécies: Senna Siamea, Michelia Champaca, Rabinia Pseudoacacia L, Plumeri Rubra,
Delonix Regia, Spathodea Companulata, Terminalia Mantaly, Jacaranda
MimosifoliaD,don, Leocaena leucocephala, Terminalia Catappa, Moringa oleífera,
Tabebuia Chrysotucha, Syagrus Romsnzoffiana, Jacaranda Brasiliana, Dombuya Spp,
Dilenia Indica, Cassia javanica, e Acácia Padaliriaefolia.
Propõe-se que em passeios com largura menor que 1.5m não se deve arborizadas,
porque com o desenvolvimento radicular poderá ocorrer a destruição dos passeios, assim
criando dificuldades a circulação de pedestres. Em passeios com 1.5m de largura, se houver
recuo entre a construção e o passeio, propõem-se que se plante com anuência do proprietário,
utilizando árvore de pequeno porte, para evitar o contraste entre as árvores com a construção e
avanço das copas para rua. Propõe-se que se plante espécies de pequeno e médio porte do lado onde
não houver fios, Sob a fiação, plantar espécies de pequeno porte, em posição alternada com as do
outro lado da rua, isto em passeio com mais de 1.5m de largura, com vista a evitar problemas como,
ausência de poda, destruição do sistema de rede eléctrica, ofuscação da iluminação publica advindo
dos conflitos entre as árvores a rede eléctrica.
50
podendo ainda definir as distâncias mínimas entre as árvores com fiação eléctrica e fiação
telefónicas, com vista a evitar problemas como, como interrupções no fornecimento de corrente
eléctrica e telecomunicação, perda da eficiência da iluminação pública, ofuscação dos sinais
de trânsito (semáforos e placas de sinais) além da dificuldade para passagem de veículos ou
pedestres, afectando directamente a qualidade de vida da população.
51
material que não fira o tronco) e para evitar o vandalismo da plantas usar gradis (de ferro,
bambu ou de madeira).
Segundo o CEMIG (2011), Ao planear plantar uma árvore, além de considerar as
características da espécie, da muda e do local seleccionado, é preciso tomar certos cuidados
no momento de plantio propriamente dito, além de cuidados posteriores.
Como a situação de muitos vegetais encontrados foi muito crítica, propõe-se que
sejam implantados outros bem ao lado, substituindo assim, gradualmente, as árvores que não
se apresentam e perfeitas condições (situação fitossanitária precária e com idade muito
avançada), as que geram conflitos (com a rede eléctrica, passeios e construções) e dar
prioridade as espécies nativas.
Controle de praga e doenças: deverá ser feito pelo técnico e os agro-tóxicos como
orientação adequada, caso a árvore estiver comprometida, deverá ser cortada e
substituída.
52
CAPITULO V – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
5.1. Conclusão
O presente estudo da situação actual da arborização urbana do município de Chimoio
permitiu chegar as seguintes conclusões:
53
5.2. Recomendações
O estudo esteve virado a análise da arborização urbana e sua importância na
qualidade de vida no Município de Chimoio. As recomendações abaixo apresentadas são
direccionadas aos pesquisadores, aos estudantes, ao Conselho Municipal da Cidade de
Chimoio, e a todas as instituições de investigação viradas a área ambiental:
54
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56
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Exóticas Invasoras Na Arborização Urbana: Problemas E Soluções.
58
APÊNDICE
Apêndice A: Ficha de campo para realização do inventário qual-quantitativo dos indivíduos
presentes na arborização urbana do município de Chimoio.
A total Altura da DAP (m) A da copa/ Ada copa/ Fitossan Probl Raiz Intens poda N de poda Ad Ldo R
(m) 1ᵃ bifurc 1: <15cm rua const 1: boa 1: não 1: leve 1: ausente ecres passaeio electrica
1: < 6 1: < 2m 2: 15 a 30cm 1:<1,5m 1: boa 2: regular apresenta 2: pesada 2: afast. 1: boa 0: não 1:ap s/
2: 6 - 10 2: > 2m 3: 30 a 45 cm 2: 1.5-3m 2: regular 3: ruim 2: aponta 3: drastica const 2:regular tem confl
3: 10 -15 4:> 45cm 3:> 3m 3: ruim 4: morta 3: quebra 4: ausente 3: libert 3: ruim 1:<1,5m 2: ap
4: > 15 4: destroi Rede 4:ausent 2: 1.5-3m c/conf
4: levant. 3:> 3m 3:ausent
copa
Legenda
59
Apêndice B: Questionário para auscultar a percepção dos munícipes sobre a
necessidade da arborização urbana no município de Chimoio
I-Localização e identificação
Data: / /
Bairro
Rua/avenida
1- Sexo.
( ) Feminino ( ) Masculino
2- Idade.
3- Escolaridade
( )
Outros.
60
( ) Sujeira nas ruas e passeios ( ) Problemas com as redes eléctricas ( ) Redução de
ilminação
( )
outros
7- Em relação as áreas verdes, como praças para o lazer, assinale uma das alternativas
abaixamos:
( ) É importante para o bem estar da população, pois dispõem de espaço para exercícios
físicos, contribuindo na qualidade da saúde física e psicológica dos mesmos.
( ) População ( ) Município ( )
Outros
9- Na sua opinião, como você contribui para qualidade da arborização da sua cidade?
( ) Outros
10- Você possui conhecimentos sobre a legislação e normas técnicas para plantio e
manutenção de árvores nos centros urbanos?
( ) Sim ( ) Não
61
ANEXOS
Anexo I - O distanciamento mínimo do local do plantio (cova) em relação aos diversos
Componentes urbanos em vias pública.
62
63