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Arborização Urbana e Qualidade de Vida em Chimoio

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ANÁLISE DA ARBORIZAÇÃO URBANA E SUA IMPORTÂNCIA NA

QUALIDADE DE VIDA NO MUNICIPIO DE CHIMOIO

Bernardo João Francisco Companhia

Chimoio, 2020
UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AMBIENTAL E DOS RECURSO
NATURAIS

ANÁLISE DA ARBORIZAÇÃO URBANA E SUA IMPORTÂNCIA NA QUALIDADE


DE VIDA NO MUNICIPIO DE CHIMOIO

Bernardo João Francisco Companhia

Chimoio, 2020
UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AMBIENTAL E DOS RECURSOS
NATURAIS

ANÁLISE DA ARBORIZAÇÃO URBANA E SUA IMPORTÂNCIA NA QUALIDADE


DE VIDA NO MUNICIPIO DE CHIMOIO

Bernardo João Francisco Companhia

Monografia submetida à Faculdade de Engenharia


Ambiental e dos Recursos Naturais, Universidade
Zambeze, Chimoio, em cumprimento dos requisitos para
à obtenção do Grau de Licenciado em Engenharia
Ambiental e dos Recursos Naturais.

Orientador: dr. Castigo Machava


Chimoio,2020
DECLARAÇÃO

Eu, Bernardo João Francisco Companhia, declaro que esta monografia é resultado do meu
próprio trabalho e está a ser submetida para a obtenção do grau de Licenciado na Universidade
Zambeze, Chimoio.

Ela não foi submetida antes para obtenção de nenhum grau ou para avaliação em nenhuma outra
Universidade.

(Bernardo João Francisco Companhia)

Chimoio, de 2020

I
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho:

Aos meus Pais: João Francisco (em memória) e Fátima Fundisse Aleixo
Aos meus irmãos: Sara Fátima Francisco Companhia, Isabel João Francisco, Suzana João
Francisco, Aleixo João Francisco, Dina João Francisco, Catiana João Francisco, Lurdes João
Francisco, Ciara Francisco, e Francisco João Francisco.

II
AGRADECIMENTOS

A Deus, por iluminar meu caminho, guiando meus passos na direcção certa e deixando-
me a galgar mais um degrau na busca de aprimoramento científico.

A universidade Zambeze, Faculdade de Engenharia Ambiental e dos Recursos Naturais,


pela oportunidade da realização do curso.

A minha família que mesmo em meio as dificuldades, não mediu esforço para me apoiar
em diversas formas, e que sempre depositou confiança em mim.

Ao meu orientador dr. Castigo Machava, pela disposição e paciência na orientação


científica, pelas críticas, sugestões e acréscimos no desenvolvimento do trabalho. Ao Eng em
potência Fanuel Muiambo pela ajuda na colecta dos dados em campo pela disposição e paciência
na revisão do trabalho, agradecer também aos meus amigos Igor, Eng Isac Mussama pela ajuda
na organização do trabalho, Ali e Armando pela ajuda na colecta de dados no campo.

A todos os meus docentes pela ciência transmitida no decorrer dos anos, pelos
ensinamentos, incentivos e críticas, pois foram estes que contribuíram para o alcance do título de
Engenheiro Ambiental e dos Recursos Naturais.

Aos meus colegas de carteira, pela amizade, parceria, cumplicidade e tudo mais, vai o
meu apreço, sem deixar de mencionar: Hélder Muacorica, Ismael Júnior, Arcidio Muruco, Aly,
Edson Nhampulo vicente Sumuel e Alcino Ilhacoto. Ao meu tio Bernardo Francisco pelo apoio,
disposição e a acompanhamento durante a minha formação, a minha Tia Cassilda Sozinho pelo
apoio e consideração.

O meu MUITO OBRIGADO a todos outros que não pude cá mencionar, mais que de
forma directa ou indirecta ajudaram-me, contribuindo assim para o alcance dos meus objectivos.

III
EPÍGRAFE

‘’A humanidade, ao expandir-se, destrói e polui, não mantendo o equilíbrio com a


natureza. O que podemos fazer é minimizar isto e procurar fazer

Algumas correcções” (Mário Penna Bhering)

IV
RESUMO
A arborização urbana está intimamente ligada ao bem-estar físico, emocional e social das
pessoas sendo fundamental para bons níveis de qualidade de vida urbana, porém, quando o
planeamento da arborização é mal executado, acarreta problemas como ofuscação de iluminação
pública, surgimento de fendas nos passeios, destruição de fiação eléctrica e de telecomunicação,
redução da visibilidade de placas de sinalização e semáforos dificultando a circulação de
veículos e pedestres. Partindo desse pressuposto, o presente estudo objectivou analisar e fornecer
subsídios para o maneio integrado e eficiente da arborização urbana no município de Chimoio.
Para alcançar o objectivo formulado procedeu-se primeiramente a caracterização da situação
atual da arborização através de um levantamento de dados qual-quantitativo de espécies arbóreas
utilizadas na arborização por meio da amostragem probabilística aleatória simples. Seguidamente
foi aplicado um questionário a 97 munícipes entre os meses de Julho e Agosto de 2020 para
obter informações da percepção sobre a importância da arborização. Através da observação
directa feita em campo, consultas de referências bibliográficas, das análises dos dados
dendrométricos e entrevista direccionada aos munícipes, foi possível definir estratégia e
directrizes de arborização urbana para o município de Chimoio. Os resultados obtidos
demonstraram existir pequena quantidade de espécies sendo a Senna Siamea a espécie
predominante tanto nas ruas como nas praças. Constatou-se problemas de obstrução da
iluminação pública, abertura de fendas nos passeios, dificuldade de circulação de veículos,
pedestres, danos nas construções e elevado número de indivíduos sofrendo de podas drásticas.
Cerca de 94% dos entrevistados afirmaram ser necessária a arborização e conservação das áreas
verdes em centros urbanos. A actual arborização do município não obedeceu critérios técnicos e
científicos, portanto este trabalho apresenta informações necessárias que certamente ira
contribuir para a reestruturação da arborização do município de modo a minimizar os seus
impactos negativos e maximizar os benefícios. Como parte de solução dos actuais problemas de
arborização e não só, propôs-se um plano que vai desde a selecção de espécie adequadas às
condições físico-naturais, até aos cuidados e maneio integrado da arborização do município de
Chimoio.

Palavras-chaves: Arborização Urbana, Planeamento, Percepção Ambiental, Município


de Chimoio.

V
ABSTRAT
Urban afforestation is closely linked to the physical, emotional and social well-being of
people, being fundamental to good levels of quality of urban life, however, when the
afforestation planning is poorly executed, it causes problems such as glare of public lighting, the
appearance of cracks on sidewalks, destruction of electrical and telecommunication wiring,
reduced visibility of signposts and traffic lights making it difficult for vehicles and pedestrians to
circulate. Based on this assumption, the present study aimed to analyze and provide subsidies for
the integrated and efficient management of urban afforestation in the municipality of Chimoio. In
order to achieve the formulated objective, the current situation of afforestation was first
characterized through a survey of qualitative and quantitative data on tree species used in
afforestation by means of simple random probability sampling. Then a questionnaire was applied
to 97 residents between the months of July and August 2020 to obtain information on the
perception of the importance of afforestation. Through direct observation in the field,
consultation of bibliographic references, analysis of dendrometric data and interviews directed to
residents, it was possible to define urban afforestation strategy and guidelines for the
municipality of Chimoio. The results obtained showed a small number of species, with Senna
Siamea being the predominant species both in the streets and in the squares. Problems with
obstruction of public lighting, opening of cracks in sidewalks, difficulty in circulating vehicles,
pedestrians, damage to buildings and a high number of individuals suffering from drastic pruning
were found. Approximately 94% of respondents said that afforestation and conservation of green
areas in urban centers is necessary. The current afforestation of the municipality did not obey
technical and scientific criteria, therefore this work presents necessary information that will
certainly contribute to the restructuring of the afforestation of the municipality in order to
minimize its negative impacts and maximize the benefits. As part of the solution to the current
problems of afforestation and beyond, a plan was proposed, ranging from the selection of species
appropriate to the physical-natural conditions, to the care and integrated management of
afforestation in the municipality of Chimoio.

Keywords: Urban Afforestation, Planning, Environmental Perception, Municipality of Chimoio.

VI
LISTAS DE FIGURAS
Figura 1 -Mapa de localização geográfico da Cidade de Chimoio................................................17
Figura 2: Senna Sianea em conflito com construção nas ruas do Município de Chimoio............29
Figura 3 : Sistema radicular de senna Siamea destruindo passeia nas ruas do Município de
Chimoio..........................................................................................................................................32
Figura 4: Indivíduos que sofrem de podas drásticas nas ruas do Município de Chimoio..............33
Figura 5-Praças do Município de Chimoio. A — Praça da independência, B— Praça dos Heróis e
C- Praça..........................................................................................................................................39

LISTA DE QUADROS

Quadro 1- Características de espécies de acordo com condicionantes locais................................12

VII
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Ruas sorteadas por cada Bairro onde foram realizados o inventário............................18
Tabela 2 - Lista de espécies inventariadas na arborização do Município de Chimoio, sendo FA =
Frequência absoluta e FR = Frequência relativa............................................................................24
Tabela 3 - frequência absoluta e relativa dos indivíduos observados na arborização das praças do
município de Chimoio....................................................................................................................36
Tabela 4- Grau de escolaridade dos entrevistados no município de Chimoio...............................44
Tabela 5 - intensidade de arborização das ruas classificadas por moradores do município de
Chimoio..........................................................................................................................................45
Tabela 6- vantagens da arborização das ruas do município de Chimoio citados pelos munícipes46
Tabela 7 - Desvantagens da arborização das ruas do município de Chimoio citados pelos
munícipes.......................................................................................................................................46
Tabela 8- colaboração da arborização urbana nas ruas do município de Chimoio citadas pelos
moradores.......................................................................................................................................47

VIII
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1-frequência relativa das Seis espécies encontradas na arborização do município de
Chimoio.......................................................................................................................................25
Gráfico 2- Frequência das classes de altura em metros observada na arborização das vias no
Município de Chimoio...................................................................................................................26
Gráfico 3 - frequência de classes de altura da 1ª bifurcação observadas na arborização do
município de Chimoio....................................................................................................................26
Gráfico 4- frequência das classes de valores de DPA observadas na arborização do município de
Chimoio.........................................................................................................................................27
Gráfico 5 - Frequência das classes de Avanço da copa para Rua observadas Município de
Chimoio..........................................................................................................................................28
Gráfico 6 - frequência das classes de Avanço da copa para Construção observada no Município
de Chimoio.....................................................................................................................................28
Gráfico 7 - frequência das classes de Fitossanidade observadas nas ruas do Município de
Chimoio..........................................................................................................................................30
Gráfico 8 - frequência das classes das condições das raízes observadas no Município de
Chimoio..........................................................................................................................................31
Gráfico 9-frequência das classes de Intensidade de Poda observada na arborização do município
de Chimoio.....................................................................................................................................32
Gráfico 10- frequência das classes de necessidade de poda observada na arborização do
município de Chimoio....................................................................................................................33
Gráfico 11 - frequência das classes de área livre de crescimento observado nas ruas do município
de Chimoio.....................................................................................................................................34
Gráfico 12- frequência das classes de largura do passeio observado na arborização das vias do
Município de Chimoio...................................................................................................................35
Gráfico 13- frequência das classes de rede eléctrica observadas nas vias no Município de
Chimoio..........................................................................................................................................35
Gráfico 14 - frequência das espécies observada nas praças do Município de Chimoio...............37
Gráfico 15- frequência das classes de altura total observadas na arborização das três praças do
município de Chimoio....................................................................................................................39
Gráfico 16 - frequência das classes de DAP observada nas praças do município de Chimoio.....40

IX
Gráfico 17 - frequência das classes de fitossanidade observada na arborização das praças do
município de Chimoio....................................................................................................................41
Gráfico 18-frequência das classes de intensidade de poda observada na arborização do município
de Chimoio.....................................................................................................................................41
Gráfico 19 - frequências das classes de necessidade de poda observada na arborização das praças
do município de Chimoio...............................................................................................................42
Gráfico 20- frequências das classes de área livre de crescimento observado na arborização de
praças no município de Chimoio...................................................................................................43
Gráfico 21- frequências das classes de rede eléctrica observadas na arborização das praças do
Município de Chimoio...................................................................................................................43

X
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS
ACC Avanço da copa para construções
ACR Avanço da copa para Rua
ARC Área Livre de Crescimento
CAP (cm) Circunferência a Altura do Peito
CEMIG Companhia energética de minas rega
CR Condição da Raiz
DAP Diâmetro a altura do peito
Esp Espécie
FDC Fundação Para O Desenvolvimento Da Comunidade
FT Fitossanidade
H1b Altura da 1a Bifurcação
Ht Altura total em metros
IP Intensidade de Poda
LP Largura do Passeio
MTAUPSP Manual Técnico de Arborização Urbana da Prefeitura de São Paulo
Nº de R Número da Rua/ Avenida
NP Necessidade de Poda
RE Rede Eléctrica
S/D Sem Data
UFAM Manual de Arborização da Universidade Federal De Maranhão

XI
ÍNDICE
DECLARAÇÃO...............................................................................................................................I
DEDICATÓRIA..............................................................................................................................II
AGRADECIMENTOS...................................................................................................................III
EPÍGRAFE....................................................................................................................................IV
RESUMO........................................................................................................................................V
ABSTRAT.....................................................................................................................................VI
LISTAS DE FIGURAS................................................................................................................VII
LISTA DE TABELAS................................................................................................................VIII
LISTA DE GRÁFICOS.................................................................................................................IX
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS......................................................................................XI
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO.....................................................................................................1
1.1 Contextualização................................................................................................................1
1.2. Problema............................................................................................................................2
1.3. Hipótese.............................................................................................................................3
1.4. Justificativa........................................................................................................................3
1.5. Objectivos..........................................................................................................................5
1.5.1. Geral.................................................................................................................................. 5
1.5.2. Específicos................................................................................................................. 5
CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA............................................................................6
2.1. Arborização: definição e classificação da vegetação arbórea............................................... 6
2.2. Benefícios da arborização urbana......................................................................................7
2.3. Conflitos da arborização urbana........................................................................................9
2.4. Planeamento e implementação da arborização urbana....................................................10
2.5. Avaliação da arborização urbana.....................................................................................14
CAPÍTULO III- METODOLOGIA...............................................................................................17
3.1. Descrição da localização da cidade de Chimoio..............................................................17
3.2. Métodos de colectas de dados......................................................................................... 18
3.2.1. Colecta de dados primários...................................................................................... 18
3.3. Colecta de dados secundários.......................................................................................... 21
3.4. Percepção dos munícipes a respeito da importância da arborização urbana...................21

XII
3.5. Amostragem.....................................................................................................................22
3.5.1. Tamanho da amostra................................................................................................ 22
3.6. Directrizes de planeamento, implantação e maneio da arborização urbana no Município
de Chimoio................................................................................................................................. 23
3.7. Processamento dos dados................................................................................................ 23
CAPÍTULO IV- RESULTADOS E DISCUSSÕES......................................................................24
4.1. Arborização de Praças......................................................................................................... 36
4.2. PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO EM RELAÇÃO À ARBORIZAÇÃO......................44
4.3. DIRECTRIZES DE PLANEAMENTO, IMPLANTAÇÃO E MANEIO DA
ARBORIZAÇÃO URBANA NO MUNICÍPIO DE CHIMOIO................................................48
4.3.1. Planeamento............................................................................................................. 49
4.3.2. Compatibilização com ruas, passeios, áreas residências..........................................50
4.3.3. Implementação......................................................................................................... 51
4.3.4. Cuidados e Manutenção........................................................................................... 52
CAPITULO V – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES..........................................................53
5.1. Conclusão........................................................................................................................ 53
5.2. Recomendações............................................................................................................... 54
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................................55
APÊNDICE....................................................................................................................................59
ANEXOS.......................................................................................................................................62

XIII
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO

1.1 Contextualização

A presença de áreas verdes e a arborização de vias nas malhas urbanas são


considerados elementos importantes no planeamento das cidades, na tentativa de uma
convivência harmónica entre o espaço natural e o espaço construído. (ZILLER et al, 2007).

Para RUBIO et al. (2018), investir na qualidade da arborização urbana traz inúmeros
benefícios à saúde, pois as árvores são capazes de conter a poluição, controlar a temperatura
e a humidade do ar, reduzir as ilhas de calor, diminuir a poluição química e sonora. A
cobertura vegetal promovida pelas árvores também protege contra o sol, reduz o processo
erosivo e o assoreamento dos corpos de água, incrementa a permeabilidade dos espaços
urbanos, prolonga a vida útil da cobertura asfáltica e embeleza a cidade, podendo ser
considerada um equipamento urbano público fundamental para a boa qualidade de vida. A
arborização contribui também para o equilíbrio ecológico, favorecendo particularmente a
avifauna que se beneficia dos recursos alimentares e locais para abrigo e nidificação,
contribuindo assim para a redução dos impactos da expansão urbana sobre a biodiversidade.

Além dos benefícios sociais, ecológico e estéticos, as áreas verdes também podem
auxiliar na educação e na melhoria da saúde física e mental da população, devido às
vantagens do elemento anti-stress o relaxamento proporcionado pelo contacto com a
natureza. (MILANO E DALCIN 2000).

No entanto, a falta de planeamento técnico para um plantio adequado às diversas situações


urbanas, são causas que muitas vezes colocam árvores urbanas como um empecilho nos
passeios das cidades. É importante buscar alternativas que harmonizem o conjunto de
equipamentos sociais urbanos com actividades de plantio, manutenção e conservação de
espécies, implicando assim na eliminação de conflitos existentes, reflectindo-se
positivamente na preservação e aumento da massa arbórea nas cidades, contribuindo
efectivamente para a melhoria do ambiente nos centros urbanos. (PINHEIRO et al., 2009)

Contudo a arborização do espaço urbano deve ser uma preocupação de toda a


população, principalmente do poder público. Porém para inserir árvores no meio urbano é

1
necessária a observação de pontos fundamentais para que as mesmas não se tornem um
problema para a sociedade, nesta perspectiva o presente trabalho surgiu com o objectivo de
Analisar e fornecer subsídios para o maneio integrado e eficiente da arborização urbana no
município de Chimoio.

1.2. Problema

Os benefícios da arborização das ruas e avenidas estão estreitamente relacionados a


qualidade do seu planeamento, porém quando o planeamento da arborização é mal
executado e quando o planeamento urbano deixa de incluir a arborização urbana como uma
actividade a ser devidamente planeada, permitindo que iniciativas particulares, desprovidas
de conhecimento técnico, executem o plantio irregular de espécies, ou seja, sem
compatibilidade com o local, factos que se têm verificado nos últimos anos em
Moçambique, e em particular na cidade de Chimoio.

Introduzir uma espécie de ecossistema natural para as condições adversas do


ambiente urbano é complicado, principalmente sem o conhecimento especializado para o
seu maneio adequado, podendo trazer transtornos e reduzir os benefícios que uma árvore
pode proporcionar, tendo muitas vezes que sacrificar a espécie e o próprio bem-estar da
população. Assim sendo, a relação entre a arborização e os elementos físicos do ambiente
urbano vem, em boa parte dos casos, sendo implantada de forma conflituosa, na qual um dos
elementos passa a representar obstáculo à presença do outro. Esta conflitualidade tem-se
verificado com alguma frequência no perímetro urbano do município de Chimoio,
caracterizada pelas interrupções no fornecimento de energia eléctrica e telecomunicação,
perda da eficiência da iluminação pública, danos nas edificações, surgimento de fendas nos
passeios, ofuscação dos sinais de trânsito (semáforos e placas de sinais) além da dificuldade
para passagem de veículos ou pedestres.

De acordo com os resultados obtidos no estudo sobre a poluição sonora e a emissão


de monóxido de carbono por veículos automotores no centro da cidade de Chimoio
conduzido por WILSON PAULINO (2019),mostraram que em média, os níveis de ruído
demonstraram-se superiores a 55 dB (A) estabelecido pela OMS em todos os pontos de
amostragem. Nesse estudo, o ponto de amostragem que registou o maior nível, com uma

2
máxima-média de 91.38 dB (A) foi o ponto1 situado na estrada nacional nº 6 - frente à
Shoprite, área sem arborização urbana.

Acredita-se que com a presença de árvores nessa área o nível de ruido encontrado
poderia reduzir significativamente, visto que, as árvores são capazes de absorver ondas
sonoras diminuindo a poluição sonora.

Pode ser que o número de pessoas que sofrem dos efeitos da falta de arborização seja
elevado no Município de Chimoio, pois esta constitui maior centro urbano da província e
concentra maior número de actividades socioeconómicas. Neste contexto levantou-se a
questão seguinte da pesquisa: Como reduzir problemas ambientais urbanos relacionados
com a arborização na cidade de Chimoio?

1.3. Hipótese
 A falta de planeamento na elaboração de um projecto arborização urbana e a não
inclusão da arborização urbana no planeamento urbano, como sendo uma actividade a
ser devidamente planeada, minimizam os seus efeitos positivos e maximizam os
negativos.
 A existência de um planeamento na elaboração de um projecto de arborização urbana e
a inclusão da arborização urbana no planeamento urbano como uma actividade a ser
devidamente planeada, maximizam os seus efeitos positivos e minimizam os negativos

1.4. Justificativa

A implantação de um projecto de arborização se torna essencial para mitigação dos


efeitos negativos causados pela artificialidade urbana, promovendo assim, um bem-estar
físico e mental da população, além de amenizar os impactos ambientais, deixando município
mais atraente esteticamente e com paisagens urbanas mais harmoniosas. O Município de
Chimoio está em crescimento, facto este que concorre para o surgimento de novos bairros,
novas vias de acesso, novas construções de edifícios, pavimentação das vias, aumento de
redes eléctricas, entre outros bens públicos ofertados, como consequências desses o
ambiente natural vai diminuindo dando assim espaço para que esses bens existam, com vista

3
a aumentar o ambiente natural e maximizar os seus benefícios, a necessidade de se analisar a
situação e elaborar projectos de arborização urbana.

Em Moçambique pouco existe estudos relacionados a arborização urbana, o que faz


com que esta actividade seja feita sem o devido aconselhamento técnico científico. Os
problemas da arborização urbana são causas e consequências de pouco se apostar em
estudos e investigação na área de planeamento urbano.

Este trabalho ira trazer informações que irão contribuir para a colmatação de défice
de informação em relação ao planeamento, implementação e manutenção da arborização
urbana, olhando a arborização como um serviço público de grande importância que deve ser
ofertado aos munícipes, e que os munícipes juntamente com o poder público têm o dever de
preservar esse serviço para as gerações futuras, uma vez que esse serviço quando bem
planeado e implementado irá trazer inúmeros benefícios a população no município e ao
meio ambiente, tas como: as árvores proporcionarão sombra, amenizarão a temperatura e a
poluição sonora, aumentarão a humidade relativa do ar assim melhorando sua qualidade
para respiração.
Também prover informações técnicas a respeito da convivência harmónica entre a
arborização urbana e os diversos equipamentos urbanos encontrados em vias públicas e
praças, visando subsidiar aqueles que, de alguma forma, participam da gestão de serviços
urbanos no município de Chimoio. Este estudo certamente irá facilitar e impulsionar estudos
posteriores sobre a arborização urbana no município de Chimoio em particular e noutros
municípios do país.

4
1.5. Objectivos

1.5.1. Geral
 Analisar e fornecer subsídios para o maneio integrado e eficiente da arborização
urbana no município de Chimoio.

1.5.2. Específicos
 Diagnosticar a situação actual da arborização urbana no Município de Chimoio.
 Avaliar a percepção dos munícipes a respeito da importância da arborização urbana.
 Definir as directrizes de planeamento, implantação e maneio da arborização urbana
no Município de Chimoio;

5
CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Arborização: definição e classificação da vegetação arbórea


Segundo TERRA et al. (2004), arborização pode ser definida como um “processo
sistemático de organização da paisagem com a introdução ordenada de espécies de porte
arbóreo estando o mesmo condicionado a factores de ordem funcional, estética, ambiental e
sócio ambiental. Seu uso pode estar delimitado pela malha urbana, ocupando áreas livres
públicas como ruas, praças, áreas litorâneas, e podendo ainda ser estendido às reservas
florestais dentro do limite da área urbana.

A Arborização Urbana compreende os diversos espaços urbanos passíveis de serem


trabalhados com as espécies vegetais, como a arborização de ruas, praças, parques, jardins,
canteiros centrais de ruas e avenidas e margens de corpos de água. (AMERICANO at al.,
2016).

Com isso, a vegetação arbórea presente em um ambiente urbano segundo PIVETTA e


SILVAFILHO (2002), é classificada Como:

 Arborização de ruas e avenidas: compreende a arborização sendo um componente


muito importante da arborização urbana, porém, pouco reconhecido, do ponto de
vista técnico e administrativo, devendo ser encarado como um dos componentes do
plano de desenvolvimento e expansão dos municípios.
 Arborização de áreas privadas: Corresponde à arborização dos jardins particulares
como quintais, jardins de hospitais, clubes, indústrias, entre outros.
 Arborização nativa residual: São espaços da natureza que se protegeram da
ocupação e que por suas características florísticas, faunísticas, hídricas,
influenciaram no microclima e são essenciais ao complexo urbano.
 Arborização de parques e jardins: Os parques, normalmente são representados por
grandes áreas abundantemente arborizadas e os jardins, ou mesmo as praças, são
espaços destinados ao convívio social. Nestes locais pode-se utilizar árvores de todos
os portes.

6
2.2. Benefícios da arborização urbana
Segundo MTAUPSP (Manual Técnico de Arborização Urbana da Prefeitura de São
Paulo, 2015), as árvores urbanas desempenham funções importantes para os cidadãos e o
meio ambiente, tais como benefícios estéticos e funcionais que estão muito além dos seus
custos de implantação e maneio, Esses benefícios estendem-se desde o conforto térmico e
bem-estar psicológico dos seres humanos. O Manual citado destaca o aumento da
permeabilidade do solo, que contribui para a redução de enchentes e centros urbanos, e
devido ou aumento da capacidade de infiltração, o escoamento superficial reduz assim
reduzindo a ocorrência de erosão em ambientes urbanos.
Estas também influenciam no microclima, segundo PAIVA e GONÇALVES (2004),
afirmam que a vegetação atua na redução da temperatura, no meio urbano, principalmente
sobre três aspectos: Intercepta os raios solares, criando áreas de sombreamento; Reduz a
temperatura ambiente, evitando incidências solar directa no concreto e asfalto; Humedecer o
ar devido a constante transpiração, eliminando a água para o meio ambiente.
No âmbito geral, uma árvore sozinha não afecta muito sua vizinhança em termos
climáticos, mas estas em grupos ou espalhadas podem ser eficientes na melhoria
microclimática e na sensação de conforto no homem (MILANO e DALCIN, 2000).
Os conjuntos arbóreos podem ser eficientes na melhoria térmica no ambiente urbano,
de acordo com o grau de fechamento das copas, do número de espécie, e da estação do ano.
(SANTOS E TEIXEIRA 2001 citados por DE ALMEIDA 2009).
Os “corredores verdes” nas cidades contribuem para a conservação da biodiversidade
(BRYANT, 2006 citado por SCARAMUSSA 2013), pois de acordo com CASSACO e
LUNES (2015), a arborização viabiliza a conexão entre as populações de fauna de
fragmentos maiores. Além disso, as árvores abrigam uma infinidade de seres vivos, como
insectos, líquenes, pássaros, enriquecendo o ecossistema urbano e aumentando sua
biodiversidade.

Ainda aliado a esse benefício, o MTAUPSP (2015) afirma que as flores e frutos
presentes nas árvores também trazem à cidade um ganho ambiental significativo, pois se
prestam como atractivo e refúgio da avifauna urbana. Algumas espécies vegetais, com

7
ênfase nas frutíferas nativas, são responsáveis pelo abrigo e alimentação de aves,
assegurando-lhes condições de sobrevivência.
Dentre vários benefícios da arborização urbana destaca-se também o facto de esta
servir como barreira para ruídos, de acordo com MILANO (1984), as estruturas vegetais são
capazes reduzir os níveis de ruídos, visto que estas absorvem ondas sonoras diminuindo a
poluição sonora. Segundo PAIVA e GONÇALVES (2002), duas filas de arbustos grandes
ou árvores, plantados nas margens das ruas de uma auto-estrada podem reduzir o barrulho
em cerca de um decibel para cada 1,20m de espessura.
Estas ainda podem servir de barreiras para ventos e alta luminosidade, de acordo
com MTAUPSP (2015), As árvores modificam os ventos pela obstrução, deflexão,
condução ou filtragem do seu fluxo, assim, a vegetação quando arranjada adequadamente
pode proteger as construções da acção dos ventos ou direccionar a passagem destes por um
determinado local. Ainda na visão dos autores acima á no que se refere à luminosidade, a
vegetação atenua o incómodo causado pelas superfícies altamente reflexivas de
determinadas edificações, que podem ofuscar a visão.
As árvores purificam o ar pela fixação das partículas de poeira e gases tóxicos e
reciclam os gases através da fotossíntese. (DERESENDE, 2011). As árvores retêm em suas
folhas os matérias particulados em suspensão no ar, frequentes em cidades com grande
tráfego de veículos, impedindo que tais elementos alcancem as vias respiratórias agravando
doenças como asma, pneumonia, bronquites, alergias, entre outras. Posteriormente, estas
partículas retidas são lavadas pelas águas da chuva. (MTAUPSP, 2015).
OLIVEIRA (2012) menciona que a arborização urbana promove à população
grandes benefícios, tais como: conforto ambiental, bem-estar psicológico, além da melhoria
de aspectos estéticos urbanos, melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.
Ao considerar a árvore como vegetal (ser vivo), pode-se denominar esta como um
elemento pertencente aos componentes urbanos, no qual, cabe avaliá-la em sua importância
e seu valor monetário. De acordo com CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais,
2012), a determinação do Valor monetário das árvores pode ser permitido por vários
critérios: Avaliar o património que a cidade possui relativo à arborização; Estabelecer
multas por danos causados às árvores; Estabelecer indemnizações, deduções e/ou isenções
de impostos e taxas, resultados de acções punitivas ou compensatórias; Estimar um seguro

8
seja da própria árvore ou da propriedade relacionada com a presença da árvore no imóvel;
Mensurar os benefícios e custos dos programas de arborização na busca de recursos
orçamentários e; Valorizar o imóvel, com consequente aumento do património real de seu
Proprietário, do corrector e de outros envolvidos.
2.3. Conflitos da arborização urbana
A arborização urbana resguarda sempre um pouco da flora original das cidades.
Porem, quando mal planejada e realizada por pessoal inapto, pode ter influência negativa
directa em alguns elementos da organização urbana como redes de distribuição de energia
eléctrica e telefónica e sistemas de abastecimento de água e esgoto, placas de sinalização,
edificações (MENESES et al., 2003).
Apesar dos vários benefícios que a arborização condiciona ao meio ambiente e a
população, a presença da arborização no meio ambiente apresenta conflitos (COELBA,
2002). Visto que o uso correto das plantas na arborização é essencial, pois o uso indevido de
espécies poderá causar uma série de prejuízos, tanto para o usuário quanto para empresas
prestadoras de serviços de rede eléctrica, telefonia e esgotos. (DANTAS e SOUZA, 2004).
Para RIBEIRO (2009), é comum vermos árvores podadas intensamente e com
grandes problemas fitossanitários, como presença de cupins, brocas, outros tipos de
patógenos, injúrias físicas como anelamentos, caules ocos e podres, galhos lascados,
afectando sua estrutura física tornando o risco de queda eminente.
Segundo VASCONCELOS (2003), citado por PERREIRA (2011), os problemas
entre a arborização e a rede eléctrica se agrava pelo fato de que arborização e as
implantações dos sistemas eléctricos de distribuição são planeados e realizados de forma
independentes. O mesmo autor afirma que a maioria dos problemas observados na
arborização urbana se dá em função das condições stressantes que as árvores estão
submetidas nas vias públicas. Condições estas como: falta de espaços para desenvolvimento
do sistema radicular - limitações por alicerces, dutos, asfalto e compactação do solo que gera
falta de ar e água para a planta; extensas superfícies impermeabilizadas, o que impede
aeração e infiltração d’água; poucos microrganismos presentes nos solos- pois há pouca
disponibilidade de nutrientes e o pH do solo são mais elevados que em ambientes naturais;
existência desordenada de fiação, postes e canalização, devido à falta de controlo com
planejamento urbano; escoamento directo das águas das chuvas para as redes de saneamento

9
de águas pluviais sem penetrar no solo; solos com fraca capacidade de penetração e retenção
de água; danos causados por veículos (atritos e colisões) como derramamento de óleo,
gasolina, emissões gasosas; influência nociva das emissões sólidas e líquidas do ambiente
urbano; a excessiva reflexão de energia pelas casas e pavimentos; diminuição da vitalidade
da árvore devido a escavações, anelações, movimento de veículos sobre o sistema radicular,
etc.

2.4. Planeamento e implementação da arborização urbana


Para DE RESSENDE (2011), Um planeamento adequado da implantação de áreas
verdes nas cidades como arborização, deve ser bem estudado e planeado para que em vez de
trazer problemas para a população traga benefícios.
Segundo PIVETA e SILVA FILHO (2002), Os vários benefícios da arborização das
ruas e avenidas estão condicionados à qualidade de seu planeamento. A arborização bem
planeada é muito importante independentemente do porte da cidade, pois, é muito mais fácil
implantar quando se tem um planeamento, caso contrário, passa a ter um carácter de
remediação, à medida que tenta se encaixar dentro das condições já existentes e solucionar
problemas de toda ordem.
Um planeamento adequado da arborização urbana é aquela em que se conhecem as
características qual-quantitativas das árvores urbanas, que possibilite a realização de
intervenções com grande chance de sucesso (PAIVA 2009). Auxiliado a um planeamento
deve haver um plano que consta acções de monitoramento, pois, para MINHOTO et al.
(2009), para a obtenção dos benefícios da arborização, torna-se necessário um planeamento
prévio e para a arborização já implantada, um sistema de monitoramento que permita avaliar
as características das árvores e seus respectivos locais de plantio.
De a cordo com, DE RESSENDE (2011), A arborização pode ser implantada tanto
em parques e praças quanto em ruas e calçadas. Uma diferença entre eles é que em parques
e praças existe uma maior flexibilidade em se adoptar certas espécies, já nas ruas e calçadas
o cuidado deve ser bem maior quanto, por exemplo, ao porte da árvore, uma vez que, com o
passar dos anos isso prejudique a infra-estrutura local.
Segundo GONÇALVES e PAIVA (2004), grande parte dos erros cometidos nos
planeamentos de arborização urbana se encontra no facto das pessoas planearem a superfície

10
e não o volume. Para um adequado planeamento da arborização das ruas e avenidas de uma
cidade, alguns factores devem ser considerados:

a) Condições do ambiente
O conhecimento das condições ambientais locais é pré-condição para o sucesso da
arborização. Qualquer planta só adquire pleno desenvolvimento em clima apropriado, caso
contrário poderá ter alterações no porte, floração e frutificação. Deve-se evitar, portanto, o
plantio de espécies cuja aclimatação não seja comprovada (UFAM, S/D).

b) Largura de calçadas e ruas


De acordo com GONÇALVES e PAIVA (2004), é interessante tratar a “caixa” da
rua, que é definida pelo volume contido pela sua largura, comprimento e altura em função
de alguns dos serviços aéreos que podem estar presentes. Assim, aspectos como fiações,
placas e iluminação são levados em consideração.

Segundo PIVETTA e SILVA FILHO (2002) não se recomenda arborizar as ruas


estreitas, ou seja, aquelas com menos de 7 m de largura. Quando estas serem largas, deve-se
considerar ainda a largura dos passeios de forma a definir o porte da árvore a ser utilizada.
Outro factor que deve ainda ser considerado é a existência ou não de recuo das casas.
A escolha do porte das árvores baseia-se, portanto, nestes aspectos. O canteiro
central, no entanto, poderá ser arborizado de acordo com a sua largura. Recomenda-se, nos
canteiros menores que 1,50 m de largura, o plantio de palmeiras ou arbustos e aqueles mais
largos, podem-se escolher espécies de porte médio a grande (UFAM, S/D).

c) Características das espécies


Segundo SCARAMUSSA (2013), O conhecimento das características particulares
de cada espécie deve estar inserido no planeamento da arborização, para garantir os seus
benefícios à população, e, também, o desenvolvimento das espécies.
GONÇALVES e PAIVA (2004) afirmam que o maior problema da arborização
urbana está no conflito que se estabelece entre as árvores e os demais elementos que
compõem o ambiente e para resolver esse conflito, é necessário, no acto do planeamento,
escolher-se a árvore certa para o local certo. Os mesmos autores ainda destacam as

11
características desejáveis das espécies que atenderão às características do local a fim de
evitar maiores conflitos de acordo com o Quadro 1:
Espécies Características
Origem As plantas de espécies nativas devem ser preferidas em relação às
exóticas, pois estão mais adaptadas às condições climáticas do local,
tendo maiores chances de sobreviver e desenvolver
A indicação de espécies de pequeno porte é estabelecida apenas para
Porte atender às condições de plantio (presença de redes eléctricas,
construções), porém, este facto não atende a preceitos de ecologia, meio
ambiente e qualidade de vida. Assim, a adaptação não deve ser da
árvore, mas dos outros equipamentos urbanos que não estarão
influenciando no clima.
Frutescência Para ruas e canteiros centrais não é recomendado o uso de espécies de
frutos grandes, pois estes podem representar perigo para os pedestres e
veículos estacionados nas vias públicas.
Desenvolvimento Recomenda-se que para a arborização urbana seja aconselhável a
escolha de plantas de crescimento lento, uma vez que estas apresentam
folhas persistentes, boa formação de copa (dispensando podas), raízes
profundas, e produzem madeira mais densa, por isso, mais resistente
Enfolhamento Deve-se considerar, em primeiro lugar, o tamanho e perenidade das
folhas. Assim, árvores de folhagem perene são preferidas às de folhas
caducas em cidades de clima quente, e o contrário em cidades de clima
frio. Quanto ao tamanho, as folhas grandes são indicadas por
apresentarem maior facilidade na limpeza e prejudicarem menos os
serviços de calhas e bueiros
Empacotamento Embora as condições ambientais e genéticas variem para cada região, é
importante conhecer o desenvolvimento da copa das espécies para
adequá-la ao espaço aéreo disponível. Assim, as medidas mais
importantes são o quanto ela pode crescer longitudinalmente, o quanto
pode transversalmente em direcção à construção e transversalmente em
relação à rua

12
Florescimento O aspecto mais importante a ser considerado é quanto à funcionalidade
das espécies e quanto à saúde pública, não sendo indicadas, portanto,
espécies que exalam perfume muito acentuado e aquelas que produzem
muito pólen, que pode provocar alergias em algumas pessoas.
Rusticidade e Deve-se optar por espécies que apresentem rusticidade e resistência a
Resistência pragas e doenças, já que serão plantadas em condições adversas
Troncos As árvores indicadas devem apresentar ramos e troncos resistentes,
principalmente à acção dos ventos, contudo, não devem ser muito
volumosos e nem providos de acúleos ou espinhos
Enraizamento Para o plantio em calçadas devem ser usadas árvores que não possuem
raízes agressivas e que sejam profundas e pivotantes, pois, plantas com
raízes superficiais danificam calçadas e construções à medida que vão
crescendo
Toxicidade As espécies que segregam substâncias tóxicas, ou mesmo que possam
causar qualquer reacção alérgica aos habitantes devem ser eliminadas
durante a escolha param arborização.
Quadro 1: Características de espécies de acordo com condicionantes locais. Fonte:
GONÇALVES e PAIVA (2004)
Diversidades
Segundo CEMIG (2011), Sempre que se planeia a implantação de árvores em meio
urbano, a palavra diversidade deve ser considerada, em todos os sentidos: Diversidade de
espécies - Actualmente recomenda-se como regra básica procurar densidades que não
ultrapassem 30% de uma única família de árvores, 20% de um único género e 10% de uma
única espécie. Diversidade genética - Quanto mais diversa for a origem geográfica dos
espécimes plantados, maiores serão as chances de se conseguir essa diversidade,
contribuindo para possíveis tolerâncias a adversidades ambientais e ataques de pragas ou
doenças. Diversidade de idade das árvores - Diferentes estágios de desenvolvimento das
árvores, permitindo a renovação suficiente do estoque de indivíduos.
Diversidade de formas e hábitos de crescimento das espécies -Tendo em vista a
importância e necessidade de se combinar as espécies aos locais onde serão plantadas.
d) Rede eléctrica

13
Este factor é uma das mais importantes definidoras do planeamento da arborização
urbana. Segundo CEMIG (2011), tendo em vista a importância da arborização urbana,
sobretudo por seus benefícios sociais e ecológicos, é imprescindível que os agentes
envolvidos com a questão estejam em permanente interacção para que, de forma
participativa e criativa, sejam encontradas soluções de convivência com as várias estruturas
e equipamentos das cidades. Isto significa que a convivência entre a arborização e as redes
de distribuição da energia eléctrica deve ser planeada, pois, caso contrário, podem ocorrer
acidentes, responsáveis por uma série de transtornos, tais como o rompimento de cabos
condutores, interrupção no fornecimento de energia, queima de electrodomésticos e
comprometimento da iluminação pública.

Existem redes aéreas de energia eléctrica protegidas ou isoladas e redes sem


protecção. Essa protecção é assegurada por um revestimento que permite o contacto simples
da árvore com a rede energizada. Outra alternativa é a implantação de rede subterrânea, que
é semelhante à isolada, porém distribuída sob o solo. Este tipo de rede evita conflitos com as
copas das árvores, mas está sujeita a conflito com raízes. Além disso, seus custos muitas
vezes se tornam inviáveis (CEMIG 2011).

Segundo PIVETTA e SILVA FILHO (2002), a arborização deve ser feita no lado
oposto à fiação e no lado da fiação recomendam-se árvores de pequeno porte e distantes 3 a
4 m dos postes de iluminação. Outra sugestão é a convivência de árvores de grande porte no
lado da fiação com fios encapados. A adequação das redes eléctricas é muito importante, a
fim de reduzir os conflitos e os gastos para manutenção da rede eléctrica e da arborização
conjuntamente (BRITO e CASTRO, 2007).

2.5. Avaliação da arborização urbana


Segundo a CEMIG (2011), a avaliação da arborização presente em determinado
lugar ou da necessidade de sua implantação é feita através de um inventário das árvores
existentes. O inventário consiste na colecta de informações sobre os espécimes existentes e
os locais onde estão situados, visando avaliar suas condições, de forma a garantir a
viabilidade das funções e benefícios estéticos, ambientais, sociais e económicos pretendidos
com a implantação da arborização no local.

14
De acordo com BARCELLOS at al (2018), Os inventários para a avaliação da
arborização viária podem ter carácter quantitativo, relativo à contagem do número de
indivíduos, ou qualitativo, referente à qualidade das árvores, e estes inventários pode ser
total (censo) ou por amostragem.
A definição da amostragem ou censo dependerá de informações prévias disponíveis
(como inventários anteriormente elaborados para a cidade), características da área a ser
avaliada e número de variáveis definidas. Em geral, o censo ou inventário qual-quantitativo
de todas as árvores existentes é indicado para cidades com pequena malha urbana ou com
arborização incipiente. Já o inventário (por amostragem) é mais indicado para municípios
com grande quantidade de árvores, considerando o tempo e recursos necessários para a
realização do levantamento. Portanto, o critério sugerido a ser adoptado para a realização de
senso ou amostragem é: em cidades com até 1.500 árvores ou até 50 mil habitantes realizar
senso quantitativo e qualitativo. Para quantidades superiores, poderá ser utilizada
amostragem para o inventário qualitativo BARCELLOS at al (2018).
Em um inventário, a avaliação quantitativa visa determinar a composição percentual
das árvores existentes, e a avaliação qualitativa procura compreender a relação entre as
árvores (e suas partes, raízes, tronco e copa) e o local onde estão inseridas, como a
compatibilidade entre seu porte e o espaço disponível, as condições sanitárias existentes e a
identificação da necessidade de intervenções (CEMIG, 2011). No entanto, as informações a
serem colectadas dependem, também, da disponibilidade de recursos (SILVA et al., 2006).
Segundo SILVA et al (2007), A importância do inventário está no fato de que
através dele é possível conhecer o património arbóreo e identificar as necessidades do
maneio. A definição dos objectivos de um inventário é ponto essencial para o sucesso da
execução e da aplicação das informações obtidas, esses objectivos podem variar de uma
cidade para a outra.

15
2.6. Legislação Aplicada à Arborização Urbana
De acordo com PAIVA e GONÇALVES (2002), a legislação sobre a arborização
urbana é uma preocupação antiga, embora ainda existam muitos municípios sem uma
legislação adequada ou mesmo sem nenhuma legislação.
A arborização urbana como sendo um acessório de planeamento urbano, o
dispositivo legal aplicada em Moçambique esta ligada a lei de regulamento territorial (Lei n°
19/2007 de 18 de Julho). Segundo esta lei, compete ao Estado e às autarquias locais, a
promoção, orientação, coordenação e monitorização do ordenamento do território e cabe a
estas últimas o estabelecimento dos programas, planos, projectos e o regime de uso do solo.
O Decreto nº 23/2008 do Regulamento da Lei de Planeamento Territorial, no seu Artigo 7,
estabelece a hierarquização dos planos, e institui a obrigatoriedade da elaboração de planos
de nível Distrital e Municipal (onde são elaborados planos de gestão urbana que constam
leis aplicadas a arborização urbana).

16
CAPÍTULO III- METODOLOGIA

3.1. Descrição da localização da cidade de Chimoio


De acordo com a figura 1 a cidade de Chimoio situa-se sobre o corredor da Beira, a
cerca de 200 Km da cidade da Beira e 100 Km do Zimbabwe. Tem os seguintes limites
geográficos: Rio Nhamaocha, Tembwe até ao marco 3 do foral, o monte Chizombero,
Instituto Agrário de Chimoio (IAC) e círculo Matole ao Norte; os riachos Toa e Munetse, os
círculos Chiongo e Ndenguene, e a localidade de Zembecentro ao sul; rio Nhamahocha e
círculos de Noia e Chiongo a Estes; a confluência dos rios Nhamatui e Chiongo a Oeste
(FDC, 2009 citado por Sérgio de Deus).

Figura 1 -Mapa de localização geográfico da Cidade de Chimoio.


Fonte: DINAPOT (2012

17
3.2. Métodos de colectas de dados
3.2.1. Colecta de dados primários
a) Situação actual da arborização urbana no Município de Chimoio

A colecta de dados em campo foi realizada nos meses de Julho e Agosto de 2020,
tendo sido seleccionado cinco (6) bairros num total de 33 bairros da cidade que constitui
uma amostra representativa para o estudo em questão. A escolha dos bairros foi por meio de
amostragem aleatória simples.

Inventário florestal parcial

O método de inventário utilizado no levantamento foi em forma de amostragem. Para


isso, foram sorteadas aleatoriamente cinco ruas por cada bairro (Tabela 1). Para cada uma
delas foi realizado o censo, também denominado inventário a 100%, onde foram colectados
dados de carácter qual-quantitativo.
Tabela 1 - Ruas sorteadas por cada Bairro onde foram realizados o inventário.
Ruas/ Avenidas
Bairros
Bairro 02 - Sussundega
-Williamo
-17 De Julho
-Zâmbia
-16 De Junho
Tambara 02 -T1, T3, T5,T7 e T8
Bairro 03 -Oprimidos
-Barué
-Mussorize
-Lichinga
-25 De Setembro
Soalpo - SP2, SP 4, SP5,SP6 e SP9
Bairro 01 - Rua Josina Machel
-Rua do Mercado
-02, 03 e 05.
Bairro 04 - R1, R2, R4,R7 e R9
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
Para a anotação dos dados colectados foi utilizada uma ficha de campo (Apêndice
A). As variáveis seleccionadas são consideradas de fundamental importância para o
conhecimento quantitativo e qualitativo da arborização urbana.

18
 Espécie: Para a identificação das espécies utilizou-se o método comparativo, em que
todos os indivíduos foram registados por fotografia e posteriormente comparados
com bibliografias e manuais que apresentam informações sobre a Arborização
urbana, também foi usado uma aplicativo denominado PlantNet para facultar o
processo de identificação. Além da comparação, houve o Registo direito de espécies
das quais já se tinha conhecimento do nome usual, bastando somente o registo do
nome científico.
 Altura total: A altura total da árvore em metros, sendo considerada desde a
superfície do solo, até as folhas no ápice do galho mais alto. Os valores foram
estimados usando uma recta graduada de 4m e agrupado em seguintes classes:
Altura: Classe I (< 6m); Classe II (6 - 10m); Classe III (10- 15m); e classe IV (>
15m).
 Altura comercial ou da primeira bifurcação: refere-se à altura do solo até o ponto
de inserção do primeiro galho no tronco. Os valores foram obtidos utilizando-se uma
fita métrica e agrupados em seguintes classes: classe I (<2m) ; classe II (> 2m).
 Diâmetro a altura do peito (DAP): refere-se ao diâmetro do tronco em centímetros
medido desde da superfície do solo até a altura do peito do pesquisador. Os valores
foram obtidos com o auxílio de uma fita métrica, fornecendo os valores reais de CAP
(circunferência a altura do peito) que posteriormente foram convertidos para valores
de diâmetro agrupados em seguintes classes: classe I (<15cm); classe II (15 a 30cm);
classe III ( 30 a 45cm); classe IV (45 a 60cm), classe V ( >60cm) e classe VI: Não
apresenta DAP, isto por serem indivíduos muito jovens.
 Avanço da copa sobre a rua: trata-se do posicionamento da árvore em relação á
rua. A fim de averiguar possibilidade de causar sérios problemas para o tráfego local.
Os valores foram obtidos utilizando-se uma fita métrica. Esses valores foram
distribuídos em 3 classes (< 1,5m, 1,5 – 3m, > 3m).
 Avanço da copa sobre a construção: refere-se ao posicionamento da copa da árvore
em relação à construção, com o intuito de verificar a geração de problemas para os
moradores da cidade, que vão desde a falta de segurança até a diminuição da
iluminação natural. Foram consideradas três situações: boa, quando a copa não toca a

19
construção; regular, quando a copa toca a construção; e ruim, quando a copa
pressiona ou ultrapassa a construção
 Fitossanidade: refere a sanidade da árvore, a qual foi avaliado visualmente pelo seu
aspecto físico. Foram abordadas três situações: boa, quando o indivíduo se
apresentou vigoroso, sem sinais de pragas, danos mecânicos ou doenças; regular,
quando apresentou condições de vigor médias para determinado local, podendo
apresentar pequenos problemas de pragas, doenças ou danos físicos; e ruim, quando
a árvore apresentou estado geral de declínio ou com forte ataque de pragas e doenças
e sérios danos físicos.
 Condição do sistema radicular: trata-se das condições externas do sistema
radicular ou se o mesmo é totalmente subterrâneo. Foram observadas quatro
situações: não apresenta problemas, quando o sistema radicular se apresentou
totalmente profundo e não provocou dano a edificações ou pisos próximos; apontar,
quando superficial, mas não apresentou rachadura, elevação ou desníveis
significativos da calçada; quebra, quando provocou não mais do que algumas
rachaduras; e destrói, quando causou danos significativos, destruindo o passeio.
 Área de crescimento ou área livre: refere-se à área livre no local de plantio junto
ao solo disponível para o engrossamento do tronco da árvore e infiltração de
á[Link] abordadas quatro situações: boa, quando plantada em área aberta, ou
quando foi suficiente para o crescimento normal do espécime, sem ocupação total da
área pelo tronco e sem danificar o passeio; regular, quando a área foi suficiente
apenas para o desenvolvimento completo do tronco, podendo ainda causar pequenos
danos ao passeio; ruim, quando foi insuficiente para o desenvolvimento completo do
tronco, causando, ou com possibilidades de causar danos significativos ao passeio; e
ausente, quando não houve espaço para o engrossamento ou desenvolvimento do
tronco, estando o cimento junto à base do mesmo, geralmente causando danos
 Largura do passeio: este parâmetro indica a existência de calçada pavimentada e
trata da largura da mesma. Os valores foram obtidos por meio da utilização de uma
fita métrica distribuídos nas seguintes classes: I (< 1,5 m), II (1,5 — 3,0 m),(> 3,0 m)
e ausente quando não apresenta passeio.

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 Intensidade de poda trata-se da intensidade de poda aplicada sobre determinado
elemento arbóreo no meio urbano. Foram adoptadas as seguintes situações: leve,
quando foram podados apenas galhos finos sem alterar a estrutura típica da espécie,
não se retirando mais que 20% das ramificações da copa do indivíduo; pesado,
quando foram podados galhos da copa da árvore, retirando até 50% das
ramificações; e drástica, se a poda retirou galhos da copa do indivíduo arbóreo,
retirando mais de 50% das ramificações, geralmente alterando a estrutura da copa da
espécie.
 Necessidade de poda: diz respeito a necessidade de podas a fim de corrigir ou
amenizar problemas que possam ser causados pelo crescimento da copa da árvore.
Os parâmetros observados foram: ausente, quando não houve necessidade de poda;
afastamento de construção, quando os ramos encostaram ou invadiram construções;
libertação de rede eléctrica, quando ocorreram conflitos com a fiação aérea e
levantamento de copa, quando alguns ramos impediram ou atrapalharam o trânsito
de pedestres, ou de veículos.
 Conflitos com a rede eléctrica: indicam à existência ou não de fiação aérea no local
que a árvore se encontrava e se a fiação e a espécie estavam em conflito. E esta
situação foi agrupada em classe onde: apresenta sem conflito, apresenta com
conflitos e ausente quando o local onde se encontra a árvores não apresente rede
eléctrica.

3.3. Colecta de dados secundários


Para os dados secundários usou-se informações originadas da revisão da literatura
em artigos científicos e livros publicados relacionados com a arborização urbana nas cidades
nacionais e internacionais.

3.4. Percepção dos munícipes a respeito da importância da arborização urbana


Para avaliar a percepção da população sobre a arborização da cidade foi utilizado um
questionário (Apêndice B), previamente elaborado contendo 11 questões semiestruturadas.
A entrevista realizada com os moradores teve o intuito de conhecer suas opiniões a respeito
da arborização local e da cidade. O questionário relacionava assuntos como a faixa etária do

21
entrevistado, o grau de escolaridade, conhecimento do significado da arborização urbana,
vantagens e desvantagens da arborização urbana, importância das áreas verdes de lazer, o
pertencimento e responsabilidade na arborização urbana, a situação da arborização da rua do
morador, a forma de colaboração do mesmo com a arborização, e também colher as
sugestões e comentário dos mesmos sobre a arborização.

3.5. Amostragem

Foi usada amostragem probabilística aleatória simples. Por se tratar de um método


mais simples e importante para a selecção de uma amostra, sendo que na amostragem
probabilística todos os elementos do universo têm uma probabilidade conhecida e diferente
de zero de vir a integrar na amostra e na amostragem aleatória simples, cada elemento da
população tem igual probabilidade de ser seleccionado (HENRIQUES, 2012).

3.5.1. Tamanho da amostra


Para o cálculo do tamanho da amostra usou-se a equação 1 do tamanho da amostra
em população finita, a qual foi usada por SÉRGIO DE DEUS (2014). Segundo CAPITÃO
(2009) considera-se que uma população é finita quando o total da população que se pretende
estudar é conhecida ou tem um valor fixo.

N. p. q. 𝜎²
n = p. q. 𝜎² + (N − 1) · e2

Onde:

n- Tamanho da amostra ( 97);


σ² – Nível de confiança escolhido com o nível de certeza de 95% (1,96);
p – Proporção do universo =50% (adoptado de forma conservadora, para resultar na
maior taxa de resposta possível);
N – Número total de habitantes da cidade de Chimoio (372.821);
e2 – Margem de erro/Erro amostral (10%);
q – Percentagem complementar.

22
3.6. Directrizes de planeamento, implantação e maneio da arborização urbana no
Município de Chimoio.
As directrizes de planeamento implantação e maneio da arborização urbana para o
município de Chimoio que constam neste trabalho, foram definidas com base na observação
directa feita em campo, levantamento de dados dendrométricas aplicando um inventário
florestal parcial, entrevista direccionada aos munícipes, objectivando perceber o nível de
entendimento dos munícipes em relação a arborização existente na cidade de Chimoio e
através de pesquisa bibliográfica onde foram consultados livros e trabalhos científicos que
abordam sobre a arborização urbana.
Segundo BARCELLOS et al (2018), a elaboração de um plano Municipal de
arborização urbana deve-se levar em conta alguns aspectos tais como: Diagnóstico da
Arborização Urbana do Município - O diagnóstico da arborização de vias públicas visa:
conhecer o património arbóreo, identificar as espécies que compõem a arborização (bairros
ou regiões da cidade), localizar áreas para novos plantios, verificar quais práticas de
manutenção são necessárias, definir as prioridades nas intervenções, definir as políticas de
administração, com o estabelecimento de previsões orçamentárias e; Diagnóstico
Participativo - Percepção da População - O estudo de percepção da população é uma
importante ferramenta para garantir a participação da população na construção do Plano
Municipal de Arborização Urbana, pois garante captar como a população vê e convive com
as árvores urbanas de seu município.

3.7. Processamento dos dados


Os dados obtidos foram analisados individualmente para o reconhecimento da
situação de cada árvore analisada e cada resposta dada pelos munícipes. Em seguida, por
meio do Microsoft Excel 2010 procedeu-se a elaboração de planilhas de acordo com as
semelhanças que cada quesito possuía. Os dados de campo foram transferidos para as
respectivas planilhas tornando possível a geração de tabelas e gráficos para análise e
discussão dos resultados.

23
CAPÍTULO IV- RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram inventariados 415 indivíduos arbóreos e arbustivos nas ruas do município de


Chimoio, sendo identificadas 6 espécies e 4 famílias (Tabela 2).

Tabela 2 - Lista de espécies inventariadas na arborização do Município de Chimoio,


sendo FA = Frequência absoluta e FR = Frequência relativa.
Família Espécies FA FR (%)
Senna Siamea 372 89.6%
Fabaceae RabiniaPseudoacacia L 22 5.3%
Delonix Regia 6 1.4%
Biognoniaceae JacarandaMimosifoliaD,don 10 2.4%
Araucariaceae AraucacariaAngustifolia 1 0.2%
Combretaceae TerminaliaMantaly 4 1.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

A espécie Senna Siamea foi mais abundante com 372 indivíduos, totalizando 89,6%
dos indivíduos encontrados, seguida de Rabinia Pseudocaça L com 5.3%,
JacarandaMimosifolia D, Don 2.4%, Delonix Regia 1.4%,TerminaliaMantaly 1% e
Araucária Angustifolia com 0.2%.Onde as espécies Senna Siamea, Rabinia Pseudoacacia L
e a Delonix Regia, pertencente a família Fabaceae totalizaram 96. 3%, o que espelha
claramente uma falta de diversidade de espécie na arborização urbana das vias no município
de Chimoio.

De acordo com CEMIG (2011), para a diversificação de espécies, actualmente


recomenda-se como regra básica procurar densidades que não ultrapassem 30% de uma
única família de árvores, 20% de um único género e 10% de uma única espécie.

24
Gráfico 1-frequência relativa das Seis espécies encontradas na arborização do
município de Chimoio.
100.0%
89.6%
90.0%

80.0%

70.0%
Senna Siamea
60.0% Rabinia Pseudoacacia L
50.0% Jacaranda Mimosifolia D,don
Delonix Regia
40.0%
Araucacaria Angustifolia
30.0% Terminalia Mantaly

20.0%

10.0% 5.3%
2.4% 1.4% 1.0%
0.2%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

MILANO E DALCIN (2000) orientam que cada espécie seleccionada para


arborização urbana de uma área não ultrapasse 15% do total de indivíduos para evitar a
propagação de pragas e doenças que podem comprometer seriamente a fitossanidade das
árvores locais. No entanto, nesse estudo verificou-se que a espécie Senna Siamea foi
bastante utilizada (gráfico 1), apesar de esta possuir raízes agressivas e com porte
compreendida entre 6 a 18m (características propícias para criarem sérios danos aos
passeios, pavimentações, construções e rede eléctrica).

25
Gráfico 2- Frequência das classes de altura em metros observada na arborização das
vias no Município de Chimoio
100.0%

80.0%

57.8% <6m
60.0%
6-10m

40.0% 10-15m
26.5% >15m
20.0% 13.7%
1.9%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

É possível perceber através do gráfico 2, a predominância de indivíduos da classe I,


no que se refere a altura total, ou seja, tem altura menor que 6 m, representando 57,8%. Isso
pode ser explicado pelo facto de Senna Siamea, espécie mais abundante sofrer podas
drásticas. Constatou-se que 26,6% dos indivíduos pertencem a classe II, que englobam
espécie com altura entre 6 a 10 m e 13,7% na classe III com altura entre 10 a 15 m. Os
valores que se encontram nas classes II e III podem ser explicados pelo facto da espécie
mais abundante nas vias, Senna Siamea, com porte de 6 a 18 m.

Gráfico 3 - frequência de classes de altura da 1ª bifurcação observadas na arborização


do município de Chimoio
100.0%
90.0%
80.0%
70.0%
59.8%
60.0% <2m
50.0% >2m
38.8%
40.0%
Não apresenta
30.0%
20.0%
10.0% 1.4%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

26
Avaliando a altura da 1ª bifurcação o estudo mostrou que a frequência de indivíduos
com altura de 1ª bifurcação igual ou maior a 2m foi de 38.8%, enquanto apenas 1.4% não
possuíam bifurcação. E 59,8% das árvores apresentaram primeira bifurcação abaixo de 2 m
(gráfico 3), isto acontece porque a população e a entidade responsável pelo maneio da
arborização urbana não terem efectuado a poda de formação no viveiro ou no local
definitivo (quando a muda plantada for menor que o recomendado), consequentemente
permitindo que espécies como Senna Siamea, Delonix Regia, emitem inúmeros ramos desde
a base, que acabam interferindo na visualização e passagem de pedestre. PIVETTA&
SILVA FILHO (2002), recomendam que seja feito a poda de formação retirando os ramos
laterais até uma altura recomendada de 1,80 m visando não prejudicar o futuro trânsito de
pedestres e veículos sob a copa. Esta poda normalmente é feita no viveiro ou no local
definitivo quando a muda plantada é menor que recomendado.
Gráfico 4- frequência das classes de valores de DPA observadas na arborização do
município de Chimoio.

100.0%

80.0% <15cm
> 60cm
60.0% 15-30cm
37.3% 30-45cm
40.0%
27.5% 45 - 60cm
23.6%
20.0% não apresenta
7.0%
3.4% 1.2%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

No gráfico 4 são encontrados valores percentuais relativos a diâmetro à altura do


peito (DAP), distribuídas em 6 classes. A classe IV apresentou uma frequência considerada
bastante alta (37.3%), visto que esta classe abrange árvores com DAP entre 45 a 60 cm,
seguida da classe III com 27.5% que engloba árvore com DAP entre 20 cm a 45 cm. E a
classe V que compreende árvores com DAP acima de 60 cm apresento 7%. O somatório da
frequência destas 3 classes totalizou 71,8%. Diante dessas informações, pode-se inferir que
a maioria das árvores encontradas é composta por indivíduos adultos ou de médio e grande
porte.

27
Gráfico 5 - Frequência das classes de Avanço da copa para Rua observadas Município
de Chimoio

100.0%
90.0%
80.0%
70.0% 64.6%
60.0% <1.5m
50.0% >3m
40.0% 1.5-3m
30.0%
19.8%
20.0% 15.7%
10.0%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).


Quanto ao avanço da copa sobre a rua, 64.6% das árvores se encontram avançado
entre 1,5 a 3 m (gráfico 5), enquanto 19.8% avançam menos que 1.5 m e 15.7% avançam
maior que 3 m. A predominância de avanço de copa entre 1,5 a 3 m para rua, situação
desagradável pois este avanço tende a criar problemas com o tráfego de veículos.

Gráfico 6 - frequência das classes de Avanço da copa para Construção observada no


Município de Chimoio.

50.0% 46.3%
45.0%
40.0% 36.9%
35.0%
30.0% boa
25.0% regular
20.0% 16.9% ruim
15.0%
10.0%
5.0%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

28
Figura 2-Senna Sianea em conflito com construção nas ruas do Município deChimoio
Fonte: Autor (2020).

Considerando o avanço da copa sobre a construção, percebe-se 43.3% dos


indivíduos observados não estavam em contacto com construções, sendo classificadas como
boas visto que esta situação não oferece problemas aos moradores. O facto de maior parte
dos indivíduos não estar em contacto com as construções estão relacionado com a grande
quantidade de área livre nas quais elas estão inseridas e, também devido a 49.2% dos
indivíduos estarem localizados em áreas que não apresentam passeios e 47.2% dos
indivíduos localizados localizadas em passeios com maior de 1.5 m.

Constatou-se que 36.9% das copas dos indivíduos observados estão em contacto
com a construção sendo classificadas como regular. Este cenário aponta para ocorrência de
problemas que vão desde a falta de segurança dos morredores ate a diminuição da
iluminação natural.

Também verificou-se que 19.9% dos indivíduos observados as copas pressionam as


construções, este fenómeno é considerado ruim (gráfico 6), pós criam insegurança aos
moradores e diminuem a iluminação natural.

29
Diante dessas informações, destaca-se importância da poda manutenção para evitar
que 56.5% da população possam prejudicar as construções.

Gráfico 7 - frequência das classes de Fitossanidade observadas nas ruas do Município


de Chimoio

80.0% 74.9%
70.0%
60.0%
Boa
50.0%
Regular
40.0%
Ruim
30.0%
Morta
20.0% 14.5%
9.9%
10.0%
0.7%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Com relação a fitossanidade o estudo demonstrou que, 74.9% da população


encontravam- se em condições regulares, árvores que se apresentavam com vigor médio,
pequenos danos físicos, problemas de pragas ou doenças.
14.5% Dos indivíduos encontrados em boas condições, isto é não apresentavam
nenhum dano mecânico estavam isentas de pragas e doenças.
9.9% Dos indivíduos observados encontravam-se em condições ruins, árvores que
apresentavam grandes danos mecânicos originados por pregos, podas irregulares e
apresentavam também doenças e ataques de pragas. E 0.7% estavam mortas, (gráfico 7).
O elevado número de indivíduos em condições regulares fitossanitárias pode estar
associadas a existência de pouca variedade de espécie o que aumenta o nível de propagação
de pragas e doenças.
De acordo com CEMIG (2011), afirmam que em relação a diversidade genética, quanto
mais diversa for a origem geográfica das espécies plantadas, maiores serão as chances de se
conseguir essa diversidade, contribuindo para possíveis tolerâncias a adversidades
ambientais e ataques de pragas ou doenças.

30
Gráfico 8 - frequência das classes das condições das raízes observadas no Município de
Chimoio.
50.0%
46.0%
45.0%
40.0%
35.0%
30.0% 27.5% Não Apresenta

25.0% Aponta
19.5% Quebra
20.0%
Destroi
15.0%
10.0% 7.0%
5.0%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).


A análise do sistema radicular, o estudo mostrou que 72.5% dos indivíduos
apresentam algum tipo de problema, possivelmente, devido ao uso de espécie que apresenta
sistema radicular superficial e extenso, a Delonix Régia, Senna Siamea (Gráfico 8), sendo
que 19,5% dos indivíduos destruíam o passeio com o desenvolvimento das raízes, este
cenário também pode ser explicado com a existência de indivíduos em passeios com menos
de 1.5m de largura e área de crescimento ruim.
Também verificou-se que 7% dos indivíduos encontrados quebram o passeio com o
desenvolvimento das raízes, 46% dos indivíduos observados, o seu sistema radicular aponta
que futuramente com o desenvolvimento das raízes irão causar danos de baixa, média e alta
intensidade. 27,5% Dos indivíduos observados não apresentavam raízes expostas, este facto
pode estar associado a existência de indivíduos muito jovens, áreas que não apresentam
passeio e a áreas que apresentam passeio com largura maior que 1.5 m e área livre de
crescimento boa.

31
Figura 3- Sistema radicular de Senna Siamea destruindo passeia nas ruas do Município de
Chimoio
Fonte: Autor (2020).

Gráfico 9-frequência das classes de Intensidade de Poda observada na arborização do


município de Chimoio
100.0%
90.0%
80.0%
69.2%
70.0%
60.0% Leve
50.0% Pesada
40.0% Drástica
30.0%
18.1%
20.0% 12.8%
10.0%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Avaliando a intensidade de poda o estudo mostrou que 69.2% dos indivíduos apresentam
sinais de podas drásticas. Este facto pode estar associado a falta de conhecimento dos
procedimentos técnico de poda por parte dos executores. Também constatou-se que 18,1%
dos indivíduos sofrem de podas pesadas, e apenas 12.8% apresentam sinais de podas leves.

32
OLIVEIRA (2013), afirma que, podas drásticas ou severas estimulam a produção de
uma grande porção de brotos epicórmicos, o que não é aconselhado em arborização urbana,
pois estes ramos causam transtornos, sendo ideal apenas para cercas vivas.

Figura 4- Indivíduos que sofrem de podas drásticas nas ruas do Município de Chimoio.
Fonte: Autor (2020).

Gráfico 10- frequência das classes de necessidade de poda observada na arborização


do município de Chimoio

35.0% 33.3%

30.0%
25.1% Ausente
25.0% Afastar da Construção
20.0% 16.4% Libertar Rede
15.0% 12.0% 11.8% Levantar Copa

10.0% Dois tipos


Três tipos
5.0% 1.4%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

No que diz respeito a necessidade de poda (gráfico 10), observou-se que 33.3% dos
indivíduos necessitavam de poda para levantar a copa, esta situação pode estar associada a
falta de poda de contenção.

33
Segundo PIVETTA & SILVA FILHO (2002), a poda de contenção é realizada
visando adequar a copa da árvore ao espaço físico disponível em função de um plantio
inadequado. A recomendação geral é manter um mínimo de 30% da copa, mantendo sempre
que possível o formato original.

Por outro lado, 25.1% dos indivíduos não necessitavam de poda, resultado este que
pode ser justificada pela grande quantidade de áreas livres nas quais as árvores estão
inseridas, sem presença de fiação e construções. E 17.8% dos indivíduos necessitavam mais
de um tipo de poda, 12% necessitam de poda para afastar de construção e 11.8% para
libertar rede eléctrica.

Gráfico 11 - frequência das classes de área livre de crescimento observado nas ruas do
município de Chimoio

70.0%
60.7%
60.0%
50.0% Ausente
40.0% Regular
30.0% Ruim
17.6%
20.0% 13.0% Boa
8.7%
10.0%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020)
Analisando a área livre de crescimento das árvores, 60.7% dos indivíduos
encontram-se em boas condições, isto deve-se ao facto de que maior parte das áreas onde os
indivíduos encontram-se inseridos não estarem pavimentadas, possibilitando melhores
condições para o desenvolvimento do tronco. Por outro lado, 17,6% dos indivíduos
encontram-se e condições ruins, isto é, não apresentam áreas livre de crescimento suficiente
para o desenvolvimento do troco e das raízes, o que origina problemas com os passeios.
13% Dos indivíduos encontram-se em condições regulares e 8.7% a área de crescimento
eram ausentes (gráfico 11).

34
Gráfico 12- frequência das classes de largura do passeio observado na arborização das
vias do Município de Chimoio.

100.0%
90.0%
80.0%
70.0%
Ausente
60.0%
49.2% <1,5m
50.0%
1.5-3m
40.0% 31.8%
> 3m
30.0%
20.0% 15.4%
10.0% 3.6%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Com relação à largura do passeio onde os indivíduos estavam inseridos, 49.2% dos
indivíduos observados estavam localizadas em áreas sem passeio. Esse cenário pode estar
associado ao facto de que existam muitas ruas não pavimentadas no município de Chimoio.
E 31.8% dos indivíduos estão localizadas em áreas com passeios entre 1,50 a 3 m de largura,
e 15.4% em passeios maiores que 3,1 m de largura, o que é importante para não
comprometer o tráfego de pedestres (gráfico 12). Por outro lado, 3.6% encontravam-se em
passeio com menos de 1,5m de largura
Gráfico 13- frequência das classes de rede eléctrica observadas nas vias no Município
de Chimoio.

100.0%
90.0%
80.0%
70.0%
60.0% Apresenta sem conflito
50.0% 46.3% Apresenta com conflito
40.0% Ausente
30.4%
30.0% 23.4%
20.0%
10.0%
0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

35
Quanto a rede eléctrica, 46.3% dos indivíduos encontravam-se inseridos em área sem
rede eléctrica ou no lado oposto a rede eléctrica, 30.4% dos indivíduos apresentavam
conflito com a rede eléctrica, este facto pode estar associado a escolha inadequada de
espécie a ser plantada sob fiação, e 23.4% apresentavam rede eléctrica mas sem conflito.

Figura 5- Senna Siamea em conflito com a fiação nas ruas do município de Chimoio
Fonte: Autor (2020)

4.1. Arborização de Praças


O censo das espécies nas 3 praças do município de Chimoio registou a presença de
um total de 81 indivíduos, distribuídos em 9 espécies e 7 famílias botânicas (tabela 3). Na
praça da independência foram observadas 26 indivíduos, 39 na praça dos Heróis e 16 na
praça Ngungunhane.

36
Tabela 3 - frequência absoluta e relativa dos indivíduos observados na arborização das
praças do município de Chimoio
Família Espécie FA FR
Fabaceae Senna Siamea 35 43.2%
Leocaena leucocephala 12 14.8%
Delonix Regia 6 7.4%
Pinaceae Pinus Taeda 7 8.6%
Combretaceae Terminalia Mantaly 6 7.4%
Muringaceae Moringa Oleífera 6 7.4%
Aracaceae Syagrus Romsnzoffiana 6 7.4%
Taxaceae Taxus Baccatq L 2 2.5%
Pandaceae Pandanus Utilis Bory 1 1.2%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Gráfico 14 - frequência das espécies observada nas praças do Município de Chimoio.


94.1%
90.0%
80.0%
70.0% 46.2%
60.0%
50.0% 33.3%
40.0% 24.0% 24.0% 24.0% 17.9%
30.0% 16.0%
20.0% 8.0% 4.0% 2.6% 5.9%
10.0%
0.0%
Taxus Baccat tq L

Delonix Regia

Acacia Thorns
Senna Siamea

Senna Siamea
Moringa Olifera
Terminalia Mantaly

Pinus Taeda
L. Leucacephala
Romsnzoffiana

Delonix Regia

Pandus Utilis Bary


Syagrus

Praça da Independência Praça dos Herois Praça


Ngungunhane
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Praça da Independência foi a praça que constatou-se maior diversidade de espécie,


mas ainda a necessidade de se aumentar a diversidade com vista a oferecer mais benefícios
em relação a estética e lazer. A praça conta com 6 espécies, onde as espécies predominantes
foram a Terminalia Mantaly, Moringa Olifera e Syagrus Romsnzoffiana, com um percentual
de 24% cada (gráfico 15) seguidas de Delonix Regia com 16% de indivíduos, Taxus Baccat
tq L com 8% de indivíduos e a Pandus Utilis Bary contribuindo com 4% de indivíduos na
arborização da praça.

37
A praça dos heróis foi a Praça que verificou-se uma diversidade de espécie
considerada regular em relação a Praça da Independência, com 4 espécies, onde a Senna
Siamea foi a espécie mais predominante com 46.2% do total dos indivíduos encontrados,
seguidos de Leucacephala L. com 33.3% de indivíduos, Pinus Taeda com 17.9% dos
indivíduos encontrados e a Delonix Regia contribuindo na arborização com um total de
2.6% dos indivíduos.

Analisando a arborização das três praças do município de Chimoio (figura 6), notou-
se que há uma precariedade com relação ao planeamento, manutenção e lazer. Apenas a
praça dos Heróis oferecia benefícios directos a população, como espaço para o lazer e
harmonia entre espécie e estrutura física, com áreas pavimentas e áreas com um pequeno
jardim, mas notou-se ausência de sistemas de iluminação, o que também foi verificado nas
restantes praças do município, o que faz com que as praças sejam pouco frequentadas nos
períodos da noite.

A praça da independência e quase na sua totalidade não pavimentada, o que coloca


em perigo a saúde dos munícipes que frequentam aquela área, visto que com a acção do
vento o material particulado (poeira) presente na área, tende a dispersar-se, assim uma parte
destes podem penetrar nas vias respiratórias das pessoas que se encontram naquele lugar,
criando situação propícia para a origem de doenças de ordem respiratória. A praça não
oferece sombra na maior parte da sua área, este facto pode estar associado com a
predominância de indivíduo muitos jovens e também ao uso de espécies que oferecem pouca
sombra tais como, Taxus Baccatq L, Terminalia Mantaly e Pandanus UtilisBory.

E a praça Ngungunhane foi a que se encontrava em pior estado, visto que possuía
93.75% dos indivíduos de mesma espécie (Senna Siamea), este facto mostra claramente a
falta de diversidade de espécies, o que não é adequado, porque, para além de não oferecer
quase nenhum tipo de lazer, os indivíduos estão mais susceptíveis a ataques de pragas e
doenças. Não apresenta bancos como estrutura física, não pavimentada na sua totalidade,
apenas oferecia sombra em quase toda a sua área.

38
Figura 6-Praças do Município de Chimoio. A — Praça da independência, B— Praça dos
Heróis e C- Praça
Fonte: Autor (2020).
Gráfico 15- frequência das classes de altura total observadas na arborização das três
praças do município de Chimoio
100.0%
90.0%
80.0%
70.0%
<6m
60.0% 51.9%
>15m
50.0%
40.0% 10-15m

30.0% 6-10m
22.2% 22.2%
20.0%
10.0% 3.7%
0.0%

Fonte: elaborado pelo autor (2020).

39
Com relação a altura total das árvores encontradas nas três praças, percebeu-se uma
predominância de indivíduos com Ht entre 10 a 15 m (51.9%), esta situação pode estar
associado ao porte da espécie mais predominante Senna Siamea que varia de 6 a 18m, em
praças esta situação é considerada boa, visto que, árvores com esta altura apresentam maior
alargamento das copas que pode oferecer sombra a uma grande área. Outros 22.2% dos
indivíduos observados apresentam altura total menor que 6 m, este fenómeno esta associado
a existência de indivíduos muito jovens encontradas na praça da independência, 22.2% dos
indivíduos observados apresentavam altura total entre 6 a 10 m e apenas 3.6% apresentou
altura maior que 15 m.

Gráfico 16 - frequência das classes de DAP observada nas praças do município de


Chimoio

40.0% 37.0%
35.0%

30.0%
25.9% <15cm
25.0% >45cm
21.0%
20.0% 15-30cm

15.0% 13.6% 30-45cm


não apresenta
10.0%

5.0% 2.5%

0.0%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Avaliando-se o DAP, 37% dos indivíduos apresentaram diâmetro a altura do peito


maior que 45 cm, 25.9% dos indivíduos apresentaram DAP entre 15.1 a 30 cm, 21% dos
indivíduos apresentaram diâmetro entre 30,1 a 45 cm, 13.6% dos indivíduos apresentaram
diâmetro menor que 15 cm e apenas 2.5% dos indivíduos não apresentaram DAP (gráfico
15). Os valores de altura total associada com DAP dos indivíduos possibilitam inferir que a
maioria dos indivíduos das árvores encontradas são adultas ou de médio e grande porte.

Diante dos resultados obtidos com o DAP e altura total fica evidente a maior
participação de árvores maduras em detrimento das jovens, demonstrando baixa renovação
dos elementos arbóreos das praças analisadas.

40
Gráfico 17 - frequência das classes de fitossanidade observada na arborização das
praças do município de Chimoio
100.0%
90.0%
80.0% 75.3%
70.0%
Ruim
60.0%
Boa
50.0%
40.0% Morta
30.0% 22.2% Regular
20.0%
10.0% 1.2% 1.2%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Avaliando-se a fitossanidade, 75.3% dos indivíduos observados apresentavam boas


condições, demonstrando boas condições de raízes e parte aérea sem nenhum ataque de
pragas ou doenças, 22.2% dos indivíduos observados apresentavam condições regulares,
1.2% dos indivíduos apresentavam condições ruins e apenas um indivíduo morto (gráfico
18).

Gráfico 18-frequência das classes de intensidade de poda observada na arborização do


município de Chimoio.

120.0%
96.3%
100.0%

80.0%
Drástica
60.0% Leve
Pesada
40.0%

20.0%
1.2% 2.5%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Quanto a intensidade de poda, 96.3% dos indivíduos indicavam sofrer poda leve, este
valor pode estar associado e existência de um maneio contínuo visto que na praça da

41
independência e dos heróis e possível notar quase sempre agentes a efectuarem o meneio.
2.5% Dos indivíduos indicavam sofrer de podas pesadas e apenas 1.2% dos indivíduos
indicavam sofrer podas drásticas (gráfico 19).

Gráfico 19 - frequências das classes de necessidade de poda observada na arborização


das praças do município de Chimoio

90.0%
80.0% 76.5%

70.0%
60.0%
Ausente
50.0%
Levantar Copa
40.0%
Liberar Rede
30.0%
18.5%
20.0%
10.0% 4.9%
0.0%

Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Analisando-se a necessidade de poda percebeu-se que, 76.5% dos indivíduos (gráfico


20) não necessitavam nenhum tipo de poda, este resultado este associado ao facto de que as
praças estarem localizadas distante de casas, construções, fiações e a existência de um
maneio contínuo diminuindo, assim, a necessidade de poda.
Constatou-se que 18.5% dos indivíduos encontrados necessitavam de poda para
levantar a copa com vista a melhorar a circulação dos munícipes que se fazem as praças.

Também verificou-se que 4.9% dos indivíduos necessitam de poda para libertar a
fiação, este resultado está associado a existência de uma PT de transformação de corrente
eléctrica encontrada na praça dos Heróis.

42
Gráfico 20- frequências das classes de área livre de crescimento observado na
arborização de praças no município de Chimoio

100.0% 88.9%

80.0%

60.0% Área Aberta


Boas
40.0% Ruim

20.0% 9.9%
1.2%
0.0%

Fonte: Elaborada pelo autor (2020).

Em relação à área de crescimento, devido a grande percentagem de área não


pavimentada nas praças, consequentemente, há boas condições para a área de crescimento
das árvores, sendo 89.9% da população situada em área aberta, com espaço suficiente para o
seu desenvolvimento. Por outro lado, 9.9% se encontravam em boas condições e apenas
1.2% se encontravam em condições ruins (gráfico 21).

Gráfico 21- frequências das classes de rede eléctrica observadas na arborização das
praças do Município de Chimoio

100.0% 88.9%

80.0%
Apresenta com conflito
60.0%
Apresenta sem conflito
40.0%
Ausente
20.0%
6.2% 4.9%
0.0%

Fonte: elaborado pelo autor (2020).


Em relação aos conflitos com a rede eléctrica e iluminação, a predominância foi de
ausência de conflitos (gráfico 22), sendo que 88.9% dos indivíduos apresentavam-se com
ausência de conflito, este cenário esta associado a ausência de iluminação nas praças.

43
Por outro lado, 6.2% dos indivíduos apresentavam-se com conflitos e 4.9% dos
indivíduos apresentavam sem conflitos.

4.2. PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO EM RELAÇÃO À ARBORIZAÇÃO


Na avaliação da Percepção dos munícipes, foram entrevistados 97 pessoas de várias
ruas, sendo 62.9% homens e 37.1%, mulheres, 48.5% tinha idade menor que 25 anos, 40.2%
tinham idades compreendidas entre 25 a 45 anos e apenas 11.3% tinham idade maior que 45
anos. Ainda em relação ao perfil dos entrevistados quanto ao grau de escolaridade 45.4%
possuíam nível superior, 43.3% tinham ensino secundário, 11.3% tinham o ensino primário
e nenhum analfabeto (tabela 4).

Tabela 4- Grau de escolaridade dos entrevistados no município de Chimoio


Grau de
Escolaridade %
Analfabeto 0
Ensino Primário 11.3%
Ensino Secundário 43.3%
Ensino Superior 45.4%
Fonte: elaborado pelo autor (2020).

Quando indagado sobre o que significa da arborização urbana, a resposta foi sim a
um percentual de 70.1%, essa situação é considerada boa porque mostra que a maior parte
dos entrevistados tem conhecimento sobre arborização urbana e 29,9% dos entrevistados
responderam não, este resultado mostra que a necessidade de se fazer campanhas com o
intuito de dar a conhecer aspectos relacionados a arborização urbana e sua importância na
qualidade de vida da população.

Em relação a ruas arborizadas, 86.6% dos entrevistados afirmam que gostam de ruas
arborizadas, destacando os motivos de oferecer sombra e redução do calor. E 13.4%
afirmam não gostar de ruas arborizadas, esta situação pode estar associada ao facto de que
alguns entrevistados desconhecerem os benefícios gerados por ruas arborizadas.

44
Questionando-os sobre como os entrevistados classificam a arborização da sua rua
(tabela 5), 46.4% responderam que elas são pouco arborizada, enquanto 37.1% avaliaram
com sendo razoavelmente arborizadas e 16.5% como muito arborizada. Vale a pena salientar
que, dentre as pessoas que avaliaram como pouco arborizadas, houve as que afirmaram não
ter arborização nas suas ruas. Este facto pode estar associado ao facto de que o município de
Chimoio não possuir muitas ruas arborizadas.

Tabela 5 - intensidade de arborização das ruas classificadas por moradores do


município de Chimoio
Classificação da Arborização %
Muito Arborizada 16.5%
Pouco Arborizada 46.4%
Razoavelmente Arborizada 37.1%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Quando questionados sobre a necessidade da arborização urbana, 89.7% dos


entrevistados responderam positivo destacando as vantagens que estas oferecem tais com,
sombra, redução do impacto da chuva e redução de calor. 10.3% dos entrevistados
responderam negativo.

Entre as vantagens da arborização urbana, houve uma predominância de respostas


declarando mais de uma vantagem (52.6%), com maior incidência para sombra, Preservação
da Biodiversidade e redução de calor. Entre as pessoas que citaram outras vantagens (4.1%)
a predominância foi de redução da erosão, melhoria na qualidade do ar, redução do impacto
do vento (tabela 6).Com relação as desvantagens, neste quesito, a opinião mais
predominante foi mais de uma desvantagem (36.1%) enquanto, 18.6% citam mais de uma
desvantagem com desta que para rede eléctrica e sujeiras nos passeios. Facto de a maioria
das pessoas citarem mais de uma desvantagem é um indicativo de que a arboricultura
município de Chimoio carece de um maneio integrado e eficiente com vista a minimizar os
impactos negativos que essas apresentam e maximizar os seus benefícios (tabela 7).

45
Tabela 6- vantagens da arborização das ruas do município de Chimoio citados pelos
munícipes
Vantagens %
Mais de uma vantagem 52.6%
Outros 4.1%
Preservação da Biodiversidade 10.3%
Redução de Calor 6.2%
Redução de Poluição Sonora 2.1%
Redução do impacto das chuvas 5.2%
Sombra 19.6%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Tabela 7 - Desvantagens da arborização das ruas do município de Chimoio citados


pelos munícipes
Desvantagens %
Mais de uma Desvantagens 36.1%
Não apresenta desvantagens 18.6%
Problemas com as redes eléctricas 9.3%
Problemas nos passeios 8.2%
Redução de iluminação 10.3%
Sujeira nas ruas e passeios 17.5%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Quando indagados sobre a necessidade de existência e da criação de áreas verdes,


como praças para o lazer, 93.8% dos entrevistados avaliaram com necessária, alegando que
estas são importantes para a saúde da população, destacando a melhoria da estética, e ao
facto de essas disporem de espaces para exercícios físicos, contribuindo na qualidade da
saúde física e psicológica dos mesmos. 6.2% Alegaram que estas áreas não alteravam o seu
quotidiano e nenhum indivíduo avaliou com desnecessária.

46
Questionando-os sobre a quem recaia a responsabilidade da arborização urbana,
53.6% citaram a população, 39.2% ao município e apenas 7.2% citaram tanto o município
como apropria população. O facto de muitas pessoas citar que a responsabilidade recai a
população, é um bom indicativo de que elas têm consciência da importância da arborização,
dos seus benefícios e da necessidade da sua conservação.

No questionamento sobre a forma de colaboração dos munícipes em relação a


arborização dos seus bairros, 84.5% responderam positivamente enquanto 9.3%
negativamente (tabela 8). Dentre 84.5% que colaboram 40.2% plantando árvores, 23.7% na
manutenção e poda, 19.6% de duas formas e apenas 6.2% não opinaram

Tabela 8- colaboração da arborização urbana nas ruas do município de Chimoio


citadas pelos moradores
Colaboração %
Duas Formas 19.6%
Manutenção e poda 23.7%
Não contribuo 9.3%
Outros 1.0%
Plantando árvores 40.2%
Sem opinião 6.2%
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).

Quando questionados sobre o conhecimento da legislação e normas técnicas para


plantio e manutenção de árvores nos centros urbanos, 52.6% responderam positivo e 47.4%
negativamente.

Diante dos valores de formas de colaboração e conhecimento sobre a legislação e


normas técnicas para plantio e manutenção de árvores em centros urbanos, pode-se inferir
que a maior parte dos problemas gerados pela arborização urbana no município pode estar
associado ao facto de que muitas ruas não estarem arborizadas, fazendo com que iniciativas
particulares das munícipes desprovidas de conhecimento efectuem o processo de plantio e
manutenção das árvores nos centros urbanos.

47
Em relação aos comentários e sugestões sobre a arborização local e da cidade vários
foram os comentários feitos pelos moradores, porém direccionadas para o mesmo propósito,
afirmando que a arborização do município era boa, destacando os benefícios que essa
proporciona. Ressaltar que muito dos munícipes comentaram o facto de não haver muitas
ruas e poucas áreas verdes de lazer.

Diante desses factos muitas foram as sugestões citadas pelos moradores, como
remoção de árvores adultas em conflito com rede eléctrica, plantar mais espécies, mobilizar
a comunidade para manutenção das árvores, preservação, maiores investimentos por parte
do Município, escolha das espécies corretas, acções de consciencialização da comunidade,
criação e implantação de projectos paisagísticos, ou seja criação de mais áreas verdes nos
centros urbanos. De salientar que a maioria dos entrevistados manifestou o desejo de
“plantar árvores frutíferas”. Esse fato, apesar de ser compreensível, tendo em vista a
carência de árvores na maioria dos bairros, e a oportunidade de ter acesso gratuitamente aos
frutos, é bastante preocupante, visto que, tradicionalmente, as comunidades costumam
plantar espécies frutíferas inadequadas (pelo porte e tamanho dos frutos), a exemplo das
inúmeras mangueiras e abacateiros existentes na cidade e que, após alguns anos, resultam
em transtornos.

4.3. DIRECTRIZES DE PLANEAMENTO,


IMPLANTAÇÃO E MANEIO DA
De acordo com os dado obtidos em relação a situação actual da arborização urbana
do município de Chimoio, constatou-se problemas relacionadas a falta de diversidade de
espécie onde a espécie Senna Siamea é a mais predominante com um total de 89.6%, sendo
que cerca de 64.6% da árvores apresentam um avanço da copa num intervalo de 1.5 a 3m
para a rua e 53.8% apresentam o avanço da copa para as construções.

Com relação a fitossanidade da árvore 88.5 % dos indivíduos encontram-se em mau


estado de conservação, 26.5% dos indivíduos apresentam sistema radicular que danificam
construções como passeio e muros, visto que 87.3% dos indivíduos apresentam podas
drásticas.74.9% das arvoráveis necessitam de podas para, afastar da construção, libertar a
rede eléctrica e levantar copa. Para a área livre de crescimento, 30.6% dos indivíduos
encontram-se em condições não boas devido as condições radicular, o que pode ser

48
explicado pela largura do passeio onde 35.4% dos indivíduos encontram-se em passeios com
largura até 3m. Notou-se também que 30.4% dos indivíduos apresentam conflitos com a
rede eléctrica.

Partindo dos pressupostos supra citados, permitiram definir directrizes de


planeamento, implementação e manutenção da arborização, com vista a melhorar a
qualidade da arborização existente no município de Chimoio. Obedecendo os seguintes
critérios:

4.3.1. Planeamento

Histórico – propõe-se que se assegure a preservação da arborização existente no


município de Chimoio, seleccionando a nova implantação de acordo com a vegetação local,
com características que apresentem resistência e valoração paisagística da região. Rubio
(2018), afirma que o planeamento da arborização urbana deve, por princípio, respeitar os
valores culturais, ambientais e de memória do município. Cada cidade tem suas
características peculiares, devendo a arborização ser feita através do planeamento ou
replaneamento, considerando as espécies nativas da região, as características naturais, as
condições topográficas e estruturais da cidade

Selecção de espécies

Para a selecção de espécies no processo de arborização é de extrema importância o


conhecimento das características das espécies e das condições édafo-climáticas da região, no
entanto o clima da cidade de Chimoio segundo a classificação de Koppen é do tipo tropical
modificado pela altitude (CWb), conhecido como mesotérmicos, apresentando uma
precipitação média anual de 1100.7mn por ano, com uma temperatura média de 20.5ºC e os
solos formados são atribuídos dominantemente como argiloso castanho, avermelhado escuro
com uma quantidade baixa a moderada matéria orgânica (CENACARTA, 2008 citado por
MOIAMBO, O.J; 2015). De acordo com CEMIG (2011), as espécies a serem usadas na
arborização urbana devem possuir características tais como, árvores nativas ou exóticas de
pequeno, médio e grande porte (de 6,0m de altura ou mais) e arbustivas conduzidas, que
produzem frutos pequenos, não apresentar princípios tóxicos, ter sistema radicular que não

49
prejudique o passeio, e não ter espinhos, que não tornem necessária a poda frequente, de alta
resistência ou que não sejam susceptíveis ao ataque de patógenos e/ou parasitas.

Olhando os critérios supra citados para a selecção de espécie, com vista a melhorar a
qualidade da arborização urbana no município de Chimoio, propõem-se o uso de seguintes
espécies: Senna Siamea, Michelia Champaca, Rabinia Pseudoacacia L, Plumeri Rubra,
Delonix Regia, Spathodea Companulata, Terminalia Mantaly, Jacaranda
MimosifoliaD,don, Leocaena leucocephala, Terminalia Catappa, Moringa oleífera,
Tabebuia Chrysotucha, Syagrus Romsnzoffiana, Jacaranda Brasiliana, Dombuya Spp,
Dilenia Indica, Cassia javanica, e Acácia Padaliriaefolia.

4.3.2. Compatibilização com ruas, passeios, áreas residências

Propõe-se que em passeios com largura menor que 1.5m não se deve arborizadas,
porque com o desenvolvimento radicular poderá ocorrer a destruição dos passeios, assim
criando dificuldades a circulação de pedestres. Em passeios com 1.5m de largura, se houver
recuo entre a construção e o passeio, propõem-se que se plante com anuência do proprietário,
utilizando árvore de pequeno porte, para evitar o contraste entre as árvores com a construção e
avanço das copas para rua. Propõe-se que se plante espécies de pequeno e médio porte do lado onde
não houver fios, Sob a fiação, plantar espécies de pequeno porte, em posição alternada com as do
outro lado da rua, isto em passeio com mais de 1.5m de largura, com vista a evitar problemas como,
ausência de poda, destruição do sistema de rede eléctrica, ofuscação da iluminação publica advindo
dos conflitos entre as árvores a rede eléctrica.

Segundo PIVETTA e SILVA FILHO (2002), Não se recomenda arborizar as ruas


estreitas, ou seja, aquelas com menos de 7m de largura, quando estas forem largas, deve-se
considerar ainda a largura dos passeios de forma a definir o porte da árvore a ser utilizada e
outro factor deve ainda ser considerado e refere-se à existência ou não de recuo das casas.
Oliveira et al (2013), afirmam que, com o intuito de evitar prejuízos e transtornos nas
cidades, plantio de árvores deve ser feito, preferencialmente, em passeios com largura
mínima de 1,50 m
Para uma boa convivência entre as árvores e os diversos componentes urbanos em vias
públicas no município de Chimoio, propõe -se em observar distâncias mínimas das árvores com
relação a placas indicativas e sinais de trânsito, garantindo visão permanente e clara dos mesmos,

50
podendo ainda definir as distâncias mínimas entre as árvores com fiação eléctrica e fiação
telefónicas, com vista a evitar problemas como, como interrupções no fornecimento de corrente
eléctrica e telecomunicação, perda da eficiência da iluminação pública, ofuscação dos sinais
de trânsito (semáforos e placas de sinais) além da dificuldade para passagem de veículos ou
pedestres, afectando directamente a qualidade de vida da população.

Recomenda-se o uso do distanciamento mínimo do local de plantio em relação ao


diversos componentes urbanos em via publica descritos por OLIVEIRA et al (2013), que
constam no anexo I.
4.3.3. Implementação
Selecção de mudas
Com vista a obter um bom desenvolvimento das espécies a serem usadas na
arborização no município de Chimoio, propõe-se que as mudas destinadas ao plantio em
vias públicas e praças obedecem as seguintes características mínimas: devem possuir altura
2.5m, apresentar diâmetro a altura do colo de 3cm, ausência de primeira bifurcação para que
não haja ramificações a partir da base com vista a evitar problemas como, dificuldade de
passagem dos veículos em pedestres devido o avanço da copa durante o seu crescimento,
boa qualidade fitossanitária (insertas de danos mecânicos, doenças e pragas), ter um sistema
radicular bem formada para facultar o processo de adaptação no local de plantio, ter copa
formada por 3 ramos alternados e serem produzidas em embalagens de plástico com vista a
facultar na retirado no local de plantio e para um bom desenvolvimento do sistema radicular.
Plantio
Para obter resultados satisfatórios no processo de plantio e consequentemente ter
uma arborização de boa qualidade no município de Chimoio, Propõe-se que o plantio das
mudas obedeça os seguintes procedimentos: o covacho de possuir 0.60 x 0.60 ou 0.60 de
diâmetro para permitir o bom desenvolvimento do sistema radicular e consequentemente da
própria planta, com viste a melhorar a qualidade do solo e oferecer mais nutriente a planta
para o seu bom e rápido desenvolvimento utilizar adubo orgânico com terra vegetal, ter 1m 2
ou mais de espaço livre de pavimentação para a entrada de (chuva, aeração e adubação),
para que a planta através de forcas externas não cresça de forma inclinada deve-se usar um
tutor que tenha 2m de madeira ou bambu enterrado 0.5 a 1m dentro da cova, para prender a
árvore ao tutor usar um amarrilho em forma de oito (sendo de borracha, sisal ou outro

51
material que não fira o tronco) e para evitar o vandalismo da plantas usar gradis (de ferro,
bambu ou de madeira).
Segundo o CEMIG (2011), Ao planear plantar uma árvore, além de considerar as
características da espécie, da muda e do local seleccionado, é preciso tomar certos cuidados
no momento de plantio propriamente dito, além de cuidados posteriores.

4.3.4. Cuidados e Manutenção

Como a situação de muitos vegetais encontrados foi muito crítica, propõe-se que
sejam implantados outros bem ao lado, substituindo assim, gradualmente, as árvores que não
se apresentam e perfeitas condições (situação fitossanitária precária e com idade muito
avançada), as que geram conflitos (com a rede eléctrica, passeios e construções) e dar
prioridade as espécies nativas.

Para manter as árvores com vigor e compatíveis com o ambiente urbano no


município de Chimoio propõe-se que sejam realizadas as praticas abaixo mencionadas:

 Irrigação: a cada 5 dias após o plantio ou em intervalos menores, caso seja


necessário pelo clima do local.

 Adubação: uma vez por ano

 Controle de praga e doenças: deverá ser feito pelo técnico e os agro-tóxicos como
orientação adequada, caso a árvore estiver comprometida, deverá ser cortada e
substituída.

 O replantio de falhas após o plantio é necessário para manter o efeito estético e


paisagístico. Usar mudas da mesma espécie plantada anteriormente.

 Realizar diferentes tipos de poda (poda de formação, poda de manutenção e poda de


segurança) de acordo com as necessidades e situação que o individuo apresenta.

52
CAPITULO V – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

5.1. Conclusão
O presente estudo da situação actual da arborização urbana do município de Chimoio
permitiu chegar as seguintes conclusões:

 Número reduzido de espécies e baixa diversidade, aliado a uma frequência irregular


das mesmas, nas ruas amostradas. A cidade apresenta espécies distribuídas de forma
crítica, com ruas sem árvores e algumas com poucas árvores. A Senna Siamea foi a
espécie mais frequente, com uma percentagem de 89.6% nas ruas e 43.2% nas
praças, mostrando-se adaptadas aos ambientes da região, apenas esta espécie
corresponde quase a totalidade dos indivíduos amostrados no entanto, a frequência
de plantio excessivamente alta não e recomendada. Os maiores problemas
encontrados foram, conflito de fiação (30.4%). Este factor está relacionado a árvores
com porte inadequado para certas ocasiões; Área livre (17.6%). Este problema cria
condições desfavoráveis ao desenvolvimento da árvore e danifica os passeios
(19.5%); Podas drásticas (69.2%). Este factor esta relacionado a falta de
conhecimento técnico para a manutenção das árvores.
 A grande maioria da população (88.3%) tem a percepção da importância da
arborização, apontando como vantagens a redução de calor, o sombreamento, e
preservação da Biodiversidade, porém, ainda faltam acções de conscientização e de
educação ambiental.
 A arborização urbana presente no perímetro do município de Chimoio, encontra de
forma deficiente, sendo necessária à interacção entre o poder municipal, sociedade
civil e iniciativa privada, para que a arborização se desenvolva adequadamente.
Adicionalmente, observa-se a necessidade da busca por meios de estabelecer
projectos que façam a população se envolver nessa expansão, a fim de que eles
sejam um agente nesse desenvolvimento da arborização. O município de Chimoio
necessita de uma reestruturação em sua arborização. Visto que a maioria dos
resultados obtidos nas ruas não foram muito satisfatórios, há necessidade de um
planeamento da arborização da cidade, tanto em questões selecção, plantio e de
maneio das espécies.

53
5.2. Recomendações
O estudo esteve virado a análise da arborização urbana e sua importância na
qualidade de vida no Município de Chimoio. As recomendações abaixo apresentadas são
direccionadas aos pesquisadores, aos estudantes, ao Conselho Municipal da Cidade de
Chimoio, e a todas as instituições de investigação viradas a área ambiental:

Recomenda-se a realização de mais estudos relacionados, que abrangem o município


de Chimoio e os restantes municípios do Pais, de forma a se ter uma maior compreensão dos
problemas relacionados e poder-se contribuir para a melhoria da qualidade de vida da
população.

Recomenda-se a implementação de programas de consciencialização da população a


respeito da importância de manter-se o meio ambiente saudável e equilibrado.
Recomenda-se a implementação de programas, palestras e a divulgação dos aspectos
relacionados a importância da arborização urbana e na qualidade de vida.
Recomenda-se que se envolva a população, visando à manutenção e a conservação
da arborização urbana.
Como a situação de muitos vegetais encontrados foi muito crítica, recomenda-se que
sejam implantados outros bem ao lado, substituindo assim, gradualmente, as árvores que não
se apresentam e perfeitas condições e as geram conflitos e dar prioridade as espécies nativas.
Recomenda-se a elaboração de um Plano Director de arborização urbana que
garantam metas de preservação, maneio e expansão da arborização urbana nível do
Município.

54
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58
APÊNDICE
Apêndice A: Ficha de campo para realização do inventário qual-quantitativo dos indivíduos
presentes na arborização urbana do município de Chimoio.

Bairro: Avaliador: Data: / /

Nº de R Esp Ht. H1b CAP(cm) ACR ACC FT CR IP NP ARC LP RE Observações


(m)

A total Altura da DAP (m) A da copa/ Ada copa/ Fitossan Probl Raiz Intens poda N de poda Ad Ldo R
(m) 1ᵃ bifurc 1: <15cm rua const 1: boa 1: não 1: leve 1: ausente ecres passaeio electrica
1: < 6 1: < 2m 2: 15 a 30cm 1:<1,5m 1: boa 2: regular apresenta 2: pesada 2: afast. 1: boa 0: não 1:ap s/
2: 6 - 10 2: > 2m 3: 30 a 45 cm 2: 1.5-3m 2: regular 3: ruim 2: aponta 3: drastica const 2:regular tem confl
3: 10 -15 4:> 45cm 3:> 3m 3: ruim 4: morta 3: quebra 4: ausente 3: libert 3: ruim 1:<1,5m 2: ap
4: > 15 4: destroi Rede 4:ausent 2: 1.5-3m c/conf
4: levant. 3:> 3m 3:ausent
copa

Legenda

Nº de R – Número da Rua/ Avenida; FT – Fitossanidade;

Esp - Eespécie; CR - Condicao da Raiz;

Ht – Altura total em metros; IP – Intensidade de Poda;

H1b – Altura da 1a Bifurcação; NP – Necessidade de Poda;

CAP (cm) - Circonferência a Altura do Peito; LP – Largura do Passeio;

ACR - Avanço da copa para Rua; ARC - Área Livre de Crescimento;

ACC - Avanço da copa para construções; RE- Rede Eléctrica

59
Apêndice B: Questionário para auscultar a percepção dos munícipes sobre a
necessidade da arborização urbana no município de Chimoio
I-Localização e identificação

Data: / /

Bairro

Rua/avenida

II- Perfil do entrevistado

1- Sexo.

( ) Feminino ( ) Masculino

2- Idade.

( ) Menor que 25 anos ( ) Entre 25 e 45 anos ( )Maior que 45 anos

3- Escolaridade

( ) Ensino primário completo ( ) Ensino secundário ( ) Ensino superior ( ) Analfabeto

III- Percepção do entrevistado

1- Sabe o que significa arborização urbana? ( ) Sim ( ) Não

2- Gostas de ruas arborizadas? ( ) Sim ( ) Não

3- Como classifica a arborização da sua rua?

( ) Pouco arborizada ( ) Razoavelmente arborizada ( ) Muito arborizada

4- Voce considera necessária a arborização? ( ) Sim ( ) não

5- Quais as vantagens que observas na arborização da sua rua?

( ) Sombra ( ) Redução do calor ( ) Redução de poluição sonora

( ) Preservação da biodiversidade ( ) Redução do impacto das chuvas

( )
Outros.

6- Quais as desvantagens que observas na arborização da sua rua?

60
( ) Sujeira nas ruas e passeios ( ) Problemas com as redes eléctricas ( ) Redução de
ilminação

() Problemas nos passeios ( ) Não apresenta desvantagens

( )
outros

7- Em relação as áreas verdes, como praças para o lazer, assinale uma das alternativas
abaixamos:

( ) É importante para o bem estar da população, pois dispõem de espaço para exercícios
físicos, contribuindo na qualidade da saúde física e psicológica dos mesmos.

( ) Não altera seu quotidiano ( ) É um investimento desnecessário

8- Na sua opinião, quem e responsável pela arborização da sua rua?

( ) População ( ) Município ( )
Outros

9- Na sua opinião, como você contribui para qualidade da arborização da sua cidade?

( ) Plantando árvores ( ) Manutenção e poda ( ) Não contribuo ( ) Sem opinião

( ) Outros

10- Você possui conhecimentos sobre a legislação e normas técnicas para plantio e
manutenção de árvores nos centros urbanos?

( ) Sim ( ) Não

11- Sugestão e comentário sobre a arborização local e da cidade:

61
ANEXOS
Anexo I - O distanciamento mínimo do local do plantio (cova) em relação aos diversos
Componentes urbanos em vias pública.

Distancia mínimas em relação a: Características máximas de espécies


Pequeno Médio Grand
e
Esquina 5m 5m 5m
Edificações 3m 4m 5m
Iluminação pública 3m 4m 5m
Postes 3m 4m 5m
Placas de identificação e 3m 3m 3m
sinalização
Caixas de inspecção (boca –de- 1m 2m 3m
lobo, bueiros etc)
Abastecimento de água residual 1m 1,5m 2m
Fechadas de edificações 2,4m 2,4m 3,5m
Altura do fuste 1,8m 1.8m 2m
Sinalização de transito (semáforo) O4m 06m 08m
Da sarjeta (meio feio) 0,50 0,80m 1,2m
m
Muros 01m 1,5m 2m
Jardineira (área livre de 1m 1m 1,5m
infiltração)

62
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