SILVICULTURA, MANEJO E
PRODUÇÃO FLORESTAL
AULA 6
Prof. Thiago Cardoso Silva
CONVERSA INICIAL
Estamos chegando ao final deste estudo. Nesta etapa, iremos abordar
temáticas relacionadas à conservação de florestas a partir de instrumentos da
legislação florestal e ambiental.
Como objetivo desta etapa, visamos o estudo da aplicação de
instrumentos legislativos para conservação de florestas naturais e a
normatização da produtividade de florestas plantadas. Busca-se, portanto,
correlacionar a influências destes atos legislativos na Silvicultura, Manejo e
Produção Florestal.
Os temas principais desta etapa serão os seguintes:
• Legislação e conservação de florestas: introdução e conceitos;
• Gestão de Florestas Públicas;
• Código Florestal;
• Política de Florestas Plantadas;
• Certificação Florestal.
Vamos reiniciar o estudo, pois daremos início a novos conceitos
importantes para produção florestal.
TEMA 1 – LEGISLAÇÃO E GESTÃO DE FLORESTAS: CONCEITOS
IMPORTANTES
A legislação e a gestão de florestas compreendem um conjunto de leis,
regulamentos, políticas e práticas destinadas a administrar, conservar e regular
o uso sustentável dos recursos florestais. Essas normas foram desenvolvidas
para equilibrar a exploração dos recursos naturais com a preservação do meio
ambiente, promovendo a conservação da biodiversidade, proteção dos
ecossistemas florestais e o desenvolvimento socioeconômico.
A legislação ambiental é um conjunto de instrumentos jurídicos voltados
para regulação das atividades que eventualmente podem impactar a qualidade
do meio ambiente. Especificamente para florestas, foram desenvolvidas as
ações de Legislação Florestal.
A legislação florestal está diretamente relacionada com a Política
Florestal. Essa política influencia diretamente na gestão das florestas. As
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atividades mais importantes afetadas pelas políticas florestais são divididas em
três categorias (Husch, 1987; Hoeflich et al., 2007):
I. Conservação, proteção, administração, manejo e utilização de florestas;
II. Proteção ambiental;
III. Atividades industriais e comercialização de produtos florestais.
Essas leis podem abordar uma variedade de aspectos, como:
• Criação e manejo de áreas protegidas;
• Licenciamento ambiental para atividades florestais;
• Manejo sustentável da madeira;
• Controle do desmatamento ilegal;
• Incentivos para práticas de conservação;
• Proteção de espécies ameaçadas.
A gestão de florestas, por sua vez, envolve a implementação dessas leis
e políticas, além de práticas e estratégias de manejo que promovam a
conservação dos recursos naturais, a manutenção dos ecossistemas florestais
saudáveis e a utilização sustentável dos recursos florestais. Isso pode incluir o
planejamento do uso da terra, ações de reflorestamento, controle de incêndios,
monitoramento da biodiversidade, entre outras atividades.
Segundo Valverde (2023), o uso dos recursos naturais no Brasil passou
por três fases:
I. Fase de usos desordenados e indiscriminados: houve uma exploração
exaustiva das florestas nativas, sobretudo da Mata Atlântica com a
exploração de pau-brasil e outras madeiras de lei. Além disso, ocorreu a
expansão agrícola no período colonial, difundindo as culturas de cana-de-
açúcar, café e pecuária na zona litorânea;
II. Fase de uso por controle excessivo: período em que houve grandes
conflitos entre a preservação e o uso dos recursos nas propriedades
rurais. Surgiram grandes projetos de expansão agrícola, industrial e de
infraestrutura, sobretudo em áreas do Cerrado;
III. Fase de busca pela sustentabilidade: integração dos conceitos de
sustentabilidade dos recursos florestais, hídricos, minerais e de fauna.
Esse é o período em que se encontra da Legislação Florestal brasileira.
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1.1 Conceitos para compreensão da legislação ambiental e florestal
Antes de serem iniciados os estudos da legislação florestal, é preciso
descrever a existência de algumas definições e conceitos. Os mais importantes
estão apresentados no Quadro 1.
Quadro 1 – Principais conceitos da legislação florestal relacionados com
Silvicultura, Manejo e Produção Florestal
Itens Conceitos
Manejo do uso humano da natureza, compreendendo a
preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração
e a recuperação do ambiente natural, para que possa produzir o
Conservação
maior benefício, em bases sustentáveis, às atuais gerações,
da natureza
mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades e aspirações
das gerações futuras, e garantindo a sobrevivência dos seres vivos
em geral
Sistema de exploração baseado na coleta e extração, de modo
Extrativismo
sustentável, de recursos naturais renováveis
Todo e qualquer procedimento que vise assegurar a conservação
Manejo
da diversidade biológica e dos ecossistemas
A atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os
Recurso
estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da
ambiental
biosfera, a fauna e a flora
Recursos Elementos ou características de determinada floresta, potencial ou
florestais efetivamente geradores de produtos ou serviços florestais
Turismo e outras ações ou benefícios decorrentes do manejo e
Serviços
conservação da floresta, não caracterizados como produtos
florestais
florestais
Substituição de vegetação nativa e formações sucessoras por
outras coberturas do solo, como atividades agropecuárias,
Uso alternativa
industriais, de geração e transmissão de energia, de mineração e de
do solo
transporte, assentamentos urbanos ou outras formas de ocupação
humana
Exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos
Uso recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos,
sustentável mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de
forma socialmente justa e economicamente viável
Fontes: Brasil, 2000; Brasil, 2006; Brasil, 2012.
Conforme a legislação vigente, as florestas são consideradas bens
públicos de direito e propriedade, sendo consideradas produtivas as florestas
naturais e as plantadas. Para abordar essas temáticas, a seguir serão discutidos
os seguintes instrumentos legislativos:
• Gestão de Florestas Públicas;
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• Código Florestal;
• Política Agrícola de Florestas Plantadas;
• Certificação Florestal.
TEMA 2 – GESTÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS
A gestão de florestas públicas foi um conceito que se iniciou a partir da
necessidade de observar a proteção de áreas naturais visando a conservação
da natureza. Para isso, surgiram ferramentas para a conservação de biomas,
ecossistemas e espécies de fauna de flora a nível mundial. As principais
envolvem a formação de unidades de conservação da natureza.
Nesses locais, surgiram a regulamentação do uso e a ocupação do
território. As características socioambientais locais e os objetivos de manejo e
gestão foram definidos conforme o nível de proteção desejado para cada área.
Assim, foram criadas as categorias de áreas protegidas:
• Áreas de Preservação Permanente;
• Reserva Legal;
• Reservas da Biosfera;
• Terras Indígenas;
• Terras Quilombolas;
• Unidades de Conservação.
Focaremos aqui nas Unidades de Conservação e suas características
visando o Manejo e a Produção Florestal. Sobre as Áreas de Preservação
Permanente e Reserva Legal, estas serão detalhadas mais adiante.
2.1 Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC)
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC)
foi criado a partir da Lei n. 9.985, de 18 de julho de 2000 (Brasil, 2000). O SNUC
define uma Unidade de Conservação como
Espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas
jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente
instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites
definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam
garantias adequadas de proteção. (Brasil, 2000)
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Devido à complexidade dos ecossistemas naturais em todo o território
nacional, além da alta biodiversidade e da disponibilidade de recursos
ambientais. As categorias de Unidades de Conservação brasileiras definidas
pelo SNUC estão descritas no Quadro 2.
Quadro 2 – Categorias de Unidades de Conservação definidas pelo SNUC
Posse e
Grupo Categoria Objetivos
Domínio
Estação Ecológica Preservar a natureza e realizar
Público
(EE) pesquisas científicas
Preservar integralmente a biota, com
Reserva Biológica
Público ações de manejo para recuperar e
(REBIO)
preservar o equilíbrio ambiental
Preservar ecossistemas naturais de
Parque Nacional grande relevância ecológica e beleza
Proteção Público
(PARNA) cênica, com pesquisa científica e
Integral
atividade de educação e recreação
Monumento Público/ Preservar sítios naturais raros,
Natural (MN) Privado singulares ou de grande beleza cênica
Proteger ambientes naturais onde há
Refúgio de Vida Público/ existência ou reprodução de espécies
Silvestre (RVS) Privado ou comunidades da flora local e da
fauna residente ou migratória
Proteger a biodiversidade, disciplinar a
Área de Proteção Público/ ocupação do território e assegurar a
Ambiental (APA) Privado sustentabilidade do uso dos recursos
naturais
Área de Relevante Manter os ecossistemas naturais de
Público/
Interesse importância regional ou local e regular
Privado
Ecológico (ARIE) o uso dessas áreas
Utilizar os recursos florestais a partir
Floresta Nacional
Público do manejo sustentável de uso múltiplo
(FLONA)
e realizar pesquisa científica
Proteger os meios de vida e a cultura
Uso Reserva
de populações extrativistas e
Sustentável Extrativista Público
assegurar o uso sustentável dos
(RESEX)
recursos naturais
Realizar estudos técnico-científicos
Reserva de Fauna
Público sobre o manejo econômico
(REFAU)
sustentável da fauna
Reserva de Preservar a natureza e assegurar o
Desenvolvimento Público manejo sustentável dos recursos
Sustentável (RDS) naturais por populações tradicionais
Reserva Particular Conservar a biodiversidade em áreas
do Patrimônio Privado privadas
Natural (RPPN)
Fonte: Brasil, 2000.
As Unidades do grupo Proteção Integral não permitem o manejo florestal.
Como o principal objetivo delas é preservar os recursos naturais, é admitido
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apenas o uso indireto dos recursos, pois manejo aqui é estritamente para
finalidades ecológicas e científicas. Dessa forma, são fornecidos os serviços
ecossistêmicos por essas áreas naturais. As áreas privadas presentes nas
Unidades das Categorias Monumento Natural e Refúgio de Vida Silvestre devem
compatibilizar os objetivos da Unidade com o uso da terra e dos recursos
naturais na propriedade.
Já as do grupo Uso Sustentável têm como objetivo combinar a
conservação com o manejo sustentável de parte dos recursos naturais que essas
áreas disponibilizam. Por isso, é possível utilizar essas categorias como áreas
de Produção Florestal, explorando madeira e os produtos florestais não
madeireiros, incluindo também os serviços ecossistêmicos.
O uso dos recursos pode ser feito de duas formas (Brasil, 2000):
I – Uso direto: envolve a coleta e o uso dos recursos naturais, sendo eles
para fins comerciais ou não;
II – Uso indireto: não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos
recursos naturais.
Nas Reservas Extrativistas é proibido caçar e explorar recursos minerais.
Para comercialização de madeira, é preciso realizar Plano de Manejo
Sustentável, em que deve conter situações especiais e complementares às
atividades que já são desenvolvidas na Unidade de Conservação.
O manejo dessas áreas será concedido por contrato (que será melhor
detalhado quando for falado sobre a Lei de Gestão de Florestas Públicas, no
ponto 2.2). Este contrato é destinado a populações extrativistas em Reservas
Extrativistas ou a populações tradicionais em Reservas do Desenvolvimento
Sustentável. São obrigações associadas a esse uso dos recursos: preservação,
recuperação, defesa e manutenção da Unidade de Conservação, obedecendo
aos critérios (Brasil, 2000):
• Proibir uso de espécies ameaçadas;
• Proibir práticas danosas ao ambiente ou que impeçam a
recuperação/regeneração natural dos ecossistemas;
• Satisfazer as normas descritas na legislação vigente, no Plano de Manejo
e no contrato de concessão de uso.
Na Reserva de Fauna é proibida a caça, apenas permitindo a
comercialização dos recursos obtidos a partir de pesquisas realizadas na
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Unidade, obedecendo normas pré-estabelecidas. Na Reserva Particular do
Patrimônio Natural só poderá ser realizada pesquisa científica e visitação.
O SNUC também detalha sobre o Plano de Manejo das Unidades de
Conservação. Este é um documento técnico obrigatório que toda Unidade
precisa possuir, pois ele “estabelece o seu zoneamento e as normas que devem
presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação
das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade” (Brasil, 2000).
Para criação do Plano de Manejo, é necessário realizar um estudo técnico,
consulta pública e indicar a localização, a dimensão e os limites mais adequados
da Unidade. As áreas que contemplam a Unidade são: a própria área da
Unidade, sua zona de amortecimento e corredores ecológicos. Muitas atividades
produtivas podem ser realizadas na zona de amortecimento, respeitando
condições que não impliquem impactos ambientais significativos, sendo
necessário licenciamento.
2.2 Lei de Gestão de Florestas Públicas
Nesta parte, iremos falar exclusivamente sobre Florestas Públicas, que
são aquelas “localizadas nos diversos biomas brasileiros, em bens sob o domínio
da União, dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal ou das entidades da
administração indireta” (Brasil, 2006). A Gestão de Florestas Públicas está
baseada na Lei n. 11.284, de 2 de março de 2006 (Brasil, 2006), com
atualizações da Lei n. 14.590, de 24 de maio de 2023 (Brasil, 2023).
Os princípios que essas leis possuem que têm relação com o manejo e
produção florestal são:
• Estabelecimento de atividades florestais sustentáveis;
• Incentivo para agregação de valor aos produtos e serviços da floresta em
relação às atividades locais;
• Garantia de condições estáveis e seguras para estimular o manejo, a
conservação e a recuperação das florestas a longo prazo.
A definição do manejo nas florestas públicas está baseada no manejo
florestal sustentável, tema debatido na etapa anterior. A gestão dessas florestas
para produção sustentável compreende as seguintes atividades (Brasil, 2006):
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I. Gestão direta: criação e gestão de Unidades de Conservação das
categorias Florestas Nacionais, Estaduais e Municipais. É realizada pelo
Poder Público;
II. Destinação às comunidades locais: envolve duas atividades:
• Criação de Unidades de categorias Reserva Extrativista e Reserva do
Desenvolvimento Sustentável;
• O manejo das florestas públicas nessas Unidades será formado pela
concessão a partir de projetos, formando assentamentos florestal, do
desenvolvimento sustentável, agroextrativistas ou outros similares.
Essa característica faz parte do Programa Nacional de Reforma
Agrária.
III – Concessão Florestal: legalização do direito de praticar o manejo
florestal sustentável para empresas explorarem produtos e serviços em
florestas públicas. Essas empresas em concessão podem extrair produtos
madeireiros e não madeireiros, além de oferecer serviços de turismo. As
principais características das concessões florestais são:
• A concessão dá apenas direito a praticar o manejo sustentável:
o Exploração de produtos e serviços florestais;
o Proibido: explorar patrimônio genético, recursos minerais e fauna,
além da comercialização de créditos de carbono.
• As florestas serão separadas de unidades de manejo, que serão
previstas no Plano Plurianual de Outorga Florestal (mecanismo de
transparência que permite à sociedade ter conhecimento, com
antecedência, das Florestas Públicas Federais que serão elegíveis
para concessão no ano em que estiverem em vigor);
• Podem ser aplicados apenas em Unidades de Conservação de Uso
Sustentável nas categorias Floresta Nacional, Área de Proteção
Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural, as duas últimas
podendo ter posse e domínio privado.
TEMA 3 – CÓDIGO FLORESTAL
O principal instrumento legislativo do setor florestal atualmente é o Código
Florestal, devidamente atualizado na Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012
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(Brasil, 2012). Esta lei é uma evolução dos seguintes instrumentos que
ocorreram ao longo do tempo:
• 1514: Ordenações Manuelinas, primeiro marco legislativo, que envolveu
leis ambientais;
• 1603: Ordenações Filipinas, atualizações dessas legislações;
• 1797: Carta Régia, que fez proibições sobre exploração de pau-brasil e
outras madeiras de lei;
• 1934: Primeiro Código Florestal, no qual foram desenvolvidos os
conceitos de florestas protetoras, tendo um caráter conservacionista;
• 1965: Antigo Código Florestal, no qual foi instituído o conceito de Área de
Preservação Permanente (APP), porém de acordo com a ineficácia desta
lei, houve a atualização para o Novo Código Florestal.
O Código Florestal de 2012 conceitua a separação de áreas dentro de
uma propriedade rural. As principais são: APP, Reserva Legal (RL) e áreas de
uso restrito. Não necessariamente estão ligadas com a Silvicultura, Manejo e
Produção Florestal, mas são conceitos importantes a serem debatidos para
entendimento do setor florestal.
3.1 Áreas de Preservação Permanente (APP)
APPs são áreas (não apenas florestais) que podem ou não ter cobertura
vegetal (em caso de degradação, necessário recompor a vegetação), podendo
estar na Zona Rural ou Urbana, cujas funções ambientais são (Brasil, 2012):
• Preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a
biodiversidade;
• Facilitar a movimentação de material genético de fauna e flora;
• Proteger o solo; e
• Assegurar o bem-estar das populações humanas.
A vegetação da APP deve ser mantida e preservada, porém caso for
cortada ou estiver morta, é necessário recompor. Os principais tipos de APP
estão ilustrados na Figura 1, sendo todos (Brasil, 2012):
I. Faixas marginais de qualquer curso d’água (mata ciliar);
II. Áreas no entorno de lagos e lagos naturais;
III. Entornos de reservatórios artificiais;
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IV. Entorno de nascentes ou de olho d’água;
V. Encostas com declividade maior que 45º;
VI. Restingas;
VII. Manguezais;
VIII. Bordas de tabuleiros ou chapadas;
IX. Topo de morros, montes, montanhas e serras;
X. Áreas em altitude maior que 1.800m;
XI. Veredas com largura mínima de 50 m.
Figura 1 – Tipos de APP
Fonte: Áreas..., S.d.
As APPs são áreas de uso restrito, por isso a sua função principal é
conservação ambiental. Em regra, não podem sofrer intervenções, ao menos
que sejam atividades de (Brasil, 2012):
I. Utilidade pública: como obras de infraestrutura destinadas às concessões
e aos serviços públicos;
II. Interesse social: como exploração agroflorestal sustentável praticada em
pequenas propriedades ou posse rural familiar ou por povos e
comunidades tradicionais, desde que não descaracterize a cobertura
vegetal existente e não prejudique a função ambiental da área;
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III. Atividades eventuais ou de baixo impacto ambiental: envolvem
diversas ações, como:
• Abertura de vias de acesso para obtenção de água ou retirada de
produtos oriundos de manejo agroflorestal sustentável;
• Implantação de trilhas para ecoturismo;
• Construção de moradia de agricultores familiares, remanescentes de
comunidades quilombolas e outras populações extrativistas e
tradicionais em áreas rurais;
• Coleta de produtos não madeireiros para subsistência e produção de
mudas;
• Exploração agroflorestal e manejo florestal sustentável, comunitário e
familiar.
Outras condições são detalhadas na Lei, porém estes são os destaques
em relação à gestão da produção e manejo de florestas em APP. Em resumo,
estas são as atividades que são autorizadas nessas áreas. Porém existe uma
particularidade para algumas propriedades, que são chamadas áreas
consolidadas.
As áreas consolidadas são todas aquelas que foram ocupadas com
atividades agropecuárias e florestais, casas e benfeitorias, antes da data 22 de
julho de 2008. Para as áreas consolidadas é autorizada a continuidade de
atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e de turismo rural.
3.2 Reserva Legal (RL)
RL é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse
exclusivamente rural, logo não ocorre na zona urbana. As funções da RL são as
seguintes (Brasil, 2012):
• Assegurar a exploração econômica de modo sustentável dos recursos
naturais;
• Auxiliar a conservação e recuperação ambiental, protegendo a vegetação
e abrigando a fauna silvestre.
A RL pode ter vários tamanhos (Figura 2), sendo eles diferindo de acordo
com a localização (Brasil, 2012):
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I – Amazônia Legal: envolve os estados do Norte do Brasil, pequenas áreas
do Mato Grosso, Goiás e Maranhão, com as seguintes composições:
• Área de florestas: 80% da área da propriedade deve ser RL;
• Área de cerrado: 35%;
• Área de campos gerais: 20%;
II – Demais regiões do Brasil: 20%.
Figura 2 – Porcentagem de Reserva Legal de propriedades rurais por bioma
Fonte: Brasil, 2012.
Admite-se a exploração econômica da RL aplicando as técnicas de
manejo sustentável. Para isso, precisa aplicar práticas de exploração seletiva,
principalmente de duas formas (Brasil, 2012):
I. Manejo sustentável sem propósito comercial, para consumo na
propriedade:
a. Permitido em pequenas propriedades, com os limites:
• 2 m³ de madeira por hectare para cada unidade familiar;
• Uso energético: menor que 15 m³ de lenha para uso doméstico,
não comprometendo mais de 15% da vegetação.
b. Permitido em médias e grandes propriedades, com limite de volume
explorado de no máximo 20 m³ por hectare, ao ano.
II. Manejo sustentável para exploração florestal com propósito
comercial: depende de elaboração, análise e aprovação do plano de
manejo.
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Da mesma forma que para APP, para RL também podem ocorrer em
áreas consolidadas. É necessário recompor a vegetação em muitos casos,
devidamente descritos na Lei.
3.3 Áreas de uso restrito
Áreas de uso restrito são locais que possuem restrições ou limitações
específicas para seu uso, de acordo com questões ambientais, de conservação,
preservação de ecossistemas frágeis, proteção de recursos naturais ou por
legislações que visam a proteção de áreas sensíveis. As áreas de uso restrito
constantes no Código Florestal são as seguintes (Brasil, 2012):
I. Pantanais e planícies pantanosas: permitida a exploração
ecologicamente sustentável, considerando recomendações de órgãos
técnicos, ficando novas supressões de vegetação nativa para uso
alternativo do solo condicionadas à necessidade de autorização por
órgãos ambientais;
II. Áreas de inclinação entre 25º e 45º: permitido o manejo florestal
sustentável e atividades agrossilvipastoris, observando boas práticas
agronômicas, não sendo autorizada a conversão de novas áreas.
TEMA 4 – POLÍTICA AGRÍCOLA DE FLORESTAS PLANTADAS
Com base no Código Florestal de 2012, ficou instituído que algumas áreas
seriam administradas para uso alternativo do solo. Esse uso pode ser destinado
ao cultivo de florestas, sendo um dos principais instrumentos legislativos do
Decreto n. 8.375, de 11 de dezembro de 2014 (Brasil, 2014). Este decreto define
como floresta plantada aquela na qual as árvores foram introduzidas na área a
partir de semeadura ou plantio de mudas, cuja finalidade é a exploração
econômica com fins comerciais. Como vimos durante nosso estudo, as principais
florestas plantadas são aquelas utilizadas para produção de madeira.
Os princípios da Política Agrícola de Florestas Plantadas envolvem “a
produção de bens e serviços florestais para o desenvolvimento social e
econômico do país; e [...] a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”
(Mapa, 2018, p. 3). Visando cumprir estes princípios, os objetivos traçados para
esta política são (Brasil, 2014):
• Incrementar produção e produtividade dessas florestas;
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• Reduzir pressão sobre exploração de florestas naturais;
• Promover o uso dos bens e serviços econômicos dessas florestas;
• Auxiliar economicamente as pequenas e médias propriedades rurais,
melhorando a renda e a qualidade de vida dessas populações;
• Estimular a comunicação entre os produtores de madeira e as indústrias
que utilizam essa matéria-prima.
Quem coordena as atividades dessa política é o Ministério de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (MAPA). O destaque dessa política é a
implementação do Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas,
que é responsável por realizar o diagnóstico do setor, propor cenários
econômicos e metas de produção florestal. Os objetivos gerais e específicos
estão descritos no Quadro 3.
Quadro 3 – Objetivos Nacionais Florestais ligados com a produção
Objetivo geral Objetivos específicos ligados com a produção florestal
Fortalecer Fortalecer a governança institucional do setor de florestas plantadas
institucionalmente o no governo federal e nos estados brasileiros
setor de florestas Incluir o setor florestal em programas do governo e fortalecer a
plantadas coordenação entre os diversos planos setoriais de mudança do clima
Fortalecer o sistema de defesa sanitária florestal
Acelerar análises de risco de pragas florestais e elaborar plano de
Desburocratizar, contingência para principais pragas quarentenárias
aprimorar e fortalecer Atualizar e revisar a lista de pragas quarentenárias florestais
o sistema de defesa Apoiar a importação, a produção e a liberação de inimigos naturais
sanitária florestal para controle de novas pragas introduzidas
Incluir produtos para controle de pragas florestais nas listas de
prioridades de registro do governo
Realizar o inventário florestal nacional de florestas plantadas,
Ampliar a base de
conectando-o à iniciativa do inventário nacional de florestas nativas
dados e informações
e de emissões e remoções de gases de efeito estufa
sobre florestas
Realizar o mapeamento de consumidores florestais grandes e
plantadas
médios, quanto à matéria-prima consumida
Fortalecer a extensão rural pública e a assistência técnica privada
nas áreas de silvicultura, manejo, planejamento da produção,
Ampliar a capacitação
colheita e logística
da mão de obra, a
Implantar unidades demonstrativas de produção florestal, de
difusão do
maneira que a ação de promoção de mudanças do uso da terra
conhecimento e a
associada a produção industrial de produtos da floresta,
extensão rural em
principalmente a conversão de áreas de baixa aptidão agrícola para
florestas plantadas
florestas, se torne um programa de Estado, com escala nacional e
com mecanismos claros para acesso a recurso por beneficiários
Incluir o material lenhoso de espécies florestais provenientes de
Atrair mais plantios florestais (para produção de carvão) como produto
investimentos privados amparado por financiamento especial para estocagem de produtos
e adequar as políticas agropecuários não integrantes da PGPM (FEE) e financiamento para
de crédito e gestão de garantia de preços ao produtor (FGPP)
risco rural ao setor de Assegurar que as remoções de CO2 da atmosfera por florestas
florestas plantadas plantadas sejam contempladas nos mecanismos de valorização e
comércio de carbono em nível nacional e internacional
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Incentivar a utilização de madeira e produtos de base florestal nos
programas de governo e na economia nacional
Fomentar o uso de madeira de árvores plantadas na construção civil
Aumentar a demanda
Promover iniciativas de precificação de carbono e criar mecanismos
por produtos florestais
de valorização dos créditos de carbono
Reduzir o desmatamento ilegal
Construir um mecanismo de pagamento por serviços ecossistêmicos
Desburocratizar Promover a certificação florestal, de reconhecimento internacional e
concessão de licenças auditoria de terceira parte, como uma alternativa de facilitação dos
ambientais processos de licenciamento
Simplificar o sistema Reduzir os custos de produção e impostos
tributário, reduzir Diagnosticar a incidência de impostos nas cadeias produtivas de
impostos e encargos base florestal
Consolidar o uso da biomassa de madeira na geração de energia
Aumentar a elétrica, enquadrando essa fonte na modalidade de contratação por
participação da quantidade e alterando regras e sistemática dos leilões a fim de
biomassa de madeira torná-la competitiva com outras fontes
na matriz energética Incentivar a instalação de usinas termelétricas baseadas em
biomassa madeireira
Fonte: Mapa, 2017.
Como destacado, a Política não fala sobre o plantio em áreas de
preservação permanente e reservas legais, descritas no Código Florestal.
Envolve apenas as parcelas das produtividades para uso múltiplo do solo. As
atividades institucionalizadas estão descritas na Figura 3, representando as
seguintes áreas de atuação (Mapa, 2017):
• Avaliação da eficiência de químicos agrícolas, incluindo registro de
defensivos agrícolas (agrotóxicos);
• Certificação e registro de mudas florestais;
• Fomento florestal baseado em desenvolvimento sustentável;
• Seguro rural, avaliando o Mercado, o Crédito e o Seguro Florestal;
• Floresta energética;
• Setor florestal nacional e internacional; e
• Realização de pesquisas para melhoria da produção e produtividade
florestal.
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Figura 3 – Institucionalização do setor de florestas de produção florestal, de
acordo com a Política Agrícola de Florestas Plantadas
Fonte: Mapa, 2017.
Percebe-se que o objetivo principal dessa política é estimular o
crescimento econômico por meio da expansão da produção de madeira e
produtos florestais, ao mesmo tempo em que se promove a conservação
ambiental, a geração de empregos e o desenvolvimento sustentável das áreas
florestais. Portanto, busca equilibrar as necessidades socioeconômicas com a
preservação dos recursos naturais, garantindo a viabilidade econômica da
atividade florestal a longo prazo.
TEMA 5 – CERTIFICAÇÃO FLORESTAL
Chegamos à última temática deste estudo. Ao abordar as questões da
legislação, é preciso destacar a importância do processo de Certificação. Como
a legislação florestal faz parte da ambiental, destaca-se o processo de
Certificação Ambiental, que
é a garantia por escrito dada por uma terceira parte credenciada, de
que um produto, processo ou serviço, está em conformidade com os
requisitos ambientais especificados, podendo ser direcionada para a
empresa, certificando seu sistema de gestão ambiental, ou direcionada
para o produto, conferindo selos ambientais. (Pires et al., 2018, p. 23)
Derivando da Certificação Ambiental, surgem os padrões para a
Certificação Florestal. Certificação Florestal consiste num processo no qual
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empresas do ramo florestal se voluntariam para comprovarem que os seus
produtos e seus processos de produção seguem padrões de qualidade e
sustentabilidade determinados pelos sistemas certificadores nacionais e
internacionais (Pires et al., 2018).
Podem ser certificados todos os manejadores de floresta que geram
algum produto, sendo madeira ou não madeireiro. Esse cenário pode envolver
empresas, comunidades e produtores de pequeno, médio e grande porte (Mayla
et al., 2021). Esses certificados costumam ter validade por cinco anos, podendo
ser renovado a partir de um novo ciclo de avaliações que irão gerar um novo
certificado.
Portanto, compreende-se que a certificação florestal é uma decisão
voluntária que aborda as ações de empresas, produtores rurais e comunidades,
cuja grande vantagem, quando se compara com os planos de manejo florestal,
está na adição das questões sociais como preocupação do processo produtivo
da empresa, não levando em conta apenas as questões econômicas e
ambientais (Silva, 2005). Dessa forma, as principais vantagens estão descritas
no Quadro 4.
Quadro 4 – Vantagens da Certificação Florestal
Âmbito Vantagens
Aumenta a produtividade e rendimento da floresta
Gera vantagem competitiva no mercado
Facilita o acesso a novos mercados, desenvolvendo e melhorando a imagem
Econômico
pública da empresa
Possibilita a introdução de novas espécies e materiais genéticos
Consegue preços melhores para a venda dos produtos
Contribui para a conservação da biodiversidade e seus valores associados,
como recursos hídricos, solos, paisagens e ecossistemas únicos e frágeis
Ambiental Mantém as funções ecológicas e a integridade das florestas, sobretudo das
naturais
Protege as espécies ameaçadas ou em perigo de extinção e seus habitats
Promove a legalidade da atividade
Promove o respeito aos direitos dos trabalhadores, povos indígenas e
comunidades locais
Contribui para a redução de acidentes de trabalho
Aumenta a arrecadação de impostos e outras contribuições legais
Social Melhora as condições de trabalho
Cria um novo espaço de participação para os trabalhadores e povos da
floresta na definição dos padrões e no monitoramento das operações do
manejo florestal
Elimina o trabalho forçado análogo à escravidão e a mão de obra infantil
Promove a qualificação da mão de obra gerando a estabilidade
Fonte: Silva, 2005.
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Existem alguns tipos de certificação para o setor florestal. Os principais
são (Mayla et al., 2021):
I. Certificação de manejo florestal individual: atesta a sustentabilidade da
gestão de uma floresta por proprietários ou empresas;
II. Certificação de manejo florestal em grupo: reunião de vários
produtores, comunidades e/ou empresas para obtenção de um mesmo
certificado;
III. Certificação de Cadeia de Custódia: verifica e assegura que a madeira
ou produtos de origem florestal são provenientes de fontes certificadas de
manejo florestal sustentável. Esse processo rastreia o caminho do
material desde sua origem até o produto final, garantindo que haja um
controle eficaz sobre a procedência dos recursos florestais utilizados na
fabricação de determinado item. Logo, abrange toda a cadeia produtiva,
incluindo processos de transformação, fabricação, distribuição e
comercialização.
IV. Certificação de madeira controlada: aplicada quando há a garantia de
que a madeira utilizada não provém de fontes ilegais ou de áreas
desmatadas de forma não autorizada.
Para essas certificações foram lançados sistemas que visam controlar a
qualidade da produção florestal por meio de exigências básicas de
regulamentação (Quadro 5). Esses sistemas podem ser internacionais ou
nacionais (Silva, 2005; Mayla et al., 2021):
• Canadian Standard Association (CSA) – Canadá;
• Sustainable Forestry Initiative (SFI) – Estados Unidos;
• American Tree Farm System – Estados Unidos;
• Pan Earth Forest Certification (PEFC);
• Program for the Endorsement of Forest Certification (PEFC);
• Forest Stewardship Council (FSC);
• Programa de Certificação Florestal (CEFLOR).
Os dois últimos são os mais utilizados no Brasil. Portanto iremos destacar
as principais características de cada um a seguir.
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Quadro 5 – Passo a passo da certificação florestal
Passos Característica
Contatar um organismo Este organismo deve estar devidamente credenciado para
certificador realizar o processo de certificação
Plano de manejo e Devem ser elaborados para descrever o manejo adotado pelo
procedimento operacional empreendimento, seguindo os Princípios e Critérios descritos
em normas pelo organismo certificador
Pré-avaliação É uma etapa opcional, pois caso seu empreendimento já esteja
pronto para ser certificado, pode pular essa avaliação,
reduzindo custos de auditoria
Relatório de avaliação Contém os resultados da pré-avaliação, incluindo pontos de
melhoria antes da avaliação da certificação
Avaliação da certificação Realizada para verificar a conformidade do manejo da floresta,
em acordo com as exigências do selo. Após a avaliação, o
relatório final com os resultados da auditoria é emitido, sendo
submetido ao organismo certificador
Emissão de certificado Havendo aprovação por parte do organismo certificador, o
certificado é emitido, tendo validade de cinco anos. Caso o
organismo certificador não aprove, serão necessárias ações e
mudanças para assegurar a certificação no futuro
Recertificação Serão realizadas avaliações anuais do 2º ao 5º ano da
certificação. Após o 5º ano, o organismo certificador fará uma
reavaliação completa, que se compara com a avaliação
principal. O resultado sendo positivo, você será recertificado por
mais 5 anos
Fonte: Mayla et al., 2021.
5.1 Sistema FSC
O sistema FSC provem de uma organização não governamental de
âmbito internacional. É uma organização sem fins lucrativos e independente que
integra “representantes de organizações sociais, ambientalistas, do setor
madeireiro e de produtos florestais, de povos indígenas, organizações
comunitárias e certificadoras de produtos florestais de todo o mundo” (Silva,
2005, p. 6). É o principal sistema credenciador aplicado no Brasil, indicando os
empreendimentos para os órgãos certificadores.
Para atender aos objetivos da certificação, foram gerados alguns
princípios para conformidade com as diretrizes do FSC. Os princípios do FSC
aplicados ao manejo florestal são (Moura, 2016):
• Conformidade com as normas descritas pelo sistema FSC;
• Posse e diretos e responsabilidades de uso;
• Relações comunitários e direitos dos trabalhadores;
• Benefícios da floresta;
• Impacto ambiental;
• Plano de manejo;
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• Monitoramento e avaliação;
• Manutenção de florestas de algo valor de conservação;
• Plantações.
Dessa forma, o sistema FSC atesta a sustentabilidade do manejo florestal
a partir de seus selos (Figura 4). Estes selos contêm informações importantes
para comprovação da responsabilidade ambiental dos empreendimentos.
Figura 4 – Selos FSC
Fonte: Selo..., 2022.
5.2 Sistema CERFLOR
O Cerflor foi desenvolvido pelo Sistema Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro), especificamente no Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). As
diretrizes desse sistema estão de acordo com a PEFC. As principais
características do Ceflor são (Lopes, 2021):
• Promove a sustentabilidade do manejo florestal;
• Objetivo principal de sensibilizar responsáveis por empreendimentos
florestais sobre a importância da certificação;
• O principal foco é a certificação de cadeia de custódia para pequenos e
médios produtores florestais.
A metodologia aplicada pelo Ceflor é semelhante ao descrito pelo FSC,
pois não é o Inmetro que certifica os empreendimentos florestais, mas promove
o credenciamento de atestado de sustentabilidade das atividades (Silva, 2005).
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É necessário que as empresas, os produtores rurais e as comunidades
manifestem interesses em ter o selo Cerflor (Figura 5).
Figura 5 – Selos Cerflor/Inmetro
Fonte: Inmetro, 2010.
FINALIZANDO
Nesta etapa, pudemos observar a importância da legislação para a
conservação ambiental. Nesse sentido, foram abordadas temáticas sobre a
Legislação Florestal para regulamentação das atividades de Silvicultura, Manejo
e Produção Florestal.
Foram estudados os seguintes instrumentos legislativos:
• Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e
Lei de Gestão de Florestas Públicas, abordando as condições de uso
desses ecossistemas para produção florestal;
• Código Florestal, abordando as peculiaridades da Lei sobre a produção
florestal em áreas de preservação permanente, reservas legais e áreas
de uso alternativo em áreas particulares;
• Política Agrícola de Florestas Plantadas, regulamentando a produção
florestal a partir das culturas de espécies arbóreas;
• Certificação Florestal, destacando a importância desse instrumento para
atestar a qualidade da produção florestal a partir do manejo sustentável
das florestas.
Encerramos aqui este estudo e esperamos que tenham assimilado o
assunto discutido.
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REFERÊNCIAS
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<[Link] Acesso
em: 23 jan. 2024.
BRASIL. Decreto n. 8.375, de 11 de dezembro de 2014. Diário Oficial da União,
Poder Legislativo, Brasília, DF, 12 dez. 2014.
_____. Lei n. 9.985, de 18 de julho de 2000. Diário Oficial da União, Poder
Legislativo, Brasília, DF, 19 jul. 2000.
_____. Lei n. 11.284, de 2 de março de 2006. Diário Oficial da União, Poder
Legislativo, Brasília, DF, 3 nar. 2006.
_____. Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012. Diário Oficial da União, Poder
Legislativo, Brasília, DF, 28 maio 2012.
_____. Lei n. 14.590, de 24 de maio de 2023. Diário Oficial da União, Poder
Legislativo, Brasília, DF, 25 maio 2023.
HOEFLICH, V. A. et al. Política Florestal: conceitos e princípios para a sua
formulação e implementação. Documentos, 160. Colombo: Embrapa Florestal,
2007.
HUSCH. B. Guidelines for forest policy formulation. Forestry Paper, n. 81.
Roma: FAO, 1987.
INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e. Qualidade
Industrial – Portaria n. 297, de 27 de julho de 2010.
LOPES, M. S. Certificação florestal no Brasil. Mata Nativa Blog, 19 fev. 2021.
Disponível em: <[Link] Acesso em:
23 jan. 2024.
MAYLA, A. et al. Certificação Florestal. [s.l.]: Diálogo Florestal, 2021.
MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Plano Nacional
de Desenvolvimento de Florestas Plantadas (PlantarFlorestas). Brasília:
MAPA, 2018.
_____. Política Agrícola para Florestas Plantadas. n. 26. Mapa, 2017. Disponível
em: <[Link] Acesso em 06 dez. 2023.
23
MOURA, A. M. M. Contribuição da certificação de florestas para o cumprimento
da legislação florestal no Brasil. In: SILVA, A. P. M. et al. (org.) Mudanças no
Código Florestal Brasileiro: desafios para a implementação da nova lei. Rio de
Janeiro: Ipea, 2016. p. 327-345.
PIRES, P. T. L. et al. Dicionário de termos florestais. 1. ed. rev. e ampl.
Curitiba: FUPEF, 2018.
SELO FSC®: como agregar valor à sua marca? Posigraf, 5 jul. 2022. Disponível
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SILVA, L. A. G. C. Certificação florestal. Brasília: Consultoria Legislativa, 2005.
VALVERDE, S. R. Política e legislação florestal. Brasília: SENAR, 2023.
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