EXCELENTISSÍMO DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
ESTADO DO MARANHÃO
Recorrente: MARIA STEFANY ARAÚJO CASTRO
Recorrido: ODÍLIO DE SOUSA FERREIRA FILHO
Processo Judicial nº 0000541-72.2018.8.10.0026
ODÍLIO DE SOUSA FERREIRA FILHO, devidamente qualificado nos autos do processo em
epígrafe, através de seu advogado com instrumento de mandato anexo, vem, respeitosamente,
perante Vossa Excelência apresentar
CONTRARRAZÕES AO RECURSO ESPECIAL
interposto por MARIA STEFANY ARAÚJO CASTRO (ID 32984269), com fulcro no artigo
1.030, caput do Código de Processo Civil, pelos fatos e fundamentos a seguir aduzidos.
Requer-se o recebimento da presente manifestação e, atendidas as formalidades de estilo,
seja remetida ao exame do Colendo Superior Tribunal de Justiça.
Nestes termos, pede deferimento.
Balsas/MA, data da assinatura eletrônica.
Zani Roberto Guedes
Advogado
OAB/MA: 14.499
ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA:
Rua das Mangueiras, 112b,
Cajueiro, Balsas/MA,
CEP. 65.800-000.
(99) 9.8803-1000 – WhatsApp
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EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Recorrente: MARIA STEFANY ARAÚJO CASTRO
Recorrido: ODÍLIO DE SOUSA FERREIRA FILHO
Processo Judicial nº 0000541-72.2018.8.10.0026
CONTRARRAZÕES AO RECURSO ESPECIAL
Egrégio Superior Tribunal,
Colenda Turma,
Ínclitos Julgadores!
Ínclitos julgadores, antes mesmo de discorrer-se sobre a matéria aqui ventilada, data
máxima vênia, as razões da recorrente não merecem prosperar e o recurso ora interposto deve ser
improvido, haja vista seus argumentos jurídicos estarem fadados ao insucesso, razão pela qual deve
ser mantida totalmente na integra a decisão combatida, conforme se verifica dos termos a seguir
expostos.
I. DA TEMPESTIVIDADE
Consoante artigo 1.030 do Código de Processo Civil, o prazo para a parte apresentar
contrarrazões ao recurso especial é de 15 (quinze) dias úteis, contados da respectiva intimação
In casu, a publicação da intimação para apresentação destas contrarrazões se dera aos
07/02/2024, de forma que o prazo final se dará em 22/02/2024.
Tempestiva, portanto, a presente manifestação.
II. DO RETROSPECTO DOS AUTOS
Trata-se de ação penal privada subsidiaria da pública, ajuizada pela Recorrente em razão da
suposta prática do delito de ameaça (art. 147 do Código Penal) por Odílio de Sousa, ora Recorrido,
seu ex-namorado.
Em inaugural, narrou a Recorrente que as partes teriam se conhecido em 2015 e iniciado
namoro três meses após; que o relacionamento teria se findados aos 2017, tendo o Recorrido se
mantido a assediar a Recorrente e invadido sua casa aos 21/10/2017, vindo a destruir um notebook
avaliado em R$ 1.000,00 (mil reais), pelo que registrado boletim de ocorrência; que o Recorrido a
perseguia e humilhava; que necessária a manutenção das medidas protetivas outrora deferidas.
Pugnou, assim, pela condenação do Recorrente nas iras do artigo 147, caput do Código
Penal c.c. artigo 7º, II da Lei Maria da Penha, para além de indenização por danos materiais no valor
de R$ 1.000,00 (mil reais).
Em sentença (ID 23627394, Págs. 15-17), o magistrado de piso, em consonância com o
parecer ministerial dos autos nº 1285-04.2017.8.10.0026, julgou extinto o processo sem resolução
de mérito fundamentando pela existência de litispendência, em virtude dos mesmos motivos e fatos
presentes no supra mencionado processo, no qual, inclusive, fora realizado acordo de não
persecução penal com o Recorrido, com sentença declarando extinta sua punibilidade.
Irresignada, a defesa de Maria Stefany, ora Recorrente, interpôs Recurso de Apelação (ID
23627394 – Págs. 33-39).
Após, o Ministério Público apresentou a manifestação (ID 23627397) pelo reconhecimento
da prescrição da pretensão punitiva do Estado, nos moldes do artigo 109, VI, do Código Penal, e
consequente extinção da punibilidade do Recorrido.
Fora, então, reconhecida a prescrição da pretensão punitiva em sentença de ID 23627398,
em decorrência do lapso temporal entre o fato e a sentença superior a 03 anos, sendo este o prazo
estabelecido pelo Código Penal em face da pena em abstrato do crime imputado, salientando-se a
inexistência de marcos interruptivos do prazo prescricional. Neste sentido, jugou extinta a
punibilidade do Recorrido.
Inconformada, a defesa da Recorrente opôs Embargos de Declaração (ID 23627403) em face
da Sentença proferida, não sendo acolhido por não se ter vislumbrado o vício apontado.
Evoluindo, a Recorrente interpôs Recurso em Sentido Estrito (ID 23627417), nos moldes do
Código de Processo Penal, afim de revogar a decisão que decretou extinta a punibilidade do
recorrido, sustentando, em síntese, que não haveria que se falar em inexistência de causa
interruptiva da prescrição, visto que teria Maria não só comparecido à delegacia de polícia e ao
Ministério Público, como ajuizado ação penal privada.
Por conseguinte, o patrono do recorrido apresentou Contrarrazões ao Recurso em Sentido
Estrito (ID 23627418), requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do recurso, pois manejado
inadequadamente eis que, em verdade, o correto seria apelação; e, no mérito, fosse negado
provimento, afirmando que não haveriam causas interruptivas do prazo prescricional.
O Ministério Público apresentou parecer (ID 31844429) pela manutenção do decisum,
aquiescendo com o quanto narrado pelo Recorrido em suas contrarrazões.
Ato seguinte, o Tribunal de Justiça do Maranhão proferiu Acórdão (ID 32017011) cuja
ementa ora se traslada:
Penal. Processual Penal. Recurso em Sentido Estrito. Crime de ameaça no
âmbito doméstico e familiar contra a mulher. Preliminar de não
conhecimento, suscitada pelo recorrido. Não acolhimento. Adequação
do recurso manejado. Mérito. Sentença que extinguiu a punibilidade pela
prescrição da pretensão punitiva. Ocorrência. Manutenção do decisum.
Não provimento. 1. O art. 581 do Código de Processo penal enumera, em
rol taxativo, as hipóteses de cabimento de recurso em sentido estrito,
dispondo, em seu inciso VIII, sobre o cabimento do recurso em face da
sentença que “[...] decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta
a punibilidade [...]”. 2. A extinção da punibilidade pela prescrição da
pretensão punitiva regula-se, antes de transitar em julgado a sentença,
pelo máximo da pena prevista para o crime. Inteligência do art. 109 do
Código Penal. 3. Considerando como marco inicial para a contagem da
prescrição a data do fato, visto que, desde a sua ocorrência, não se
verifica nenhuma das hipóteses de interrupção ou suspensão do prazo
prescricional, porquanto não houve o recebimento da representação
criminal, e transcorridos mais de 03 (três) anos entre essa data e a
sentença que reconheceu a extinção da punibilidade, pela ocorrência da
prescrição retroativa, inviável a sua reforma. 4. Recurso em sentido estrito
conhecido e não provido.
Inconformada, a recorrente interpôs Recurso Especial (ID32984269) contra o acórdão
sobredito, a fim de revogar a referida decisão para processamento e julgamento da ação penal
ajuizada.
É o relatório.
III. DAS RAZÕES DE MANUTENÇÃO DA SENTENÇA – OCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO –
MÁ-FÉ DA PARTE RECORRENTE
Inicialmente, para melhor elucidação dos fatos, é importante ressaltar que a recorrente
assim alega em suas razões recursais, in verbis:
A Recorrente ajuizou a presente ação penal por fato ocorrido em
21/10/2017, em que o Recorrido invadiu sua casa e destruiu seu
notebook. Tudo pelo término do namoro entre os dois. Além de ir à
delegacia, a Recorrente ainda compareceu perante a Promotoria de
Balsas para confirmar seu intuito de representar criminalmente contra o
Recorrido, conforme Manifestação Ministerial de Id 57553428, fls. 23.
Datado de 26/01/2018. [...]
Conforme acima narrado, a Recorrente deixou claro sua intenção de
representar criminalmente perante o próprio MP, que deixou transcorrer
o prazo para denúncia. Imediatamente, a Recorrente ajuizou ação penal
privada para que não transcorresse a prescrição, que mesmo assim foi
declarada pelo Tribunal de Justiça contrariando dispositivos de lei federal
e jurisprudência.
Neste cenário, sobreleva notar que a Recorrente utiliza como argumento de que a intenção
clara de representar criminalmente perante o Ministério Público seria motivo para impedir a
contagem dos prazos prescricionais dispostos em nosso Código Penal.
Alegou, assim, afronta ao artigo 117, I do Código Penal que prevê como causa interruptiva
da prescrição o recebimento da denúncia ou queixa.
Pois bem, diante da narrativa supracitada, é possível notar que a Recorrente,
repetitivamente, utilizando de má-fé processual, atribui a “intenção de representação criminal” como
marco impeditivo da prescrição.
Inobstante, há que se salientar que os Tribunais Superiores possuem entendimento firme
indicando o rol do artigo 117 do Código Penal - que apresenta as hipóteses de interrupção da
prescrição -, como taxativo, não cabendo, portanto, extensão além do sentido literal do dispositivo
tal como pretende a parte Recorrente ao buscar nova hipótese pela sua mera intenção de
representação em desfavor do Recorrido.
No ponto, cabe o traslado do referido dispositivo legal:
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa;
II - pela pronúncia;
III - pela decisão confirmatória da pronúncia;
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis;
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
VI - pela reincidência.
E quanto à taxatividade do dispositivo, colaciona-se julgado desta Colenda Corte Superior:
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
TRÁFICO. PRESCRIÇÃO. CAUSA INTERRUPTIVA. DATA DO DESPACHO
QUE DETERMINOU A NOTIFICAÇÃO DO ACUSADO, NOS TERMOS DO
ART. 55 DA LEI Nº 11.343/06, E NÃO A DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA.
IMPOSSIBILIDADE. TAXATIVIDADE DO ROL DO ARTIGO 117 DO CP.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que o rol do
artigo 117 do Código Penal é taxativo, não podendo ser incluído
nenhum marco interruptivo do prazo prescricional. Assim, a data do
despacho determinando a notificação do acusado, nos termos do artigo
55 da Lei 11.343/2006, não pode substituir a do recebimento da denúncia
(art. 117, inciso I, do CP) como marco interruptivo da prescrição.
2. Agravo regimental não provido.
(AgRg no AREsp n. 2.167.448/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da
Fonseca, Quinta Turma, julgado em 6/12/2022, DJe de 14/12/2022.) (grifo
nosso)
E a saber, o rol do artigo 117 do Código Penal já fora igualmente classificado com o taxativo
Egrégio Supremo Tribunal Federal, consoante denota-se dos precedentes:
Não se pode perder de vista que, tratando-se a prescrição de norma de
direito penal material, não se admite entendimento ampliativo ou
interpretação analógica in malam partem, sendo taxativa a
enumeração das causas impeditivas e interruptivas (arts. 116 e 117 do
Código Penal)
(HC 154557 AgR, Órgão julgador: Segunda Turma, Relator(a): Min.
CÁRMEN LÚCIA, Julgamento: 29/11/2019, Publicação: 12/12/2019.)
(grifo nosso)
DECLAROU EXTINTA A PRETENSÃO EXECUTÓRIA PELA PRESCRIÇÃO.
ART. 112, I DO CP. TRÂNSITO EM JULGADO PARA A ACUSAÇÃO.
INTERPRETAÇÃO LITERAL BENÉFICA AO CONDENADO.
ROL TAXATIVO DOS MARCOS INTERRUPTIVOS DA PRESCRIÇÃO.
ART. 117 DO CP. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO DESPROVIDO. 1 - A
teor do que dispõe o art. 112, I, do CP, a prescrição da pretensão
executória começa a correr do dia em que transita em julgado a sentença
condenatória para acusação, interrompendo-se, no entanto, pelo início
do cumprimento da pena, conforme previsto no art. 117, V, do CP, o que
não ocorreu no caso concreto. 2 - Não merece prosperar a tese de que
a prescrição da pretensão executória só teria início com a data do
trânsito em julgado para ambas as partes, pois contrária ao texto
expresso do art. 112, I, do CP, cuja interpretação literal, mais benéfica ao
condenado, deve prevalecer. 3 - Definir o trânsito em julgado para
ambas as partes como termo inicial da contagem do lapso
da prescrição da pretensão executória, ao arrepio do texto expresso
do dispositivo legal, seria inaugurar novo marco interruptivo
da prescrição, não previsto no rol taxativo do art. 117, do CP,
afrontando, assim, o princípio da reserva legal. 4 - Recurso em
Sentido Estrito desprovido.” (RE 1433392, Relator(a): Min. EDSON
FACHIN, Julgamento: 09/05/2023, Publicação: 10/05/2023) (grifo nosso))
E neste traçar de ideias, evidencia-se que age a Requerente munida de má-fé no intento de
tão somente prejudicar o Recorrido que, legalmente e de forma clara possui o direito de ter sua
punibilidade extinta em razão do decurso do prazo prescricional.
Ora, relembre-se que o crime do artigo 147 do Código Penal, imputado ao Recorrido possui
pena máxima em concreto no importe de 6 (seis) meses, ensejando assim ao prazo prescricional de
03 (três) anos, conforme o artigo 109, VI, do Código Penal:
Ameaça
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer
outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final,
salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo
da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se:
[...]
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano.
In casu, o suposto cenário teria se dado aos 21/10/2017 e, até o momento da prolação da
sentença, não se operado nenhuma das hipóteses do rol taxativo do artigo 117 do Código Penal,
pelo que deveras superado o prazo prescricional de 03 (três) anos instituído pela norma. Assim, de
forma evidente, a medida que se impõe é a manutenção do acórdão que declarou extinta a
punibilidade do Recorrido.
Ademais, é de suma importância salientar que o caminho processual vivenciado pelo
recorrido segue longo e árduo, uma vez que se mantém a lhe causar sérios transtornos, ainda que,
frisa-se, já tenha tido sua punibilidade devidamente extinta após acordo de não persecução penal
realizado com o Parquet Estadual nos autos de nº 1285-04.2017.8.10.0026.
Impende notar que desde a data do fato se passaram longos 6 (seis) anos e 4 (quatro) meses,
pelo que a tentativa de alteração do decisum ora objurgado traduz, como já dito, tão somente a má-
fé processual na qual imbuída a parte Recorrente, porquanto discute matéria já decidida há anos
atrás e em razão de delito evidentemente prescrito.
Nesse sentido, considerando a patente prescrição e, ainda, que o nome e a reputação do
Recorrido seguem sendo prejudicados sobremaneira durante longos anos, pugna-se pela
manutenção do acórdão ora combatido, mantendo-se a extinção da punibilidade do Recorrido com
supedâneo legal no artigo 109, inciso VI, c/c artigo 107, inciso IV do Código Penal Brasileiro.
É o que se requer por medida de Direito e Justiça.
IV. DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer-se:
a) O recebimento das presentes contrarrazões com fulcro no artigo 1.030, caput do Código
de Processo Civil;
b) no mérito, que esta Colenda Corte negue provimento ao recurso especial, porquanto
ausente qualquer violação de lei federal, mantendo-se integralmente o acórdão nos termos da
fundamentação com a extinção da punibilidade do Recorrido em razão da prescrição, consoante
artigo 109, inciso VI, c/c artigo 107, inciso IV do Código Penal Brasileiro.
V. DAS PUBLICAÇÕES
Outrossim, requer-se que todas as intimações referentes aos autos em epígrafe sejam
realizadas em nome do procurador signatário, sob pena de nulidade, nos termos do artigo 370,
parágrafo 1º do Código de Processo Penal.
Nestes termos, pede deferimento.
Balsas/MA, data da assinatura eletrônica.
Zani Roberto Guedes
Advogado
OAB/MA: 14.499
ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA:
Rua das Mangueiras, 112b,
Cajueiro, Balsas/MA,
CEP. 65.800-000.
(99) 9.8803-1000 – WhatsApp
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