1 DIMENSIONAMENTO DA BARRAGEM
1.1 Dimensionamento da Albufeira
1.1.1 Determinação da área inundada
Da carta topográfica obtida, pôde-se, pelo traçado do eixo da represa, saber o
número de curvas de níveis interceptadas pelo desenvolvimento do eixo da
barragem e com isso, com auxílio de Global Mapper e de Google Earth Pro, foi
possível determinar as áreas Inundadas até à cota 800 m e são apresentados
os valores na Tabela 3.1.
No Cotas (m) H-H0 A (Km2)
1 700 0 0,0012
2 710 10 0,0050
3 720 20 0,0161
4 730 30 0,0218
5 740 40 0,0285
6 750 50 0,0370
7 760 60 0,0480
8 770 70 0,0610
9 780 80 0,0749
10 790 90 0,0891
11 800 100 0,1030
Fonte: Autores.
0.1200 Areas Iundadas A(h)
0.1000
Areas inundadas (km2)
0.0800
0.0600
0.0400
0.0200
0.0000
690 700 710 720 730 740 750 760 770 780 790 800
Cotas h (m)
Gráfico 3.1: Curva das áreas inundadas.
1.1.2 Determinação dos volumes armazenados
A curva dos volumes armazenados é obtida por integração numérica sobre as
áreas inundadas, onde:
hf
V ( h )=∫ A ( h ) dh3.1
hi
Por integração Numérica pela fórmula de Trapézios, tem-se:
V ( h )= ( A i + Ai−1
2 )
× ( h i−hi−1 ) 3.2
Tabela 3.2: Volumes Armazenados.
No Cotas (m) H-H0 A (Km2) V(km3)
1 700 0 0,0012 0,000000
2 710 10 0,0050 0,030750
3 720 10 0,0161 0,105500
4 730 10 0,0218 0,189500
5 740 10 0,0285 0,251500
6 750 10 0,0370 0,327500
7 760 10 0,0480 0,425000
8 770 10 0,0610 0,545000
9 780 10 0,0749 0,679500
10 790 10 0,0891 0,820000
11 800 10 0,1030 0,960500
4,334750
0,4856 0
Total
Volumes armazenados (km3)
Volumes Armazenados V(h)
1.2000
1.0000
0.8000
0.6000
0.4000
0.2000
0.0000
680 700 720 740 760 780 800 820
Cotas h (m)
Gráfico 3.2: Curva de volumes armazenadas.
1.2 Determinação da Capacidade útil e do Volume Morto
Segundo VAZ (2011), o volume morto de uma albufeira pode ser determinado,
começando por se estimar o volume anual de sedimentos transportados pelo
rio na secção da barragem. Essa estimação pode fazer-se por diversos
processos, quer através de medições de caudal sólido, quer pela utilização de
fórmulas semi-empíricas ou ainda pela utilização de fórmulas de cálculos da
erosão hídrica do solo na bacia drenante.
1.2.1 Determinação do caudal de ponta pelo método Racional
Para o estudo hidrológico das cheias, é necessário determinar o caudal de pico
da cheia, que é o valor utilizado para o dimensionamento de muitas obras
hidráulicas.
O caudal de cálculo será então a função da área da bacia, da intensidade da
precipitação e de um conjunto de condições, que se traduzem, no essencial,
em que nem toda a água da chuva se converte em escoamento, pelo que será
expresso por uma equação do tipo seguinte. (VAZ, 2011).
Q p=CIA 3.3
1.2.2 Área de contribuição na bacia
A bacia de contribuição tem uma área total de 19.181 km 2 e o comprimento do
talvegue (leito) de 6,287 km.
Figura 3.1: Bacia de Contribuição
Fonte: Imagem do Global Mapper v24.
[Link] Inclinação média do leito
A inclinação média do leito obtém-se dividindo a diferença entre as cotas
máxima e mínima do leito pelo comprimento do rio. É também possível
determinar de modo análogo a inclinação média dum troço do rio.
Z max −Z min 800−700
I medio = = → I medio =0.0159 m/m=1.59 %
6286.76 6286.76
[Link] Coeficiente de escoamento
O coeficiente (C) é uma função de diversos factores. O DWAF da África do Sul
considera os seguintes aspectos na determinação do valor de coeficiente para
bacias em áreas não urbanizadas (rurais).
Tabela 3.3: Precipitações médias anuais registados na Subestação de Cahora
Bassa
2007/200
Ano hidrológico 8 2008/2009 2009/2010 2010/2011 2011/2012
Panual (mm) 77,49 65,28 76,71 70,93 39,49
Com recurso, aos dados fornecidos do registo da precipitação observada no
posto pluviométrico de Cahora Bassa durante 5 anos hidrológicos, calculou-se
a precipitação média anual que foi igual a 65.98 mm.
Tabela 3.3: Coeficiente para bacias em áreas não urbanizadas (rurais)
Fonte: Manual de Hidrologia – Dr. Álvaro Carmo Vaz
O DWAF recomenda que, em zonas de floresta, se considere o solo como
muito permeável. O valor de coeficiente é a soma de cy, cp, e cv.
Considerando a declividade de terreno de 1.59% e a precipitação menor que
600 mm, permeabilidade do solo permeável e a cobertura vegetal área
cultivada tem-se cy= 0,01, cp=0,06 e cv=0,07 então:
C=C y + C P +CV =0.01+0.06+ 0.07=0.14
Efeito do período de retorno
Para tomar esse efeito em conta, o DWAF propõe ajustar o valor de C para
áreas rurais multiplicando o coeficiente por um factor F T inferior à unidade.
Tabela 3.4: Efeito do período de retorno valores de F T .
Período de retorno (anos) fT
2 0.50
5 0.55
10 0.60
20 0.67
50 0.83
100 1.00
Fonte: Manual de Hidrologia – Dr. Álvaro Carmo Vaz
Da tabela 3.4 o valor do factor de tempo para um período de retorno de 50
anos tem-se F T =0.83.
C=C∗f T 3.4
C=0.14 × 0.83=0.1162
Determinação do tempo de concentração
Segundo Vaz (2011) as fórmulas cinemáticas entram em consideração com o
processo do movimento da água na bacia. Um dos parâmetros fundamentais
para caracterizar esse processo é o tempo de concentração, T c. Diversos
processos têm sido propostos para se fazer a determinação de T c.
A fórmula de Kirpich escreve-se:
1.155
L
T c =0.95 . 0.385
3.5
∆h
Com T c em horas, L em km, e ∆h (diferença de cotas entre as extremidades do
rio principal) em m.
O comprimento do leito bem como as cotas consideradas foi medido desde a
cabeceira
da bacia até o local do barramento então:
1.155
(6.287)
T c =0.95 . =1.35 horas
(800−700)0.385
Intensidade de precipitação
Entre outros factores, as precipitações intensas estão na origem de cheias e de
inundações e de processos erosivos que ocorrem à superfície do globo, e a
sua consideração é frequentemente obrigatória ou desejável para a
determinação do caudal de dimensionamento de obras hidráulicas e de
atravessamento de cursos de água e para a delimitação de zonas inundáveis.
Para representar a relação que existe entre a intensidade média da
precipitação e a respectiva duração para determinado período de retorno
utilizam-se funções do tipo:
b(T )
I ( t ,T )=a ( T ) . t 3.6
Na Figura 3.4 apresentam-se os parâmetros das curvas IDF de Moçambique.
Os parâmetros K que se apresentam na referida figura, um para cada zona
climática, são factores multiplicadores da intensidade da precipitação que se
obtém com os parâmetros a(T) e b(T) das curvas IDF de Maputo e Matola.
Figura 3.4: Parâmetros de curvas IDF para Moçambique.
Fonte: Vaz (2011).
Para um período de retorno (T=50 anos ) tem-se a =1026,09 e b = -0,5775, o
distrito de Cahora Bassa sita se na zona B consequencialmente K B = 1,20.
Usando a equação 3.6, temos:
−0.5775
I ( t ,T )=1026 ,09. 81 → I (t , T )=81.103 mm/h
Extrapolando tem-se: I ( t ,T )=I . K B=81,103∗1 , 20=97,323 mm/h
Tabela 3.5: Dados da Bacia Contribuinte
Área da bacia Coeficiente de escoamento Tempo de con- Intensidade de
(m2) (C) centração (t c) precipitação I ( t ,T )
3
19181 ×10 0.14 1.35 97.323
Usando a equação 3.3 temos:
97.323 ×0.001 3 3
Q p=0.14 × ×19181× 10 =72.596 m / s
3600
1.2.3 Volume Morto e Volume útil
Para determinar o tempo de enchimento, o volume morto e volume útil da bacia
do reservatório, será empregue o método de Brune, a partir dos dados:
Área da bacia A=19,181 Km 2
Precipitação média anual P=65 ,98 mm
Runoff médio anual (I ) suposto de 40% da precipitação
Volume do reservatório C=75550 m3
γ ap=1,554 ton/m3 (areia)
10 Passo: Determinação do runoff anual
I =40 % . P=0 , 4 .65 , 98=26,392 mm
26.392 3 3
I =P × A= ×19181× 10 =506224,952 m
1000
20 Passo: Cálculo do caudal sólido
Para o cálculo do caudal sólido, adoptou-se os seguintes dados:
Concentração média dos sedimentos Crs=800 ppm=0 , 8 kg/m3
Porosidade média dos sedimentos n=0 , 4 μs
Densidade dos sedimentos γ s =2600 kg/m3
Vida útil de 50 anos
Dst =I . C rs
Dst =506 224 , 952 . 0 , 8=404 , 98 t /ano
30 Passo: Determinação da eficiência de retenção
3
75550 m
C /I = 3
=0,149
506 224,952 m
Figura 1 Gráfico de Brune.
Fonte: Vaz (2011).
A partir do gráfico de Brune, figura acima, para um material com granulometria
variável, usou-se a linha média e obteve-se uma eficiência de retenção de
Er =85 % .
40 Passo: Determinação do volume retido na albufeira
Sabe-se que o volume aparente de sedimentos retidos na albufeira e o volume
final de sedimentos são calculados pelas seguintes expressões:
Dst . Er μs
Si = e S f =Si −S i ∙
γ ap 1−μs
Sendo assim,
404 , 98 . 0 ,90 3
Si = =234 , 54 m /ano
1,554
0,4 3
S f =234 ,54−2234 ,54 ∙ =78 , 18 m /a no
1−0 , 4
Após o cálculo do volume final de sedimentos, calcula-se o volume morto e
consequentemente o volume útil da albufeira.
3 3
V morto =S f . Du=78 , 18 m /ano .50 ano=3909 m
3
V útil=C−V morto=7550−3909=71641 m
50 Passo: Determinação do tempo de enchimento da albufeira
O tempo de enchimento é calculado pela expressão:
V res
T=
S
93500
T= =398 , 65 anos ≈ 398 anos
234 , 54
O tempo de enchimento da albufeira é de cerca de 398anos
1.3 Dimensionamento da barragem
1.3.1 Tipo de barragem escolhida e materiais
O perfil transversal tipo trata-se da solução transversal homogenia, dotado de
um filtro, dreno e um Pé de talude. Estas obras são igualmente construídas
com materiais iguais no maciço todo da barragem, mas dispondo de um dreno
vertical e de um tapete drenante, compostos por areias ou areias e cascalhos
extremamente permeáveis (Figura 3.6).
Figura 3.6: Perfil transversal da barragem.
Com base no perfil geológico do distrito de Cahora Bassa, tem-se como
material para corpo todo da barragem (1) areia (c = 8 Kpa) de boa
granulometria.
Adopta-se os seguintes parâmetros: o ângulo de resistência ao corte Φ = 46 0, e
o coeficiente de pressão intersticial ru= 0,1.
Em geral, para solos, as inclinações dos taludes variam de 1:2 à 1:3,5 e o
factor de segurança global FS que se impõem que seja maior do que um valor
mínimo de 1,5.
1.3.2 Dimensionamento da inclinação dos taludes
[Link] Paramento de montante
A inclinação do paramento de montante e estabelecida tendo em consideração
a situação em que pode ocorrer a rotura durante a fase construtiva.
[Link] Paramento de jusante
Ao paramento de jusante segue em linhas gerais, as considerações que já
foram apresentadas para o de montante.
Segundo a Bureau of Reclamation no caso de barragens homogéneas, pode-
se pré- dimensionar os taludes com base nos resultados da classificação
unificada.
[Link] Pré-dimensionamento dos Taludes de Montante e de Jusante
F=
tan ∅
tan α
→ α =tan−1( )
tan ∅
F
( )
0
−1 tan 46 0 1
α =tan =34.619 → h= =1.449
1.5 tan 34.62
Logo como a inclinação de taludes está fora do intervalo recomendado (1:2 à
1:3,5), então adopta-se as seguintes inclinações para os paramentos:
Para o paramento de montante: 1:3(v:h);
Para o paramento de Jusante: 1:2 (v:h).
1.3.3 Cálculo da folga
De acordo com as Memorias de Ezequiel carvalho (2016), considera-se a folga
de uma barragem como sendo a distância medida na vertical entre o
coroamento e superfície da água na albufeira. Distinguem-se dois tipos de
folgas nomeadamente:
Folga normal (até ao NPA),
Folga mínima (até ao NMC)
Com o auxílio do Archicad 21 fez-se o traçado dos seguimentos de recta na
albufeira representada a cor branca, (figura 3.7) e mediu-se as distâncias X i ,
construindo assim os dados na tabela 3.6.
Figura 3.7: Cálculo do fetch (adaptado de Fell ec ai., 1992)
Tabela 3.6: Dados do cálculo do fetch
Ref Anglo (Graus) Distancia (m) Cos (Φ) [Link] (Φ)
X1 42 336,36 0,74 249,96
X2 36 429,93 0,81 347,82
X3 30 525,29 0,87 454,91
X4 24 608,62 0,91 556,00
X5 18 734,76 0,95 698,80
X6 12 840,74 0,98 822,37
X7 6 11104,16 0,99 11043,33
X8 42 151,16 0,74 112,33
X9 36 157,06 0,81 127,06
X10 30 167,60 0,87 145,15
X11 24 195,23 0,91 178,35
X12 18 231,77 0,95 220,43
X13 12 292,64 0,98 286,25
X14 6 526,83 0,99 523,94
Total 12,51 15766,71
i=15
∑ X i . cos (α i) 15766 ,71
F= i=1i=15 = → F=1260,236 m=1.26 km
12 ,51
∑ cos(αi )
i=1
Na tabela 3.6 são apresentados valores de folga (normal e mínima) em função
do fetch efectivo, pressupondo que o paramento de montante esta protegido
por uma camada de enrocamento (“rip-rap”).
Tabela 3.6: Folga em função do fetch efectivo
Folga (m)
Fetch (Km)
Recomendado Mínimo
< 1.5 1.20 1.00
1.5 1.50 1.20
5.0 2.00 1.50
7.5 2.50 1.80
15.0 3.00 2.00
Fonte: (Fell et el; 1992)
O fetch calculado e menor que 1,5 km e tem se folga normal 1,20 m e folga
mínima de 1,0 m.
1.3.4 Cálculo da cota do coroamento
O valor da cota do coroamento depende do nível de pleno armazenamento
(NPA) e do nível de máxima cheia (NMC).
Mas, uma vez conhecidos o valor do NPA = 712 m, é possível detalhar um
procedimento
para fixar a cota do coroamento (CC). Assim, a CC deve verificar as duas
seguintes condições:
CC > NPA + folga seca + altura da onda devida ao vento excepcional;
CC > NMC+ 1,5 x altura da onda devida ao vento habitual.
[Link] A altura significativa da onda
A altura significativa da onda pode ser estimada de acordo com as propostas
apresentadas abaixo:
Velocidade do vento habitual (80 km/h)
Segundo Saville:
[ ( ) ]
2 0.47
V F
Hs= ∙ 0,0026 ∙ g ∙ 2
g V
22 , 222
[ ( ) ]
0.47
1260,236
Hs= ∙ 0,0026 ∙ 9 , 81 ∙
9 , 81 22 ,22 2
H s =0,594 m
Segundo Falvey:
H s =( 3 , 1× 10−4 ∙ V 2+1 , 6 ×10−2 ∙ V ) . √ F
H s =( 3 , 1× 10−4 ∙ 22, 222 +1 , 6× 10−2 ∙22 , 22 ) . √ 1,2602
H s =0,571 m
Segundo Linley e Franzini:
1 , 06 0 , 47
V ∙F
Hs=
200
1 ,06 0 , 47
80 ∙ 1,2602
Hs=
200
H s =0 , 58 m
Velocidade do vento excepcional (160 km/h)
Segundo Saville:
V2
[ ( ) ]
0.47
F
Hs= ∙ 0,0026 ∙ g ∙ 2
g V
44 , 44 2
[ ( ) ]
0.47
1260,236
Hs= ∙ 0,0026 ∙ 9 , 81 ∙
9 , 81 44 , 44 2
H s =1,239 m
Segundo Falvey:
H s =( 3 , 1× 10−4 ∙ V 2+1 , 6 ×10−2 ∙ V ) . √ F
H s =( 3 , 1× 10−4 ∙ 44 , 442 +1 , 6× 10−2 ∙ 44 , 44 ) . √ 1,2602
H s =1,485 m
Segundo Linley e Franzini:
1 , 06 0 , 47
V ∙F
Hs=
200
1, 06 0 , 47
160 ∙ 1,2602
Hs=
200
H s =1,367 m
Das três alturas significativas da onda calculadas para os ventos habitual e
excepcional, as maiores garantem maior segurança e as menores para
situações mais económicas, por esse motivo adopta-se valores médios.
0,594 +0,571+0 , 58
Vento habitual: Hs= =0,582 m
3
1,239+1,485+ 1,367
Vento excepcional: H s = =1,364 m
3
Velocidade do vento habitual 80 km/h
Período (s): T h=0,3519. V 0 , 44 . F 0.279=0,3519.(80)0 , 44 .(1,2602)0.279=2 , 58 s
Comprimento de onda (m): L H =1 ,56. T 2H =1 , 56.(2 ,58)2=10 , 38 m
Velocidade do vento habitual 160 km/h
Período (s): T h=0,3519. V 0 , 44 . F 0.279=0,3519.(160)0 ,44 .(1,2602)0.279=3 , 50 s
Comprimento de onda (m): L H =1 ,56. T 2H =1 , 56.(3 ,50)2=19 , 13 m
CC >712+1 , 20+1,364 → CC >714 ,56 m
Nível de máxima Cheia (NMC)
NMC=CC −Folga minima=714 ,56−1 , 00→ NMC=713 , 56 m
CC >713 , 56+1 , 5.0,582→ CC >714 , 44 m
Adoptado: CC =714 , 60 m
Nível mínimo de exploração (NME)
Nível mínimo de exploração (NME)
800.00
700.00
f(x) = 0.000330578512396694 x + 700
600.00
500.00
Cotas
400.00
300.00
200.00
100.00
0.00
0.000 5000.000 10000.000 15000.000 20000.000 25000.000 30000.000
Volume armazenado
Gráfico 3.3: Nível mínimo de exploração.
Com base no gráfico acima, a equação da cota do nível de mínima exploração
é C NME =0,0003 X +700 . Sendo assim, para um volume morto de 3909 m 3,
obtém-se uma cota de:
C NME =0,0003 ∙ 3909+700=701,173 m
Adoptando para a cota de mínima exploração de 701, 2 m.
Altura da barragem (H)
H=CC −C min =714 , 60−700=14 , 60 m
Sobreelevação (Se)
Se =0 , 02 . H=0 , 02 .14 ,60=0,292 m
1.3.5 Largura do coroamento
Segundo o Bereau of Reclamation. A equação para a largura do coroamento é
expressa por:
h
Lc = + 3
5
Em 1977, a equação foi mudada para:
h
Lc = + 3 ,3
5
14 , 60
Lc = + 3 ,3=6 , 22 m
5
Para facilitar o trabalho de medição, a largura de coroamento será aproximada
pra 6,25 m.
1.3.6 Profundidade da fundação
A profundidade recomendada para barragens de aterro é de 15% da altura da
barragem (Batista e Farinha).
Pfundação =0 ,15 . H=0 ,15 . 14 , 60=2, 19 m , Adoptado 2 , 20 m
1.3.7 Onda na Albufeira devido ao Sismo
A altura do sismo é calculada pela expressão:
kh ∙ T ∙ √ g ∙ h
H sismo =
2
Onde:
Coeficiente sísmico k h=0 , 02∙ g=0 ,1 ∙ 9 , 81=0,196
Período predominante da onda T =0 , 6 s
Altura da água a montante da barragem
h=NMC−NME=713 , 56−701, 2=12 , 36 m .
0,196∙ 0 , 6 ∙ √ 9 ,81 ∙ 12, 36
H sismo =
2
H sismo =0 , 65 m
Condição: CC > NMC +1 ,5 ∙ H sismo
CC −NMC 714 , 60−713 ,56
H sismo < = =0 ,69 m
1,5 1 ,5
H sismo =0 , 65 m< 0 ,69 m →Verifica
1.3.8 Dimensionamento dos órgãos de exploração e segurança
O descarregador será rectangular em canal de encosta a esquerda da
barragem sem comporta em betão de soleira tipo WES, com paramento
inclinado a montante, terminando na bacia de dissipação.
Tabela 3.7: Valores máximos de H/H0
Fonte: Lemos (1981)
Com declividade do paramento de montante 1/3 tem se H/H0 = 1,10 com o
ábaco na figura 3.9 tem se o coeficiente de vazão do descarregador de Cw =
51%.
Figura 3.8: Coeficiente de Vazão das soleiras espessas WES com paramento
de montante.
Fonte: Pinheiro (2006).
[Link] Descarregador de cheias
Caudal de Projecto
3
Q Pr=1 ,5. Q P=1 , 5.72.596=108,894 m /s
Caudal descarregado
3 3 3
Qd = . QPr = .108,894=65,336 m /s
5 5
Qd =C W . √ 2. g . H
3 /2
. B 3.4
Adoptando altura do descarregador de 2.0 m. Da equação 3.4, isolando o valor
de B teremos.
Qd 65,336
B= = =10 , 23 ≈ 11m
CW . √ 2. g . H 0.51. √ 2.9 , 81.(2.0)
3 /2 3 /2
Verificação da velocidade
Qd 65,336
V= = =2, 97 m/ s<3 m/ s , ok !
A 11.2 , 0
[Link] Descarregador de Fundo
Para o dimensionamento do descarregador de fundo, primeiramente foi
calculada a vazão a ser escoada, através da equação 3.5
V ac
Q ed = +Qn 3.5
T
Onde:
Qed é a vazão escoada pelo descarregador (m³/s);
V ac é o volume de água armazenado na represa, em m³;
T é o tempo de esvaziamento da represa, em s; e
Qn é a vazão média, em m³/s).
O V ac é de 75550 m³, o T adoptado foi de 1,5 dias ou 129600 s e a Qn
adoptada foi de 0,103 m³/s, sendo a vazão média anual do manancial então:
75550 3
Qed = + 0.103=0.686 m / s
129600
Determinação do diâmetro
A Qed calculada foi de 0.686 m3 / s. A partir destes dados e considerando a
execução do descarregador com tubulação de ferro fundido novo, com C =
130, seu diâmetro foi calculado pela equação 3.17 de Hazen-Williams.
( )
0 , 38
Q
D= 0 ,54
(3.17)
0,279.C . J
Onde:
D é o diâmetro da tubulação, em m;
Q é a vazão escoada pelo desarenador, em m³/s;
C é o coeficiente de rugosidade de Hazen-Williams, adimensional; e
J é a perda de carga unitária em m/m.
A perda de carga unitária na tubulação foi calculada pela equação 3.18,
considerando, neste caso, a altura de água na barragem igual a 12,36 metros e
o comprimento da tubulação da descarga de fundo de 60 metros, atravessando
todo o maciço da barragem.
HH O
J= 2
(3.18)
2∙L
12 , 36
J= =0.103 m/m
2 ∙ 60
( )
0 ,38
0.686
D= 0 , 54
=0.353 m=353 mm→ D N =375 mm
0,279 ∙130 ∙(0.103)
O diâmetro do descarregador calculado foi de 353 mm devendo ser utilizado
diâmetro Nominal ( D N ) de 375 mm. A junção entre os tubos deverá ser apoiada
sobre blocos de ancoragem em concreto (Figura 3.10) para se evitar a
movimentação da tubulação e vazamentos no interior do maciço.
Figura 3.10: Blocos de ancoragem para apoio das tubulações.
1.3.9 Tomada de água
A tubulação de tomada de água da barragem para a irrigação também deverá
ser em ferro fundido novo, instalado ao lado do descarregador, apoiada em
blocos de ancoragem. Seu diâmetro foi obtido pela equações para os
descarregador, considerando Q = 0,101 m³/s, C = 130 e H H O = 10,80 m e B = 2
80 m e tem-se J= 0,068 m/m. O diâmetro calculado foi de 0,186 m devendo ser
utilizado o DN 200 mm.
HH O
J= 2
¿
2∙L
10 , 80
J= =0.068 m/m
2 ∙ 80
( )
0 ,38
0.101
D= 0 , 54
=0.186 m=186 mm → D N =200 mm
0,279 ∙130 ∙(0.068)
1.3.10 Verificação da estabilidade
tanϕ tan 46
F s= = =2, 07> 1, 5
tanα 1
2
Usando os ábacos de estabilidade de Michalowski (2002), tem-se:
c
γ ∙ Htan ( ϕ )
Onde,
c
Coesão c=0 ,logo =0.
γ ∙ Htan ( ϕ )
β=arctan ( 12 )=26 ,57
r u =0 ,1
Para r u =0
F
=2 , 4
tanϕ
Para r u =0 ,25
F
=1 ,6
tanϕ
Interpolando para r u =0 ,1
ru F
tanϕ
0 2,4
0,1 X
0,25 1,6
F
=2 ,08 → F=2 , 08∙ tanϕ=2, 08 ∙ tan 46=2 , 15>1 ,5 → Verifica
tanϕ
1.3.11 Verificação da estabilidade para acção sísmica
c
=0
γ ∙ Htan ( ϕ )
β=arctan ( 12 )=26 ,57
r h =0,196
Para r h =0 ,1
F
=2 ,20
tanϕ
Para r h =0 ,2
F
=1 ,5
tanϕ
Interpolando para r h =0,196
rh F
tanϕ
0,1 2,20
0,196 X
0,2 1,57
F
=1,583 → F=1,583 ∙ tanϕ=1,583 ∙ tan 46=1 , 64>1
tanϕ
( cos ( α )−k ∙sin ( α ) ) ∙ tan ( ϕ )
F s=
sin ( α ) + k ∙ cos ( α )
(cos ( 26 , 57 )−0,196∙ sin ( 26 , 57 ) )∙ tan (46)
F s= =1, 34> 1→ Verifica
sin ( 26 , 57 ) +0,196 ∙ cos (26 , 57)