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O Alienista: Conflito e Loucura em Itaguaí

O documento é um resumo de trechos da peça teatral O Alienista, de Machado de Assis. A história acompanha Simão Bacamarte, que recebe permissão para construir um manicômio para estudar e tratar pessoas com problemas mentais. No entanto, a população se revolta contra o tratamento dos pacientes e tenta destruir a Casa Verde, nome dado ao manicômio. Por fim, Bacamarte acaba prendendo sua própria esposa no local.

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O Alienista: Conflito e Loucura em Itaguaí

O documento é um resumo de trechos da peça teatral O Alienista, de Machado de Assis. A história acompanha Simão Bacamarte, que recebe permissão para construir um manicômio para estudar e tratar pessoas com problemas mentais. No entanto, a população se revolta contra o tratamento dos pacientes e tenta destruir a Casa Verde, nome dado ao manicômio. Por fim, Bacamarte acaba prendendo sua própria esposa no local.

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O Alienista – Peça teatral

Capítulos I, II e III
Simão: A saúde da alma, é a mais digna função de um médico.
Crispim: Do verdadeiro médico, por isso, meu amigo, o-digo, num
lugar onde os loucos e dementes são postos em quartos vazios para
perecer, não seria ótimo se houvesse alguém para cuidá-los?
Simão: Não minto, simpatizo com esse pensamento. Um lugar onde
alguém para cuidar dos alienados... Isso me deu uma ideia.
(Bacamarte bate na porta da prefeitura)
Prefeito: Oh! Bacamarte! É um prazer receber-te. Como a prefeitura
pode lhe ajudar?
Simão: Venho realizando diversos estudos sobre a mente humana.
Prefeito: Onde quer chegar com isso?
Simão: Gostaria de obter uma autorização para a construção de um
manicômio para o tratamento de pessoas loucas e dementes, mediante
um estipêndio. O objetivo, além de tratar os alienados, é também
estudá-los.
Prefeito: Certamente. Não duvido que será um trabalho de grande
contribuição, tanto para Itaguaí, quanto para a ciência no geral. Tens a
permissão que procuras.
(Assina um papel e entrega a Bacamarte)
Simão: Nomeio esta casa como Verde. Dedicarei este lugar a ciência e
ao tratamento dos loucos e dementes. Me empenharei ao ofício de
alienista.
(Bacamarte e Evarista entram em cena, assentados numa sala de
jantar)
Simão: O que aconteceu? Você parece abalada.
Evarista: Não Foi nada. (num tom tristonho)
Simão: Tem certeza?
(Evarista começa a chorar)
Evarista: Você me abandonou! Não fala mais comigo ,não pergunta
como estou, e para quê? Por causa de meia dúzia de doidos daquela
sua Casa Verde?! Parece que estou viúva denovo!
(Simão fica em choque por algum tempo e responde)
Simão: Por que você não passa uns dias no Rio?
Não era seu sonho ir para lá?
Evarista: Não vou sozinha pela estrada, é perigoso.
Simão: Você pode ir com a sua tia.
Evarista: Tudo Bem.
(Sai do cenário pulando de alegria)

Capítulos IV e V
(Entram em cena o Boticário e Bacamarte)
Alienista: Estou muito contente.
Boticário: Notícias de nosso povo?
Alienista: Uma experiência,Não sabia que haviam tantos loucos nessa
cidade,por isso,quero estuda-los um-a-um,mantendo-os contidos por
enquanto
Boticário: Gracioso, muito gracioso! Extravagante ideia!
Alienista: Melhor que lhe contar minha ideia, é praticá-la.
(Saem o alienista e o boticário e Entram em cena Vigário Lopes e a
população)
Vigário Lopes: Com a definição atual a loucura e a razão estão
perfeitamente delimitadas. Não sabe onde começa nem onde termina.
Essa nova teoria é absurda e não merece execução.
População de Itaguaí: Impossível! O Costa foi internado na Casa
Verde?! Mas na verdade, ele não merecia...Ele só não sabe como
cobrar as pessoas,Isso não pode ficar assim!
População de Itaguaí: Devemos acabar com isto! Não pode
continuar! Abaixo a tirania!

Capítulos VI e VII
(Entram em cena o Presidente da Câmara, Porfírio com seus
seguidores, e a vereança)
População: Exigimos o fim da Casa Verde. Entregamos, aqui, uma
representação em que exigimos o fim dessa tirania.
Presidente da Câmara: Voltem ao trabalho. Este é conselho que vos
damos.
Porfírio: Dessa forma, ora,Como representante do povo declaro que
levantaremos a bandeira da revolução e iremos pôr fim a tirania de
Bacamarte. Itaguaí não pode continuar a servir de cadáver aos estudos
e experiências de um déspota. A Casa Verde há de cair! É notório o
caráter ganancioso do despotismo científico do alienista, em virtude
do fato de os loucos não serem tratados de graça: as famílias e a
Câmara pagam ao alienista.
Presidente da Câmara: Interrompo-te aqui, Porfírio. É falso esse
último item.
Porfírio: Como? Falso?
Presidente da Câmara: Sim, não ouviu errado. Há cerca de duas
semanas recebemos do alienista um ofício que nos declara que,
tratando de realizar experiências de alto valor psicológico, o ilustre
médico desiste do estipêndio votado pela Câmara, tal como não
receberá nada mais da família dos enfermos.
Certamente, poderia estar em erro o alienista. Todavia, interesse algum
instigava-o senão a ciência. Clamores e arruaças não seriam
suficientes para demonstrar o erro do sábio homem.
(Aplausos de toda a Câmara)
Porfírio: Não desconsidero sua fala, senhor. Mas, também, não hesito
em afirmar que estou investido de um mandato público, e não
restituirei a paz a Itaguaí enquanto a Casa Verde, essa Bastilha da
razão humana, não cair por terra.
(A um sinal, todos os revoltosos saem com Porfírio)
(Na casa de Bacamarte, entram em cena o próprio e os Canjicas)
Canjicas (diversas vozes, de forma generalizada): Morte ao Doutor
Bacamarte! Morra tirano! Morra tirano!
(Bacamarte caminhou para a varanda da frente, chegou no momento
em que a rebelião ali chegava e parava)
Porfírio: Diga, Bacamarte. Mas faça questão de não abusar da
paciência do povo. Seja ríspido.
Alienista: Direi pouco, senão nada, caso preciso. Quero saber,
primeiro, o que pedem.
Porfírio: Nada pedimos; ordenamos que a Casa Verde caia por terra,
ou, ao menos, seja despojada dos infelizes que lá estão. Dar liberdade
às vitimas de teu ódio, capricho, ganância...
(Bacamarte sorri sutilmente)
Alienista: A ciência, meus senhores, é coisa séria. Merece ser tratada
com seriedade. Se quiserem emendar a administração da Casa Verde,
não hesitarei em ouvir-vos. Eu poderia convidar alguns de vocês a vir
ver comigo alguns dos alienados reclusos, mas não o faço, porque
seria dar Razão de meu sistema a leigos e rebeldes, o que,
indubitavelmente, não farei.
(O Alienista dá as costas para a multidão e se dirige de volta para
dentro)
Porfírio (se dirigindo aos revoltosos): Meus amigos, lutemos até o
fim! Em vossas dignas e heroicas mãos está a salvação de Itaguaí.
Destruímos, hoje, a bastilha da razão humana!
(Ao redor do barbeiro, agita-se com furor a multidão)
Porfírio: Vamos!
Canjicas: Vamos! Vamos! (Repetiu a multidão, com furor e euforia)
(Dirigiram-se os rebeldes, então, à chamada Rua Nova)
(Entram em cena os Canjicas e os Dragões)
Porfírio: Não nos dispersaremos. Se nossos cadáveres é o que
querem, podem tomar. Todavia, os cadáveres, apenas. Nossa honra,
nosso crédito e nossos direitos não serão levados. Trazemos com estes
a salvação de Itaguaí.
Capitão dos Dragões: Se não se dispersarão por bem, o farão por
mal,Nós da força policial não permitiremos isso. Dragões, invistam
contra os revoltosos!
(Cena de conflito direto entre os Dragões e os Canjicas, com grande
parte da multidão tentando -e, alguns, conseguindo- fugir, destacando
a iminência da derrota dos Canjicas)
(Dragões, que estavam, antes, ganhando, começam a perder quando
parte da força publica passa para o lado popular)
Capitão: Estou de um lado com alguma gente, frente à uma massa
compacta que me meaçava de morte. Declaro-me, então, vencido.
(Capitão dos Dragões entrega uma espada -ou qualquer objeto que
possa representar uma- ao barbeiro)
Multidão: Viva ao rei! Viva! Viva ao vice-rei! Viva ao Ilustre
Porfírio! Viva!
(Porfírio, acompanhado de alguns de seus tenentes, entra na sala da
vereança)
(Entra em cena a vereança, barbeiro, e alguns dos revoltosos)
Barbeiro: Exijo a Câmara sua queda.
Vereança: Ciente de que não há meios de resistir, não o façamos e foi,
dali, direto para a cadeia. Os amigos de Porfírio propuseram-lhe que
assumisse o governo em nome de Sua Majestade. Proposta essa que
foi aceita pelo barbeiro.
Porfírio: Aceito o encargo, meus camaradas. Isso, embora
desconheço os espinhos que este traz. Não poderia eu dispensar o
concurso dos amigos presentes.
Arauto da Matraca (transmitindo a proclamação de Porfírio):
Itaguaienses! Uma Câmara corrupta e violenta conspirava contra os
interesses de Sua Majestade e do povo. A opinião pública tinha-a
condenado; um punhado de Cidadãos, fortemente apoiados pelos
bravos dragões de Sua Majestade, acaba de dissolvê-la, e, por
unânime consenso da vila, foi-me confiado o Mando supremo, até que
Sua Majestade se sirva ordenar o que parecer melhor ao Seu real
serviço. Itaguaienses! Não peço a vocês senão que me rodeeis de
confiança, que me auxilieis em restaurar a paz e a fazenda publica, tão
desbaratada pela Câmara que ora ultimou às vossas mãos. Contem
com o meu sacrifício, e fiquem certos de que a coroa será por nós.
População: Abencoado seja o ilustre Porfírio, daquele que irá ibertar
Itaguaí da Casa Verde e do terrível Bacamarte!

Capítulos VIII, IX e X
(O barbeiro e o povo vão até a casa do alienista)
(Na casa do alienista, entram em cena Porfírio, o alienista, e alguns
dos Canjicas)
Barbeiro Porfírio: Engana-se em atribuir ao governo intenções
vandálicas, a maioria crê que maior parte dos loucos estão em seu
perfeito juízo , mas o governo reconhece que é questão científica e a
Casa Verde é um domínio público. Peço ao senhor que solte aqueles
que estão bem ou quase curados, desse modo, sem grande perigo
mostraremos alguma tolerância de generosidade.
Alienista: Quantos mortos e feridos houveram ontem no conflito?
(O barbeiro se espanta)
Barbeiro Porfírio: Onze mortos e vinte e cinco feridos.
Alienista: Onze mortos e vinte e cinco feridos (repete 3x).
Barbeiro Porfírio: Não tenho por mim a confiança dos principais,
mas você certamente poderia fazer muito nesse ponto.
Alienista: Onze mortos e vinte cinco feridos, eis dois lindos casos de
doenças cerebral. Os sintomas de duplicidade desse barbeiro são
positivos, não é preciso outra prova dos onze mortos e vinte cinco
feridos, dois lindos casos.
Barbeiro Porfírio: Porque eu velo, podeis estar certos disso, eu velo
pela execução das vontades do povo. Confiais em mim e tudo se fará
pela melhor maneira, só vos recomendo ordem. E, a ordem, meus
amigos, é a base do governo.
Multidão: Viva o ilustre Porfírio! Viva!
(Depois de cinco dias, o alienista envia a Casa Verde vários
aclamadores do novo governo. Prende, também, sua esposa)

Capítulos XI, XII e XIII


(Todos saem do cenário, restando apenas o padre Lopes e o alienista
passeando pela rua):
Padre: Mas o senhor prendeu até mesmo sua própria esposa na Casa
Verde?
Alienista: Claro, padre. Já a algum tempo eu desconfiava, minha
esposa se importava apenas com seus vestidos e joias. Anteontem sua
maior dúvida era qual joia usar no baile da câmara. Era evidente a
demência, recolhi-a logo.
(O Padre olha perplexo para o alienista)
Alienista: Estive pensando também e estou decidido. Todos os loucos
internados na Casa Verde serão postos na rua.
Padre: Mas por que esta decisão tão subitamente?
Alienista: Cheguei à conclusão de que minha teoria estava errada.
(Os presos saem um por um da Casa Verde, indo correndo abraçar
suas famílias e amigos)
(Entram em cena Simão e seus amigos)
Bacamarte: Não... Impossível. Impossível que eu não tenha nenhum
defeito, nenhum vício. Não sinto em mim essa superioridade que
acabo de ver definir com tanta magnificência. A simpatia é que vos faz
falar. Estudo-me e nada acho que justifique os excessos da vossa
bondade. É decisivo. Não estou perfeitamente são e equilibrado. Nem
rogos nem lágrimas nem sugestões vão me deter. Hei de ser recolhido
a Casa Verde.
(Bacamarte se dirige à Casa Verde para ser internado)
(D. Evarista aparece correndo)
D. Evarista: Simão! Simão! Meu amor! Não, não vá!
Bacamarte: A questão é científica, trata-se de uma doutrina nova,
cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a teoria e a
prática.
(Simão entra na Casa Verde, e fecha as portas)

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