Fisiologia do Exercício: Metabolismo e Energia
Fisiologia do Exercício: Metabolismo e Energia
Autores
Felipe Natali Almeida
Nosso livro iniciará abordando as formas de obtenção de energia pelo corpo humano
para que o mesmo possa realizar suas diversas formas de trabalho, incluindo aqui, o movi-
mento humano. Para tanto, discutiremos na primeira unidade as vias bioenergéticas princi-
pais, assim como seu uso nas variadas fases metabólicas atreladas ao movimento/tipos de
exercício físico.
A partir do momento que entendemos como o corpo consegue obter energia, em nossa
terceira unidade entraremos em contato com os mecanismos neurais produtores do movi-
mento humano, assim como todas as bases moleculares atreladas ao processo de contração
muscular.
Desta forma, espero que possa aproveitar este módulo. Boa leitura!
UNIDADE I
Metabolismo e exercício
Felipe Natali Almeida
Como todas as células necessitam de energia, não surpreende que as células sejam dota-
das de vias bioquímicas capazes de converter alimentos em uma forma de energia biologi-
camente utilizável. Esse processo metabólico denomina-se bioenergética. Para que possa-
mos realizar nossas atividades cotidianas, como se deslocar, escrever, digitar, pensar, assim
como para realização de exercícios físicos como nadar, correr, pedalar, caminhar, nossas
células devem ser capazes de extrair a energia contida nos alimentos. Sem essa capacidade
de extração da energia dos alimentos, limitaríamos e muito, nossa capacidade de resistir
aos esforços e rapidamente teríamos que interromper as atividades. Por esse motivo, dada
a importância da produção de energia celular durante todas as atividades diárias e, em
especial, para realização de exercício físico, é essencial um bom nível de conhecimento sobre
este tópico.
Bioenergética e exercício físico
Combustíveis para o exercício
O corpo usa os nutrientes de carboidrato, gordura e proteína consumidos dia-
riamente, para fornecer a energia necessária à manutenção das atividades celu-
lares, tanto em repouso como durante o exercício. Durante o exercício, os nutrien-
tes primários usados para obtenção de energia são as gorduras e os carboidratos.
As proteínas contribuem com uma pequena parte da energia utilizada.
Carboidratos
Os carboidratos são compostos por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio.
Os carboidratos armazenados fornecem ao corpo uma forma de energia rapida-
mente disponibilizada, com 1g de carboidrato rendendo pouco mais de 4 kcal de
energia. Os carboidratos são encontrados em três formas: (1) monossacarídeos, (2)
dissacarídeos e (3) polissacarídeos.
Os monossacarídeos são os açucares mais simples, as unidades básicas, onde
podemos citar como exemplo a glicose (que muitos conhecem pelo açúcar no
sangue), a frutose (que seria o açúcar contido nas frutas) e a galactose (o açúcar
contido no leite). Os dissacarídeos são formados pela combinação de dois monos-
sacarídeos. O açúcar de mesa, por exemplo, é a sacarose, formado pela união de
uma molécula de glicose e outra de frutose, o dissacarídeo extraído do leite é a
lactose, formado pela união de uma molécula de glicose com uma de galactose, e
temos também a maltose, açúcar presente na cerveja, nos cereais e em sementes
em germinação, que é formada pela junção de duas moléculas de glicose.
Os polissacarídeos são os carboidratos complexos que contêm pelo menos três
monossacarídeos unidos. Eles podem ser moléculas pequenas (que contêm três
monossacarídeos) ou moléculas muito amplas (que contêm centenas de monossa-
carídeos, incluindo várias ramificações de sua cadeia linear). Em geral, os polis-
sacarídeos são classificados de acordo com sua origem, sendo possível a origem
vegetal e a origem animal. As duas formas mais comuns de polissacarídeos de
origem vegetal são a celulose e o amido. Os seres humanos não possuem as enzi-
mas utilizadas para digerirem a celulose e, portanto, descartam a celulose como
resíduo de material fecal. Por outro lado, o amido (encontrado no milho, batata,
grãos, entre outros) é facilmente digerido pelos humanos e constitui uma fonte
importante de carboidratos da dieta alimentar. Depois de ingerido, o amido é
quebrado para formar monossacarídeos e pode ser usado imediatamente como
energia pelas células ou armazenado nestas (não como amido, mas sim como
glicogênio) para atender as necessidades futuras de energia.
O polissacarídeo armazenado no tecido animal é chamado de glicogênio, sin-
tetizado nas células via ligação de moléculas de glicose. Geralmente são molécu-
las amplas e ramificadas que podem conter de centenas a milhares de moléculas
de glicose unidas. As células armazenam glicogênio como uma forma de suprir
as necessidades de carboidratos como fonte de energia. Durante o exercício, por
exemplo, as células musculares quebram o glicogênio em glicose (processo cha-
mado de glicogenólise) e usa esta glicose como fonte de energia para a contração
muscular. Este processo também pode ocorrer no fígado (local de maior armaze-
namento de glicogênio no corpo humano), porém a glicose é liberada na circula-
ção e disponibilizada para todos os tecidos.
Importante salientar que apesar do corpo humano poder estocar glicose na
forma de glicogênio tanto no músculo esquelético quanto no fígado, estas reser-
vas são relativamente pequenas e podem ser deletadas em poucas horas, como
resultado de um exercício prolongado, especialmente se estiverem associadas a
uma dieta pobre em carboidrato.
Gorduras
Embora as gorduras contenham os mesmos elementos químicos presentes nos
carboidratos, a proporção carbono/oxigênio nas gorduras é significativamente
maior do que aquela encontrada nos carboidratos. A gordura corporal armaze-
nada é um bom combustível para o exercício prolongado, pois as moléculas de
gordura contêm cerca de 9 kcal de energia, mais do que o dobro do conteúdo
de energia de carboidratos ou proteínas. As gorduras são insolúveis em água e
podem ser encontradas tanto nos vegetais como nos animais. Em geral, podem
ser classificadas em quatro grupos: (1) ácidos graxos, (2) triglicerídeos, (3) fosfo-
lipídeos e (4) esteroides.
Os ácidos graxos são o tipo primário de gordura usada pelas células (incluindo
aqui as musculares) para obtenção de energia. São armazenados no corpo em
forma de triglicerídeos, que são compostos por três moléculas de ácidos graxos e
uma molécula de glicerol (que não é gordura, mas um tipo de álcool). Embora
o maior sítio de armazenamento de triglicerídeos seja a célula adiposa, essas
moléculas também são estocadas em muitos tipos celulares, incluindo o músculo
esquelético (denominado de triacilglicerol intramuscular, geralmente presente
em pequenas gotículas localizadas próximas as mitocôndrias destas células). Em
situações de necessidade, os triglicerídeos podem ser quebrados, por um processo
denominado de lipólise, e seus componentes (ácidos graxos e glicerol) são libera-
dos e usados como substrato energético (o glicerol só é utilizado como substrato
após ser convertido em glicose no fígado, por gliconeogênese). Desta forma, a
molécula de triglicerídeo inteira pode ser usada como fonte de energia.
Os fosfolipídeos não são usados como fonte de energia (ao menos não como
função primordial), são lipídeos combinados a diferentes moléculas de ácido fos-
fórico, responsáveis por formarem todas as membranas celulares de todas as
organelas das células. Já os esteroides, apresenta-se como elemento principal o
colesterol, um componente de todas as membranas biológicas juntamente com os
fosfolipídeos, além de serem utilizados para síntese de todos os hormônios ditos
“esteroides”, onde incluímos os hormônios sexuais (estrogênio, progesterona e tes-
tosterona), os glicocorticoides (cortisol) e os mineralocorticoides (aldosterona).
Proteínas
As proteínas são compostas por unidades menores chamadas de aminoácidos.
O corpo necessita de 20 amino Bioenergética e exercício físico ácidos para for-
mar os diversos tipos de proteínas necessárias ao bom funcionamento corporal.
Existem nove aminoácidos, chamados de aminoácidos essenciais, que não podem
ser sintetizados pelo corpo e, dessa forma, precisam ser consumidos com os ali-
mentos e incluem a fenilalanina, a histidina, a isoleucina, a lisisna, a leucina, a
metionina, a treonina, o triptofano e a valina. Já os aminoácidos não essenciais,
ou seja, aqueles que podem ser produzidos pelo organismo temos o aspartato, o
glutamato, a alanina, a arginina, a asparagina, a cisteína, a glicina, a gluta-
mina, a prolina, a serina e a tirosina. Como fonte de energia, as proteínas contêm
cerca de 4 kcal por grama, mas devem ser quebradas em aminoácidos para
poderem ser utilizadas com este propósito. Para fornecerem energia, ou deverão
ser convertidas em glicose ou em algum intermediário das vias metabólicas (pro-
cesso de gliconeogênese).
Figura 1.1: Trifosfato de adenosina (ATP): observe a presença de uma base nitrogenada (ade-
nina), um açúcar de cinco carbonos (ribose), ligada a três grupos fosfatos. A quebra da ligação
Bioenergética
As células musculares armazenam quantidades limitadas de ATP. Assim,
como o exercício muscular requer um suprimento constante de ATP para o for-
necimento da energia necessária à contração, a célula deve ter vias metabóli-
cas capazes de produzir rapidamente ATP. Estas vias são subdivididas em vias
anaeróbicas (que não usam o oxigênio) e vias aeróbicas (que usam o oxigênio),
apresentadas a seguir.
PC + ADP ATP + C
Creatina cinase
fosfocreatina (PC) em creatina livre (C) pela ação da creatina quinase (ou cinase), a energia é
TRABALHO BIOLÓGICO
Transporte
químico-
mecânico
ATPsse
ATP ADP Pi Anergia
creatina cinsse
PCr ADP Cr ATP
Figura 1.3: Uso da fosfocreatina e do ATP para fornecer energia para realização de trabalho:
observe que ao quebrar a molécula de fosfocreatina (PC) em creatina livre (C) e formar o ATP
com a energia liberada, esse ATP deve ser, posteriormente, quebrado novamente em ADP+Pi
2 ATP
necessários
2 4 ATP
Fase de produzidos
geração
de energia
2 NADH
produzidas
2 piruvatos
ou
2 lactados
Produção:
Entrada Saida
2 ADP 2 ATP
2 NAD 2 NADH
geração de energia
Mas se o ATP já foi produzido, por que formar o lactato? Sabemos que na
via glicolítica, o transportador de elétrons NAD+ recebe elétrons e é reduzido a
sua forma NADH (reação 6 da glicólise) que, necessariamente, deveria entrar
na mitocôndria e doar estes elétrons para a cadeia transportadora de elétrons,
processo este que só ocorre na presença de oxigênio. Na ausência de oxigênio,
para que não haja o acúmulo de NADH no citoplasma das células (que seria
prejudicial/tóxico para a célula), o piruvato aceita os elétrons, sendo convertido
em lactato (Figura 1.6).
Como não há o envolvimento direto do oxigênio na glicólise, a via é conside-
rada anaeróbia, entretanto, na presença de oxigênio na mitocôndria, o piruvato
pode participar da produção aeróbia de ATP. Dessa forma, além de ser uma via
capaz de produzir ATP sem oxigênio, a glicólise pode ser considerada a primeira
etapa da degradação aeróbia de carboidratos.
Figura 1.5: Glicólise e reação 11, que converte piruvato em lactato: perceba que nas pri-
meiras cinco reações investimos duas moléculas de ATP, um na reação 1, catalisada pela
formamos duas moléculas de NADH na reação 6, que serão utilizados para reduzir piruvato
enviado para mitocôndria numa condição aeróbia, duas moléculas de ATP na reação 7, catali-
sada pela fosfoglicerato quinase e outras duas na reação 10, catalisada pela piruvato quinase
Glicose
2 NAD+
ADP
NAD+
REGENERAÇÃO
DESIDROGENASE
LÁCTICA lactato
2 Piruvato 2
Figura 1.6: Acoplamento da formação do NADH na reação 6 da glicólise com seu uso para
GLICOGÊNIO
Reservas
Aminoacido intramusculares
GLICOSE
desaminado de energia
- ATC
- PCr
- Trigliceridios
- Glicogênio
- Esqueletos de
carbono proveniente
dos aminoácidos Trigliceridios
Corrente sanguinea
Acidos graxos
Aminoacido Ácido
GLICOSE
desaminado graxo Livre
Ciclo
do ácido
cítrico
MITOCÔNDRIA
Transporte
de elétrons
ATP
ATP
Figura 1.7: Ciclo do ácido cítrico e cadeia transportadora de elétrons: diversos são os meca-
nismos produtores de energia, porém o mais rentável energeticamente é aquele que envolve
as vias aeróbias. Para tal, o ciclo do ácido cítrico e a cadeia transportadora de elétrons devem
estar ativos. Note que carboidratos, gorduras e proteínas podem fornecer elementos que
ativarão esta via
CO2 NADH
1 coenzima A (CoA)
H3C−C−S− CoA
Acetil−CoA −CoA
CoA
sintase
citrato
NAD+
ato
Ox
se
ita
citr
alo
2
on
to
ec
NADH
ita
ac
H2O
et
3 on
ato
de Mal -ac
sid ato
rog cis
en ase
ase nit
Ma
lat 11 aco
o 4
Isocitrato
H2O
Ciclo do NAD+
fumarase 10 ácido cítrico
NADH
5 isoc
desid itrato
ato roge
fumar Oxa nase
los
9 ucc
FADH2 6 ina
CO2 to
o
at se
FAD in na
cc ge α-
u
s dro 8 7 H2O ce
to
ato
si g
de lu
in
ase A
com togluta e
ta
sin nil-Co
cc
α-ce rogena
desid
ra
succinil-CoA
su
to
plex
tet
NAD+
ci
suc
NADH
rato
s
oxigênio, o piruvato ao invés de ser reduzido em lactato sofre a ação da enzima piruvato
ciclo do ácido cítrico, pois a mesma se condensa com o oxaloacetato formando citrato, sendo
esta a primeira reação da via. Resultará na formação de 3 NADH, 1 FADH2 e 1 GTP para cada
molécula de acetil-CoA que entrar na via. Lembre-se que cada molécula de glicose resulta em
Triacilglicerol intramuscular
Apesar do tecido adiposo ser o principal local de estoque do triacilglicerol no organismo,
pequenas gotículas de triacilglicerol podem ser estocadas nas fibras musculares próximas das
mitocôndrias como finalidade de fornecimento rápido de um substrato altamente rentável para
síntese aeróbia de ATP. Esta adaptação é especialmente importante para atletas de esportes de
longa duração. Importante salientar que o triacilglicerol intramuscular também está presente nas
fibras musculares de indivíduos obesos e sedentários, porém, nestes, tem um papel na fisiopatologia
do desenvolvimento do diabetes tipo II nestes indivíduos.
triglicerídeos
(50.000*100.000KCAL)
CORTE NA PELE
ABDOMINAL
TECIDO ADIPOSO
HSL
Ácidos
Glicerol
graxos
triglicerídeos
Intramuscular
(2.000-3.000 KCAL)
PLASMA
MUSCULO
O2
Acetil−CoA
Ciclo
do ácido
MITOCÔNDRIA cítrico
Transporte
de elétrons
ATP
Figura 1.9: Uso das gorduras como fonte para produção de Acetil-CoA: note que a gordura
por lipases) formando o glicerol (que será utilizado para sintetizar glicose) e os ácidos graxos
que cairão na circulação e serão direcionadas aos tecidos ativos (no caso o músculo esquelé-
tico). Ali, sofrerão o processo de beta-oxidação, sendo convertidos em acetil-CoA, que poderá
reduzidos ao longo das vias bioenergéticas (NADH e FADH2) são direcionados para a cadeia
O2
Mas como o ATP é formado? A resposta para isso é atualmente explicada por
uma teoria chamada de teoria quimiosmótica. Esta teoria aponta que conforme
os elétrons são passados de um complexo ao outro da cadeia respiratória, íons
hidrogênio são enviados para o espaço intermembrana existente entre a mem-
brana mitocondrial interna e membrana mitocondrial externa. Com isso, cria-se
um gradiente elétrico e um gradiente químico entre o espaço intermembranas e
a matriz mitocondrial. Elétrico devido à carga positiva existente nos íons hidro-
gênio, e a negatividade da matriz mitocondrial; químico devido a maior con-
centração de íons hidrogênio presente no espaço intermembranas em relação à
matriz mitocondrial. Após criado esse gradiente, quando os íons hidrogênios são
devolvidos para a matriz mitocondrial, a energia cinética associada e este retorno
é canalizada por uma proteína (denominada de complexo V, ou complexo da
ATPsintase) e utilizada para unir uma molécula de ADP com uma molécula de
Pi, formando o ATP (Figura 1.11).
Figura 1.11: Ilustração da teoria quimiosmótica: perceba que o NADH doa seus elétrons para
a primeira bomba, que envia hidrogênio para o espaço intermembranas. Este elétron, através
da ubiquinona, é passado para a segunda bomba, que novamente envia íons hidrogênio para
também envia íons hidrogênio para o espaço intermembranas) que entrega esse elétron para
o O2, formando água. Os íons hidrogênio, ao retornar para a matriz mitocondrial através da
Atividades
Na célula, onde ocorrem a reação da fosfocratina, glicólise, o ciclo do ácido
cítrico e a cadeia transportadora de elétrons, respectivamente?
Citosol, Citosol, Citosol, Mitocôndrias.
Incorreta: O ciclo do ácido cítrico é uma via mitocondrial.
Quantas moléculas de ATP líquidos são formadas nas vias da fosfocreatina, gli-
cólise anaeróbia e glicólise aeróbia, respectivamente?
1, 2 e 32.
Correta: Apesar de suprirem o ATP de uma forma rápida, por envolverem uma menor
quantidade de reações químicas, as vias anaeróbias sintetizam menos ATP, com a
fosfocreatina apenas 1, a glicólise anaeróbia 2, enquanto as vias aeróbias são muito
mais rentáveis, formando 32 moléculas de ATP.
2, 4 e 36.
Incorreta: Conforme exposto anteriormente, os valores corretos são 1, 2 e 32,
respectivamente.
32, 2 e 1.
Incorreta: Conforme exposto anteriormente, os valores corretos são 1, 2 e 32,
respectivamente.
6, 8 e 42.
Incorreta: Conforme exposto anteriormente, os valores corretos são 1, 2 e 32,
respectivamente.
3 e 2.
Incorreta: Estudos anteriores apontavam que o NADH teria uma rentabilidade de 3
ATPs e o FADH2 de 2 ATPs, porém como dito anteriormente, os estudos atuais não
apontam mais para tal.
1,5 e 2,5.
Incorreta: Valores se encontram invertidos entre NADH e FADH2.
1,5 e 1.
Incorreta: Conforme exposto anteriormente, os valores corretos são 2,5 e 1,5 ATPs,
respectivamente.
Metabolismo no exercício
O exercício impõe um sério desafio às vias bioenergéticas da musculatura
que trabalha. Durante o exercício intenso, o gasto energético corporal total pode
aumentar 25 vezes acima do gasto observado em repouso, sendo a maior parte
desse aumento usada no fornecimento de ATP para contração dos músculos
esqueléticos, podendo aumentar o uso de ATP por estes em até 200 vezes em
relação ao utilizado em repouso. Neste capítulo, iniciaremos com uma discussão
sobre as necessidades energéticas do corpo em repouso, seguida do mesmo ao
iniciar o exercício.
2,0
Déficit de O2
VO2 (L/min)
1,5
Repouso 2 4 6 8 10
Tempo de exercicio (min)
Figura 1.12: Déficit de oxigênio: período de 1-4 minutos em que o organismo leva para se
Treinado
VO2 (L/min)
Não
1 treinado
0
-4 -2 0 2 4 6 8
Repouso
Tempo de exercicio (min)
Figura 1.13: Comparação entre tempo levado para atingir estado estável entre indivíduos não
treinados e treinados
VO2
do débito
Porção
Débito de O2 “lenta”
VO2 de repouso VO2 de repouso
Porção “lenta” do débito
do débito
Tempo de exercício Recuperação Tempo de exercício Recuperação
Figura 1.14: EPOC: ao comparar um exercício leve a um exercício intenso, observa-se que o
Lactato, vilão?
Muito se comenta sobre o lactato ser o grande vilão das dores musculares de instalação tardia,
que sentimos quando realizamos um grande esforço físico. Porém, o lactato é um substrato para
uma via bioenergética denominada gliconeogênese e, em um prazo máximo de quatro horas, é
convertido a glicose e diminui drasticamente seus valores na circulação, não sendo, portanto, o
responsável por causar a dor associada ao esforço intenso.
Débito de oxigênio
ou excesso de
consumo de
oxigênio
pós-exercício
Ressintese
Hormônios
de PC
elevados
no músculo
Elevação
Remoção
da FC e da FR
de lactato
pós-exercício
Restauração
dos estoques Elevação da
de oxigênio temperatura
dos músculos corporal
e do sangue
Exercício prolongado
A energia necessária à realização do exercício prolongado (duração superior a
10 minutos) é fornecida primariamente pelo metabolismo aeróbio. Um consumo
de oxigênio em estado estável em geral pode ser mantido durante o exercício
submáximo, de intensidade moderada. Entretanto, essa regra apresenta duas
exceções: (1) o exercício prolongado realizado em ambiente quente e úmido acar-
reta uma tendência crescente de consumo de oxigênio, inviabilizando a manu-
tenção do estado estável, mesmo que a taxa de trabalho seja constante; (2) o
exercício contínuo a uma taxa de trabalho relativamente alta (>75% VO2máx)
ocasiona uma elevação lenta do consumo de oxigênio com o passar do tempo.
Nas duas situações, o grande problema está na maior produção de adrenalina e
noradrenalina (visto que o bloqueio da ligação destes hormônios ao seu receptor
por fármacos possibilita a manutenção do estado estável) e no maior aumento
da temperatura corporal.
Atividades
Em repouso, qual a principal via de fornecimento de energia para a manutenção
da homeostasia corporal?
Via glicolítica anaeróbia e vias aeróbias.
Incorreta: Apesar da via glicolítica ter um pequeno papel no fornecimento de energia
no repouso, visto que formamos uma pequena quantidade de lactato circulante, a via
principal é exclusivamente a via aeróbia.
Fosfocreatina e glicólise.
Incorreta: O papel das vias anaeróbias é insignificante.
Vias aeróbias.
Correta: Durante o repouso, o fornecimento de oxigênio ao organismo é suficiente
para suprir a demanda de oxigênio, tornando as vias aeróbias as principais no
fornecimento de energia nesta condição.
Vias aeróbias.
Incorreta: Falta oxigênio para ativação das mesmas.
Quais os fatores que fazem com que o período de déficit de oxigênio seja menor
nos indivíduos treinados em relação aos não treinados?
Adaptações nos sistemas cardiovascular e muscular.
Correta: As adaptações nos sistemas cardiovascular e muscular possibilitam a
chegada de sangue oxigenado em maior quantidade e maior velocidade aos tecidos
metabolicamente ativos, reduzindo o período de déficit de oxigênio.
noradrenalina elevados.
Incorreta: São fatores da porção lenta do EPOC.
Pelo fato do calor aumentar a transpiração e desidratar o indivíduo que tem que parar
devido a sede.
Incorreta: A transpiração e desidratação dificultam a manutenção do estado estável,
mas não levam o indivíduo a interromper devido a sede.
Indicações de leitura
Nome do livro: Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho
Editora: Manole
Autores: Scott K. Powers e Edward T. Howley
ISBN: 978-85-204-3676-9
Livro muito interessante destinado a pessoas interessadas em adquirir conhecimentos em
fisiologia do exercício, com material abrangente e sua oitava edição apresenta uma bela renovação
de conteúdos. Muito ilustrativo, visão focada sobre o assunto em questão.
Passamos por assuntos que levantaram as formas de obtenção e produção de energia, seja
na presença ou ausência de oxigênio, posteriormente, como na ausência de oxigênio temos
a possibilidade de produzir ATP por um curto período de tempo, vimos como o organismo
trabalha para obter e distribuir efetivamente o oxigênio. Posteriormente a obtenção de
energia e oxigênio, vimos como o corpo gasta este suprimento para produzir a contração
muscular e gerar o movimento. Seguido a isto, agora sabemos que o corpo humano se
adapta a realização do exercício físico, de forma específica ao estímulo que foi dado, seja
ele de longa duração, seja ele impondo uma resistência ao corpo humano.