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Interpretação e Argumentação EAD

Este documento apresenta a noção de texto e alguns fatores de textualidade. Aborda o que é um texto, exemplificando diferentes tipos, e explica fatores como situacionalidade, coesão, coerência e intertextualidade que constituem a textualidade e são importantes para a compreensão de textos.
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Interpretação e Argumentação EAD

Este documento apresenta a noção de texto e alguns fatores de textualidade. Aborda o que é um texto, exemplificando diferentes tipos, e explica fatores como situacionalidade, coesão, coerência e intertextualidade que constituem a textualidade e são importantes para a compreensão de textos.
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UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ - UNOCHAPECÓ

Componentes do Ensino Superior à Distância

INTERPRETAÇÃO E ARGUMENTAÇÃO

MATERIAL DIDÁTICO COMPLETO

Prof. Dr. Marlon Santa Maria Dias

Chapecó, SC
UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ - UNOCHAPECÓ
COMPONENTE: Interpretação e Argumentação
Prof. Dr. Marlon Santa Maria Dias

UNIDADE 1

Olá, estudante. Seja bem-vinda(o) ao componente curricular Interpretação e


Argumentação. Este componente aborda, desenvolve e aprimora a compreensão de
informações orais e escritas, bem como a argumentação na produção de textos orais e
escritos para promover a autonomia na aprendizagem. Dessa forma, aborda operações
cognitivas básicas e primordiais, de forma a aplicá-las adequadamente de acordo com o
contexto. É, portanto, um componente voltado ao desenvolvimento de uma autonomia
intelectual, crítica e comunicativa do discente.
Nesta primeira unidade vamos tratar da noção de texto e de alguns fatores de
textualidade.
Bons estudos!

1. NOÇÃO DE TEXTO
Texto é uma palavra de origem etimológica latina e significa “tecido”. Então,
podemos pensar, primeiramente, que o autor, ao escrever, está tecendo ideias a partir do
uso das palavras. O tamanho de um texto é variável – ele pode conter um grande conjunto
de palavras ou ser composto por apenas uma palavra. Há ainda textos que não contêm
nenhuma palavra, como, por exemplo, uma imagem. Assim, os textos podem ser verbais
ou não verbais, orais ou escritos e podem utilizar a linguagem culta ou a linguagem
coloquial (MENDES et al., 2019).
Nas figuras a seguir, vemos exemplos de textos: uma placa de sinalização; um
cartaz com orientações sobre a prevenção de uma doença; uma bula de remédio; um
meme; um cartaz de propaganda e uma tira de humor.

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Fonte:
[Link]
ansito-significados-curiosidades/

Fonte: [Link]

Fonte:
[Link]
[Link]
Fonte:
[Link]
[Link]

Fonte:
[Link]
Fonte: [Link] 747735513325568/photo/1

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Os exemplos anteriores demonstram como existem diferentes tipos de textos.
Podemos ainda pensar em textos literários, técnicos, oficiais, jornalísticos, filosóficos,
didáticos, entre outros. Uma característica que une todos esses tipos e os caracteriza
como textos é esta: o texto deve apresentar um sentido completo (MENDES et al., 2019).

O texto é constituído de vários componentes estilísticos, esquemáticos,


retóricos, não se limitando, assim, a componentes simplesmente
gramaticais, ou seja, consiste na formação de um todo significativo que
independe de sua extensão, pois trata­-se de uma unidade de sentido, de
um conteúdo comunicativo contextual que se caracteriza por um
conjunto de relações responsáveis pela sua construção (MARTINO, 2023,
p. 126, grifo do autor).

Agora, não basta apenas dominar as operações linguísticas para compreender um


texto. É preciso, além disso, entender que a interpretação de um texto compreende
operações cognitivas, sociais e interacionais (KOCH; ELIAS, 2016). Ou seja, o contexto
sociocomunicativo é fundamental para a compreensão do texto.
Pensando a partir do exemplo da primeira imagem, não basta sabermos que a
palavra PARE é linguisticamente classificada como um verbo regular da primeira
conjugação e que está no modo imperativo afirmativo, tampouco que sua significação é
“deter o movimento de”. Precisamos entender os seus contextos de produção e de
circulação e, portanto, saber que se trata de uma placa de trânsito, colocada em via
pública, que sinaliza a obrigatoriedade de uma parada naquele ponto e que, caso contrário,
pode gerar multa ao motorista. Ela está ali, então, para que o trânsito tenha uma boa
fluidez e para orientar motoristas e pedestres. Sua situacionalidade – ou seja, a situação
de comunicação – é importante para a sua compreensão (KOCH; ELIAS, 2016).
Assim, temos que o sentido de um texto é construído na interação texto-sujeitos.
O texto, portanto, é o “lugar da interação” entre os sujeitos, que investem sentidos tanto
na produção quanto na leitura do texto. Essa elaboração é uma

[...] atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que


se realiza, evidentemente, com base nos elementos linguísticos presentes
na superfície textual e na sua forma de organização, mas que requer a
mobilização de um vasto conjunto de saberes (enciclopédia) e sua
reconstrução no interior do evento comunicativo (KOCH, 2003, p. 17).

3
Ou seja, a interpretação de um texto depende não apenas de dominarmos as
normas e códigos linguísticos, mas também de compreendermos os contextos de
produção, de circulação e de recepção do texto. Uma pessoa que estava isolada e nunca
ouviu falar do coronavírus até entenderia que o cartaz exemplificado anteriormente
contém instruções sobre a prevenção de uma doença, mas ficaria perdida sobre que
doença é essa.
Da mesma forma, alguém que nunca assistiu ao seriado A Família Dinossauros não
reconheceria o personagem Baby, que estampa a propaganda do biscoito Passatempo, em
outra imagem-exemplo acima. Assim como essa pessoa tampouco reconheceria que a
frase “Crianças, cheguei” faz referência a um bordão do personagem Dino, pai de Baby, que
chegava em casa e sempre dizia “Querida, cheguei!” – sendo esta uma marca de
intertextualidade. Provavelmente por já ter visto outras propagandas na vida, a pessoa
entenderia que se trata de uma peça publicitária, mas perderia elementos centrais para a
compreensão completa do texto.
A partir do que vimos até aqui, podemos então considerar a noção de texto a partir
da seguinte definição, dada por Leonor Lopes Fávero (2005, p. 7):

O texto consiste, então, em qualquer passagem falada ou escrita que


forma um todo significativo independente de sua extensão. Trata-se, pois,
de um contínuo comunicativo contextual caracterizado pelos fatores de
textualidade: contextualização, coesão, coerência, intencionalidade,
informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade.

É sobre esses fatores de textualidade que falamos na seção seguinte.

2. FATORES DE TEXTUALIDADE
Como vimos, a compreensão de textos depende não apenas do domínio das
normas cultas da língua ou do conhecimento linguístico, mas também de um conjunto de
fatores que constituem a textualidade. Aliás, Irandé Antunes (2010) afirma que para
compreender a noção de texto é necessário compreender a noção de textualidade.
Podemos, assim, entender a textualidade como uma característica estrutural das
atividades sociocomunicativas executadas entre os agentes da comunicação.
Vamos explorar nesta seção alguns fatores que constituem essa textualidade.
4
2.1 Situacionalidade
Quando elaboramos um texto, precisamos sempre pensar na situação em que ele
será consumido e também em quem irá consumi-lo – ou seja, no destinatário, receptor,
interlocutor. Pensemos nestas situações do nosso dia a dia: apresentar um trabalho na
faculdade em frente aos colegas, conversar ao telefone com algum familiar, ir a uma
consulta médica, preparar um texto para ser avaliado pelo professor, publicar alguma
postagem no Twitter ou no Instagram, contar alguma história engraçada para um amigo.
Todas essas situações comunicativas envolvem a produção de um texto, seja ele
oral ou escrito, no qual estamos nos reportando a alguém (colegas, parente, médico,
professor, seguidores na rede social, amigo). Para cada uma dessas situações, elaboramos
um texto diferente, afinal, não nos comunicamos da mesma forma com todas as pessoas –
em algumas situações somos mais formais; em outras, mais informais (permitindo-nos
usar gírias e uma linguagem mais coloquial).
A ideia de situacionalidade contempla exatamente isso. Veja:

É preciso, ao construir um texto, verificar o que é adequado àquela


situação específica: grau de formalidade, variedade dialetal, tratamento a
ser dado ao tema, etc. O lugar e o momento da comunicação, bem como as
imagens recíprocas que os interlocutores fazem uns dos outros, os papéis
que desempenham, seus pontos de vista, o objetivo da comunicação,
enfim, todos os dados situacionais vão influir tanto na produção do texto,
como na sua compreensão. (KOCH; TRAVAGLIA, 2015, p. 85)

Assim, um termo que melhor representa a situacionalidade é adequação


(MENDES et al., 2019), afinal, estamos sempre adequando nossos discursos para as
situações comunicativas específicas – o que implica tanto o momento em que essa
comunicação ocorre quanto a imagem que temos dos interlocutores. Afinal, como alertam
Koch e Travaglia (2015, p. 86): “Um texto que é coerente em dada situação pode não sê-lo
em outra: daí a importância da adequação do texto à situação comunicativa”.
Há uma trajetória dupla nesse processo: da situação para o texto (determina em
que medida a situação comunicativa interfere na produção/recepção) e do texto para a
situação (recriação do mundo a partir dos objetivos, interesses, propósitos, crenças e
convicções do produtor do texto). Se no primeiro caso (da situação para o texto), há essa

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adequação da qual já falamos; no segundo (do texto para a situação), temos “[...] o mundo
criado pelo texto não é uma cópia fiel do mundo real, mas o mundo tal como é visto pelo
produtor, partindo de uma determinada perspectiva, tal como de acordo com
determinadas intenções” (MARTINO, 2023, p. 142).
Com isso, explica-se o fato de que um mesmo objeto, por exemplo, não é descrito da
mesma forma por duas pessoas, porque os referentes não são idênticos. Você já pediu para
um amigo contar algum acontecimento e depois teve outra versão de uma pessoa que
também assistiu ao fato? É exatamente isso. Ou quando assistimos à notícia sobre um
mesmo acontecimento em telejornais diferentes e percebemos que o tratamento difere.
Da mesma forma, o próprio receptor interpreta o texto “de acordo com a sua ótica,
os seus propósitos e as suas convicções, pois há uma mediação entre o mundo textual e o
mundo real, e vice­-versa” (MARTINO, 2023, p. 142).

2.2 Intencionalidade e aceitabilidade


Outros dois fatores de textualidade são a intencionalidade e a aceitabilidade. Elas
têm a ver com a relação estabelecida entre o produtor de texto e o seu receptor.
A intencionalidade refere­-se “ao modo como os emissores usam textos para
perseguir e realizar suas intenções, produzindo, para tanto, textos adequados à obtenção
dos efeitos desejados” (MARTINO, 2023, p. 142). Lembremos que o produtor de um texto
tem seus propósitos – de uma simples intenção de manter o contato e de interagir com o
seu receptor até a vontade de persuadi-lo, levando-o a agir de determinada maneira ou
mesmo de partilhar de suas opiniões sobre o tema.
A intencionalidade se manifesta no texto através de uma série de pistas deixadas
pelo produtor, tais como: tempos verbais, operadores e conectores argumentativos, os
modalizadores.
Já a aceitabilidade constitui a contrapartida da intencionalidade – ou seja, o texto
deve ser compatível com as expectativas do receptor.

2.3 Informatividade
A informatividade corresponde ao grau de previsibilidade da informação contida
no texto. Pensa-se, assim, nos modos de o texto ser mais ou menos informativo. Ou seja, se
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um texto contiver somente informação redundante ou previsível, seu grau de
informatividade será baixo. Se além de informações esperadas, o texto contiver
informação não previsível, seu grau de informatividade tende a ser maior. Agora, se toda a
informação de um texto for imprevisível ou inesperada, esse texto terá um grau máximo
de informatividade. Esse último tipo de texto pode parecer incoerente, afinal, exige do
receptor um grande esforço de decodificação (MARTINO, 2023).
Sempre se deve considerar, claro, o contexto comunicativo e o repertório do
interlocutor. Por exemplo: o texto abaixo corresponde a um trecho de uma tese de
doutorado na área da Química. Se o receptor tiver conhecimento prévio da matéria,
compreenderá com maior facilidade o resumo. Entretanto, se o receptor não tiver esse
conhecimento prévio, o texto se tornará mais difícil de entender, afinal, é um texto
acadêmico mais técnico. Logo, o grau de informatividade será maior.

A presente tese propõe uma metodologia para a síntese para


nanopartículas (NPs) de TiO2 e nanopartículas de Ta2O5 dopados por
nitrogênio, que são obtidas através de rota química one pot e sustentável
via ionogéis. No processo de síntese os líquidos iônicos atuam como
molde/agente estabilizante de NPs (Metanosulfonato de
1-metil-3-[2-(2-metoxi(etóxi)etil]-imidazólio) e como precursor de
nitrogênio para a dopagem (solução de Imidazolato de Amônio). NPs de
TiO2 dopadas com nitrogênio (N-dopadas) com formato
aproximadamente esférico apresentam tamanho médio de 10 nm e
elevada área de superfície específica de cerca de 160 m2 .g-1 (BOLZAN,
2020, p. 6).

Agora, vejamos outro trecho da mesma obra, retirada da Introdução do trabalho:

Considerando o constante aumento da demanda mundial por energia e


os efeitos das emissões de CO2 no aquecimento global, torna-se urgente o
desenvolvimento de processos de conversão de energia através de fontes
renováveis, que sejam economicamente viáveis e ambientalmente
amigáveis. Entre as tecnologias que têm sido exploradas, as que envolvem
conversão de energia solar em energia elétrica, certamente, são as que
apresentam maior potencial devido a grande disponibilidade de
combustível, a luz solar. Contudo para que estas tecnologias tenham
como participar significativamente da matriz energética, um dos grandes
desafios a serem superados é como estocar a energia que não será
consumida imediatamente (BOLZAN, 2020, p. 17).

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Aqui temos um texto ainda específico, mas sua elaboração não exige que
tenhamos conhecimentos técnicos para compreender. Pensando em público mais amplo,
esse trecho tem um grau de informatividade mediano, ou seja, ideal para a compreensão.
Vejamos o exemplo abaixo, retirado de uma notícia do site G1:

Fonte:
[Link]
[Link]

O acontecimento noticiado é inusitado. Ao lermos a manchete, a sua construção


nos confunde. Talvez seja necessário reler até entendermos que se trata de uma cartolina
na qual foi impressa a figura de um policial de trânsito, que servia para, justamente,
confundir os motoristas. Ao lermos a matéria e vermos a imagem que a ilustra, torna-se,
então, compreensível. Temos aqui um grau de informatividade mais elevado, porque exige
do leitor uma leitura completa do material noticioso, afinal, a manchete abre a distintas
interpretações.
Quando falamos de textos de ampla circulação – como textos jornalísticos, por
exemplo – é sempre bom pensar nessa regra: o grau de informatividade ideal deve ser
mediano, de modo a trazer informações novas ligadas a dados já conhecidos, a fim de não
tornar o texto enfadonho (por só ter informação conhecida), nem muito difícil de codificar
a ponto do receptor abandoná-lo.

2.4 Intertextualidade
A intertextualidade se refere à estratégia de recorrer ao conhecimento prévio para
a elaboração de textos, deixando no texto marcas que remetem a outros textos. Pode-se
dizer que a intertextualidade é um recurso sempre presente, porque os textos que

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elaboramos estão em conexão com textos já existentes e, de algum modo, podem também
ser base para textos que serão elaborados no futuro.
Para Marcuschi (2008, p. 130), “[...] a intertextualidade é uma propriedade
constitutiva de qualquer texto e o conjunto das relações explícitas ou implícitas que um
texto ou um grupo de textos determinados mantém com outros textos”.
Para entender como funciona a intertextualidade, vejamos as imagens abaixo:

Fonte: Revista Elle / Divulgação

As imagens acima são capas de uma mesma edição especial da revista Elle,
lançada em 2017. Em cada uma delas, vemos personalidades brasileiras. Não é preciso
conhecer tão profundamente o campo das artes visuais para identificar que as capas
remetem a obras de arte – e, mesmo assim, elas vêm acompanhadas de chamadas que

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orientam o leitor: a modelo Lea T. como O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli; o ator
Lázaro Ramos e a atriz Taís Araújo em O Beijo, de Gustav Klimt; o ator e dramaturgo Zé
Celso Martinez se transformou em O Grito, de Edvard Munch; a atriz Sônia Braga virou
“Mona Lisa”, de Leonardo Da Vinci e; Caetano Veloso recriou a obra de David Hockney.
Abaixo, vemos essas obras:

Fonte: Google Imagens / Adaptação

A intertextualidade funciona assim: traços de outros textos que ressurgem em


novos textos – não apenas para estabelecer conexões entre esses textos, mas também
para ativar essa memória no receptor.

Aliás, uma revista que trabalha muito com a intertextualidade em suas


capas é a revista piauí. Conheça a revista e as suas capas no seguinte link e
tente identificar a quais imagens presentes na memória cultural as capas
remetem: [Link]

Aliás, vamos olhar para alguns títulos de reportagens da revista piauí para
identificar elementos intertextuais.

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Fonte: [Link]

Cada um desses títulos remete a outro texto:


- Acabou chorare é o nome de um dos álbuns mais famosos dos Novos Baianos,
lançado pela banda em 1972.
- Meu tio matou um cara é um filme brasileiro de 2004.
- Uma noite no museu é também o título de uma série de filmes produzidos nos EUA,
que por sua vez são baseados em um livro infantil homônimo, de autoria de Milan
Trenc.
- Cada mergulho é um flash é um bordão – ou seja, uma frase recorrente dita por
alguém – da personagem Odete Santos, interpretada por Mara Manzan na
telenovela brasileira O Clone (2001).

Veja que às vezes o produtor de um texto muda um termo, mas mantém a


referência ao texto precedente, justamente para remeter o leitor a ele. Da mesma forma,
podemos interpretar esse recurso como uma estratégia criativa – se você reparar nas
chamadas abaixo dos títulos, que explicam um pouco melhor o teor da matéria, verá o
quanto o título intertextual realmente tem a ver com o conteúdo.

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Nos exemplos que demos, podemos também perceber dois tipos de
intertextualidade: a explícita e a implícita. Nas capas de Elle, a intertextualidade é
explícita, porque há um texto na capa que sempre indica ao que a imagem está se
referindo: por exemplo, “Lea T em O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli”. Já nos
títulos da revista piauí, não há remissão ao texto original e, logo, depende muito mais do
repertório do leitor.
Então, podemos entender que intertextualidade explícita é quando “ocorre a
citação da fonte do intertexto, como acontece nos discursos relatados, nas citações e
referências; nos resumos, resenhas e traduções; nas retomadas de textos de parceiro para
encadear sobre ele ou questioná-lo na conversação” (KOCH; ELIAS, 2008, p. 87). Na vida
acadêmica, na universidade, utilizamos muito o recurso de intertextualidade explícita,
afinal, devemos sempre citar as fontes de onde retiramos os trechos citados no nosso
trabalho, como acabei de fazer neste mesmo parágrafo, citando as autoras Koch e Elias.
Já a intertextualidade implícita “ocorre sem citação expressa da fonte, cabendo
ao interlocutor recuperá-la na memória para construir o sentido do texto, como nas
alusões, na paródia, em certos tipos de paráfrases e ironias” (KOCH; ELIAS, 2008, p. 92).

Fonte: Folha de S. Paulo, 10 out. 2005.

Para compreender a tira acima, é preciso que você conheça a música Águas de
Março, de Tom Jobim. Escute-a AQUI. Conhecendo este texto anterior (a música),
compreende-se melhor o deslocamento feito do poético ao humorístico.
Nesse tipo de intertexto, depende-se muito mais do repertório do interlocutor e de
ele identificar os objetivos do produtor do texto ao inserir o intertexto no discurso. Por
vezes, quando essa relação não é feita, a construção do sentido pode ficar prejudicada.

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***

Trabalhamos nessa unidade a noção de texto e alguns fatores de textualidade,


como a situacionalidade, a intencionalidade, a aceitabilidade, a informatividade e a
intertextualidade. Na próxima unidade, continuaremos vendo os fatores de textualidade,
trabalhando dois dos mais importantes: a coesão e a coerência. Além disso, veremos os
tipos textuais e as suas características.

REFERÊNCIAS
ANTUNES, Irandé. Análise de textos: fundamentos e práticas. São Paulo: Parábola
Editorial, 2010.

BOLZAN, Gustavo Roni. Nanopartículas de óxidos de titânio e tântalo dopadas por


nitrogênio e suas propriedades fotocatalíticas. 2020. Tese (Doutorado em Química) –
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2020.

FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e coerência textuais. 10. ed. São Paulo: Ática, 2005 (Série
Princípios).

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Desvendando os segredos do texto. 2. ed. São Paulo:
Cortez, 2003.

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual. 18. ed.
São Paulo: Contexto, 2015.

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do
texto. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2008.

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Escrever e argumentar. São Paulo:
Contexto, 2016.

MARTINO, Agnaldo. Português: gramática, interpretação de texto, redação oficial, redação


discursiva. 11. ed. São Paulo: SaraivaJur, 2023. (Coleção Esquematizado).

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 3. ed.


São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

MENDES, Andréia Almeida et al. Linguística textual e ensino. Porto Alegre: SAGAH, 2019.

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