Cleopatra 001 a 050_miolo_seguinte_10r.
qxd:Cleópatra 001 a 050_1ª 7/26/13 5:26 PM
de Margaret Simpson
Ilustrações de Philip Reeve
Tradução de Eduardo Brandão
10ª- reimpressão
Cleopatra 001 a 050_miolo_seguinte_10r.qxd:Cleópatra 001 a 050_1ª 7/26/13 5:26 PM
Copyright do texto © 2000 by Margaret Simpson
Copyright das ilustrações © 2000 by Philip Reeve
O selo Seguinte pertence à Editora Schwarcz S.A.
Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009.
Título original:
Cleopatra and Her Asp
Preparação:
Márcia Copola
Revisão:
Renato Potenza Rodrigues
Beatriz de Freitas Moreira
Mariana Zanini
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Simpson, Margaret, 1951 –
Cleópatra e sua víbora / Margaret Simpson; ilustrações
de Philip Reeve; tradução de Eduardo Brandão. — São Paulo:
Companhia das Letras, 2002.
Título original: Cleopatra and her asp
ISBN 85-359-0247-3
1. Cleópatra – Literatura infantojuvenil I. Reeve, Philip.
II. Título.
02-2201 CDD-028.5
Índices para catálogo sistemático:
1. Cleópatra: Literatura infantil: 028.5
2. Cleópatra: Literatura infantojuvenil: 028.5
2013
Todos os direitos desta edição reservados à
EDITORA SCHWARCZ S.A.
Rua Bandeira Paulista, 702, cj. 32
04532-002 — São Paulo — SP — Brasil
Telefone: (11) 3707-3500
Fax: (11) 3707-3501
[Link]
[Link]
Composição: Américo Freiria
Impressão: Geográfica
A marca FSC® é a garantia de que a madeira utilizada na fabricação do
papel deste livro provém de florestas que foram gerenciadas de
maneira ambientalmente correta, socialmente justa e economica-
mente viável, além de outras fontes de origem controlada.
Introdução 5
Os ancestrais da Cleo 8
A família da Cleo 19
Safras ruins e vizinhos poderosos 32
A rainha Cleo 51
César e Cleópatra 74
Cleo e Roma 93
Em casa, sozinha 108
Antônio e Cleópatra 121
Antônio vai à guerra 142
Antônio e Cleo versus Roma 161
Depois de Cleópatra 189
Cleópatra foi a última rainha do Egito. Morreu há mais
de dois mil anos, mas vai ser para sempre uma morta de
fama! Desde os tempos dos romanos todo mundo tem
alguma coisa a dizer sobre ela...
ELA ERA UMA ELA SE MATOU EXUBERANTE,
SEM-VERGONHA, COM UMA CHARMOSA, UMA
UMA NAMORADEIRA, VÍBORA, VERDADEIRA
ROUBOU NOSSOS POR AMOR! ESTRELA!
MELHORES HOMENS!
1º ATO
Roteiro: A
TR
CLEÓPA
de
e
Cecílio D
Millus
Nada disso! Cleópatra não tinha nada de especial como
mulher — era até meio baixinha e gorducha —, mas era in-
5
Cleópatra e sua víbora
teligente de matar. Falava nove línguas, escreveu livros e tor-
nou seu país um país rico. E, acima de tudo, conseguiu so-
breviver à sua própria família — todos foram uns mortos
de fama pela maneira como se mataram uns aos outros!
Quando subiu ao trono, tinha apenas dezenove anos!
Reinou por 21 anos com a ajuda de dois namorados mui-
to bem escolhidos: os RSs (Romanos Superpoderosos) Jú-
lio César e Marco Antônio. Mas o maior amor da vida de-
la foi, provavelmente, seu país, o Egito. Você vai conhecer
a rainha corajosa, brilhante, implacável — e, sim senho-
res, rica e charmosa ainda por cima — que era a Cleo.
No fim, Cleo não tinha mais nenhum RS para protegê-
-la. Achou que era melhor morrer do que viver como pri-
sioneira dos romanos, então vestiu sua mais linda rou-
pa, pôs a coroa na cabeça e se matou...
MAS ISSO É BEM NO FIM DO LIVRO.
ANTES DE CHEGAR LÁ, UM MONTE DE
COISAS INTERESSANTES,
ASSUSTADORAS E ELETRIZANTES DE
MATAR ACONTECERAM COMIGO
A “Viperina” vai lhe revelar como era a vida no Egito,
e nas páginas de O Centurião você vai conhecer o ponto
de vista dos [Link]ém vai ficar por dentro do que
se pichava nos muros do Egito e bisbilhotar o diário se-
creto da Cleo. Logo, logo você vai saber tudo sobre a Cleo
e sua víbora egípcia.
6
Introdução
O que é uma víbora?
Uma víbora é uma cobra —
pequena e venenosíssima. A
víbora egípcia dilata o pesco-
ço quando alguém a irrita e
aparece na coroa de muitos
deuses e reis do Egito. Cleo
sempre usava uma coroa vipe-
rina nas ocasiões importantes.
Por que uma víbora?
Ninguém tem absoluta certeza, mas parece que os
reis do Egito antigo tinham todo tipo de poderes
mágicos, inclusive o de domar e encantar serpentes.
Uma víbora mostrando a língua na coroa era uma
boa forma de lembrar aos inimigos que a cobra es-
tava do lado do rei. De arrepiar!
7
Cleópatra era rainha do Egito, mas não era propriamen-
te egípcia. Pertencia à família Ptolomeu, e os Ptolomeus
eram naturais da Macedônia, hoje parte da Grécia. Na
verdade, fazia trezentos anos que a família da Cleo vivia
no Egito, mas para os egípcios trezentos anos não era na-
da. Os Ptolomeus ainda eram gente nova no pedaço.
O Egito tinha sido uma grande civilização milhares de
anos antes de a Cleo virar rainha. Tanto é verdade que já
em 3000 a.C. — talvez até antes disso — os faraós ou
reis egípcios haviam construído as pirâmides, além de
enormes e misteriosos templos para seus deuses. Grana
é que não lhes faltava. O Egito era o país mais rico do
mundo e o centro de um vasto império.
ESTÁ NA HORA DE A GENTE
CONSTRUIR OUTRO TEMPLO
MISTERIOSO... E ESSE SIM
É QUE VAI SER GRANDE!
8
Os ancestrais da Cleo
Mas, lá por 1000 a.C., o Egito dos faraós, enfraqueci-
do, foi conquistado primeiro pelos assírios, depois pelos
partos. E em torno de 330 a.C. outra grande civilização
começava a conquistar o mundo: a dos gregos.
ÉCIA
GR MAR
NEGRO
MAR
CÁS
PIO
AAAI!
OS GREGOS!
MAR
ASS
MEDITERRÂNEO
ÍRI
PÉRSIA
A
EGITO
GO
LF
MAR
O
VERM
PÉ
RS
ELHO
IC
O
Os gregos eram liderados por um dos mais famosos
generais da história: Alexandre Magno. Alexandre ado-
rava guerrear e conquistar. Não fazia outra coisa. O Egi-
to foi apenas um dos países que ele conquistou, mas foi
sua maior conquista. Os reis do Egito podiam estar en-
fraquecidos, mas o Egito ainda era um país riquíssimo.
Os gregos conquistadores eram campeões em matéria
de meter a mão na riqueza alheia. Também surrupiaram
algumas ideias religiosas dos antigos egípcios. Acharam
ótima, em particular, a ideia dos reis-deuses.
9
Cleópatra e sua víbora
Deuses e deusas egípcios
Os egípcios tinham centenas de deuses e deusas. Aqui es-
tão os quatro mais importantes:
Rá era o deus-sol, o paizão de todo mundo, pai de to-
dos os faraós também. Tinha cabeça de falcão e corpo
humano. Na cabeça, o Sol e aquela víbora sagrada que
cospe chamas para matar os inimigos. Uma lenda diz
que ele nascia todas as manhãs como criança e morria
velhote todas as noites.
Osíris e Ísis eram gêmeos, filhos do Céu e da Terra.
Apaixonaram-se um pelo outro antes mesmo de nascer
e, quando cresceram, se casaram.
Osíris era o próprio Bom-Moço, enquanto seu mano,
Set, o Malvadão, o odiava tanto que acabou matando-o
e cortando-o em pedacinhos. É por isso que Osíris é co-
nhecido como Deus dos Mortos. Costuma ser represen-
tado enrolado como uma múmia, com uma coroa bran-
ÍSIS
RÁ
10
Os ancestrais da Cleo
ca, empunhando um cetro e um mangual, que é um ins-
trumento para debulhar cereais.
Ísis — a superdeusa — ficou arrasada quando Osíris
morreu. Com a ajuda do deus da medicina, Tot, deu um
jeito de encontrar os pedaços do mano-marido amado e
juntou todos eles de novo — fora os penduricalhos do
meio das pernas. Mas ela era tão poderosa que deu um
jeito de, mesmo assim, ter um filho com o amado mari-
do morto. Ísis tinha chifres e um sol na cabeça, e um
guarda-roupa de arrasar. Todo ano, organizavam-se gran-
des festas em sua homenagem. Era a deusa das colhei-
tas. Cleo adorava se vestir igualzinho a Ísis.
Hórus era o filho de Ísis, por isso o pessoal dizia que
ele era Osíris redivivo — quer dizer, que voltou à vida.
Governava com a mãe. Também tinha cabeça de falcão.
O pessoal o confundia com outro Hórus, o grande deus
do céu, o que o tornava ainda mais poderoso.
OSÍRIS PUXA, É A
CARA DO AVÔ...
HÓRUS
11
Cleópatra e sua víbora
Reis sem nome
Os antigos egípcios acreditavam que seus reis descen-
diam desses deuses. Claro, alguns sabiam que não era
verdade e que seus reis eram homens comuns. Mas dis-
farçavam, dizendo que quando o rei recebia toda a sua
tralha real, o espírito de Hórus baixava nele. A partir des-
se dia, ele se tornava sagrado — e tão sagrado que não
podia mais ser chamado pelo nome. Passava a ser cha-
mado de per-a’a, que deu origem a faraó e quer dizer
“Casa Real”. É mais ou menos como se chamássemos o
presidente da República de Palácio da Alvorada.
A consorte* do faraó, ou rainha, era a deusa Ísis. Em
geral era uma irmã do rei!
Alexandre Magno
BOM, COMO É QUE VOU
Depois de conquistar o Egito, Ale-
ME CHAMAR? ALEXANDRE, xandre Magno (isto é, Alexandre,
O GÊNIO? ALEXANDRE,
O MÁXIMO? ALEXANDRE, o Grande) foi consultar o oráculo
O GOSTOSÃO? AH, JÁ SEI!
ALEXANDRE MAGNO!
do deus-sol egípcio, Rá. Os orácu-
los eram lugares onde se dizia que
um deus falava e respondia pergun-
tas. Em geral, ficavam em templos
ou cavernas. Este ficava em Siwa,
um oásis no deserto.
Consultar oráculos estava súper
na moda, tanto na Grécia como no Egito. Era mais ou me-
nos como, hoje em dia, consultar alguém que joga búzios
ou lê tarô. Só que então a coisa era mais formal: a respos-
ta era dada por um sacerdote, responsável pelo oráculo.
* Consorte não quer dizer “sortuda”, mas “que compartilha o
poder com outro”. (N. T.)
12
Os ancestrais da Cleo
GRANDE DEUS DO ORÁCULO, O ORÁCULO
DIGA-ME, POR FAVOR, DISSE QUE VOCÊ
QUAL O NOME DO MEU PAI. É FILHO DE RÁ!
OBA! EU SABIA QUE EU ERA CLARO, SENHOR, O QUE
UM DEUS! ENTÃO POSSO SER MEU MESTRE MANDAR.
COROADO REI DO EGITO!
Alexandre proclamou-se rei do Egito. Para comemorar,
fundou uma nova cidade na foz do rio Nilo, que chamou
de Alexandria. Não era nenhuma novidade. Ele deixava
uma Alexandria em cada país que conquistava. Modes-
to, o carinha, não acha? Quando morreu, havia 29 cida-
des chamadas Alexandria!
A Alexandria do Egito é a mais famosa de todas. Mas o
coitado do Alex não viveu para vê-la. Partiu para outra guer-
ra e morreu quando a cidade estava sendo construída —
uma senhora cidade, diga-se! Tinha avenidas enormes e lar-
gas, grandes edifícios públicos. Foi lá que Cleópatra cres-
ceu, duzentos anos depois de Alexandre, quando a cidade
contava centenas de milhares de habitantes originários do
mundo todo. Era um porto movimentado, com um sem-
-número de comerciantes, lojas, diversões — e criminosos.
13
Cleópatra e sua víbora
O MUSEU: era como uma A BIBLIOTECA: a
universidade hoje. Tinha maior e mais bem
refeitório e alojamento para sortida do mundo.
centenas de estudantes, salas Fazia parte do Museu.
de leitura e laboratórios.
O GINÁSIO: não era só
um local para esportes —
era como uma escola.
O BRUCHEION:*
palácio real. Cleo,
seus irmãos e irmãs
cresceram aqui.
*Diga bruquéion. (N. T.)
14
Os ancestrais da Cleo
O MERCADO: vendia FAROL: uma das sete maravilhas
tudo, de comida e do mundo antigo. Uma torre de
roupas a maquiagem mais de 120 m de altura bem na
e brinquedos. entrada da baía. Podia-se ver a
luz do fogo aceso em seu topo a
mais de 50 km de distância. Uma
bomba hidráulica elevava o
combustível para a chama.
O HEPTASTADION:
passeio que levava da
cidade à ilha de Faros.
A BAÍA: navios do
mundo todo aportavam
aqui, transportando
tudo, de especiarias a
soldados.
15
Cleópatra e sua víbora
Depois de Alexandre
Alexandre Magno tinha apenas 33 anos quando morreu.
Tinha conquistado praticamente tudo o que havia para
conquistar. Todos os anos ele conduzia seus homens em
meses de marcha, combates, e mais marchas em condi-
ções duríssimas. Chegou a marchar com seus homens até
a Índia, passando pela cordilheira do Himalaia! Vai ver
que morreu de cansaço.
Quando ele morreu, todos os seus generais trataram
de se apoderar de pedaços do seu gigantesco império.
Ptolomeu, um general macedônio bom de briga, passou
a mão no Egito.
≥
O≥ EGITO E SEU≤
≥
E MEU¡ E¿
Calma, gente... Ainda
na–o
morri...
Ptolomeu e seus sucessores nunca se deram ao trabalho
de aprender a língua dos egípcios, mas, como Alexandre,
foram logo adotando a ideia de reis-deuses. O problema
de ser um rei-deus é que não dava para se casar com uma
mulher qualquer. Tinha de ser com uma rainha-deusa, e
rainhas-deusas eles só podiam encontrar na sua própria
família. De modo que, como os faraós antes deles, os Pto-
lomeus se casaram com suas irmãs.
Seus parentes gregos ficaram chocados com isso. Quan-
do Ptolomeu II se casou com a irmã, um poeta grego cha-
mado Sótades lhe disse que aquilo era uma indecência.
16
Os ancestrais da Cleo
Ptolomeu II ficou uma fera. Meteu o poeta num caixote
de madeira e jogou o caixote no mar.
EU ESTAVA
BRINCANDO¡
Os Ptolomeus não só se casavam com suas irmãs, mas
chamavam quase todos os seus filhos de Ptolomeu e qua-
se todas as suas filhas de Cleópatra. Assim, volta e meia
tinha um Ptolomeu se casando com uma Cleópatra, o
que deve ter causado muita confusão em casa.
HEM?
HEM?
PTOLOMEU¡
HEM?
A Cleópatra que nos interessa aqui — a única famosa —
tinha uma irmã mais velha chamada Cleópatra e dois ir-
mãos mais novos chamados Ptolomeu, além de duas ou-
tras irmãs que não se chamavam Cleópatra. Achou com-
plicado? E é mesmo!
Tudo em família
Os Ptolomeus se casavam com suas irmãs (ou, às vezes,
com suas madrastas ou enteadas!) porque pensavam que
essa era a melhor maneira de se garantir contra alguma
17
Cleópatra e sua víbora
traição. Pois estavam redondamente enganados! O resul-
tado desses casórios foi trazer o inimigo para dentro de
casa. Irmãos e irmãs, mães e filhos, pais e filhas reina-
vam em conjunto, até se desentenderem — e sempre aca-
bavam se desentendendo. Então, na maioria das vezes, a
briga acabava em assassinato! Tinha sempre um Ptolo-
meu matando outro. E nossa Cleo não foi exceção.
E VOCÊ RECLAMA DAS
BRIGAS NA SUA FAMÍLIA...
!
ARGH
AC
TCH
Os primeiros Ptolomeus não admitiam desordens. Sol-
dados durões, mantinham os egípcios na linha. Mas, com
o passar do tempo, a vida no Egito os tornou gordos e
preguiçosos. Um dos últimos Ptolomeus, Ptolomeu VIII,
era tão gordo que precisava que dois criados, um de ca-
da lado, o amparassem para poder andar.
Em 80 a.C., a mulher (e madrasta!) de outro Ptolo-
meu — Ptolomeu XI — morreu misteriosamente. Corria
à boca miúda em Alexandria que ele a assassinara. Como
já não gostavam muito dele, aquilo serviu de pretexto pa-
ra que o matassem. Como não teve filhos, tiveram de pro-
curar um novo rei. Escolheram o filho de um Ptolomeu an-
terior. O cara adotou o nome de Ptolomeu XII e se casou
— adivinhe com quem? — com a irmã, Cleópatra.
18